Eu sei que eu pisei na bola… De novo… Mas definitivamente acho que dessa vez não têm volta. E eu também não nasci para ser amante, então talvez seja melhor assim.
A questão é que eu e a Kelly fomos amantes por mais de um ano e… Eu não quero ser amante, tomar ela do playboy ok… Assim como eu queria ter tomado a Maria do marido. A gata está afim, o marido ou namorado no caso, não é seu dono, vamos embora. Vamos ver onde chegamos e poxa, pode ser até casamento… Mas, não vou ser o amante negro delas, não posso me dar esse papel.
O problema é que sempre que tentava falar com a Kelly, a gente terminava sei lá… Jogando tudo para o alto, se entregando ao sexo de forma selvagem e sem controle… Geovana é um anjo, acho que dei todos os motivos para ela pensar que eu estava transando com outra e ir embora, tenho certeza que Bárbara sabia que era com a Kelly, principalmente pelo jeito como ela passou a seguir a indiazinha na USP.
Mas nunca foi a ideia. Quando nos vimos pela primeira vez foi só uma dança e conversa, em sala de aula puramente profissional, depois conversávamos às vezes, mas não no dia do Mercadão de Pinheiros, eu estava bêbado, ela estava bêbada, foi um erro, mas… Foi o erro que cometemos por ainda nos amarmos, porque ainda não conseguimos nos evitar, mas ela não queria nada sério, mesmo amando.
Kelly estava ferida desde o dia da conversa sobre aquela música dela, ‘Garra’, e eu sabia que ela estava ferida. Ela confessou que está morrendo de sei lá do quê e por isso não quer ficar comigo, ao longo do ano seguinte, o assunto voltaria, nós sempre juramos não deixar acontecer de novo e sempre acontecia, mas ela dizia não poder terminar com o Jonathan.
Era como se ela preferisse morrer sozinha. Por isso investi, por isso tentei, por isso fui até o fundo, mas no fim foi em vão, ela prefere sua vida de glamour, acho que entendo. Morrer sem arrependimentos. Acho que é algo que eu entendo… Mas não posso compactuar.
Barcelona foi o grande marco, o início da queda de todo o castelo de cartas que vinha sendo construído ao nosso redor, sem que nós dois, sequer imaginávamos, que pessoas poderosas, estavam tomando suas próprias decisões sobre nossas vidas. Mas também, o início do maior ferimento, que eu sei, sou o único culpado por ter causado nela e sei que farei o que precisar para sanar isso…
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Eu já havia marcado para viajar para Barcelona em dezembro do ano anterior, já faz um ano e meio que comecei meu doutorado o tempo é de 4 anos, mas preciso participar de simpósios, palestras, publicar artigos, a chance de ir para Barcelona, uma das melhores escolas de música da Europa não foi feito pensado levianamente.
Seria uma viagem perfeita, mas na época eu não sabia da agenda da Kelly, ela nem tinha a agenda dela de shows quando eu fui convidado tão pouco ela sabia a minha, foi literalmente, uma dessas coincidências extremamente cruéis do destino, mas, em casa, isso não importou para a discussão que se seguiu…
“Você não pode simplesmente ficar seguindo essa mulher, filho…”, meu pai disse muito bravo, como explicar para ele, que às vezes o destino só monta coincidências crueis, mas Bárbara teve um grande pedaço de culpa, ela falou para meus pais e para a Geo, passou a informação do jeito dela, portanto eu sabia que ia dar briga, mas não ia perder oportunidades de carreira, porque meu pai está cismado, mesmo que ele possa ter razão, Geovana nesse momento estava desabafando com a minha mãe que eu e a Kelly, estaríamos juntos na Espanha.
Eu não consigo dizer o quanto me sinto mal, mas minha família faz questão que eu continue com a Geo, a única vez que tentei terminar com ela, houve uma war-room na sala de casa, para fazer a gente voltar, com meus pais e Bárbara discutindo comigo e com a Geo, para garantir que voltássemos, claro que eu era o principal alvo, mas cobravam dela também uma atitude, como se a coitada pudesse fazer algo. No final acabamos reatando com a pressão dos meus pais e da minha prima. Mas vamos voltar ao presente.
“Porra Christian a Kelly não é para você filho! Que caralho…”, esse têm sido o discurso do velho, que ele sabia que ela não prestava, por isso estamos traindo nossos respectivos, uma forma de manter o orgulho de dizer que ele não errou, que no fundo já sabia desse cárater de traidora dela, por ser um bom “julgador de caráter”, “Pai não é assim, a Kelly é uma garota frágil e maravilhosa e nós é que a magoamos, lembra?”, ele dá uma risada de desdém desviando os olhos, para não encarar a verdade.
