Depois de ler vários contos e lembrar do que vivi, chegou a hora de contar sobre a Laís.
Hoje tenho 34 anos e sou de Belo Horizonte. Esse conto é sobre minha descoberta no mundo crossdresser, que, no início, eu mal sabia o que era.
Tudo começou quando fui fazer uma viagem com meu pai e minha madrasta para o interior do RJ. Depois de ter passado alguns dias lá, curtindo o período de descanso como qualquer outro dia, aconteceu algo que eu nunca imaginaria e que mudaria minha vida.
Em um dia normal, aproveitando a praia, a companhia da minha família e de algumas primas, eu mal sabia que teria uma grande descoberta. Por volta das 17h, ao chegar da praia, todo mundo estava pela rua, bebendo e conversando. Eu decidi aproveitar para tomar um banho e ficar pronto para sair à noite. Juntei minha roupa e fui para o banheiro da casa de uma tia minha. Naquele momento, percebi que tinha algumas roupas jogadas ao chão e, debaixo da pia, um tamanco da Djean preto, que na época era muito usado. Olhei para aquilo e fiquei tão curioso que o peguei admirando. Mas não parou por aí: fiquei com uma vontade enorme de colocar no meu pé. Para minha surpresa, serviu certinho, pois era o mesmo tamanho que eu calçava (nº 38). Ao me ver com o tamanco, tudo de repente mudou, e ali percebi algo diferente. Me olhei no espelho do banheiro e notei minhas coxas e bunda mais chamativas. O tamanco me deixava igual àquelas popozudas do baile funk, rsrsrs. Pensei: "por que não me ver com essa calcinha também?". Coloquei e, naquele momento, me senti outra pessoa.
No banho, não parava de pensar no que tinha acontecido. Fiquei muito pensativo com aquilo tudo, tentando entender o porquê de ter gostado tanto. Aproveitei o restante da viagem e retornamos para MG.
Ao passar dos dias, com a rotina voltando ao normal entre trabalho e casa, certo dia em que estava sozinho, deitado na sala assistindo TV, lembrei daquele momento e me bateu novamente a vontade de me vestir. Lembrei que minha mãe tinha guardado em uma gaveta várias roupas que ela não usava mais — algumas nem serviam nela, mas ela sempre guardava. Aproveitei aquele momento e explorei aquela gaveta com tudo o que podia usar. Fiquei um pouco triste porque não tinha nada para calçar, já que minha mãe calçava uma numeração menor, então me contentei com o que tinha. Mas, mesmo assim, foi uma grande aventura.
Os dias foram passando e chegou a oportunidade de passar um final de semana na casa do meu pai. Tive uma ideia: levei meu videogame, pois sabia que ele sempre saía para a casa de alguém ou para algum churrasco, e, se ele fosse, eu faria de tudo para ficar em casa jogando. Tudo o que planejei deu certo. No sábado à noite, por volta das 19h, ele saiu com minha madrasta. Quando percebi que tinham ido, comecei a aventura de ver as roupas dela. Eram tantas que ela tinha caixas no quarto de hóspedes com coisas para doar, além de calçados. Nisso eu fiquei encantado; era muita novidade. Experimentei uma calcinha fio-dental preta que ficou perfeita, e coloquei uma calça com uma blusa. Mas, quando fui abrir a caixa de calçados, fiquei sem saber o que escolher: eram muitos tamancos, saltos e rasteirinhas. No meio de tudo, vi um que adorei: um salto grosso madeirado com cordinhas que prendiam na perna. Experimentei e ficou perfeito, porém não combinava com a roupa. Tirei a calça e a blusa e achei um vestido florido bem justinho. Quando me vi no espelho, me espantei com o resultado: vi outra pessoa ali.
As horas foram se passando e voltei para a sala para fingir que estava no game. No domingo, antes de ir embora, fiz algo que me deixou chateado, pois sempre fui muito correto, mas o desejo falava mais alto: acabei pegando a sandália e coloquei na minha mochila para levar para minha casa, pois sabia que, com as roupas que eu tinha lá, ficaria perfeita. Os dias se passaram e, em um momento a sós, peguei as roupas que queria e levei para o meu quarto, onde fui experimentando e provando tudo.
Com o tempo, quando ganhei meu primeiro computador, comecei a navegar pela internet. Foi aí que conheci o termo crossdresser (ou CDzinha) e comecei a entrar no chat do UOL. Nessas salas, fui percebendo que o nick "CDzinha" chamava muita atenção dos homens. Certa vez, um deles me pediu para me ver na webcam. Coloquei uma lingerie, a sandália e ainda toquei um funk, rsrsrs. Ganhei tantos elogios! Vi que estava deixando alguns homens malucos por mim. Mas foi algo que também me fez pensar muito: nunca tive a vontade de estar com um homem, sempre gostei de mulheres e até ficava com algumas garotas, mas percebi que tinha gostado de me vestir. Os dias foram se passando e tomei a decisão de jogar fora a sandália e seguir minha vida.
Estudando e trabalhando, minha vida seguiu normalmente. Conheci algumas meninas até encontrar uma por quem me apaixonei. Era tão bobo por ela que sempre agradecia por tê-la ao meu lado, pois a gente se dava muito bem, tanto na vida quanto na intimidade. Ela tinha uma família muito boa e ficamos juntos por 8 anos (até meus 24 anos). Nesse tempo, nem lembrava mais o que era ser CDzinha.
Mas nem tudo é felicidade. Um certo dia, ela estava estranha e me chamou para conversar. Quis terminar alegando que queria curtir a vida, pois tinha começado a namorar muito jovem comigo e não pôde aproveitar nada com as amigas. Fiquei decepcionado, e minha vida virou uma loucura. Foram 8 anos me dedicando a ela e pensando em um futuro juntos. Minha vida virou um inferno de fofocas: onde eu ia, as pessoas falavam que tinham visto minha ex em pagodes e afins. Isso foi acabando comigo, tanto que quase entrei em depressão por ter me isolado — era só trabalho e casa, e horas trancado no quarto.
Até que um dia vi a foto de uma CDzinha e pensei: "por que não comprar agora as coisas que eu queria usar? Agora posso comprar, tenho condições". Lembro que comprei salto, rasteirinha, lingerie, peruca, maquiagem e, para completar, um vestido de oncinha estilo periguete. Nessa época, fui morar com minha avó pois, com o falecimento do meu avô, decidi cuidar dela. Um dia ela resolveu viajar para o interior para a casa da irmã dela, e eu tive 4 dias para aproveitar a casa livre. Lembro que, mesmo antes de ela ir, dei uma desculpa de que estava com uma alergia e que iria raspar meus pelos — ela até me ajudou, eu a amava muito.
Quando chegou a noite, me vesti: aquele vestido de oncinha, peruca loira, maquiagem básica e, para completar, o tamanco da Djean (comprei um idêntico ao primeiro que usei). Me olhei no espelho e não acreditava no que via. Estava me sentindo tão gostosa que disse a mim mesmo: "eu me pegava!".
Comecei a navegar pelo UOL, e naquela noite me senti tão bem! Esqueci de todos os problemas e tristezas, e a única coisa que importava era ser desejada. Os homens ficaram malucos: eu rebolava, me exibia, fiz três gozarem naquela noite... até voz feminina eu tinha aprendido a fazer.
E assim surgiu a Laís CDzinha.
Desculpe se ficou grande demais, porém não tinha como cortar alguns detalhes. No próximo conto terá a evolução e as descobertas.
Beijos!
