1. O perfil que sempre voltava
Rafael não saberia dizer quando começou a procurar Maya no Instagram. Talvez tivesse sido depois de vê-la marcada numa fotografia de amigos, talvez por causa de uma camiseta do Iron Maiden que ela usava numa publicação. Ela tinha vinte e cinco anos, estudava Educação Física e parecia equilibrar disciplina e espontaneidade com uma facilidade irritante.
Seu perfil não tinha uma estética exageradamente alternativa. Maya aparecia com roupas esportivas, vestidos simples, jeans, camisetas de bandas e o cabelo quase sempre solto. Publicava treinos, momentos da faculdade, saídas com amigos, praias, bares e músicas que destoavam um pouco da aparência tranquila. Iron Maiden, AC/DC, Pearl Jam, Slipknot, Pantera e Def Leppard apareciam com frequência nos stories.
Rafael tinha trinta anos. Era arquiteto e urbanista, mas atravessava uma mudança profissional para a área de tecnologia. Entre projetos, códigos e cursos, mantinha espaço para o basquete, para discussões sobre cidades e para horas lendo sobre geopolítica. Não escondia sua antipatia pelos Estados Unidos, especialmente por sua política externa e pela influência exercida sobre outros países.
Gostava de acompanhar a NBA e reconhecia o talento absurdo dos jogadores norte-americanos, mas preferia infinitamente o basquete europeu. Para ele, o jogo europeu era mais estudado, coletivo e imprevisível, com maior variedade de jogadas, movimentações e sistemas defensivos. Rafael gostava de observar como cada equipe alterava suas marcações e construía espaço, quase como se analisasse o projeto de uma cidade.
Na primeira visita ao perfil de Maya, percorreu somente as publicações recentes. Na segunda, percebeu os livros e cadernos da faculdade espalhados ao fundo das fotografias. Na terceira, chegou a uma postagem antiga em que ela usava uma camisa do Pearl Jam numa quadra vazia.
Rafael fechou o aplicativo ao perceber que já havia descido longe demais. Durante alguns dias, evitou procurar o nome dela. Então Maya publicou um story com uma música do Pantera, reclamando do treino e dizendo que precisava sobreviver à aula do dia seguinte.
Ele escreveu uma resposta, apagou e tentou novamente: “Pantera depois do treino é motivação ou ameaça?”
Maya visualizou. Nenhuma resposta.
Rafael colocou o celular sobre a mesa e prometeu que não faria outra tentativa. A promessa durou menos que uma semana.
2. Stories vistos em silêncio
Depois da mensagem ignorada, Rafael parou de reagir a tudo. Assistia aos stories de Maya, mas evitava transformar cada publicação numa desculpa para aparecer. Ela mostrava trechos dos treinos, corredores da faculdade, livros de anatomia, partidas de vôlei e músicas tocando durante o caminho para casa.
Quanto mais observava, mais percebia que o interesse dela pela Educação Física não se limitava à academia. Maya falava sobre saúde pública, acesso ao esporte e a falta de espaços adequados nos bairros mais pobres. Criticava a ideia de que atividade física fosse apenas uma questão de disciplina individual, como se todas as pessoas tivessem tempo, dinheiro e segurança para treinar.
Numa noite, ela publicou uma quadra pública abandonada. O piso estava rachado, uma das traves não tinha rede e a iluminação parecia inexistente. Na legenda, escreveu: “Depois perguntam por que os jovens não praticam esporte.”
Rafael abriu a caixa de resposta. Dessa vez, não precisou inventar assunto. “Construir quadra rende fotografia de inauguração. Manutenção não rende voto.”
Maya respondeu poucos minutos depois: “Finalmente alguém entendeu.”
Ele comentou que, como arquiteto e urbanista, já tinha visto muitos projetos tratados como cenário político, sem planejamento para conservação ou uso real. Maya contou que aquele espaço ficava próximo de onde uma colega morava e que, mesmo abandonado, ainda recebia crianças todos os dias.
A conversa passou da quadra para o abandono dos espaços públicos, depois para desigualdade e políticas sociais. Maya ficou surpresa ao descobrir que Rafael acompanhava geopolítica. Ele explicou que gostava de entender como decisões tomadas longe dali influenciavam a economia, o trabalho e até a forma das cidades brasileiras.
Quando ele criticou a política externa dos Estados Unidos, Maya respondeu: “Pronto. Pelo menos nisso não vou precisar discutir com você.”
