Meu dia terminou como sempre. Tamires trouxe Manu no horário habitual e, assim que ela bateu os olhos em mim, começaram os elogios. Parece que não fui só eu que amei meu novo visual. Tamires, pelo jeito, gostou muito; dava para perceber o entusiasmo na sua voz. Porém, o que realmente me convenceu de que eu tinha ficado ótima foi o que Manu disse. Quando me abaixei para dar um beijo em sua testa: algo que eu sempre fazia, ela me olhou e disse que eu parecia uma princesa. Aquilo me arrancou um sorriso, e ela riu junto comigo, mesmo sem saber o motivo real do meu sorriso.
Tamires ficou um pouco e conversamos. Aproveitei para esclarecer que meu encontro tinha sido ótimo, mas não era nada sério; provavelmente, seríamos apenas boas amigas. Tamires perguntou se poderia saber quem era, se ela conhecia. Eu contei a verdade. No fim, ela disse que se lembrava de ter visto Laura na padaria conversando comigo. Comentou que ela era muito bonita e que eu deveria investir. Eu disse que iria pensar no assunto. Aproveitei para mencionar que foi Laura quem me ajudou com o apartamento e estava tentando arranjar um trabalho de verdade para mim. Se desse certo, eu não precisaria inventar nada no final da semana seguinte, que era quando eu deveria voltar a trabalhar na padaria. Tamires disse que estava feliz por mim, mas preferia que eu voltasse logo para casa e ao trabalho. Eu a entendia e, no fundo, também queria isso, mas algo me dizia que isso iria demorar a acontecer, se é que algum dia aconteceria.
O restante da noite correu bem, e na manhã seguinte, depois do café, fui brincar um pouco com a Manu. Aqueles momentos de distração com ela pareciam renovar minhas energias e me davam forças para continuar lutando para tê-la sempre comigo.
Era quase 10 da manhã quando meu celular tocou. Era Laura. Assim que atendi, ela perguntou se eu estava ocupada. Eu disse que estava com minha sobrinha e que logo iria fazer o almoço. Laura perguntou se podia almoçar comigo e minha sobrinha. Aquele convite foi inesperado, mas aceitei sem pensar duas vezes. Ela disse que era para eu liberar a entrada dela, porque estava na portaria do prédio. Mais uma vez, ela me surpreendeu. Fui até o interfone e pedi para o porteiro deixar Laura entrar.
Logo, Laura apareceu no corredor com uma sacola na mão. Eu já estava na porta esperando por ela. Assim que se aproximou, me deu um selinho e a chamei para entrar. Manu, que estava brincando no chão da sala, desviou sua atenção dos brinquedos e focou na visita que acabara de entrar. Laura foi direto em sua direção, abaixou-se perto dela e se apresentou, estendendo a sacola em direção a Manu. Disse que era um presente para ela. Manu abriu um pequeno sorriso e pegou a sacola, retirando o que havia dentro. Primeiro, saiu um pacote bem embrulhado em papel rosa. Era uma caixa de bombons sortidos da Cacau Show. Manu amou; eu nem tanto. O povo só dava porcaria para minha sobrinha, e no fim, eu saía como a malvada por não deixá-la comer a quantidade que queria. Porém, não era só isso. Manu levou a mão dentro da sacola e retirou outro embrulho, um pouco maior e embrulhado em um belo papel de presente. Era uma boneca da Elsa, do filme Frozen. Manu quase saiu pulando de felicidade; era a boneca que todo mundo queria ganhar naquele ano.
O resultado de tudo isso foi que Manu ganhou outra tia. Eu só ouvia tia Laura para cá e tia Laura para lá. Vendo a felicidade dela, não tinha como eu não ficar feliz também. Laura, pelo jeito, era expert em conquistar as pessoas. E não eram só os adultos não. Ela já tinha conquistado Manu de primeira e, na verdade, estava me conquistando também. Cada vez mais, minha confiança em Laura como uma boa pessoa só aumentava.
Como Manu só prestava atenção na nova tia, fui fazer meu almoço e pedi para Laura ficar de olho nela, sem dar chocolate antes da refeição. Nessa hora, Manu me olhou com um bico enorme, então eu disse que daria um depois que almoçássemos. O bico não desapareceu, mas ela não reclamou. Manu sempre almoçava com Tamires na casa dela, mas naquele dia resolvi deixá-la almoçar conosco. Da cozinha, eu ouvia a conversa de Laura e Manu e imaginei que logo Laura iria se cansar. Mas me enganei; ela ficou com Manu o tempo todo e ainda ajudou-a a se sentar para o almoço.
