Dois anos se passaram desde aquela primeira noite no motel barato na beira da estrada. Dois anos de safra, de turno, de chuva que parava a moagem e de mensagens trocadas no meio da madrugada. Eu, Lucas, tinha 24 anos. Continuava solteiro. Tinha terminado a Engenharia de Produção EAD e, com mais uma classificação, virara supervisor de produção da fábrica de etanol. Márcia, com seus 45 anos, subira também: de analista no laboratório para líder do setor. Os dois ainda se viam, mas cada vez menos. Uma vez a cada dois ou três meses, quando a rotina e o risco permitiam. O casamento dela continuava de pé. O meu status de solteiro também. E o sigilo, cada vez mais necessário.
A manhã começava cedo na usina. Sala de reuniões do prédio administrativo, ar-condicionado no talo, café passado e bolo de fubá na mesa do canto. Eu sentava na cabeceira, camisa social azul-clara, crachá de supervisor pendurado. Ao redor, só homens: Roberto, supervisor de moenda, 52 anos, casado, três filhos, voz grossa de quem grita no pátio há décadas. Sérgio, da caldeira, 48, calvo, bigode aparado, fama de homem de família tradicional na cidade. Paulo, do RH, 45, casado, dois filhos, o tipo que aparece em foto de missa e churrasco de fim de semana. E o Tiago, manutenção, 35, o mais novo depois de mim, recém-promovido.
A reunião era padrão de gestão: números, metas, problemas.
— Produção de etanol bateu recorde na última quinzena — eu falei, projetando a planilha na tela. — 12% acima do previsto. Qualidade também. Laboratório fechou os laudos sem nenhum desvio crítico.
Márcia não estava na reunião. Líderes de laboratório só entravam quando o assunto era análise. Eu sentia a ausência dela na sala, mas não deixava transparecer.
Roberto pigarreou.
— Moenda tá acompanhando. Só o problema da correia da esteira três que quebrou ontem. Tiago resolveu em quatro horas.
Tiago ergueu o polegar.
— Resolvido. E a caldeira, Sérgio?
— Pressão estável. Nenhum alarme. Só o pessoal reclamando do calor, como sempre.
Paulo falou do absenteísmo:
— Duas faltas no laboratório na semana passada. Uma justificou com atestado. A outra… vou chamar pra conversar.
A reunião durou uma hora e meia. Quando o diretor fechou a pasta e saiu, o clima mudou. A porta se fechou. O café esfriou. E a conversa virou o que sempre virava quando só supervisores homens ficavam na sala: fofoca, risada baixa, o lado sujo que ninguém colocava em ata.
Roberto foi o primeiro a soltar:
— Vocês viram a novinha que entrou no laboratório semana passada? Loira, 22 anos, peito empinado, uniformezinho apertado. Já chegou pedindo pra “aprender tudo rápido”.
Sérgio riu, mexendo no bigode.
— Essas meninas novas… fazem de tudo pra subir. Já vi cada uma. Casada, solteira, tanto faz. O marido fica em casa cuidando dos filhos e elas aqui, no banheiro do setor, de perna aberta pro encarregado.
Tiago bateu na mesa, baixinho.
— Na manutenção a gente vê coisa pior. Outro dia peguei duas dentro da cabine de uma colheitadeira parada. Uma chupando a outra. Quando me viram, pediram pra não contar e ofereceram “qualquer coisa”.
Paulo deu uma risada baixa, olhando em volta pra confirmar que a porta estava bem fechada.
— No RH a gente escuta os bastidores todos. Supervisor casado, família tradicional, missa todo domingo, que leva menina pro carro no fim do turno. Hotel barato na rodovia. Tudo pago com o cartão da empresa. E as mulheres? A maioria topa. Quer promoção, quer hora extra, quer sumir do turno da madrugada.
Roberto deu de ombros.
— Poder é poder. Quem não usa é otário. Essas mulheres de usina… a maioria tá disposta. Dão no banheiro, dão atrás da moenda, dão dentro da máquina agrícola se precisar. Casada ou não. O marido nem desconfia. Fica em casa com o moleque e a cerveja.
Eu fiquei quieto a maior parte do tempo, só sorrindo de canto. Ninguém naquela sala desconfiava de mim e da Márcia. Dois anos. Sigilosos pra caralho. Depois que os dois subiram de cargo, o cuidado aumentou. Nada de mensagem no grupo da empresa. Nada de olhar longo no corredor. Nada de sair juntos no mesmo horário. O apanha-pão ainda existia, e ela ainda usava a aliança.
Sérgio me cutucou com o cotovelo.
— E você, Lucas? Supervisor novinho, solteiro, carro bom, casa própria… já comeu alguma dessas loirinhas?
Eu ri, leve.
— Trabalho demais. Não sobra tempo.
Roberto soltou uma gargalhada.
— Mentira. Todo mundo sabe que quem sobe rápido come alguém no caminho. Só não fala.
