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O alimento do silêncio

Um conto erótico de TcheloKBruno
Categoria: Heterossexual
Contém 1032 palavras
Data: 15/09/2026 17:42:34

A noite havia sido fantástica. Nós nos divertimos muito, mas ele visivelmente ficava contrariado quando percebia a atenção que eu recebia de outros homens no evento. O incômodo dele flutuava no ar, camuflado pelos sorrisos sociais, até cruzarmos o limiar de casa.

A porta se fecha e ouço meu filho trancando. Fui em busca do interruptor, mas sua mão firme segurou a minha. Apenas a parca luz da rua varava a janela. Antes que eu pudesse protestar, ele me toma pela cintura e tira meus pés do chão. Seu olhar se divide entre meus olhos e minha boca, uma mistura muda de urgência e posse que a penumbra mal conseguia esconder.

Sem pressa, ele passa o braço por baixo e me carrega escada acima. A luz fraca da rua é a única do meu quarto, e ele gentilmente me ajeita sobre a cama. O silêncio da noite começa a se instalar entre nós. Um a um, ele remove as presilhas do meu cabelo, deixando as mechas caírem livres. Os brincos são cuidadosamente removidos. Eu ia balbuciar algo, mas seu dedo sobre meus lábios deixa claro que o silêncio seria nosso único companheiro naquela casa.

O ritual continua com uma precisão quase cirúrgica. O pingente acompanha os brincos, deixando um rastro frio no meu pescoço, assim como a pulseira. Um por um, os anéis são removidos com seus dentes, um toque seco de metal e pele na escuridão. Nenhuma palavra quebrava aquele silêncio, apenas nossa silenciosa presença naquela casa.

Minhas sandálias são desamarradas e colocadas num canto. Ele me vira de bruços e joga minhas mechas por sobre um dos ombros, expondo minha nuca à brisa leve que entrava pela fresta. Um por um, os botões deixam livres minhas costas. Ele confere com mão firme a linha que vai da minha nuca até a cintura e volta para os meus ombros. As alças são jogadas de lado. Ele me desmontava como se eu fosse feita de peças, e confesso que aquilo mexeu comigo. Meu dorso nu agora é dele, que aperta e massageia vigorosamente, dissipando a pose que sustentei a noite toda e substituindo-a pelo peso de suas mãos. Ele segue abaixo ao longo dos braços, arrastando junto o que ainda existe do vestido.

É inegável imaginar que o evento seguinte teria meu ventre de volta para cima. Meu ventre é acariciado por suas mãos vigorosas, que não hesitam em agarrar meus seios e ordenhar cuidadosamente meus mamilos — os mesmos seios que trinta anos antes fora seu alimento. Polegar e indicador de um lado, e os incisivos do outro, eu estava imobilizada de êxtase ali. Ele suga vorazmente, como se inconscientemente resgatasse as memórias da pequena infância. Seu polegar ergue meu queixo e deixa o caminho aberto para que a língua desenhe toda uma estrada ao longo do meu pescoço. Ele me chupa como se buscasse meu sangue, que corria forte nas veias que ele saboreava por debaixo da minha pele.

A respiração ofegante tornava qualquer palavra desnecessária… décadas de paixão e desejo velados se consumavam naquele momento. Nossas bocas então se encontram, e o duelo inevitável de línguas tem início. Ele me domina pelos cabelos, me guiando como e onde prefere, e aquela dominação aumenta ainda mais o desejo que me arrebatava. Orelha, lóbulo, pescoço e ombros, a jornada ia começar em direção ao sul, e os sinais eram claros. Língua e dentes vão desenhando todo o caminho, com mais uma generosa pausa nas minhas aréolas e mamilos. Sua boca percorre todo o ventre que um dia o abrigou, e a nova fronteira agora era o vestido que ainda insistia em repousar na minha cintura.

Um neurocirurgião talvez fosse menos preciso do que ele naquele momento, abaixando o vestido ainda preservando a lingerie mínima que eu havia escolhido para a noite. Eu sabia como a noite iria acabar, me produzi especificamente para isso, só não tive a luz de imaginar quem seria o cavalheiro que me conduziria ali. Não exatamente uma surpresa… a fascinação e o desejo velados sempre estiveram entre nós, nunca fomos muito habilidosos em ocultar esse sentimento um do outro, talvez apenas esperávamos um momento oportuno para consumarmos isso.

Mais uma vez ele me vira e fica explorando agora meus quadris… quase quarenta e cinco anos com um corpo diariamente bem cuidado estava mostrando agora seu valor. A lingerie praticamente dissolve sob seus dedos, e agora eu me desnudava completamente ao controle dele. Pausa. Agora eu também queria um pouco daquilo tudo. Seu ritual no meu corpo foi longo e delicioso, mas jamais teria a mesma paciência para trazê-lo em pelo. Apalpei logo e vigorosamente cada dobra daquele corpo viril, principalmente aquela virilidade assustadora que ele ostentava entre as pernas. Minha vez agora de mamar… reproduzi a fome que ele demonstrou em meus peitos naquela tromba impossível de ser ignorada. Ordenhei com boca e dedos seu primeiro orgasmo comigo e devorei até a última gota.

Ele desfaleceu por um minuto, como é bem esperado, mas eu estava pronta para o próximo round. Nós nos devoramos como duas feras esfomeadas. Era difícil chamar aquilo de 69, a gente se devorava por inteiro ao outro, não apenas o sexo do outro. Sua boca e língua me varrem por dentro, me preparando para a rendição final, como um soldado derrotado em uma batalha que há muito já estava perdida. A espada cumpriu seu papel, trespassando o portal que anteriormente havia sido sua porta de chegada ao mundo.

Desnecessário descrever as minúcias. Qualquer casal apaixonado e repleto de desejo conhece cada letra do alfabeto que conjugamos ali, com todas as semínimas, paletas, esquadros e potência que o momento exigia.

Nosso universo era muito tranquilo e isolado. O mesmo ferrolho que bloqueava a porta, simultaneamente desbloqueava um universo de paixão e desejo que nenhum de nós tinha pressa em finalizar. Por vezes, em viagens que rotineiramente fazemos, a recepcionista pergunta se somos um casal e nunca nos preocupamos em desmentir, já que longe do crivo social, certamente não éramos mãe e filho. Despida de adornos, de roupas e de voz, restou apenas o eco da festa lá fora e a eletricidade de me ver inteiramente vulnerável, entregue ao ritmo daquele silêncio que nos pertencia.

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