Sou o Renato, trinta anos, gerente de loja de roupas bem de frente pra Praça da Alfândega, aqui em Porto Alegre. A minha vida tava empacada, a cabeça fervendo de raiva e desconfiança. A minha esposa tinha viajado pra praia junto com a sua mãe, a sua irmã e o seu cunhado, aquele que eu já sabia que tava comendo ela por trás das minhas costas. Tinha certeza disso, mas faltava flagrar os dois pra mandar aquela desgraçada pra casa do caralho. Como eu só ia entrar de férias na semana seguinte, fiquei sozinho naquela casa grande, remoendo o chifre que ainda tava na desconfiança, com a mente cheia de ódio e tesão reprimido.
Naquela sexta-feira à noite, com o calor de matar da cidade, resolvi sair pra andar. Fui sem rumo e parei onde um circo tinha armado a lona há poucos dias. O movimento tava fraco, as pessoas saindo, o espetáculo acabando. Fiquei parado na calçada, encostado num poste, puxando o meu beck, olhando a lona esvaziar.
Nisso, vi o palhaço saindo pro lado do trailer, mijando, olhando pros lados. Quando me viu, fez um sinal de joinha e deu uma risada. Tava com a cara ainda meio pintada de branco, sem a peruca ridícula, mostrando aquele cacete enorme enquanto mijava, sacudindo antes de guardar. Me encarou sorrindo, entrou no trailer e bateu a porta com o pé.
Pouco depois apareceu na porta me procurando com os olhos. Fez sinal pra eu ir. Fui até lá e ele tava escorado, fumando.
— Perdeu o espetáculo ou só tá dando uma volta?
— Tô só terminando o meu fumo e curtindo a brisa, palhaço. O movimento aí dentro já era, todo mundo vazou.
— Movimento de pagante acabou, mas o da minha tenda particular tá só começando. Sobe aqui antes que os outros passem e comecem a encher o saco com fofoca de circo.
Subi a escadinha, sentindo o cheiro de casca de arroz molhada, o coração batendo forte. Entrei no trailer, apertado, bagunçado, cheiro de cerveja e cigarro. Ele tava tirando a maquiagem.
— Daí, meu! Sozinho ou perdeu o espetáculo? Mas entra aí. Tenho que tirar isso três vezes por dia, kkk. É o meu serviço, né.
— É, mas é um serviço legal, importante pra muita gente.
— Isso mesmo. Pra pessoa de toda idade. Mas os meus maiores fãs são os adultos.
— Posso sentar aqui?
— Claro. Desculpa a bagunça, não tive tempo de arrumar nada. E amanhã não tem espetáculo, tô de folga, kkk.
— Mas que os teus maiores fãs são os adultos? Não entendi.
— Humm, é que sempre alguém vem me conhecer. Normalmente algum casal.
— Bah, imagino os piá puxando a tua perna pedindo bala e tu tendo que dar atenção pro marmanjo também, kkk.
Ele soltou uma gargalhada, batendo a mão na mesa.
— Pior que é bem por aí, guri! Se deixar, o marmanjo é mais curioso que criança. Quer saber se o nariz é de verdade, se a perna de pau dói... No fim das contas, a lona grande é pra família, mas os bastidores são outra história, kkk.
Fiquei rindo junto, sentindo o clima ficar leve. Ele era bonito, usava o seu cavanhaque curtinho, olhos verdes, cara de homem que não leva desaforo pra casa.
— Tu tem cara de quem tá com a vida pesada, não é? Sou o Rogério, mas pode me chamar de Italiano, kkk.
— Prazer, sou o Renato. Pode chamar de Léo.
— Se importa se eu troco de roupa aqui na tua frente?
— Não, nem capaz.
Começou a tirar a roupa. Vi o seu peito, definido, peludo, sem marca, sem tatuagem nenhuma. Quando tirou a calça, vi o seu volume na cueca branca justa. Grande demais. Fiquei olhando, sem querer, e senti o tesão subir. Isso nunca tinha acontecido comigo.
— Tô há seis meses longe da minha mulher — falou ele, sem parar. — Volto só mês que vem. E já faz uns dois meses que não faço nada com ninguém, kkk. Mas percebi em ti um cara cheio de problema.
— Pois é, meu. O mundo tá cheio de mulher ingrata e nós aqui que nem otário segurando rojão. Diz aí, tu viu que tô mal?
— Vi logo que te vi encostado naquele poste. Tu carrega o peso do mundo nas costas por causa de fêmea. Acertei?
— Bah, nem me fale. A minha mulher viajou com a família dela e eu tenho certeza que tá me traindo com o cunhado. Fiquei sozinho em casa remoendo isso.