Rafael sorriu diante da tela. A conversa finalmente tinha encontrado uma porta entreaberta.
3. A primeira conversa de verdade
Rafael contou que tinha trinta anos e formação em Arquitetura e Urbanismo, mas estava migrando para tecnologia. Ainda gostava de cidades, projetos e planejamento, porém se interessava cada vez mais por programação, análise de sistemas e pela possibilidade de construir soluções que não dependessem de concreto.
Maya perguntou se ele não sentia que estava abandonando a profissão. Rafael respondeu que não via daquela forma. A arquitetura tinha ensinado a observar problemas, organizar necessidades e pensar em quem usaria aquilo que estava sendo criado. A tecnologia apenas mudava as ferramentas.
Ela contou que tinha vinte e cinco anos e estava cursando Educação Física. Gostava de treinar, mas não suportava os perfis que resumiam saúde a frases motivacionais e fotografias de corpos perfeitos. Queria trabalhar com pessoas reais, limitações reais e condições sociais diferentes.
A conversa avançou pela madrugada. Falaram sobre acesso ao esporte, urbanização, transporte público e a forma como certas políticas pareciam responsabilizar o indivíduo por problemas coletivos. Maya defendia que saúde e atividade física precisavam ser tratadas também como questões sociais. Rafael concordava e relacionava isso à falta de praças, calçadas adequadas, iluminação e segurança.
Em algum momento, ela perguntou por que ele não gostava dos Estados Unidos. Rafael respondeu que não tinha nada contra as pessoas, a música ou o basquete produzido no país. Sua antipatia era dirigida principalmente ao papel político e militar dos Estados Unidos no mundo.
“Então você assiste à NBA e reclama dos Estados Unidos ao mesmo tempo?”, ela perguntou.
“Com tranquilidade. Gosto do basquete americano, mas prefiro infinitamente o europeu.”
“Por quê?”
“Porque é mais estudado. Tem maior variação de jogadas, sistemas defensivos e tipos de marcação. Na NBA existe um talento individual absurdo, mas no basquete europeu sinto que cada posse exige mais leitura coletiva.”
“Você consegue transformar até basquete em análise política.”
“Uma enterrada bonita não apaga um golpe de Estado.”
Maya enviou um áudio rindo.
Depois contou que também acompanhava política e geopolítica, embora não tivesse a mesma paciência para textos longos. Preferia documentários, entrevistas e discussões.
Rafael respondeu que poderia indicar alguns materiais, desde que ela prometesse não abandonar tudo no segundo mapa.
“Depende. Você explica bem?”
“Melhor do que escolho camisa.”
“Isso ainda preciso verificar.”
Aquela foi a primeira conversa em que nenhum dos dois percebeu o horário passar.
4. Curtidas antigas e pequenas denúncias
Nos dias seguintes, Maya começou a enviar fotografias de praças, quadras e academias públicas. Perguntava o que Rafael mudaria em cada espaço. Ele observava circulação, iluminação, acessibilidade e segurança. Depois devolvia a pergunta, querendo saber como ela organizaria as atividades e quais equipamentos realmente seriam úteis.
Também trocavam músicas. Rafael conhecia algumas bandas de que ela gostava, mas Maya fazia questão de testar seus limites. Mandava Slipknot durante a manhã, Def Leppard à tarde e Pearl Jam quando queria conversar com mais calma.
Numa terça-feira, Rafael recebeu uma notificação inesperada. Maya havia curtido uma fotografia antiga dele numa quadra de basquete, vestindo a camisa de um time da NBA. Poucos segundos depois, a curtida desapareceu.
Ele conseguiu fazer uma captura de tela e enviou para ela: “Investigação profunda?”
Maya respondeu que o aplicativo havia escorregado.
“Seu dedo escorregou por quase cem publicações?”
Ela admitiu que tinha visitado o perfil. Disse que precisava descobrir se ele era um daqueles homens que publicavam frases sobre meritocracia, fotografias de carros alugados ou elogios a bilionários.
Rafael perguntou se havia passado no teste.
“Quase. A camisa de time americano complicou sua situação.”
“Eu gosto da NBA, mas prefiro infinitamente o basquete europeu. Mais movimentação, mais variação de jogadas e muito mais possibilidades defensivas.”
“Está tentando se justificar por causa de uma camisa?”
