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A camisa 10 do meu avô e o amor que estava na reserva

Um conto erótico de Normal
Categoria: Heterossexual
Contém 9300 palavras
Data: 01/09/2026 17:33:21
🤖 Texto produzido com auxílio de inteligência artificial

A camisa 10 do meu avô e o amor que estava na reserva

Rio de Janeiro, domingo, 16h00. Maracanã.

Para muitos essa frase significa um divisor de águas entre a tristeza e a alegria. Dependendo se o jogo é um simples jogo de turno, ele pode fazer a alegria ou tristeza durar uma semana (até o próximo domingo) ou anos, em caso de um jogo de decisão.

Contudo, algumas vitórias ou derrotas, mesmo quando não se trata de uma final de campeonato ficam para a vida toda.

E é com cabeça pensando em uma derrota que não aconteceu no gramado que Marcos está sentado no canto do vestiário. Olhos vermelhos da noite que passou acordado chorando. Da dor em descobrir que foi enganado. E por descobrir que a mulher que ele imaginava que o amava, além de o enganar, o fez de maneira premeditada, querendo apenas o seu dinheiro.

Mas além da dor havia o ódio. O ódio que consumia seu peito contra aquele que um dia foi seu melhor amigo, que chegou a considerar um irmão. As lembranças da infância pobre, os perrengues que passaram juntos, as peneiras, as viagens de ônibus até os centros de treinamento, até a aprovação no time do coração. Contudo, alguns anos atrás, um episódio em uma viagem para jogar no Sul do Brasil pelo sub-20 acabou separando os amigos.

Marcos e Jean junto com outros 3 jogadores deixaram o hotel da delegação na véspera do jogo para uma noitada. Jean (zagueiro titular, com passagem pelas seleções de base), Henrique (volante titular), Caio (atacante), Lucas (reserva de Marcos como meia de ligação) e Marcos (camisa 10. A estrela do time e da seleção sub-20. Apontado como a esperança da nova geração) foram para uma casa de Swing indicada por um jogador do time profissional que jogou na cidade.

Jean fez todos os contatos. Só que as meninas indicadas pelo zagueiro torciam para o time da cidade. O ambiente reservado da casa de swing logo foi tomado por cinco garotas — Amanda, Beatriz, Camila, Daniela e Elaine — além de dois casais praticantes experientes: Roberto e sua esposa Márcia, e Thiago e sua esposa Fabiana.

No interior da casa, o grupo se acomodou em uma área reservada onde a interação entre os jogadores, as jovens e os casais presentes se intensificaram ao longo das horas. Amanda, Beatriz, Camila, Daniela e Elaine acompanharam os atletas, enquanto Roberto, Márcia, Thiago e Fabiana compartilhavam o espaço, criando uma atmosfera de festa e proximidade que durou a madrugada inteira. O veludo vermelho das paredes abafava o som grave das batidas que vinham da pista principal, enquanto as luzes de neon indiretas desenhavam silhuetas na penumbra.

Roberto, um quarentão com uma barriga de chopp casado com uma loira siliconada que aparentava ter aproximadamente uns 30 anos, mas muito gostosa, pediu que os jogadores transassem com sua esposa e queria vê-la fazendo uma DP e chupando mais um ao mesmo tempo. A atmosfera do camarote ficou eletrizante; o tilintar dos copos de uísque se misturava aos sussurros de incentivo. Lucas e Jean eram os mais animados e toparam na hora. Em poucos instantes, as interações corporais dominaram o centro do espaço estofado. Fabiana pediu o mesmo tratamento. Ela era morena, alta, corpo malhado e se encantou por Henrique, mas principalmente pelo pau grande e torto para a esquerda dele. Os movimentos ali se tornaram mais intensos, com suspiros audíveis ecoando no ambiente restrito. As meninas ficaram espantadas com a disposição daquelas mulheres maduras e foram para a luta. Caio grudou em Amanda a noite toda e não queria dividir. A menina era linda com seu cabelo loiro e olhos azuis. Todas elas eram lindas e todos, queriam comer todas. Mesmo os maridos que tinham apenas a intenção de ver suas mulheres serem sodomizadas por jogadores de futebol jovens, cheios de gás, aproveitaram e comeram as novinhas que aproveitaram as carteiras recheadas de Roberto e Thiago para beberem tudo que era possível. O ritmo daquela noite parecia não ter fim, com corpos se entrelaçando em quase todos os cantos estofados do camarote privativo.

Thiago também se revelou bem dotado, rivalizando com Jean. Os dois, além de transarem individualmente com todas as mulheres, menos Amanda, conseguiram fazer dupla penetração em Beatriz, Daniela e Elaine. A sincronia agressiva dos movimentos dos dois homens ditava o tom daquela rodada de excessos, arrancando gemidos ecoados e deixando as garotas exaustas sobre os lençóis de cetim da suíte VIP.

Depois de uma noite de muita orgia onde quase todos se divertiram horrores (menos Marcos, que acompanhou o grupo somente por muita insistência de Jean e ficou a noite toda bebendo água e refrigerante por ter jogo no dia seguinte, além de não se envolver com nenhuma das presentes — apesar da insistência delas e de Lucas — por ter olhos apenas para Bruna, sua namorada), chegaram ao hotel às quatro da manhã e foram recebidos pelo treinador, que já estava ciente da noitada, já que as meninas que estavam com os jogadores fizeram questão de tirar fotos e postaram imediatamente em redes sociais.

A ideia de postar as fotos não foi das meninas, mas de Lucas (mas sem que ele aparecesse, o que acabou não acontecendo, já que ele também foi exposto), que queria fazer com que Marcos fosse afastado para ele poder finalmente jogar, especialmente em um jogo em que o futuro da equipe estava em jogo. Por sorte, devido a decisão de não trair a namorada, inibido pelo respeito que tinha por ela, em nenhuma das fotos da orgia estava Marcos. Porém, ele estava com o grupo.

O treinador Sérgio, indignado, passou um sermão nos jogadores, especialmente ao perceber que a exceção de Marcos, todos os outros estavam alcoolizados. Ele submeteu o caso a diretoria, que afastou todos do jogo. O time perdeu por 2 a 0 e deixou de ter chances no Brasileiro da categoria.

Na volta ao Rio, todos foram ouvidos em companhia de seus empresários e responsáveis. Jean, que foi o responsável pela noitada, teve seu contrato rescindido com o clube, já que era a terceira vez em que ele fazia algo do tipo e como o contrato já terminaria no fim do ano. O clube já havia decidido não renovar e o incidente apenas antecipou a liberação.

Os demais, como eram primários e ainda tinham contratos por mais tempo, receberam multa e advertência. Jean não aceitou bem a decisão, disse que era um absurdo, que todos só foram se divertir e cobrou de Marcos que ele cobrasse da diretoria a sua permanência ou deixasse o clube em solidariedade.

