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Más associações estragam hábitos úteis – Um segredo guardado a 7 chaves - FIM

Um conto erótico de contos.eroticos
Categoria: Heterossexual
Contém 4039 palavras
Data: 08/09/2026 10:55:24

Na manhã seguinte, Giulia acordou antes de Rafael.

Não porque tivesse dormido bem. Dormira pouco, na verdade. A noite inteira fora atravessada por pensamentos, lembranças e possibilidades. Ainda assim, quando abriu os olhos, não sentiu desespero.

Sentiu uma calma estranha.

Quase fria.

Como se uma parte dela já tivesse tomado a decisão e apenas esperasse que o corpo obedecesse.

O cartão sem nome continuava sobre a penteadeira.

A aliança também.

Giulia olhou para os dois objetos por alguns segundos antes de se levantar. O quarto ainda estava escuro. Rafael dormia de lado, ocupando a cama com a tranquilidade de quem nunca precisou temer perder o próprio lugar.

Ela observou o marido e tentou encontrar dentro de si alguma vontade de voltar atrás.

Não encontrou.

Foi até o banheiro, lavou o rosto e se olhou no espelho.

A mulher refletida ali ainda era jovem. Ainda tinha traços doces, os cabelos longos caindo pelos ombros e uma beleza que tantas vezes tentara esconder para não incomodar os outros. Mas havia algo diferente no olhar.

Não era raiva.

A raiva havia passado.

O que restava era decisão.

Quando voltou ao quarto, Rafael já estava acordado, sentado na cama, mexendo no celular.

– Você tirou a aliança? – perguntou.

Giulia parou perto da penteadeira.

A pergunta veio antes do bom dia.

Talvez fosse adequado.

– Tirei.

Rafael franziu a testa.

– Por quê?

Giulia pegou a aliança entre os dedos. Era leve. Pequena. Mas por muito tempo parecera pesada demais.

– Porque eu não quero mais usar.

O silêncio que veio depois pareceu ocupar o quarto inteiro.

Rafael largou o celular sobre a cama.

– Que palhaçada é essa, Giulia?

Ela respirou fundo.

Antes, o tom dele teria feito seu estômago se fechar. Teria provocado culpa, medo ou vontade de explicar demais. Naquela manhã, porém, apenas confirmou o que ela já sabia.

– Eu quero me separar.

Rafael riu.

Não um riso divertido.

Um riso incrédulo, ofendido.

– Você quer se separar?

– Quero.

– Do nada?

Giulia olhou para ele com cansaço.

– Não foi do nada.

– Ah, claro. Agora você virou essa mulher decidida, né? Desde que começou a andar com aquelas mulheres da igreja, ficou se achando.

Ela não respondeu de imediato.

A frase era quase irônica.

Aquelas mulheres tinham, sim, mudado alguma coisa nela. Mas não do jeito que Rafael imaginava. Elas não haviam colocado ideias em sua cabeça. Apenas tinham mostrado que existiam portas.

Quem decidiu atravessar foi ela.

– Não é sobre elas – Giulia disse.

– Então é sobre quem? Sobre mim?

– É sobre mim.

Rafael se levantou da cama.

– Você não sabe o que está falando.

– Sei.

– Vai fazer o quê? Sair de casa? Morar onde?

Giulia sustentou seu olhar.

– Já resolvi.

A resposta o atingiu de verdade.

Pela primeira vez, Rafael pareceu entender que aquela conversa não era uma ameaça, nem uma crise passageira, nem uma tentativa de chamar atenção.

Era uma decisão tomada antes mesmo de ele acordar.

– Resolveu com quem? – perguntou, a voz mais baixa.

Giulia não respondeu.

Rafael deu um passo em sua direção.

– Com a Karina?

– Não importa.

– Importa sim.

– Não para você.

Ele ficou vermelho.

– Você ainda é minha esposa.

Giulia olhou para a aliança em sua mão.

Depois a colocou sobre a penteadeira.

– Não mais.

Rafael ficou imóvel.

Talvez esperasse gritos. Lágrimas. Uma explicação longa que pudesse desmontar. Mas Giulia não ofereceu nada disso. Apenas caminhou até o guarda-roupa, pegou uma mala pequena e começou a separar roupas.