“Estou protegendo minha reputação basqueteira. E não assinei nenhum tratado de defesa com o Pentágono.”
Maya respondeu com uma sequência de risadas.
Mais tarde, ela enviou uma fotografia usando uma camiseta do AC/DC e perguntou se aquela escolha compensava a camisa dele. Rafael disse que compensava, mas que precisava verificar pessoalmente.
“Olha ele tentando marcar encontro.”
“Estou apenas realizando uma avaliação técnica.”
“Arquiteto metido com tecnologia é sempre assim?”
“Só quando a estudante de Educação Física curte foto antiga e tenta apagar as provas.”
Dessa vez, Maya curtiu novamente a fotografia e deixou a notificação ali.
5. A mensagem que quase morreu
A primeira conversa difícil surgiu por uma banalidade. Rafael fez uma piada quando Maya estava num dia ruim. Ela respondeu de forma seca e desapareceu. Ele releu a troca diversas vezes, procurando um erro maior do que realmente havia. Pensou em explicar demais, em pedir desculpas por antecipação e até em encerrar o contato antes que fosse rejeitado. Não fez nenhuma dessas coisas.
No fim da noite, enviou uma única mensagem: “Acho que cheguei numa hora ruim. Não quero invadir. Se minha brincadeira pesou, desculpa.” Maya visualizou apenas na manhã seguinte. Respondeu que ele não tinha feito nada grave, mas que estava exausta e preferia ficar quieta quando o mundo exigia demais. Rafael disse que entendia. Não puxou outro assunto e deixou que ela escolhesse quando voltar.
Dois dias depois, Maya mandou um vídeo de uma banda que ambos detestavam e escreveu: “Vim testar se você ainda tem critérios.” A conversa renasceu sem discurso solene. Ainda assim, algo havia mudado. Ela percebeu que Rafael respeitava pausas. Ele percebeu que nem todo afastamento significava abandono. Essa pequena confiança tornou as mensagens mais honestas. Falaram sobre ansiedade, expectativas e relações em que a comunicação virava disputa. Maya confessou que costumava fugir ao primeiro sinal de cobrança. Rafael contou que às vezes se cobrava por duas pessoas. “Então comigo você vai ter de aprender a perguntar, não adivinhar”, ela disse. Ele guardou a frase.
6. Quando a provocação ficou clara
Certa madrugada, Maya publicou um autorretrato diante do espelho, vestida de preto. Não era uma imagem explícita, mas havia intenção no modo como olhava para a câmera. Rafael abriu a resposta e escreveu: “Você sabe que isso não ajuda quem está tentando se comportar.” Antes que pudesse apagar, enviou. Maya respondeu em menos de um minuto: “E quem disse que eu quero ajudar?”
Ele permaneceu olhando para a tela, dividido entre avançar e preservar o terreno seguro que haviam construído. Perguntou se ela falava daquele jeito com todo mundo. Maya respondeu: “Só com quem demora demais para entender.” Rafael sentiu o calor subir pelo rosto. Disse que entender era fácil, difícil era saber se ela falava sério. Ela enviou outro áudio, a voz mais baixa do que o habitual: “Eu não costumo perder sono com brincadeira que não me interessa.”
A conversa ganhou uma tensão nova. Não se tornou explícita, mas cada frase parecia carregar uma segunda camada. Rafael perguntou o que ela faria se ele estivesse ali. Maya disse que primeiro confirmaria se ele era tão cuidadoso pessoalmente quanto nas mensagens. Depois talvez descobrisse. Ele respondeu que aceitaria o teste. Ela encerrou com um aviso: “Não confunda curiosidade com promessa.” Rafael disse que não confundiria. Naquela noite, ambos foram dormir tarde, conscientes de que o desejo já não era uma suposição unilateral.
7. O primeiro convite
Na sexta-feira seguinte, Rafael convidou Maya para tomar uma cerveja. Escreveu sem rodeios, mas deu a ela uma saída simples: um bar público, uma hora, sem obrigação de prolongar o encontro. Maya respondeu que gostaria, porém já tinha compromisso. Ele aceitou e mudou de assunto. Não perguntou com quem ela estaria nem tentou negociar outro horário no mesmo instante.
