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Nem o ar, nem o mar, conseguiu apagar - Parte 26

Um conto erótico de Mark da Nanda
Categoria: Heterossexual
Contém 3882 palavras
Data: 12/09/2026 07:57:15

Chuck ficou olhando o espaço vazio onde ela estivera. Depois olhou para o jardim a sua frente, e chorou. Chorou sem soluços, sem barulho, apenas com o corpo sacudindo pela clareza terrível de ter sido ele, finalmente, a fechar a porta que durante tanto tempo o mantivera vivo.

As semanas seguintes foram feitas de trabalho lento, pouco glorioso e profundamente necessário. Ajuste de medicação. Sessões diárias alternadas entre o doutor Reeves e o doutor Maxwell. Grupos de autoajuda. Caminhadas monitoradas no pátio interno. Diários obrigatórios. Noites em que o sono vinha apenas com ajuda de medicamentos e manhãs em que o gosto metálico da realidade voltava antes mesmo de ele abrir os olhos. Os médicos e terapeutas não ofereciam consolo barato. Falavam de luto real, de identidade fragmentada, de construção de sentido que não dependesse de outra pessoa como eixo. Chuck resistiu no começo. Depois escutou. Depois, aos poucos, começou a entender, e falar.

Quando a alta foi autorizada, ele estava mais magro, mais calmo e portando uma determinação frágil, mas real. Voltou ao apartamento apenas o tempo necessário para resolver o que faltava. Vendeu os móveis. Doou o que restava de útil. Pediu demissão formal da FedEx. Comprou uma passagem só de ida para uma cidade de Nova Jersey.

Na última noite em Memphis, abriu a gaveta da mesa, tirou uma folha e escreveu uma despedida definitiva. Deixou sobre a mesa com um relógio de bolso, e instruções para quem deveriam ser entregues.

[CONTINUANDO]

Quinze anos se passaram.

Quinze tortuosos anos se passaram...

O tempo não passou de forma uniforme para todos. Para alguns, foi uma sequência de dias iguais, rotineiros. Para outros, foi uma reconstrução lenta, feita de silêncios, livros e distâncias autoimpostas.

Kelly e Jerry continuaram juntos. Souberam se perdoar. Souberam recomeçar. E mais do que isso, souberam entender o valor que a família pode exercer sobre a união de almas.

Camille veio ao mundo numa noite de sábado, estranhamente mais estrelado que o costume. Chegou chorando, mas também abrindo sorrisos na face de Jerry e Kelly. Aliás, nosso nobre dentista, acostumado a emergências, sangue e toda forma de intimidades físico-bucais, não aguentou a emoção e desmaiou na sala do parto. E ficou. Afinal, importantes naquele momento eram Kelly e Camille.

Katie experimentou uma forma de amor nova ao ver o rostinho redondinho de Camille pela primeira vez. Não seria demais dizer que foi “amor a primeira vista”, um amor verdadeiro, nobre, que existe por si só, sem cobranças ou ofertas.

As duas cresceram juntas. Brincaram juntas. Estudaram juntas. E também brigaram juntas muitas vezes depois. Mas como diria Renato Russo, “todo mundo diz que ELA completa ELA que nem feijão com arroz”.

A vida do casal não poderia ser melhor. O amor transbordava em seu lar. E a felicidade refletia na cama deles, onde o sexo tornara-se cada vez mais íntimo, intenso, entregue. Foi numa noite qualquer, anos após todo o drama que enfrentaram com Chuck, com Kelly cavalgando seu pau despudoradamente, que Jerry pediu:

- Eu estou pronto.

- Mas já!? Não consegue segurar um pouco mais, amor? Eu... Eu ainda não estou lá...

- Não! Não é isso... – Jerry riu: - Estou pronto para te ouvir de verdade. Me conta como era o seu relacionamento com Chuck.

- Como assim? – Perguntou ela, parando a cavalgada com uma penetração profunda, sentindo o pau dele roçar na entrada de seu útero.

- Eu queria saber... detalhes. Como vocês faziam? O que ele fazia que te agradava? Se o pau dele é maior do que o meu?

- Sério isso, Jerry!? Pra que isso agora?