Poucas.

As necessárias.

O resto poderia buscar depois.

Ou não.

– Você está falando sério? – ele perguntou.

– Estou.

– E a igreja? Você acha que vão aceitar isso? Você acha que aquelas mulheres vão continuar te levando para cima e para baixo depois que souberem que você largou o marido?

Giulia fechou a mala devagar.

A pergunta doeu.

Mas não a parou.

– Eu também vou sair da igreja.

Rafael pareceu ainda mais confuso.

– Então enlouqueceu de vez.

Ela puxou o zíper da mala.

– Talvez eu só tenha acordado.

Rafael riu de novo, mas dessa vez o riso saiu fraco.

– Você vai se arrepender.

Giulia pegou a bolsa.

Dentro dela, o envelope escuro parecia pesar mais que a mala inteira.

– Talvez.

Caminhou até a porta.

Rafael não tentou segurá-la.

Seu orgulho era grande demais para pedir.

Seu machismo, grande demais para imaginar que ela pudesse realmente ir.

Antes de sair, Giulia olhou uma última vez para o quarto.

A cama.

A penteadeira.

A aliança.

O espelho onde tantas vezes havia tentado reconhecer uma versão menor de si mesma.

Então saiu.

Na sala, a televisão estava desligada. A casa parecia estranhamente silenciosa, como se também tivesse percebido que sua função na vida dela havia terminado.

Quando fechou a porta atrás de si, Giulia não chorou.

Ainda não.

Talvez chorasse depois.

Talvez não.

Naquele momento, apenas respirou.

E, pela primeira vez em muito tempo, o ar pareceu caber inteiro dentro do peito.

Naquela mesma tarde, Giulia foi até a igreja.

O prédio estava vazio, silencioso, sem música, sem luzes de palco, sem fiéis sorrindo nos corredores. À luz do dia, a imponência do templo parecia menos espiritual e mais empresarial. As paredes escuras, o piso impecável, as portas de vidro, as salas administrativas.

Tudo ainda era bonito.

Mas já não a encantava da mesma forma.

Karina a esperava na sala das mulheres.

Bianca estava sentada sobre a mesa, inquieta, balançando uma das pernas. Fernanda permanecia perto da janela, séria demais.

As três já sabiam.

Ou pelo menos sabiam parte.

Karina foi a primeira a falar:

– Você saiu de casa?

Giulia fechou a porta atrás de si.

– Saí.

Bianca desceu da mesa.

– Você está bem?

Giulia olhou para ela, depois para Fernanda.

– Estou.

Fernanda se aproximou e segurou sua mão.

– Tem certeza?

Giulia apertou os dedos dela.

– Tenho.

Karina observava em silêncio.

Não havia surpresa em seu rosto. Havia outra coisa. Uma tensão contida, como se ela soubesse exatamente qual seria a próxima frase e ainda assim não quisesse ouvi-la.

Giulia abriu a bolsa e retirou o cartão da igreja.

Colocou-o sobre a mesa.

Bianca olhou para o cartão.

– Não.

Fernanda fechou os olhos por um instante.

Karina não se mexeu.

Giulia respirou fundo.

– Eu não posso continuar aqui.

– Pode sim – Bianca disse rápido. – A gente dá um jeito.

Karina permaneceu calada.

Giulia olhou para ela.

– Não dá.

Bianca virou-se para Karina.

– Dá, sim. Fala para ela.

Karina finalmente baixou os olhos para o cartão.

Quando falou, sua voz saiu controlada:

– Por algum tempo, talvez.

Bianca abriu a boca, indignada.

– Karina...

– Ela tem razão – Karina interrompeu. – Se Rafael fizer barulho, os homens vão transformar isso em assunto. Vão perguntar por que uma mulher separada continua trabalhando diretamente com as esposas dos pastores. Vão dizer que é escândalo. Vão dizer que é mau testemunho.

Giulia sentiu o peso da verdade.

Fernanda apertou sua mão.

– E você não merece passar por isso.

– Eu sei – Giulia respondeu.

Bianca estava irritada.

– Então é isso? A gente só deixa ela ir?

