Capítulo 02 - Loiras Geladas
Curioso, apertou o botão para ouvir.
A voz de Rogério surgiu do outro lado, animada como sempre:
— Leandro, meu irmão! Hoje é o aniversário de verdade! Domingo foi só o aquecimento! Hoje tem uma festinha diferente. Meu pai liberou o carro. Então se prepara porque hoje nós vamos sair!
Leandro sorriu.
O áudio continuou:
— Vamos para um puteiro, tomar umas e, principalmente, comer um cuzinho! Você precisa sair dessa toca, meu amigo. Não quero saber de tristeza, de pensamento profundo... hoje você vai ter que olhar para frente. Ou, dependendo da situação, para a buceta de uma puta!
Leandro soltou uma risada pelo nariz.
Era típico de Rogério. E, naquela noite, Leandro admitia que a receita não parecia tão ruim.
Lembrou que o aniversário oficial de Rogério era mesmo naquela terça-feira. Domingo tinha sido apenas a grande comemoração antecipada. Agora, aparentemente, viria a versão reduzida — e muito mais perigosa — da festa.
Por alguns instantes, a ideia pareceu exatamente o que precisava.
Sair. Conversar. Rir. Beber alguma coisa. Comer uma puta.
Qualquer coisa que ocupasse sua cabeça por algumas horas e o impedisse de pensar em Cristiane.
Se a Cristiane não me quis, qual é o problema de eu pegar uma garota de programa? — pensou.
Mas quase ao mesmo tempo pensou que estava sem dinheiro.
Olhou para a tela do celular e respirou fundo. Não tinha como acompanhar Rogério naquela noite sem gastar alguma coisa.
Começou a digitar.
— Valeu pelo convite, irmão. Eu até queria ir, mas tô sem dinheiro. Acho que vou ficar em casa mesmo.
Mal havia enviado a mensagem quando o celular vibrou novamente.
Outro áudio..
— Ah, para com isso, piá! Você sabe que minha tia rica sempre me dá dinheiro de aniversário. E esse ano ela foi generosa pra caramba! Então não esquenta com dinheiro. Hoje é por minha conta. Só quero você comigo pra gente sair e aproveitar! Hoje não tem puta pobre!
Leandro ficou alguns segundos olhando para a tela.
A tristeza ainda estava ali. A decepção com Cristiane não tinha desaparecido.
Mas talvez fosse justamente por isso que ele devesse aceitar.
Talvez ficar sozinho em casa, remoendo tudo, fosse a pior escolha.
Ele sorriu de leve e começou a digitar.
— Tá bom, então. Eu topo. Mas só porque você insistiu.
Enviou a mensagem e guardou o celular no bolso.
Talvez seja bom sair dessa tristeza.
Talvez, por algumas horas, uma puta o faria esquecer Cristiane.
Todos esses pensamentos ainda ressoavam na mente de Leandro enquanto ele girava a chave na porta de casa. Sem perder tempo, tomou um banho rápido, escolheu uma roupa alinhada e deu os últimos retoques no visual. Poucos minutos depois, o ronco grave de um motor ecoou pela rua, anunciando a chegada de uma SUV preta, imponente e com linhas agressivas, que estacionou bem em frente à sua entrada.
A porta do motorista se abriu e Rogério desceu com um sorriso de canto a canto, dando uma tapinha orgulhoso no teto do veículo.
— Meu pai comprou, é zero! E me liberou o carro hoje — disse Rogério, sem esconder a empolgação.
— Caramba, que nave! Parabéns, cara — respondeu Leandro, admirando o veículo antes de entrar no banco do carona.
Eles ganharam a noite e logo chegaram ao puteiro. Ao descer, Leandro deu uma olhada ao redor e percebeu o ambiente requintado, a iluminação intimista e o público refinado: era um bar de alto padrão. Um alívio silencioso o percorreu, acompanhado de um sorriso discreto; afinal, sabendo que Rogério estava pagando tudo, a noite prometia ser excelente.
O lugar estava movimentado, repleto de garotas bonitas transitando entre as mesas. Rogério fez um gesto amplo, apontando para as garotas e disparou:
— Pode escolher qualquer garota. Por minha conta.
