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A Armadilha do Prazer: O Lado Sombrio da Festa dos Pelados

Um conto erótico de Casal Apimentados
Categoria: Grupal
Contém 1633 palavras
Data: 08/09/2026 02:54:54

A gente já entrou em casa boa, casa mediana e casa ruim.

Nunca tinha entrado numa casa que dava medo.

Prazer, somos o Casal Apimentados. Quem escreve sou eu, a Lúcia. Nomes fictícios, por motivos que qualquer casal liberal entende.

Eu: 1,72 de altura, loira natural, olhos verdes, seios fartos e umas coxas grossas que o meu marido elogia há vinte e três anos. Quarenta e três anos.

Ele, Jorge: negro, 1,85, corpo forte sem ser musculoso, mesma idade que eu.

Chamavam de Festa dos Pelados, e o nome já devia ter sido o primeiro sinal.

A gente viu o anúncio num grupo que a gente não conhecia direito, um desses que a gente entrou por curiosidade e nunca chegou a frequentar de verdade. Foto de divulgação, promessa de casa grande no Tatuapé, entrada camarada, "ambiente selecionado" escrito com aquele tipo de letra que já desconfia de si mesma.

Eu falei pro Jorge que estava com um pé atrás.

— Lú, a gente já foi em festa de gente que a gente nem conhecia direito.

— É diferente. Aqui a gente não conhece nem quem organiza.

Fomos assim mesmo. Nove anos de estrada dão uma confiança que às vezes vira excesso de confiança, e foi exatamente isso que aconteceu.

O endereço era uma rua residencial comum, casa de esquina, portão de ferro alto e uma campainha que não funcionava. A gente ligou pro número do grupo e um homem desceu pra abrir.

E aí veio o primeiro sinal de verdade.

Ele nem perguntou o nome da gente direito. Olhou, sorriu meio torto e falou "entra, entra", do jeito de quem só quer contar cabeça.

Lá dentro, a recepção era uma mesa de plástico na garagem, com uma caixa de sapato fazendo as vezes de caixa registradora e uma mulher de touca de banho cobrando entrada.

Sem regra explicada. Sem conversa de boas-vindas. Sem nada do que a gente estava acostumado a ouvir em toda casa séria: sem menção a consentimento, sem aviso sobre o que fazer se alguém quisesse parar, sem absolutamente nada.

Só: "trinta reais por pessoa, o banheiro é ali."

Eu olhei pro Jorge. Ele olhou pra mim.

— A gente pode ir embora agora — ele falou baixinho.

— Vamos dar uma olhada. Se for ruim, a gente sai.

Foi ruim.

O salão era um pesadelo erótico. A luz vermelha fraca mal conseguia esconder a sujeira do chão e o cheiro forte de suor misturado com álcool barato e sêmen seco. O nome "Festa dos Pelados" não era um convite, era um aviso de que ali a carne era tratada como mercadoria descartável.

Quase todo mundo estava nu, mas não era aquela nudez celebrativa das casas sérias; era uma exposição crua, quase animalesca. Eu vi, logo na entrada, uma orgia desgovernada acontecendo num sofá rasgado. Três homens cercavam uma mulher que mal conseguia se mexer. Um deles estava com a cara enterrada na bunda dela, lambendo com uma agressividade que beirava a violência, enquanto outro forçava um boquete profundo, empurrando o pau na garganta dela sem qualquer cuidado, apenas pelo prazer de dominar.

Não havia carinho, não havia preliminares. Era sexo bruto, chulo, movido por um tesão egoísta e desesperado.

Eu vi homens solteiros, com olhares famintos e predatórios, circulando como hienas. Eles não pediam permissão; eles simplesmente avançavam. Vi um cara agarrando os seios de uma mulher que mal conseguia reagir, apertando as tetas dela com força enquanto sussurrava palavrões no seu ouvido, prometendo "foder aquela puta" até ela não aguentar mais.

