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A CASADA DA TERÇA-FEIRA - Parte 01

Um conto erótico de SandroAndarilho
Categoria: Heterossexual
Contém 1188 palavras
Data: 15/09/2026 10:58:19
Assuntos: Heterossexual

Meu nome é Sandro,

Eu tinha saído depois do trabalho para tomar uma cerveja.

Só uma.

Essa era a mentira que eu contava para mim mesmo toda vez que entrava num bar sozinho.

O lugar estava praticamente vazio. Terça-feira, pouco depois das nove da noite. Havia um casal numa mesa, dois caras assistindo futebol perto da televisão e uma mulher sozinha no canto do balcão.

Foi nela que reparei.

Não era nenhuma modelo.

Devia ter uns 41 anos, talvez 42. Depois descobri que tinha 40.

Chamava-se Patrícia.

Tinha aproximadamente 1,64, pele clara que pegava facilmente um bronzeado, cabelos castanhos escuros na altura dos ombros e olhos cor de mel. O rosto era bonito, mas de um jeito comum. Algumas linhas discretas perto dos olhos quando sorria, uma pequena pinta abaixo da bochecha esquerda e unhas pintadas de vermelho, duas delas já meio descascadas.

O corpo foi o que me fez olhar novamente.

Patrícia tinha corpo de mulher de verdade.

Quadril largo, coxas grossas, cintura marcada sem ser fina demais e uma barriguinha que aparecia discretamente quando ela se inclinava. Os seios eram fartos e o decote da blusa deixava apenas o suficiente à mostra para fazer minha imaginação trabalhar.

Usava jeans escuro, sandália de salto baixo e uma blusa vinho.

Nada especialmente produzido.

Na verdade, parecia que ela nem tinha planejado estar ali.

Havia uma bolsa grande jogada no banco ao lado, chaves sobre o balcão e um celular que ela virava com a tela para baixo toda vez que chegava alguma notificação.

Mas tinha um detalhe.

Uma aliança.

Olhei uma vez.

Depois outra.

Casada.

Assunto encerrado.

Pelo menos deveria ter sido.

Pedi minha cerveja e sentei algumas cadeiras distante.

Uns dez minutos depois, ouvi:

— Você está assistindo ao jogo ou fingindo?

Olhei para o lado.

Era ela.

— Fingindo.

Patrícia sorriu.

— Eu sabia.

— Como?

— Você não olhou para a televisão nenhuma vez nos últimos cinco minutos.

— Estava distraído.

— Percebi.

A maneira como falou aquilo deixou bastante claro que também tinha percebido para onde eu estava olhando.

— Sandro.

— Patrícia.

Ela não estendeu a mão.

Apenas levantou o copo.

— Prazer.

Levantei minha cerveja.

— Prazer.

Começamos a conversar.

Primeiro banalidades.

Trabalho.

Trânsito.

O preço absurdo das coisas.

Até que Patrícia pediu outra bebida.

— Dia ruim? — perguntei.

Ela soltou uma risada sem humor.

— Ano ruim.

Não perguntei.

Foi ela quem continuou.

— Sou casada há quinze anos.

Olhei automaticamente para a aliança.

— Eu percebi.

Ela também olhou.

Girou a aliança no dedo.

— Descobri há três semanas que meu marido está me traindo.

Aquilo mudou a conversa.

— Sinto muito.

— Não sente, não. Você nem me conhece.

— Posso sentir mesmo assim.

Ela me encarou.

— Você é sempre educadinho desse jeito?

— Normalmente sou pior.

Pela primeira vez, Patrícia riu de verdade.

Bonito.

Ela tinha um sorriso bonito pra caralho.

— Melhor — disse. — Homem certinho demais me dá preguiça.

— Seu marido é certinho?

O sorriso desapareceu.

— Aparentemente só quando está comigo.

Merda.

— Desculpa.

— Relaxa.

Ela tomou um gole.

Depois bateu o indicador na própria aliança.

— Quinze anos, Sandro.

— É bastante tempo.

— Dois filhos, apartamento financiado, cachorro, almoço na sogra domingo...

Ela balançou a cabeça.

— A porra do pacote completo.

Ficamos em silêncio.

Então Patrícia falou:

— E sabe qual foi a parte que mais me deixou puta?

— Qual?

— A mulher tem vinte e nove anos.

— Isso importa?

— Para minha autoestima? Pra caralho.

Olhei para ela.

Dessa vez sem disfarçar.

— Então sua autoestima está com um problema de avaliação.

Ela estreitou os olhos.

— Isso foi uma cantada?

— Foi uma observação.

— Mentiroso.

— Você perguntou.

Patrícia sorriu.

— E o que exatamente você observou?

Perigoso.

Olhei para a aliança novamente.

Ela percebeu.

— Pode falar.

— Você é casada.

— Eu sei o que tenho no dedo.