Marcos disse que poderia pedir a reconsideração à diretoria, mas não poderia deixar o clube, já que sua família dependia dele e não poderia assinar imediatamente com outra equipe, sem falar que ele havia sido voto vencido na decisão de deixar a concentração e que só saiu para não deixar Jean sozinho. Disse, ainda, que era chegado o momento de Jean assumir os erros que cometeu, que ele, Marcos, não o abandonaria, já que eram como irmãos, mas ele não deixaria o clube de coração, pois tinha que realizar o sonho de seu falecido avô em jogar no Maracanã pelo Flamengo.

Jean ofendeu Marcos e jurou que ele iria se ferrar por virar as costas para ele.

Meses depois Marcos começou a integrar o elenco do time profissional. Como todo jovem passou a jogar alguns minutos, até que o técnico do time em uma partida contra o Grêmio e sem opções de ataque no banco chamou Marcos. Embora fosse meia de origem, foi colocado na ponta esquerda.

Ele entrou aos 39 do segundo tempo com a função de cobrir o lateral, mas após um bate rebate na área, o zagueiro deu um chutão para a frente. Marcos, que estava na intermediária pelo lado esquerdo, arrancou em velocidade. O foco da câmera fecharia nas suas travas cravando no gramado molhado. Quando o volante apareceu para lhe dar combate, levou uma caneta desconcertante, que o fez cair. O som do defensor impactando contra o chão ecoaria como o estalo da jogada.

Marcos progrediu em velocidade e antes que o zagueiro chegasse na cobertura quebrou a direção com um drible seco para dentro, ficando a bola à feição para um chute que saiu colocado no canto superior esquerdo do goleiro. A bola viajou desenhando uma curva perfeita, estufando a rede lá no alto enquanto as lentes capturavam o goleiro estático. A torcida do Flamengo presente na arena gritou enlouquecida.

Era o gol de empate! Marcos não sabia como reagir. Pensou na mãe, no sofrimento dela dando aula em duas escolas. No pai, que era pedreiro e, quando viu o talento do filho, obedecendo o avô de Marcos, deixou tudo para trás para levar o filho para peneiras e treinos, mas pensou principalmente no avô.

De repente, o barulho do estádio sumiu de sua mente e Marcos se viu de volta ao passado, quando tinha apenas oito anos. Em um corte cinematográfico de transição de som abafado, a imagem ganharia tons quentes de recordação. Ele relembrou o dia em que seu avô, com as mãos calejadas do trabalho e lágrimas nos olhos de tanto orgulho, gastou o pouco dinheiro que tinha guardado para lhe dar um presente inesquecível: uma camisa oficial número 10 do Flamengo. A peça ficava enorme no corpinho magro do menino, mas o avô, abraçando-o naquele campo gasto no meio, com grama apenas nas laterais de tanto que a molecada jogava, disse com os olhos cheios de fé: "Guarda bem esse manto, meu neto. Você ainda vai vestir essa camisa 10 e eu vou estar na arquibancada do Maracanã vendo você jogar pelo nosso clube do coração. Esse é o meu maior sonho". Aquela lembrança, misturada à saudade do velho que partira antes de ver o sucesso do neto, deu a Marcos uma força inexplicável.

Os tapas dos companheiros na comemoração do gol o fizeram acordar das lembranças. Ainda havia jogo a ser jogado.

O adversário deu a saída de bola, a marcação foi ajustada.

Pressão na saída de bola. Como um tubarão faminto o time do Flamengo sentiu o sangue na água e foi buscar a vitória.

O zagueiro gremista tentou o passe para o companheiro no meio.

Marcos saltou a marcação e antecipou o movimento, interceptando a bola. E ele avançou em direção à meia lua. A zaga estava desarrumada e havia uma avenida para ele. O centroavante puxou a marcação para a direita abrindo ainda mais o campo. Marcos viu o ídolo do time entrando na diagonal pela esquerda. Ele tem três opções. Dar a bola para os craques experientes seriam as mais seguras, mas ele confiou em seu talento. Antes de pisar na área e ele ajeitou o corpo e bateu de fora. O chute seco cortou o ar como um tiro. A bola fez uma curva saindo do goleiro e entrou no canto superior esquerdo. Corte rápido para o placar mudando. Era o gol da virada! Era o gol que abriu o caminho para Marcos mostrar ao mundo seu talento! Festa no campo e no vestiário! Todos saudaram o menino humilde, cria da base, que fez dois golaços no jogo e garantiu os 3 pontos.

No dia seguinte ele foi capa de todos os jornais e assunto das mesas redondas. O caso da noitada foi lembrado. Comentaristas exaltam a decisão correta da diretoria em manter o atleta que não tinha o histórico de ser da noite, ao contrário de seu companheiro Jean.

Por falar em Jean, após alguns meses desempregado e treinando por conta própria ele conseguiu um contrato de dois anos com opção de renovação com o Vasco. Ou seja, a partir do ano seguinte ele e Marcos seriam adversários. Quando Jean viu a festa e os elogios a Marcos não ficou feliz. Pelo contrário. A inveja o corroeu imaginando que ele somente não estava ali junto com Marcos porque o então amigo não brigou por ele. Sempre se questionou por que tudo “caía” no colo de Marcos com facilidade, enquanto ele tinha que ralar 5 vezes mais, ignorando que Marcos treinava com mais afinco, tinha mais habilidade e não se metia em nenhuma confusão. Na cabeça deturpada de Jean tudo o que Marcos conquistou deveria ter sido dele, já que ele era o capitão do time, tinha mais força e era maior.

Com o sucesso de Marcos, a diretoria imediatamente o promoveu em definitivo para o time profissional e renovou seu contrato por 5 anos, dando um substancial aumento que possibilitou que ele comprasse uma casa em um belo condomínio na Barra da Tijuca para seus pais e sua irmã.

O tempo passou e um dia, visitando amigos na antiga comunidade em que vivia, Marcos, que já estava se consolidando entre os profissionais como uma das primeiras opções de substituição do técnico, encontrou uma prima de Jean, Clara, com quem chegou a namorar brevemente na adolescência, mas que terminou com ele para ficar com o filho do dono do mercado do bairro.

Ficou claro para Marcos, embora nada tivesse sido dito diretamente para ele, que o motivo era a falta de dinheiro para bancar os presentes que ela vivia pedindo. Clara ela uma morena linda. Cabelos encaracolados. Olhos castanhos escuros. Seios grandes e firmes que todos pensavam ser de silicone e uma bunda digna de dançarina de axé da década de 90.

Conversaram alguns minutos. Clara aproveitou para se insinuar para Marcos, agora que ele fazia sucesso e tinha dinheiro. Ele se esquivou, lembrou que ele tinha namorada e ela também, bem como que ele conhecia e gostava de Antonio, cujo pai, Sr. José Carlos, torcedor do Flamengo, sempre ajudou quando a família dele passava apertos.

Em respeito aos dois, desconversou e se despediu de Clara, que ainda tentou manter a conversa e, numa última cartada, convidou para um chopp, o que foi recusado por Marcos.

