Dio
Olhar eles de longe era uma tortura, para mim que tinha passado a vida sob a luz que emanava de Sam e Eric estar agora relegado a escuridão tendo que observar eles de longe era um castigo.
A maior parte do dia eu tinha conseguido evitar os dois, nem era difícil saber onde os estavam, era só procurar a maior aglomeração de pessoas nos pátios, andando pelos corredores, eram com certeza pessoas gravitando ao redor deles, eu estava sentado em uma das mesas do pátio externo quando o grupo de Sam parou próximo de mim. Sam estava de regata branca hoje, era raro ele usar regatas e mais raro ainda ele usar roupas brancas, ele estava encostado em uma das mesas, quase sentado sobre ela, uma mão no bolso e outra segurando alguns livros, as veias como cabos descendo pelos braços, desenhando os bíceps, passando pelo antebraço grosso e peludo e enraizando nas costas das mãos em inúmeras veias destacadas. Como eu sentia falta de passar minhas mãos pelo braço dele, entrelaçar nossos dedos, era algo tão trivial, é muito estranho a sensação de perder acesso a esse tipo de intimidade.
A regata estava lutando por sua vida tentando conter o peitoral dele, se agarrando ao tríceps alto e toda vez que ele falava ou sorria o pescoço explodia em músculos e veias também, Eric zoava ele dizendo que seu pescoço era mais expressivo que sua cara, a verdade é que a gente sabia quando ele estava relaxado, tenso ou com raiva primeiro por causa do pescoço realmente. Os cabelos negros alto em cima e curto dos lados estava bem cuidado, mas a barba cheia denunciava algum tempo de mal cuidado, mas até isso adicionava ao charme dele.
Enquanto Eric era perfeição encarnada, Samuel era lindo devido a diversas imperfeições que somadas criavam uma imagem perfeita, o nariz meio torto quebrado em duas partes, as linhas do rosto acima da boca, uma fina linha de olheira debaixo dos olhos azuis, a sobrancelha destacada e grossa, mais arqueada nas bordas, do tipo que te dão uma aparência eterna de que você está com raiva somado a testa franzida com linhas profundas de concentração, toda essa descrição parece ser de uma pessoa nada bonita, mas se Sam olhasse em sua direção vc ia esquecer de respirar, o olhar dele ia te capturar, ele sorriu mostrando os dentes brancos e os caninos pronunciados e minha cabeça tinha dificuldades em associar aquela pessoa a alguém que tivesse me violado todas as noites no último ano, nada disso batia com o Sam que eu conhecia. O silêncio dele quando eu pedi explicação ainda me assombrava, se o doutor estava certo ele e Eric provocaram isso em mim, o afloramento dessa síndrome. Eu não acreditava que Sam, aquele mesmo Sam rindo com seus amigos tinha depositado em mim seu esperma toda noite enquanto eu dormia. Minha confirmação foi uma súbita dor no abdômen seguida de uma descarga de fluidos me lembrou de minha condição, eu não era normal, eu nunca mais seria normal. As dores só pioraram porque eu me recusava a usar o objeto que o doutor me deu, parecia errado, em todos os sentidos. Eu suspirei e afundei o rosto nas palmas das mãos, rezando para que todo o barulho ao meu redor desaparecesse. Todo mundo seguindo sua vida normalmente como se minha vida não tivesse acabado, como se eu não fosse uma abominação ali no meio do pátio da escola.
Quando eu levantei a cabeça, Sam estava olhando pra mim, os olhos azuis elétricos me escrutinando, tentando entender o que havia de errado comigo. Ele se virou em minha direção e alguns amigos dele o contiveram segurando no seu braço, o contato visual foi encerrado quando ele olhou para quem o estava segurando e eu aproveitei que o feitiço foi quebrado e jogando a mochila nas costas saí dali, precisa ir no banheiro antes que algo escorresse pelas minhas pernas. Me fechei no box e peguei uns lenços umedecidos na mochila.
A porta do banheiro bateu com força (trancando?!) e ouvi passos em direção ao box onde estava, a porta abriu e Sam entrou fechando a porta e bloqueando ela com as costas. Ficamos em silêncio parados nos encarando, ele parecia furioso, as narinas infladas, o pescoço tenso, cada veia dos braços, pescoço pulsando. Eu vi aquela expressão inúmeras vezes quando estava na torcida dos campeonatos de luta dele, a diferença é que eu nunca havia sido o alvo dessa fúria.
Ele não me bateria, Sam não seria capaz disso… mas eu também jamais imaginaria que ele pudesse me estuprar, mas ele tinha feito isso, não tinha?