— Tem certeza? — comentou Leandro, soltando uma risada fraca enquanto olhava ao redor. — Porque, olhando em volta, este lugar não parece exatamente barato... Aliás... seus pais sabem que você veio para cá?
Rogério soltou uma risada irônica e balançou a cabeça, inclinando-se para mais perto do amigo.
— Tá maluco? Claro que não! Meus pais são mega conservadores, daqueles bem das antigas. Falei que ia em outro lugar.
Leandro ergueu as sobrancelhas.
— É mesmo?
— Você não faz ideia. — Rogério balançou a cabeça. — Eles são tão conservadores que, até hoje, querem que a Cristiane se case virgem.
Leandro ficou em silêncio por alguns segundos.
Preferiu não comentar. Apenas deu um sorriso discreto e tomou um gole da bebida.
— Minha família também é muito conservadora — disse, por fim. — Bem das antigas.
— Então você sabe exatamente do que estou falando.
Antes que Leandro pudesse continuar a conversa, uma funcionária se aproximou carregando um balde metálico elegante, cheio de garrafas de cerveja mergulhadas no gelo.
— Rogério? — perguntou ela, com um sorriso.
— Eu mesmo.
— Como hoje é seu aniversário, isso aqui é por conta da casa. Feliz aniversário!
Ela colocou o balde sobre a mesa.
Leandro arregalou os olhos.
— Uau... agora fiquei impressionado.
Rogério apenas sorriu, tentando parecer como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Mas a surpresa não parou por aí.
Duas loiras lindíssimas, usando roupas curtas e com sorrisos impecáveis, apareceram de repente ao lado da mesa.
— Parabéns pra você! — anunciaram as duas, começando a puxar o coro com entusiasmo.
Uma delas bateu palmas e começou a cantar, enquanto a outra acompanhava, incentivando os clientes das mesas próximas a se juntarem à comemoração. Em poucos segundos, o tradicional “Parabéns pra Você” já ecoava pelo salão, com Rogério no centro da atenção, sorrindo sem saber muito bem onde enfiar a cara.
Leandro olhou para Rogério. Depois para as duas. Depois novamente para Rogério.
— Cara... que lugar é esse?
Rogério deu de ombros, segurando o riso.
As duas terminaram os parabéns sob aplausos e, logo em seguida, sentaram cada um de um lado de Rogério
Uma das loiras inclinou-se ligeiramente e, com um sorriso provocante, falou em tom baixo e sensual:
— Pode ter certeza, Rogério... nós vamos fazer deste aniversário um daqueles que você nunca mais vai esquecer. E você só paga por uma. Para um cliente VIP, nós temos uma promoção de aniversário: duas pelo preço de uma.
Leandro abriu um sorriso.
— Eu não sabia que você era cliente VIP!
Rogério deu uma risadinha, claramente satisfeito consigo mesmo.
— Digamos que eu sou bem conhecido por aqui.
Leandro olhou novamente para as duas loiras.
— Bem conhecido, hein?
— Pois é. — Rogério apontou para uma delas. — Essas aqui já são minhas.
Em seguida, falou:
— Agora escolhe a sua.
Logo após seus olhos se fixaram em uma morena de traços angelicais. Ela parecia perfeita: cabelos negros e longos caindo suavemente pelos ombros e uma pele morena, sedosa, que parecia brilhar sob a iluminação intimista do bar.
Um corpo perfeito!
Rogerio fez um sinal e a morena veio na direção de Leandro e sentou no seu colo!
Imediatamente Leandro passou as mãos sobre suas coxas, subindo pela sua pele macia até seus seios, apertando-os.
Enquanto isso, Rogerio seguiu para o quarto com as loiras.
Ainda na mesa, a morena começou a fazer uma dança sensual no colo de Leandro, provocando-o até que ficou de pau duro. Em seguida, ela se levantou e, com um sorriso encantador, tomou a mão dele entre as suas, puxando-o delicadamente para que a acompanhasse até um dos quartos.
O quarto também era sofisticado, com móveis de bom gosto e um agradável aroma de perfume no ar. Leandro ficou alguns segundos olhando ao redor, impressionado com o ambiente.