“Christian se ela é tão boa porque ela fugiu naquele dia? Acorda! Geovana, é para você! Aquela índia não!”. “De novo esse papo pai, a Geo é sim boazinha, mas não acho que têm futuro.”, ele dá uma risada de escárnio, “É isso que quer? Levou para a cama e quer jogar fora?”, eu fiquei puto com ele, “Porra Pai claro que não…”, ele respira fundo.
“Então acho que está na hora de noivarem.”, eu dou risada, de nervoso, “Pai, não acho que isso seja um assunto para agora… Ou decisão de vocês.”, claro isso virou uma puta discussão como tem sido nos últimos tempos, com nós dois brigando até minha mãe e Geo virem da cozinha para acalmar os ânimos.
E como todas as outras, eu sabia que iria perder essa também.
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Estava em Barcelona, e a Kelly em Madri eu vi o Show pela Tv e pensei comigo mesmo, ‘Caralho como ela está linda’, mas ao mesmo tempo precisava resolver com ela, já faz um ano e meio, entendo que ela diz não quer namorar comigo, para não me deixar sozinho depois, mas eu preciso seguir minha vida, não posso e não quero continuar sendo o amante e o traidor.
Eu estava ouvindo sua música Diamante Trincado e vendo sua performance no palco.
🎵 Quando eu era mais nova,
E eu amava Deus acima de tudo
Eu nunca pensei que nosso adeus,
Era destinado desde que dizemos Oi
Ooo~
Se ao menos eu soubesse,
Que seria separada dos outros
Eu tenho rezado para você
Ficar e me abraçar com seu calor
Ooo~
Isso é um longo, longo adeus…
…
Se mais uma vida, nos for garantida,
Eu quero te encontrar
Quando me ver chegando me abrace
Por toda a longa noite
Promete que não vai me deixar ir dessa vez
Nem nunca mais
Desejo isso com toda fé,
Pois eu não vejo mais
A luz no fim.🎵
Eu fiz o que achei que era certo, peguei o trem bala disposto a uma última conversa, colocar ela contra a parede, conversar, termos duros, fechar isso de uma vez por todas, eu já tinha tentado isso, eu ensaio o que vou dizer diante do espelho, em pensamento acabei tudo, mas, na hora, quando ela me abraça, a raiva passa e eu fico totalmente mudo…
Na hora, ela sabe fazer o meu mundo girar em torno dela… O que SEMPRE me faz pensar que ela também faz o mesmo com ele… Aqueles olhos que fazem a gente se sentir especial, se sentir único no mundo, porque ela te olha daquele jeito e quando via ela com ele em aparição pública não via isso, mas as vezes me pegava pensando se não via só por que não queria e esse olhar ele também via… Será?
Aquele dia me despedi dela no trem sabendo que era a última, eu tinha me decidido, eu percebi que ela sentiu, eu queria falar mais, mas… Não suportaria ver suas lágrimas, não suportaria olhar nos olhos dela, naqueles olhos brilhantes e dizer que eu desisti.
Eu cheguei no hotel aquele dia, a gente tinha transado a noite anterior inteira e eu estava sem camisa sentado na cama, quando a campainha da porta do airbnb toca, eu fui burro suficiente de atender sem pensar, era a Geo e aí eu tive meu segundo arrependimento, Geovana não merece isso, não merece esse lixo de homem que eu me tornei e ela viu, os arranhões no meu peito, ombros, Kelly havia arranhado e mordido, sem dúvida ela estava toda dolorida também, mas fui eu quem teve que lidar com a minha namorada…
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“QUE PORRA CHRISTIAN, CADÊ A JAPONESA PARAGUAIA?”, a Bárbara já entra gritando no quarto, procurando pela Kelly que por sorte não está aqui e sim se recuperando no próprio hotel há vários kilômetros de distância, “Não têm ninguém aqui Bárbara, pode gritar mais baixo que eu estou com dor de cabeça, por favor.”, Geovana estava chorando, mas eu também já havia perdido a hora de calar a Bárbara.
“Christian você é um idiota, eu e sua namorada viemos fazer uma surpresa e você já estava com aquela PUTA!”, eu olho para ela, “Chega Bárbara! Já acabou?”, ela dá risada, “Claro mas e a sua palavra né? Que vale muito ultimamente.”, a Geovana se levanta e pega a mão da Bárbara, “Tudo bem Bárbara, vamos para casa.”, o olhar dela me fez sentir tão culpado que eu só queria sumir.