Ele estava com raiva por causa dessa situação? Por ter sido acusado de abuso? Por ter sido expulso de casa? Se fosse ele estava ali para me reduzir a uma pilha de ossos quebrados, seria a primeira vez na vida que ele ia me bater, seria a primeira vez que um de nós três ia entrar em embate físico um com o outro em toda nossa vida. Porque mesmo isso nunca aconteceu antes? Eu sempre pedia desculpas e tentava apaziguar a situação, talvez isso tenha feito um contraponto entre as três crianças, talvez isso tenha também alimentado o lado controlador e dominante de Eric e Sam? Dado a eles a certeza que podiam controlar minha vida.
Sam olhou o lenço na minha mão e respirou fundo, como se estivesse farejando o ar.
‘Quanto tempo desde a última vez?’ Ele definitivamente estava furioso, mas esse é um jogo pra dois e se alguém tinha o direito de estar com raiva aqui esse alguém era eu.
‘Você foi a última vez!’ eu respondi de volta em tom acusatório, mas não teve a reação que eu esperava pois um breve sorriso apareceu no seu rosto, o suficiente para me desarmar, mas o sorriso foi substituído por uma expressão séria e preocupada
‘E o objeto.. aquele negócio?’ ele tinha nojo do pequeno vibrador tanto quanto eu…
‘Eu me recuso a usar aquilo’ sua expressão estava fechada por baixo da barba.
‘Você não deveria usar mesmo’ então com os olhos fixados em mim ele abaixou a calça ‘Você não precisa daquilo’ Sam estava sem cueca e o seu pênis massivo pulou para fora, no espaço diminuto em que estávamos ele quase me atingiu nos peitos, ele pulsou umas três vezes e parou apontando para mim, eu estava hipnotizado, a cabeça grande e vermelha parecia me encarar, a uretra grande escorria a baba profusamente em uma fina linha transparente quase conectando ao chão, o tronco dele era como o próprio Sam, musculoso e com veias azuis destacadas contra a pele pálida do membro, eu acho que nunca olhei para um pau e imaginei ele sendo musculoso, mas ali estava um definitivamente assim. a base era mais grossa que o corpo e era cercada por pelos fartos, Sam não acreditava em depilar ou aparar os pelos dessa região. Eu não acreditava que aquilo tinha estado dentro de mim toda noite no último ano, era impossível eu receber aquela monstruosidade sem morrer, aquela coisa era maior que meu braço, mas ainda assim eu estava contendo com todas as minhas forças o impulso de estender minha mão e tocar ele.
‘Vira’ veio o comando seco.
‘Sam..’ mas antes que eu pudesse argumentar eu fui erguido e girado no ar, meu peito pressionado contra a parede gelada, as mãos de Sam terminaram de baixar minhas calças até o chão antes de se entrelaçam nas minhas, me prendendo contra a parede, eu senti a cabeça quente sendo empurrada contra minha bunda, penetrando o vale e até encostar no meu anel enquanto Sam soltava um gemido profundo. Eu me preparei para ser penetrado de verdade, eu não via como eu ia aguentar aquilo sem ser rasgado ao meio. Mas a penetração não veio, ele deixou apenas encostado ao meu anel, ambos pulsando no ritmo das batidas dos nossos corações, então ele abaixou a cabeça encostando sua boca no meu ouvido.
‘Você está molhado’ Minha pele arrepiou toda.
‘Você fez isso comigo’ eu falei em tom baixo, indignado.
Então senti seus dentes no lóbulo do meu ouvido, mordendo fraco.
‘Todo mundo quer que eu te peça desculpas’ ele disse entre os dentes ‘Mas para pedir desculpas você tem que ter feito algo errado e o problema é..’ e então eu percebi que eu estava pulsando ao redor da cabeça o seu pau, quase como se tivesse sugando ele para dentro, meus quadris se moviam tentando sentir mais dele dentro de mim, mas os quadris do Sam se moviam com os meus, evitando a penetração, como se fosse uma dança que ele tivesse dançado várias vezes antes.
‘Eu não me arrependi de nada ainda, eu faria tudo de novo se fosse preciso’
‘Sam?’ eu quase não reconheci minha voz, o meu tom de voz, quase implorando por algo que eu não sabia direito o que era.
