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Nem o ar, nem o mar, conseguiu apagar - Parte 23

Um conto erótico de Mark da Nanda
Categoria: Heterossexual
Contém 3392 palavras
Data: 08/09/2026 11:10:52

Reeves ergueu o olhar para ela, a voz mais baixa, quase fraterna:

- Laura, raramente resolvemos todas as dores. Nossa função é devolver ao paciente a capacidade de carregar o que é dele e, aos poucos, transformar isso numa carga suportável. Eu vou tentar devolver ao meu paciente algum equilíbrio e a possibilidade de uma vida que valha a pena. Os problemas dele, no fim, só ele pode resolver. Não carregue você as inseguranças e dores dos seus pacientes. Se carregar, não sobra espaço para a sua própria vida.

Despediram-se e encerraram a chamada enfim. Laura olhou pela janela de seu consultório e viu que caía uma chuva fina lá fora. Apoiou os cotovelos sobre sua mesa e suspirou, pensando em como dar os próximos passos.

Do outro lado da cidade, a mesma chuva fina batia na janela do apartamento de Chuck. Wilson estava sobre a cama, mas pela primeira vez em muitos dias eles não conversaram. A percepção que Reeves o forçara a encarar ainda doía: ele não era a única vítima da história. E essa dor compartilhada, por mais desconfortável que fosse, começava, devagar, a mostrar um lugar onde ele poderia caber.

[CONTINUANDO]

Duas semanas se passaram. Cada um deles tentava viver sua vida como se rotina fosse a resposta para seus problemas pessoais. De todos, apenas Katie parecia conseguir seu propósito.

Chuck aprendia, aos poucos, a habitar as horas sem se dissolver nelas. Acordava antes do despertador, quando a luz ainda era apenas uma ameaça cinzenta atrás das cortinas. Abria-as com um gesto deliberado, como quem força o corpo a reconhecer que o dia existe independentemente da vontade. Tomava banho com a água mais quente do que o necessário, deixando o vapor preencher o banheiro até embaçar o espelho. No vapor, o próprio rosto aparecia distorcido, e ele se forçava a limpar o vidro com a mão para se ver com clareza. A barba era feita com cuidado diário, quase ritualístico. O uniforme da FedEx, minimamente passado, era vestido sem pressa. Cada botão fechado era uma pequena declaração de que ele ainda pertencia a algum lugar naquele mundo ordinário.

No trabalho, as tarefas funcionavam como andaimes. Conferir códigos de barras, organizar rotas, responder perguntas de clientes com frases curtas e profissionais. Os colegas notavam que ele estava mais quieto do que o habitual, mas ninguém perguntava demais. A solidão no meio do movimento era diferente da solidão do apartamento. Era suportável.

À noite, quando voltava ao apartamento, a primeira coisa que fazia, antes mesmo de tirar o casaco, era olhar para Wilson e controlar uma vontade imensa de conversar com ele sobre o seu dia a dia. O “amigo” permanecia sobre a cadeira perto da janela, exatamente no lugar onde a luz da rua a iluminava de viés. O rosto pintado, já um pouco desbotado, olhava para o centro da sala com a mesma expressão neutra de sempre. Chuck se policiava para não falar com ela. Não fazia perguntas. Não inventava respostas. Apenas parava de pé, às vezes por cinco minutos, às vezes por dez, às vez por quinze, e olhava. Havia uma melancolia naquele silêncio. Não era mais a necessidade da companhia imaginária. Era a consciência de que precisara daquela bola para não enlouquecer, mas agora precisava reconhecer que falar com ela seria a própria loucura. E isso doía. Demais. Era como se estivesse largando a última tábua de salvação de um bote imaginário, afundando num segundo naufrágio.

Mas era necessário.

Depois do olhar, ele seguia para a cozinha, preparava qualquer coisa simples e comia em silêncio. A sanidade que buscava era seca, sem atalhos, sem vozes que só ele ouvia. E por isso mesmo parecia frágil, mas muito mais verdadeira.

Noutro canto da cidade, numa manhã cinzenta, Kelly e Jerry aguardavam ansiosos por uma consulta de pré-natal. Chegaram com quinze minutos de antecedência. A sala de espera era clara, com revistas de maternidade espalhadas sobre a mesa de centro e repleta de um som baixo ao fundo de uma música instrumental. Kelly ajeitou a blusa sobre a barriga ainda imperceptível. Jerry sentou-se ao lado dela, a pasta de documentos do consultório apoiada no joelho, mas os olhos voltados para a esposa.

