Claro que fugir da mansão é só o primeiro passo. Eu preciso garantir que sei para onde ir daqui, portanto assim que chego na base da estrada, há dois acessos. Eu tenho que ser esperta, só um deles vai garantir minha liberdade, já que preciso escolher, vou pelo que a estrada acaba mais cedo para me livrar logo do carro que sem dúvida é rastreado.
E eu tenho certeza que Jonathan não vai demorar para estar atrás de mim, então escolho tomar a estrada para Cubatão, cidade mais próxima, preciso me livrar logo do carro, mandei uma mensagem para o Alberto e Christian visualização única, mesmo eu não consigo reler o que escrevi, isso garante que mesmo se ele tiver acesso as minhas mensagens, essa ele perdeu, mandei para o Alberto, assim ele pensará primeiro em vigiar a casa do meu pai, já que faria todo sentido eu ir para lá, mas...
‘Estou levando meu bebê para você’, a mensagem é dúbia suficiente, espero que os dois sejam espertos suficiente para saber que eu fugi e que vou para a casa do Chris, o Alberto está sendo vigiado, eu imagino que ele saiba disso, o Chris espero para o meu bem que não esteja vigiado, mas eu sei que vão me procurar lá logo, será o primeiro lugar que irão, assim que eu não aparecer na casa do Alberto, no mínimo, para manter vigiado. Então preciso ser esperta e rápida, não posso deixar pontas soltas.
A ideia é chegar lá e contar que o Chris sabe me levar para sei lá onde, é o lugar secreto onde o Alberto está se escondendo do Jonathan só consigo imaginar que é um lugar bem guardado, já que ele desenvolveu a cura debaixo do nariz da InGen e ninguém até agora sabe, ou não teriam deixado ele vivo.
… … … … … … … … …
Jonathan não conseguiu manter controle das minhas contas bancárias, para a minha sorte ele não deve ter achado que precisaria, ‘Até agora.’, eu lembro a mim mesma, Por isso saquei 5.000 em dinheiro vivo, transferi a mesma quantia para o Alberto e para o Chris, mesmo se ele tiver como bloquear essa conta através de aliados, já que estou sem meu cartão, eu tenho dinheiro para o que preciso fazer, ao menos por enquanto e deve bastar.
Caminhei carregando o berço do meu bebê, até achar um táxi, dinheiro vivo não rastreável, nem aplicativo. Troquei meu bebê em um motel, peguei uma van para a capital, subindo a serra incógnita, sem passagens, sem rastros que meu ‘namorado’ possa rastrear, um long shot para evitar que o Jonathan consiga me rastrear, eu sei que ele vai começar por onde abandonei o carro por isso preciso dificultar ao máximo.
Espero que meu pai tenha conseguido sair quando mandei a mensagem, mas a mensagem dele é que ia conseguir me libertar então ele está seguro, ele deve ter suas rotas para escapar da vigilância e o Jonathan não vai fazer nada contra meu pai enquanto não me capturar de novo… Porque sem o Alberto ele sabe que eu vou sumir de vez, desaparecer no meio da cidade e ele não conseguirá me achar antes de morrer por falta dos remédios e aí já terei dado o Breno para alguém cuidar.
Um táxi para a casa do Christian sai bem caro, então eu vou de metrô, quase o caminho todo e depois um táxi, isso também me ajuda a escapar do trânsito faróis e tudo o mais, cruzando a cidade muito mais rápida do que de carro, sabendo que o tempo está contra mim, quando chego na porta do Christian, a segunda parte desse plano começa, respiro fundo e toquei a campainha…
… … … … … … … … …
Dna Ana me olha confusa, mas sorri, “Kelly? O que está fazendo aqui?”, eu olho mais confusa ainda, “O Christian está Dna Ana?”, ela se aproxima do portão, “Ele não mora mais aqui menina, ele…”, ela não termina vendo o bebê no cestinho, “Meu Deus é a cara do Christian.”, eu não consigo me impedir de sorrir, “Ele é a cara do pai, meu tesouro.”, “Entra menina vamos conversar lá em cima.”, eu não tenho tempo de dizer não, sou quase empurrada escada acima.
