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O jogador de rugby roludão e o jogador de rugby rabudão (Interlúdio 1)

Um conto erótico de Arthur
Categoria: Gay
Contém 2861 palavras
Data: 15/09/2026 21:00:13
Última revisão: 16/09/2026 11:30:48

Esse capítulo aqui é mais um interlúdio mesmo, então é totalmente opcional. Se quiser pode pular essa parte e ir direto pro próximo capítulo, que a história continua normalmente de lá. Pra quem quiser acompanhar melhor o que tava passando na minha cabeça e entender um pouco mais da amizade do Alex e do Gui vale a leitura. (Vou tentar postar o próximo capitulo nesse fds...)

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O dia do último churrasco do ano tava perto e eu inventei uma desculpa qualquer pra minha família. Falei que tinha um trabalho extra da faculdade, que precisava resolver umas paradas em São Paulo e que não dava pra ir pro Rio naquele fim de semana de tanta coisa que eu tinha que fazer.

Nem era uma mentira tão absurda assim, eu realmente tinha trabalho pra fazer pra complementar minha nota, mas ja tinha entregue uma semana antes. Só tive que exagerar na história e fazer meus pais acreditarem que eu tava mesmo atolado de coisa pra resolver.

Mesmo assim, parece que o destino tava querendo que eu ficasse em São Paulo. Minha mãe me ligou falando que era melhor mesmo eu não ir pro Rio, porque uns parentes iam pra casa e ela queria deixar meu quarto pra eles.

Quando desliguei o telefone com minha mãe, fiquei um tempão olhando pro teto do meu quarto na república. E foi aí que comecei a pensar em tudo que tinha rolado desde que o Alex quebrou os braços. Pra mim é mto bizarro pensar nisso agora...

Antes do acidente dele, eu e o Alex não era porra nenhuma um pro outro. A gente dividia quarto, fazia algumas matérias juntos e trocava ideia de vez em quando sobre provas e trabalhos, só isso. A gente até se zuava um pouco, mas não tinha tanta intimidade. Ele só era meu colega de turma e dividia o quarto cmg na república.

E aí aquele acidente mudou tudo pra mim... comecei a ajudar ele porque eu sentia que era o certo a fazer. Não ia deixar o cara todo fudido, sem conseguir tomar banho direito, sem poder fazer quase nada sozinho. Pô, não tinha nem o que pensar.

E não tinha absolutamente nada de putaria na minha cabeça, nada mesmo. E aí do nada eu tava com a mão cheia de sabão no pau durão dele.

Eu nunca tinha imaginado que um dia ia ficar com um cara. Nem queria isso na real. Só que acabou acontecendo de um jeito tão bobo. Bobo pra caralho, se for parar pra pensar.

A gente começou a trocar mais idéia, veio aquela intimidade toda nos banhos, e toda situação que já falei aqui.

E foi nessa que fui me descobrindo mesmo. No começo eu jurava que era só curiosidade, uma fase, sei lá, qualquer merda dessas. Mas cada dia que passava eu ficava mais confuso comigo, e minha pica não ajudava, sempre ficava dura pra caralho só de ver ou pensar no Alex pelado.

Antes disso eu nunca tinha olhado pra um cara com desejo. Nunca tive vontade de beijar outro mlk, muito menos querer ficar com um. E aí comecei a sentir tudo isso com ele.

Sentia até saudade dele quando eu voltava pro Rio... De uma hora pra outra, aquele mlk que eu mal conhecia direito tinha virado uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Eu só me toquei da importância dele quando a gente deu uma afastada e achei que eu tinha perdido meu amigo. Foi meio que por descuído meu, fiz o mlk achar que eu só tava interessado na mamada dele e na putaria, como se ele fosse só isso pra mim...

Naquela época eu entrei em desespero, minhas notas até caíram. Precisava muito da amizade dele de volta. A gente conseguiu se acertar depois e quando voltou a ficar tudo bem, parece que tudo ficou ainda mais intenso entre a gente.

Eu tipo pisquei o olho e o Alex já fazia parte de praticamente tudo da minha vida. Trabalhos de faculdade, sair pra almoçar e jantar juntos, academia junto, ir em festas, passar madrugada toda conversando, contando segredos...

Até fuder a gente praticamente só fazia juntos. Parece até que ficava meio sem graça se o Alex num tava cmg fudendo.

E aí os amigos dele tbm começaram a fazer parte da minha vida.

Principalmente o Gui.

Antes eu nunca tinha dado muita bola pra ele. Pra mim era só um cara qualquer que era amigo do cara que dormia no meu quarto. Hoje eu acho isso muito engraçado.