Ela ficou furiosa. Não estava acostumada a ser rejeitada e ao chegar em casa e se deparar com Jean, que visitava a mãe, relatou o encontro com Marcos. Jean tomou a atitude correta de Marcos, de não aceitar o assédio de sua prima em respeito à sua namorada, ao namorado e ao pai do namorado dela, como uma ofensa contra sua prima e sua família. Era incrível como Jean tinha um entendimento deturpado da realidade.

Naquele momento ele jurou que na primeira oportunidade que tivesse faria alguma coisa para prejudicar Marcos, uma vez que entendia que o ex-amigo se achava melhor do que todos, o que não era verdade.

Vale dizer que mesmo assinando contrato com o Vasco e já recebendo salário como profissional Jean não fez qualquer movimento para melhorar a vida de sua mãe, Ana, uma viúva que se desdobrava trabalhando como diarista para sustentar os 3 filhos.

Em um jogo entre Flamengo e Vasco no campeonato carioca na segunda rodada do ano seguinte, o rubro-negro jogaria com time reserva para poupar os titulares para um jogo importante da Libertadores. O Vasco jogaria com o time titular.

Seria o primeiro jogo em que os ex-amigos se enfrentariam e a primeira vez em que estariam frente a frente após o desligamento de Jean do Flamengo no ano anterior.

Marcos ainda tentou contato com ele logo após o desligamento, seja ligando ou por mensagem, mas Jean, cheio de rancor, não atendeu as chamadas ou respondeu as mensagens. Bloqueou Marcos e o excluiu de suas redes sociais.

Amigos em comum fizeram chegar a Marcos que Jean o culpava pela saída do clube, já que ele também estava na noitada (embora não tivesse bebido ou participado da suruba) e se tivesse ameaçado sair em solidariedade a Jean, decerto o Flamengo voltaria atrás na rescisão para não perder o camisa 10. Marcos entendia aquele raciocínio como absurdo e disse que o tempo mostraria a Jean que ele estava errado e um dia voltariam a ser amigos.

Jonas, irmão de Jean, era também muito próximo de Marcos por terem a mesma idade (Jean era um ano mais velho), mas tinha um caráter bem diferente do irmão e defendia Marcos em casa e para qualquer pessoa que o caluniasse na sua frente, inclusive seu irmão.

Ele chegou a dizer para Marcos desistir de voltar a ser amigo de Jean, pois isso só lhe traria problemas. Parecia que ele estava profetizando o que aconteceria.

No aquecimento dos times para o jogo, Henrique, Caio e Lucas foram cumprimentar Jean, que os abraçou efusivamente. Marcos se aproximou e tentou conversar com Jean, mas ele se afastou.

Durante o jogo, que começou em um ritmo lento, após uma jogada de triangulação entre Caio, Lucas e Marcos, ele deu um drible de corpo em Jean, que perdeu o tempo do bote, permitindo que Marcos fizesse um passe na medida para o belo gol de Caio. 1 a 0. Lucas passou tirando sarro de Jean, dizendo que ele tinha ficado descadeirado.

Isso o encheu de ódio e passou a caçar Marcos em campo. A cada vez que o meio-campo rubro-negro tocava na bola Jean saía em perseguição e após Marcos tocar a bola recebia uma chegada dura. Quando dominava e tentava partir, era parado com duras faltas.

A arbitragem fazia vista grossa. Mas Marcos não se intimidava. Percebeu que ao fazer a perseguição, Jean deixava espaços e orientou Caio a cair nas costas de Jean quando ele estivesse com a bola.

No lance seguinte, Marcos conduzia a bola, Jean saiu à caça dele, quando se aproximou não conseguiu impedir o passe humilhante de Marcos por entre suas pernas para Caio, que entrou sozinho e fez o segundo gol. A imagem em close focaria na expressão travada e no maxilar cerrado do zagueiro humilhado.

Para completar a tarde de humilhação, Jean ainda foi driblado duas vezes dentro da área por Marcos, que completou com uma cavada fazendo o terceiro gol e sendo substituído em seguida.

A torcida do Vasco ofendia Jean de todos os nomes possíveis. Marcos foi substituído sob aplausos, para desespero de Jean.

Na entrevista ao final do jogo, Marcos foi perguntado se teve a intenção de humilhar Jean no jogo, já que todos sabem da história entre os dois, que eram melhores amigos e deixaram de ser após o episódio no sul.

A resposta de Marcos foi direta:

— Nunca deixei de ser amigo dele. Amigo não é aquele que passa pano para nossos erros, mas aquele que está ali para ajudar dizendo que o amigo está indo pelo caminho errado. Não guardo qualquer sentimento ruim com relação a ele e sua família, a quem devo muito, especialmente Dona Ana e Jonas, mãe e irmão dele. Eu só aproveitei as oportunidades no jogo de hoje e tive sorte na conclusão das jogadas. Num próximo jogo ele pode me marcar muito bem e eu não conseguir ter o mesmo sucesso que tive hoje.

Os comentaristas usaram essa fala para elogiar a maturidade de Marcos e dizer que Jean era quem perdia por abrir mão de uma amizade assim.

Em casa, vendo a entrevista, Jean teve a ideia de se vingar de Marcos, mas em um primeiro momento precisaria reatar a amizade. Próximo a Marcos, encontraria uma oportunidade de fazer o ex-amigo sofrer.

Dias depois ele desbloqueou Marcos e o adicionou em suas redes. Em seguida mandou uma mensagem para Marcos: — “e aí? Blz? Quando puder falar, chama aqui ou me liga” —.

Marcos ficou surpreso com a mensagem. Marcaram de se encontrar em um shopping na Zona Sudoeste. Jean pediu desculpas por tudo que tinha feito e falado. Marcos as aceitou de boa. Voltaram a se falar regularmente. Não era a mesma amizade de antes, mas Jean se esforçava para ficar próximo, evitando apenas lugares muito expostos pela rivalidade entre os times.

Em um desses encontros Marcos estava acompanhado de Bruna, sua namorada. Eles foram apresentados pela irmã de Marcos, Mariana, que estudava direito com Bruna em uma faculdade particular. Bruna era a típica mulher de jogador de futebol. Loira, linda, olhos azuis, pernas malhadas, barriga chapada, peitos siliconados e uma bunda de parar a praia da Barra.

Marcos era tímido, humilde e somente após muita insistência da irmã convidou Bruna para sair. Namoravam há poucos meses e Marcos logo se apaixonou por aquela mulher maravilhosa. Ela estava sempre de bom humor. Não era ciumenta. Na sua presença, à exceção da praia em que usava biquinis incapazes de esconder seus atributos, usava roupas sem exagero de decotes ou cumprimentos, mas sabia que seu corpo chamava a atenção.

Jean olhou para Bruna e achou que a reconheceu de algum lugar, mas guardou o raciocínio para uma outra hora.

Mas todo aquele amor de Bruna para com Marcos o deixava desconfiado. Um belo dia, passando de carro pela Barra, viu Bruna saindo da praia e entrando em um carro importado. Até aí, não haveria problema. O que acontece é que ela deu um beijo na boca do motorista assim que entrou. Jean viu naquilo uma excelente oportunidade e seguiu o casal até um motel na avenida das Américas. Ele resolveu filmar e tirar fotos da entrada e da saída do casal. Foi então que lembrou que a conhecia de algum lugar e se ligou que quando ela deixou a praia estava apenas de biquíni e viu uma tatuagem de fênix em sua coxa direita. Aquela tatuagem era familiar, mas não se recordava de onde.

