Eu não sou uma mulher inesperiente; já tive minhas noites de prazer com algumas mulheres interessantes. Poucas, mas tive momentos intensos de prazer na minha vida, principalmente com Tânia. É verdade que, no fim, não valeu a pena; na verdade, me arrependo de ter vivido aqueles momentos com ela. Contudo, tivemos experiências muito intensas de sexo e prazer. Tânia, além de linda, era muito intensa e não tinha frescura na cama. Mesmo antes de Tânia, também tive algumas noites intensas de sexo, no sentido mais carnal da palavra. Mas nenhuma dessas experiências chegou aos pés do prazer que senti com Laura.
Naquela tarde, vivi os momentos mais prazerosos da minha vida; Laura me levou ao limite do prazer. Nunca tive tantos orgasmos, e os dela também foram numerosos e intensos. Mas tudo tem um limite, e chegou um ponto em que meu corpo não aguentava mais; eu estava exausta. Laura estava deitada ao meu lado, imóvel, mal se mexia. Ouvi sua respiração pesada; queria dizer algo, mas o cansaço me impediu. Ficamos assim por um bom tempo, lado a lado, imóveis, apenas curtindo o momento e tentando normalizar nossas respirações.
Laura— Você é incrível. Acho que, se eu tiver mais um orgasmo, morro.
Camila— Eu acho que já morri e agora estou no céu, ouvindo os anjos cantando.
Laura— Boba. Kkkkk. Vamos tomar um banho? Ainda tem algumas coisas que quero falar com você.
Camila— Por favor, me dê só mais dez minutos. Depois a gente vai.
Laura— Acho que esperar mais dez minutos é uma boa ideia.
Ficamos ali por mais de dez minutos, mas, por fim, Laura conseguiu me arrastar de volta para a suíte. Tomamos um banho demorado e, depois de nos secarmos e vestirmos, voltamos para a sala, onde Laura começou a falar.
Laura— Você já pensou no que vai fazer caso aceite minha proposta?
Camila— Não muito, mas quero encontrar uma maneira de melhorar minha vida e guardar dinheiro para mim e para o futuro da Manu, que é meu objetivo principal. Também quero tentar conseguir um emprego para ganhar mais dinheiro e disfarçar o que realmente vou fazer, caso aceite sua proposta.
Laura— Vou te dar algumas ideias para você pensar. A vida é sua, e são apenas sugestões de alguém que realmente quer te ver bem e feliz no futuro. Como você ainda não decidiu, são apenas suposições, caso sua resposta seja sim. Ok?
Camila— Tudo bem, eu entendi.
Laura— A melhor maneira de investir seu dinheiro é em você mesma. Claro que é bom guardar um pouco, mas se você realmente quer melhorar sua vida e garantir que Manu tenha um futuro seguro, na minha opinião, você deveria investir na sua educação. Se você aceitar o trabalho, não há garantias de quanto tempo ficará; acho que será um bom tempo, já que duvido que você tenha problemas que a façam sair rapidamente. Porém, nessa vida, nada é garantido. Faça o possível para que, quando sair, tenha condições de conseguir um trabalho que ofereça uma boa vida a você e à Manu.
Camila— Você está dizendo que eu deveria estudar? É isso?
Laura— Exatamente isso. Use o dinheiro que você supostamente vai ganhar para pagar seus estudos. Não arrume outro trabalho; não vale a pena. Aproveite o resto do ano para fazer cursinhos e atualizar seu conhecimento. Ano que vem, faça o vestibular e entre em uma boa faculdade, faça um curso que te agrade e que seja rápido. Use os dez mil para comprar um computador e uma boa impressora; isso será muito útil para você. Além de ajudar nos estudos, você pode usar como desculpa para um trabalho em casa. Posso te ajudar nisso.
Camila— Trabalho em casa? Desculpe, acho que não entendi direito.
Laura— Você pode dizer que está trabalhando em casa. Posso te ajudar com isso. Muitas pessoas trabalham em casa, especialmente com logística. Podemos arrumar um trabalho falso para você, como funcionária de alguma empresa, ou até da própria empresa que eu trabalho. Assim, você terá um bom disfarce e tempo para se concentrar nos estudos e passar um tempo decente com sua sobrinha.
Camila— Sinceramente, sua ideia é ótima. Eu realmente queria ter um diploma um dia e um trabalho com um salário melhor. Mas não entendo nada de logística, mal sei o que significa.
