Dez anos.
Quando penso nisso, parece até piada. Me sinto na porra de um circo onde eu sou a porra da palhaça.
Dez anos da minha vida entregues a uma única pessoa. Dez anos acreditando que eu estava construindo alguma coisa. Dez anos ouvindo que paciência era uma virtude, que fidelidade era uma obrigação e que certas coisas deveriam esperar pelo casamento.
Eu aceitei tudo, acreditava que tudo estava bem.
A igreja fazia parte da nossa vida. Eu ia aos cultos, participava das reuniões, ouvia os conselhos do pastor e acreditava que estava fazendo a coisa certa.
Eu era uma mulher de Deus, uma mulher temente a ele. Uma mulher para casar. Até sexo eu deixei para depois.
Dez anos.
Eu poderia ter vivido tantas coisas nesse tempo, mas não. Desde os meus quatorze anos, eu tive um relacionamento. Eu tinha princípios. Eu tinha um futuro planejado.
Até descobrir que o homem que passava sermões sobre fidelidade estava me traindo. E sabe o que foi pior?
Não foi nem descobrir a traição. Foi ver a reação de todo mundo.
“Ele errou.”
“Você precisa perdoar.”
“Dez anos não podem ser jogados fora por causa de um erro.”
Erro.
Era assim que chamavam, enquanto isso, eu não aceitava, eu era a ingrata.
A mulher que não sabia perdoar. A mulher que estava destruindo uma família. A mulher que deveria compreender o lado dele.
Ninguém perguntou como eu estava, o que eu sentia, se eu precisava de ajuda com toda aquela indignação e ódio.
Ninguém perguntou quantas vezes eu tinha recusado coisas, quantas vezes tinha colocado nosso relacionamento acima de mim mesma.
Eu estava cansada.
Naquela noite, sentada sozinha, peguei o celular e vi a mensagem, a mensagem que seria a porta de entrada para algo que eu nunca sonharia que viveria.
Era um de seus fiéis amigos.
“Você está bem?”
Fiquei olhando para aquelas três palavras. Depois de dez anos ouvindo o que eu deveria fazer, pela primeira vez alguém simplesmente perguntou se eu estava bem.
“Não.”
Ele perguntou se poderia passar para conversar, eu deveria ter recusado. Talvez a Megan de dez anos atrás tivesse recusado. Mas aquela Megan já não existia mais.
Quando ele chegou, conversamos por horas. Eu contei tudo. Ele ouviu. Não tentou defender meu ex. Não falou de perdão. Não disse que eu precisava ser compreensiva.
Apenas ficou ali. E naquela noite eu descobri que havia coisas sobre mim que eu nunca tinha permitido conhecer.
Daí aconteceu, não sei o que deu em mim, mas eu pulei nele.
Eu tomei a iniciativa, eu o beijei. Ele apenas seguiu, mas sua mão foi tão rápida apertando a minha bunda que a situação parecia ser exatamente o que ele queria.
Pela primeira vez na vida, eu vi um pau, eu o chupei, desajeitada, obviamente. Mas eu senti o sabor de algo que recusei cegamente por dez anos.
Eu gozei em sua boca, rebolei desajeitadamente e ele sugou todo o meu mel. Meu Deus, como aquilo era bom.
Entreguei a virgindade a ele. Parecia tão sedento, tão excitado que chegou a rasgar minha calcinha. Só puxar de lado seria o suficiente, mas ele resolveu rasgar.
E quando aquele membro pesado e veuido entrou dentro de mim, algo pareceu mudar dentro de mim.
Quer dizer, realmente mudou, não era mais virgem.
Mas eu senti o pecado do prazer do sexo. Puta que pariu, como eu pude renegar um pecado tão delicioso por tanto tempo?
Naquela noite, ele me fodeu em todas as posições possíveis. De quatro, de lado, de frente, na diagonal, só faltou me jogar no teto e me comer ali mesmo.
