Retornamos para Salvador porque minhas férias tinham acabado e, além de voltar à rotina, tínhamos outra missão importante nos esperando: organizar o aniversário de um aninho de Dom. O mais engraçado era que, mesmo com a festa dele praticamente batendo na porta, os aniversários de Milena e Kaique, que ainda seriam em setembro, já eram mais comentados pela casa, principalmente porque a proposta tinha sido quase uma convocação, e Mih tinha os próprios planos para transformar aquele dia em um momento ainda mais especial para os dois.
O aniversário de Ninho caiu no meio da semana e, mutuamente, Júlia e eu sentimos uma vontade genuína e inexplicável de comemorar naquele mesmo dia. Geralmente, prorrogamos nossos festejos para o final de semana, justamente para que todo mundo consiga participar e aproveitar da melhor maneira possível, mas, daquela vez, sem nenhum motivo específico, nós duas simplesmente achamos que seria legal comemorar no dia. E, para nossa sorte, isso não atrapalharia praticamente ninguém, porque boa parte da nossa família ainda estava de férias. Então, pela primeira vez, não precisávamos encontrar uma data alternativa ou fazer malabarismos com horários para conseguir reunir todo mundo. Era o aniversário de um ano do nosso filho e queríamos viver aquele dia inteiro como ele merecia.
Juh é ótima com eventos. Ela organiza uma festa como ninguém e ama se envolver em absolutamente tudo, desde as coisas mais importantes até os mínimos detalhes que eu provavelmente nem perceberia se não fosse ela. Naturalmente, minha gatinha estava empolgadíssima. Como nosso caçula ainda não tinha condições de escolher o próprio tema, a missão ficou por nossa conta. Pensamos que, ao longo da vida, ele ainda teria muitas fases e provavelmente escolheria sozinho as coisas de que gostasse. Em algum momento, heróis, esportes, BANDAS e sabe-se lá mais o quê certamente apareceriam nas nossas festas, porque eu conheço bem os filhos que tenho e sei que opinião não vai faltar. Então, resolvemos aproveitar aquele primeiro aniversário para escolher algo mais simples, delicado e fofinho. Depois de algumas ideias, decidimos que a festa seria inspirada no universo de O Rei Leão.
~ Inclusive, não me deixem esquecer de contar a primeira vez que ele assistiu 🤣
O dia começou com Juh já emocionada pela manhã. Estávamos somente nós duas na cama, e ela agradecia a Deus pelo milagre que nosso neném era em nossas vidas, falando sobre o quanto nossos três filhotes nos completavam e sobre a felicidade de termos construído aquela família. Eu ouvia tudo abraçada a ela e sentia meu peito inflar de alegria, porque, naquele momento, eu só conseguia enxergar a sorte que tinha tido. Eu encontrei o amor da minha vida e, com ela, demos continuidade à nossa família de uma maneira que, anos antes, eu talvez nem imaginasse ser possível sonhar com tudo o que vivo. Ficamos abraçadas por um tempão, trocando carinho e aproveitando nosso momentinho, até decidirmos que já estava na hora de levantar e acordar Ninho.
Só que, quando chegamos ao quarto dele, descobrimos que tínhamos perdido a missão. Mih e Kaká já tinham feito o trabalho antes de nós, e Ninho estava acordado, cercado pelos dois, brincando e recebendo uma quantidade exagerada, ou merecida, de beijinhos. Ficamos paradas por alguns segundos apenas observando a cena, porque era impossível não sorrir vendo os três juntos daquele jeito. Milena e Kaique já tinham assumido naturalmente o papel de irmãos mais velhos e pareciam tão animados quanto nós com aquele primeiro aniversário. Ninho, por sua vez, não fazia a menor ideia de que aquele dia tinha um significado especial. Para ele, era só mais uma manhã em que acordava cercado pelas pessoas que amava, recebendo atenção, carinho e beijos dos irmãos.