O som era uma mistura ensurdecedora de batidas graves e gemidos que não soavam como prazer, mas como rendição. Em um canto, um grupo de quatro pessoas se fundia numa massa de carne suada. Um homem estava de joelhos, fazendo um oral frenético em outra mulher, enquanto recebia estocadas brutas de um terceiro participante. A porra voava, misturando-se ao suor no chão pegajoso, enquanto eles trocavam insultos eróticos e xingamentos que me faziam sentir náuseas.

— Puta que pariu, que lugar imundo — sussurrei para o Jorge.

Foi nesse cenário de luxúria tóxica que aquele homem solteiro resolveu testar a sorte. Ele não viu o Jorge como um parceiro, mas como um obstáculo. Quando ele colocou a mão na minha cintura, não foi um toque de desejo, foi um toque de posse. Ele queria saber se eu era "disponível" para ser usada como as outras.

O Jorge tirou a mão dele de mim com a precisão de quem protege o que é sagrado.

— Não encosta nela sem perguntar.

O cara riu, aquele riso cínico de quem sabe que naquele lugar as regras não existiam. Ele deu de ombros e voltou para a roda de predadores, provavelmente procurando a próxima vítima que não tivesse um homem de 1,85m ao lado.

— A gente vai embora — o Jorge falou, e sua voz era a única coisa lúcida naquele antro de depravação.

— Vamos.

Levou uns dois minutos até a porta, e foi nesses dois minutos que eu vi a Priscila. Ela estava encolhida num canto, a pele pálida contrastando com a escuridão do salão. O cara ao lado dela não estava apenas insistindo; ele estava cercando-a, usando o corpo para bloquear qualquer saída, a mão descendo para a coxa dela com uma insistência nojenta.

Eu vi o olhar de pânico nos olhos dela. Ela não era parte daquela orgia; ela era a presa.

Eu me aproximei e falei alto o suficiente pra ele ouvir:

— Oi, amiga! Desculpa a demora.

Ela olhou pra mim sem entender.

E eu completei, olhando pra ela com toda a intenção do mundo:

— Vem comigo até a porta, eu preciso de uma companhia pra ir no banheiro.

Ela entendeu na hora. Levantou, largou o copo e veio.

O cara ficou parado, sem graça, sem coragem de discutir com a mulher que acabara de "resgatá-la" e com o gigante que a esperava na porta.

A menina se chamava Priscila. Vinte e três anos. Tinha ido com uma amiga que sumiu de vista fazia uma hora e ela não conhecia mais ninguém ali e não sabia como sair sozinha.

A gente ficou os três parados perto da porta uns dez minutos até a amiga dela aparecer, e o Jorge ficou ali do lado o tempo inteiro, parado, grande, sem falar nada, e a presença dele sozinha resolveu o resto do problema, porque nenhum homem daquele salão chegou perto de nós três enquanto ele estava ali.

Quando a amiga apareceu, a gente esperou as duas chamarem um carro e saírem primeiro. Só depois a gente foi embora.

No carro, os dois calados por um bom tempo.

Eu peguei o celular e denunciei a festa no próprio grupo que tinha divulgado. Escrevi exatamente o que eu vi: sem regra, sem controle de entrada, proporção de homem absurda, ninguém verificando nada, uma moça sozinha sendo cercada.

Fui removida do grupo em quinze minutos.

O Jorge riu sem graça quando eu contei.

— Removeram a mensageira.

— Pois é.

Ele ficou quieto mais um pouco, olhando pra pista.

— Sabe o que mais me incomodou? — falou. — Nove anos, Lú. A gente conhece as regras de cor. A gente ensina as regras pra gente que está começando. E hoje a gente quase entrou numa roubada só porque estava com preguiça de checar direito.

Ele tinha razão.

A gente sempre verifica. Chamada de vídeo, indicação de casal, procurar comentário de quem já foi, ver há quanto tempo o grupo existe, ver se tem regra escrita, ver se tem gente confiável avalizando.