A conversa durou mais quinze minutos. Falaram de mais três ou quatro nomes. De uma casada do setor de fermentação que “dava pra qualquer um que prometesse troca de turno”. De uma analista loira que já tinha sido vista saindo do carro de um gerente às duas da manhã. Eu ouvia, assentia, e guardava tudo pra mim. Ninguém precisava saber que a mulher que eu comia de vez em quando era a líder do laboratório, 45 anos, casada, e que eu gostava mais dela do que de qualquer novinha de 22.
A usina fechou o semestre com números absurdos. Produção de etanol batendo recorde histórico. Qualidade de análise laboratorial no topo da região. A premiação anual das usinas de Ribeirão Preto veio como consequência. Seis pessoas foram indicadas pra representar a empresa: eu, como supervisor de produção da fábrica de etanol; Márcia, como líder do laboratório; Roberto, da moenda; Sérgio, da caldeira; Paulo, do RH; e o diretor de operações. Tudo pago pela usina. Dois carros. Hotel individual em Ribeirão Preto. Duas noites.
A viagem foi na quinta-feira. Eu dirigi um dos carros. Márcia foi no outro, com Paulo e o diretor. A gente quase não se falou no caminho. Só um olhar rápido no estacionamento da usina, antes de partir. Ela de uniforme ainda, cabelo preso, aliança no dedo. Eu de camisa social. O coração acelerou um pouco. Dois meses sem nos vermos. A última vez tinha sido num motel na estrada, rápido, com ela de uniforme ainda, eu metendo por trás enquanto ela segurava a pia do banheiro e pedia silêncio.
Chegamos no hotel no meio da tarde. Quartos individuais, como combinado. O meu era no terceiro andar. O dela, no quarto. Eu vi o número na lista que a recepcionista entregou. Memorizei. Tínhamos algumas horas até a premiação, que seria num salão de eventos super chique no centro da cidade, um daqueles lugares com lustre de cristal, piso de mármore e serviço de buffet de alto padrão.
A premiação foi à noite. O salão de eventos estava impecável: mesas redondas com toalha branca impecável, arranjos de flores altas, taças de cristal, iluminação baixa e elegante. Homens de terno. Mulheres de vestido. Eu vesti o terno preto que tinha comprado depois da promoção, gravata azul-marinho, cabelo penteado. Me olhei no espelho do quarto do hotel e quase não me reconheci. O menino de 22 anos que fodía a Márcia no banheiro sujo da fermentação tinha virado supervisor de produção.
Chegamos juntos de carro. O salão já estava cheio. A nossa mesa era a de produção e laboratório. Roberto e Sérgio já estavam sentados, conversando baixo sobre as mesmas putarias de sempre. Paulo ria de alguma coisa. O diretor cumprimentava gente de outras usinas.
Márcia chegou por último.
Eu vi ela na porta do salão e o mundo parou por dois segundos.
Ela estava de vestido preto longo, justo no corpo, decote moderado mas suficiente pra mostrar o começo dos seios pesados. Cabelo solto, ondulado, maquiagem leve, batom vinho. Os 45 anos nela não pesavam: pesavam a favor. Quadril largo, coxas firmes sob o tecido, a mesma barriga macia que eu já tinha beijado tantas vezes. A aliança ainda no dedo. Ela entrou devagar, cumprimentando pessoas, e quando nossos olhares se cruzaram, eu senti uma faísca que não sentia há meses. Não era só tesão. Era outra coisa. Algo que eu evitava nomear.
Todo mundo olhou. Roberto soltou um “porra…” baixo. Sérgio assobiou discreto. Até o diretor ergueu a sobrancelha. Márcia sorriu educada, cumprimentou a mesa e sentou na cadeira ao meu lado, deixando um espaço educado entre nós.
— Boa noite — ela disse, voz calma.
— Boa noite — eu respondi.
O jantar foi longo. Discursos. Premiações. Eu subi ao palco pra receber o troféu de produção recorde de etanol. Márcia subiu logo depois, pelo laboratório. Os dois troféus lado a lado na mesa. Elogios. Aplausos. Fotos. Eu e ela lado a lado no palco por trinta segundos, sorrindo pra câmera, o braço quase se tocando. O cheiro do perfume dela me atingiu. O mesmo de sempre.
Depois da cerimônia, voltamos ao hotel. Cada um foi pro seu quarto. Eu tirei o terno, fiquei de bermuda e camiseta, deitei na cama e fiquei olhando o teto. O celular vibrou às 00h47.
Foto.
Márcia deitada na cama do quarto dela, de lingerie preta — sutiã de renda e calcinha fio-dental. As pernas abertas só o suficiente. O cabelo espalhado no travesseiro. A legenda:
“Quarto 412. Porta destrancada. Vem.”
Eu levantei, vesti a calça jeans e a camisa, peguei a chave do quarto e subi as escadas. Ninguém no corredor. Bati de leve. A porta abriu.
Ela estava em pé, ainda de lingerie, o vestido jogado numa cadeira. O corpo completo na minha frente pela primeira vez em meses. Seios grandes e pesados contidos só pela renda, barriga macia, quadril largo, a calcinha fio-dental marcando a buceta já úmida.
— Você tá linda pra caralho — eu falei, fechando a porta atrás de mim.