Uma semana depois, Rafael tentou novamente. Maya disse que atravessava dias complicados e preferia não marcar nada. O segundo não pesou mais do que o primeiro, mas ele percebeu que precisava recuar. Respondeu que o convite continuava disponível se um dia ela realmente quisesse. Ela agradeceu e, durante alguns dias, as mensagens diminuíram.
Quando voltaram a conversar com frequência, Maya explicou que detestava homens que tratavam uma negativa provisória como um desafio a ser vencido. Rafael disse que não estava tentando vencê-la. Queria encontrá-la apenas se fosse uma decisão dos dois. Ela respondeu com um coração discreto. Depois contou que costumava se afastar quando percebia expectativa demais. Rafael admitiu que tinha expectativa, mas não pretendia transformá-la em dívida. A sinceridade não produziu um encontro imediato, porém fortaleceu aquilo que vinha antes dele.
8. A pausa que aumentou a curiosidade
Rafael parou de tocar no encontro por alguns dias. Continuou enviando músicas, comentários sobre política e pequenos acontecimentos de sua rotina. Maya passou a iniciar mais conversas, principalmente quando saía da faculdade ou terminava algum treino.
Num domingo, fizeram uma chamada de vídeo que deveria durar cinco minutos. Maya estava sentada no chão do quarto, cercada por anotações de fisiologia do exercício. Rafael estava diante do computador, tentando entender por que um código que funcionava na noite anterior havia decidido parar.
“E você deixou a arquitetura para passar raiva com computador?”, ela perguntou.
“Na arquitetura, o erro custava uma parede. Aqui pelo menos posso apagar e tentar novamente.”
Maya mostrou os livros e disse que trocaria de lugar com ele sem pensar duas vezes. Rafael duvidou. Ela começou a explicar o conteúdo que estava estudando e, em poucos minutos, falava com entusiasmo sobre adaptação corporal, treinamento e recuperação.
A chamada se estendeu por quase uma hora. Falaram sobre faculdade, mudança de carreira, medo de começar tarde e a pressão para parecer que tudo estava resolvido. Depois passaram para políticas públicas, grandes eventos esportivos e a maneira como o esporte podia ser usado tanto como instrumento social quanto como distração política.
Maya perguntou por que Rafael acompanhava tanto basquete europeu se a NBA reunia os jogadores mais famosos do mundo.
“Porque talento individual não é tudo. Gosto da NBA, mas no basquete europeu vejo mais leitura tática, movimentação coletiva, variação de jogadas e diferentes tipos de marcação.”
“Então você assiste ao jogo prestando atenção em tudo isso?”
“Eu tento. Às vezes também só quero ver alguém acertar uma bola no último segundo.”
“Finalmente uma resposta normal.”
“Não se acostume.”
Maya percebeu que Rafael continuava sorrindo.
“Por que está me olhando assim?”
“Porque você fica bonita falando de uma coisa que realmente gosta.”
Ela desviou os olhos e fingiu procurar uma anotação.
Depois da chamada, enviou uma mensagem: “Ao vivo você parece menos perigoso.”
Rafael respondeu: “Isso ainda não foi ao vivo.”
Dois dias depois, Maya apareceu no chat pouco depois das dez da noite: “Você desistiu daquela cerveja?”
Ele disse que não. Apenas estava esperando que ela perguntasse.
Maya propôs sábado, uma hora, num bar que conhecia. “Se for ruim, vou embora.”
Ele concordou. “E se for bom?”
Ela mandou uma fotografia sorrindo: “A gente decide quando chegar lá.”
9. O encontro antes do encontro
Os dois dias até sábado foram uma continuação digital do que ainda não tinha acontecido. Maya pediu uma fotografia das opções de roupa de Rafael e eliminou duas sem piedade. Escolheu a camisa preta e acrescentou: “Sem perfume demais.” Ele respondeu que seguiria as instruções. Ela disse que instrução era uma palavra perigosa e mudou de assunto antes que ele pudesse explorar a frase.
Na sexta à noite, Rafael perguntou se o encontro continuava de pé. Maya confirmou, mas admitiu estar nervosa. Era a primeira vez que escrevia algo tão direto sobre insegurança. Ele disse que também estava. Sugeriu que mantivessem o acordo de uma hora e que qualquer um poderia encerrar sem explicação. Maya respondeu que aquela liberdade era justamente o que a fazia querer ir.
