## Capítulo 2 — O desafio
Depois do beijo, eu não sabia o que fazer nem o que dizer. O silêncio entre nós pareceu durar uma eternidade.
Júlia foi a primeira a quebrá-lo. Ela balançou o All Star diante de mim e sorriu, divertindo-se com o meu constrangimento.
— Roma… Roma… o que será que eu faço com você?
O tom era brincalhão, mas havia algo diferente em seu olhar.
— Muitas ideias estão passando pela minha cabeça — continuou ela. — Mas acho que vou esperar a volta para decidir. Se a massagem de hoje não for melhor do que a de ontem, vou ter que puni-lo de alguma forma.
Ela sorriu de um jeito tentador, daqueles que deixam a promessa de algo a mais suspensa no ar.
Reuni toda a coragem que consegui e respondi:
— E se for melhor? Vou receber alguma recompensa?
Por um instante, Júlia pareceu surpresa. Ela parou de balançar o tênis e me encarou em silêncio.
Então, algo mudou em seu olhar. Era como se uma faísca tivesse sido acesa — uma curiosidade nova, misturada a uma satisfação que ela já não fazia questão de esconder.
— É claro que vai — respondeu, inclinando-se um pouco na minha direção. — Não seria justo com você.
Ela voltou a sorrir, mas dessa vez havia uma promessa mais evidente naquele sorriso.
O restante da viagem foi mais silencioso do que de costume. Passei o dia inteiro pensando no que poderia acontecer durante a volta e na recompensa que Júlia havia prometido.
Durante a tarde, tive um período vago e fui me sentar em um dos bancos do anfiteatro. Eu tentava me concentrar em qualquer coisa quando alguém cobriu meus olhos com as mãos.
— Adivinha quem é?
Eu soube imediatamente. Não pelo toque ou por ter visto seu rosto, mas pelo perfume. Eu reconheceria aquele cheiro em qualquer lugar.
— Eu sei que é você, Júlia.
Ela retirou as mãos e se sentou ao meu lado.
— Você parece tenso, Roma. É por causa do ônibus?
— É.
— Então relaxa. Vou pegar leve com você desta vez.
Fiquei olhando para ela.
— Desta vez?
Júlia sorriu.
— Claro. Você achou que a massagem de hoje seria a última?
Ela se inclinou um pouco na minha direção, observando minha reação.
— Ou vai me dizer que não gostou de ficar aos meus pés?
A escolha das palavras foi cuidadosa. Júlia fingia inocência, mas sabia exatamente o efeito que provocava. Cada frase parecia me puxar um pouco mais para dentro daquele jogo.
— Eu gostei — murmurei.
— Não ouvi.
Respirei fundo.
— Eu disse que gostei.
Dessa vez, falei com um pouco mais de firmeza. Júlia pareceu satisfeita com a resposta.
— Então por que esperar o ônibus? Você vai fazer a massagem agora.
Meu coração acelerou.
— Agora?
— Agora. Mas haverá duas condições.
Ela levantou dois dedos, como se estivesse apresentando as regras de um contrato.
— Primeiro: você terá dez minutos.
Em seguida, ela se aproximou um pouco mais e sorriu.
— Segundo: você não pode ficar de pau duro durante a massagem.
Fiquei completamente sem reação. Júlia parecia se divertir com o meu constrangimento.
— E se eu perder? — perguntei.
— Se perder, vai me dever um favor. Talvez eu faça você se tornar meu massagista particular.
— E se eu ganhar?
— Nesse caso, você poderá escolher a recompensa.
Ela se levantou e estendeu a mão para mim.
— Então, Roma… aceita o desafio?
Olhei para a mão dela e depois para aquele sorriso confiante. Eu já sabia que estava entrando em um jogo perigoso.
Mesmo assim, segurei sua mão.
— Aceito.
Júlia colocou os pés no meu colo e falou:
— Pode começar.
Ao retirar o primeiro All Star, senti um leve aroma vindo de seus pés. Não era um cheiro forte ou desagradável; era algo natural, uma lembrança discreta do dia que ela havia passado andando pelo campus.
Eles estavam bem cuidados, como sempre. As unhas, recém-pintadas de um roxo profundo, destacavam-se contra a pele clara.
Naquele momento, ficou evidente que Júlia havia planejado aquele jogo desde o início. Mesmo assim, não desisti. Continuei concentrado no meu objetivo, dando tudo de mim para fazer uma massagem perfeita.
Entrei em uma espécie de transe quase sagrado, tentando me controlar enquanto massageava seus pés. Fechei os olhos e tentei imaginar qualquer outra cena, qualquer coisa que não fosse o que estava acontecendo sob minhas mãos.
Por alguns instantes, achei que conseguiria. Minha respiração se estabilizou, meus movimentos ficaram mais firmes e eu quase acreditei que retomara o controle.
Foi então que Júlia moveu levemente os dedos sob minhas mãos.
Abri os olhos no mesmo instante.
Ela me observava com uma expressão divertida, como se tivesse percebido exatamente o esforço que eu estava fazendo.
— Você está se esforçando bastante, Roma.
Não consegui responder. Apenas continuei a massagem, tentando manter a concentração.
Júlia deixou o silêncio se prolongar por mais alguns segundos. Então, com um sorriso provocador, disse:
— Pode beijá-los, se quiser.
Todo o meu autocontrole desmoronou. A ereção que eu vinha tentando controlar tornou-se impossível de esconder. Eu soube imediatamente que havia perdido o desafio.