- Porque agora eu tenho certeza de que nada irá mudar o que sentimos um pelo outro. Sei lá... Acho que é uma curiosidade minha querer saber tudo para eu ter certeza de que não deixo faltar nada para você.

Kelly o encarou por um instante, surpresa e curiosa:

- Quer saber como a gente transava, é isso?

- Também. Quero saber tudo.

- Nossa! – Kelly suspirou, desviando o olhar por um instante: - Eu... Eu nem sei por onde começar...

- Eu começo! O pau dele era maior e mais grosso que o meu?

Kelly o encarou novamente:

- Tem certeza?

- Tenho. Confie em mim.

- Então... tá. – Ela pensou um instante e falou: - Praticamente do mesmo tamanho, mas o seu é um pouco mais grosso. O dele é circuncidado e meio torto para a direita. Satisfeito?

- Certo. Então, não era o pau que te fez apaixonar...

Kelly deu uma risada alta e se abaixou, beijando a boca do marido:

- Não mesmo. O seu pau é até mais gostoso.

- Ele gozava mais do que eu?

- Mais como? Quantidade, você quer saber?

- Isso.

- Não. Acho que não. Uma quantidade normal. Ah, sei lá, Jerry. Nunca parei para medir! – Jerry riu da forma como ela ficou invocada para responder, mas ela tinha mais: - A não ser na nossa última vez. Naquela em que eu e ele... bem... quando eu te traí. Naquela vez ele gozou bastante, muito mesmo. Chegava a escorrer para fora.

- Tá. Mas isso foi esporádico. Então, não era isso também que te fez apaixonar.

- Não.

- Então, o que foi?

Kelly sentiu o pênis do marido perder a rigidez dentro de si. O clima esfriou para ela também. Ela saiu de cima dele e se sentou ao seu lado na cama. Ficou segundos pensando em silêncio. Jerry também se sentou, ficando de frente para ela. Ela então suspirou e o encarou:

- Chuck é uma ótima pessoa, Jerry. E só não estou casada com ele porque aconteceu o que aconteceu. Eu não sei explicar porque o amei, mas talvez seja pelo mesmo motivo que eu amo você. Vocês dois são gentis, amáveis, carinhosos, enfim... São vários fatores que fazem as pessoas amarem. Eu tive a sorte de ter encontrado dois homens que despertaram isso em mim. Acho que é isso.

- Então, se o acidente não tivesse acontecido, a gente não teria ficado juntos?

- Provavelmente não.

Jerry se calou por um instante, mas essa era uma resposta que ele já antecipara diversas vezes em silêncio, antes de decidir ter essa conversa:

- Tudo bem. Eu entendo.

Kelly começava a ficar chateada com o teor daquela conversa. E ficou mais ainda ao ver o marido engatinhar para a ponta da cama, certamente para sair do quarto após toda a sinceridade que ela despejou. Estava enganada. Jerry segurou em seus tornozelos e a puxou pela cama, abrindo suas pernas e afundando a boca em sua buceta rosadinha, limpa de todo e qualquer pelinho.

Apesar da surpresa, ela não recusou aquele contato e gemeu baixinho ao sentir sua língua quente correr por toda a extensão de sua vagina. Ela não entendia o que se passava na cabeça do marido, mas se para ele estava tudo bem, quem era ela para discutir?

Após minutos sentindo a língua e os dedos dele, Jerry subiu beijando o seu ventre, umbigo, seios, pescoço, até alcançar sua boca. Sentiu seu pênis a penetrando, duro, teso, o tesão transbordando novamente. Ela trançou as pernas em sua cintura e ficaram ali se amando em silêncio, corpos entrelaçados, bocas grudadas:

- É assim que ele fazia? – Jerry perguntou, dando uma estocada profunda em seguida: - Ou assim?

- Jerry...

- Só responde...

- Dos... Dos dois jeitos.

- É!? E você gostava do jeito que ele fazia?

- Sim. Mas gosto mais do jeito que você faz.

Transaram sem falar muito mais até alcançarem novos orgasmos, Kelly o segundo da noite, Jerry o primeiro, mas muito bem caprichado, gozado na barriga, seios e bochecha da esposa. Depois, deitados, enquanto ele a limpava com um pedaço de papel, voltou a falar, sem olhá-la diretamente nos olhos:

- Eu queria te assistir... dando para outro...