— Então sabe por que estou quieto.

Ela ficou alguns segundos me observando.

Depois tirou a aliança.

Colocou sobre o balcão.

Meu coração acelerou um pouco.

— Pronto.

— Não funciona exatamente assim.

— Não?

— Continua casada.

— Que homem irritante.

— Você perguntou.

Patrícia aproximou o banco.

Agora havia somente alguns centímetros entre nossos braços.

— Então responde outra coisa.

— Manda.

— Se eu não fosse casada...

Ela parou.

Olhou diretamente para mim.

— ...você tentaria me levar para casa hoje?

A pergunta veio sem sorriso.

Olhei para aquela mulher.

Para os cabelos ligeiramente bagunçados.

Para os olhos cor de mel.

Para a boca.

Para o decote.

Voltei aos olhos.

— Tentaria.

Ela respirou fundo.

— Pelo menos é sincero.

— Você pediu sinceridade.

— Não pedi.

— Mas queria.

Patrícia sorriu.

— Convencido.

A conversa mudou dali em diante.

Ela começou a querer saber sobre mim.

Minha idade.

Se eu era solteiro.

Que tipo de mulher eu gostava.

Até que perguntou:

— Mulher de quarenta entra na lista?

— Depende.

— De quê?

— Da mulher.

— Filho da puta.

Riu novamente.

Gostei cada vez mais daquela risada.

Algum tempo depois, Patrícia colocou a mão sobre meu braço enquanto contava uma história.

Não retirou.

Continuei olhando para ela.

— Que foi? — perguntou.

Olhei para sua mão.

Patrícia percebeu.

Mas continuou tocando meu braço.

— Nada.

— Você pensa demais, Sandro.

— E você bebeu um pouco.

Ela imediatamente ficou séria.

— Não estou bêbada.

— Eu sei.

— E sei exatamente o que estou fazendo.

Aquilo precisava ficar claro.

Agora estava.

Patrícia pegou a aliança do balcão e guardou dentro da bolsa.

Não colocou de volta no dedo.

Pagamos a conta pouco depois.

Na calçada, o vento frio fez Patrícia cruzar os braços.

— Meu carro está ali — disse.

— Então boa noite.

Ela ficou me olhando.

— Boa noite?

— Você tem carro.

— Tenho.

— Eu também.

Ela começou a rir.

— Meu Deus, você realmente vai me obrigar a falar?

— Falar o quê?

Patrícia chegou perto.

Bem perto.

— Eu não quero ir para casa.

Não respondi.

— Hoje não — completou.

— Patrícia...

— Não quero conversar sobre meu marido. Não quero conselho. Não quero ouvir que amanhã vou me arrepender.

Seus olhos estavam presos nos meus.

— Quero passar algumas horas sendo apenas Patrícia. Não esposa. Não mãe. Não a mulher que levou chifre.

Ela respirou fundo.

— Patrícia.

Passei a mão delicadamente por sua cintura.

Ela não recuou.

— Tem certeza?

— Tenho.

— Mesmo?

— Sandro...

Ela segurou minha camisa.

— Se você perguntar mais uma vez, eu vou embora só de raiva.

Sorri.

— Mulher brava.

— Você ainda não viu nada.

Foi ela quem me beijou.

Um beijo inicialmente hesitante, como se quinze anos de casamento ainda estivessem segurando seus ombros.

Então alguma coisa nela cedeu.

Patrícia segurou minha nuca e me beijou novamente.

Dessa vez sem hesitação.

Quando nos afastamos, ficou alguns segundos encostada em mim, recuperando o fôlego.

— Caralho — murmurou.

— Arrependida?

Ela levantou os olhos.

— Ainda não.

— Quer parar?

— Não.

A resposta veio imediatamente.

Patrícia pegou minha mão.

— Onde você mora?

— Uns vinte minutos daqui.

— Muito longe.

— Tem alguma sugestão?

Ela olhou para o outro lado da avenida.

Havia um hotel.

Depois olhou para mim.

Foi impossível não entender.

— Você tem certeza? — perguntei.

Patrícia fechou os olhos e começou a rir.

— Você perguntou de novo.

— Costume.

— Então perde esse costume.

Ela começou a atravessar a rua.

No meio do caminho virou para mim.

— Sandro?

— Oi?

— Vem logo, porra.

Atravessei atrás dela.

Naquela terça-feira, Patrícia não queria vingança, promessa ou romance.

Queria sentir que ainda podia escolher.

E, pelo modo como segurou minha mão quando entramos no hotel, tinha acabado de fazer sua escolha.

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Comentários

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Que delícia, encontrar uma mulher assim, sem pretensão alguma, e já poder fazer um bom sexo. Nota 10. Parabéns. ksado44sp@bol.com.br

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Bacana... simples assim!!

Boralá ver a que ponto chega esse encontro casual... ;-)

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