A sala estava silenciosa. O tipo de silêncio que pesa, que vem antes de uma tempestade.
Ela fechou a porta atrás de si, mas deixou a maçaneta um segundo a mais, como se hesitasse. Ele já devia ter estranhado — ela não costumava pedir "um minuto" com tanto cuidado. Mas ele estava distraído, os olhos no relatório que não lia há dez minutos, o café morno na mão.
— Preciso te falar uma coisa — ela disse.
Ele levantou o olhar. Ela estava de pé, apoiada na borda da mesa. O vestido — aquele vestido — marcava cada curva, mas não era a roupa. Era o jeito. A forma como ela mordia o lábio inferior, como os dedos tamborilavam na coxa.
Ele engoliu em seco.
— Tô ouvindo.
Ela respirou fundo. E então, sem rodeios, soltou:
— Ando sonhando com você, faz semanas. Toda noite, quando eu fecho os olhos, você tá lá. Não num sonho bonitinho, não. Você tá me comendo. Me beijando. Me colocando de quatro contra a parede, puxando meu cabelo, me fazendo gemer igual puta.
O ar na sala ficou pesado, quase líquido.
Ela continuou, a voz mais baixa e mais rouca:
— Acordo molhada. Acordo com o corpo doendo de tesão, os dedos dentro de mim, me lembrando que não tem ninguém ali. Acordo fodida só por sonhar com você, e isso não é justo.
Ele deveria falar. Deveria dizer algo sobre a aliança, sobre a confusão, sobre os anos que ele tem. Mas a voz não veio. Só a imagem. O cérebro traidor, o filme sujo que começou a rodar sozinho.
Ela deitada na cama, a mão descendo a barriga, os olhos fechados enquanto pensa em mim. A calcinha molhada, o dedo entrando devagar, o gemido do nome dele solto no travesseiro.
Ele não disse nada. Não moveu um músculo. Mas dentro da cabeça, ele já tinha atravessado a sala, a mesa, qualquer barreira.
Ele a imaginava de costas, a bunda redonda empinada, as mãos no tampo da mesa. O vestido subido, a calcinha puxada pro lado. A visão daquela entrada molhada, úmida, querendo. Os dedos abrindo os lábios, sentindo o calor dela antes mesmo de meter.
— Me fode, gostoso. É disso que eu sonho.
O corpo dele reagiu. A calça apertou, a respiração falhou, as mãos suaram. Ele se viu ajoelhado atrás dela, a boca na nuca, as mãos apertando os peitos, os mamilos duros entre os dedos. E o pau — o pau que ele já sentia latejar — subindo devagar pela coxa, roçando, provocando, e depois entrando.
Fundo. Tão fundo que ela arfa. O som molhado, o ritmo, a mesa rangendo.
Ela, morena, os cabelos soltos, o corpo quente. Cada estocada era um sonho que ele estava vendo, ouvindo, sentindo. Os olhos verdes fechados de tesão enquanto as mãos dele seguravam os quadris, puxavam, guiavam.
— Não me deixa gozar sozinha — ele imaginava ela pedindo, a voz trêmula, os dedos cravados no braço dele. — Me faz gozar gostoso. Faz de mim toda tua, mesmo que seja só um minuto.
E a bunda — deus, aquela bunda — se movia contra ele com fome, se esfregava, apertava, pedia. Os peitos balançando com cada movimento, a pele morena brilhando de suor.
Ele pensa em agarrar o cabelo dela, puxar, enfiar mais forte, gozar tão fundo que ela sentiria por dias.
O silêncio durou segundos, mas pareceu uma vida inteira de putaria, de imaginação correndo louca, de culpa misturada com desejo.
Quando ele voltou a si, ela ainda o encarava, os olhos castanhos brilhando, o peito subindo e descendo rápido.
— Você tá com cara de quem já me comeu umas três vezes só agora — ela sussurrou, um sorriso torto e fascinante nos lábios.
Ele não confirmou. Não negou. Só pigarreou, a mão tremendo na caneca.
— Acho melhor a gente... — começou, a voz sumindo.
Mas a ereção latejava na cueca, e os sonhos dela já estavam plantados como sementes de fogo na cabeça dele.
Agora, sempre que olhasse para ela, veria o que ela sonhava. E provavelmente, naquela noite, seria ele quem acordaria molhado — ou, ao menos, com o gosto amargo de ter gozado sozinho, pensando nela, imaginando aquela boca falando o nome dele enquanto vinha.