Eles não falavam muito em público sobre o que os atormentava, nem a sós, seguindo à risca as orientações da doutora Laura. A rotina em casa tinha encontrado uma espécie de trégua zelosa.

À noite, depois que Katie dormia, o desejo entre os dois se manifestava de formas diferentes. Havia momentos de urgência quase voraz, como se o corpo precisasse confirmar que o outro ainda estava ali, inteiro. Havia também noites em que o cansaço falava mais alto e eles apenas se acomodavam um no outro, a mão de Jerry sobre a barriga de Kelly, a respiração dela se acomodando aos poucos. Estavam reaprendendo o ritmo. Não era mais o sexo da reconciliação desesperada, nem a tensão dos dias de dúvida aberta. Era algo mais lento, mais atento, ainda marcado pela sombra da incerteza.

Kelly folheou uma revista sem enxergar as páginas. Depois falou de lado, a voz baixa o suficiente para não atravessar a sala:

- Eu fico pensando…

Jerry a encarou, aguardando:

- Em algum momento a gente não deveria convidar o Chuck para vir numa dessas consultas? Só para ele ver que o bebê está bem. Ou para ele se sentir… menos de fora.

Jerry demorou a responder. Observou uma gestante mais adiantada a sua frente que sorria para o próprio celular. Depois voltou o olhar para Kelly:

- Eu entendo sua preocupação, mas acho que agora seria um erro fazer isso. Qualquer convite antes do resultado do DNA seria precipitado. Para ele e para nós. Se o bebê for dele, a gente vai precisar construir uma forma de incluí-lo com extremo cuidado. Se não for, o convite só reabriria uma porta que você mesma decidiu fechar. Prefiro que a gente espere a informação concreta. Até lá, o silêncio me parece mais justo com todos.

Kelly sorriu e assentiu, os dedos roçando levemente os dele:

- Você tem razão. Eu só… Às vezes ainda sinto o peso de saber que ele está sozinho lá em algum lugar.

- Eu entendo. - Admitiu Jerry, a voz ainda mais baixa: - Mas sentir não significa necessariamente ter de agir de imediato. A gente está aprendendo da maneira mais difícil que precipitação pode machucar, não está?

Antes que Kelly respondesse, a enfermeira chamou o seu nome. Eles se levantaram juntos e entraram na sala, fingindo uma naturalidade quase teatral.

Dois dias depois, Laura e Reeves tiveram uma primeira conversa formal de supervisão cruzada após receberem o consentimento de seus respectivos pacientes. A chamada durou pouco mais de vinte minutos. Galeano não estava presente, mas a orientação dele pairava sobre o diálogo como um limite invisível.

Laura foi a primeira a falar e usou de uma precisão quase cirúrgica:

- O casal apresenta sinais claros de consolidação da escolha. A rotina com a criança está estável. A vida íntima deles está sendo reconstruída com menos urgência e mais atenção. No entanto, a ansiedade pré-exame cresce de forma perceptível, especialmente no marido. Ele se vê dividido em se entregar ao relacionamento com a esposa e o medo de não conseguir amar o bebê da mesma forma, caso o resultado seja desfavorável. Estamos trabalhando a preparação emocional para os dois cenários sem idealizar nenhum.

Reeves escutou em silêncio e depois relatou:

- Parece que você está entrando num momento de maior densidade, enquanto eu estou saindo... Meu paciente saiu do isolamento extremo. Retomou o trabalho e disse que está fazendo caminhadas. Diminuiu de forma significativa a interação com o objeto transitivo que usava para regular a angústia. Ainda há melancolia e um risco residual de retraimento, mas ele consegue nomear a dor com mais clareza e entender que a dor não o atinge somente. O tema central agora é a possível paternidade. Ele oscila entre o medo de ser pai e não saber existir nessa história sem destruir o casamento dos demais, e o medo de não ser pai e perder a última âncora simbólica. Estou trabalhando a construção de uma identidade que não dependa desses símbolos para que ele se mantenha.

Combinaram manter o monitoramento e só acionar Galeano caso algum sinal de descompensação aparecesse. A conversa terminou com a confirmação mútua de que os limites estavam sendo respeitados e de que poderiam se chamar a qualquer momento, caso houvesse uma mudança súbita nos rumos perseguidos por seus pacientes.