Laura— Você não precisa saber como fazer o trabalho; só precisa saber o que ele envolve. Posso te ensinar o que se faz em logística. Podemos montar um pequeno escritório aqui no apartamento e até trazer algumas pastas para você fingir que são do seu trabalho. Até um crachá da empresa eu posso te arrumar. Quando você se formar, posso te ajudar a conseguir um trabalho de verdade, mas, por enquanto, vou te ajudar com um falso. Pense nisso com calma. Se tiver dúvidas, me pergunte. Mas, como disse, é apenas uma sugestão, e se você não aceitar, vou conseguir um trabalho normal para você.
Camila— Vou pensar e te dar uma resposta na quinta-feira da semana que vem. Não vou mais te enrolar com isso, prometo.
Laura— Não estou te cobrando uma resposta, mas se você tiver uma na quinta, seria ótimo. Acho que você quer conhecer o ambiente e as pessoas que frequentam o lugar para decidir, certo?
Camila— Sim, tenho algumas dúvidas e acho que, se eu conhecer tudo, posso tomar uma decisão.
Laura— Justo. Você tem toda razão em querer conhecer tudo antes de decidir. Quarta-feira a gente resolve isso.
Camila— Combinado, e mais uma vez, obrigado por tudo.
Laura— Você não precisa agradecer. Mesmo que sua resposta não seja a que eu queira, estou feliz por poder ajudar alguém como você, Camila.
Naquela conversa, percebi que Laura realmente se preocupava comigo. Se ela fosse uma pessoa que quisesse meu mal ou aprontar algo ruim comigo, por que estaria preocupada em me ajudar a dar uma direção na minha vida? Não faria sentido, pelo menos não para mim. Quando ela se despediu, eu já tinha quase certeza absoluta de que iria aceitar sua proposta. Só não disse a ela antes de sair, porque queria conhecer o ambiente e as pessoas que frequentavam aquelas festas. Se tudo fosse realmente como Sandra, Laura e Nicole falou, isso só reforçaria minha decisão de aceitar.
Aproveitei o resto da semana para passar mais tempo brincando com Manu. Na sexta-feira de manhã, fui visitar Geraldo e Helena. No sábado, fui ao shopping com Tamires e Manu. Tomamos sorvete, e aproveitei para olhar algumas roupas, mas não comprei nada. Eu voltaria depois sozinha para fazer isso; não queria ter que explicar por que estava comprando roupas caras ou de onde tinha arrumado dinheiro para isso.
No domingo, fui à casa da Eliana e passei o dia com minha família. Eu amava aquilo, e Manu também gostava, principalmente de ser paparicada o tempo todo pelos avós. Fui ver a construção da casa dos meus pais; estava no início, mas já dava para ter uma noção de como ficaria, pelo menos em relação ao tamanho de cada cômodo. Minha irmã disse que ela e Matheus já estavam tentando engravidar; provavelmente, logo Manu teria um primo a caminho.
Era gratificante ver minha família toda feliz. Se não fosse o idiota do Rogério, tudo estaria perfeito. Mas, infelizmente, eu tinha um monte de problemas, e quando soubessem que eu não voltaria ao trabalho, isso poderia piorar. Meu medo era de Rogério vir atrás de mim ou descobrir onde eu estava. Mesmo me sentindo mais segura no meu novo apartamento, não sei se teria coragem de ficar lá se Rogério descobrisse. Todos meus planos poderiam ir por água abaixo, e eu teria que recomeçar tudo do zero.
Na segunda-feira, falei com Tamires sobre deixar Manu com ela de quarta para quinta. Menti, dizendo que teria um encontro com Laura e talvez chegasse um pouco tarde. Ela disse que não teria problema algum e que adoraria ter Manu dormindo com ela novamente. Depois que Tamires levou Manu, voltei ao shopping, comprei algumas roupas e também algumas lingeries. Nunca tinha gasto tanto dinheiro com roupas, mas dessa vez achei necessário. No início, fiquei um pouco na dúvida sobre o que comprar, mas, no fim, fiz o que Laura aconselhou: comprei algo que eu gostava de usar e que me deixasse confortável.
Na terça-feira, liguei para Sandra e marquei um horário no salão para quarta-feira no final da tarde. Eu queria dar uma arrumada no cabelo, mas, principalmente, queria fazer a maquiagem com o mesmo rapaz que me maquiou da primeira vez. Depois, liguei para Helena e confirmei com ela se estava tudo bem deixar Manu na casa dela. Tamires já havia dito que não teria problema, mas fiz questão de ligar e conversar com Helena. Ela confirmou o que Tamires tinha falado, que eu poderia ir ao meu encontro tranquilamente, que elas tomariam conta de Manu.