Karina olhou para Giulia.

– Ela já foi.

A frase doeu mais do que Giulia esperava.

Porque era verdade.

Ela já havia saído de Rafael.

Já havia saído da casa.

E, de algum modo, também já havia começado a sair da proteção das três.

Giulia tentou sorrir.

– Eu não estou deixando vocês.

Karina sustentou seu olhar.

– Está deixando a igreja.

– Sim.

– E indo para ele.

O silêncio ficou mais pesado.

Bianca parou de se mover.

Fernanda olhou para Giulia com preocupação.

Giulia não tentou fingir.

– Augusto me ofereceu trabalho.

Karina respirou fundo, como se já soubesse.

– Na consultoria.

– Sim.

Bianca arregalou os olhos.

– Ele não perde tempo.

Fernanda falou baixo:

– Giulia...

– Eu preciso trabalhar – Giulia disse. – Preciso morar em algum lugar. Preciso sair sem voltar correndo para Rafael no primeiro mês.

Karina se levantou devagar.

– Você podia ter falado comigo antes.

– Podia.

– Por que não falou?

Giulia encarou-a com honestidade.

– Porque você tentaria me proteger daqui de dentro.

Karina não respondeu.

– E daqui de dentro você não conseguiria – Giulia completou.

A frase pareceu atravessar Karina.

Não pela crueldade.

Mas pela precisão.

Karina era poderosa dentro da igreja. Nos eventos, nas viagens, nas salas fechadas, nos corredores onde todos a cumprimentavam com respeito. Mas seu poder ainda precisava conviver com o nome do marido, com a imagem de esposa, com a moral pública que ela mesma ajudava a sustentar.

Augusto não precisava disso.

Essa era a diferença.

E Karina odiou saber que Giulia havia percebido.

– Você entende o que está aceitando? – Karina perguntou.

– Não completamente.

– Então cuidado.

Giulia quase sorriu.

– Você sempre me diz isso.

– Porque você nunca escuta.

– Eu escuto.

– Não. Você aprende. É diferente.

Bianca olhou de uma para a outra.

– Vocês duas são impossíveis.

Fernanda tocou o braço de Karina.

– Ela está fazendo o que precisa.

Karina não desviou os olhos de Giulia.

– Eu sei.

A frase saiu baixa.

Quase triste.

Giulia se aproximou dela.

Por alguns segundos, ficaram frente a frente.

Não havia desejo explícito naquele momento. Ou havia, mas escondido sob outras coisas: afeto, disputa, ciúme, perda e uma espécie de orgulho que nenhuma das duas queria admitir.

– Eu não vou contar nada – Giulia disse.

Karina ergueu levemente o queixo.

– Sobre nós?

– Sobre tudo.

Bianca ficou em silêncio.

Fernanda também.

Giulia continuou:

– O que aconteceu aqui fica aqui.

Karina olhou para o cartão sobre a mesa.

– Segredos só são perigosos quando a gente guarda sozinha.

Giulia lembrou da primeira vez em que ouvira aquela frase.

Naquela época, parecia convite.

Agora parecia despedida.

– Então não estou guardando sozinha – respondeu. – Estou guardando com vocês.

Karina respirou fundo.

Depois, contra toda a rigidez que tentava sustentar, puxou Giulia para um abraço.

Não foi um abraço sensual.

Foi firme.

Quase dolorido.

Bianca se aproximou logo em seguida, envolvendo as duas. Fernanda veio por último, fechando o círculo com os braços ao redor delas.

Por alguns segundos, Giulia deixou que a emoção finalmente subisse.

Não chorou muito.

Apenas o suficiente para sentir que alguma parte dela estava ficando para trás.

Quando se afastaram, Bianca limpou discretamente o canto dos olhos e tentou sorrir.

– Você ainda vai falar com a gente, né?

Giulia riu baixo.

– Você acha que eu conseguiria me livrar de você?

– Não mesmo.

Fernanda beijou sua testa.

– Se precisar de qualquer coisa...

– Eu sei.

Karina pegou o cartão da igreja sobre a mesa.

Ficou olhando para ele por alguns segundos antes de guardá-lo na gaveta.

– E o outro? – perguntou.

