Continuando.
Me lembro que quando eu vi aquela foto da mulher branquinha de bunda redonda eu achei a coisa mais linda do mundo e ao ouvir meu primo dizer que minha bunda era igual, eu me senti bonito e desejado.
Naquela mesma semana, houve uma tarde de chuva e brincar no quintal não era opção. Dentro de casa a gente não tinha o que fazer, porque a casa era cheia de gente: minha tia, minha avó, uma porção de adulto na sala tomando café e falando alto. O único lugar livre era um quarto bem lá nos fundos, separado da casa, onde ficava tranqueiras, brinquedos e um colchão velho que ninguém usava. A porta não tinha chave, só a tranca de girar e uma fresta que dava pra ver que vinha do lado de fora.
A gente começou com o negócio que todo moleque daquela idade inventa quando está preso dentro de casa: brincar de lutinha, se empurrar, se derrubar, rir. Eu era mais magro e ele era mais forte poro ser mais velho, e num desses empurrões ele me jogou em cima do colchão e montou em cima das minhas costas, joelho de cada lado da minha cintura, pra eu não levantar, fingindo montar um cavalo.
A gente estava de bermuda e camiseta, e eu ri, e ele riu, e eu empurrei o quadril dele pra ver se ele saía de cima, e ele não saiu — ele desceu mais o peso, e foi aí que eu senti.
A bermuda dele tinha um volume duro que ele encostou bem no meio da minha bunda, justo entre as bochechas da minha bunda.
Eu senti o formato do pau dele inteiro. Foi um toque completamente diferente de qualquer coisa que eu já tinha sentido, porque não era dor nem era cócega, era um calor pontual, pequeno, e eu senti aquilo subir pela minha barriga.
A gente ficou uns trinta segundos sem falar nada, ele em cima de mim, dando indícios de uma esfregada disfarçada, a chuva batendo no telhado, foi ele que falou, e falou num tom de pesquisador, não de safado:
— Tá vendo que encaixa?
Eu respondi que encaixava, e respondi como quem confirma uma coisa da natureza, tipo "é, a mangueira encaixa no cano".
Eu não sei o que eu achei que era. Eu era um pré-adolescente e a minha informação sobre sexo vinha de três fontes: um menino maior que tinha dito que sexo era "o cara em cima da mulher e ele se mexe", minha tia dizendo que fulana "tinha engravidado do namorado", e um cachorro no pasto que eu tinha visto uma vez. Nenhuma dessas três coisas explicava o que estava acontecendo em cima daquele colchão, mas a frase dele tinha a autoridade de quem era mais velho e sabia de algo que eu não sabia.
E eu quis continuar.
Eu continuei de bruços porque era mais fácil aguentar o peso dele que desceu um pouco mais pra minhas coxas e liberou a minha o peso de cima da minha bunda. Puxei a barra da camiseta pra cima porque estava quente e o colchão coçava e automaticamente peguei no meu pinto.
— Meu pinto também ficou duro hahaha
Ele continuou por cima de mim, e aí a coisa virou outra.
Percebi que ele começou a se masturbar, sentado nas minhas pernas e encarando minhas costas. Nesse momento eu baixei o short e comecei a me masturbar com uma mão, apoiado no cotovelo, e ele fez o mesmo, encostado em mim, e a gente ficou se masturbando assim, eu de quatro e ele atrás, sem se olhar, olhando cada um pra parede, como se aquilo fosse mais fácil se ninguém encarasse ninguém. E no ritmo da mão, o quadril dele foi entrando no ritmo também.
Livres dos shortes, ele encostou de novo o pinto entre as bochechas da minha bunda, como quem quer confirmar a anfirmação anterior pra ver se encaixava. Senti uma pontada quente no meu rego vindo da cabeça do pau dele. Ele encostou de novo, dessa vez bem em cima do meu cuzinho e eu empurrei pra trás sem pensar, e ele entendeu, e passou a fazer aquilo de propósito: encostar, recuar, encostar.
Eu sentia ele abrindo e fechando minha bunda, passando a cabeça do pau por cima do meu buraquinho, e a cada vez que ele empurrava mais forte eu sentia uma coisa entrar um pouquinho — um milímetro, talvez menos — e era uma sensação esquisita e forte, como quando você faz força pra segurar e pra soltar ao mesmo tempo.
Eu não estava com dor. Eu estava com uma sensação nova, sem nome, e o meu corpo respondia empurrando a bunda pra trás cada vez mais.
E foi aí que ele fez a pergunta que eu nunca esqueci. Ele parou de se mexer, ficou com o pau encostado ali, parado, e falou, baixinho, com uma seriedade quase médica:
— Você acha que entra?
Eu respondi que não, que não cabia e que ia doer. Ele falou que nas revistas que tínhamos vistos entrava.
Eu retruquei que não era na bunda.
Então ele me lembrou da mulher da bunda redondinha igual a minha, que tinha uma foto específica onde o homem colocava a cabeça do pau dentro da bunda dela, então talvez entrasse sim, talvez o corpo abrisse. E eu respondi a coisa mais idiota e mais verdadeira daquela tarde:
— Abre pra sair cocô, não pra entrar pau.
Ele riu, e a risada fez o corpo dele tremer, e o pau dele tremeu encostado em mim, e eu senti aquilo esquentar de vez. E ele falou:
— Vamos ver se abre.
Ele apertou o quadril contra o meu e empurrou, e eu apertei tudo, e eu senti a cabeça do pau dele forçar a entrada. Não entrou o pau. Talvez só um pouco da cabecinha, e eu senti como se eu tivesse feito força pra evacuar e algo estivesse entrando na direção contrária, e eu gelei, e ele gelou junto, e a gente ficou congelado, grudado, esperando doer.
Não doeu. Doeu um pouco, uns dois segundos, e depois virou só uma sensação enorme, apertada, e eu senti o corpo dele apertar em mim e ele gozar, e eu gozar na minha mão quase ao mesmo tempo, e foi tudo meio rápido e meio constrangedor e absolutamente inesquecível.
Ele saiu na hora. Não entrou mais nada, não teve segunda tentativa, porque ele ficou com medo de ter me machucado. Ele perguntou se estava doendo e eu falei que não, e ele falou "então é isso, é isso que eles fazem", e eu acreditei, e a gente se vestiu, alisou a roupa, limpou a bagunça e saiu do quarto do fundo como se tivéssemos ido só ver se tinha alguém lá.
Nós dois ficamos o resto da tarde na sala, no meio dos adultos, sem olhar um pro outro. E eu passei aquela noite deitado de lado, com a bunda levemente dolorida, pensando na pergunta dele. Você acha que entra? Eu tinha dito que não.
Mas quanto mais eu pensava no que tinha acontecido, maid duro ficava o meu pinto.