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A noite da chuva - A Estrada (1/6)

Da série A Noite da Chuva
Um conto erótico de HelenaViana
Categoria: Heterossexual
Contém 1167 palavras
Data: 08/09/2026 12:08:28

A Estrada

Hoje eu vou contar uma loucura que, nossa, foi surreal.

Não foi festa. Não foi app. Não foi combinado no grupo com regra e emoji. Foi uma casa de campo da tia da Lara, chuva o fim de semana inteiro, estrada de terra, cinco amigos da faculdade e um colchão na sala que era para ser só meu e no fim...

A gente se conhece da faculdade. Não da primeira semana de calouro, da terceira. Do

tipo de amizade que nasce porque a mesa do RU era a mesma e ninguém tinha coragem

de sentar em outra.

Lara e Nando já eram um quando eu os vi. Terceiro período de Letras para ela, Educação Física para ele. Ela alta para uma mulher, um metro e setenta e quatro, cabelo castanho escuro liso que ela prende num coque frouxo quando está com preguiça e solta quando quer que olhem. Ombro estreito, peito médio que marca blusa fina, cintura que some na calça, bunda alta. Boca grande. Olho castanho que não pisca primeiro. Fala baixo e o recado chega inteiro.

Nando é o contrário em volume: um metro e oitenta e oito, ombro largo, peito grosso de academia sem virar boneco, coxa que estoura jeans. Cabelo preto curto, barba sempre de três dias. Mão grande. Veia no antebraço. Quando ri, o dente da frente é um pouco torto e isso quebra o bonito demais. Ele toca nas pessoas sem pedir e quase nunca é acidente.

Bia entrou no nosso grupo no quarto período, Publicidade. Um metro e sessenta e cinco, corpo compacto, peito grande para a altura, cintura marcada, coxa grossa de quem anda rápido. Cabelo cacheado castanho claro até o meio das costas, boca pintada até quando diz que não pintou. Ri alto. Ciúme e tesão saem da mesma frase.

Davi veio com ela. Faz história. Um metro e oitenta, magro de ombro bom, mão de quem escreve demais. Cabelo ondulado escuro caindo na testa, óculos que ele tira quando bebe. Pau que a calça denuncia se ele ajeita errado, a gente já viu no banho de cachoeira de um dos nossos rolês, sunga molhada, todo mundo fingindo que era paisagem. Namora a Bia há dois anos e sete meses. Fala pouco. Olha demais.

Eu sou a solteira do meio. Helena, vinte e dois, Letras com Lara. Um metro e setenta, cabelo preto na altura dos ombros, franja que eu vivo jogando para o lado. Peito pequeno, bunda que só aparece de short, coxa clara. Observadora. Tesuda e orgulhosa. No grupo eu sou a que dorme no sofá e racha a gasolina sem drama.

Marcamos de passar um final de semana em uma casa no sitio. A casa é da tia da Lara, a que mora em Santos e quase não sobe a serra. Sítio simples no meio de uma estrada de terra depois da placa de município: dois quartos, sala com lareira de pedra que pega mal, um banheiro, varanda coberta, tanque no fundo. Colchão de casal velho no quarto da frente, duas de solteiro no do fundo, um colchão solteiro extra que vira cama na sala. A tia ligou na quinta: “levem cobertor, a lareira não é boa, o chuveiro pinga para fora do box.”

Marcamos o fim de semana porque a Lara mandou no grupo: “a tia liberou a casa, chove o fim de semana inteiro, a gente some.” Eu respondi “eu durmo na sala.” Bia mandou um figurinha. Davi curtiu. Nando mandou a hora do carro.

O carro era o dele, SUV velha um ecoSport, cheiro de tapete molhado e café derramado. Eu no meio do banco de trás porque a Bia queria a janela e o Davi a outra. Na frente, Lara no passageiro, o pé no painel, a calça de moletom subindo na canela. Nando dirigia com uma mão. A chuva começou na serra, antes da terra. Vidro embaçado. Limpador no máximo. Nçao sei o por quê, fiquei com Tesão. O jeans grudou na minha coxa.

A gente se conhecia o bastante para o silêncio não ser estranho.Lara virou o pescoço no meio de uma curva.

— Se a sala virar gelo, a Helena sobe para o nosso quarto.

Bia riu alto demais.

— A solteira no meio do casal. Clássico de filme ruim.

— Clássico de casa fria — Lara não tirou o olho de mim. — O colchão da sala é uma merda. Eu já dormi nele.

Nando olhou pelo retrovisor. Achei que ia olhar o banco inteiro. Olhou o meio. Eu. — A porta do nosso não tranca. Se bater, a gente abre.

Era o tipo de frase que fica no ar.

A lama subiu no tênis no primeiro passo do quintal. A luz amarela na varanda acesa.

Cheiro de mofo, lençol guardado, a lenha úmidan sem chamche de usar. Dentro, o teto baixo. A mesa da sala com marca de copo antigo. O sofá grande, fundo, o tecido puxando bunda. O banheiro no fim do corredor, no canto a toalha que a tia deixou dobrada demais.

Nando passou atrás de mim no corredor com a caixa de cerveja. O peito largo roçou minhas costas. A boca veio só no meu cabelo colado no pescoço:

— Se gelar de verdade, o quarto aguenta três.

Bia estava na porta do banheiro, já com a escova na mão, a camiseta molhada.

O olho dela subiu do meu pescoço para o Nando. Apertou a pasta.

Dividimos os quartos sem votar. Lara e Nando no de casal, janela para a árvore. Bia e Davi no

de duas camas que eles encostaram. Eu o colchão da sala.

O jantar foi pão, queijo que derreteu mal, cerveja que não gelou. Jogamos Baralho. Eu perdi porque a Lara

encostava o joelho no meu por baixo da mesa e o Nando deixava a lata suada encostar nos

meus dedos quando passava.

— Você observa demais — Lara misturou o baralho. — É um defeito bonito.

— É desemprego de sexta. — Nando puxou uma carta da minha mão sem pedir. O dedo grosso roçou a palma. — Observar é o jeito dela entrar.

Bia soltou uma risada e virou o rosto. O cacheado bateu no ombro do Davi. Ele ajeitou a calça. Eu vi o volume e finji que não.

Às onze Bia puxou Davi. A porta do quarto deles bateu. Lara ficou descalça na sala mais vinte minutos, a meia molhada no tapete, o peito marcando a blusa sem sutiã — eu vi o recorte quando ela se abaixou no saco do mercado. — Se acordar com frio, bate. A gente deixa só encostada.

Nando passou a mão no meu cabelo ao ir embora. O polegar na orelha. Cheiro de barba e

desodorante barato. Eu deitei no colchão. Short e moletom. A chuva no zinco. O banheiro flush. Alguém riu atrás da parede, nãodistingue quem.

Eu ainda era a solteira que dorme na sala.

Mas a Lara já tinha escolhido com o olho. O Nando já tinha encostado o peito.

A calcinha molhou sozinha. Eu virei de lado para dormir e pus a culpa no jeans da estrada.

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Comentários

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Muito bom, gostei!! Tambem fiz um menage com minha esposa, se der, da uma olhadinha no meu conto.

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