“Vamos Geo, acho que meu primo precisa trabalhar e já têm uma profissional com ele… Trabalhar um pouco a moral seria bom também.”, eu olhei para elas, “Porra Bárbara! O que você quer?”, “Como assim Christian? Que você seja homem com a minha amiga?”, eu olho indignado, “CHEGA VOCÊS!!!”, a Geovana, grita com lágrimas nos olhos e eu me sinto devastado por isso, “Geovana vamos conversar só eu e você?”, ela olha para mim e faz que sim com a cabeça.
“Eu vou ficar.”, a Bárbara insiste, “Não você não vai.”, eu praticamente joguei ela para fora do apartamento e fecho a porta como deveria ter feito há dois anos atrás… Geovana merecia que eu realmente tentasse, ela esteve comigo nos altos e baixos, nas traições, nas minhas derrotas e nas minhas vitórias, ela estava lá apesar de tudo. Ela merecia que eu ao menos tentasse fazer dar certo.
Ali pela primeira vez resolvi fazer a emenda de todos os meus atos, pedi desculpas para a minha namorada, conversei com ela de verdade, contei sobre os encontros com a Kelly, falei tudo, ela ouviu em silêncio, ficou brava, mas aceitou meu pedido de desculpas, ali eu escolhia meu destino e ali eu pedi a Geovana em casamento, não posso ter a Kelly, ela era só um sonho e Geovana era real, ela é tudo o que um homem poderia querer, ou quase…
A conversa terminou em um beijo que rapidamente se tornou necessidade, sentado na cama, com a loura subindo no meu colo, os lábios se tocaram como se fosse a primeira vez, ambos choravam enquanto os beijos continuavam, minhas mãos deslizam por suas costas, descem por seu quadril grande bonito, logo já estamos tirando as roupas.
Roupas se espalham pelo quarto, abraço com o carinho do pedido de perdão, beijo com os lábios da promessa de nunca mais, eu a aperto contra meu corpo com força, invadindo lenta e profundamente seu corpo, arrancando gemidos e suspiros de prazer, com suas pernas envolvendo meu quadril em um movimento hipnótico e ritmado, lento e carinhoso, ambos gozamos juntos em entrega total, ali era para ter sido, o nosso para sempre estranhamente, a pessoa que mais lutou por isso, seria quem iria nos separar para sempre.
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Depois daquela noite juntos passamos mais algumas noites e quando voltamos para o Brasil estávamos noivos, eu havia dito para mim mesmo que estava tudo acabado. Kelly não seria mais algo que eu me importasse, ainda bem que a Bárbara não fez o mesmo, mas ela realmente está obcecada, acho que pela Kelly não se defender, se tornou uma substituta para o ódio da amante do pai dela, já que ela consegue ser horrível impunemente. Queria ter percebido isso antes…
Fui chamado para ir na delegacia do Campus, eu fui um idiota, eu cheguei lá o circo já estava armado, nem tive tempo de me preparar, fui correndo até meus pais, sabia que a Bárbara tinha sido agredida, mas quem? Porquê? Como?, quando cheguei lá fiquei feliz, de ver minha prima bem, a Geo já estava lá, meus pais também, o primeiro sinal de que havia algo errado.
“Bárbara, você está bem?”, ela olha para mim com cara de que ficou contente pela minha presença, ”Estou sim Chris, obrigada por vir.”, eu sorrio e aceno, “O que aconteceu…”, não esperei e não ouvi a resposta, eles olharam na direção da outra cadeira eu entendi que ali estava a pessoa que ‘agrediu a Bárbara’ então me virei e a história não batia.
Kelly estava sentada encolhida, chorando, já havia chorado, os olhos vermelhos, mas suas roupas estavam sujas de terra e havia folhas nas roupas, Bárbara foi a agressora e não a agredida, eu tive certeza no momento que olhei para a Kelly, ela estava de alguma forma ainda mais linda, os cabelos, a pele, não há explicação para o que eu via nela, até há, mas na hora eu não sabia, eu abri a boca e ia na direção dela, mas a Bárbara entrou na minha frente.