O Gui praticamente fazia parte da vida do Alex desde que ele tinha entrado na faculdade. Os dois eram inseparáveis, viviam sempre juntos.

Eu já sabia disso desde quando conheci o Alex, mas eu fui percebendo a importância disso bem aos poucos.

E aí depois que eu comi o Gui pela primeira vez eu comecei a conhecer de verdade ele. E porra, fui entendendo porque o Alex gostava tanto do mlk. Ele não era só gostoso e um tesão de fuder, o cara era gente boa pra caralho!

O Gui é um cara que vc pode chamar a qualquer hora que ele vai tá junto. Se precisava de alguma ajuda ele aparecia. Se tava mal, o cara ficava ali contigo, trocando ideia, fazendo graça, tentando te levantar pra cima. Não era amizade de fachada, o mlk realmente se importava com os outros. Sério, o mlk era foda.

E papo reto, até tenho orgulho dele ter sido o primeiro macho que comi.

O jeito que o Alex falava dele era até diferente. Mesmo que os dois viviam se zuando toda hora, o Alex tinha um apresso muito grande pelo Gui. Eu até não conseguia imaginar como seria a vida deles sem o outro.

Só que a vida continua...

O Alex tava jogado na cama lendo um livro e eu tava na escrivaninha estudando. Na real tava mesmo era mexendo no meu celular.

- Que que tu tá fazendo aí, véi?

- Nada. Tô de boa. - respondi rolando o dedo no celular.

- Tu tá com cara de quem tá aprontando.

- Ah, tô no Grindr vendo se tem alguém interessante pra gente leitar.

- Acha um cara bem gostoso então, véi.

- Ihhh. Lá ele!

Ele deu risada. É muito fácil fazer ele rir, acho que é uma das coisas que eu mais gosto no Alex. Ele podia estar cansadão, puto, preocupado, qualquer coisa, mas se alguém falava uma besteira idiota, ele já começava a rir.

Ele continuou ali lendo o livro tranquilão, até o celular dele vibrar.

Ele olhou a tela e o sorriso apareceu no rosto dele rapidinho. Era o sorriso de quando ele tava falando com o Gui. Eu sempre zuava ele quando ele ficava sorrindo pro celular, porque era sempre o Guilherme do outro lado.

Ele ficou um tempo digitando no celular soltando risadinhas curtas. Aí chegou uma mensagem, e outra, e outra. E o sorriso dele foi desaparecendo.

Foi aí que eu comecei a estranhar.

Ele ficou olhando pra tela sem responder. Só olhando com a cara séria, meio triste. E aí ele jogou o celular de lado, meio com raiva.

- Que que foi, Alê?

- Nada...

Aí vi o olho dele ficar lacrimejando. Passou a mão rapidinho no rosto tentando disfarçar e secar as lágrimas antes que caíssem.

Ele parecia que tava meio sem saber o que fazer.

- Irmão... Que aconteceu?

Ele respirou fundo.

- O Gui me mandou umas fotos.

- Hmm, e pelo jeito não é nude né?

Ele demorou um pouco pra responder.

- Do apartamento. De Curitiba...

- Cacete, o apê dele já ficou pronto?

- Já... Tá bonito pra caralho.

A voz dele tava diferente. Embargada. Achei que ele ia chorar a qualquer momento.

Ele abriu uma das fotos e me mostrou, a sala toda pintadinha, com sofá, várias caixas de mudança num canto. Ai mostrou cozinha, quarto, banheiro. Tudo pronto, já pra morar.

Por último era uma selfie do Gui felizão na sacada, com uma churrasqueira. Na mensagem, o Gui tinha escrito que o Alex tinha que ir visitar, e que queria que o Alex fosse o primeiro a usar a churrasqueira com ele. Na real eu achei bem fofo.

- Nem se mudou e o cara já tá te fazendo convite?!

O Alex soltou uma risadinha. Só que os olhos dele ainda estavam molhados.

- Pô, ele tá muito feliz, né? - eu falei, meio ainda sem entender o que tava rolando com o Alex. E eu ainda tava meio sem saber o que dizer.

- É, tá sim... tá muitão...

E aí silêncio. Eu fiquei olhando pro rosto dele, esperando ele falar algo.

- Esse fdp vai embora, véi - ele falou baixinho, umas lágrimas começaram a escorrer. - Ele vai mesmo pra Curitiba...

Ele ficou alguns segundos quieto.

- É muito longe, mano...