- Para o Chuck!? – Perguntou, Kelly, surpresa.

- Não! Para ele não! Mas para outro... – Só então ele a encarou: - Acho que fiquei meio mexido com essa história, e curioso também.

Kelly se sentou a frente dele, pegando outro pedaço de papel para se limpar. Não desviou o olhar dele um segundo sequer:

- Já estamos juntos há dez anos aproximadamente. Por que isso agora? Você nunca tocou nesse assunto.

- É como eu disse: acho que a sua traição me machucou, mas também me deixou curioso. Achei que... sei lá... talvez poderia ser legal...

- É sério isso!? Você quer me ver com... outro?

- Só se você quiser! Só se for algo que seja legal para você também.

Kelly se calou por um instante ante aquela proposta absurdamente inovadora. Tinha medo que o marido estivesse lhe testando. Precisava saber:

- Isso é um teste, não é? Você quer saber se eu aceitaria te trair, é isso?

- Não! Juro que não. É só um desejo... bobo. Melhor a gente esquecer, Kelly. Deixa pra lá.

- Não estou brava, Jerry. Só surpresa. Vou pensar nisso com carinho e depois te respondo. Pode ser?

Jerry sorriu e a abraçou. Mas ainda havia porra em seu corpo e ambos se melecaram um pouco:

- Vem. Vamos tomar uma ducha. – Ele propôs.

No banho, em silêncio entraram, se banharam e saíram.

Na cama, Kelly não sabia se se aninhava em seu peito, ou no travesseiro. Ele a puxou, tirando sua dúvida. Antes de dormirem, ela repetiu:

- Vou pensar, Jerry. Juro. Não sei se consigo. Mas vou pensar e te respondo.

E ela pensou. Pensou... Pensou... Pensou... Mas nunca concluiu. Tinha medo, receios antigos, de que aquilo pudesse colocar sua família em risco. Foi sincera com Jerry numa noite regada a vinho e queijos. Ele entendeu seu temor e se alegrou com a preocupação dela para com ele, com eles todos. Se aquela era a vida que tinha, e era boa, assim seria.

Longe dali, Chuck Noland acordava todas as manhãs às cinco e meia em um apartamento simples no terceiro andar de um prédio antigo perto do campus de Princeton. A rotina era quase monástica. Corria seis quilômetros independentemente do clima. Tomava banho com água quente. Preparava café preto sem açúcar. Lia durante uma hora antes de sair. Aos cinquenta e poucos anos, parou de contar após os cinquenta, o corpo mantinha a magreza dos tempos de sobrevivência, agora temperada com músculos criados por uma disciplina acadêmica rigorosa. Os cabelos haviam clareado nas têmporas. As marcas do sol da ilha nunca desapareceram por completo de seu rosto. Os olhos, porém, estavam mais quietos.

Ele era professor associado do Departamento de História. Havia feito mestrado e doutorado em narrativas de isolamento e reconstrução de identidade em contextos extremos. Suas aulas eram conhecidas por serem densas, pouco performáticas, mas muito exigentes. Os alunos o respeitavam. Alguns o temiam. Quase ninguém conseguia se aproximar intimamente. Chuck cultivava a distância como quem cultiva uma horta de tipos delicados.

Tivera amantes ao longo dos anos, sempre mulheres inteligentes, algumas mais jovens, outras da sua idade, outras mais velhas. Mas os encontros duravam semanas ou poucos meses. Nunca permitiu que nenhuma ficasse. Nunca disse “eu te amo” para nenhuma delas. A frase parecia pertencer a um homem que ele enterrara em Memphis anos atrás.

Wilson não existia mais. Até existia, mas agora jazia murcho dentro de uma caixa de sapatos. O bolso do relógio agora vivia vazio, com a lembrança de uma ausência que ele se esforçava para esquecer. Às vezes Chuck ainda colocava a mão ali, buscando algo, talvez a foto desbotada, mas logo desistia.

A vida não era perfeita, mas funcionava. Não era feliz no sentido comum da palavra, mas era suportável. E, enfim, era sua.

