A festa aconteceria em uma semana, e, como Laura me adiantou, seria em uma quarta-feira. Ela mencionou que nunca havia festas nos finais de semana, exceto no meio do ano. Todo mês de junho, eles se reuniam em uma casa de praia isolada para passar um final de semana juntos. No geral, toda festa ou reunião ocorria durante a semana. Laura explicou que muitos ali eram casados e tinham filhos, então o final de semana era reservado para a família, não para festas.
Laura também comentou que muitos se encontravam fora das festas, não apenas para sexo, mas porque já eram amigos íntimos, frequentavam à casa uns dos outros ou jantavam juntos apenas para colocar o papo em dia. No entanto, alguns se reuniam para momentos de prazer. Ela esclareceu que isso não dizia respeito a ela; os encontros fora do ambiente que ela organizava eram escolhas pessoais de cada um.
Eu precisava arrumar uma desculpa para passar a noite fora e pedir a Tamires para cuidar de Manu. Caso ela não pudesse, teria que pedir ajuda aos meus pais. Pensaria nisso depois; primeiro, ligaria para Sandra para reservar um horário para mim na terça-feira, no final da tarde.
Ao ligar, consegui marcar o horário sem problemas, mas Sandra me convidou para jantar com ela e Raquel no sábado. Eu disse que até queria ir, mas era complicado por causa da minha sobrinha que morava comigo. Expliquei a situação e mencionei que, no sábado, não tinha onde deixar Manu e já precisava arrumar uma desculpa para alguém ficar com ela na quarta. Foi então que Sandra sugeriu que eu a levasse, já que seria apenas um jantar entre amigas. Se ficasse tarde, Manu poderia dormir em um dos quartos, e depois Sandra ou Raquel nos levariam de carro. Perguntei se poderia dar a resposta à tarde, e ela disse que tudo bem.
Preferi pensar melhor naquele convite, ainda mais por ter que levar Manu. No entanto, acabei aceitando. Tanto Sandra quanto Raquel me trataram muito bem. Nunca ultrapassaram limites e, pelo que me disseram, mesmo com um relacionamento liberal, não era bagunçado. Tive certeza de que respeitariam a mim e, principalmente, a Manu. Então, liguei para Sandra e confirmei nossa presença.
No sábado, arrumei Manu e não foi difícil vesti-la com roupas chiques. Ela ganhava muitos presentes, e muitas roupas eram caras, a maioria delas dadas por Tânia e Rogério. Preferia que não tivessem dado, mas, já que aconteceu, por que não usar? Coloquei uma roupa mais elegante também, das poucas que comprei, e assim seguimos até o endereço que Sandra me passou.
O local era um condomínio em um dos bairros mais caros do Rio de Janeiro. Quando chegamos à portaria, Raquel nos aguardava. Manu estava mais calada; ela sempre ficava assim dentro de carros ou em lugares novos, ocupando seu tempo olhando em todas as direções com curiosidade. Assim que desembarcamos, paguei a corrida e fui até Raquel, que estava perto da portaria. Apresentei Manu a ela, que a encheu de beijos e elogios. Manu, pelo jeito, gostou dela, pois estava só sorrisos. Isso era normal; Manu raramente estranhava alguém, era muito sociável, às vezes até demais.
Passamos pelo portão e entramos no carro de Raquel. Ela seguiu pela rua principal, e eu fiquei impressionada com as mansões que avistava, muito maiores do que as que limpava quando morava na favela. Manu nem piscava, admirando a beleza do lugar; com certeza, ela estava adorando aquilo.
Quando chegamos à entrada da mansão do casal, fiquei novamente de queixo caído. A casa era linda e percebi que estava lidando com pessoas de alto nível. Não tinha ideia do valor de uma mansão daquela, mas com certeza estava na casa dos milhões.
A mansão também era deslumbrante por dentro. Raquel falava o tempo todo, provavelmente para me deixar à vontade. Ela disse que Sandra estava na cozinha, preparando tudo pessoalmente para mim e Manu, dispensando as empregadas. Eu me senti até importante naquele momento. Manu olhava para todos os lados, tentando ver cada detalhe com seus olhinhos curiosos.