— Parabéns, meu amoooor — Juh falou, roubando-o dos guris.
E imediatamente Dom bateu palminhas.
— Feliz aniversário, gatinho — disse, enchendo a curva do pescoço dele de beijos.
Ele sentiu cócegas e riu, se agarrando em Júlia. Foi o suficiente para ele lembrar do pepê e solicitar um mamazinho matinal.
— A gente vai preparar seu cafezinho especial, guloso — Kaká brincou.
— Acho que nada é mais especial para ele do que o pepezinho — falei, dando mais beijinhos nele.
Nesse momento, ele me agarrou, e eu fiquei ali um pouquinho, com a cabeça levemente encostada na barriguinha dele, sentindo sua mãozinha segurando meu rosto para que eu não saísse dali tão cedo.
Quando tentei levantar, ele não gostou nadinha e ficou apontando para mim.
— Áh — Dom dizia em protesto.
Pelo menos foi como interpretei, porque, nesse tempo, era "Áh" para tudo.
— Agora foi que deu — falei, porém adorando o chameguinho.
Depois partimos para a cozinha. A coisa mais linda da vida era ele, de fraldinha, em pé na bancada, batendo palminhas a cada parabéns que a gente cantava enquanto cortávamos as frutinhas.
— Meu Deus, ele está muito fofo, não estou aguentando — Milena disse e rodopiou com ele no colo.
— Dá beijinho em sua irmã, dá — falei, e ele encostou a boca na bochecha dela.
— Aeeee — vibramos.
Ele havia acabado de aprender, e a gente não perdia a oportunidade de pedir.
— Vamos dar um chocolate para ele? Só um pedacinho... Hoje pode... — Kaique pediu.
— É... Só um quadradinho... — Milena corroborou.
Olhei para Juh, que já olhava para mim, e então concordamos. Não era o combinado inicial, porém o cara não vai fazer um ano de idade todo dia. Um garoto tão doce merecia adoçar ainda mais o seu dia especial com um chocolatinho.
Abrimos uma barra, e Kaká entregou o pedacinho na mão dele. Dom levou até a boca e deu uma micro mordida, suficiente para deixar a marquinha dos dentes, contudo, bem pequena.
Ficamos observando a reação e, depois de mastigar o quanto achou suficiente, enquanto fazia uma expressão de quem ainda estava processando aquele novo sabor, ele enfiou o restante do quadradinho todo babado na boca de Kaique e virou para pegar uma rodela de banana cozida.
— Anticorpos — Kaká falou enquanto mastigava, e rimos.
— Era para eu ter gravado para mostrar no futuro que ele rejeitou a delicinha que é isso aqui — brinquei.
Assim que terminamos o nosso café, o dia verdadeiramente começou. A família e o pessoal da festa começaram a chegar para organizar tudo. E foi então que percebemos o óbvio: não seria tão fácil como das outras vezes, porque agora tínhamos um gurizinho agitado querendo atenção, principalmente das mamães, e que não entendia que toda aquela gente estava ali ocupada por ele, mas não para ele naquele instante.
Pensei em ligar para Dona Sônia e pedir um help, porém não iria adiantar muito. Meus sogros e meus cunhados estavam ali e poderiam facilmente distraí-lo. O problema era que ele queria dar a mãozinha para a gente e andar de um lado para o outro. Até brincava e interagia por uns cinco minutos com eles, contudo, voltava engatinhando em seguida.
— Amor, leva ele para cortar o cabelo logo agora, que eu tento agilizar os afazeres por aqui — Juh sugeriu, e foi o que eu fiz.
O cabelo de Ninho é bem preto, como o de Juh. Tem fios grossos e enrola nas pontas. Sempre foi bem cheio, mas a gente nunca tinha cortado, atendendo ao pedido de Kaique, que gosta de cabelos compridos. Mais ou menos na chegada dos onze meses, percebemos que estava começando a atrapalhar, e o calor que vinha aumentando não ajudou. Então, decidimos que estava na hora de passar ao menos uma tesoura.