… … … … … … … … …
“Eu trouxe meu Breno para conhecer o pai Dna Ana.”, eu começo a dizer, ela toda boba com o bebê, mas também me serve um chá quentinho com alguns biscoitos água e sal, “Que nome lindo, o Chris vai ficar muito feliz em te ver.”, eu sorrio um pouco sem jeito, ela segura minha mão, me fazendo olhar para ela, “Ele não está com a Geovana faz um tempo Kelly ele está te esperando.”, eu sorrio, e ela sorri de volta percebendo que minha felicidade aquece meu peito.
Estava nesse clima quando aquele homem chega vindo da sala,”Ana o que está acontecendo aqui?”, Sr José nunca exatamente gostou de mim e seu olhar deixa isso ainda mais óbvio, “O que essa índia está fazendo aqui?”, eu estremeço, não queria uma briga, mas antes de eu responder, a dna Ana responde, “Respeita a mãe do seu neto.”, apontando para o moisés, que eu levanto e apoio no ombro.
E aí chega o Christian…
Tudo para por alguns segundos, eu olho para o Christian ele parece inseguro, mas ao mesmo tempo feliz, ele dá um passinho na direção do bebê e eu sorrio, sentindo que ele está inseguro se eu vou deixar ou não, eu faço que sim com a cabeça e sorrio, sentindo as lágrimas escorrerem, “É seu…”, eu falo já com voz de choro, ele vêm até mim e me abraça, gentil, com o Breno entre nós, “Eu…”, o pai dele ia falar algo enquanto se aproxima e eu me viro, protegendo meu bebê com o meu corpo.
Eu vejo nos olhos dele que isso machucou, mas não estou pronta para dividir o Breno com esse homem, por mais que ele seja o avô, não estou pronta ainda, o Chris percebe a tensão e apoia a mão no meu ombro me chamando a atenção, sinto um aperto no coração que ele vá proteger o pai, mas… “Kelly coração, precisamos ir embora, me espera no carro.”, eu sorrio e faço que sim com a cabeça saindo, a Dona Inocência, me segue, do meu lado, me ajudando com a escada.
Eu olho para trás e vejo o Chris na porta, entre nós e o pai dele, deixando claro que o velho não irá vir atrás, deixando claro sua escolha, eu sorrio sentindo as bochecha vermelhas, mas acompanho a Dona Ana para o carro.
… … … … … … … … …
Quando chegamos no carro, eu percebo ela pensativa antes dela falar, “Kelly perdoa meu marido? Ele é um bom homem, só é meio…”, ela parece procurar a palavra certa, mas acaba desistindo, “Idiota as vezes.”, eu dou uma risadinha e faço um sinal de positivo com a cabeça, “Talvez eu…”, respiro fundo reformulando para explicar o que penso, “Um dia com certeza Dna Ana, não quero isolar meu filho de nem uma família que ele possa vir a ter…”, eu olho para o bebê, “Eu só não estou pronta.”.
Ela coloca a mão no meu ombro e eu olho para ela, “Kelly você é nova, eu sei que eles despertam na gente um instinto de proteção, então não força filha, faz no tempo do seu coração, principalmente depois de tudo o que o Zé fez, ele têm que entender e esperar… Cuida bem do meu netinho e do meu filho.”, eu sorrio e faço que positivo para ela sorrindo, “Eu prometo Dna Inocência.”, ela me ajuda a me ajeitar no carro com o bebê no banco de trás.
… … … … … … … … …
Após alguns minutos o Chris veio para o carro e eu finalmente estava indo para longe do último endereço facilmente rastreável, já que era a única casa do Chris que eu conhecia, onde já estive antes e fui trazida e buscada por motoristas particulares.
No carro o Chris confirmou que não via a prima e a ex já tinha alguns meses, eu não perguntei o motivo, me parecia pessoal de mais, apesar dele ter dito que era algo sobre não aguentar mais os preconceitos delas, mas aí ele me contou qual era o plano original, de me sequestrar, também demonstrou curiosidade, com como eu consegui fugir, eu sorri vermelha, olhando nos olhos dele pelo retrovisor.
“Quem pensa que eu sou Christian? Eu sou Kelly Franco e não existe quem consiga me conter por muito tempo contra minha vontade.”, ele deu risada junto comigo da minha pose de poderosa, eu ainda não estou acreditando que estamos juntos, mas tudo isso está me deixando com o coração quentinho, se não fosse aquela carta e de uma forma esquisita a Suzana, eu ainda estaria lá, pior eu nem saberia que eu e Chris nos tornamos uma possibilidade real.