Sandra nos recebeu na cozinha e também se encantou com Manu. Não demorou muito para que Manu já tivesse duas novas tias. Como ela já havia se familiarizado com o lugar, começou a falar sem parar, e nisso, ela e Raquel se deram muito bem. As duas só se calaram um pouco quando Sandra serviu o jantar, e foi nesse momento que percebi um problema: havia vários tipos de talheres diferentes, e eu não fazia ideia de qual usar. Nessa hora, a vergonha tomou conta de mim, provavelmente estampada no meu rosto. Raquel percebeu e logo disse para eu relaxar, que poderia usar o talher que quisesse, que Sandra apenas colocou tudo daquele jeito por costume. Sandra percebeu a situação e veio em minha direção, pedindo desculpas e dizendo que iria retirar os talheres que não fariam falta. Ela deixou apenas um garfo, uma colher e uma faca. O problema é que fiquei ainda mais envergonhada. Mas Raquel continuou conversando comigo, dizendo que era para eu ficar à vontade e não me preocupar com questões de etiqueta, que era um jantar entre amigas e eu deveria me sentir em casa.
Demorou um pouco para eu me sentir à vontade, mas entre garfadas de uma comida deliciosa e uma boa conversa, fui me soltando novamente. Manu adorou a sobremesa e eu tive que controlar, senão ela comeria mais do que o necessário. Raquel pegou Manu para lavar as mãos e sumiu. Sandra aproveitou para perguntar mais sobre Manu, e eu contei um pouco sobre nossa história, omitindo o motivo da minha saída da casa que morei antes, disse que saí para me tornar mais independente.
Sandra ficou encantada com a minha história e a de Manu. Ela disse que, quando falei da minha sobrinha, quis na hora que eu a trouxesse, pois sempre desejou aumentar a família, mas Raquel sempre dava um jeito de enrolá-la. Ela mencionou que talvez com uma criança na casa, isso ajudasse a convencer Raquel a ter pelo menos um filho.
Raquel apareceu depois de uns vinte minutos com Manu nos braços. Aparentemente, Manu estava com sono, pois já era tarde e seus olhinhos estavam menores. Raquel se sentou com ela no colo, e Manu nem se moveu, encostou a cabeça no ombro de Raquel, em menos de dez minutos, ela dormiu. Raquel perguntou se poderia deitar Manu em um dos quartos, e eu disse que sim.
Depois que Raquel voltou, a conversa fluiu. Tive que repetir minha história com Manu, e quando terminei, Raquel estava com os olhos marejados, claramente tocada. Conversamos sobre vários assuntos, e em nenhum momento nenhuma delas tocou no assunto da proposta que Raquel me fizera. Saí da casa delas já era quase meia-noite; as duas decidiram me levar para casa. Manu dormia tranquilamente no banco, com a cabeça em cima de um travesseiro que Raquel pegou. Eu segurava uma caixa, com um celular usado que Sandra praticamente me obrigou a aceitar. Mesmo usado, ele valia mais do que meu atual celular novo.
Elas me deixaram em frente ao prédio, e Raquel disse que queria muito ver Manu mais vezes, que tinha amado minha sobrinha. Sandra, mais que depressa, disse que queria o mesmo. Eu disse que elas poderiam vir ao meu apartamento em qualquer dia da semana pela manhã que encontrariam Manu, ou poderíamos marcar algo em algum sábado. Elas concordaram, se despediram, e fui para meu apartamento descansar.
No dia seguinte, após o almoço, saí para comprar um chip novo, mas colocaria no celular antigo e usaria o novo para o meu dia a dia com meu número antigo. Aproveitei para comprar alguns acessórios para mim, pois tinha poucas bijuterias e agora provavelmente precisaria. Comprei também alguns cremes corporais e dois perfumes; no fim das contas, gastei mais do que imaginava.
O tempo passou e, na terça, pedi a Tamires para ficar com Manu à noite, podendo ser no meu apartamento ou na casa dela, se estivesse tranquilo lá. Ela disse que poderia ser na casa dela, já que Tânia e Rogério raramente iam lá no meio da semana. Mas, por via das dúvidas, ela sairia com Manu à tarde, para não dar na cara que passaria a noite lá. Ela perguntou onde eu iria, e eu disse que sairia com Laura. Ela deu um sorriso irônico, mas não disse nada.
Falando em Laura, ela havia desaparecido, pelo menos fisicamente. Ela mantinha contato todos os dias, por ligação ou mensagem, mas não apareceu. Provavelmente estava ocupada; como já tinha me contratado, não iria aparecer como antes, quando estava se esforçando para que eu aceitasse sua proposta. Porém, à noite, eu a veria; pelo menos, esperava que sim.
À tarde, fui ao salão e, mais uma vez, Diego deu um show me maquiando. Marcelo veio me buscar no mesmo horário, mas me levou para um lugar diferente; não era o hotel que tinha ido na primeira vez, mas sim uma mansão que eu não fazia ideia de quem era, e também não perguntei. Assim que entrei, revi várias pessoas que estavam na festa do mês anterior, além de alguns rostos conhecidos. Laura, assim que me viu, veio ao meu encontro e perguntou como eu estava. Respondi que estava nervosa. Ela disse para eu ficar à vontade, para me enturmar e não esquecer que agora receberia propostas, mas que era para eu só fazer o que quisesse, que ninguém forçaria nada.