‘Shhh’ Sam disse ‘Nossa primeira vez não vai ser em um banheiro sujo’
‘Primeira vez?’ eu estava praticamente delirando, jogando meu quadril para trás, o pulsar do meu anel contra a cabeça quente pressionando contra ele estava me deixando louco. A mão direita dele largou a minha e me agarrou pelo pescoço, forte, mas sem me sufocar, Sam gemeu mais forte e mais alto jogando a cabeça para trás ao mesmo tempo que eu senti o cabeção inchar, inchar o suficiente para abrir meu anel um pouquinho, uma abertura grande o suficiente para ele disparar sua carga, me fazer de depósito. eu gemi com ele e foi como se cada milímetro do meu canal fosse preenchido pela sua porra, como um balsamo que queimava mas ao mesmo tempo aliviava a dor, desatava os nos do musculo. Sam estava me preenchendo, meu melhor amigo, meu irmão, como se fosse o direito de nascença dele
Ele repousou a cabeça de novo no meu ombro, próximo ao meu ouvido, recuperando o fôlego, arfando forte. ‘Isso foi tudo que aconteceu até agora.’
Então a gente não chegou a…
‘Você pode fugir o quanto quiser, mas da próxima vez que eu gozar vou estar tão fundo em você que tu vai sentir o gosto na garganta!’ Como se para selar a ameaça a cabeça ainda pressionada contra meu anel inchou e disparou um último jato dentro de mim enquanto Sam mordia minha nuca. Eu não consegui conter mais um gemido fino, eu me senti vulnerável em níveis que eu não tinha experimentado até então, meu corpo estava totalmente aberto e receptivo a Samuel, em todos os níveis possíveis.
Em silêncio ele relutantemente se desconectou de mim, subiu minhas calças enquanto eu tentava me orientar novamente, vestiu as próprias calças e antes de sair já de costas me disse ‘Leva o tempo que precisar, mas não demora muito, tudo isso está sendo uma tortura para nós três…’
Então ele saiu, eu ainda ouvi a ordem antes da porta do banheiro bater novamente. ‘E joga aquela porcaria fora!’
Eu fiquei jogado contra a parede, recuperando meu fôlego, a dor e as câimbras tinham sumido, eu estava até raciocinando melhor agora, pelo resto do dia eu não escorri entre as pernas, o que era uma surpresa considerando a quantidade de porra que Sam depositou em mim.
O dia seguinte foi quase a mesma rotina, mas quando eu estava andando pelas estantes da biblioteca eu fui puxado pelo braço, jogado contra as estantes e antes que eu pudesse protestar uma língua invadiu minha boca, eu fechei os olhos e gemi, sem precisar olhar eu sabia quem era, ele passou os braços pela minha cintura e me levantou do chão, para me sustentar eu segurei nos seus ombros e passei minha perna ao redor da sua cintura enquanto chupava a língua do Eric.
Aquele formigamento, aquela sensação de euforia, eu sabia o que era agora, Eric tinha a síndrome cavalar e ela ressoava com a minha, ele estava injetando os feromônios dele em mim, e uma bomba de hormônios, como o médico disse. Eu segurei no seu peito e o empurrei. ‘Você sabia!’
O sacana teve a cara de pau de rir da minha cara. ‘O Sam te deu a dose de ontem?’ Eu arregalei os olhos, ele sabia? ‘Nós conversamos, eu e ele, a gente concordou em não esconder nada um do outro a partir de hoje, é a única maneira de fazer isso tudo dar certo.’
‘Isso tudo?’ Enquanto conversávamos ele explorava meu corpo com as mãos, ele nunca tinha feito isso antes.
‘Você ouviu o doutor, a gente se completa…’ Suas mãos grandes e ásperas estavam me deixando louco, ele estava em todos os lugares ao mesmo tempo. ‘Ele disse que tem gente vindo, que logo vão tentar te levar embora’ Eu olhei nos olhos dele, por trás do brilho de malandragem que ele sempre carregava tinha também apreensão, urgência, e era genuíno.
‘Ninguém está vindo, eu não vou pra lugar nenhum longe de voc.. de casa.’ Suas mãos nesse ponto tinham entrado na minha calça e ele tocou meu anel, sentindo o lubrificante que nesse ponto já havia ensopado e arruinado ela. eu gemi e ele encostou a boca no meu ouvido.
‘Quase lá, logo você vai estar no ponto’ então ele olhou nos meus olhos com o sorriso safado enquanto uma das mãos enfiou dentro das próprias calças, no volume obsceno que tinha se formado, logo ele colocou a mesma mão na frente do meu rosto, ela estava melada, ele estava acariciando a cabeça do próprio pau, o cheiro me atingiu como uma porrada, mas ele não forçou o dedo na minha boca, ele segurou parado na frente do meu rosto como uma oferenda, quando olhei nos olhos dele e ele fez um gesto sutil com a cabeça eu entendi que ele queria essa entrega, ele queria um gesto meu. Sem quebrar o contato visual eu segurei firme no pulso dele e coloquei um dos seus dedos na boca, nós dois quase reviramos os olhos com o contato. ‘Eu não vou correr riscos Dio, quando chegar a hora de escolher eu quero você viciado em nós’
E então sua boca procurou a minha de novo em um beijo forte, disposto a me subjugar, enquanto isso eu senti meus pés tocarem o chão e ele ir me soltando, quando ele descolou nossas bocas colocou a mão no meu ombro e fez pressão até eu estar de joelhos na sua frente. Eric desceu as calças ali, no meio da biblioteca, arriscando sermos pegos a qualquer minuto, eu olhei ao redor assustado.