Quando voltou os olhos para a morena, levou um pequeno susto.
— Caramba...
Já estava completamente nua, como se tivesse acionado algum modo de transformação instantânea.
Como é rápida!
Já tinha visto que tinha um corpo muito bem cuidado, mas, vendo-a ali nua, era ainda mais gostosa: um físico atlético, curvas bem proporcionadas, com tudo no lugar certo.
Leandro então se aproximou da cama e começou a apalpar o colchão, apertando aqui e ali, como quem fazia uma rápida avaliação.
Era uma mania sua. Como ele ia deitar ali, ele precisava antes dar uma conferida na cama. E, naquele momento, estava tão compenetrado no exame que parecia estar avaliando um colchão para comprar.
Nem percebeu quando a morena se aproximou se abaixou e puxou suas calças para baixo:
Aaai! — Leandro deu um gritinho, dando um pulo para o lado.
Por pouco não perdeu o equilíbrio. Precisou abrir os braços e dar dois passinhos desajeitados para se firmar, enquanto a morena a olhava com uma expressão divertida.
— Calma! Só quero começar chupando tua rola! Normalmente os clientes preferem começar assim!
— Eu sei! — Leandro respondeu, ainda tentando se recompor. — Mas você podia ter avisado!
A morena segurou o riso.
— Vamos colocar esse pauzão para fora!
Ela riu.
— Não temos tempo a perder.
Leandro relaxou e aproveitou o boquete. Sentia-se num filme pornô, uma linda garota de joelhos sugando sua vara, engolindo suas bolas, elogiando seu pau, tudo isso olhando em seus olhos, com carinha de safada:
- Como você quer comer? – Perguntou a morena, já encapando o pau de Leandro – Você que manda!
Leandro a levantou, puxando pelo cabelo e a colocou de pé contra a parede. Com a luz baixa no quarto não enxergava o buraco da sua bucetinha.
- Vai sua puta! Encaixa meu pau na tua buceta!
A GP ajudou a encaixar e Leandro começou a bombar devagar, acelerando aos poucos e enfiando mais fundo. Parecia um sonho meter tendo a visão daquela bunda maravilhosa e passar a mão naquele corpo delicioso e quente.
A GP gemia loucamente, rebolava, balançava a cabeça dando gritinhos. Chamava Leandro de Garanhão, pauzudo, gostoso!
Enquanto socava, as mãos de Leandro passeavam pelo seu corpo, quando chegou na bunda introduziu o dedo na entradinha do cu:
- Tô muito afim de comer teu rabinho gostoso!
- Teu programa é completo, tem direito ao cuzinho!
Leandro a agarrou, jogou na cama, virou ela de bruços, deu um tapa na bunda, mandou ficar de quatro e cuspiu na entrada do cu, entrou devagar sentindo o cuzinho engolir centímetro por centímetro da piroca. A GP empinou mais a bunda e foi rebolando para entrar mais fácil. "Caralho... assim... fode meu cu...".
Leandro meteu forte, segurando o cabelo e sentindo os peitos dela balançarem, começou a alternar entre o cu e a buceta até ela tremer inteira.
Durante os próximos minutos Leandro sabia que aquela gostosa estaria disponível para fazer o que quisesse. Ele aproveitou para satisfazer suas fantasias, imitou posições que viu em filmes pornôs, inventou outras, até que ...
BIP! BIP! BIP!
Um alarme soou.
A garota explicou que aquele aviso apenas indicava que o tempo estava chegando ao fim, mas ainda dava pra aproveitar mais um pouco para uma massagem final: começou a esfregar os peitos e a xaninha nele.
A pressão da bucetinha e dos peitos na medida certa lhe davam uma sensação gostosa. Uma sensação quente e deliciosa
E para finalizar, ainda deu tempo para um boquete final, Leandro mandou ela se ajoelhar na frente dele, bateu uma punheta devagar e gozou forte, jatos grossos no seu rosto e nos peitos.
Depois de uma ducha rápida, voltaram ao salão. Rogério já estava lá.
A cena chamou a atenção na hora: Rogério estava visivelmente acabado, suado até o talo, cabelo meio desarrumado, a camiseta torta no corpo e umas marcas vermelhas de chupão e mordida no pescoço e no braço, mas no rosto: ele ostentava um sorriso de orelha a orelha.