“Christian fica com a sua família!”, a ordem do meu pai vem direta, a Bárbara entra na frente, “Você não vai lamber essa zóio rasgado não Chris.”, eu ia responder, mas logo a Geo está na minha frente, falando comigo, “Chris, pensa em nós, não é hora de comprar briga por outra pessoa, olha…”, ela me mostra a aliança e eu percebo que a Kelly também viu e ali eu vi a luz da sala se apagar, Kelly literalmente baixou a cabeça e era como se não estivesse mais ali, era como se toda a luz dela sumisse, piscando fraca, eu não esperava ver ela tão frágil.
Eu ia tentar dizer algo, mas aí chegou o Alberto, com advogados, cara, que vontade eu tive de dar um soco nele, inclusive, fechei as mãos, sentindo o ódio me invadir, mas ele fez o que eu deveria ter feito, abraçou a Kelly e tirou ela da presença da minha família, ele tirou ela da minha presença… Quando voltou, ele era puro veneno de um tipo que eu não esperava, mas que a Bárbara merecia.
Quando ele falou de todas as perseguições meu queixo caiu e eu olhei para ela decepcionado, olhei para a Geovana que amparava a amiga… Esperei ele sair, para olhar para a minha família.
“Dois anos Bárbara?”, olho para ela com decepção, “Poxa Chris, ela não é nada sua, deixa sua prima em paz.”, quem fala é a Geovana, eu balanço a cabeça, “O que está feito está feito, aquela mulher não é para você…”, a intervenção do meu pai é direta e final, o que só me irrita mais, ele está passando pano, para não aceitar os próprios erros de novo, mas eu não vou fazer isso dessa vez. Eu não quero ser assim. “Não, ela está errada! Como assim atormentou a Kelly pelas minhas costas Bárbara? Só para se sentir superior? Porque ela não responde suas provocações?”, “Porra Chris vai defender a vadia que posta fotos mostrando a bunda na internet”, a Bárbara tenta seu golpe mais baixo.
“O corpo é dela!”, eu falo de uma forma fria, “Chris meu amor é sério, você não pode falar assim com a sua prima por causa de uma qualquer.”, quem fala é a Geovana, eu olho para ela, “Por favor não se mete.”, ela só explode, “COMO É QUE É? Eu aguentei suas traições com aquela japonesa paraguaia! Eu estou do seu lado! E eu não quero ver você defender uma vagabunda.”, minha mãe resolveu intervir, “Gente vamos só ir para a casa e esfriar a cabeça.”, eu estou chocado, olhando para a Bárbara e para a Geovana, as acusações de perseguição e racismo que o Alberto ameaçou são bem sérias e pela primeira vez eu encaro quem elas realmente são, pela primeira vez Geovana foi racista na minha frente.
“Vocês duas planejaram esse show não é?”, eu falo, mesmo sem provas, simplesmente, sinto meu coração se acalmar, uma respiração funda que vem de um entendimento, “Chris a gente precisa saber, você está ou não está, do lado da sua família?”, Bárbara apela, mas é Geovana quem mostra o próprio veneno, “Acho que podemos processar ela ainda. Danos morais… Principalmente juntando você e o Chris de testemunhas das coisas ditas pelo Alberto...”.
Eu olho abismado para todos que parecem achar isso natural e normal, perseguir uma pessoa, por nem sei mais o motivo, minha mãe é a única que parece incomoda, mas não vai dizer nada, jamais dirá nada, mas sua indecisão incomoda o marido que toma uma decisão, “Filho você precisa dar suporte para sua prima e sua noiva no B.O. vou levar sua mãe para casa e já volto.”, tudo isso foi uma armadilha e o pior de tudo, eu e a Kelly caímos.
Meu pai não se importa, Bárbara planejou isso e pretendia machucar ainda mais, ali eu percebi que o ódio dela é muito maior do que eu imaginava a dois anos atrás, a Kelly se tornou a versão atingível da mulher que levou seu pai da sua mãe, exatamente porque ela não quis bater de volta, exatamente porque a Kelly não se importa com haters, aí me usaram, usaram o amor dela por mim, para machucar ela a sua única vulnerabilidade na armadura, a única arma que uma pessoa teria para atingi-la, eu….
“Não.”... Todos olham para mim como se visse um fantasma, meu pai se irrita, “Como assim não Chris? Você precisa dar suporte para a sua prima e sua noiva!”, eu junto minhas coisas, “Não é não pai! Eu não vou… Chega!”, Bárbara fica visivelmente alterada, “Ah claro vai trocar sua família pela japonesa paraguaia.”, a Geovana olha para mim preocupada, mas ela me conhece o suficiente para saber o que vem a seguir.