— Mulher não vale o chão que pisa quando inventa moda na ausência da gente. Fica tranquilo, tu não tá sozinho nessa. Eu mesmo tô aqui há meses, longe de casa, sem saber se a minha jararaca tá me esperando.
— Caralho, seis meses? Tu aguenta isso sem ninguém?
— Que nada. A gente vai levando, mas dois meses sem nada, kkk. O corpo cobra o preço.
— No meu caso, em casa já tava morno antes dela ir. Imagina agora.
Ele me olhou de cima a baixo, parou nos meus olhos e sorriu de malandro.
— Já vi que tu precisa desconectar. Esquece a praia, esquece eles. A noite tá quente, tô aqui, ninguém nos vendo.
O clima mudou de uma hora pra outra. Ele deu uma risada baixa.
— Tu pensa demais, Léo. Deixa o instinto mandar, kkk.
Chegou perto, tocou o meu queixo com a sua mão.
— Aqui é só vontade e respeito. Nada mais.
Colou o seu corpo no meu. Beijou a minha boca com firmeza. Eu retribui, as minhas mãos nas suas costas. A sua mão desceu, apertou a minha virilha por cima da calça.
— Olha como o teu corpo pede, guri, kkk. Tá transbordando.
— É verdade...
— Então tira a calça. Mostra o tamanho da tua vontade.
Sentei na cama dele. Ele ficou na minha frente. Dava pra ver tudo na cueca, o seu pau grande, as suas bolas cheias.
— Tu fica pensando se eles tão sofrendo, né? Eles não tão. Só tu. Olha pra frente, Léo. A tua liberdade tá aqui.
Ele mexeu de leve, o pau quase saindo.
— É... é verdade. Não posso me proibir sempre.
— Então faz algo por ti. Aqui é só nós dois. Fecha os olhos e faz o que quiser. Prometo que vai ser bom pra mim também, kkk.
Não fechei os olhos. Estendi a mão e toquei o seu pau por cima da roupa. Firme, duro, grande. Ele sorriu.
— Tira pra fora. Vai.
Tirei a cueca dele e comecei a chupar. Senti um desejo que nunca tinha sentido. Beijei a cabeça dele, as suas bolas, lambi tudo. Ele fumava o seu cigarro, deitado, com a mão na minha cabeça. O cheiro dele era de homem, de trabalho, e naquele momento era o melhor do mundo.
— Deita aqui no meio das minhas pernas — pediu ele. — Faz o que quiser. Sem medo.
Deitei e continuei. Chupava devagar, sentindo cada centímetro. Ele acariciava o meu cabelo, olhando pra mim com um sorriso que parecia carinho de verdade. Nada de cobrança, nada de farsa. Aquele momento era só nosso.
Quando passei a língua mais pra trás, entre o saco e o cu, ele segurou a minha cabeça.
— Isso. Lambe também. Esquece tudo.
O meu pau ficou duro de vez. Queria que ele fizesse o mesmo comigo, mas ainda não falei. Sabia que ia chegar lá.
Ele me olhou, os olhos brilhando.
— Tá preparado pra tudo?
Acenei que sim. Pegou o gel, passou devagar no meu cuzinho, com cuidado, um dedo de leve. Depois no seu pau.
— Vai doer um pouquinho, mas passa logo. Se doer demais, fala.
Entrou devagar, a cabeça primeiro. Senti a dor misturada com prazer. Foi entrando e saindo, devagar, sempre devagar. Botou mais gel, foi conhecendo o caminho.
Acelerou pouco a pouco. Pediu pra eu me segurar na parede. Ficou de joelho, metendo com vontade, sem pressa de machucar. Quando cansou, pediu pra eu virar de lado. Não tirou. Deitamos assim, ele por trás, mordendo o meu pescoço, sussurrando safadeza no meu ouvido. Ficamos ali uns quinze minutos, encaixados, quentes, suados.
Parou um instante.
— Tu é especial, Léo. Não sei se volto pra casa, não sei se tu também quer voltar.
— Não quero que isso acabe nunca.
Beijou o meu pescoço e voltou a meter. Mais devagar, mais fundo, mais junto. Chegamos juntos, tremendo, gozando forte, um no outro.
Dormimos abraçados assim. Quando acordei, ele tava metendo de novo, bem suave, sem querer me acordar. Fiquei quieto, curtindo cada segundo.
Depois ficamos deitados, respirando fundo. Ele sorriu.
— Agora tu vai me perguntar aquilo, né? Sobre os fãs adultos, kkk.
— Claro que vou. Senti putaria naquela fala.
— É e não é, kkk. Tem dois caras que vêm aqui. Eles me levam pra casa deles, pra ficar com as mulheres deles. Eles ficam sentados assistindo, kkk.