Assim que cheguei lá, depois de um trânsito surreal, o barbeiro brincou que eu estava compensando o fato de Kaká quase nunca ir lá cortar o cabelo com um novo cliente e que ele aceitava esse tipo de reparação porque equilibrava a nossa negociação. Ri e coloquei Dom sentado na cadeira infantil. Era um modelo de carro, e ele pareceu interessado nas cores no início, mas logo se inquietou com a água, e tentamos prosseguir com ele no meu colo. No meio do corte, ele chegou ao limite e começou a chorar. Pedi para parar um pouquinho e fui acalmá-lo, conversando com ele e dizendo que já estava acabando, enquanto mostrava sua própria imagem no espelho à nossa frente.
— Quer dar um pirulito? Na maioria das vezes resolve — o barbeiro sugeriu.
— Bora — concordei.
Eu só queria terminar aquele corte e resolvi escutar a voz da experiência.
Coloquei o pirulito na boca dele, e até que funcionou como um novo instrumento de distração. Mas, novamente, ele deu um jeito de se livrar de algo que estava provando, enfiando na boca das pessoas. O pirulito de maçã babado estava excelente, por ser verdade, dou fé!
E, indo de um canto para o outro com ele, finalizamos. Mesmo com toda a movimentação, o barbeiro conseguiu deixar a lateral bem baixinha. Ficou um corte de rapazinho lindo para comemorar o primeiro aninho do meu neném.
— Apararam a juba do leão... Que ironia com o tema da festa — Kaká comentou assim que chegamos.
— É um leãozinho sendo domesticado — brinquei para descontrair.
Eu sei como o cabelo é importante para a autoestima do meu filhote e não quis ficar insistindo no assunto.
— Mas tá lindo demais — Kaique falou, apertando a bochecha de Dom.
— Áh! — Ninho disse, apontando para Juh, que estava longe.
Ela percebeu que chegamos e veio até nós.
— Ai, meu Deus... Que mocinho!!! — minha gatinha exclamou.
— Amor... Foi uma picula... — falei, passando a mão no rosto e percebendo que nós dois estávamos cheios de fios de cabelo.
— Por aqui também... — ela disse, em um tom nada animado.
— O que foi, gatinha? — quis saber, mas Juh só balançou a cabeça negativamente.
Olhei ao redor e estava tudo parcialmente pronto, porém o clima não estava o mesmo que eu deixei. Provavelmente, algo tinha acontecido. Como tinha muita gente ao redor, preferi não insistir.
Dei um beijinho nela e, sem a gente pedir, Dom fez o mesmo, e acabamos caindo na risada.
— Vai tomar um banhozinho para almoçar, vai? — Júlia perguntou, e ele já estava se jogando para o colo dela.
Entramos em casa e Mih, que estava batendo um prato enorme de uma feijoada muito apetitosa, veio correndo conferir o novo visual do irmãozinho.
Dei um beijo em Dona Jacira e falei que, pelo cheiro daquele feijão, já sabia que tinha sido ela quem tinha feito. Só ia tomar um banho rapidinho para poder degustar aquela maravilha, porque eu estava me coçando dos pés à cabeça. Ela, como sempre, fugiu dos elogios e disse que o corte tinha sido providencial, porque, enquanto eu estava fora com Dom, eles tinham conseguido adiantar muitas coisas, o que me deu a sensação de que, pelo menos por alguns minutos, eu poderia simplesmente tomar meu banho sem precisar resolver mais nada.
Fui para o banheiro e entrei no chuveiro despreocupada, ouvindo Mih dizer que daria o banho de Dom. Achei que seria perfeito, porque eu conseguiria tomar minha ducha com calma enquanto ela cuidava do irmão. Pouco tempo depois, ainda debaixo da água, ouvi em alto e bom som a voz dela atravessando a casa.