E é pensando nisso, que me bate a certeza, ele sabe de tudo, ele me aceita totalmente, eu começo a chorar e chorar muito soluçando de estar aqui, de estar finalmente com ele, eu comecei uma guerra e por enquanto só venci a primeira batalha, mas outras virão, meus olhos se desviam para meu filho e suas mãozinhas, segurando meu dedo e eu sorrio, sabendo que essa é uma guerra que não vou perder, não vou desistir, Christian e Breno, merecem que eu lute e ganhe qualquer guerra que precise pelo nosso futuro…
… … … … … … … … …
Quando entrei no apartamento do Christian eu fiquei toda abobada, mas era exatamente o que eu esperaria, estante de livros, instrumentos musicais, quadro de grandes mestres do samba, Christian é um artista como eu e seu apartamento reflete isso, olhando em volta, com um sorriso. “E aí o que achou.”, eu sorrio olhando para ele, “Lindo.”, coloco o berço do Breno apoiado no sofá, sentindo os ombros doendo de andar com ele por tanto tempo, tantos lugares.
Chris se aproxima para olhar o filho, eu vejo nos olhos dele sua felicidade, alegria e… Receio, eu sorrio sem jeito, “Pode pegar ele.”, ele sorri feliz e pega o menino, levantando com muito muito cuidado, ao mesmo tempo, Breno reage com calma, como se soubesse que o homem estranho, apesar de estranho é seu pai.
O que se seguiu foi muito fofo, extremamente fofo, Chris, leva ele para ver as coisas do papai, a vista favorita, “Papai gosta tanto desse livro… Olha o instrumento favorito do papai.”, ele apresenta as coisas favoritas dele com carinho, com jeitinho, deixando a criança tocar, sentir, guardar na memória, eu sorrio fascinada vendo essa interação, até perceber os pequenos sinais de desconforto e cansaço do meu filho.
“Chris, ele precisa de um banho, mamar e dormir.”, ele concorda e passa o Breno para o meu colo, arrumei minhas coisas e fui dar banho no meu bebê e tomar banho também…
Só de roupão com o meu bebê todo pronto fui para o quarto com ele, o Chris me acompanhou montou o berço com cuidado, em um suporte, prometendo um permanente para breve, eu sorri, me deitei na cama cansada, com o Breno e aí bateu a insegurança, o medo de ser observada amamentando, ele obviamente percebeu… “Eu vou esperar na sala.”, ele fala, “Não!!”, eu falo quase implorando, ele para.
“Eu quero você aqui.”, não sou um rato de laboratório, Chris não é um cientista me analisando, ele é o pai do meu filho, eu sorrio vendo ele sorrir também, e deixo ele ver amamentar o Breno a primeira pessoa que vê isso desde o laboratório, desde que tive forças para chutar todo mundo para fora do quarto… Em pouco tempo, supero minha insegurança e começamos a conversar.
Sorrindo um para o outro finalmente conseguimos conversar de coisas íntimas, eu contei o que o Jonathan fez comigo no Yatch, também contei como consegui fugir, não havia julgamento nos olhos do Christian, só o reconhecimento que fiz o necessário para sobreviver e isso me deu mais forças, enquanto ele me contou sobre Geovana e Bárbara, as mensagens, as desconfianças e como ele mal fala com o pai por causa delas.
Ali nossos laços aos poucos iam se fortalecendo, eu sentia o Christian se tornando meu aos poucos novamente… Breno já dormia como um anjinho há alguns minutos colado em meu corpo, quando acabei cochilando também.
Quando acordei Breno estava no seu berço, eu sorri, eu não me defendi, não tive o reflexo de impedir que o Christian tocasse no bebê mesmo dormindo, isso é bom, isso é sobre nós nos reconstruindo, ainda estava nua com o roupão já aberto a essa altura, mas confortavelmente sobre as cobertas, peguei minhas roupas na mala, me vesti e saí do quarto.
De shortinho de tecido de seda super leve e camiseta, eu encontrei o Christian falando no telefone, depois de desligar, finalmente ele me contou a parte do plano que eu ainda não sabia, como sairíamos daqui e iríamos de encontro ao Alberto, mas quando terminamos de conversar a campainha toca, Christian parece realmente estranhar isso, como se fosse algo fora de ordem, mesmo assim ele abre a porta, após ouvir alguém chamando e quando Bárbara me vê, eu sabia que esse dia ainda ia durar muito até anoitecer…
=== === === CHRISTIAN === === ===
Aquele dia com o Alberto eu entendi o quão injusto eu fui com a Kelly, ela tem dois pontos que só quem viu compreende. Um olhar que te faz sentir-se o cara mais importante do planeta, uma postura de quem tem a certeza que tudo ficará bem. Não tinha como imaginar, por trás desse olhar, dessa postura, quantas tragédias seus olhos já viram.