— Aquelas loiras acabaram comigo, mas foi ótimo. Meti tanto no cu delas que estou até com o pau fino.
Leandro olhou ao redor, tentando localizar as duas e perguntou:
— Cadê elas?
— Estão indo ali com outro cliente. Não sei de onde tiram fôlego — respondeu Rogério, limpando o suor da testa com a gola da camisa.
— Vamos então?
— Sim, vamos.
Leandro olhou para trás com a intenção de dar um tchau para a garota que havia comido. Mas, quando abriu a boca para falar, percebeu que ela já estava com outro cliente, rebolando no colo dele, exatamente como tinha feito com ele.
Rogério balançou a cabeça, deu um risinho irônico e comentou enquanto caminhavam para o estacionamento:
— Aqui vale literalmente a frase: time is money, meu amigo.
— Essa não perde tempo!
— É como dizem: lavô, tá novo! Mas a Tainá é demais, né?
Leonardo olhou para ele.
— Quem é Tainá?
Rogério arregalou os olhos.
— A garota que você acabou de comer!
Leonardo apontou para onde ela estava.
— Ah... se chama Tainá? Deve ser. Nem lembrei de perguntar o nome.
Rogério caiu na gargalhada.
— Na verdade Tainá é o nome de guerra, o nome de verdade elas não falam
— Foi ótimo, ela é demais na cama!
— Eu sei, já comi ela duas vezes.
Leonardo arregalou os olhos.
— Duas?
— Não, não... três.
— Três?!
— Pensando bem... talvez quatro. É que uma vez foi numa suruba!
Leonardo soltou uma gargalhada.
No caminho de volta, Leandro ainda ria das histórias de Rogério. Entrava na brincadeira, fazia comentários, lembrava de alguma coisa que Tainá tinha dito e sorria de novo. Era aniversário do amigo. Rogério tinha pagado tudo. Aquela noite era para ser leve, e ele não queria estragar aquilo com seus problemas.
No rádio tocava uma música antiga do RPM : 🎵 Qualquer mulher é sempre assim,
Vocês são todas iguais. ♫
Nos enlouquecem então se esquecem.
Já não querem mais... ♪
🎶 Na madrugada.
Na mesa do bar
Loiras geladas vêm me consolar. 🍺 ♪
Mas, aos poucos, enquanto as luzes da cidade passavam pela janela do carro, Cristiane voltou para sua cabeça.
Leandro tentou afastar o pensamento.
Não conseguiu.
Tainá tinha sido linda, gostosa na cama. Por uma hora, ela fizera com que ele esquecesse tudo. Mas era só isso. Uma hora..
Quando entrou em casa, percebeu que a sensação tinha desaparecido quase completamente.
Deitou, virou para um lado, depois para o outro. Pegou o celular, olhou a tela por alguns segundos e tornou a deixá-lo sobre o criado-mudo.
Era que ele não queria apenas alguém para beijar ou para comer o cu..
Ele queria Cristiane.
Queria um relacionamento. Queria alguém para dividir a vida, conversar depois de um dia ruim, acordar no domingo e simplesmente estar junto.
E, naquela noite, pela primeira vez, Leandro percebeu que talvez fosse justamente isso que tornava tudo tão difícil.
Tainá tinha conseguido fazê-lo esquecer Cristiane por uma hora.
Mas, quando a noite acabou, Cristiane continuava ali.
E era com ela que ele queria acordar no dia seguinte.
XXXXXX
No dia seguinte Leandro acordou um pouco mais tarde. Atrasou para abrir a lojinha.
A loja, porém, parecia ainda mais silenciosa.
Não conseguia parar de pensar em Cristiane. Ela havia sido clara,
Tinha respondido que preferia que os dois fossem apenas amigos. Não havia sido cruel, nem grosseira. Leandro respeitou.
Depois de se distrair no puteiro estava de volta à rotina.
Os dias iam passando: Leandro abria a loja de manhã, levantava a porta de aço, ligava os computadores do balcão e esperava os primeiros clientes. Almoçava quase sempre no mesmo restaurante barato da esquina. À noite, fechava a loja e voltava para casa.