Foi no segundo semestre daquele ano que a jovem Katherine entrou em sua sala de aula, trazendo consigo uma frescura inerente a sua juventude. Ela tinha vinte anos. Aluna do terceiro semestre de História. Entrou atrasada na primeira aula do seminário avançado, desculpou-se com o semblante ruborizado e sentou-se na terceira fileira. Tinha cabelos castanhos lisos, presos num rabo de cavalo baixo. O rosto angular de olhos atentos a deixava muito charmosa.

Havia algo no jeito como ela inclinava a cabeça ao escutar que perturbou Chuck sem que ele soubesse nomear. Algo no tom de voz quando fez a primeira pergunta sobre a construção de sentido em situações extremas. Algo na forma como segurava a caneta. Enfim, havia algo. Ele atribuiu a inquietação ao cansaço daquela semana. Respirou fundo e continuou a aula.

Nas semanas seguintes, Katherine tornou-se uma presença constante. Suas intervenções eram precisas, às vezes desconfortavelmente perspicazes. Ficava após a aula para discutir um detalhe qualquer. Levava questões que ultrapassavam o conteúdo programático. Chuck respondia com a formalidade que usava com todos os alunos. No entanto, notava que a observava mais do que aos outros. Notava que a voz dela acalmava alguma parte antiga e cansada dele. Notava, com irritação crescente, que começava a procurar o rosto dela quando suas aulas começavam.

O ponto de virada aconteceu num final de tarde de outubro. A chuva fina de Nova Jersey empurrava as folhas amarelas contra as janelas do prédio de História. Katherine esperou que os outros alunos saíssem e se aproximou da mesa:

- Professor, eu sei que o senhor não costuma aceitar orientações extras, mas estou trabalhando num ensaio e... Li dois dos seus artigos. Achei que poderia usá-los. Eu gostaria de discutir algumas ideias, se o senhor tiver tempo.

Chuck olhou para ela. A chuva batia no vidro. O corredor lá fora já estava quase vazio:

- Pode sentar. – Disse ele, com voz discretamente titubeante.

Falaram por quase duas horas. Ela tinha uma inteligência rápida e uma sensibilidade que não tentava disfarçar. Ria pouco, mas quando ria o rosto se transformava. A certa altura, ao falar de solidão como espaço de criação de sentido, ela disse:

- Às vezes acho que algumas pessoas só conseguem se reconstruir de verdade quando aceitam que certas portas não vão se abrir de novo.

Chuck sentiu o peito apertar. A frase era simples demais para doer daquele jeito. Mas carregava um sentido que sua alma entendeu de imediato.

A partir daquele dia, os encontros se multiplicaram. Primeiro no escritório, com a porta aberta. Depois em cafés perto do campus, sempre sob o pretexto de orientação acadêmica. Depois caminhadas pelo campus ao entardecer. A formalidade foi se dissolvendo. Um dia ela o chamou de Charles. Ele não corrigiu. Em outra ocasião, ao se despedirem sob o guarda-chuva, ela tocou o braço dele por um segundo a mais do que o necessário. O toque ficou gravado na pele dele.

O desejo veio devagar e depois com força. Chuck resistiu enquanto pôde. Contava os anos de diferença e se recriminava por estar fazendo aquilo. Lembrava a si mesmo de que ela era aluna. Lembrava a si mesmo de que ele havia jurado não se perder de novo. Mas a proximidade dela era como água depois de sede forte.

Uma noite, depois de uma conversa que se estendeu até o fechamento da biblioteca, ele a deixou na porta do pequeno apartamento que ela dividia com duas colegas. A chuva havia parado. O ar estava frio:

- Eu... preciso ir. - Murmurou ele contra a própria vontade.

Katherine olhou para cima, para o rosto dele, e disse apenas:

- Ou pode ficar. Minhas colegas estão fora e não voltam hoje.

E ele ficou.