No início, foi meio estranho ver Laura ali com a gente, mas logo a estranheza passou e tivemos um almoço bem divertido. Laura comeu bastante; pelo jeito, gostava de comida simples. Provavelmente, já tinha sido pobre alguma vez na vida ou conviveu com alguém assim. Eu até tinha curiosidade sobre isso, mas Laura já tinha mencionado que não gostava de falar sobre sua vida pessoal. Se algum dia ela quiser, ela me conta.
Depois do almoço, fomos para a sala e Manu já cobrou seu chocolate. Dei um a ela e avisei que naquele dia não ganharia o sonho de valsa da Tamires. Nesse momento, eu vi nascer outro bico enorme, que só se desfez quando ouvi a porta se abrir e vi Tamires surgir atravez dela. Manu já se levantou correndo para encontrá-la, segurando a boneca da Elsa e pedindo para a tia ver o presente que a tia Laura tinha dado a ela. Tamires me olhou e disse em voz alta: Tia Laura, parece que as coisas evoluíram por aqui! Eu não sabia se ria, se explicava ou se xingava Tamires pela provocação. No fim, só sorri e disse para ela entrar.
Apresentei as duas e, no fim, descobri que Laura também se lembrava de ter visto Tamires na padaria. Conversamos um pouco, nada de importante, e Tamires levou Manu depois que avisei sobre o chocolate. Laura ganhou um abraço e um beijo de Manu e prometeu que voltaria mais vezes para visitá-la.
Ficamos no sofá por um tempo e Laura me perguntou sobre meu encontro com Nicole e Sandra. Ela queria saber dos detalhes e eu compartilhei tudo o que lembrei. Ela elogiou meu novo corte e eu mostrei algumas fotos que tirei ainda com a maquiagem. Laura disse que eu tinha ficado linda, mas que com um banho de loja e as roupas certas, eu ficaria ainda mais linda. Depois, tocou em um assunto que eu sabia que ela iria abordar.
Laura— Já decidiu se vai aceitar minha proposta? Só estou curiosa, não é uma pressão, mas quero saber como estão as coisas.
Camila— Tudo bem, eu entendi. Não decidi ainda, mas a chance de eu dizer sim aumentou muito depois que falei com Nicole e Sandra.
Laura— O que mais te deixa propensa a aceitar ou negar minha proposta? Pode ser honesta; eu sei que esse tipo de proposta gera muitas dúvidas, medos e desconfiança, principalmente quando vem de alguém em quem você ainda não confia.
Camila— Posso ser sincera, Laura? Promete que não vai se ofender ou levar para o lado pessoal?
Laura— Prometo; na verdade, prefiro que você seja totalmente sincera.
Camila— Tá bom. Meu maior medo de aceitar é que tudo isso não seja verdadeiro e que eu acabe em uma situação perigosa. Também tenho medo de que, em algum momento, você peça para eu ficar com alguém que eu não queira e jogue na minha cara toda a ajuda que estou recebendo agora. Mesmo se eu aceitar, ter que mentir para as pessoas que confiam em mim me incomoda muito. Isso é o que me impede de dizer sim até o momento. O que mais me dá vontade de aceitar é o dinheiro. Não tem como não pensar que esse dinheiro mudaria minha perspectiva de vida. Eu poderia dar uma vida melhor para a Manu, planejar o futuro dela sem depender do dinheiro de outras pessoas. Claro que eu penso em mim e no que esse dinheiro poderia melhorar na minha vida, mas meu foco principal é a Manu.
Laura— Acho que o que você disse não se diferencia muito do que eu imaginava. Suas dúvidas e medos são válidos e vou tentar diminuí-los para que você confie que tudo que eu disse é verdade. Pedi para você conhecer Nicole e Sandra por isso. Quanto ao que você pensa em fazer com o dinheiro, caso aceite, é algo louvável. A maioria das garotas que aceitam pensa em coisas que, a meu ver, são supérfluas; ainda bem que você não é assim. Se você aceitar, terei muito prazer em te pagar cada centavo. Também fiquei feliz por ouvir isso, pois me dá certeza de que ajudei alguém que vale a pena, algo que já desconfiava.
Camila— Preciso de mais um tempo para pensar. Me desculpe.
Laura— Sem problemas, não estou com pressa. Já consegui contratar outra garota, então pode pensar com calma. Se decidir não aceitar, vou tentar arranjar um trabalho para você. Não prometo nada muito bom, mas farei o que puder.
Camila— Agora me senti mal por algumas coisas que falei.
Laura— Não sinta, é absolutamente normal ter esses medos. Eu te entendo, não fique preocupada com isso. Bom, haverá um encontro na quarta-feira da próxima semana e queria que você fosse como minha convidada, sem compromisso algum. É só para você conhecer algumas pessoas que frequenta o lugar e ver como é o ambiente.