Giulia entendeu.

Augusto.

O apartamento.

A consultoria.

O cartão sem nome.

– Está comigo.

Karina assentiu, mas seu rosto endureceu um pouco.

– Então use direito.

– Você fala como se fosse uma arma.

– É.

Giulia ficou em silêncio.

Karina se aproximou outra vez e ajeitou uma mecha do cabelo dela, num gesto que misturava cuidado e posse.

– Só não esquece uma coisa.

– O quê?

– Na igreja, a mentira precisava parecer virtude. No mundo de Augusto, ela não precisa parecer nada.

Giulia absorveu a frase.

Bianca, pela primeira vez, não fez piada.

Fernanda olhou para o chão.

Karina tocou de leve o rosto da jovem.

– Lá fora, ninguém vai fingir que está te salvando.

Giulia sustentou seu olhar.

– Eu não quero ser salva.

Karina sorriu, triste e orgulhosa ao mesmo tempo.

– Eu sei.

Mais tarde, quando deixou a igreja, Giulia não olhou para trás imediatamente.

Caminhou até o estacionamento com a bolsa no ombro, a mala pequena no porta-malas e o celular vibrando com uma mensagem de Augusto.

“Pegue as chaves na portaria. Seu nome já está autorizado.”

Ela leu a mensagem sem responder.

Antes de entrar no carro, virou-se para o prédio.

A igreja continuava ali, enorme, escura, sofisticada. O lugar onde havia chegado como esposa nova, sozinha e carente de pertencimento. O lugar onde fora acolhida, desejada, usada, protegida e transformada. O lugar onde havia aprendido que algumas mulheres sorriam como santas porque pecavam melhor em silêncio.

Foi ali que Giulia descobriu o próprio corpo.

O próprio desejo.

A própria mentira.

E, por fim, a própria saída.

Entrou no carro.

O apartamento de Augusto ficava no centro, em um prédio alto, discreto, com portaria silenciosa e corredores claros. O porteiro entregou as chaves sem perguntar nada. Apenas confirmou seu nome e desejou boa noite.

Giulia subiu sozinha.

Ao abrir a porta, encontrou um espaço limpo, mobiliado, com cheiro de casa nova e ausência de passado. Dois quartos, sala ampla, cozinha pequena, varanda com vista para as luzes da cidade.

Nada ali tinha Rafael.

Nada ali tinha culto.

Nada ali tinha fotos de casamento, cobrança, televisão ligada ou voz masculina dizendo qual era o seu papel.

Giulia deixou a mala perto do sofá.

Caminhou até a varanda e ficou olhando a cidade.

O celular vibrou.

Era Bianca.

“Chegou?”

Giulia respondeu:

“Cheguei.”

Fernanda mandou logo depois:

“Respira.”

Giulia sorriu.

Karina demorou mais.

Quando a mensagem chegou, tinha apenas uma frase:

“Guarde bem suas chaves.”

Giulia olhou para o molho em sua mão.

As chaves do apartamento.

A chave da nova vida.

A chave dos segredos que ainda carregava.

Foi até a bolsa e retirou o envelope escuro que Augusto havia lhe dado. Colocou o cartão sobre a bancada da cozinha. Depois tirou a aliança do bolso e colocou ao lado dele.

Ficou observando os dois objetos, como fizera na noite anterior.

Mas agora já não havia dúvida sobre qual deles pertencia ao futuro.

Pegou a aliança e guardou dentro de uma gaveta.

O cartão permaneceu sobre a bancada.

Por algum tempo, Giulia ficou apenas andando pelo apartamento.

Abriu armários vazios. Tocou a bancada fria da cozinha. Entrou no quarto maior, depois no menor. Olhou a cama arrumada, os lençóis claros, o espelho grande apoiado contra uma das paredes.

Tudo ali parecia novo demais.

Limpo demais.

Livre demais.

E foi justamente essa liberdade que a deixou inquieta.

Não havia Rafael perguntando onde estava.

Não havia Karina conduzindo a noite.

Não havia Bianca provocando.

Não havia Fernanda cuidando.

Não havia Augusto esperando por ela em uma sala silenciosa.