— Poxa, Dom. Não acredito!
Logo depois, veio um choro bem forte do pequenino. Na mesma hora, adiantei meu banho. Eu não sabia o que tinha acontecido, mas conhecia aquele choro e sabia que não era simplesmente uma reclamação qualquer. Quando saí do banheiro, encontrei Juh deitada com Dom no peito e Milena com o rosto enfiado na mamãe, aparentemente chorando, enquanto Juh fazia carinho no cabelo dela, pedindo calma baixinho e soprando o rosto da nossa filha. Acho que fiz a maior cara de interrogação já vista na face da Terra, porque eu realmente não estava entendendo absolutamente nada. Júlia apenas negou com a cabeça, como quem dizia para eu não perguntar naquele momento e só acolher.
Deitei ao lado deles, e Mih se aconchegou em mim. Eu continuava sem compreender o que tinha acontecido, mas a acolhi da mesma maneira que Juh estava fazendo. Dei um beijinho nela e fiquei ali, fazendo carinho enquanto esperava que conseguisse se acalmar. Assim que a respiração dela ficou mais tranquila, Milena começou a contar o que tinha acontecido, ainda com a voz embargada. Era uma situação pequena, mas, naquele momento, para ela, parecia enorme. Mih estava triste, se sentindo culpada e preocupada por ter assustado o irmão no próprio aniversário, então não havia motivo algum para eu transformar aquilo em uma bronca ou tentar minimizar o que ela estava sentindo.
— Eu gritei e assustei ele... Não queria ter feito isso — disse e voltou a ficar com a voz embargada.
— Porque ele, sem querer, derrubou refrigerante no vestido que ela ia usar — Juh explicou.
— Não fica assim, foi sem querer... Vocês dois se assustaram e vai ficar tudo bem — garanti e dei outro beijinho nela.
— Justo no aniversário dele — Mih lamentou.
— Põe ele para dormir para vocês fazerem as pazes — Juh falou e passou Ninho para ela, bêbado de sono.
Milena começou a acariciar o cabelinho dele e, em pouco tempo, Ninho dormiu. A cena acabou ficando até bonita depois que a tensão passou. Ele estava completamente alheio ao drama que tinha acontecido poucos minutos antes, entregue ao sono no colo da irmã, enquanto ela fazia carinho nele com o cuidado de quem realmente queria reparar o que achava ter feito de errado. Júlia e eu ainda ficamos ali com ela por mais um tempo, conversando e aconselhando que também dormisse um pouco, principalmente porque ela começou a sentir dor de cabeça. Depois de tanto chorar e se preocupar, acabou cedendo ao nosso conselho e dormiu também.
— Falei que ela pode usar um meu — Juh disse, se dirigindo ao closet.
— Você é ótima... — falei, abraçando-a por trás.
— Esse é na mesma cor — ela comentou, me mostrando um.
— Bonito, ela vai gostar — afirmei.
— Vou deixar separado — Júlia falou, aparentemente feliz por ter conseguido achar uma solução rápida.
Fiquei olhando para minha esposa por alguns segundos. Ela já tinha resolvido o problema do vestido, acalmado Milena, colocado Ninho para dormir e ainda estava tentando manter a organização daquele dia que tinha começado tão bonito. Só que eu conhecia minha gatinha o suficiente para saber que havia outra coisa incomodando. O humor dela já tinha melhorado um pouco, porém ainda havia aquela expressão que eu tinha percebido assim que cheguei do barbeiro.
— E quem estressou minha gatinha hoje, posso saber? — perguntei.
— Iury... — ela respondeu, respirando fundo.
Foi então que percebi uma coisa que eu não tinha notado quando retornei. Quando cheguei, só encontrei Lana e minha sogra por ali. Sr. José e meu cunhado não estavam na casa. Até aquele momento, eu simplesmente tinha presumido que eles estavam envolvidos em alguma outra parte dos preparativos, mas a ausência dos dois agora fazia sentido.