— Puta que pariu, seu safado! Não acredito!
— Te falei que tava tempo sem nada, kkk.
— Interessante isso, kkk.
— Nem pensa nisso, que te conheço, kkk. Mas... se tu quiser muito, a gente pode ir junto. Tu participa comigo.
— Fechado. Mas e agora? Bora pra minha casa? Quero te mostrar o meu lugar.
— Bora! — deu risada, puxando a calça. — Vamos ver onde isso vai dar.
Saímos juntos na noite. Andamos pro meu lado, rua por rua. De vez em quando eu dava um empurrão de leve no ombro dele e ele ria, puxava a minha camisa pra me puxar pra perto.
— Tá cansado, palhaço?
— Cansado nada. O teu passo é lento que nem o relógio da igreja.
— Kkk. Vai reclamando que eu te deixo aqui no meio da rua.
— Deixa nada. Tu não larga mais.
Chegamos na porta da minha casa. Abri, entramos e tranquei com a chave. Larguei a chave e a carteira em cima da mesa.
— Tira a bota. Deixa ali.
— Tá arrumado aqui.
— É onde eu moro. Não é circo.
Fui pra cozinha e voltei com duas garrafas de cerveja. Abri, entreguei uma pra ele. Bebemos um gole. Eu encostei na parede, olhando ele.
— Gostou do caminho?
— Gostei. Gostei de tu me empurrar.
— Kkk. E de tu ser empurrado?
— Gostei mais ainda.
Bebemos mais um pouco. Botei a garrafa de lado e fui pra perto dele.
— Bora subir?
— Bora.
Subimos juntos pro meu quarto. Acendi a luz fraca, botei uma música que batia forte, ritmo reto. Virei pra ele e sorri.
— Tira a roupa. Tudo.
— Mandando?
— Tô convidando.
Ele tirou a roupa e ficou pelado na minha frente. Eu olhei de cima a baixo e soltei uma risada.
— Grande demais.
— Reclama não.
— Não tô reclamando.
Tirei a minha roupa devagar, joguei tudo no chão. Fiquei peladão na frente dele. Dei uma girada devagar, rebolando de leve, balançando o meu pau e as minhas bolas pra lá e pra cá no ritmo da música. Ele riu alto.
— Kkk. Olha o movimento!
— Gostou?
— Gostei demais. Balança mais.
Rebolei de novo, mais forte, rindo junto com ele. Fui pra perto dele e peguei na sua cintura.
— Chega de show. Vem pra cá.
Puxei ele pra mim e beijei a sua boca. Ele grudou o seu corpo no meu, as suas mãos nas minhas costas. A gente se beijou um tempão, sem pressa, as línguas se tocando, os corpos se esfregando. O seu pau duro batia no meu.
— Deita — falei baixinho.
Ele deitou de costas na minha cama. Fiquei por cima, apoiando nos meus braços. Beijei o seu pescoço, desci pros seus peitos, mordi os seus bicos. Ele arqueou as suas costas e gemeu baixinho. Desci mais, beijei a sua barriga, passei a língua na volta do seu umbigo, desci mais.
Peguei o seu pau na minha mão, duro, grosso, grande. Beijei a cabeça dele, lambi a ponta, abri a minha boca e engoli devagar. Ele mexeu a sua cintura, metendo um pouco mais fundo. Segurei os seus quadris e fui devagar, chupando do jeito que ele gostava. Ele gemia o meu nome, passando a mão no meu cabelo.
— Isso... continua... não para...
Fui mais fundo, engoli tudo até a garganta. Ele puxou a minha cabeça pra mais perto. Fiquei ali um tempão, chupando, lambendo, fazendo tudo devagar. Depois soltei com um som de beijo molhado e subi devagar pro rosto dele.
— Gostou?
— Gostei pra caralho. Agora é a minha vez.
Ele me virou de costas e ficou entre as minhas pernas. Beijou a minha coxa, a minha virilha, chupou a minha cabeça devagar. Eu fechei os olhos e empurrei a minha cintura pra frente. Ele segurou firme e chupou com vontade. As suas mãos apertavam os meus quadris, a sua língua rodava na ponta do meu pau. Fiquei duro demais, tremendo.
— Vou gozar se continuar assim...
— Então goza. Não segura.
Ele não parou. Chupou mais forte, mais fundo. Eu agarrei o lençol e fui sentindo subir. Segurei a cabeça dele com as minhas mãos e gozei na sua boca. Ele engoliu tudo sem sair, lambendo o que sobrou. Deitei do lado dele, ofegante. Ele sorriu e me beijou, sentindo o meu gosto nos seus lábios.
— Bom?