“Eu estou cansado do seu racismo, Bárbara, se você acha isso normal, se vocês..”, olhei para a minha família e noiva, “Acham isso normal, eu não. Estou indo embora! Esse assunto para mim está encerrado.”, saí da delegacia deixando todo mundo falando sozinho, precisava pensar, precisava muito pensar…
Depois de ficar de bar em bar, fui para a casa de uns amigos, mandei mensagem para a Kelly, suas respostas foram distantes, não sei explicar senti que ela havia perdido algo, era como se o mundo não vibrasse mais com a sua presença, ali eu entendi que poderia ter danificado para sempre a força da natureza que tanto me fascinava, porque não era o que eu via, eu fui um cuzão pela segunda vez com ela.
Não consegui me desculpar direito por mensagem, resolvi que falaria com ela no dia seguinte, mas ela não estava na aula, encontrei a Valéria com o carro dela no estacionamento.
“Boa tarde Christian, ela estava passando muito mal e foi para casa…”, me disse a Valéria, na hora eu pensei no dia que ela passou mal em casa, tentei falar com ela e não consegui… Depois ela não apareceu nos dias seguintes, dias viraram mês e eu cheguei a conclusão que a Kelly havia evadido o curso, meu namoro com a Geovana, durou exatamente três meses depois que eu saí de casa e aluguei um estúdio no centro.
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Eu estava em casa, precisei usar o notebook infelizmente, ou felizmente, quando o navegador abriu, ele estava na página do Whats da Geo que tinha ficado logado e eu acabei cedendo à curiosidade e dei uma lidinha, aquilo foi como levar um soco, porque eu confirmei meu pior medo.
Bárbara: ‘Como ele está levando?’
Geovana: ‘Ele está bem, acho que na delegacia exageramos um pouco.’
Bárbara: ‘Concordo, mas vencemos, a vagabundinha nunca mais apareceu na faculdade, deve estar com o rabo entre as pernas voltando para o Paraguai.’
Geovana: ‘kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Caralho Bárbara você é má.’
Bárbara: ‘Cara, já não suporto gente de zóio rasgado e peguei um ódio dessa Kelly que se acha inalcançável, uma pena que o pai dela chegou, estava amando ver ela finalmente quebrando, perdendo a pozinha de superior.’
Geovana: ‘Realmente, ela se fodeu… Eu não imaginei que ver as alianças iria causar aquele impacto, ela mudou de pose, na ho-ra, fiquei até com dó de como chorou de soluçar.’
Bárbara: ‘Que morra!’
Geovana: ‘Relaxa, ela perdeu o Christian, perdeu a faculdade, perdeu tudo, agora a gente pode só curtir sem a presença daquele encosto…’
Bárbara: ‘Sim vou relaxar, me mantém avisada se ela não entendeu o recado e voltar a pisar na USP eu quero ficar sabendo, porque enquanto meu primo tiver aí essa piranha, não vai ficar no mesmo ambiente que ele, aliás de ninguém da minha família, inclusive você.’
Geovana: ‘KKKK Obrigada por me incluir na família, ok aviso sim, mas acho que vencemos…’
Depois disso a conversa vira sobre amenidades… Eu fiquei chocado com as duas, o nível de veneno me fez tomar uma decisão final, fiquei esperando a Geovana, sentado no sofá, assim que ela entrou no apartamento, eu pedi para ela sentar, “Geovana acabou tudo.”, foi assim direto e reto que eu comecei nossa conversa.
“Você não pode só me deixar Chris.”, eu olhei para ela, ela sabia que estava decepcionado, “Infelizmente não dá Geovana. Eu não consigo mais.”, ela respira fundo e fecha os olhos, “Mas ela nem vêm mais para a faculdade.”, finalmente ela se entrega e eu sorrio um pouco magoado, “E a culpa é sua e da Bárbara que ela abandonou o próprio sonho… Porque acha que isso me faria continuar com você? Eu li todo o seu veneno?”, ela chorou, mas acabou tendo que aceitar.
Principalmente após entender que eu tive acesso às palavras venenosas trocadas com a Bárbara…
Simplesmente não consegui esquecer o que vi naquelas mensagens, ela e Bárbara, duas racistas com quem eu não quero me vincular ou passar dias, quanto mais a vida toda juntos. Meu pai mal olha na minha cara por ter afastado a Geo e a Bárbara, que aliás vivem me mandando mensagem e tentando se re-aproximar, mas minha mãe compreendeu meus motivos, infelizmente o velho é orgulhoso demais e admitir que errou com a índia, está além dele, quem sabe um dia.