Eu sentei em seu pau, desajeitada, mas sentei. Não me culpem, era a primeira vez que fazia algo do tipo.
Por fim, ele gozou. Tirou sua rola babada de dentro de mim e jogou tudo na minha barriga.
Quando ele foi embora, fiquei sozinha novamente.
Olhei para a porta fechada e respirei fundo. Eu não sentia culpa. Pela primeira vez em dez anos, não sentia culpa por absolutamente nada. Na manhã seguinte, tomei uma decisão.
Entrei na igreja alguns minutos antes do culto terminar, todos me olharam.
Eu conhecia aqueles rostos. Alguns tinham me visto crescer. Outros tinham acompanhado meu relacionamento durante anos. Todos tinham uma opinião sobre como eu deveria agir depois da traição.
Meu ex estava sentado na primeira fileira, ao lado dos pais. O pastor me viu e interrompeu o que estava dizendo, continuei andando.
— Precisamos conversar — o pastor disse, afastando o microfone.
— Precisamos mesmo — eu já estava com um sorriso no rosto, premeditando tudo o que falaria para aquele grupo de pessoas hipócritas.
Parei no meio da igreja, olhei ao redor.
— Durante dez anos eu ouvi vocês dizerem que eu precisava ser fiel. Que eu precisava esperar. Que eu precisava perdoar. Que uma mulher deveria preservar o próprio relacionamento.
Ninguém respondeu.
— Eu fiz tudo isso — olhei para o meu ex. — Sem questionar, eu fiz tudo.
Ele abaixou os olhos.
— E quando descobri que ele estava me traindo, vocês disseram que EU precisava compreender.
Algumas pessoas começaram a cochichar.
— Pois eu compreendi — dei um sorriso. — Compreendi que eu estava sendo a vadia mais burra e idiota.
— Megan, não é assim que... — o pastor tentou se aproximar.
— Não, hoje você vai me ouvir — tomei o microfone de sua mão.
Ele parou, sem reação. Virei-me para o pai do meu ex.
— E o senhor também.
Ele me encarou, indignado.
— Não sei como você consegue andar com esse tanto par de chifre na cabeça.
Um murmúrio atravessou a igreja, o rosto dele ficou vermelho.
— Como ousa falar assim comigo?
— Cala a boca, seu corno — voltei os olhos para o pastor. — E você...
Ele ficou imóvel.
— Passou anos falando sobre pecado, tentação e perdão. Mas parece que o diabo comeu a tua mãe e ninguém teve coragem de contar.
— Retire o que disse! — alguém gritou.
Eu ri, era engraçado, estava gostando daquilo. Finalmente eu estava dizendo tudo. Então olhei para ele, para o homem que tinha sido meu namorado durante dez anos. O homem por quem eu tinha esperado, o homem por quem eu tinha recusado tantas coisas.
— E você sabe qual foi a melhor coisa que eu fiz depois que descobri sua traição?
Ele me encarou. Eu sorri.
— Eu dei para o seu amigo.
Silêncio.
— E foi a melhor coisa que eu fiz, ele me fodeu a noite inteira de um jeito que você jamais poderia me foder — aproximei os dedo polegar e o indicador bem em sua frente, mostrando a todos como o pinto dele era minúsculo.
A igreja explodiu, infelizmente não de risos.
Gritos vieram de todos os lados. Alguém mandou que eu saísse. Outra pessoa dizia que eu iria para o inferno. O pastor tentou recuperar o controle, mas ninguém mais estava ouvindo ninguém.
Eu simplesmente caminhei até a porta. Não abaixei a cabeça. Não pedi desculpas. Não chorei. Quando atravessei a porta, ainda conseguia ouvir os gritos atrás de mim.
Parei na calçada. Respirei fundo, e sorri.
Depois de dez anos, finalmente tinha falado tudo o que gostaria.
Mas esse é apenas o começo do fim da minha vida.