E aí ele começou a chorar. Chorar muito, sem conseguir segurar.

Passei a mão nas costas dele e ele se virou pra mim, enterrou a cara no meu peito e ficou ali. Não falou mais nada, só ficou agarrado em mim, chorando.

Curitiba nem fica longe do sítio onde o Alexandre mora com os pais. É bem mais perto do que ficar vindo pra São Paulo todo fim de semana de ônibus. Só que o plano do Alex já era outro, ele tava se organizando pra se mudar de vez pra cá e tentar a vida em São Paulo, principalmente depois que conseguiu um estágio mto foda numa multinacional.

- Tô feliz pra caralho por ele. Ele tá montando a vida dele. Só que... - a voz do Alex tava falhando um pouco - Só que vai ser estranho pra caralho...

A ficha dele tava caindo. O Gui tava pra se formar da faculdade, se casar e se mudar pra Curitiba. Tudo ao mesmo tempo. Ele tava tristão pelo fim da rotina que os dois tinham, era uma fase muito importante da vida dos dois terminando.

Eu entendi porque tava doendo tanto nele.

Uns dois anos de amizade parece curto, mas pra eles foi intenso pra caralho. Eles eram grudados um no outro. Se viam todo dia, treinavam e viajavam juntos pra competir no rugby, zuavam um e o outro toda hora, e provavelmente fodiam pra caralho. E agora tudo isso só ia virar mensagem de celular.

Fiquei quieto. Só deixei ele desabafar, ele tava precisando.

- Pô, eu entrei na faculdade e esse mlk foi o primeiro a me ajudar com tudo. Tudo. Quando eu cheguei aqui eu nem conhecia ninguém e tinha muito medo de São Paulo... Foi ele que me apresentou pra metade da galera que eu conheço aqui.

Ele sorriu.

- Ele que me indicou essa república pra ficar... - ele olhou pra mim com a cara inchada e molhada, o olho cheio de lágrima, com um sorriso fofo.

- Se não fosse ele talvez a gente nem tinha virado amigo então...

- É... e agora vai mudar um monte de coisa.

- Faculdade é foda, véi - falei pra ele acariciando os cabelos loirinhos dele, sem maldade. - Tu vê a pessoa todo dia, faz tudo com ela, sai junto, experimenta coisas junto, e aí de repente cada um vai pro seu canto...

O Alex ficou olhando as fotos do apartamento mais uma vez. Ele parou na foto da sacada com churrasqueira e ficou vendo o amigo alegre.

- O pior que nem consigo ficar triste direito porque o filho da puta tá felizão... - ele sorriu de novo, ainda chorando, com a voz embargada e falhando no meio das palavras. - e ainda manda foto da churrasqueira pra provocar. Puto do caralho...

- Você vai né?

- Pô, lógico que vou. E você também né? Ele pediu pra você ir também quando eu for - ele mostrou a conversa no celular, tinha mesmo uma mensagem lá do Gui falando pro Alex me levar junto.

- Caralho...

- Ele gosta de tu, pô.

Aquilo me pegou meio de surpresa. Às vezes eu tinha a sensação de que tinha chegado bem atrasado na vida do Alex. Só que, sem eu nem perceber direito, a gente tinha se aproximado pra caralho, e em poucos meses parecia que a gente já se conhecia a vida toda. Eu já fazia parte da vida dele, e ele tinha virado uma parte enorme da minha.

E, no meio de toda galera que eu conheci por causa dele, o Gui acabou sendo disparado o cara que eu mais gostava. Não sei nem explicar direito quando isso aconteceu. Só sei que esse mlk tinha deixado de ser só um amigo do Alex e já tinha virado um amigão que eu fazia questão de ter por perto. Mas pena que foi por pouco tempo...

Quando o Alex falou que o Gui tinha me convidado também, acho que me bateu um pouco da mesma tristeza pesada que tava pegando nele. Na hora minha garganta apertou e até minha boca deu uma tremidinha, daquele jeito que tu tenta segurar o choro.

Naquela noite a gente ficou conversando até de madrugada, falamos de tudo da vida um pouco. E aí o Alex foi me contando um monte de coisa do Gui que eu nem fazia ideia. Das histórias antigas do time, de como eles tinham se conhecido, das merdas que já aprontaram juntos e até das putarias que os dois já tinham feito.

Quanto mais ele contava, mais eu ia entendendo aquela amizade dos dois.

Eu comecei a perceber que ele tava tentando lembrar tudo, cada detalhezinho. Ele queria contar tudo pra mim talvez pra tentar guardar o máximo possível de tudo na memória.