Jean namorava Luciana, irmã de Lucas, que era reserva de Marcos. Lucas também não era fã de Marcos, mas fingia ser amigo. Chegando na casa do cunhado o chamou para contar o que havia visto e mostrou a foto de Bruna. Quando Lucas viu a foto falou:

— Essa é a namorada dele?!? Hahahahahaha!

Jean não entendeu o motivo da gargalhada.

Lucas, então, abriu seu notebook e entrou em um conhecido site de acompanhantes de luxo. O rosto estava borrado, mas a tatuagem era a mesma! Uma loira com as mesmas características de Bruna, que atendia por Samantha.

— Como ele pode ser tão burro? — Perguntou Lucas.

— Ele jamais contratou putas. Ele nunca deve ter entrou em um site desses. É muito metido a certinho. — Disse Jean.

— Deve ser por isso que achei que a conhecesse de algum lugar. Aquela tatuagem chama muita atenção.

Lucas perguntou a Jean se ele contaria para Marcos e ele disse:

— Agora, não! Vamos deixar rolar.

Na segunda-feira seguinte “Samantha” recebeu uma mensagem contratando seus serviços para 4 horas de atendimento em um motel. Foi perguntada se tinha alguma amiga para indicar, já que seriam dois homens. Nenhuma das amigas de confiança estavam disponíveis e ela resolveu arriscar, já que o contratante estava oferecendo uma boa quantia, dizendo que poderia atender os dois juntos, se eles não se importassem. O contratante concordou.

Ela chegou ao motel às 14h e ao entrar na suíte deu de cara com Lucas, a quem ela já havia atendido uma vez (mas não lembrava que ele jogava com Marcos), mas ao perguntar pelo segundo homem, empalideceu ao ver Jean saindo do banheiro.

Ela começou a chorar, pedir pelo amor de Deus para ele não contar para Marcos pois gostava dele e varia se casar para abandonar aquela vida.

Jean riu e perguntou se ela acha que Marcos, do jeito que ele é, aceitaria saber que era corno para uma puta? Que todo mundo comia a namorada dele?

Ela tentou se explicar dizendo que estava parando, que desde que conheceu Marcos só mantinha poucos clientes, já que estava quase convencendo Marcos a morar com ela e a bancar suas contas, que gostava dele.

Ela tentou ir embora, mas Jean mostrou o vídeo dela entrando e saindo do motel.

Ele, então, vendo que Bruna queria ter em Marcos um homem para se dar bem na vida fez uma proposta. Ficaria na dele, ajudaria ela a se dar bem, mas ela teria que fazer algo em troca para ele, prejudicando Marcos em um momento a ser definido por Jean.

Ela concordou, já que não tinha escolha. Não poderia deixar a família saber o que fazia. Foi então que Lucas falou:

— Então vamos formalizar esse acordo!

Em seguida, o clima na suíte mudou para uma atmosfera de pura dominação. Lucas sacou o pau da bermuda de forma agressiva e puxou Bruna pelos cabelos, forçando-a a chupar com violência. Jean, rindo da humilhação da garota, também sacou seu pau e ela foi obrigada a se revezar entre eles, engolindo o orgulho e as lágrimas enquanto tentava não se engasgar. A câmera detalharia em closes curtos a rigidez das feições masculinas contra a fragilidade da expressão dela.

Lucas pegou o celular com uma das mãos e começou a filmar tudo de perto a pedido de Jean, garantindo que o enquadramento focasse estritamente no rosto desesperado de Bruna e nos detalhes da submissão, sem mostrar o rosto do próprio Jean.

Logo depois, Lucas colocou Bruna de quatro no centro da cama redonda. Ele a penetrou por trás com força e batidas rápidas, empurrando o corpo dela para a frente, enquanto ela, chorando baixinho, continuava chupando Jean até o fim. Por fim, para selar a chantagem da forma mais degradante possível, eles transaram em diversas posições abusivas e fizeram dupla penetração completa duas vezes, ignorando os gemidos de dor da jovem. A iluminação fria da suíte realçava o contraste do ato e o choque psicológico sofrido por ela.

Bruna foi embora completamente destruída. Sexualmente e psicologicamente. Tinha pouco tempo de namoro com Marcos. Gostava dele, mas gostava mais do que ele poderia lhe proporcionar no futuro, já que era uma estrela em ascensão no maior clube do Brasil e ela sabia, das conversas com amigas que frequentavam festas com jogadores de futebol, a quantidade de grana que rolava, os presentes e as histórias daquelas que conseguiram casar-se com alguns deles e se deram bem, saindo da vida de garotas de programa.

Marcos não era chegado a loucuras. Tinha os pés no chão. O sexo era muito bom. Como não ser? Ele tinha um pau de respeito e um fôlego de atleta profissional. Só que ele não a tratava como uma vagabunda, como seus clientes tratavam. Isso era bom e ao mesmo tempo ruim, porque ela se acostumou com um sexo mais pesado, mais sujo e Marcos a respeitava. Até demais. Se ele tivesse aparecido antes dela ter começado nessa vida, esse conflito não existiria. Só que teve a doença da mãe e a necessidade de fazer dinheiro rápido.

A crise de saúde foi solucionada, mas Bruna se acostumou com o dinheiro e, querendo ou não, com a possibilidade de transar com vários. Obviamente, a maioria deles não a satisfazia, mas alguns eram bons e ela achava um jeito de manter eles sempre por perto.

Agora a chantagem de Jean a colocou em uma situação que não esperava enfrentar. Para ela, ele era amigo de Marcos, soube da briga que tiveram e da reconciliação. A dúvida era saber o que ele pediria quando a hora chegasse. Sabia que não seria coisa boa, já que a obrigou a fazer sexo junto com Lucas.

Longe dali, Marcos estava em casa com a família enquanto sua mãe, que agora não precisava mais trabalhar fora, fazia o jantar. Ele olhava toda a família conversando e sentia alegria ao ver que o effort dos seus pais em ajudá-lo a atingir seus objetivos no futebol estava sendo compensado. Sua irmã, que sempre gostou de estudar, agora era uma estudante universitária. Seria a primeira da família a ter um diploma de terceiro grau e isso o enchia de orgulho.

Pensar na irmã na faculdade o fez lembrar de Bruna, que era da mesma turma. No começo era aquela paixão, a novidade, Bruna era linda e gostosa. Foi a beleza dela que o atraiu, mas isso não era tudo para Marcos. Sentia que faltava algo. Uma conexão além de beleza e sexo. Ele via seu pai e sua mãe. Entendia que honestidade, companheirismo, sacrifício, dedicação, cuidado e respeito eram necessários para uma relação duradoura. Como jogador de futebol, várias marias-chuteiras se jogavam sobre ele, que sempre recusava. Primeiro, por respeito a Bruna, segundo, por respeito ao seu próprio caráter, que foi moldado por seus pais. Não teria coragem de ficar com ela sabendo que a traiu, ainda que tivesse a certeza de que ela não era o amor de sua vida.