Camila— Claro, se for só como convidada, eu vou. Mas acho que não tenho roupa para isso; não estou dizendo isso para ganhar uma não, mas para saber o que comprar.
Laura— Compre algo que te deixe confortável. Não há exigências. Você verá pessoas com roupas de festa assim como verá pessoas de roupa formal. O principal dos nossos encontros é que cada um seja realmente quem é em todos os sentidos.
Camila— Acho que entendi. Vou comprar algo que eu goste então.
Laura— Bom, acho que conversamos bastante. Que tal você me mostrar seu quarto agora?
Camila— Eu adoraria, mas que tal você esperar eu tomar um banho rápido primeiro? Acabei de fazer o almoço e estou com cheiro de tempero.
Laura— Esquece esse banho. Você já é gostosa normalmente; agora, imagina temperada.
Camila— Kkkkkkkkkkk
Laura às vezes me surpreendia. Quem olhasse para aquela mulher vestida com seu terno chique e cabelo impecável não esperaria que ela amasse comida simples ou fizesse piadas como a que fez. Naquele momento, realmente torcia para que ela continuasse me surpreendendo de forma positiva.
Depois de rir muito, me levantei e a levei para o meu quarto. Embora eu tivesse amado a piada, na prática era outra coisa. Eu não iria transar com ela fedendo a alho e cebola. Falei para ela ficar à vontade e fui para a suíte tomar meu banho. Não ia demorar; só queria tirar aquele cheiro da pele. Assim que entrei, tirei a roupa e entrei debaixo do chuveiro, comecei a me lavar, caprichando nos braços e mãos, onde o cheiro estava mais forte. Depois lavei o corpo todo e peguei o shampoo para lavar meu cabelo.
Estava quase terminando de enxaguar quando senti duas mãos na minha cintura e ouvi Laura dizendo que não aguentou esperar. Antes que eu pudesse passar as mãos no rosto para retirar o excesso de água, já sentia uma das suas mãos deslizar entre minhas pernas. Quando consegui abrir os olhos, já senti seus dedos brincando com meu clitóris com suavidade. Um gemido escapou da minha boca. Eu ia falar algo, mas seus dedos deslizaram para dentro da minha intimidade e eu só consegui gemer novamente.
Laura sabia onde tocar, como tocar e qual intensidade usar; era como se ela lesse minha mente, soubesse exatamente o que eu queria. Em poucos instantes, ela conseguiu deixar meu corpo e minha mente totalmente entregues aos seus toques. Naquele cômodo, só se ouvia a água caindo e meus gemidos de prazer, que se tornavam mais intensos a cada toque.
Laura colou seu corpo no meu e eu senti o calor dela no meu corpo. Seus mamilos tocaram minhas costas e seus lábios encontraram meu pescoço. Empinei minha cabeça para trás e abri um pouco mais as pernas. Seus dedos me penetraram com força; o carinho inicial se tornou algo mais bruto, mais intenso, quase selvagem. Ela mordia meu pescoço e o lóbulo da minha orelha, e com sua voz rouca, falava sacanagens no meu ouvido.
Naquele momento, não existia mais eu e ela; minha mente só conseguia sentir e ouvir os sons daquele momento intenso. Não sei quanto tempo durou, nem quando começou, mas senti um orgasmo tomar meu corpo por completo e me provocar tanto prazer que meu corpo todo tremia com os espasmos. Laura me segurava firme, pois minhas pernas já não tinham forças para sustentar meu corpo. Quando consegui voltar ao meu estado normal, um sorriso tomou conta dos meus lábios. Eu acabara de ter um dos melhores orgasmos da minha vida e tudo que consegui fazer foi sorrir e dizer a ela: obrigada.
Laura me virou de frente, sorriu e me deu um beijo carinhoso nos lábios. Depois, olhando nos meus olhos, disse que era para eu deixar os agradecimentos para mais tarde, quando ela terminasse de fazer tudo que estava com vontade de fazer comigo. Antes que eu pudesse dizer algo, ela se ajoelhou na minha frente e começou a passar a língua sobre minha intimidade. O contato da sua língua deslizando sobre meu clitóris ainda sensível causava pequenos choques no meu corpo. Ela limpou toda a minha intimidade, depois se levantou e me beijou com uma intensidade acima do normal.
Ela disse que era melhor irmos para a cama, já que nossa tarde só estava começando e ela queria aproveitar cada segundo comigo. Eu não disse nada, apenas peguei sua mão e saí puxando-a em direção à saída. Meu corpo ainda estava molhado, mas não liguei; só queria chegar rápido ao quarto para poder saborear aquela mulher deliciosa que estava ali comigo.
Continua...
Criação: Forrest_Gump
Revisão: Whisper