No sábado, ela postou o café, uma parte do seu treino e uma fotografia do céu, como se o encontro não ocupasse espaço algum em sua cabeça. Perto das seis, desapareceu do aplicativo. Rafael tentou trabalhar, mas conferia o relógio a cada poucos minutos. Quando já estava pronto, recebeu um áudio dela: “Estou saindo. Não invente uma versão perfeita de mim antes de eu chegar.” Ele respondeu: “Chega como você é. Eu faço o mesmo.” A mensagem foi visualizada, mas não respondida. Alguns minutos depois, Maya publicou um story apenas para melhores amigos: a barra do vestido escuro e a legenda “uma hora”. Rafael descobriu que havia sido incluído naquela lista verde.
10. Uma hora no bar
Rafael chegou primeiro e escolheu uma mesa distante das caixas de som. Maya entrou alguns minutos depois usando jeans, uma blusa preta e uma jaqueta leve. Não parecia tão produzida quanto nas fotografias, e isso a tornava ainda mais bonita.
Ao reconhecê-lo, sorriu e o abraçou. Perto do ouvido dele, comentou: “O perfume passou no teste.”
A promessa de uma hora eliminou parte das formalidades. Maya pediu uma cerveja e perguntou se ele sempre analisava tudo antes de tomar uma decisão. Rafael respondeu que a arquitetura tinha culpa, mas que a tecnologia estava piorando o problema.
Conversaram sobre faculdade, mudança de carreira e música. Maya contou que tinha começado a ouvir rock por influência de um parente, mas que depois formara o próprio gosto. Disse que podia passar de Def Leppard para Slipknot sem considerar aquilo uma contradição.
Rafael respondeu que contradição seria ela gostar de Pantera e defender intervenção militar americana.
“Você realmente não perde uma oportunidade de falar mal dos Estados Unidos.”
“Eu gosto de coerência.”
“Você gosta é de provocar.”
Quando o assunto chegou ao basquete, Maya perguntou se ele acompanhava somente a NBA.
“Assisto bastante à NBA, mas prefiro infinitamente o basquete europeu.”
“Mesmo com os melhores jogadores estando nos Estados Unidos?”
“Individualmente, sim. Mas o europeu me prende mais pela parte tática. Tem maior variedade de jogadas, movimentações coletivas e marcações defensivas. Parece que cada posse precisa ser resolvida como um problema diferente.”
“Você assiste a uma partida ou faz uma análise de projeto?”
“Os dois. Deformação profissional.”
Maya riu e disse que começaria a prestar mais atenção nisso quando assistisse a algum jogo com ele.
A conversa avançou para política social, desigualdade e acesso ao esporte. Maya contou que gostaria de trabalhar com projetos voltados para jovens de comunidades. Rafael falou sobre como arquitetura, urbanismo e tecnologia poderiam ajudar a organizar equipamentos públicos, atividades e informações.
A discussão não parecia uma disputa. Os dois tinham opiniões fortes, mas partiam de preocupações parecidas. Queriam entender por que certas cidades funcionavam apenas para quem podia pagar e por que problemas coletivos eram vendidos como fracassos individuais.
Quando o relógio completou cinquenta minutos, Maya mostrou a tela do celular. “Meu prazo está acabando.”
Rafael perguntou se ela pretendia cumpri-lo.
Ela bebeu o último gole e sustentou o olhar. “O encontro foi bom. Agora precisamos decidir o que isso significa.”
Ele disse que gostaria de beijá-la, mas não queria presumir nada.
Maya aproximou o rosto até que os lábios quase se tocassem. “Então não presuma. Pergunte.”
Rafael perguntou.
Ela respondeu com um beijo curto. Ele falou gostei desse beijo, mas quero um mais demorado e então esse beijo não teve a mesma prudência, e quando terminaram ele disse “Que beijo gostoso, bem melhor do que imaginava”. Uma hora terminou, e nenhum dos dois se levantou para ir embora.
11. A decisão depois do beijo
Pagaram a conta e caminharam sem destino definido. A rua estava úmida de uma chuva recente, e o ar frio contrastava com o calor deixado pelo beijo. Maya segurou a mão de Rafael, primeiro com naturalidade, depois entrelaçando os dedos. Pararam diante do carro. Ele perguntou se ela queria ir para casa. Maya respondeu que sim, mas continuou parada.