Os dias se repetiam com uma precisão quase mecânica.
Às vezes, enquanto aguardava o sistema terminar uma atualização, pegava o celular e entrava na conversa com Cristiane. Lia as mensagens antigas. Pensava em escrever alguma coisa.
"Oi, sumida."
Apagava.
"Como você está?"
Apagava também.
Cristiane tinha dito que queria amizade, e apesar da vontade de ouvir outra coisa, precisava aceitar.
O problema era que aquele domingo lhe deu uma esperança, e agora quando tirava Cristiane dos pensamentos, não sobrava muita coisa.
Sua vida parecia ter ficado pequena demais.
A loja. A casa. O restaurante. A televisão ligada sem que ele prestasse atenção. Os mesmos rostos, as mesmas ruas, as mesmas noites.
Em algumas ocasiões, sentado sozinho atrás do balcão depois do horário de fechamento, Leandro olhava para a rua através da vitrine e se perguntava quando sua vida havia adquirido aquele aspecto tão sem graça. Não era exatamente tristeza o tempo todo. Uma espécie de vazio, como se estivesse apenas cumprindo os dias em vez de realmente vivê-los.
Naquele final de tarde, depois de fechar o caixa, ele apagou as luzes da loja e ficou alguns minutos sentado.
Não tinha Cristiane, e o Rogerio, seu grande amigo, estava indo para fora do país.
Naquele momento, da loja ao lado, começou a escapar uma antiga música do Kid Abelha. As primeiras notas chegaram até ele quase por acaso, mas encontraram um lugar dentro dele que ainda estava aberto. Por alguns segundos, tudo pareceu perder o sentido. A música, tão familiar, trouxe de volta lembranças, ampliou ausências e evidenciou uma tristeza que ele já não conseguia empurrar para longe. E, enquanto a canção seguia indiferente, ele se pegou pensando, pela primeira vez com uma clareza assustadora, que talvez fosse melhor simplesmente acabar com tudo.:
🎵 Será que existe alguém ou alguma coisa importante
que justifique a vida ou pelo menos esse instante? 🎶
Aquela música parecia conhecer uma parte sua que ele passara meses tentando esconder.
Por alguns segundos, o mundo continuou acontecendo ao redor: pessoas caminhando, carros passando, portas se fechando. Tudo seguia normalmente. Só ele parecia ter ficado para trás.
Sentiu um vazio profundo, desses que não chegam como uma explosão, mas como uma maré silenciosa, ocupando pouco a pouco todos os espaços. Pensou na vida que estava construindo, nos planos que deveria ter pela frente, no diploma que estava tão perto, em tudo aquilo que, em qualquer outro momento, deveria lhe dar algum motivo para seguir.
Mas, naquele instante, nada parecia suficiente.
A música continuava.
Leandro fechou os olhos por um instante.
Mas alguma coisa, lá no fundo, resistiu.
Talvez fosse o pouco de esperança que ainda lhe restava. Talvez fosse simplesmente aquela força silenciosa que aparece quando já não parece haver nenhuma. Ele respirou fundo, enxugou as lágrimas, permaneceu alguns segundos parado e, como quem reúne os últimos pedaços de si mesmo, decidiu que não.
Resolveu continuar, e logo em seguida foi possível ouvir o ranger metálico da porta de enrolar, que ecoou pela calçada enquanto Leandro puxava a trava inferior com o pé para trancá-la. O relógio no pulso indicava que o tempo estava curto: precisava passar em casa, tomar um banho rápido e correr para o campus. Faltavam poucos meses para pegar o diploma de Engenharia da Computação, e a rotina de equilibrar o balcão da loja de informática com as entregas do TCC estava no limite.
Ele começou a caminhar em direção a sua casa
Quando chegou em frente de casa, estranhou: A mesma SUV que Rogério dirigia aquela noite, que ele pegou emprestada do pai dele, estava ali, estacionada.
— O que será que eles estão fazendo aqui? — murmurou para si mesmo.
Abriu o portão e entrou.
Assim que cruzou a porta da sala, sentiu um peso estranho no ambiente.