Foi quando recebi uma mensagem estranha por e-mail, ‘Se ainda gosta da Kelly praça de alimentação do shopping Eldorado, 19h:30 amanhã.’... Eu pensei muito, principalmente devido a quem havia me enviado tal e-mail, mas resolvi ir, talvez a Kelly estivesse literalmente doente demais, talvez, fosse sobre visitá-la em um hospital, algo assim pelo tom..
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Eu cheguei lá e Alberto estava sentado em uma mesa tomando uma cerveja, comendo uma batatinha, eu senti o impulso de fazer uma cena capotar ele no soco, ali mesmo, mas… Esses racistas sempre esperam essa reação para ‘pagarem de vítimas’, como a Bárbara fez com a Kelly, eu penso isso imediatamente e isso me embrulha o estômago, vou até ele.
“O que você quer? Fala logo, porque eu não tenho tempo para perder.”, ele olha para mim e se ajeita, “Te parabenizar.”, eu fico indignado, “Alberto o que eu mais quero, é quebrar essa sua cara racista. Então para de gracinha.”, ele olha para mim sério, “Eu posso ser racista Christian, mas quem destruiu a Kelly foi você…”, ele fala isso e com o impacto eu me sento.
“Eu enviei as fotos? Sim, mas quem tratou ela que nem lixo, foram você e sua prima.”, eu quis dizer algo, “Escuta aqui…”, ele me interrompe, “Ela está morrendo e é refém do Jonathan que controla os remédios que a mantém viva! Mas, você e sua família, do alto de seu pedestal moral tinham que destruir até a última fagulha que restava da sua auto-imagem.”, eu fico chocado olhando para ele.
“Pois é isso mesmo que você ouviu. Sem o Jonathan? Ela morre! Literalmente refém.”, eu sinto as lágrimas nos olhos, “Não adianta chorar não. Porque ela te ama. Mesmo você pisoteando ela, ela continua te amando! Mesmo você destruindo ela por dentro, ela ainda te ama! Você dá toda a razão, literalmente, para qualquer motivo que eu pudesse falar que você não presta para a minha filha… Mas é você, quem ela ama.”.
Eu sinto tudo vir à tona e resolvo novamente que vou falar também, “Escuta aqui, você quem quis…”, novamente ele me interrompe, com um olhar de desdém, “Não vim aqui para debater com você não! Vim aqui, para te avisar que ela pariu um filho seu e está na hora de você decidir se luta por ela e seu filho, ou se vai continuar escolhendo outras prioridades!...”...
Não havia o que pensar, nem só por ser meu filho, mas por ser a Kelly, a mulher que eu amo, ali começava a aliança mais improvável do mundo para salvar uma superstar…
=== === === … … … FIM DO SEGUNDO DISCO … … … === === ===
Música do Título: Amor Dividido
Interprete: Leandro e Leonardo
Falando em aliança improvável...
Pois é, agora sim, três forças convergiram, os homens da vida da Kelly e os aliados mais improváveis do planeta, o filho de um bilionário chinês e sua, (namorada), secretária, um casal de agentes da inteligência do Brasil, essa força tarefa pode ou não, ser capaz de derrubar o bilionário e resgatar a Kelly do seu cativeiro. Isso já não importa, o principezinho do Jonathan ao raptar a Kelly acabou como Paris trazendo o exército inimigo para suas portas de uma forma metafórica, ou não.
No próximo disco uma verdadeira guerra vai se desenrolar, enquanto todas essas forças se unem para derrubar o monstro que o Jonathan demonstrou ser, ao mesmo tempo que tentam fazer com que Kelly e seu filho sobrevivam ao fogo cruzado de todas as forças envolvidas, todas elas muito maiores do que a indiazinha e seu amor, porque é a guerra de duas mega corporações, envolvendo a Marinha do Brasil e a agência de inteligência brasileira... As coisas vão ficar realmente quentes.
Pois é, assim acaba o 17° capítulo de Superstar nessa Faixa bônus, espero que todos estejam gostando até aqui, falta somente o último disco que serão mais 6 faixas para terminar essa série.
Agradeço ao Mhcmm pelas ideias da última conversa do Chris com o Alberto, sem ele essa conversa nunca teria tido o impacto que a história precisava, para colocar mais essa força em movimento… Agora só falta resgatarem a princesinha kelly de seu cativeiro…
Se chegaram até aqui, por favor, votem, comentem, façam uma autora feliz.