A vida seguiu seu rumo, em um churrasco na casa de Marcos em comemoração ao aniversário de sua irmã, Jean chegou com Luciana, irmã de Lucas e foi cumprimentar a todos e demorou um segundo a mais abraçando Bruna. O tempo a mais não passou desapercebido por Marcos e por Luciana. Assim como não deixaram de notar o nervosismo de Bruna com os olhares de Jean, após ele estar bêbado e ser pego algumas vezes encarando a namorada do amigo.

Naquela mesma madrugada, inflamado pelo álcool e pelo rancor, Jean mandou uma mensagem direta para Bruna dizendo apenas que queria foder imediatamente. Ela tentou de todas as formas demovê-lo da ideia, implorando por mensagens, sem sucesso, já que ele ameaçou de forma fria enviar o vídeo dela chupando o pau de Lucas diretamente para o celular de Marcos e para a mãe dela.

Sem alternativa, ela cedeu. Jean passou de carro na casa dela e a levou para um motel de quinta categoria. Lá dentro, ele passou a tratá-la como um verdadeiro objeto descartável para extravasar sua raiva. Não houve preliminares, beijos ou qualquer tipo de cuidado. O que parecia clara e puramente era que ele queria fazê-la sofrer fisicamente. Jean a jogou de bruços na cama com extrema violência e a penetrou de forma brutal por trás e pelo anal, ignorando seus pedidos para ir mais devagar. A brutalidade do ato transformou a suíte escura em um cenário de puro domínio físico.

Por incrível e doentio que possa parecer, ser tratada com absoluto desprezo e o medo constante de ser descoberta fez Bruna se excitar em um nível animal. Quando chegou em casa de madrugada, o impacto físico apareceu: ela percebeu que seu cu estava completamente destruído, com sangue escorrendo e manchas no lençol, e sua buceta ardia intensamente a cada movimento. Como explicar a Marcos que não poderiam transar caso ele aparecesse?

Ela havia acabado de encerrar seu período menstrual e ele, se não estivesse desligado demais dos detalhes, saberia disso, pois ela mencionara na semana anterior que estava com cólicas horríveis, tendo sido amparada até pela própria sogra. Exausta e dolorida, ela desmaiou na cama, deixando para solucionar esse enorme problema no dia seguinte.

Na tarde do dia seguinte, Marcos estava de folga e foi convidado para um evento de seu empresário, Bruna deu a desculpa que precisava estudar para não ir aproveitando para se recuperar.

Antônio Carlos era um dos maiores empresários brasileiros, com diversas conexões com grandes clubes europeus. Tinha em seu portfólio diversas joias como Marcos, mas tinha pelo rapaz de origem humilde um carinho especial, já que vieram de comunidades próximas e Toninho, como era carinhosamente chamado, mantinha sua humilde e laços com seu passado, procurando ajudar todos na medida do possível. Ele mesmo havia sido jogador de futebol, teve relativo sucesso e jogou fora do Brasil muitos anos.

O evento marcava a chegada da filha mais nova de Toninho ao Brasil. Ela estudou em Portugal, onde morava com a esposa de Toninho e casal de irmãos mais velhos, que já trabalhavam com o pai. Ângela era um deslumbre. Quando apareceu na sala, o coração de Marcos mudou o ritmo. Parecia que ele estava dando um pique de 100 metros atrás de uma bola. Ela não era cavala como Bruna. Pelo contrário. Seu corpo mignon, com curvas acentuadas, cintura fina, seios médios e um bumbum e pernas que, apesar de malhados, não era exagerados, junto com um cabelo preto liso até a cintura e um rosto que parecia pintado por um artista, faziam uma combinação que o deixou sem fala.

Quando apresentado, gaguejou, o que tirou risadas dos presentes, inclusive da própria Ângela. Conversaram sobre diversos assuntos, estudos, carreiras, família, futuro. Ela ficou impressionada com a maturidade de Marcos e sua consciência de problemas sociais, por exemplo. Da vontade dele em não se aposentar muito tarde do futebol para estudar e curtir a família. De não esbanjar dinheiro, de garantir o futuro da irmã através do financiamento dos estudos para que ela pudesse seguir seu caminho, mas que jamais deixaria de ajudá-la.

Marcos sequer se lembrou de Bruna nesse meio tempo, o que depois, para ele, foi um sinal de que talvez ela não fosse a escolhida.

Ângela deu dicas de negócios para Marcos e se ofereceu para ajudá-lo a planejar seus investimentos, proteger seus interesses. Ele aceitou de imediato.

Enquanto isso, na Copa do Brasil o sorteio apontou o confronto entre Flamengo x Vasco.

O rubro-negro seguia utilizando o time reserva no Carioca e não parecia disposto a usar mais do que um time misto até o final, com medo de desgastar os atletas para as competições mais importantes. Isso dava espaço para Marcos brilhar. Ele já tinha 6 gols e 8 assistências no campeonato e era um dos destaques, para ódio e desespero de Jean, que vislumbrava o enfrentamento na final.

Infelizmente, naquele ano, o Flamengo venceu apenas o Carioca em uma final com o Fluminense.

Porém, Bruna continuava a trair Marcos com Jean e, às vezes, Lucas, que também se aproveitava da situação, rindo por trás de Marcos nos treinos por estar comendo a namorada do companheiro de time. Havia o componente da chantagem, mas também havia prazer por parte dela em se entregar daquela maneira. Os encontros secretos mantinham uma rotina de foder pesado e sem limites em motéis escondidos da periferia.

No final do ano Jean teve a ideia de desestabilizar emocionalmente Marcos. Ele sabia que no ano seguinte o Flamengo, com o time que tinha, provavelmente chegaria em alguma final. O plano consistia em fazer Bruna engravidar de Marcos, mas fazer com que ele soubesse da traição antes do jogo final e que essa traição fosse pública. Bruna admitiria a traição, mas garantiria que o filho era de Marcos e que ela iria buscar os direitos dela de ter uma gorda pensão para o filho, casa e carro pagos por ele, caso ele não a perdoasse e decidisse terminar.

Não era o melhor dos planos, mas convenhamos que Jean não era nenhum estrategista brilhante.

Após tomar ciência do plano, Bruna não concordou com ele, mas Jean disse que ou ela concordaria ou ele enviaria para Marcos e para a família delas os vídeos dela transando, os prints do site mostrando o anúncio dela (ela havia apagado, mas ele já havia salvado) e exporia para todos que ela era puta. Da maneira que ele estava propondo, ela poderia parar de trabalhar, já que Marcos pagaria pensão para ela.

Ela disse para Jean que Marcos não transava sem camisinha, apesar de ela dizer para ele que tomava anticoncepcional, mas ele justificava que era por orientação de seu empresário, já que ocorreram casos de doping por causa de pomadas usadas por esposas de jogadores. Bruna também preferia o sexo com preservativo, já que transava com outros homens.