— O que ele fez e cadê ele? — questionei.
— O de sempre, enchendo o meu saco. Mas minha mãe brigou com ele e pediu para meu pai ir conversar com ele. Os dois saíram um pouco antes de você chegar — minha gatinha me explicou.
— Puta que pariu... Até no dia de hoje, com todo mundo ocupado... — comentei.
— Inclusive ele... Mas deixa para lá, não quero focar nisso — Juh me pediu, e eu confirmei, balançando a cabeça positivamente.
Não precisava insistir. Se minha esposa estava dizendo que não queria gastar energia com aquilo, eu não seria a pessoa a fazer o contrário. Segurei o rostinho dela entre as minhas mãos e comecei uma sessão de carinhos, porque, naquele momento, eu queria cuidar dela do mesmo jeito que tínhamos acabado de cuidar dos nossos filhos. Amassei Juh com todo amor que ela merecia, com toda a vontade que eu estava de vê-la bem novamente, distribuindo beijos e carinho até perceber que aquela tensão começava a ir embora. Ficamos um bom tempo de amorzinho, sem pressa nenhuma, até o humor dela voltar com força e aquele sorriso lindo tomar conta do rosto da minha gatinha outra vez.
— Linda! — exclamei, enquanto saíamos do quarto.
— Eu te amo tanto, tanto, tanto — ela sussurrou para não acordar nossos bebês.
E foi quando eu olhei para frente, através da janela, e vi Kaique rindo em cima do telhado da garagem. Ele tinha usado a escada do pessoal da decoração para subir.
— O que esse menino está fazendo ali? — perguntei, sem acreditar.
— Vai você — Júlia disse, me empurrando e rindo.
Saí e fiquei olhando para ele, que nem notou minha presença, de tanto que estava rindo enquanto olhava para a tela do celular.
— Ô, rapaz, desça daí agora, vá — chamei a atenção dele.
E, ainda rindo, Kaká desceu e me entregou o celular.
— Se eu fosse Dom, também ia chorar, mãe — ele disse.
E aí eu vi que ele estava assistindo à gravação da câmera do corredor. Depois do banho, Mih estava colocando Dom para dormir. Ele choramingou para ir para o chão, e Milena deixou ele engatinhando por ali enquanto buscava a então extinta naninha. Ninho entrou por duas vezes no quarto dela, onde estavam nossas roupas passadas, e, na terceira vez, Mih resolveu colocar a arara no corredor. Ela não aguentou o peso, e Mih foi tirando dois cabides por vez. O último vestido seria o dela, mas Dom interrompeu o serviço da irmã.
Não dá para ver o flagrante porque nos quartos não há câmeras, contudo, Kaique me contou que, assim que ele derramou o refri, saiu de lá. Então, temos a cena da bronca que ela dá, visivelmente brava, Dom fazendo um biquinho por ver, pela primeira vez, sua irmã sendo dura com ele e começando a chorar.
Contando aqui e quando Milena relatou, não parecia nada engraçado. Mas, assistindo a tudo, eu juro que tem, sim, um pouco de graça.
Todo mundo estava estressado e Ninho acordou decidido a não colaborar com o andamento daquele dia, então, em algum momento, alguém ia explodir, e esse alguém calhou de ser Mih, que só estava tentando prevenir o acidente.
— Olha... Agora a gente não vai zoar, mas depois... — comentei, rindo.
E acabei esquecendo de falar para ele parar de subir no telhado, contudo, acredito que ele acabou entendendo.
Entramos e minha sogra estava mostrando a Juh que tirou a mancha do vestido com limão e alguma outra porção mágica, creio eu, porque nem parecia que, minutos antes, tinha caído refrigerante de uva ali.