Pela primeira vez em muito tempo, Giulia estava sozinha com o próprio desejo.

E ele não parecia pequeno.

Ela tomou banho devagar, deixando a água quente escorrer pelo corpo como se lavasse os últimos restos daquela casa antiga. Depois saiu enrolada em uma toalha, abriu a mala e escolheu uma lingerie que havia comprado meses antes, mas nunca tivera coragem de usar sem que aquilo significasse alguma coisa para alguém.

Dessa vez, vestiu para si.

Era preta, delicada, com transparências sutis e renda desenhando sua pele. Giulia soltou os cabelos, passou perfume no pescoço e nos pulsos, depois ficou diante do espelho.

Não havia culpa em seu olhar.

Havia curiosidade.

Pegou o celular e abriu um aplicativo de relacionamento que havia baixado semanas antes, numa noite de insônia, sem coragem de criar perfil.

Agora criou.

Sem foto de rosto.

Sem nome completo.

Apenas uma imagem parcial, elegante, suficiente para sugerir sem entregar. Escreveu pouco. Idade. Cidade. Uma frase simples:

“Hoje eu não quero promessas.”

Demorou menos de dez minutos para as primeiras mensagens aparecerem.

Homens apressados.

Homens vulgares.

Homens que pareciam acreditar que desejo era o mesmo que direito.

Giulia ignorou quase todos.

Até encontrar um perfil diferente.

Lucas.

Trinta anos.

Sorriso discreto.

Mensagem simples:

“Você parece alguém que não está procurando companhia. Está procurando escolha.”

Giulia leu a frase duas vezes.

Sorriu.

Respondeu:

“Talvez as duas coisas.”

A conversa foi curta.

Sem grandes explicações.

Sem história triste.

Sem perguntas sobre casamento, igreja ou passado.

Quando ele perguntou se ela queria sair para beber alguma coisa, Giulia olhou ao redor do apartamento e respondeu:

“Não. Quero que venha até aqui.”

Enviou o endereço do prédio.

Depois ficou parada, olhando para a tela.

Por um instante, o medo tentou voltar.

Não o medo de Lucas.

O medo antigo.

Aquele que dizia que uma mulher sozinha deveria se justificar. Que desejo precisava de motivo. Que liberdade precisava ser validada por alguém mais poderoso, mais velho, mais seguro.

Giulia bloqueou o celular e respirou fundo.

Não.

Naquela noite, ninguém escolheria por ela.

Lucas chegou quarenta minutos depois.

O interfone tocou, e Giulia sentiu o coração acelerar de um jeito quase adolescente. Autorizou a entrada, ajeitou os cabelos no espelho e esperou perto da porta.

Quando abriu, encontrou um homem bonito, alto, de camisa escura, perfume suave e olhar atento. Ele não tentou entrar de imediato. Não sorriu de maneira arrogante. Apenas a observou por um segundo, como se entendesse que havia algo importante naquela porta aberta.

– Giulia? – perguntou.

Ela assentiu.

– Pode entrar.

Lucas entrou devagar.

Olhou ao redor, depois voltou os olhos para ela.

– Apartamento novo?

– Primeira noite.

Ele pareceu compreender que aquela resposta dizia mais do que parecia.

– Então eu sou inauguração?

Giulia sorriu.

– Talvez.

– Sem promessas?

– Nenhuma.

– Sem perguntas?

Ela pensou por um instante.

– Algumas perguntas. Mas só as necessárias.

Lucas sorriu.

– Justo.

Giulia fechou a porta.

O som da fechadura pareceu mais alto do que deveria.

Por alguns segundos, ficaram de pé na sala, separados por uma distância pequena. Giulia percebeu que ele olhava para ela com desejo, mas não com pressa. Isso importava.

Ela caminhou até a cozinha, pegou duas taças e abriu uma garrafa de vinho que encontrara sobre a bancada. Provavelmente Augusto havia deixado ali. Ou alguém a mando dele.

Não importava.

Naquela noite, ela decidiu que o vinho era dela.

Entregou uma taça a Lucas.

– A que vamos brindar? – ele perguntou.

Giulia pensou em liberdade.

Pensou em separação.

Pensou em pecado.