Derrubar um bilionário precisa ser algo muito bem pensado, cirúrgico, sem tempo de que ele possa reagir, pessoalmente ou usando sua empresa, tudo precisava ser perfeitamente orquestrado, foram várias reuniões, entre nós, Alberto, Samantha, Capt. Carlos, Jaqueline, Sr. Jiang e sua secretária e noiva Raquel, traçamos diversos planos sobre o que e como fazer, principalmente em qual ordem fazer.
Quando Jaqueline nos falou que a Kelly estava deprimida e sem esperanças, nós enviamos a carta, não bastaria só a Jaqueline perto dela, garantindo sua segurança e reportando seus passos e do Jonathan para nós, precisávamos garantir que a Kelly teria forças para aguentar até lá.
Eu já até me via como o herói da história dela, apesar de tudo o que fiz, depois de tudo o que aconteceu para nos separar, eu estaria lá, para salvá-la… Eu já até imaginava em minha mente seus olhos brilhando ao me ver, demonstrando que meu coração é e sempre foi todinho seu, em um super resgate, segurando ela em meus braços… E aí… Ela escapou sozinha.
Eu não consigo descrever a felicidade que eu fiquei, ao ouvir que ela escapou, ao ouvir da Jaqueline que assim que ela estivesse segura, tudo iria andar, eu só queria ver aqueles lindos olhos de novo, sabendo que ela deve estar se recuperando de algo horrível, mas que ela é uma sobrevivente e vai sobreviver mais essa e ser feliz, eu só quero meu amor feliz.
Mas para isso… Preciso impedir que minha família estrague tudo, mas conversamos sobre isso várias vezes, eu preciso ter sangue frio, o Jonathan espera só uma falha nossa, para agir, então tive que ir até a casa dos meus pais sem chamar muita atenção..
… … … … … … … … …
Quando cheguei na casa dos meus pais não havia tempo de me anunciar se a Kelly estivesse lá, então entrei direto e confirmei minhas suspeitas subindo a escada ouvindo meu pai falando alto, não havia tempo, eu precisava impedir que ele arrumasse confusão, então subi correndo e dei de cara com ela, ela estava linda, simplesmente, tudo parou comigo ali na porta.
Seu olhar seguiu para minha mão, não registrou a aliança e sorriu, mas era diferente não vi o brilho no olhar, isso deve ter me feito, paralizar por alguns segundos achando que perdi para sempre a mulher da minha vida, mas ela percebeu e começou a chorar, me mostrou o bebê com lágrimas nos olhos e uma única frase, “É seu…”, eu sorri e fui até ela, percebendo que eu não a perdi ela só está magoada e a abracei com o bebê entre nós por longos segundos.
Kelly confia em mim e me ama, pela forma como ela reagiu, mas, eu não sinto seu amor, porque ela está com sua guarda levantada, eu machuquei tanto essa menina, que não posso reclamar disso, mas ao menos, eu percebi nesse abraço que ela queria me dar uma chance e eu prometi que iria fazer ela não se arrepender dessa chance que estava me oferecendo com o nosso filho.
Eu sei que posso reconquistar seu coração, mas primeiro preciso ser o homem que ela precisa, não vai ser forçando a barra, ou sendo um idiota como fui no passado, eu preciso abrir meu coração e minha vida e deixar ela entrar, se sentindo confortável e segura, só assim terei direito ao seu amor novamente.
Quando percebi sua reação quando meu pai tentou chegar perto, eu entendi seu nervosismo e também, escolhi meu papel, meu primeiro ato, como o homem que ela merece foi respeitar sua decisão e sua fragilidade, “Me espera no carro amor?”, ela sorriu, um sorriso delicado, mas vi em seus olhos que se sentiu confortável, ela saiu com a minha mãe e eu fiquei na porta para não deixar o velho ir atrás delas e fazer uma cena.
… … … … … … … … …
“Eu tenho o direito de ver meu neto Christian! Direito de avô!”, ele começa imediatamente quando as duas saem juntas e próximas, ao contrário do meu pai, minha mãe, parece ter total confiança da Kelly, “Têm?”, eu pergunto olhando para ele, impedindo sua passagem pela porta, para evitar uma cena.
