A gente saiu só pra comprar vinho antes da chuva apertar de vez. Voltou pra casa três horas depois, com o vinho intacto na sacola e uma história completamente diferente pra contar. Prazer, somos o Casal Apimentados. Quem escreve sou eu, a Lúcia. Nomes fictícios, por motivos que qualquer casal liberal entende.
Eu: 1,72 de altura, loira natural, olhos verdes, seios fartos e umas coxas grossas que o meu marido adora. Quarenta e três anos, com uma bunda grande e durinha que enlouquece qualquer homem.
Ele, Jorge: negro, 1,85, corpo forte sem ser musculoso, com um pauzão de 22 centímetros que me satisfaz toda noite. Hetero assumido, não é corno e adora me ver gozando.
Sete de setembro caiu numa segunda, feriado prolongado, e a previsão inteira era de chuva sem trégua.
No sábado à tarde, entre um episódio de série e outro, o Jorge percebeu que a gente tinha ficado sem vinho, e como a chuva tinha dado uma trégua rápida, a gente decidiu correr até o mercado antes que apertasse de novo.
Saímos de casaco, sem guarda-chuva porque o céu parecia ter aberto de verdade, e chegamos ao mercado tranquilos.
O problema foi na volta.
A chuva que tinha dado trégua voltou com uma força absurda, do nada, um daqueles temporais rápidos e violentos que São Paulo produz de vez em quando, com o céu ficando escuro em cinco minutos e a água descendo tão forte que dava pra ouvir o barulho antes de sentir a primeira gota.
A gente correu pra debaixo da marquise do prédio comercial na esquina de casa, um daqueles edifícios antigos com entrada ampla e um pequeno recuo coberto, e ficamos ali, encharcados até os joelhos só nesses trinta segundos de corrida, rindo da situação.
E não estávamos sozinhos.
Tinha uma mulher já parada ali, encostada na parede, também pega de surpresa pela chuva, com uma bicicleta ao lado e uma mochila de entregadora pendurada no ombro.
Ela era negra, deveria ter uns trinta anos, alta, magra mas com braço definido de quem pedala o dia inteiro, com um boné encharcado grudado na cabeça e um sorriso resignado, do tipo que só quem trabalha na rua desenvolve com o tempo. Uma morena deliciosa, com seios pequenos e firmes que transpareciam pela blusa encharcada, e uma bunda que me deu vontade de morder logo de primeira.
— Boa tarde — ela falou, tirando o boné e torcendo um pouco a água. — Essa chuva não avisou, hein.
— Nem um pouco — o Jorge respondeu, rindo, sacudindo o próprio casaco.
A gente ficou ali os três, encostados na mesma marquise apertada, vendo a chuva cair com uma força de filme catástrofe, aquele tipo de temporal que faz até carro parar no meio da rua.
Ela se chamava Aline, e contou que estava terminando o último pedido do turno quando a chuva pegou ela no meio do caminho.
A conversa foi fluindo natural, do jeito que conversa entre estranhos flui quando todo mundo está preso no mesmo lugar sem alternativa.
Ela contou que fazia entrega havia dois anos, desde que trancou a faculdade pra trabalhar, e que preferia a liberdade da bicicleta apesar do cansaço. Eu comentei sobre o tempo, sobre o feriado estragado, sobre a praia que a gente tinha cancelado.
E, entre uma piada e outra sobre a chuva teimosa que não dava sinal de trégua, o clima foi ficando diferente, sem eu conseguir dizer exatamente o momento em que isso aconteceu.
Talvez tenha sido o jeito que ela riu de alguma coisa que eu falei, com aquele brilho no olhar que eu conheço bem.
Talvez tenha sido a proximidade forçada daquele espaço pequeno, com os três quase encostados um no outro pra caber debaixo da parte mais seca da marquise.
Mas, em algum momento, aquilo deixou de ser só três pessoas esperando a chuva passar.
Eu percebi primeiro, dessa vez.
Comentei, olhando pra Aline, meio de brincadeira, meio sério:
— Você trabalha demais nessa chuva toda. Merecia uma pausa boa.
Ela riu, sem entender direito o peso daquela frase.
— Merecia mesmo. Mas trabalho é trabalho.
E eu, do jeito mais direto que consegui juntar coragem pra ser, completei:
— A gente mora bem ali na esquina. Se quiser esperar a chuva passar dentro de casa, em vez de nessa marquise, você é bem-vinda.
Ela olhou pra gente, meio desconfiada, meio curiosa, avaliando a situação por alguns segundos.
— Sério?