Numa quinta-feira, Jerry precisou enviar uma documentação que só podia ser tratada presencialmente em uma agência da FedEx no centro. Entrou no saguão amplo, com cheiro de papelão e de café envelhecido. Foi então que reconheceu a silhueta de Chuck atrás de uma mesa de atendimento. O uniforme azul, a postura ligeiramente curvada sobre o computador, a voz calma explicando algo a uma cliente. Jerry ficou parado por um segundo, aguardando a sua vez, sem saber se ficava mesmo ou se saía antes de ser notado. Não adiantou. Assim que a cliente saiu da mesa de Chuck, os olhares se encontraram.

Chuck foi o primeiro a reagir, fazendo um singelo meneio de cabeça com um sorriso pequeno, cansado, mas real. Ele se levantou e foi até onde Jerry aguardava:

- Jerry.

- Chuck... Não sabia que você tinha sido realocado para cá.

- Pois é... Depois que tive que abortar a minha mudança, pedi e... Enfim, faz duas semanas. Pedi a transferência para cá porque achava que mudar de unidade ajudaria a… recomeçar uma rotina.

Houve um silêncio breve. Não era hostil, tampouco era cômodo. Antes que Jerry se despedisse por sua senha ter sido chamada, Chuck olhou o relógio de parede acima do balcão:

- Tenho um intervalo em cinco minutos. Se você tiver um tempo, a gente podia tomar um café ali na esquina. Só um café. Coisa rápida.

Jerry mediu a própria disponibilidade internamente. Depois assentiu, com medo de ofender com uma negativa:

- Tudo bem.

Assim que fez o que precisava, Jerry foi até a mesa de Chuck. Saíram ambos em silêncio até a cafeteria, pequena, de balcão alto e poucas mesas. Pediram dois cafés pretos e ficaram em pé perto da janela, afastados o suficiente das conversas alheias. O primeiro gole foi tomado em silêncio. Foi Chuck quem falou primeiro, olhando a xícara e não o rosto do outro homem:

- Como está a Kelly?

- Está bem. Meio cansada, como se espera nessas situações. Tem tido poucos enjoos. Mas, enfim, é tudo decorrente da própria gravidez...

- E a Katie?

- Falante, como sempre. Parece que ela está desconfiando de algo, pois já inventou dois nomes para uma boneca, dizendo que a Kelly poderia usá-los se ela fosse ganhar um irmãozinho. E não aceita opinião contrária! – Jerry deu um sorriso comedido de alguma lembrança: - Está feliz. Isso é o que importa.

Chuck assentiu devagar. Os dedos apertaram a borda do copo de papel:

- E o bebê? Está tudo… bem?

- Está. O acompanhamento está em dia. O exame de DNA deve ser feito nas próximas duas ou três semanas. A gente está tentando não viver em função disso.

Chuck manteve o olhar baixo por um momento. Depois ergueu os olhos:

- Eu... tenho feito as sessões com o terapeuta, como você sugeriu...

- Eu soube. Nossa terapeuta nos pediu permissão para poder trocar impressões com o seu. Acredito que esteja tudo indo bem, porque ela não tem entrado muito nesse assunto. Disse que seria antiético falar a respeito.

Chuck concordou e bebeu um pouco de seu café. Então respondeu:

- Obrigado.

- Por quê?

- Por não me rejeitar. Eu não sei se teria a capacidade que você está tendo.

Jerry aproveitou a abertura, a voz cuidadosa:

- E você? Como tem passado... de verdade?

Chuck demorou um pouco. Desviou o olhar para o movimento na rua, tomou outro gole de café antes de responder, pensou e só então falou, olhando diretamente para Jerry:

- Trabalhando. Indo às sessões com o doutor Reeves duas vezes por semana. Tentando não sumir de novo dentro da minha própria cabeça. Alguns dias são melhores. Noutros, eu acordo e a primeira coisa que sinto é o peso de não saber qual será meu lugar nessa história. Mas estou indo, passo a passo, sem inventar atalhos.

Jerry o observou em silêncio enquanto ele falava. Havia menos torpor no rosto, mas ainda havia cansaço, de quem estava carregando o próprio peso em vez de se deixar afundar:

- Que bom! - Disse Jerry apenas, sem saber o que mais dizer: - De verdade.

Ficaram mais alguns minutos em silêncio. Não havia necessidade de preencher o espaço com palavras grandes ou discursos eloquentes. Eram dois homens que tinham sido jogados um contra o outro pela vida e agora tentavam, com extremo cuidado, ocupar o mesmo espaço público sem reabrir o que já havia sido fechado.

