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Caderno Vermelho, Primeiro Volume - XL

Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1193 palavras
Data: 02/09/2026 01:13:58

Capítulo XL

Epona me limpou e analisou cuidadosamente cada ferida, lamentando as cicatrizes nos mamilos que, em razão da pressão dos prendedores e da corrente elétrica, não seria possível reconstituir perfeitamente. No entanto, parecia feliz de maneira geral; entregar-me-ia para Ártemis sem muitas marcas...

Depois, deu-me comida e água, colocou minha coleira e pensou em colocar meu cinto, mas disse que não achava que seria preciso por ora... e então não me deu mais ordem nenhuma. Deveria estar atarefada. Levantou-se e foi até a sala que usava como escritório; lia algo em alemão: artigos acadêmicos sobre medicina(?)... Não sabia bem o que fazer, então fiquei parado do lado de fora... aguardando o próximo comando...

O comando não vinha, todavia. Cansado e não tendo dormido, resolvi me sentar do lado de fora e ali mesmo, esperando as próximas instruções de minha Senhora, fui adormecendo até que apagueiAcordei com a boca seca e faminto, um bom tempo deveria ter se passado... olhei para dentro da sala e nada... Epona não estava mais lá... ouvi um barulho: era alguém digitando a senha do lado de fora... a porta se abriu e minha Senhora entrou... Não havia percebido sua saída... e não era só... ela estava vestindo outra roupa. O que estava acontecendo...? Pensei em perguntar, mas, conforme se aproximou de mim, olhei para baixo. Ela fez um carinho na minha crina e falou:

— Você deve tá com fome, né?

Gesticulei que sim. Ela então pegou mais um saco de ração, me deu água e eu me alimentei... no entanto, precisava ir ao banheiro... Epona já tinha voltado a seus afazeres, profundamente imersa em seus estudos... Não sabia o que fazer, comecei a encará-la sem coragem de adentrar o escritório... Demorou um pouco, até que minha Senhora percebeu:

— Que foi, Potro?

— Nada, Senhora! Desculpa!

Ela sorriu e voltou ao que estava fazendo... Comecei a ficar desesperado, o que Epona estaria aprontando agora? Se não conseguisse mais segurar e fizesse minhas necessidades no laboratório, eu nem sei o que seria de mim... Voltei a encará-la... ela olhou algumas vezes, fingindo não ver... mas meu olhar desesperado incomodava sua concentração:

— Potro, eu estou muito ocupada para ficar brincando de adivinha, fala logo o que você quer!

— Senhora, eu preciso ir ao banheiro...

— Potro não vai ao banheiro, vai lá fora, procura um mato afastado e se resolve...

— Lá fora?

— Falei em espanhol, por acaso? É lá fora, Potro. Não vai ser aqui que você vai mijar, né?

— Certo, Senhora... prometo voltar o mais rápido possível!

— Não, não vai voltar não... preciso de paz para ser produtiva, Potro...

Então era mais um jogo de Epona, havia algo me esperando lá fora... o que eu deveria fazer...? Minha Senhora bateu na mesa:

— Caralho, Potro, vai lá cagar e dar uma volta, sei lá, só não me atrapalha!

— Uma volta... você quer que depois eu vá para o Estábulo, é isso?

Epona riu...

— Se quiser ir para lá, tudo bem, mas vai precisar pedir ajuda de algum guarda... ô, Potro, você não está preso, não. Faz o que quiser, caramba, terminei seu treinamento... agora entendi por que você dormiu aqui ontem, paradinho no mesmo lugar, hahahahha!

Minha Senhora via minha cara de confusão e seus risos aumentaram; quando conseguiu retomar algum controle, falou:

— ...baby steps, né, Potrinho? Olha, a titia quer que você dê uma volta, tome um solzinho... se sentir fome, pode pedir para qualquer guarda que ele vai lhe dar comida; se sentir sede, eu deixo você usar seus cascos para abrir qualquer torneira, viu? Só não pode esquecer de fechar, hein? Mais tarde eu busco você, bicho burro, hahahahaha!

Entendia que ela tentava me humilhar, entendia que deveria achar aquilo degradante, mas me sentia mais confortável com sua resposta... Epona se levantou, ainda rindo, e veio me chamando e me escorraçando até a porta como quem quer tirar um cão de dentro de casa... e, como esperado, quando atravessei a porta do laboratório, ela a fechou.

Do lado de fora, pensei em ir para o Estábulo fazer minhas necessidades, mas imaginei que poderia haver algum truque de minha Senhora; talvez sua fala para eu tomar um sol fosse uma dica para eu não retornar ao Estábulo, e, além disso, eu precisaria falar com um guarda para entrar, e não havia ficado claro como eu poderia me dirigir a eles... ela tinha dito que podia pedir comida... mas eu também, se pudesse, não queria falar com guarda algum. Eles todos me olhavam com nojo. Desviei o olhar de um que passava e fui em direção à fornalha; havia mato alto perto dela, teria privacidade.

Saí do átrio principal do que um dia havia sido um convento e andei pela parte com grama batida até a fornalha. Passei por alguns Cavalos e Éguas que andavam pelo Templo, mas, sem autorização para olhar para eles, desviava o olhar assim que possível. Atrás da fornalha, próximo ao mato alto, em um ponto onde parecia não haver ninguém, consegui urinar, mas não defecar. Sentia-me preso, parecia-me errada aquela situação, queria ao menos minha pá... desisti após me assustar com alguma possível complicação do meu procedimento se ficasse tentando fazer força... e então me veio uma pergunta que há muito tempo não me vinha... o que fazer? Tinha acabado de comer... então o que restava era procurar uma torneira. Infelizmente, minha jornada durou pouco tempo, pois próximo à fornalha havia uma mangueira... tomei água, matei a sede e tomei um pouco mais de água na esperança de que minha bexiga enchesse rapidamente...

Parado, esperando a vontade vir, comecei a sentir o sol queimar as minhas costas; apesar do curativo, não devia ser uma boa ideia a exposição direta. Procurei então uma sombra. Trotei bastante até encontrar uma árvore grande e antiga perto de uma ribanceira. Querendo passar o tempo, fiz alguns exercícios que podia fazer sem ter de ficar em pé: alongamentos, abdominais, flexões, até que me cansei.

Resolvi então contemplar um pouco a vista; o ponto em que estava, por ser um pouco mais alto, me favorecia. Pude ver o átrio, também vi o laboratório; mais à esquerda da propriedade, havia uma mansão — o palácio de Ártemis — e, entre uma mata um tanto preservada, havia mais uma construção — viria mais tarde a saber que era o covil de Noga. Existia ainda um resquício de construção que, parcialmente destruída, abrigava o que pareciam ser algumas estátuas — demoraria a visitar o salão de arte e, a essa distância, não conseguia ler a sua placa de entrada: “Toute grande œuvre d'art exige une souffrance plus grande!”

Quando começou a escurecer, resolvi voltar. Fiquei esperando do lado de fora da porta do laboratório; talvez Epona ainda estivesse lá dentro, mas, se não estivesse, ao menos era certo que voltaria... havia feito como tinha pedido: ido tomar um solzinho!

(Caligrafia diferente, definitivamente Noga)

“Caramba, quase que nosso problema se resolve sozinho! O porquinho não tinha ideia de que, se fosse ver o que tinha atrás da árvore, a coleira dele ia fritar ele todinho. Não sei se lamento nosso azar ou se agradeço por ainda ter a chance de fazer isso eu mesma, HA HA HA HA!”

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