Pensou em todas as versões de si mesma que haviam ficado pelo caminho.

– A escolhas sem explicação – respondeu.

Eles brindaram.

O vinho desceu quente.

Lucas se aproximou só depois que ela permitiu com o olhar. Tocou sua cintura por cima da renda e esperou a reação dela. Giulia gostou disso. Gostou de perceber que podia aceitar ou afastar. Gostou ainda mais de não querer afastar.

Quando ele a beijou, não havia história entre eles.

Não havia dívida.

Não havia promessa.

Não havia marido, igreja, segredo compartilhado ou proteção disfarçada de poder.

Havia apenas uma escolha feita naquela noite.

Por ela.

Giulia segurou a camisa dele e o puxou para mais perto.

O beijo ganhou intensidade. As taças foram deixadas sobre a bancada. A cidade brilhava pela varanda, indiferente, enquanto Giulia sentia o corpo responder sem a sombra de outra pessoa conduzindo o sentido daquilo.

Lucas não sabia quem ela era.

Não sabia de Rafael.

Não sabia de Karina, Bianca, Fernanda ou Augusto.

Não sabia do cartão sem nome.

Não sabia da aliança guardada na gaveta.

E talvez fosse justamente isso que tornava tudo tão leve.

Com ele, Giulia não precisava representar papel nenhum.

Nem esposa.

Nem amante.

Nem protegida.

Nem segredo.

Apenas mulher.

Quando a intimidade entre os dois avançou, Giulia o conduziu até o quarto.

Não porque ele pediu.

Porque ela quis.

Assim que entraram no quarto, Giulia o jogou na cama, se despindo logo em seguida revelando a bela lingerie que havia escolhido, seu corpo marcado por curvas intensas e seios fartos, eram um deleite a parte para Lucas que a olhava admirando cada centimetro daquele corpo.

Subindo no colo de Lucas, Giulia começa a rebolar em cima do volume da calça dele, enquanto se beijavam, ele tratou logo de remover suas roupas, junto com a ajuda dela, que ficou entre suas pernas olhando o pau dele atentamente.

Não por que era enorme ou muito maior do que já conhecia, mas era o primeiro que escolhia muito difente daquilo que ela ja tinha vivido.

Tratou então de aproximar a boca da cabecinha do pau dele, começou lentamente a lambe-la, deslizando com a lingua até as bolas onde começou a chupa-las, Lucas parecia hipnotizado pelo prazer de sentir aquela boca gostosa nele, ela por sua vez, inicia um boquete intenso, babado , cheio de vontades engolindo tudo o caralho dele de uma só vez.

Arrancando urros e gemidos de Lucas que era devorado pela moça que acabava de conhecer.

Depois de mama-lo, ela vai por cima, colocando a calcinha de lado e encaixando a buceta nele, começa a sentar, seu sutiã já não estava mais no corpo, seus seios balançavam ao ritimo das quicadas que eram intensas e cheias de tezão.

Giulia se entregava ali, sem cerimonias, gemendo alto, sentando forte até que começa a gozar, um gozo intenso com gostinho de liberdade.

Ela então se deita, Lucas vem por cima e começa a meter nela novamente, trocando beijos intensos enquanto ela gemia toda manhosa.

Lucas pede para ela ficar de 4, ela obedece e assim que empina aquela bunda enorme para ele, sente seus tapas fortes em cada uma das nadegas, fazendo a pele arder e o gemido alto vir, sentindo o corpo todo vibrar.

Lucas começa então a meter em sua buceta, socando forte ao som dos gemidos altos dela, dando vários tapas na bunda de Giulia que gemia alto, sentindo cada vez mais fundo o pau dele dentro de sua buceta.

Lucas avisava que iria gozar, Giulia se levanta, se ajoelhando na frente dele e começa a mama-lo engolindo o pau dele de uma só vez, pouco tempo depois Lucas começa a urrar de tezão, segurando a cabeça de Giulia pela nuca e seus jatos de porra começam a enxer a boca dela .

Naquela noite ainda transaram mais uma vez, aproveitando o tempo que ainda tinham.

Mais tarde, Lucas dormiu por pouco tempo.

Giulia, não.