O primeiro beijo foi hesitante do lado dele e decidido do dela. Subiram as escadas em silêncio. O quarto era pequeno, com livros empilhados e uma janela que dava para o pátio interno. Despiram-se com a urgência de quem teme que o momento se desfaça se pensarem demais. O corpo de Katherine era jovem, firme, quente. O de Chuck carregava as marcas do tempo e da ilha. Quando ele entrou nela, o fez com lentidão quase respeitosa, os olhos abertos, como se precisasse se certificar de que era real. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos e não desviou o olhar. O orgasmo veio como uma onda antiga e nova ao mesmo tempo. Depois ficaram enlaçados, a respiração se acalmando aos poucos:

- Isso não podia ter acontecido, Katherine. Vai complicar tudo. - Disse ele contra o cabelo dela.

- Eu sei. - Respondeu ela, ainda arfando: - Mas fiz mesmo assim. E vou fazer de novo.

O relacionamento se aprofundou ao longo dos meses seguintes. Não era apenas sexo, embora fosse frequente e intenso. Era a forma como ela o escutava em silêncio quando ele falava, raramente, sobre solidão. Era a forma como ele lia os textos dela com atenção real. Era o café da manhã compartilhado aos sábados. Era o fato de que, pela primeira vez em décadas, Chuck não queria que a mulher ao seu lado fosse embora depois do amanhecer.

Ele evitava perguntas sobre a família dela. Ela falava pouco. Mencionava um pai amoroso, uma mãe que voltara a lecionar, uma irmã que logo estaria na universidade. Nomes nunca foram ditos por completo. Chuck não pressionava, nem precisava. Havia uma parte dele que preferia não saber demais para não correr o risco de perder.

No início da primavera, Katherine olhou para ele certa manhã e disse:

- Meus pais vêm me visitar no próximo fim de semana. Eu gostaria que você os conhecesse. De verdade. Eu… Eu quero que eles saibam que você existe. Que eu e você existimos.

Chuck sentiu o estômago apertar. Homem de uma geração mais antiga, entendeu o peso da cobrança. Se fosse seguir adiante com aquela mulher, precisaria encarar a formalidade de conhecer sua família. Sem saída, concordou.

O dia marcado chegou com um céu limpo. Chuck vestiu uma camisa social clara, calça escura, sapato engraxado. Estava nervoso de um jeito que não sentia há décadas. Comprou flores. Seguiu para o endereço de seu apartamento.

Subiu as escadas, pé ante pé.

Bateu na porta.

E ela se abriu.

Mas não era Katherine à porta. Era um sonho se transformando em um pesadelo. Do outro lado, estava ele, Jerry. Tudo bem que estava mais velho, os cabelos completamente grisalhos, o rosto marcado pelo tempo. Mas ainda assim era ele, inconfundível.

Os dois homens se olharam. E o mundo parou por um segundo longo demais. As flores nas mãos de Chuck pareceram de repente pesadas... e ridículas.

Jerry empalideceu. A mão que segurava a maçaneta tremeu como se ele tivesse entendido rápido demais o que estava acontecendo:

- Jesus Cristo…

Chuck não conseguiu falar. O sangue subia e descia do seu rosto em ondas.

De dentro do apartamento veio uma voz feminina, ainda bastante nova, típica de uma adolescente:

- Pai? Quem é?

Uma menina de cerca de quatorze ou quinze anos, não mais que dezesseis, apareceu atrás de Jerry. Depois veio outra voz, adulta, feminina, que Chuck reconheceu antes mesmo de ver o rosto.

Kelly surgiu no corredor. Segurava um copo de suco. Ao ver o homem na porta, seu corpo estremeceu e o copo escorregou da mão, despedaçando-se no chão. O líquido se espalhou entre os cacos. Cacos... Os de vidro, eram o menor problema:

- Chuck!?…

Katherine apareceu por último, sorrindo, ainda sem compreender:

- Oi, amor. Chegou cedo. Pai, mãe, esse é o Charles. Charles Noland. Eu… Eu e ele... Eu queria que vocês se conhecessem.

O silêncio que se seguiu foi violento.

Jerry foi o primeiro a recuperar a voz, mas seu tom veio baixo e perigoso:

- Katherine! Você sabe quem é esse homem?

Ela franziu a testa, confusa:

- Sei, ué! Ele é meu namorado. Professor do departamento de História. Por que está olhando assim?

Kelly cobriu a boca com as mãos. As lágrimas já desciam:

- Katie… esse é o Chuck. O Chuck! O homem que… o meu noivo antes do seu pai. O homem que ficou desaparecido por anos. O homem de quem eu te falei algumas vezes. O tio Chuck...