“Como assim? Essa mulher…”, eu interrompi como deveria ter feito no passado, “Essa mulher é a mãe do meu filho.”, ele para me olhando, “Pai se ela quisesse, se ela fosse o que você pensa dela, ela não tinha nem trazido a criança para mim, eu nem, nunca ia ficar sabendo que a criança é minha, se não fosse atrás.”, ele desvia os olhos, o velho orgulho, mesmo agora conflitando com o simples ato que seria pedir desculpas para ela.
“Eu posso ter me equivocado em algumas coisas, mas ela deu motivos!”, eu dou risada, dessa vez não quero recuar… “Ela deu motivos, ou foi a Bárbara quem te deu motivos?”, claro que falar da sobrinha favorita faz ele me olhar na hora, “Você sabe o que a minha irmã passou?”, eu olho para ele, “Isso é uma permissão para a Bárbara fazer o que quiser? Ela está literalmente nos tornando pessoas horríveis. Somos as armas de seu preconceito? É isso o que somos?”.
Ele pela primeira vez, olha em volta e senta na cadeira… “Filho você é homem, precisa saber que existem coisas…”, eu conheço o discurso, sobre homem ter que ser uma fortaleza, que não comete erros, não se arrepende e etc, por isso não tenho estômago para continuar ouvindo, não depois de ter visto nos olhos da Kelly o quão próximo eu cheguei de perdê-la… “Mas e depois pai? Só magoar elas? A mamãe? A mãe do meu filho? Você já pensou o mal que fizemos para elas?”.
“Já te falei no passado, você precisa confiar no seu pai!”, eu balanço a cabeça… “Então tah pai. Eu confio no Senhor, confio que vai mudar de ideia, porque até lá… Não vou obrigar a Kelly a nada.”, “Vocês não podem me impedir de ver meu neto assim!”, eu balanço a cabeça, “O senhor não está nos anos 70 pai! Ela não só pode, como ela vai. Enquanto sentir que o senhor não a respeita.”, eu saio deixando ele pensando.
Na escada ainda encontro minha mãe… “Desculpa mãe.”, ela sorri, “É a sua cara o bebê, é impossível negar.”, eu dou risada, ela segura minha mão, “Cuida dessa menina filho. Você está tendo uma segunda chance. Isso não aparece para todo mundo, cuida direitinho dela.”, eu faço que sim com a cabeça, “Pode deixar Dona Ana, nunca mais deixo que façam minha cabeça com algo que eu sei que ela não é.”, ela riu antes de olhar para o alto da escada.
“Seu pai é teimoso, mas acho que o coração da sua mulher é maior do que a teimosia dele, vamos dar tempo aos dois.”, eu sorri e fiz que sim, “Eu sei, ela é um anjo e o papai… É o papai.”, ela ri e se despede antes de ir.
… … … … … … … … …
Quando chegamos no meu apartamento, ela ficou tão feliz de ver como era o meu ambiente, reconheci ali a menina que sempre se interessou pelas coisas que eu gosto, mas ainda estava indeciso se podia ou não pegar o bebê. Os reportes da Jaqueline foram bem sérios sobre como a Kelly pode reagir protetoramente com a criança, além disso, eu tinha entendido na casa dos meus pais, que tudo sobre o Breno será um direito adquirido aos poucos com a confiança dela.
Eu percebo ela se alongando, pequenas marcas vermelhas nos seus ombros, abrasões de carregar o berço por tanto tempo, sem dúvidas, mas resolvo não comentar sobre o assunto, só o fato dela estar nesse apartamento já me deixa tão feliz que não consigo colocar em palavras e eu ainda precisava saber quanto espaço tenho na vida dessa garota, quando ela repara em mim olhando para o bebê, “Pode pegar ele.”.
Suas palavras causam um efeito automático em mim, um sorriso, uma alegria que não consigo colocar em palavras, porque sei exatamente o nível de confiança que ela está me dando, peguei meu bebê e gente, é a minha cara, não há como negar isso nunca, tinha tanta coisa que eu queria dizer, tanta coisa que eu queria mostrar, saí apresentando o apartamento, pouco me importando com o fato de ser um bebê de pouco mais de 4 meses.