Chuck chamou a atenção de Jerry ao puxar a manga de sua camisa e olhar num relógio de pulso. Vendo que seu intervalo estava para terminar, eles se despediram com um aperto de mão breve e firme:

- Cuida de vocês, Jerry. - Disse Chuck.

- Você também. – Ele respondeu: - E se precisar… você já tem meu número.

Chuck apenas assentiu. Não prometeu que usaria. Mas também não recusou.

Três dias depois, numa sessão de final de tarde, doutor Reeves recebeu Chuck com a atenção habitual. Notou que o paciente estava mais ancorado no corpo, a postura menos colapsada:

- Você me parece muito bem hoje, Chuck.

- Estou levando, doutor. Encontrei com Jerry há alguns dias e tivemos uma boa conversa.

- Ah é! Não diga?...

- Sim. Foi estranho no começo. Depois… Foi só um café. Eu perguntei da Kelly, da filha, do bebê. Ele respondeu sem raiva. Falamos que estamos fazendo nossas terapias... Enfim, conversamos com duas pessoas civilizadas.

Reeves inclinou-se ligeiramente para a frente, os cotovelos apoiados nos joelhos:

- Falaram sobre o bebê?

- Sim.

- Sobre o exame de DNA que farão?

Chuck ficou em silêncio longo o suficiente para que o tique-taque do relógio de parede se fizesse ouvir. Depois falou, a voz baixa:

- Não diretamente. Mas eu falei do meu medo, e senti o dele. Um medo concreto. Se o bebê for meu, eu não sei como existir nessa história sem me tornar uma ameaça ao que eles estão tentando reconstruir. Não quero ser o homem que destrói a família da Katie por ter voltado dos mortos. Mas se o bebê não for meu… aí eu perco a minha última tábua de salvação. A última razão objetiva de ainda fazer parte, mesmo que pela beirada, de uma vida concreta. Nos dois cenários eu perco alguma coisa. Só muda o que eu perco.

Reeves deixou as palavras se assentarem:

- Então vamos nomear os dois caminhos com a clareza que eles exigem. Se o resultado disser que você é o pai, o que você precisa construir dentro de si para não se tornar uma força desorganizadora?

Chuck respirou fundo, os olhos fixos em um ponto do chão:

- Preciso aceitar que serei o pai, não o marido. Alguém que existe, que cumpre obrigações, que talvez terá algum tempo com a criança no futuro, mas que não é parte da família. Acho que precisarei continuar vindo aqui para não desabar e despejar o peso emocional em cima deles. Preciso aprender a amar uma criança sem exigir que esse amor me devolva a mulher que eu perdi.

- E se o resultado disser que você não é o pai?

A voz de Chuck saiu quase sem força:

- Aí o que me resta? – Antes que o doutor Reeves interviesse, Chuck continuou: - Eu precisarei recomeçar de verdade. Sem teatro. Sem sumiço orquestrado. Sem transformar a dor em... espetáculo. Só seguir... Construir uma vida que não dependa do lugar que a Kelly ocupa ou deixa de ocupar. E isso me assusta quase tanto quanto a outra possibilidade. Porque na ilha eu sobrevivi por causa dela. Agora me mantenho porque posso ter um filho a caminho. Sem isso, eu preciso descobrir se consigo sobreviver sem ela e ele.

Reeves manteve o olhar firme, mas não duro. Anotou algo e encarou Chuck:

- Nos dois cenários, Chuck, a tarefa de fundo é a mesma: construir uma identidade e uma vida que não tenham a Kelly ou o bebê como eixo organizador. A paternidade, se vier, será um capítulo importante. Mas não será a história inteira. Você consegue começar a visualizar isso, mesmo que ainda doa demais para ser falado em voz alta com facilidade?

Chuck demorou um pouco, pensando. Quando respondeu, a voz carregava uma exaustão estranha:

- Estou tentando. Mas estou tentando sem me enganar. E dói de um jeito diferente.

Enquanto isso, no consultório da doutora Laura, na mesma semana, Kelly e Jerry sentavam-se lado a lado no sofá, enfrentando seus próprios fantasmas. A terapeuta observava os dois com a atenção serena de sempre:

- O dia do exame está chegando... – Disse ela, calmamente: - Quero ouvir de cada um, com honestidade, como está a ansiedade.