E isso me bateu muito forte, porque eu conhecia aquela sensação.

Aquele medo de uma coisa boa acabar, uma vontade de segurar o tempo. Pô, eu sinto isso todo dia com o Alex e com os amigos dele do rugby...

Foi por isso que eu comecei a escrever tudo isso. Depois dessa conversa com o Alex e entender melhor o que ele sentia pelo Gui e o quanto aquela amizade tinha mexido com ele, eu senti vontade de guardar tudo o que tava acontecendo comigo. Cada detalhe, cada história, cada coisa que aconteceu.

Por mais que um dia essa fase acabe, que eu sei que vai acabar, eu não quero esquecer como foi viver tudo isso.

Os dias passaram bem rápido depois disso e quando me toquei, o último churrasco do time de rugby do ano já ia ser no dia seguinte.

A gente nem sabia se o Gui ia colar, o TCC dele terminou no fim de novembro e ele foi logo pra Curitiba. Ele já tava a mais de duas semanas lá ajeitando o apartamento com a noiva e ele nem falou que vinha.

E aí na sexta, comecinho da noite, antes do fds do churras, eu tava na sala da república quando escutei alguém tocando a campainha.

O Alex abriu um sorriso, como se tivesse prevendo a surpresa.

- Olha aí quem tá aqui!

O Gui tava parado ali fora com uma mochila nas costas. Aquele sorriso fofo de sempre, no meio daquela barba loira de viking.

- E aí, piá! Vim dormir aqui com vocês. Amanhã levo vocês de carro.

Ele entrou e largou as coisas no chão. O Alex abraçou ele forte. Era um abraço bem diferente do que eu via ele dando normalmente...

O Gui abraçou forte também e deu duas batidas nas costas dele.

- Calma aí, você vai me esmagar! - o Gui riu - Eu também tava com saudade, porra.

Os dois ficaram se olhando por um tempinho.

- Quase chorei agora com essa carência toda, hein mlk? - o Gui provocou, dando um tapinha no ombro do Alex.

- Carência o cacete, só achei que você já tinha congelado lá em Curitiba e a gente ia ter que te descongelar pro churrasco - o Alex respondeu rindo e bagunçando a barba do amigo. - Já comprou uma japona e voltou a chamar salsicha de vina ou ainda tá fingindo que é viking?

- Viking não sente frio, seu folgado. E se liga, se continuar me zoando, amanhã você vai a pé pro churrasco. Me trata com respeito ae ô caipira.

- Ih, virou adulto mesmo, hein? Tem até carro agora pra dar carona pra rapaziada! Pô, essas crianças crescem tão rápido... - o Alex fingiu que enxugou uma lágrima, e o Gui caiu na gargalhada.

- Pode zuar, idiota. Mas aproveita o motorista agora, pq depois de domingo acaba de vez e não tem mais volta, hein - o sorriso do Gui ainda tava no rosto, mas a voz dele saiu um pouquinho mais pra dentro. Meio sufocada.

- Ainda bem, né? A gente já tava até fazendo contagem regressiva pra se livrar de você e ter paz - o Alex devolveu na mesma hora, tentando manter a pose de marrento. Só que a voz dele também entregou tudo.

E foi aí que eu percebi que, por mais que os dois estivessem tentando brincar, nenhum deles tava realmente pronto pra dizer adeus...

____

Rapaziada, eu ia postar hoje o próximo capítulo, mas acabou ficando muito grande (tá dando mais de 12000 palavras e ainda nem escrevi tudo 🥴).

Decidi postar primeiro esse interlúdio aqui falando um pouco de como que veio minha vontade de escrever isso tudo. Aí vou dar uma editada no próximo capítulo pra não ficar tão longo e também decidir o que que não vou colocar. To querendo postar já nesse final de semana pra vocês.

Vlw!

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Comentários

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Vcs três juntos são incríveis, amo amizades que sujem assim do nada e formam um laço forte. Meu querido, só uma coisa pra te dizer: 12000 palavras ainda está pouco pra um conto bom desses rsrsrsrs.

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Vlw Gstz! Eu realmente tive que dar uma enxugada e focar, se não acho que eu ainda estaria até hoje escrevendo sobre esse fds ahahah

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Foda demais cara!! Adorei saber mais do pq vc quis escrever! E agora que percebi que pulei um capítulo, vou lá ler! Hehehe

E por mim você posta as 12000 palavras, acho até pouco hehehe

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Bom saber que vocês curtem capítulos bem longo assim. Vlw demais Jota! :)

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