— Sério — o Jorge confirmou, com aquele sorriso tranquilo dele.
Ela hesitou mais um pouco, olhou pra chuva que não dava sinal nenhum de melhora, e por fim riu.
— Vou aceitar antes que vocês desistam do convite.
Chegamos em casa completamente encharcadas, os três rindo da situação, deixando a bicicleta dela guardada no corredor da entrada, pingando um rastro de água pelo caminho todo.
O Jorge ofereceu uma toalha, e o clima na sala, enquanto a gente se secava, ficou eletrizado de um jeito que eu não vou fingir que não senti.
Foi a própria Aline quem, secando o cabelo com a toalha, comentou, olhando entre nós dois:
— Vocês são um casal muito gente boa. Não é qualquer um que convida uma entregadora encharcada pra dentro de casa assim, do nada.
— A gente não é qualquer casal — eu respondi, sorrindo.
Ela pareceu captar o duplo sentido, mas não teve certeza, e ficou ali um segundo, testando o terreno com o olhar.
Eu resolvi facilitar.
— A gente é liberal. Se você ficar desconfortável com isso a qualquer momento, é só falar, e você fica aqui só esperando a chuva passar, sem nenhum problema.
Ela ficou em silêncio por um instante que pareceu mais longo do que realmente foi, processando a informação, olhando pra mim, depois pro Jorge, depois de volta pra mim.
E aí ela riu, um riso nervoso e animado ao mesmo tempo.
— Gente, eu não sei nem o que dizer. Isso nunca aconteceu comigo.
— Não precisa dizer nada agora — o Jorge falou. — Fica à vontade, seca essa roupa, toma um café, e a gente vê o que rola.
A gente tomou café na cozinha, as três sentadas na mesa, e a conversa continuou fluindo, agora com aquela tensão nova no ar, mas ainda leve, ainda sem pressa nenhuma.
A Aline contou mais da vida dela, do sonho de voltar pra faculdade um dia, das pernas doloridas depois de um dia inteiro pedalando. E eu percebi, enquanto ela falava, olhando pra mim de vez em quando com aquele misto de incredulidade e desejo, que ela estava mesmo interessada, e não só na proposta, mas em mim especificamente.
Foi ela quem, depois do café, quebrou o silêncio que se instalou.
— Posso ser sincera?
— Pode — eu falei.
— Desde que eu vi vocês dois correndo pra debaixo daquela marquise, eu fiquei olhando pra você.
— Eu percebi — eu respondi, sorrindo.
Ela olhou pro Jorge, ainda meio insegura sobre os limites daquela situação estranha.
— E ele não tem problema com isso?
O Jorge riu.
— Eu que trouxe você pra dentro de casa.
Fomos pro quarto ainda com a chuva batendo forte na janela, um som que continuou nos acompanhando o resto da tarde.
A Aline, apesar do nervosismo inicial, se revelou surpreendentemente segura assim que a decisão foi tomada, com um jeito direto de agir que combinava com a energia de quem trabalha o dia inteiro na correria da rua.
Ela tirou a minha blusa com pressa contida, beijando meu pescoço com uma urgência que tinha ficado guardada desde a marquise, e eu senti naquele beijo toda a tensão acumulada dos últimos vinte minutos, o clima que foi crescendo devagar até explodir de vez.
Ela me deitou naquela cama e desceu por mim sem enrolação, com uma energia diferente de qualquer outra pessoa que já tinha passado por ali, e ainda assim com todo o cuidado do mundo, sem nenhuma parte apressada de verdade. Aline me olhou com olhos de fome antes de descer e me devorar. Ela abriu minhas pernas com força, e sem mais delongas, mergulhou com a boca na minha xereca já molhada de tesão. "Caralho, que gosto delicioso", ela murmurou contra meu clitóris, e eu só consegui arquejar e enterrar as mãos no seu cabelo. Ela chupava, mordiscava e metia a língua dentro de mim com uma fome que me deixou louca. Enquanto ela me comia toda, Jorge tirou a roupa e seu pau já estava duro, latejando. Ele ficou de cócoras ao lado da minha cabeça e eu, sem pensar duas vezes, virei o rosto e engoli aquela rola gostosa. Chupava Jorge com vontade enquanto Aline me devorava, um trio perfeito de bocas e corpos. Eu gozei rápido, surpresa com a própria intensidade, agarrando o lençol e ouvindo a chuva lá fora se misturar com a minha respiração ofegante.