Jerry falou primeiro, a voz controlada, mas com uma tensão perceptível:

- Às vezes, eu acordo no meio da noite e fico calculando probabilidades como se isso fosse me proteger. A Kelly já cansou de me dizer para me acalmar, que ela tem certeza de que é meu. Mas... Sei que, estatisticamente, as chances de ser meu são maiores. Mas o “e se” não me deixa. – Ele suspirou profundamente: - Se não for meu, tenho medo de olhar para esse bebê no dia em que ele nascer e sentir uma distância que eu não consigo diminuir. Tenho medo de não ser capaz de amar a criança da mesma forma que amo a Katie. E odeio a mim mesmo por ter esse medo.

Kelly segurou a mão dele com força:

- Mesmo sabendo no meu coração o resultado, eu tenho medo do olhar de Jerry se o resultado for o outro. Medo de ver a decepção ou a retirada, mesmo que ele tente esconder. E tenho medo de mim. De sentir alívio se for dele, ou de sentir uma culpa destrutiva se for do Chuck. Eu não quero que essa criança nasça no meio de uma rachadura que a gente não soube... – Ela não terminou a frase, emocionada.

Laura deixou o silêncio trabalhar por alguns segundos antes de falar:

- Então o trabalho deste momento é duplo e exigente. Primeiro: preparar o terreno emocional para qualquer um dos dois resultados, sem idealizar nenhum deles e sem demonizar nenhum deles. Os dois desfechos são possíveis. Os dois exigirão entendimento e luto de alguma coisa, e construção de outra. Segundo: proteger Katie de informações e tensões para as quais ela ainda não tem recursos psíquicos. Vocês já conversaram sobre o que vão dizer a ela, e quando?

Jerry e Kelly se entreolharam. A resposta ainda não estava completa. Laura continuou, a voz firme sem ser dura:

- Não precisam ter todas as respostas hoje. Mas precisam combinar, com clareza, que independentemente do resultado biológico, a prioridade absoluta é a estabilidade emocional da menina e a honestidade radical entre vocês dois. O Chuck existe. A possível paternidade dele existe. Isso não vai desaparecer. Mas a família que Katie conhece e na qual ela se sente segura é esta que está sentada aqui. Qualquer inclusão futura, se houver, terá que ser construída com extremo cuidado, tempo e mediação, não por impulso.

Kelly respirou fundo, os olhos marejados, mas a voz firme:

- A gente consegue. Eu vou conseguir. É a minha família. É a minha responsabilidade.

Jerry apertou a mão dela e olhou para Laura. Pensou em dizer que iriam tentar. Mas o medo de decepcionar a esposa com suas palavras o fez se calar. Apenas um sorriso tímido respondeu por ele.

Quando saíram do consultório, o fim de tarde já derramava uma luz dourada e cansada sobre a cidade. No apartamento de Chuck, a bola de vôlei continuava na cadeira perto da janela. Ele passou por ela a caminho da cozinha, parou, olhou uma última vez o rosto desbotado, e não disse uma única palavra, mas a virou para a rua, para que pudesse assistir a primeira estrela surgir.

A sanidade que ele buscava ainda era frágil, cheia de bordas afiadas. Mas havia uma decisão. Por ele... Por aquele bebê... E agora parecia possível carregá-la sem se cortar inteiro.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 415Seguidores: 802Seguindo: 17Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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Amigos e amigas, o capítulo de hoje vai atrasar. Por algum motivo desconhecido, o site bloqueou o de hoje. Estou aguardando Eduardo me dar uma solução.

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Vamos Eduardo que o FUCDC precisa fofocar rs

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TMJ Dodinha, qual a dica de hoje?????

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Salve mano Sensa , o mineiro me pediu pra eu dar só algumas dicas pq eu estava acertando todas rs

Proximo capítulo vai pegar fogo

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Tava com saudades seu FOFOQUERO do nosso coração!!!

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Se preparem , ainda vai piorar muito .

🎵 se gritar pega ladrão.... nao fica um mermão rs

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Finalmente os personagens agindo com sensatez, mas talvez as despautérios cometidos anteriormente por esses personagens, mude o clima, que nesse parece o O Rappa em "O Silêncio que precede o Esporro"

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Continuo incomodado com esses terapeutas.

Objeto C esta sob controle.

Objeto K esta mais calmo.

Objeto J esta ansioso.

Vamos continuar monitorando...

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Mas o pior mesmo é que estamos vendo a morte lenta do Wilson!.

Justo do Wilson!!!

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Alguém tinha que perder tudo, o Amor entre BA e a Bola de Vôlei com alcunha de Wilson, foi proibido pela Amazon, fizeram uma pesquisa de opinião e viram que não é bom pros negócios.

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Amazon não poderia ter proibido!