— Bom demais.
Virei ele de lado, de frente pra mim. Encaixei entre as suas pernas e entrei devagar. Ele abriu mais as suas pernas, grudou o seu peito no meu. Fui devagar, sentindo cada centímetro entrando. Ele mexeu junto, no mesmo ritmo. Beijei a sua boca, o seu pescoço, os seus olhos.
— Tu é gostoso pra caralho...
— Tu também...
Fui acelerando pouco a pouco. Ele acompanhou, gemendo, apertando as minhas costas. Entrei fundo, saí devagar, entrei de novo. O seu corpo grudava no meu, o suor escorria entre os nossos peitos. A música ainda tocava no quarto, batendo junto com o nosso ritmo.
Virei ele de quatro. Os seus joelhos afundaram no colchão, a sua bunda levantada pra mim. Fiquei de joelho atrás dele, segurei os seus quadris e entrei com força. Ele gemeu alto, apoiando as suas mãos na cabeceira. Bati devagar, ritmado, ouvindo o som dos nossos corpos.
— Mais forte... por favor...
Bati mais forte. Ele balançava a sua cabeça, jogando o cabelo pra frente e pra trás. Puxou a sua própria pele, abrindo mais pra mim. Fui fundo toda vez, sem parar. Apertei os seus quadris e bati sem parar. Ele gemia cada vez mais alto, dizendo o meu nome.
Parei de repente. Ele olhou pra trás.
— Por que parou?
— Vira de frente. Quero te olhar.
Ele virou deitado pra cima. Subi por cima, abri as suas pernas com as minhas e entrei devagar, olhando direto nos seus olhos. As suas mãos subiram pro meu rosto, acariciando a minha barba. Fui devagar, bem devagar, vendo cada reação no rosto dele.
— Não sai nunca mais...
— Não vou.
Acelerei de novo. Mais fundo, mais perto. Ele grudou os seus lábios nos meus e beijou enquanto eu metia. As suas pernas enrolaram nas minhas. Fiquei mais perto, o peito tocando o dele, sentindo o coração dele bater forte.
Saí devagar e virei ele de lado, encostado no meu peito. Entrei por trás, abrindo a sua perna com a minha. Fui bem devagar, num ritmo calmo e gostoso. Ele segurou a minha mão, entrelaçando os dedos. Beijei a sua orelha, o seu pescoço.
— Isso é melhor do que tudo...
— É nosso.
Fui acelerando pouco a pouco. Ele acompanhou, gemendo baixinho. Apertei a sua mão mais forte. Chegamos perto juntos. Senti ele se apertando em volta do meu pau.
— Vou gozar...
— Vem comigo.
Bati mais forte, mais fundo, sem parar. Ele gemeu alto e gozou tremendo todo. Eu continuei metendo, sentindo ele se apertar, e gozei logo depois, jorrando tudo dentro dele. Fiquei parado assim, encaixado, os dois ofegantes, sem conseguir falar nada.
Deitamos na sala depois, peladões, cobertos só até a cintura, rindo de qualquer coisa, jogando travesseiro um no outro. Ele me empurrou e eu cai de lado, dei risada e puxei ele pra mim. A gente tava assim, todo suado, todo bagunçado, feliz, quando o meu celular em cima da mesa tocou. Olhei o nome na tela e fiquei duro. Era a minha esposa.
Atendi sem pensar, apertei o botão do viva-voz sem querer.
— Alô?
— Oi, amor — falou a voz dela, alta e clara. — Tudo bem aí?
— Tudo — falei, seco, sentindo o Rogério parar do meu lado.
— Que bom... tava com saudade...
Ela não desligou o microfone direito. A voz de um homem veio alta, nítida, direto pro alto-falante.
— Vem cá, minha puta. Vem me chupar.
Silêncio. Eu fiquei parado, olhando pro aparelho. O Rogério me olhou, fez uma cara de pena, só isso. Não falou nada. Não perguntou nada.
Desliguei. Joguei o celular pra longe, sem raiva, sem nada. O Rogério passou a mão no meu ombro.
— Tá bem?
— Tô. Ela não volta mais. Não pra mim.
Ele assentiu. Não falou mais no assunto. Me puxou de novo pra brincar, do mesmo jeito, rindo, fazendo graça, como se nada tivesse acontecido. Eu brinquei junto, ri junto, mas sabia. Aquele momento ali era o fim de uma coisa e o começo de outra. Quando ela voltasse, não ia ter mais nada. Nada mesmo.
Ficamos o resto da noite assim, sem tocar no assunto, curtindo o que era nosso. De manhã cedo ele tava ali, sorrindo, me esperando acordar. E eu sabia que daquele jeito ia ficar.
