Eu deveria ter ido embora quando a festa acabou.
Laura também.
Mas ficamos.
Ela estava encostada na bancada da cozinha, taça vazia na mão, enquanto o último casal se despedia na porta. Quando o apartamento finalmente ficou em silêncio, Laura olhou para mim.
“Você não vai embora?”
“Você quer que eu vá?”
Ela colocou a taça sobre a bancada.
“Não foi isso que eu perguntei.”
Cheguei mais perto.
“Então pergunta direito.”
Laura abriu um sorriso.
“Metido pra caralho.”
“E você está enrolando.”
Ela segurou minha camisa e me puxou.
“Assim está melhor?”
“Bem melhor.”
Ela me beijou.
Sem timidez.
Sua boca encontrou a minha com vontade, e minha mão imediatamente foi para sua cintura. Laura segurou minha nuca, aprofundando o beijo até interrompê-lo apenas para morder meu lábio.
“Porra.”
“Reclamando?”
“Faz de novo.”
Ela riu e repetiu.
Dessa vez fui eu quem a puxou.
Beijei sua boca, seu rosto e desci pelo pescoço. Laura inclinou a cabeça, oferecendo mais espaço enquanto meus lábios permaneciam ali.
“Você vai deixar marca.”
“Quer que eu pare?”
Ela apertou meus ombros.
“Nem fodendo.”
Deixei outro chupão.
Laura soltou um gemido baixo.
“Caralho...”
Minhas mãos percorreram suas costas e sua cintura. As dela entraram por baixo da minha camiseta.
Em poucos minutos, nossas roupas começaram a ficar pelo caminho.
“Quarto?”, perguntei.
Laura segurou minha mão.
“Você ainda precisa perguntar?”
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Chegamos à cama entre beijos e risadas.
Laura me empurrou sobre o colchão.
“Agora é minha vez.”
“De quê?”
Ela veio para cima de mim.
“De mandar.”
“Mandona.”
“Pra caralho.”
A provocação foi desaparecendo conforme o desejo aumentava.
Houve beijos demorados, mãos percorrendo pele, chupões e pequenas mordidas que arrancavam risadas ou gemidos inesperados.
Laura não escondia quando gostava.
“Assim...”
Depois:
“Não para.”
Em outro momento:
“Porra... continua.”
Quando ela assumiu o controle, apoiou as mãos no meu peito e começou a se mover devagar, procurando o próprio ritmo.
Segurei sua cintura.
Laura fechou os olhos.
“Caralho...”
Ela continuou.
Às vezes lenta de propósito, olhando para mim com aquele sorriso provocador.
Às vezes mais intensa, esquecendo completamente a brincadeira.
Seus cabelos caíram sobre o rosto.
Ela os afastou com uma das mãos e percebeu que eu a observava.
“O que foi?”
“Nada.”
“Mentiroso.”
“Estou apreciando.”
Ela riu.
“Idiota.”
Então rebolou lentamente, apenas para provocar.
Minha mão apertou sua cintura.
O sorriso dela desapareceu por um instante.
“Porra... assim.”
Puxei-a para perto.
Laura me beijou enquanto continuava se movimentando. Era um beijo quente, interrompido pela respiração ofegante dos dois.
Ela mordeu meu lábio.
“Gostou de mandar?”, perguntei.
“Pra caralho.”
“Percebi.”
“Então fica quieto.”
“Me faz ficar.”
Laura sorriu.
“Filho da puta.”
E me beijou novamente.
A madrugada continuou entre mudanças de ritmo, carícias, gemidos abafados, palavrões e momentos em que simplesmente parávamos para nos beijar.
Em certo instante, Laura encostou a testa na minha.
Estávamos os dois sem fôlego.
“Isso foi uma péssima ideia”, ela murmurou.
“Quer parar?”
Ela abriu os olhos.
“Eu falei isso?”
“Não.”
“Então não inventa merda.”
Comecei a rir.
Laura também.
Depois me beijou.
E a noite continuou.
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Horas mais tarde, ela estava deitada sobre meu peito enquanto eu fazia carinho em suas costas.
O apartamento finalmente tinha ficado silencioso outra vez.
Laura passou a ponta dos dedos pelo meu ombro.
“Merda.”
“O quê?”
“Amanhã vai ter gente perguntando por que eu fiquei.”
“Fala a verdade.”
Ela levantou a cabeça.
“Que verdade?”
“Que ficou para ajudar a limpar.”
Laura olhou para as roupas espalhadas pelo quarto.
Depois para mim.
Começou a rir.
“Realmente fizemos uma ótima limpeza.”
“Trabalho pesado.”
“Idiota.”
Ela me deu um beijo curto.
“Vai embora agora?”, perguntei.
Laura olhou para o relógio.
Depois para mim.
“Você quer que eu vá?”
Sorri.
“Não foi isso que eu perguntei.”
Ela reconheceu a própria frase.
“Filho da puta.”
“Aprendo rápido.”
Laura subiu um pouco mais, aproximou o rosto do meu e mordeu meu lábio pela última vez.
“Então pergunta direito.”
Passei os braços ao redor dela.
“Fica?”
Dessa vez não houve provocação.
Laura apenas sorriu.
“Fico.”
Apaguei a luz.
A festa tinha acabado havia horas.
A nossa noite, não.