Mataram o Wilson!!

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Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Mas dizem que elebé igual ao BA, ele ressuscita dos mortos, basta pintar um rosto em outra bola, kkkkkkkkkkkkk é meio sinistro.

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Igualzinho!!!!!!!!!!!!!

Aquele cabelinho de Tico Fogo.!!

Se os dois tomarem uns góros sai fogo pra tudo lado!!

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É isso!! Chuck tem que virar o BA agora e WTC ser seu fiel escudeiro!!

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E a Terapeuta Chiquinha do Chavez? O que vamos fazer com ela?

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Vai ser terapeuta na InGen. Kkkkkk

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Acho que lá não é o lugar certo!

Acho que ela o seus colegas tem ir para a Nasa para serem estudados. Pq são de outro mundo .

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Mas lá na InGen os terapeutas tem se se submeter ao mesmo tratamento de mudança genética, focados no intelecto e apetite sexual, imagina a Sardentinha Inteligente e Safadinha kkkkkk

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A Gangue da Giz vai fechar a InGen.

Acho mesmo que ela deveria mudar o paciente. Ela deve iniciar um tratamento com o WTC.

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Então prefiro que ela vá para o mesmo Sanatório da Selma, a terapeuta da Sabrina, tendo o mesmo incentivo que a Sabrina.

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Fechou!!

Acho que o lugar dela é lá mesmo.

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Minha ansiedade foi pro teto na espera desse capítulo

Obviamente ⭐️⭐️⭐️

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No atual momento espero que o filho seja de Jerry.

Acho que Chuck tem mais possibilidades de se reconstruir longe desse casal e ao mesmo tempo esse casal pode viver em paz daqui para frente o filho sendo do Jerry.

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Salve Faraó

Passou uma coisa pela minha cabeça!!!

Lembra do Conto do Mark... Três Dias, Três Paus, Três Decisões

Ynara ficou grávida de trigêmeos e um era do Breno (Namorado) e os outros eram dos caras que ela transou no Festival!!!

Até agora, não foi ventilado!!! Mas e se a Keith estiver grávida de gêmeos e um for do Jerry e outro do Chuck???

Eu não tenho tido tempo, mas não abandono o FUCDC!!! kkkkk

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Meu querido Bidú!!

Cadê você? Vc viu que estamos lá no Obetão né? Cola junto quando der. Ele vai escrever mais contos para nós!!

E agora hein!! Dois bebes??

Sinceramente, aí Chuck nunca mais desgruda desses dois!

Vamos esperar o Presidente e Kiquinho se pronunciarem. Sensatez está lá na Giz e tomou uns cafés meio esquisitos, está falando em clones e tals!!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Comecei a ler o 24, e lá fala no ultrasom de 1 fejãozinho... assim minha tese vai para o espaço... kkkkk

Mas vai dizer que não foi uma BAITA tese!!! kkkk

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Olha, sinceramente, a melhor até agora pq eu to completamente rendido!

A Sardentinha e o Alan da Imaginação acabaram comigo (e com o Chuck) hahahaha

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E nessa história não teria um aborto maluco... kkkk

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Aí é judiação de bebezinho!!

Eu escrevi aqui que estou meio que fazendo igual vc lá no Cortez. Estou meio que só olhando agora.

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Mas meu Incrédulo Embaixador, a InGen é uma empresa totalmente a margem da lei e da ética e é uma empresa especializada em mudança na Genética Humana, ela ter um projeto secreto de clonagem Humana, não é absurdo não, te garanto que não vida real, nesse exato momento, algum laboratório em algum pequeno pais, está fazendo exatamente isso que eu falei, a clonagem de órgãos humanos para transplante

, será um realidade em um curtíssimo espaço de tempo, já falei sou doido mas não sou maluco ou sou maluco mas não sou doido sei lá.

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Olha, falando serio. Isso realmente deve estar acontecendo e em um estagio muito avançado.

Tem muitas InGens por aí!

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O remédio tem que ser forte e amargo p a cura,se o bebê for do Chuck ele terá a obrigação de cria-lo ,com guarda compartilhada,e Jerry terá que aceitar a condição,mas se for do Jerry a vida irá seguir a vida como ela exige de ser pai,Chuck irá viver com a lembrança,mas terá que segui em frente sempre com a lembrança,arranje outra mulher contra outra família,mas não pode se sentir vítima

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Concordo, Chuck merece recomeçar sem eles por perto, assim como a Kelly recomeçou sem ele

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Mark, essa história está profunda demais !!!!

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