‘Não, não ,não, pode ficar tranquilo, você só precisa se preocupar com isso daqui a partir de hoje…’ a cabeça do pau dele passou pelos meus lábios, imediatamente a baba dele melou meus lábios e escorreu pelo meu queixo, eu queria dizer que resisti mais, que eu tentei manter algum tipo de dignidade, mas assim que eu senti ela encostando em mim eu abri e engoli ela, só parei quando a cabeçona estava totalmente me preenchendo, só ela já tocando na abertura da minha garganta. ‘Ah puta que pariu! Você é perfeito.’
Enquanto eu trabalhava na ponta do seu pau, incentivando ele a produzir mais néctar enquanto trabalhava no resto do seu enorme membro com as mãos Eric gemia baixinho olhando para baixo.
‘Olha pra mim, não desvia o olhar. Você gosta disso, não é? É como uma droga pra você né? Porra, só de pensar em você viciado em mim já me deixa no ponto.’ Ele agarrou meus cabelos e me prendeu no lugar, como se quisesse evitar que eu fugisse. Mesmo com os breves encontros que tivemos eu percebi que tanto Eric quanto Sam tinham um crescendo durante o sexo, eles iam ficando cada vez mais intensos que refletiam a personalidade de cada um: Sam ia ficando mais concentrado, mais focado enquanto Eric ia ficando mais dominante, mais controlador.
‘Abre essa garganta, toma tudo, não desperdiça nada!’ eu estava na frente do palco para o grande show, eu participei de cada segundo do seu orgasmo, desde as bolas enormes contraindo e pulsando, como se tivessem pulando dentro do saco, até o membro dele tremendo com o esforço, como você espera que a terra trema quando um gêiser está prestes a detonar e minhas mãos que não pararam de masturbar ele por um segundo sequer sentiram a viagem que sua porra fez ao longo do grosso tubo de carne, até explodir em minha boca, que nesse ponto tinha sido empurrado o suficiente para se alojar na entrada da minha garganta. Assim como Sam que no dia anterior tinha entalado na entrada do meu anel e depositou tudo lá dentro, Eric fez a mesma coisa com minha garganta, sem me dar muita chance de sentir o sabor ou escapar, nada foi desperdiçado enquanto ele tremia e gemia contido, mordendo as costas da mão.
Após se recuperar ele colocou o pau de volta dentro da calça e me levantou da minha posição, me beijando mais uma vez, dessa maneira de forma mais tenra.
‘Obrigado, você está bem? Eu te machuquei?’ disse ele ajeitando minha roupa, quase sem voz ainda eu balancei a cabeça confirmando que estava bem, Eric me deu um último beijo ‘Queria ficar, mas tenho que ir. Vem comigo?’ Eu abaixei a cabeça e neguei, eu ainda não tinha colocado nada no lugar, e o espaço que eu tinha pedido era praticamente inexistente. ‘Tá, eu entendo, você tá livre, por enquanto. Mas eu tô de olho.’ Mais um beijo e uma mordida no meu lábio e ele saiu, pelas frestas dos livros na estante eu vi ele se esgueirando pelas estantes, pouco mais a frente Sam se juntou a ele. Sam estava de guarda? Por isso não fomos flagrados por ninguém? Será se ontem Eric estava de guarda na porta do banheiro também?
O mais difícil foi ficar cruzando com Eric no corredor pelo resto do dia, ele estava sempre olhando pra mim com aquele sorriso de gato que comeu o rato. Enquanto Sam estava com a cara cada vez mais fechada.
Já no fim do período das aulas eu estava na janela do segundo andar, esperando o movimento diminuir pra eu sair, ir andando pra casa do meu tio, quando vi o Tio Gabriel estacionar na frente da escola e descer. Ele me viu na janela e acenou, eu acenei de volta, em seguida Sam se aproximou dele de costas pra mim. Eu não consegui ouvir o que conversavam, mas após algum tempo, para meu alívio eles se abraçaram, Sam e Eric entraram no carro com ele e foram embora, tudo estava bem, eu podia ficar um pouco mais tranquilo agora.