Rafael não tentou interpretar. Perguntou se ela queria ir sozinha ou acompanhada. Maya se aproximou, beijou seu pescoço e respondeu: “Quero que você venha, mas só se continuar perguntando quando tiver dúvida.” Ele concordou. No caminho, falaram pouco. Ela manteve a mão sobre a perna dele e olhava pela janela, aparentemente tranquila. A tensão já não vinha da incerteza sobre o desejo, mas da proximidade do que ambos haviam escolhido.
No apartamento, Maya acendeu apenas a luz indireta da sala e colocou uma música baixa. Deixou a bolsa sobre uma cadeira, voltou-se para Rafael e perguntou se ele ainda estava nervoso. “Desde o primeiro story”, respondeu. Ela riu, aproximou-se e o beijou com calma. Antes de seguirem para o quarto, Maya deixou claro que qualquer um poderia pedir uma pausa. Rafael disse o mesmo. A segurança não esfriou o momento. Fez o desejo parecer mais nítido.
12. A porta fechada
Maya passou os braços pelo pescoço de Rafael e retomou o beijo sem a pressa do bar. Ali não havia curiosos nem necessidade de disfarçar. Ela podia interromper, prolongar e escolher o ritmo. Rafael apoiou as mãos em sua cintura, esperando que o corpo dela confirmasse o que os olhos já diziam.
Ela recuou alguns centímetros e perguntou se ele estava confortável. Rafael riu da inversão e respondeu que sim. “Ótimo. Então tira essa jaqueta de mim.” Ele obedeceu, deslizando o tecido pelos ombros dela. Maya abriu a camisa dele sem pressa, detendo-se às vezes apenas para beijar a pele recém-exposta, juntamente chupando o bico dos seios e vendo ele se remexer de prazer e ficar arrepiado. O cuidado não diminuía o desejo, muito pelo contrário. Tornava cada gesto deliberado e mais prazeroso.
Chegaram ao quarto entre beijos, risadas baixas e falas mais quentes, com ele falando “Como você é gostosa, eu quero você, desejei tanto esse momento”. E então, Maya sentou-se na beira da cama e o observou como fizera no bar. Rafael se aproximou, acariciou suas pernas e perguntou se podia continuar. A resposta veio firme. Ela o puxou pelos ombros e já desabotoou o botão da calça jeans e sentou o volume e então disse: “É exatamente como eu pensava, vem me ter, vem!.” O colchão cedeu sob os dois. Por alguns instantes, ficaram apenas se olhando, próximos o bastante para sentir a respiração um do outro. A intimidade começou quando perceberam que nenhum dos dois precisava fingir segurança absoluta.
13. O ritmo das carícias
Rafael beijou o rosto de Maya, depois o maxilar e o pescoço. Ela fechou os olhos e inclinou a cabeça, oferecendo espaço. As mãos dele percorriam suas costas e sua cintura com lentidão, reconhecendo reações antes de avançar. Maya respondia aproximando o corpo, prendendo os dedos nos cabelos dele e deixando pedidos curtos escaparem entre a respiração com “Vai descendo suas mãos e não para, somente pare quando sentir minha buceta e ter certeza de que estou da forma que você tanto desejava”.
Ela gostava das pausas tanto quanto do toque. Quando Rafael acelerava, Maya segurava seu rosto e diminuía o ritmo do beijo. Quando ele hesitava demais, conduzia sua mão e sussurrava: “Assim. Continua.” O jogo entre controle e entrega tornou-se uma linguagem própria. Perguntar não quebrava o clima. Fazia parte dele.
As roupas foram ficando pelo caminho sem pressa. A realidade tinha calor, movimento e pequenas imperfeições que nenhuma fotografia mostrava. Maya percebeu o olhar e perguntou do que ele gostava tanto. Rafael respondeu que a presença era melhor do que o perfil. Ela o puxou para outro beijo: “Então presta atenção.” Ele prestou. Então ela o deitou na cama e foi lambendo seus peitos novamente, descendo pela barriga, até chegar em sua cueca, já levemente melada e então ela diz ‘Quer que eu tire, quer?’, ele confirmou com o olhar e ajustou o corpo, então ela o tira para fora, o pau latejando e já melado, ela dá um beijo na cabeça com gosto, sentindo todo o mel que a pica soltava e a foi engolindo, enquanto ele a prendia para sentir ela engasgando e com aquele sorriso de quem gostava e queria mais. Mas Rafael resolveu não deixar ela continuar e fez Maya subir até sua boca do beijar e sentir o beijo molhado, enquanto ela sorria contra sua boca.