O Jorge se juntou depois, e ele e eu nos revezamos com ela com aquela química que só acontece quando ninguém está competindo com ninguém, rindo de vez em quando, comentando besteira sobre a coincidência daquele feriado inteiro. Foi a minha vez de retribuir o favor. Deitei a Aline de costas e espalhei as pernas dela, revelando uma buceta lisa e rosada, já brilhando de excitada. "Sua vez, gata", eu sussurrei antes de mergulhar nela. O gosto era diferente do meu, mais adocicado. Enquanto eu a lambia de ponta a ponta, Jorge se posicionou atrás de mim. Senti a cabeça do pau dele na entrada do meu cu e ele não esperou. "Ahhh, porra!", eu gritei contra a buceta da Aline quando Jorge enterrou tudo de uma vez, começando a foder meu rabo com força, estava me levando ao limite.
Em determinado momento, o Jorge ficou atrás de mim, e a Aline na minha frente, e eu fiquei ali, entre os dois, ouvindo a chuva forte contra a janela, sentindo o calor dos dois corpos contra o meu, numa sensação estranha de proteção, como se aquele temporal lá fora estivesse selando aquele momento dentro de casa. Aline virou e pediu: "Vem, Jorge. Come a minha buceta enquanto sua mulher te chupa." Ele obedeceu de bom grado, e eu vi meu marido, o homem da minha vida, enterrado até os ovos naquela entregadora enquanto eu chupava os sacos dele. Aline gozou na minha boca, gritando alto, e Jorge, vendo aquela cena, não aguentou. Ele tirou o pau da buceta dela e veio em cima de mim, esguichando porra quente na minha boca, no meu rosto e nos meus seios. "Safada!", ele gemeu, e eu sorri, lambendo tudo.
Eu gozei de novo, com a testa apoiada no ombro da Aline, olhando pra cara dela, e depois procurando o Jorge com o olho, do jeito que sempre faço. E ele estava olhando pra mim, como sempre está.
Ainda não tínhamos acabado. Aline, toda pegajosa, pediu pra ver a gente transar. "Quero ver como vocês se fodem", ela disse. Deitamos no meio da cama e Jorge entrou em mim, sem camisinha, como sempre fazemos. Ele me comeu com força, enquanto Aline assistia, passando as mãos pelos nossos corpos, beijando nossos pescoços, beliscando meus seios. "Que foda, vocês são incríveis", ela dizia. Jorge me comeu em várias posições, de quatro, comigo por cima, até que ele não aguentou mais e encheu minha buceta de porra. Aline, então, se aproximou e começou a lamber o esperma escorrendo de mim, e eu senti outro orgasmo me tomando inteira.
Terminamos a tarde os três naquela cama, suados, ouvindo a chuva ainda caindo lá fora, sem pressa nenhuma de se levantar.
A Aline, deitada de costas, olhando pro teto, comentou baixinho:
— Isso foi surreal.
— Foi mesmo — eu concordei, rindo.
— Eu vim buscar abrigo da chuva.
— E achou outra coisa.
Ela riu alto, um riso genuíno, e ficamos ali um tempo bom, até a chuva finalmente dar sinal de trégua lá pelas seis da tarde.
Ela se vestiu, ainda meio incrédula com a própria tarde, e na porta, já com a bicicleta em mãos, virou pra gente e falou:
— Vocês têm meu número agora. Se um dia rolar chuva de novo...
— A gente liga — eu respondi, rindo.
Ela pedalou embora com o sol já tentando furar as nuvens, e a gente ficou na porta vendo ela sumir na esquina.
— Você acredita nisso? — o Jorge perguntou, fechando a porta.
— Não muito, não.
— A gente saiu só pra comprar vinho.
— E o vinho continua lacrado.
A gente abriu aquela garrafa mais tarde, já de noite, sentados na cozinha, rindo da história inteira, do jeito absurdo como um feriado planejado pra praia tinha virado um feriado chuvoso em casa e, no meio dele, um encontro que nenhum dos dois esperava.
E, desde então, sempre que a chuva forte pega a gente de surpresa, o Jorge olha pra mim com aquele sorriso e fala:
— Quem sabe encontra alguém de novo debaixo da marquise?
E eu rio, porque sei que ele está brincando, mas também sei que, se acontecer de novo, a gente provavelmente vai abrir a porta outra vez.
Se você chegou até aqui, obrigada por ler. A gente escreve essas histórias do jeito que elas aconteceram, sem inventar muito, e é sempre bom saber que tem gente do outro lado. Se curtiu, segue a gente, deixa um comentário contando o que achou e dá uma olhada nos nossos outros contos, tem bastante coisa por lá.
Casal Apimentados