Logo, Laura saiu e eu fui direto para onde estava Nicole. No entanto, conversamos pouco tempo sozinhas, pois logo apareceram duas mulheres que já tinha sido apresentadas para mim na festa passada. Conversei com as três por um tempo, mas elas estavam bem interessadas em Nicole, e eu aproveitei para sair de fininho. Fui procurar algo para beber e acabei parando na cozinha da mansão. Havia várias bebidas de dose em cima de uma mesa e alguns copos em uma pia enorme. Achei melhor não beber doses e fui em direção a uma geladeira de duas portas. Como imaginei, havia bastante cerveja long neck. Peguei uma e, ao tentar sair, fui cercada por um casal.
Eles eram bem educados, mas diretos. Queriam saber se eu tinha interesse em me divertir com eles; se eu aceitasse, seria bem recompensada. Eram o casal mais bonito que vi ali, e me lembrava deles da outra festa, justamente por isso. Além de belos, eram super educados, e eu agi da mesma forma. Expliquei que não ficava com homens, que era lésbica, e que naquela noite provavelmente só iria me divertir. Comentei que era minha segunda vez ali e que ainda estava conhecendo o pessoal. Eles agiram de forma natural, se desculparam por não saber, e eu disse que tudo bem. O mais legal é que não viraram as costas e saíram. Ficaram ali comigo um tempo conversando tranquilamente e não tentaram mais nada. Fiquei feliz com aquilo; realmente tudo era como Laura me falou.
Quando o casal se despediu, voltei até a geladeira e peguei outra cerveja, deixando a garrafa vazia sobre a pia. Antes de sair da cozinha, fui cercada por um casal de mulheres que só queriam me conhecer melhor. Foram super simpáticas, e, durante a conversa, Sandra e Raquel apareceram. Elas eram amigas do casal, e a conversa provavelmente renderia, então Sandra nos convidou para uma varanda logo após a porta da cozinha. O local estava todo iluminado e tinha algumas cadeiras de madeira. O assunto fluiu bastante, e como era perto da cozinha, podíamos pegar bebida rapidamente. Já era quase meia-noite quando o casal decidiu sair para falar com outras pessoas. Continuei ali com Sandra e Raquel, e a conversa continuou. Nessa altura, o álcool já tinha feito efeito, e acho que Raquel percebeu que era um bom momento para provocar.
Raquel saiu para buscar duas doses de bebida; eu ia acompanhá-la para pegar cerveja, mas ela disse que poderia deixar que traria para mim. Fiquei sentada conversando com Sandra, e quando Raquel retornou, entregou a cerveja e se sentou. Porém, não se sentou na cadeira dela; entregou o copo de bebida de Sandra e sentou no colo dela. Até aí tudo bem, mas então Raquel bebeu uma dose da bebida e começou a beijar Sandra. No início era um beijo normal, mas a intensidade aumentou, a ponto de Sandra colocar seu copo no chão e usar as mãos para acariciar o corpo de Raquel. Nunca tinha visto duas mulheres tão bonitas se pegando na minha frente, e sinceramente, achei a cena linda. Fiquei paralisada, observando as duas, e não vou negar que aquilo me deixou bastante excitada.
Não sei quanto tempo durou aquele beijo, mas quando acabou, Sandra mal respirava direito. Raquel se inclinou até seu ouvido e disse algo, e Sandra apenas concordou com um aceno de cabeça. Vi aquela loira linda se levantar e caminhar em minha direção. Seu olhar era penetrante, e eu não consegui desviar. Ela se aproximou e pediu autorização para sentar no meu colo. Nessa hora, quase a puxei eu mesma, mas não podia fazer isso. Olhei para Sandra, que sorriu e piscou o olho. Se ela autorizou, que mal havia? Estendi a mão e segurei a mão de Raquel, puxando-a para o meu colo. Ela se sentou e já passou a mão na minha nuca, me puxando para um beijo.
Não sei se foi o álcool, o ambiente ou a provocação das duas. Porém eu estava totalmente envolvida naquela situação. Eu só sei que, após aquele sinal verde da minha parte, elas não iriam deixar eu sair dali sem aproveitar a noite com elas. Sinceramente, estava adorando aquilo tudo.
Continua…
Criação: Forrest_Gump
Revisão: Whisper
