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A Vizinha da Porta ao Lado

Um conto erótico de SandroAndarilho
Categoria: Heterossexual
Contém 726 palavras
Data: 10/09/2026 14:28:35
Assuntos: Heterossexual

Eu sempre achei que morar em apartamento tinha uma vantagem: com o tempo, você aprende a ignorar os vizinhos.

Com Marina, do 702, isso nunca aconteceu.

Ela tinha trinta e poucos anos, cabelos castanhos quase sempre soltos e um jeito perigoso de sustentar o olhar. Eu morava no 701. Nossas portas ficavam tão próximas que qualquer envolvimento entre nós seria uma péssima ideia.

Talvez por isso tenhamos passado meses apenas provocando um ao outro.

No elevador, ela percebia quando eu olhava.

“Disfarça melhor”, disse certa vez.

“Não estava olhando.”

“Além de descarado, mentiroso.”

A porta abriu e Marina saiu sorrindo.

Eu devia ter entendido ali que estava fodido.

---

Numa sexta-feira, pouco depois das onze, ouvi duas batidas.

Abri a porta.

Marina estava do outro lado, descalça, usando short e uma camiseta larga.

“Minha internet caiu.”

“E?”

“Estou entediada.”

“Isso virou problema meu?”

Ela levantou uma sobrancelha.

“Posso voltar para casa.”

“Eu não disse isso.”

“Então vai me deixar entrar ou continuar bancando o difícil?”

Dei passagem.

Ela entrou sorrindo.

Coloquei qualquer filme na televisão.

Nenhum dos dois prestou atenção.

Marina sentou perto demais.

Depois mais perto ainda.

Até apoiar as pernas sobre as minhas.

“Confortável?”, perguntei.

“Muito.”

“Abusada.”

“Você reclama demais.”

Olhei para ela.

“E você provoca demais.”

“Demorou para perceber.”

O silêncio que veio depois não tinha nada de desconfortável.

Marina olhou para minha boca.

Eu percebi.

“Está olhando o quê?”

Ela sorriu.

“Agora quem está se achando?”

“Você não respondeu.”

“Talvez eu esteja pensando se você beija tão bem quanto olha.”

“Quer descobrir?”

“Finalmente, porra.”

Ela me beijou primeiro.

Devagar no começo.

Gostoso.

Sem pressa.

Minha mão encontrou sua cintura e Marina segurou minha nuca, aprofundando o beijo.

Quando nos afastamos, ela estava sorrindo.

“Até que demorou.”

“Você mora na porta ao lado.”

“E daí?”

“Se isso der merda, vou encontrar você todo dia.”

Ela chegou perto outra vez.

“Então é melhor não dar merda.”

E me beijou.

Dessa vez, a calma desapareceu.

Minhas mãos percorreram suas costas enquanto as dela entravam por baixo da minha camiseta.

Beijei seu pescoço.

Marina fechou os olhos e soltou o ar lentamente.

“Porra...”

“Gostou?”

“Continua.”

Obedeci.

Ela passou os dedos pelo meu cabelo enquanto meus beijos desciam por seu pescoço e ombros.

Quando voltei à sua boca, Marina me puxou com força.

“Eu pensei nisso tantas vezes”, murmurou.

“Em quê?”

“Nisso.”

“Só nisso?”

Ela me encarou.

“Não força.”

Comecei a rir.

“Filha da puta.”

“Idiota.”

As roupas começaram a ficar pelo caminho entre a sala e o quarto.

Sem cerimônia.

Sem aquela falsa delicadeza de quem fingia que aquilo tinha acontecido por acaso.

Nós dois sabíamos exatamente por que Marina tinha batido na minha porta.

Na cama, as provocações deram lugar a carícias demoradas, beijos pelo corpo e mãos descobrindo o que fazia o outro perder o fôlego.

Às vezes Marina ria.

Às vezes me xingava.

E às vezes apenas fechava os olhos e dizia:

“Não para.”

A madrugada passou rápido demais.

Quando tudo finalmente ficou silencioso, Marina estava deitada sobre meu peito enquanto eu fazia carinho em suas costas.

“Vizinho?”

“Hum?”

“Isso foi uma ideia de merda.”

“Foi.”

“Vai ficar estranho amanhã.”

“Provavelmente.”

Ela levantou o rosto.

“Arrependido?”

“Nem um pouco.”

Marina sorriu.

“Eu também não.”

---

Acordei com duas batidas.

Toc, toc.

Abri os olhos.

Marina não estava mais na cama.

Levantei, coloquei uma roupa e fui até a porta.

Quando abri, ela estava ali.

Já tinha tomado banho e trocado de roupa.

“Você sabe que poderia ter ficado, né?”

“Sei.”

“Então por que voltou para casa?”

Ela deu de ombros.

“Queria fazer isso.”

“Isso o quê?”

Marina apontou para a porta.

“Bater.”

Comecei a rir.

“Você é maluca.”

“Talvez.”

“E agora?”

Ela chegou perto.

“Agora você me convida para entrar.”

“Você mora a três passos daqui.”

“Eu sei.”

“E mesmo assim quer entrar?”

Marina passou os braços pela minha cintura.

“Quero.”

Olhei para a porta do 702.

Depois para ela.

“Isso ainda parece uma ideia de merda.”

“Parece.”

“Ótimo.”

Puxei-a para dentro.

Antes que eu fechasse a porta, Marina sorriu.

“Vizinho?”

“O quê?”

“Dessa vez coloca um filme bom.”

“Pra quê? Você não vai assistir.”

“Exatamente.”

Fechei a porta.

E foi assim que descobri que o problema de se envolver com a vizinha da porta ao lado não era ter que encontrá-la no corredor depois.

Era começar a gostar quando ela batia na sua porta.

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Comentários

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