14. Quando ela conduziu
Antes de Maya conduzir, Rafael tirou ela de cima, com a pica já quase entrando e o xingou ‘Não seu FDP, me deixa sentir ele’, então ele pergunta se podia conduzir Maya, então inverteu as posições e Maya recostou-se nos travesseiros. Sentou-se perto dela, mantendo os olhos fixos nos seus, e segurou seus pulsos por alguns segundos. “Passei semanas lhe procurando”, disse. “Agora vai ver porque eu tanto lhe queria.” Maya aceitou a provocação com um sorriso que desapareceu quando ele voltou a beijar seu pescoço, tirando sua blusa finalmente e vendo aqueles seios pequenos, do tamanho perfeito de sua boca, rodeou sua língua no bico de cada um deles é vendo ela gemendo e gostando.
Ele conduzia o ritmo e observava cada resposta. Às vezes se afastava apenas o necessário para ouvir um pedido. “Não para”, Maya disse, com a voz baixa. Rafael continuou e foi descendo pela sua barriga satisfeito com o efeito, foi descendo finalmente para cuidar a tão sonhada buceta da Maya, colocou a calcinha para o lado e deu uma lambida no grelo que já pulsava, foi fazendo movimentos de cima para baixo, sentindo seu mel e vendo ela se recontocer de prazer, pedindo ‘Assim, vai Rafinha, não para, não para seu safado, chupa minha bucetinha, seu cachorro.’ até que ela começou a se recontocer e gemer mais alto e ficaram ali, parados. Pouco depois, quando ela tentou inverter novamente, ele riu e pediu: “Fica. Ainda não.” Então Rafael coloca a pica na entrada e esfrega no grelo dela e ela pede ‘Não, por favor, assim eu vou lá de novo.’, então ele parou e foi se deitar ao lado dela, confiança permitia que brincassem com o controle sem transformar desejo em imposição e de pedir um tempo caso estivessem cansados.
15. Sem adivinhações
Os dois fizeram uma pausa curta para beber água. Maya ficou sentada na cama, envolvida pelo lençol, e perguntou se Rafael estava bem. Ele disse que sim e quis saber o mesmo. Ela respondeu que gostava da maneira como ele perguntava sem transformar cada gesto em interrogatório. “O clima quebra quando alguém deixa de estar presente”, disse. “Você está aqui.”
Voltaram a se beijar com menos cautela. O ritmo nasceu de pequenas orientações: mais lento, mais perto, assim, continua. Rafael ouvia e respondia. Maya alternava pedidos com beijos e carícias. À medida que ele a pegava com mais força a segurança crescia, os movimentos se tornaram mais intensos. “Não para, Rafinha, não para caralho, continua me fodendo, como está gostoso de ladinho.”, ela pediu. Ele manteve o ritmo até sentir que ela precisava de uma pausa e diminuiu sem que fosse necessário explicar.
Rafael percebeu como o desejo podia ser forte sem virar disputa. Paravam para rir de um movimento desajeitado, ajustar a posição e recomeçar. Em certo momento, Maya se aproximou de seu ouvido e pediu que ele segurasse mais firme sua cintura. Rafael confirmou: “Assim?” Ela respondeu com um beijo demorado. A cama deixava de ser um lugar de prova. Era um espaço em que ambos podiam pedir, negar, mudar de ideia e continuar.
16. Mais uma vez
A primeira onda de intensidade foi seguida por uma calma inesperada. Maya deitou-se ao lado de Rafael, com uma perna atravessada sobre as dele. A música da sala terminara, deixando o apartamento quase silencioso. Ele passou os dedos pelo seu corpo, vendo as tatuagens em seu braços, enquanto ela contou a história de algumas, inventou outras e se recusou a explicar uma pequena marca próxima ao ombro, ele estava beijando seus seios e vendo ela sem saber se terminava de contar ou se gemia, ele passava a língua em volta dos bicos e ela o puxando para ficar com a cintura mais perto. E quando fez isso, viu que o pau já estava duro novamente e que entrou automaticamente em sua buceta encharcada de prazer e foram para mais uma rodada de sexo e orgasmos intensos. Ele tirou de dentro e falou, venha cá sentir o gosto da sua buceta deliciosa, feito e foi colocando na boca com gosto e engolindo tudo, sem nenhuma vergonha ou receio, engasgando e sem querer tirar a pica da boca.