A ideia dada por Jean era a de que ela guardasse a camisinha após Marcos gozar e tentar fazer uma inseminação caseira. Bruna disse que isso era muito arriscado.

O plano foi montado dentro de um cenário sombrio: uma clínica clandestina de abortos e procedimentos ilegais que ficava escondida nos fundos de um centro comercial de luxo na Barra da Tijuca. O local, iluminado por lâmpadas tubulares frias e protegido por paredes falsas de drywall que mal abafavam o barulho dos carros na Avenida das Américas, era o responsável por ajudar secretamente alguns companheiros de clube de Jean em momentos de desespero com marias-chuteiras.

O médico de plantão, de moral evidentemente duvidosa, se dispôs a realizar o procedimento de injetar o sêmen diretamente no útero da garota. Para que a armação funcionasse, Bruna recebeu de Jean um pacote com camisinhas atóxicas especiais importadas, totalmente livres de espermicidas, látex ou qualquer barreira química, projetadas especificamente para manter os espermatozoides vivos e saudáveis por muito mais tempo. A regra de ouro dada pelo médico era clara: ela deveria extrair o material e chegar em no máximo 30 minutos na clínica da Barra, pois mesmo com o preservativo especial, os espermatozoides só sobreviveriam em ambiente externo entre 30 e 60 minutos.

O plano estava estabelecido e durante algum tempo Bruna passou a transar com Marcos com maior frequência, mas desenvolveu um talento artístico para fazer com que as transas terminassem logo após ele gozar, momento em que ela apanhava a camisinha amarrava e fingia jogar fora no banheiro.

Logo em seguida, arrumava uma desculpa de um compromisso urgente e corria para a clínica. Repetiu esse procedimento algumas vezes em dias isolados, para não gerar suspeitas. Quando a menstruação seguinte atrasou, ela se encheu de esperanças e ao realizar o teste, viu que havia dado certo, ligando imediatamente para Jean.

Nesse meio tempo, Mariana já havia notado o comportamento estranho da amiga, os encontros rápidos com o irmão, a aparência cansada, até que um dia Bruna deixou o telefone sobre a mesa para falar com a professora e uma mensagem apareceu na tela. O remetente era Jean. Mariana estranhou a mensagem de Jean para a namorada do irmão. Era apenas um “oi”. Logo em seguida, como ela não respondeu, chegou uma segunda mensagem “responde, vadia! Quero comer seu cu hoje para comemorar o filho do corno!”.

Mariana ficou pálida, mas tentou disfarçar e foi embora antes que Bruna voltasse. Quando Bruna voltou, não encontrou mais a amiga, achando que ela havia ido embora. Ao ver a mensagem de Jean respondeu que estava em aula, que não era para ele mandar mensagens assim que alguém poderia ver, especially Mariana. Ela, então, esperou ele na porta da faculdade, sem saber que Mariana estava escondida filmando tudo. Jean deu um longo beijo em Bruna e seguiram para o motel. Mariana seguiu os dois, filmando o tempo todo do interior do táxi.

Ao chegar em casa, Mariana procurou por Marcos, mas sua mãe chamou sua atenção para o fato de que ele tinha jogo fora do Rio de Janeiro e que estava viajando com o time e só voltaria na quinta, mas que, como teria o primeiro jogo da decisão com o Vasco no domingo, não saberia dizer se ele seria liberado para ficar em casa.

Na quinta-feira, assim que Marcos pisou de volta no Rio de Janeiro, Bruna o procurou imediatamente no aeroporto. Após anunciar com choro de felicidade que estava grávida, Marcos ficou surpreso, já que tinha ciência que transavam com camisinha. Bruna tentou argumentar que um dia eles fizeram sem o preservativo, voltando de uma festa, mas Marcos não engoliu a explicação. Chorando de forma ensaiada, ela começou a se fazer de vítima, alegando que Marcos estava acusando-a de traição e começou a simular que estava passando mal. Usando o pretexto do choque emocional e da necessidade de apoio, arrastou-o para o apartment dela, conseguindo mantê-lo trancado ali sob forte pressão psicológica durante toda a quinta e a sexta-feira.

Bruna falava em casamento, morar junto, que o filho vinha para abençoar o namoro dos dois e era a prova que deveriam ficar juntos, mas a gravidez não estava sendo aceita por Marcos, que passou esses dois dias em um estado de profundo sufocamento, sentindo que alguma coisa estava errada. Além disso, sentia um enorme peso na consciência e uma total falta de conexão com Bruna, enquanto seus pensamentos voavam secretamente para Ângela.

Necessário dizer que, antes da gravidez e do plano, Jean passou a exigir sexo cada vez mais vezes com Bruna. Não era porque ela era bonita, que ele gostasse dela, mas sim porque era namorada do “amigo”. Isso mostra o tamanho de sua inveja e obsessão por Marcos. Bruna passou a negligenciar Marcos (só voltando a transar com regularidade para tentar engravidar), que encontrava tempo para conversar com Ângela pelo telefone ou em visitas ao escritório ou à casa de seu empresário para almoços ou jantares.

Embora não tivesse feito qualquer movimento explícito, era flagrante que os dois estavam flertando e Toninho chamou o cliente/amigo no canto um dia para conversar. Não como pai de Ângela, mas como um amigo, que ele deveria terminar com Bruna e, se gostasse mesmo de Ângela, se declarar para ela. Marcos prometeu que o faria assim que voltasse de viagem no próximo jogo. Porém, a surpresa da gravidez interrompeu o planejamento de Marcos.

Na manhã de sábado, Bruna saiu alegando que precisava resolver detalhes urgentes do enxoval, mas na verdade ela foi encontrar com Jean para falar da desconfiança de Marcos.

Livre da presença dela, Marcos voltou para a casa de seus pais exausto e trancou-se no quarto. Foi nesse momento que Mariana entrou, trancou a porta com as mãos tremendo e colocou o celular sobre a cama.

— Marcos, você precisa me ouvir agora. Sem interrupções — disse Mariana com a voz firme, mas embargada.

— Mari, por favor. Minha cabeça está explodindo — desabafou Marcos, esfregando os olhos.

— A Bruna está grávida, minha vida virou de cabeça para baixo...

— O filho não é seu, Marcos! Ou se for, veio direto do esgoto. Olha isso aqui! — Mariana jogou o aparelho na cama, mostrando as gravações de Jean beijando Bruna na porta da faculdade e os prints com as mensagens grotescas do rival.

O rosto de Marcos perdeu totalmente a cor. Ele desabou em lágrimas pesadas na beira da cama, sendo amparado pelo abraço apertado da irmã. Não chorava pela perda de um grande amor, mas sim pela dor profunda da dupla traição de quem ele considerava um irmão e de quem ele tanto respeitou. Enxugando o rosto com um sorriso amargo, ele revelou para a irmã:

— Sabe o que é o mais impressionante, Mari? Eu estava indo até a casa dela hoje justamente para terminar o namoro. Eu ia dizer que não dava mais porque estou gostando de verdade da Ângela, a filha do Toninho. Eu precisava ser totalmente honesto com a Bruna e terminar tudo antes de começar qualquer outra história ou me dirigir para a concentração do clube.