Restava apenas fazer aquilo que meu desejo mais queria.
Abaixei a cabeça devagar e beijei aqueles pés maravilhosos, sentindo Júlia observar cada movimento meu.
Júlia calçou novamente os All Stars e se levantou com um sorriso de quem acabara de conquistar o mundo.
Eu ainda tentava entender tudo o que havia acontecido quando ela se virou para sair.
— Até mais tarde, *little slave*.
Ela saiu com aquele sorriso quase inocente, como se não tivesse acabado de virar meu mundo de cabeça para baixo.
Estava claro que Júlia havia levado a provocação a outro nível. Mais claro ainda era o fato de que, contra todas as minhas expectativas, eu estava gostando cada vez mais daquele jogo.
O fato de eu não ter me sentido incomodado com aquilo me deixou ainda mais confuso. No fim, nem consegui voltar para o restante das aulas.
O que antes não seria nem uma possibilidade começou a se transformar em uma ideia real. Eu nunca havia imaginado ser chamado de escravo por alguém, mas, quando vinha de Júlia, aquilo não parecia ser errado.
Eu nunca fui puritano, mas também jamais havia me aventurado pelo mundo do BDSM. Ainda assim, a ideia de ficar de joelhos e aceitar qualquer ordem com o objetivo de agradar uma deusa começou a surgir em minha mente.
E, pior, aquilo que antes parecia impensável estava se tornando cada vez mais real e palpável.
A cada hora que passava, minha imaginação mergulhava um pouco mais fundo. Eu me perguntava até onde Júlia poderia me levar — e até onde eu estaria disposto a acompanhá-la.
Quando percebi, já era hora de pegar o ônibus.
Ao chegar ao ponto, percebi que Júlia era a única pessoa ali. Estava sentada sozinha, esperando o ônibus.
— Olá, Júlia. Sobre o que aconteceu hoje mais cedo…
— Oi, Roma. Antes disso…
Ela ergueu levemente a ponta do All Star, fazendo uma referência bastante óbvia ao que havia acontecido no anfiteatro.
Senti meu rosto esquentar. Olhei rapidamente ao redor e, ao perceber que ninguém parecia prestar atenção, abaixei-me e beijei a ponta do tênis.
Quando me levantei, encontrei o sorriso satisfeito de Júlia.
— Você está falando sobre ser meu escravinho? — perguntou ela. — Ou prefere ser apenas o meu massagista particular?
Fiquei sem saber como responder.
Júlia baixou os olhos por um instante, observando a reação que eu tentava esconder.
— Bom… acho que essa reação já diz muita coisa, não acha?
Eu não consegui dizer nada. Júlia parecia ter encontrado uma resposta antes mesmo que eu pudesse formular qualquer palavra.
— Mas o que ser seu escravo significa? — perguntei, mais para dentro do que para fora.
— Significa que você vai fazer tudo o que eu mandar e quando eu mandar.
— Você não acha que está exagerando?
Diante daquela proposta, meus pensamentos ficaram ainda mais confusos. Para o bem ou para o mal, a influência de Júlia sobre mim já era maior do que eu imaginava.
—Goze no meu pé
As palavras delas me tiraram dos meus pensamentos, ela nesses segundos já havia tirado o allstar do pé direito e estendeu em minha direção.
Tal oferta vinha com a aceitação de que uma vez que eu tome nunca mais vai ter retorno, estávamos no meio da rua, só Deus sabe quando vai passar alguém ou o ônibus vai chegar.
Olhando oque a beleza que acabou de dizer, com aquele pé que a muito tinha sonhado e cobiçado, resolvi apenas deixar o meu corpo seguir o seu desejo oque seria daqui para frente se tornou apenas algo sem importância diante de tanto desejo.
Fiquei de joelhos e segurei o pé dela com a mão esquerda e comecei a me masturbar, sem olhar para cima claro.
— Ohh é maior do que eu esperava kk, deve ter oque uns 17,18cm?
A vergonha aumentou mais ainda "17" respondi, enquanto ela colocava o pé na minha boca.
Percebendo que eu não ia aguentar muito mais ela retirou e colocou a ponta dos dedos nas minhas bola.
—Vai escravo goza para mim.
Eu gozei, gozei de uma maneira que eu nunca havia gozado.
Com o pé cheio de porra ela calçou o allstar.
—Bom garoto, agora levanta que o ônibus esta vindo.
Quando o ônibus chegou, Júlia agiu com naturalidade, como se nada de diferente tivesse acontecido.
Sentamos juntos, mas eu não tive coragem de olhar diretamente para os olhos dela. Passei o restante da viagem tentando compreender o que havia acontecido e quais poderiam ser as consequências.
Antes de descer, Júlia se inclinou na minha direção.
— Amanhã eu trago o contrato.
— Que contrato?
Ela me olhou como se a pergunta fosse absurda.
— Não seja bobo. O seu contrato de escravo, é claro.
Antes de sair, Júlia ainda tirou os dois All Stars e os entregou para mim.
— Você vai limpá-los direitinho. Considere isso um bônus por ter virado meu escravinho.
Então ela saiu, deixando-me sozinho no ônibus com os tênis nas mãos e a cabeça cheia de pensamentos.
Júlia desapareceu pela calçada com aquele sorriso inocente, como se nada do que havia acontecido naquele dia tivesse existido.
Mas eu sabia que tinha existido.
E, pela primeira vez, comecei a me perguntar se realmente queria que aquilo terminasse.