Katherine olhou de um para o outro. O sorriso desapareceu. O rosto foi se desfazendo à medida que as peças se encaixavam. A cor sumiu da pele:

- Não… Não é possível.

- É! -Disse Jerry, a voz agora tremendo de raiva contida: - É malditamente possível!

Chuck deu um passo para trás. As flores caíram no chão:

- Eu não sabia. - Conseguiu dizer, enfim, com a voz rouca: - Juro por tudo. Eu não sabia quem ela era. A gente só...

- Você não sabia!? - Jerry avançou um passo, a mão já fechada: - Você entra na vida da minha filha... minha filha! E... E espera que eu acredite que não sabia?

- Jerry, para. – Kelly tentou segurá-lo, a voz falhando.

Katherine estava parada no meio do corredor, os braços ao redor do próprio corpo:

- Você… Você é o homem da ilha. O homem que minha mãe… Eu era criança. Eu lembro do nome. Eu lembro das conversas. Meu Deus.

Chuck olhou para ela. Pela primeira vez viu, com clareza dolorosa, os ecos de Kelly no rosto jovem de Katherine, aliás, Katie. O mesmo formato de olhos... A mesma boca... A náusea subiu:

- Eu vou embora. - Disse.

- Vai embora!? - Jerry riu, um som seco e sem humor: - Depois de foder a minha vida, você só vai embora?

O insulto ecoou no corredor. A irmã mais nova começou a chorar. Kelly tentou segurar o braço de Jerry novamente:

- Não faz isso. Não na frente das meninas.

Chuck ergueu as mãos espalmadas, num gesto de rendição:

- Eu não vim aqui para destruir nada. Eu não sabia. Se eu soubesse… Se eu soubesse quem ela era, nunca teria me aproximado.

- Não se aproximou. Fui eu. - Disse Katherine, a voz agora quebrada: - Eu! Eu sentia alguma coisa. Uma proximidade que eu não entendia. Achei que fosse só… a gente. Mas era outra coisa, não era? Era ela. Era a minha mãe em mim.

Chuck não teve resposta. A verdade era demasiada pesada.

Jerry deu outro passo à frente. O punho ainda cerrado:

- Vai embora! Sai da vida da minha família. Se você chegar perto dela de novo, eu juro que…

- Jerry! - Kelly puxou o marido com força. - Para!

Chuck olhou uma última vez para Katherine. Viu a confusão, a humilhação, a dor de quem descobre que o começo limpo nunca foi limpo. Quis dizer alguma coisa. Qualquer coisa. Nenhuma palavra veio.

Virou-se e desceu as escadas.

Atrás dele, a porta se fechou com um estrondo. Do lado de dentro, vozes se sobrepunham: Jerry gritando, Kelly apaziguando, Katherine chorando, a irmã mais nova assustada.

Chuck atravessou a calçada como um homem bêbado. As flores ficaram espalhadas no chão do corredor. Ele caminhou sem direção por quase uma hora. Depois parou junto a um muro baixo, vomitou o pouco que tinha no estômago e ficou sentado no meio-fio, a cabeça entre as mãos.

Quinze anos de reconstrução. Quinze anos tentando aprender a viver sem Kelly. E no final, o destino, ou o inconsciente, ou a crueldade do acaso, o fizera amar exatamente o que restava dela no mundo. Uma versão dela ainda livre. Ainda disponível.

A porta que ele fechara em Memphis se abrira de novo, de uma forma que ele nunca previra, e agora se fechava outra vez, desta vez com um estrondo que ecoava em cada parte de quem ele era.

Ele se levantou.

As pernas tremiam.

Sabia, com uma certeza absoluta, que não poderia continuar em Princeton. Não depois daquilo. Não depois de ter visto os olhares quando a verdade desabou sobre todos.

A única imagem que lhe restava era a da ilha.

O lugar onde tudo começara.