Decidido a resolver a situação de frente, Marcos lavou o rosto, despediu-se de Mariana e pegou o carro em direção à casa de Bruna. No caminho, o pavor planejado por Jean começou a se materializar: seu celular começou a vibrar repetidamente com notificações de números desconhecidos. Eram os vídeos explícitos de Bruna transando de forma selvagem com Lucas e os registros das diversas transas brutais dela com Jean.

Embora os corpos masculinos estivessem estrategicamente cortados ou na penumbra, impossibilitando a identificação imediata dos rostos dos dois jogadores, a tatuagem de fênix na coxa de Bruna brilhava nitidamente nas imagens. Junto com os arquivos de mídia, veio o print do site de acompanhantes de luxo com o anúncio de "Samantha" e uma mensagem anônima cruel carregada de deboche:"Cria da base e otário no amor! O elenco todo já comeu a Samantha na pista. Parabéns, você vai ser pai de um filho de uma puta, seu corno!"

Marcos respirou fundo, controlou a raiva e estacionou o carro. Ele subhumilhou as escadas e bateu na porta. Bruna abriu com um sorriso cínico, mas ao ver as marcas de choro recentes e o olhar gélido de Marcos, percebeu na hora que Jean já havia dado início ao plano de destruição mental.

Mudando instantaneamente de postura, Bruna estufou o peito e começou com o discurso agressivo que havia ensaiado com o cúmplice:— Ah, então você já descobriu? Ótimo, me poupa o trabalho! O filho está na minha barriga e é seu! Você vai ter que pagar uma pensão gorda, me dar uma casa de luxo na Barra e um carro quitado. Se você tentar me peitar na justiça ou me queimar com a mídia, eu pego essa criança, sumo pelo mundo e você nunca mais vai ver a cara do seu filho!

Para a absoluta surpresa de Bruna, Marcos não gritou e nem quebrou nada. He manteve uma dignidade inabalável que a deixou completamente desarmada.— Eu já sabia da sua traição com o Jean antes mesmo de receber essas mensagens no caminho para cá, Bruna — disse Marcos, com a voz pausada.

— O que me surpreende de verdade é o porquê de você ter feito isso comigo. Eu sempre te tratei com o maior respeito do mundo, eu gostava de verdade de você. O fato de você ser ou ter sido garota de programa não seria, em princípio, qualquer problema para nós namorarmos ou termos um futuro, desde que você tivesse parado com a atividade quando começamos. Eu nunca tive a cabeça fechada para o passado de ninguém. Mas você me conhece muito bem e sabe que eu não tolero mentira, traição e desonestidade.

Bruna deu um passo para trás, piscando os olhos, em choque. Não esperava aquilo. Não poderia imaginar que seu namorado não fosse se importar com o fato de que ela era garota de programa.

Marcos continuou:— Eu entrarei na justiça e pedirei um exame de DNA imediatamente assim que a criança nascer. Se o filho for mesmo meu, eu sou homem e não irei desamparar a criança em nada. Mas você terá estritamente o que for justo e estabelecido pelo juiz, nem um centavo a mais e nem um benefício além disso. Até porque, eu me lembro perfeitamente de ter transado com você usando preservativo em absolutamente todas as vezes, e acho extremamente estranho e impossível como você apareceu grávida de uma hora para outra e essa criança ser minha.

Com os olhos fixos nela, ele disparou o golpe final:— E quer saber do pior? Eu estava vindo aqui hoje para terminar com você de qualquer maneira. Eu descobri que estava gostando muito mais de outra pessoa do que de você. Mas o meu caráter me obrigava a ser totalmente honesto, a vir aqui olhar nos seus olhos e encerrar nossa história antes de começar qualquer outro relacionamento.

Embora estivesse tentando bancar a durona e a chantagista implacável até poucos segundos atrás, a armadura de Bruna quebrou por completo. Ela desabou de joelhos no chão da sala e começou a chorar desesperadamente. Entre soluços pesados, a verdade escancarada surgiu:

— Marcos... me perdoa! Eu fui chantageada pelo Jean e pelo Lucas! Eles descobriram meu passado como GP no site e filmaram aquela transa no motel para acabar comigo! Eu juro que tentei evitar no começo, mas... mas eu sentia um prazer doentio no perigo, no sexo pesado com eles, especially com o Jean! Eu não tive escolha!

Escondendo o rosto nas mãos, ela confessou o resto da podridão:— Me desculpa por tudo o que eu estava fazendo contra você... Mas agora que eu estou grávida, não tem mais como voltar atrás. Especially porque aquele desgraçado do Jean descumpriu o combinado e mandou todas as fotos e informações para você para me queimar junto!

Marcos apenas olhou para ela com pena, deu as costas e saiu batendo a porta. O plano maligno de Jean de destruir a mente de Marcos antes do clássico havia falhado miseravelmente.

Ele gostava de Bruna, mas sua consciência sempre soube que ela não era o grande amor de sua vida. O choro de Marcos no quarto havia sido de raiva e decepção pela quebra da lealdade, o que é perfeitamente normal para qualquer ser humano. Contudo, em vez de se abater, o jovem meia transformou aquele ódio em puro combustível, direcionando toda a sua força mental contra Jean, o grande arquiteto de toda aquela imundície.

Curiosamente, Marcos passou a lembrar das conversas com Ângela por mensagens, assuntos banais. Ele não procurava se insinuar para ela. Não era do seu perfil fazer isso. Qualquer movimentação seria precedida de um término de namoro com Bruna. Porém, a conexão com Ângela era real e ela, momentos antes do jogo de quarta-feira, disse claramente para ele, ao desejar boa sorte em uma mensagem, que ele estava ocupando grande parte do tempo de seus pensamentos e um espaço cada vez maior em seu coração.

O domingo do grande clássico no Maracanã chegou sob uma atmosfera de extrema tensão. Repórteres a beira do gramado tentavam entrevistar Marcos. Os vídeos de Bruna foram jogados nas redes sociais e enviados para jornalistas e influenciadores, especially vascaínos, para servirem de combustível para a humilhação pública de Marcos.

Bruna se desesperou com a exposição pública da traição. Não era o combinado. Mariana, em um gesto de solidariedade, ligou para a agora ex-amiga e disse que ela deveria ir até a Delegacia fazer um boletim de ocorrência contra Jean com base no artigo 218-C do código penal.

Jean entrou em campo com um sorriso de canto, crente de que Marcos estaria psicologicamente destruído no vestiário após os vídeos enviados no sábado e tornados públicos no domingo, antes do jogo. Mas o que ele encontrou no gramado foi um camisa 10 com os olhos focados e o sangue frio de um predador.