Ela olhava o tempo todo acompanhando mas eu via em seus olhos que não era receio, ou guarda do bebê, era só felicidade de ver eu e Breno finalmente reunidos, pai e filho juntos e eu estava explodindo de felicidade, Breno também foi um anjo, em um primeiro momento ele parecia que ia estranhar, mas logo, simplesmente ficou todo aconchegado comigo, me deixando mostrar o mundo para ele, como se soubesse, o que acontecia a sua volta.
… … … … … … … … …
Quando ela saiu do banho de roupão abraçando protetoramente o bebê eu levei ela até o quarto, ela queria amamentá-lo, percebi seu desconforto e já ia saindo quando ela me pediu para ficar, tão frágil, tão nervosa, que eu não discuti, ou falei nada, apenas fiquei, sem ficar reparando, ou olhando, esperando ela se sentir confortável o que logo aconteceu e começamos a conversar.
Seu corpo mudou um bocado com a gravidez, o quadril está maior, não muito, mas está, os seios estão maiores, possivelmente ainda inchados devido a amamentação, conversamos sobre tudo o que aconteceu, sem segredos entre nós e eu jurando que se ver o Jonathan pessoalmente vou no mínimo quebrar o nariz dele, puta cara filho da puta.
Logo, mãe e bebê dormem, eu me aproximei a Kelly encolhida, protetora com o bebê, mas sei que não é o ideal, então segurei o bebê lentamente, percebi que ela soltou sem reagir, coloquei meu filho no berço, depois cobri ela com as cobertas e dei um beijinho em seu rosto, “Te amo.” eu sussurrei e então, com um suspiro ainda dormindo, ela se esticou na cama, pela primeira vez, via Kelly completamente relaxada desde que a vi.
Ali eu soube que ela me ama, que ela confia em mim, porque ela dormiu como um anjinho relaxada e aconchegada, como pela postura e tudo o que ela me contou, achei que seria impossível ver novamente.
Liguei para a Raquel como foi pedido assim que saí do quarto.
Christian: “Ela está segura comigo em casa, está cochilando.”
Raquel: “Ok, bom ouvir isso, já estou terminando os preparativos para tirar ela de São Paulo.”
Christian: “Ok, qual vai ser o plano então?”
Raquel: “Eu vou passar na sua casa a noite, com um carro blindado com motorista e daí nós vamos para o Campo de Marte, onde um helicóptero do Jiang Zichuan estará esperando.”
Christian: “Mas e o Jonathan, não é melhor levá-la agora?”
Raquel: “Preparar um helicóptero para sobrevoar a cidade é demorado e precisa de preparo, escolhi a noite, para ter menos movimento tanto nas avenidas, quanto no aeroporto, precisamos ter certeza que não seremos seguidos.”
Christian: “Entendi.”
Raquel: “Não se preocupe Christian está tudo sobre controle, breve estaremos todos reunidos com o Alberto.”
Eu respirei fundo.
Christian: “Tah bom combinado então, vou garantir que ela saiba o plano também.”
Raquel: “Perfeito.”
Quando terminei de desligar o telefone, o Alberto ligou, obviamente, queria saber da filha, tive tempo de contar tudo, de contar como ela está, que ela parece fragilizada mas saudável, que o bebê está bem, que ela dorme como um anjinho no quarto, atualizei ele do plano do Sr. Jiang também, o que deixou ele contente, quando nos despedimos, Kelly entrou na sala, obviamente, ainda meio sobre efeito do sono.
Mas conseguimos conversar, enquanto ela tomava um chá quentinho, expliquei tudo para ela e ela parecia cada vez mais forte com o rumo que tudo tomava, mas aí a campainha tocou.
Eu estranhei porque ninguém deveria ter acesso a chegar até o apartamento, sem as chaves ao menos, a única cópia ficava com a minha mãe, nunca imaginei que fosse ser usada assim, quando escutei a voz da Bárbara, cheguei a conclusão, que alguém lá em cima quer realmente testar os limites do meu amor, porque eu tinha certeza que as coisas iam ficar difíceis, abri a porta, antes que ela mesma abrisse com suas chaves e ela já foi entrando…
“EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ VOLTOU COM A ZÓIO RASGADO CHRISTIAN”, eu fiquei puto, “Cala a boca Bárbara e sai da minha casa.”, ela riu olhando para a Kelly que não faz nada fica só ali parada, “Achou que meu tio não ia me contar sobre seu suposto filho do Christian!”, os olhos da Kelly brilham com uma raiva por um lapso de segundo antes de voltar a calma habitual.