O lugar onde, talvez, tudo precisasse terminar.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 415Seguidores: 802Seguindo: 17Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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Como a vida da volta,como nos pregas peças,15 anos de ausência e agora o destino os colocas cara a cara,e o Jerry depois de tudo ainda pergunta como era o pau do outro,como transava isso e preocupante,e propor depois de tudo que ela transasse com outro p ele ver .acho que ele precisa voltar p as análises

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Tem horas que me vejo pensando se realmente as coisas não estão escritas nas estrelas.

Na Bíblia diz que Deus não prepara as coisas pra você, ele prepara você para algo que já está preparado.

Será que neste caso eles não estavam sendo preparados um para o outro?

Em fim, temos de refletir.

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Meu companheiro Kiquinho!!

Mais um para o meu time "das estrelas!!!

Acredito piamente no que vc escreveu meu amigo!!

Não sou católico mas isso é mágico...Eclesiastes 3:1 diz: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu"

Todo o Eclesiastes 3 é Mágico!!

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Agora entendi a tag Terror.

Coitado do Chuck...

O cara só toma no Brioco sem fazer sexo.

E a história de Jerry querer ver Kelly com outro? Que cornitude!!!

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Parei para pensar por um tempão e realmente fiquei muito, mas muito impressionado com a perspectiva de Chuck e Katie.

Como temos uma história com um toque gigante na ação do Destino, e agora com Chuck e Katie se "envolvendo" em uma situação meio que surreal.

Imagina que loucura!! Kelly passa a ser um "instrumento" e não o fim do verdadeiro destino de Chuxk e Jerry o mesmo.

Muito doido né!!

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Tô com a Nanda, fico assustada com a cabeça do Mark, meu Deus !!! E isso é um elogio.

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Peças que a vida nos pregam!

Quando penso que estou longe, estou mais perto do que imagino.

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O mineiro pedindo calma rs

O FUCDC rodando igual cego em tiroteio .

Eu disse que iria começar a hora do terror

Esperem que o pão de queijo esta assando rs

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Só não vou te destituir do seu cargo de FOFOQUERINHO por ter me chamado de Cleópatra pq vc mora no meu coração!!

😍

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Cleópatra!?

🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣

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Criar, cuidar e dar carinho para um Fofoquerinho dá um trabalho!!!

Pior que aqueles Tamagotchis de antigamente!

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Agora nem me abalo, sou Team Katie e Tio Chuck, imagino o Ação de Graças da Família como iria ser, quem cortaria o Peru, o eterno Tio Chuck que acabou de ser Pai ou o perseguido Vô Jerry que tem mais ciúmes do Filha do que da Esposa, is ser uma briga das boas, queria ser um mosca para ver essa Futura interação Familiar. Haja café bem coado kkkkkkkkkkkkk

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Karma is a bitch!!!

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Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk e bem promíscua kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Tudo estava na nossa cara!!!

Mas aquela terapeuta Sardentinha só veio para nos distrair!!

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Sabe o que eu usei para coar o meu TurboNanda?

A calcinha fio dental da Raquel mãe dos gêmeos!!

"HOJE TEM CÚ"

Deu certo!!!! hahahaha

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Quelzinha Targaryen, Mãe do Dragões, esse Cafezin até eu queria provar e sem moderação!!!!!!!!!!

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Achei o meu equilíbrio!

Aqui no Mark e Musa Nanda é o TurboNanda coado na calcinha "HOJE TEM CÚ" da Quelzinha!

Obetão da minha Musa Suprema Manú é café com leite condensado, bem docinho!

Megerinha é Café com Whisky (não podia ser outro) e no resto da galera é o velho e bom Café Fofocaliptico!

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Depois eu que considero Maluco, se eu misturar a metade disso aí não consigo nem falar, deixa eu ficar no Cafezin Fofocaliptico velho de guerra "mermo sô"

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Eu estava na minha forma de "múmia" Mun-Rá, chato e malvado!

Musa Nanda me trouxe de volta a vida!

Agora vou provar todos os cafés que o cargo de Embaixador do FUCDC me dá o direito de tomar!!

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KKKKKKK Ótima sorte nessa Jornada e que eu esteja sempre próximo para compartilhar as experiências kkkkkkkkkkk

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Estará meu caro Presidente.

O problema vai ser quando todos os café forem tomados simultaneamente!

Acho que segunda já iremos tomar uma baita dose do Fofocaliptico com o Mimadinho segunda!!