No fim, Mih pôde escolher qual vestido iria usar. Estava tudo certo para ser o de Júlia, porém, pelo esforço da vovó, ela preferiu o dela mesmo.
Dom acordou um novo menino. Tudo que a gente torcia para que acontecesse no aniversário aconteceu. Ele pôde aproveitar bastante, brincou com os primos, foi um mocinho simpático com todos os convidados e distribuiu bastante beijinhos. Só não quis comer nada além de uns golinhos no pepê e, lá para o final da festa, cansou de andar de mãos dadas com o pessoal, usou a estratégia de esticar os bracinhos para cima a fim de que alguém o carregasse e não faltaram colinhos.
Em determinado momento, começaram a entrar os personagens do filme e de cara, Ninho adorou. Olhei para Juh pronta para rir.
— Não era uma festa simples e intimista? Eu estava me segurando para zoar depois, mas com essa agora... — Brinquei.
— Ué... Não fui eu que... Pera, não foi você quem contratou???? — Júlia me questionou.
— Não! — Exclamei, assustada.
O macaco foi lá e meteu a porra do cajado na minha cabeça.
— Somos nós, caralhooooo — Ouvi a voz do meu irmão dizer.
E não teve como não rir.
A animação dele nos parabéns foi contagiante. A gente ensaiou tanto para que ele aprendesse e não se assustasse com as palmas que ele acabou gostando. Em todas as fotos, ele está com um sorrisão enorme, e dá para perceber a felicidade estampada em todos nós por simplesmente ver o nosso garotinho de um ano se divertindo na própria festa.
Dom só dormiu quando acabou. Milena e Kaique deitaram com ele, e Juh e eu ficamos contando o nosso dia para Lorenzo, Loren, Sarah e Victor. Eles se divertiram às nossas custas e lamentaram por não conseguirem chegar mais cedo, a trama das fantasias surgiu um pouco tarde na imaginação deles. Brinquei que cobraria um vale-night de cada um, e ficamos ali naquela resenha.
Lorenzo armou as redes de volta, e ainda ficamos tomando umas cervejas na varanda, mas, como no outro dia eu e Loren já iríamos trabalhar, nem nos prolongamos como gostaríamos e logo nos despedimos, marcando uma ressaca para o sábado.
— Nunca mais aniversário aqui — Juh desabafou, enquanto se ajeitava sobre mim novamente, e eu ri.
No balanço da rede, ela pegou no sono. Achei que seria um cochilo, porém, Júlia realmente apagou, e eu fiquei com pena de levantar.
Pensei: "Ah, eu durmo aqui tranquilamente também".
Vi as luzes sendo apagadas e alguém chegando perto da gente.
— Mãe? — Milena me chamou.
— A mamãe apagou, vou ficar por aqui mesmo — já expliquei para ela, rindo.
Acho que, de imediato, ela queria dizer: "Oxe, que loucura!", mas, uns cinco segundos depois, soltou um sorrisinho.
— Amo o amor de vocês — Mih falou.
— Que lindo, filha... Nós te amamos muito também... — disse para ela.
Milena me deu um beijinho e saiu. Achei que ela fosse dormir, mas minha filhota voltou com um travesseiro e uma máscara de dormir para mim e nos cobriu.
Agradeci com o máximo de beijos que pude, porque eu nem imaginava que provavelmente precisaria muito daquilo para não chegar toda dolorida ao hospital, porém, o cuidado dela me fez perceber mais uma vez as atitudes delicadas e especiais que Mih tem.
— Amo seu amor por nós — disse-lhe.
— E nós três amamos muito vocês — ela respondeu.
Acordei às cinco da manhã, olhei para o lado e minha mãe estava sentada à mesa com uma xícara de chá nas mãos, rindo da gente e mostrando para o meu pai.
~ Fui obrigada a acordar meu amô 🤏🏽❤️🥺
E sabem o que ela me pediu??? Para cobrar o vale night, porque queria ir para a Cabana comigo.