“Eu quero ver se esse bebê se parece com a nossa família mesmo.”, “Chega Bárbara, sai fora!”, eu tento segurar o braço dela, mas ela me afasta, “Não encosta em mim de novo ou eu chamo a polícia!”, eu me afasto por um segundo e ela aproveita isso para avançar para o quarto, dessa vez é a Kelly que entra na frente dela, assumindo uma postura diferente do que eu ou Bárbara estávamos acostumados.
Os olhos da Kelly assumiram uma dureza como aço, um brilho de ódio e raiva, que é paralisante, pensa tudo o que eu já falei sobre o olhar incrível dessa mulher, sobre como ela faz o mundo parecer um lugar seu, só de te olhar, agora, transforma isso no mais puro ódio, uma raiva tão intensa, que devo parabenizar a Bárbara por ter continuado no seu caminho enquanto a Kelly falava, calma e direta, “Você não vai chegar perto do meu filho.”, suas palavras carregam uma ameaça extremamente palpável.
“Ele é neto do meu tio, quero ver me impedir.”, ela dá mais um passo na direção da Kelly e da porta e então o som acontece, um estalo forte, alto, que ecoa pela sala, Bárbara dá um passo para trás, sua face é completamente incrédula com a mão no rosto, lágrimas nos olhos e uma mancha arroxeada onde o tapa da Kelly atingiu em cheio na altura da bochecha…
Confesso que isso me pegou de surpresa, devo ter levado um ou dois segundos para reorganizar o que deveria fazer, mas aí as duas já tinham se atracado…
=== === === A GRANDE NOITE === === ===
Claro que eu já esperava quando tocou o primeiro acorde Coelha Primordial que todos iriam se levantar e cantar, a gritaria é geral, eu começo rebolando, desço até o chão, vendo o brilho nos olhares dos que estão próximos os brilhos dos celulares dos que estão distantes, meu shortinho, serve apenas para aguçar seus sentidos aguçar sua imaginação.
As garotas de platéia cantando sexy para aqueles que as acompanham ou estão em volta, todas nós somos as coelhas da nossa própria forma, do nosso próprio jeitinho, para os homens que nos importamos. E quando chega no refrão, eu vejo tudo explodir.
🎵Tão 100% inocente e ingênua
Tão 100% naturalmente inconsequente
Sou frágil sozinha
Mas você iluminou minha vida e me deu razão para viver🎵
Vinte Mil pessoas em um show de sensualidade, olho para a câmera e sopro um beijo, no telão para a platéia, vendo o público masculino se sentir o máximo, dançando sexy pelo palco, então olho para os músicos, para o Christian na bateria, meu homem, meu amor, ele assumiu muito das funções do Alberto, mas também de músico, resolvo aprontar.
Depois de dançar bem próximo da ponta do palco, dando um show para quem pagou o vipe, volto para trás, para perto da bateria, cantando a segunda parte do refrão, o finzinho dando um gritinho mais alto, eu faço uma pose, dobrando meu corpo para frente, como se pegasse fôlego para cantar bem alto, mas calculado, para o Christian ver minha bundinha empinada de shortinho… Sim ele errou uma nota, eu percebi e sorri, olhando para trás, vendo seus olhos brilhando com promessas para o depois…
🎵Essencial é o prazer a 100%
Limite ambíguo só se for 100%
Diversão privada é flexível
Mesmo assim viver comigo será um sonho🎵
=== === === … … … FIM DA FAIXA 2 … … … === === ===
Música: Universal Bunny
Intérprete: Sheryl Nome (voz de May’n)
Pois é… Algumas dinâmicas mudaram e muito. Aliás, Universal Bunny no texto aparece como Coelha Primordial, mais uma música traduzida e adaptada.
Também usei cenas do clip anime original para ilustrar ela sexy no clipe, nesse caso foi uma inspiração direta.
Pois é, Kelly já não pretende aceitar determinados abusos, ela agora está em modo de guerra e é claro, isso significa, que não pretende recuar enquanto houver uma sombra sobre ela, Christian ou o bebê, mas será que Jonathan irá achá-los? Será que Raquel terá que quebrar a cara de alguém para entregar o casal em segurança? Será que o Carlos já conseguiu pôr as mãos no Jonathan a essa altura?
Bom, espero que estejam gostando.
PS: Desculpa esse ter saído tarde, foi um dia complicado.
Se chegaram até aqui, votem, comentem, façam uma autora feliz.