Naquela vez a gente pulou tudo isso porque estava cansado, porque o anúncio parecia bonito, porque a gente achou que nove anos de estrada eram proteção suficiente.

Não são.

A gente foi pra casa naquela noite sem nada acontecer, e eu digo isso sem nenhuma tristeza. Foi a noite certa para não acontecer nada.

Chegamos em casa quase duas da manhã, e nem trocamos de roupa direito, só deitamos, abraçados, sem falar quase nada.

E foi no meio da madrugada, já quase dormindo, que o Jorge falou baixinho no escuro:

— Você foi rápida com aquela menina.

— Fui.

— Como você pensou naquilo tão rápido?

Eu fiquei um tempo pensando na resposta.

— Porque, faz nove anos, todo lugar bom que a gente foi tinha alguém cuidando de mim assim. Uma recepcionista, uma amiga, uma organizadora. Eu só devolvi.

Ele me abraçou mais forte e não falou mais nada.

Eu soube, uns dias depois, que a tal Festa dos Pelados foi denunciada por mais gente, não só por mim, e que o grupo foi fechado umas semanas depois.

Não sei se foi por causa da minha mensagem. Provavelmente não foi só por ela. Mas fico feliz de ter sido uma das vozes.

E a Priscila me mandou mensagem no privado, uns dois dias depois, um número que eu passei pra ela antes de a gente se despedir naquela noite.

Só duas linhas: obrigada por aquela noite. Eu não sabia como sair dali sozinha.

Eu guardei aquela mensagem.

Se você é do meio, ou está pensando em entrar, eu vou te falar uma coisa com a franqueza que esse conto exige.

Nove anos de estrada não são escudo contra lugar ruim. Casa boa se reconhece pela recepção, pela regra dita em voz alta, pela proporção de gente, pelo jeito como tratam quem chega sozinho.

E, se você entrar num lugar e sentir aquele aperto no estômago, confia nele.

A gente sentiu, demorou dois minutos pra sair, e mesmo assim quase foi tarde demais pra outra pessoa.

Se você chegou até aqui, obrigada por ler. A gente escreve essas histórias do jeito que elas aconteceram, sem inventar muito, e é sempre bom saber que tem gente do outro lado. Se curtiu, segue a gente, deixa um comentário contando o que achou e dá uma olhada nos nossos outros contos, tem bastante coisa por lá.

Casal Apimentados

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Foto de perfil de Apimentados Apimentados Contos: 50Seguidores: 35Seguindo: 0Mensagem Casal de São Paulo que adora novas amizades 🌶️

Comentários

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Belo conto, bem escrito com uma tematica diferente dos outros mas de grande importancia.

Estou começando a ganhar inteiresse de me aventurar nesse mundo, a forma que vocês descrevem os outros me deixou com curiosidade, mas sempre fico um pouco receoso de cair em alguma furada como essa "Festa dos Pelados". Vocês tem sugestões de por onde começar?

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Gosto muito da visão de mundo que vcs possuem.

Vcs são demais.

Ser amigo de vcs deve ser muito legal, independente de qualquer coisa.

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Somos suspeito em falar rsrsrs mas nossa amizade é ímpar mesmo.

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Este meio tem lugares e pessoas nota 10 e tbm tem.pessoas e lugares que não valem nada .

Acho que está lugar que vcs descreveram fica entre o Tatuapé e carrão já ouvi falar nele .

É mais uma zona do que uma casa de swing ambiente escroto e sujo me falaram .

Parabéns pelo serviço a comunidade liberal avisando das armadilhas vcs são demais

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Está sumido hein? Feriado prolongado foi bom? É nesse local mesmo rsrsrsrs

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Oi casal top

Sim fugi no feriado prolongado mas já estava ansioso pra ler as novas experiências de vcs

Minha leitura diária minha mente viaja imaginando cada cena imaginando vcs etc 😍 😂

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