O jogo começou truncado, mas a resposta de Marcos veio com a bola nos pés. Aos 20 minutos do primeiro tempo, Marcos recebeu na intermediária, chamou Jean para o combate e aplicou um drible de elástico espetacular, deixando o zagueiro estendido no chão. A câmera capturaria em super-câmera lenta a torção do tornozelo do zagueiro perdendo o equilíbrio. Ele avançou em velocidade e soltou uma bomba colocada direto no ângulo: Flamengo 1 a 0.

Na comemoração, Marcos passou correndo bem perto de Jean e disparou com um sorriso cínico:— A camisinha de vocês também estava furada hoje, Jean?

A frase desestabilizou completamente o zagueiro do Vasco, que passou o resto do jogo cego de ódio, caçando o meia pelo campo com entradas violentas.

No segundo tempo, o show continuou. Aos 25 minutos, Marcos recebeu um passe na entrada da área, fingiu que ia tocar para Caio e, em um movimento genial, deu uma lambreta humilhante por cima da cabeça de Jean. Corte de câmera para o movimento de baixo para cima acompanhando a bola flutuar sobre o rival. Sem deixar a bola tocar no chão, emendou um chute de primeira na gaveta do goleiro: 2 a 0 e o Maracanã veio abaixo. O som do estádio explodiria em decibéis máximos na edição.

Aos 35 minutos, o estopim estourou perto da linha lateral. Marcos prendeu a bola, escondendo-a de Jean com o corpo. Totalmente descontrolado e desonroso, Jean veio com os dois pés por cima em uma entrada criminosa para quebrar as pernas do rival. Marcos, com o reflexo de atleta, pulou a tempo, evitou a fratura e caiu no gramado valorizando o contato. O ruído das travas raspando na caneleira ecoaria nítido. O árbitro não hesitou e puxou o cartão vermelho direto, expulsando o zagueiro de campo.

Jean, completamente ensandecido, partiu para cima de Marcos enquanto os jogadores de ambas as equipes tentavam contê-lo. As câmeras de transmissão da TV focaram em close fechado no rosto dos dois, registrando cada palavra. O diálogo pesado foi revelado nos mínimos detalhes na segunda-feira por especialistas em leitura labial em todos os programas esportivos e até no Jornal Nacional:

— Você acha que ganhou alguma coisa, seu otário?! — gritava Jean, babando de raiva e apontando o dedo na cara do rival. — Eu comi a sua namorada! Eu e o Lucas revezamos aquela vagabunda de todas as posições possíveis no motel! Aquela puta engravidou com o sêmen que ela roubou da sua própria camisinha e injetou direto no útero em uma clínica clandestina na Barra!

— Nós postamos todas as fotos e vídeos hoje! Todo mundo já sabe! Você é o maior corno do Brasil, Marcos!

Marcos, mantendo a postura firme e olhando fixamente nos olhos do rival expulso, respondeu com um sorriso calmo e a voz perfeitamente legível para as câmeras:— Eu já sei de tudo isso, Jean. A Bruna desabou e me confessou cada detalhe ontem à noite. Você acabou de perder a nossa amizade, perdeu o jogo, vai perder o seu emprego no Vasco e, como um completo idiota arrogante, acabou de confessar em rede nacional, na frente de milhões de espectadores, os seus crimes de chantagem, divulgação de vídeo de sexo e, se bobear, formação de quadrilha com o médico da clínica clandestina. Acabou para você, seu merda!

Foi então que Jean se ligou na besteira que havia feito em entrar na pilha e confessar num campo de futebol, com mais de 20 pessoas próximas e dezenas de câmeras, microfones e milhões de pessoas assistindo, os crimes que havia cometido.

A revelação bombástica da leitura labial chocou o país. Não bastasse a leitura labial, jogadores dos dois times que ouviram a discussão e o próprio árbitro, que relatou o diálogo na súmula se dispuseram a depor em favor de Marcos. O plano de Jean virou contra ele mesmo: a diretoria do Vasco rescindiu seu contrato por justa causa imediatamente na manhã seguinte e a Polícia Civil abriu um inquérito criminal contra ele e Lucas, que também foi desligado do Flamengo.

Humilhado e odiado por todas as torcidas do Rio de Janeiro, a carreira de Jean no futebol profissional estava sumariamente destruída.

Ao apito final, com o Flamengo sagrando-se campeão do confronto, o Maracanã explodiu em festa. Marcos ignorou completamente as comemorações dos companheiros no centro do gramado. Ele correu em direção à tribuna de honra, subiu os degraus correndo sob o delírio e os aplausos da torcida rubro-negra e foi direto ao encontro de Ângela. Diante de centenas de fotógrafos e flashes, ele a puxou firmemente pela cintura e deu nela um beijo apaixonado, longo e avassalador, selando publicamente o início de uma nova e linda história de amor.

Nos meses que se seguiram, a justiça divina e a biológica cobraram o seu preço. Bruna, sofrendo com o extremo estresse psicológico das investigações policiais e com terríveis complicações uterinas decorrentes do processo de inseminação caseira mal executado na clínica clandestina, acabou sofrendo um aborto espontâneo antes de completar o terceiro mês de gestação. Totalmente isolada, rejeitada pela sociedade e processada criminal e civilmente, ela decidiu mudar de nome e mudou-se definitivamente do Rio de Janeiro em busca de um completo anonimato.

A história encontra o seu desfecho perfeito em um belo final de tarde ensolarado. O cenário agora é o amplo quintal da nova e confortável casa dos pais de Marcos no condomínio de luxo na Barra da Tijuca. O ambiente está repleto de sorrisos, som de samba de raiz e o cheiro bom de um churrasco de comemoração. Sentados à mesa, em um lindo gesto de acolhimento de Marcos, estão Dona Ana e Jonas — a mãe trabalhadora e o irmão honesto de Jean —, provando que o carinho e o respeito verdadeiro pela família humilde do ex-amigo jamais morreram por causa da maldade de um só homem.

Toninho, o empresário, aproxima-se de Marcos e bate de leve em seu ombro com um grande sorriso orgulhoso, enquanto Ângela, linda e radiante, serve um copo de suco para o namorado e senta-se ao seu lado, abraçando-o pela cintura.

— Garoto, eu tenho uma notícia espetacular para você — disse Toninho, olhando nos olhos do craque. — Os diretores do Real Madrid e do Manchester City me ligaram hoje cedo. A Europa inteira está de olho nos seus gols e na sua maturidade. Eles querem você lá na janela de transferências de janeiro.

Marcos olhou para o lado, vendo seu pai pedreiro sorrindo orgulhoso com um copo na mão, sua mãe professora conversando alegremente com Dona Ana, e sua irmã Mariana, que seguia com sua faculdade de direito. Ele segurou firmemente a mão de Ângela, olhou para o empresário e respondeu com toda a humildade e a certeza do mundo:

— Deixa eles esperarem um pouquinho mais, Toninho. Primeiro, eu tenho uma promessa sagrada para cumprir aqui. Eu tenho que ganhar a Taça Libertadores da América pelo Flamengo para realizar o grande sonho de toda a minha família e do meu falecido avô. O resto do mundo... a gente tenta conquistar depois.

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