A conversa seria comum em qualquer outra situação, mas a proximidade transformava cada palavra em tesão absoluto. Não eram desconhecidos, embora também não fossem exatamente íntimos. Estavam construindo essa intimidade enquanto se beijavam e faziam amor, após essa chupada, ele a colocou de 4 e falou “Empina mais essa bundinha pra mim, igual uma putinha”, ela responde “Putinha é ? Eu sou sua putinha, come sua putinha vai, arregaça a buceta da sua putinha e não para, só é para parar quando estiver quase gozando, pois quero teu leitinho na boca”. E assim aconteceu, ele foi metendo, os dois gemendo de prazer e só parando quando Maya recebeu seu tão pedido leitinho na boca.
Depois do silêncio, veio outro beijo. Maya perguntou: “De novo?” Rafael disse que não tinha pressa e que tínhamos tempo e queria o cuzinho dela na próxima, já que o deixou colocar o dedo indicador nele e ficou rebolando. Ela se aproximou e deixou a resposta evidente. Dessa vez, começaram com carícias demoradas, sem a ansiedade da primeira aproximação. Quando o desejo cresceu, Maya pediu: “Continua na minha bucetinha, de ladinho de novo vai, estou quase lá, me come seu safado, seu cachorro, eu quero gozar nessa pica, não para caralho, isso amor, assim porra” Rafael manteve a atenção no pescoço e orelha dela, com mordidas e gemidos, no ritmo da respiração e no modo como suas mãos apertavam os lençóis. O prazer não precisava provar nada. Podia surgir da liberdade de pedir mais e da confiança de ser ouvido.
17. A madrugada avançava
Na última vez, os movimentos foram ainda menos contidos. Maya então pediu ‘Come meu cuzinho, mas devagarinho, coloca só a cabecinha primeiro, eu quero sentir primeiro.’ e ele confirmou antes de obedecer e disse ‘Eu lhe pedi seu cuzinho, mas só quero se for prazeroso para você, pois eu sei que ele é apertadinho.’. Ela gostava do contraste entre intensidade e delicadeza, entre ser conduzida por alguns instantes e recuperar o controle logo depois. Rafael aprendeu que segurança não era ausência de vulnerabilidade. Era confiança para dizer sim, não, mais e chega.
Mudaram de posição algumas vezes,, para ver qual era a melhor, de ladinho, frango assado, foi então que decidiram por não tentar para não machucar e então voltar para a bucetinha dela, sempre encontrando um novo ângulo para os beijos e as carícias, foi quando ele a deixou de frango assado mesmo e colocou bem na entrada, vendo a cara dela se contorcer de prazer, com barulho de ploc Ploc, até que ele falou, eu vou gozar de novo, então ela falou ‘Eu quero sentir dentro de mim, me dá seu leitinho FDP, derrama na minha bucetinha vai.’, então terminaram e ficaram afastados por um tempo de recuperando e então dormiram.
18. Depois do amanhecer
A luz entrou pelas frestas da cortina pouco depois das seis. Rafael acordou primeiro e levou alguns segundos para reconhecer o quarto. Maya dormia de lado, com uma mão sobre o travesseiro e o cabelo espalhado pelo rosto. Ele pensou nas vezes em que procurara aquele perfil, nas mensagens apagadas e nas duas recusas que quase interpretara como fim.
Maya abriu os olhos e encontrou Rafael observando-a. “Isso é um pouco assustador”, murmurou. Ele pediu desculpas, mas ela sorriu e se aproximou. Beijaram-se com a lentidão de quem já não precisava conquistar nada naquele instante. Ela perguntou se ele esperava que a noite terminasse assim. Rafael disse que imaginara muitas versões, mas nenhuma incluía tanta conversa, tantas risadas e a tranquilidade depois.
Maya levantou-se para preparar café. Antes de sair do quarto, vestiu a camisa preta dele e olhou para trás. “Essa pode ficar”, declarou. Rafael a seguiu até a cozinha. Não fizeram promessas sobre o futuro nem fingiram que uma noite resolvia todas as dúvidas. Combinaram apenas que voltariam a se encontrar porque ambos queriam. O primeiro contato começara numa busca silenciosa pelo Instagram. O que veio depois só aconteceu quando curiosidade, respeito e desejo se transformaram em escolha compartilhada.