Permaneceu acordada, sentada na beira da cama, usando apenas a camisa dele sobre a lingerie desalinhada. O quarto estava escuro, iluminado apenas pelas luzes da cidade atravessando a janela.

Ela olhou para o homem adormecido ao seu lado.

Bonito.

Gentil.

Passageiro.

E sentiu uma paz estranha ao perceber que não precisava transformar aquilo em nada.

Não precisava se apaixonar.

Não precisava se explicar.

Não precisava se punir.

Lucas acordou perto das duas da manhã, como se também soubesse que aquela noite não pedia permanência.

Vestiu-se em silêncio, sem criar intimidade falsa. Na porta, beijou Giulia uma última vez, com calma.

– Você vai ficar bem? – perguntou.

Giulia sorriu.

A pergunta já havia sido feita por Bianca, por Fernanda, por outras pessoas de outras formas. Mas, naquela noite, a resposta saiu diferente.

– Vou.

Dessa vez, acreditou.

Lucas assentiu.

– Então boa sorte na sua primeira noite.

– De quê?

Ele olhou para o apartamento.

Depois para ela.

– Do que quer que comece aqui.

Giulia ficou em silêncio por um instante.

Então sorriu.

– Obrigada.

Quando a porta se fechou, o apartamento voltou ao silêncio.

Mas agora o silêncio tinha outra textura.

Não era abandono.

Não era solidão.

Era espaço.

Giulia caminhou pela sala devagar. A camisa de Lucas cobria parte de seu corpo, os cabelos estavam soltos, a pele ainda quente. Foi até a cozinha beber água e viu novamente o envelope de Augusto sobre a bancada.

Havia retirado o cartão, mas não havia reparado que existia algo mais dentro.

Puxou o papel dobrado.

Era pequeno.

Sem timbre.

Sem explicação.

Apenas um endereço, um horário e uma frase escrita à mão.

“Consultoria Valença. Segunda-feira, 9h.”

Abaixo, outra linha:

“Leve o cartão. Lá você vai aprender para que ele realmente serve.”

Giulia ficou olhando para o papel.

O corpo ainda guardava a memória daquela noite escolhida por ela. A aliança permanecia dentro da gaveta. O cartão sem nome repousava sobre a bancada, escuro, discreto, perigoso.

Ela deveria sentir medo.

E sentiu.

Mas o medo veio acompanhado de outra coisa.

Curiosidade.

Giulia dobrou o papel com cuidado e guardou dentro do envelope.

Depois caminhou até a varanda.

A cidade brilhava diante dela, cheia de janelas acesas, vidas escondidas, homens importantes, mulheres silenciosas e portas que talvez se abrissem com as chaves certas.

Más associações estragam hábitos úteis.

Talvez fosse verdade.

As más associações tinham estragado sua obediência.

Tinham estragado sua culpa.

Tinham estragado o costume de pedir permissão.

Tinham estragado até a antiga ideia de que liberdade precisava ser limpa para ser verdadeira.

Entre todos os segredos guardados a sete chaves, havia um que ninguém poderia tomar dela:

Giulia já não pertencia a Rafael.

Nem à igreja.

Nem às mulheres.

Nem a Augusto.

Ainda não sabia exatamente a quem pertencia.

Mas, pela primeira vez, começava a desconfiar que a resposta poderia ser simples.

A si mesma.

Sorriu para as luzes da cidade.

Na segunda-feira, descobriria que tipo de mulher entraria naquela consultoria.

Naquela noite, porém, bastava saber que nenhuma versão antiga dela havia sido convidada a voltar.

Fim.

Talvez a Giulia volte para uma segunda temporada... gostaria da opnião de vocês, obrigado por acompanhar até aqui.

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Comentários

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Concordo com o Carlos578, torcendo/ desejando bastante para mais episódios, estória extremamente empolgante, sensual e intrigante. Parabéns!

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Eu li toda a série em 2 dias... Giulia merece mais algumas temporadas. Você escreveu muito bem. Mas pensei que o vídeo comprometedor poderia ter feito parte deste capítulo, ou se houver represálias na temporada 2, você trazer isso. Excelente, vou te seguir para acompanhar, excelente mesmo!

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