Na quarta-feira, cheguei ao salão no horário combinado. Sandra deu um banho de creme no meu cabelo, e ficou muito bom quando tudo estava pronto. Ela disse que nós nos veríamos na festa e que me apresentaria à Raquel. Depois, fui fazer minha maquiagem e, dessa vez, pedi para o rapaz fazer algo para a noite, mas nada muito pesado. Ele fez uma maquiagem que me agradou bastante; mais uma vez, destacou meus olhos. Acabei contando a ele que já tinha sofrido bullying por causa dos meus olhos e por ser muito magra. Ele disse que entendia bem de bullying, pois sofreu muito na escola, mas aprendeu a ignorar, mesmo que doesse.
Descobri que ele se chamava Diego, trabalhava no salão há cinco anos e falava muito bem da Sandra. Prometeu que me ensinaria a me maquiar, desde que eu prometesse não abandoná-lo depois que aprendesse. Eu prometi, e acabamos criando uma pequena amizade ali, jogando conversa fora.
Voltei para meu apartamento, me vesti e esperei pelo meu transporte. Laura disse que não poderia vir me buscar porque teria que estar no local mais cedo para organizar tudo com a ajuda das meninas, mas mandaria seu motorista me buscar. Como já conhecia Marcelo das várias vezes que estive com Laura e também com Nicole, que parecia ser amiga pessoal dele, não vi problema em fazer o trajeto sozinha com ele.
Marcelo chegou às 21 horas em ponto. Ele estava bem arrumado, com um terno preto muito bonito; não era o que sempre o via usar, esse com certeza era caríssimo. Como sempre, ele foi super educado comigo e de poucas palavras, falava apenas o necessário, mas não tentando me ignorar; ele só parecia ser discreto, e gostei disso. Seguimos para o centro da cidade e entramos em um subsolo. Eu reconheci o local; era o mesmo hotel que Laura me levou no nosso primeiro encontro íntimo. Mais uma vez fiquei tensa no elevador, mas tentei disfarçar perto de Marcelo. Ou consegui, ou ele fingiu que não notou meu medo, pois não falou nada. O pior é que dessa vez parece que demorou mais a chegar ao destino. Quando o elevador parou, saímos e segui Marcelo até chegarmos a uma porta onde um homem muito bem vestido estava parado. Ele cumprimentou Marcelo com um aceno de cabeça e logo abriu a porta para entrarmos.
Assim que entramos, percebi que o local era um salão de festas bem bonito. Vi várias pessoas espalhadas, provavelmente umas 20 ou mais. Em uma olhada rápida, percebi que a maioria absoluta eram mulheres, mas vi alguns casais. Logo avistei Nicole conversando com duas mulheres; uma era Sandra, e a loira segurando seu braço provavelmente era Raquel. Também vi um local onde um homem servia bebidas a uma mulher bem elegante. Provavelmente ali era o bar onde as bebidas eram servidas aos convidados. Não vi garçons, então provavelmente cada um pegava sua própria bebida.
Marcelo pediu para eu esperar um momento e seguiu em frente. Fui seguindo ele com os olhos e logo vi que estava indo em direção à Laura, que conversava com duas mulheres mais velhas, provavelmente na casa dos 50 anos. Marcelo se aproximou e falou algo perto do ouvido dela. Na hora, ela olhou na minha direção e deu um belo sorriso. Ela disse algo para as mulheres, provavelmente avisando que precisava buscar sua convidada, e logo veio caminhando em minha direção.
Enquanto Laura caminhava até mim, percebi algo: Nicole estava com uma roupa mais casual, assim como algumas outras mulheres, mas Laura estava com um vestido lindo; eu só via aquilo na TV. A maioria dos homens estava de terno, mas vi um com uma roupa mais casual. Acho que realmente as vestimentas eram algo que cada um usava de acordo com o que gostasse; não havia um padrão definido. Eu gostei, já que não tinha a menor vontade de me vestir com vestidos de gala como o de Laura. Eu achava bonito, mas sinceramente, não me sentiria bem em um. Pelo menos era o que eu pensava.
Laura se aproximou, me deu um selinho rápido e estendeu sua mão. Eu a segurei, e ela disse que iria me apresentar a algumas pessoas, garantindo que eu poderia ficar tranquila, pois todos ali sabiam que eu era apenas uma convidada. Eu a segui, e sinceramente, estava nervosa. Mal sabia que a maioria daquelas pessoas faria parte da minha vida por anos.
Continua…
Criação: Forrest_Gump
Revisão: Whisper