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Tô começando a ficar com medo do Mark.

Jesuisss que cabecinha fora da linha!

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Espantoso como o vida prega peças e tudo que parecia um mar de almirante torna-se um tisumane como se a vida fosse trazer o passado de volta. Eles estão ligados e jamais irão se desligar, é vida que segue e não adianta correr porque tudo está interligado.

Esta faltando agora a Katherine ficar grávida 🤰 para embolar o meio de campo.

Agora vai ser fhoda, vai ser um fodão. Quero assistir de camarote com um pacote de pipoca kkkkkkkkkkk

E agora Mark, o que é que você está aprontando.

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Agora foi realmente uma viagem!!!

Haja café TurboNanda !!!!

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"Então, os dois últimos capítulos vão fazer você tomar o café turbonanda pela orelha!"

Nossa Musa é uma Profeta!!!

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Eu pensei em sugerir que fosse pelo cu, mas aí vocês já saberiam que o Apocalipse estaria próximo.

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Deixa pela orelha mesmo!

Já deu um trampo enorme deixar a cueca limpinha para passar o cafezin!!

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Calma, gente!

Amanhã vou acabar com o sofrimento do Chuck.

Para o bem ou para o mal...

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O Chuck ta bem na fita! Deixa ele ser feliz!!

Coloca um fim no sofrimento do Jerry, deixa ele ser "feliz" também!

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Como?só falta um tiro de 12 no peito meu amigo.

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Calma!! Sinto que Chuck vai ficar bem!

Chuck passou por sua provação e agora ele será presenteado com o seu "verdadeiro amor"!!

Lembra que quando Katie era criançinha Chuck já sentia amor por ela?

Minha teoria é boa, mas depende do Sr. Destino .

E a tag Gay era pro Jerry!!!

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Acho que vale uma caneca de TurboNanda!!

Jesus!!

Destino...

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No fim Jerry é fissurado no BA desde o começo. Acho que desde que ele o conheceu antes do acidente!

Voltando a cronologia, Jerry se aproximou de Kelly tão rápido para ver se ainda conseguia sentir o cheirinho de Chuck no travesseiro de Kelly.

Quando Chuck voltou dos mortos Jerry pirou!! O que fazer com Kelly agora??

Mas aí o Destino entrou em ação pois em sua vida apareceu Katie!! Um amor gigantesco!! Sua filha com a ex noiva de Chuck!! E o amor por sua filha venceu!

Mas o seu "outro" amor estava ali, ao alcance dos seus dedos, ressurgido das cinzas!! Mas Chuck só queria a Kelly!! Não restava outra saída para Jerry a não ser dividir sua esposa com seu grande amor! E Jerry bolou um super plano (SQN) de liberar Kelly para Chuck!

Não deu certo!! Para piorar o bebe era dele! Se fosse de Chuck Jerry iria se realizar pois teria para ele um pedacinho do seu grande amor para cuidar e amar. Mas vida que segue...

!5 anos depois quis o Destino que Chuck e Katie se apaixonassem!!

O Destino foi cruel com Jerry!! Seus dois amores juntos!! E ele ficou com a Kelly só para ele!! Triste fim...

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Um amor Gay destruído pela Baranga da Kelly e suas decentendentes, é isso mesmo, por isso que eu declinei a beber o TurboNanda, kkkkkk já viajou o suficiente, se eu beber o TuboNanda também dá nisso aí. Kkkkkkkkkkkkkkk Kkkkkkkkkkkk kkkkkkkk

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Não resisti ao tomar uma canequinha de TurboNanda!!

Tudo ficou Claro!! Tudo fez sentido!!!

Jerry é gay que eu sei!!! Sempre soube!! Ele nunca conseguiu esconder!!

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Eu já ficava mal com o final do filme, mas agora quase estou em depressão. O chuck levou o termo "se foder" a um novo patamar

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Realmente o termo se fuder foi atualizado ao extremo. Coitado dele, ninguém merece isso. O cara tentando de diversas formas se reconstruir e vem algo e derruba ele novamente que carma.

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IRMÃO, CARALHO, QUE PANCADA FOI ESSE CAPÍTULO!!!!!!!!

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