Ela sorriu, aquele sorriso de canto que eu conhecia desde o começo.
— Faz tempo que a gente não se vê direito. Eu me arrumei só pra você.
Eu puxei ela pela cintura e beijei a boca com fome. O beijo foi longo, molhado, a língua dela encontrando a minha como se não tivesse passado dois meses. As mãos dela desceram pela minha calça, abriram o botão, puxaram o zíper. Eu desci a alça do sutiã, liberando os seios. Chupei um mamilo, depois o outro, enquanto ela gemia baixo.
— Sem pressa hoje — ela sussurrou. — A gente tem a noite inteira.
Eu a levei pra cama. Deitei ela de costas e desci beijando o pescoço, o meio dos seios, a barriga. Quando cheguei na calcinha, puxei o fio pro lado em vez de tirar. A buceta estava encharcada, os lábios inchados. Lambei devagar, a língua entrando, o clitóris sendo chupado. Ela segurou meu cabelo e abriu mais as pernas.
— Isso… chupa direito… faz tempo que ninguém me come assim…
Eu enfiei dois dedos enquanto chupava. Ela gozou rápido, as coxas tremendo, a voz abafada no travesseiro. Quando ainda estava ofegante, eu subi, tirei a camisa e a calça. O pau duro bateu na coxa dela. Ela se virou de lado, puxou o fio da calcinha ainda mais pro lado e falou:
— Entra. Sem tirar a calcinha. Eu quero sentir o tecido me cortando enquanto você mete.
Eu entrei de uma vez. O pau sumiu dentro dela, quente, apertado. Ela gemeu alto. Eu comecei a meter devagar, depois mais forte, o som molhado enchendo o quarto. A calcinha fio-dental ficava no caminho, esfregando o clitóris a cada estocada.
— Mais fundo — ela pediu. — Me fode como se eu fosse só sua.
Eu segurei o quadril dela e acelerei. Os seios balançavam. A boca dela aberta, gemendo sem se importar com as paredes.
Depois de um tempo eu saí, deitei de costas e puxei ela pra cima. Ela montou, enfiou o pau sozinha e começou a cavalgar. Os seios na minha cara. Eu chupava os mamilos enquanto ela subia e descia com força.
— Eu sou sua puta — ela falou, olhando nos meus olhos. — Só sua. O marido não me toca há meses. Eu fico molhada pensando em você.
— Então mostra — eu respondi.
Ela desceu da minha cintura, ajoelhou entre minhas pernas e engoliu o pau inteiro. Chupava fundo, a saliva escorrendo, a mão massageando o saco. Eu segurava o cabelo dela e fodía a boca devagar.
— Isso… engole tudo… você chupa melhor que qualquer novinha dessa usina…
Ela tirou a boca só pra rir, a voz rouca:
— Eu viro completa puta pra você. Pode gozar na minha boca se quiser.
Eu puxei ela de volta pra cima antes. Queria mais. Virei ela de quatro. A calcinha ainda no lugar, só puxada pro lado. Entrei de novo. Meti forte, a mão no cabelo dela, a outra segurando a cintura.
— Eu quero te comer no cu — eu falei.
Ela olhou por cima do ombro, o cabelo bagunçado, o sorriso safado.
— É a surpresa. Eu nunca deixei ninguém. Nem o marido. Hoje eu quero. Com você.
Eu parei. Respiração pesada.
— Tem certeza?
— Tenho. Vai devagar no começo. Depois pode meter forte.
Eu cuspi na mão, passei no pau e no cu dela. Empurrei a cabeça devagar. Ela arqueou as costas e soltou um gemido longo, misturado de dor e prazer. Eu entrei centímetro por centímetro, sentindo ela apertar.
— Relaxa… respira…
— Tá entrando… porra, tá grosso…
Quando enfiei até o meio, parei. Ela respirava fundo. Depois começou a empurrar o quadril pra trás, pedindo mais. Eu meti o resto. Fiquei parado um segundo, sentindo o aperto absurdo.
— Pode mexer — ela falou, a voz embargada. — Me fode o cu. Eu quero.
Eu comecei devagar. Depois mais rápido. O som era diferente, mais seco, mais sujo. Ela gemia alto, uma mão no clitóris, se masturbando enquanto eu metia.
— Assim… mais forte… eu sou sua puta completa agora…
Eu meti com vontade. A mão no cabelo dela, puxando. Ela gozou de novo, o corpo inteiro tremendo, o cu apertando meu pau. Eu não aguentei. Saí, virei ela de frente, enfiei de novo na buceta e gozei fundo, enchendo ela. O leite escorreu pela coxa, misturado com a calcinha ainda no lugar.
Ela não parou. Desceu, chupou o pau sujo de tudo, limpou com a boca, engoliu o que sobrou. Depois deitou ao meu lado, ofegante, o corpo colado no meu.
Ficamos em silêncio por um tempo. O ar-condicionado barulhento. A cidade lá fora. Eu passei a mão na barriga dela, subindo até os seios.
— Márcia…
— Hm?
— Eu gosto de você. Não é só foda. Faz tempo que não é só foda.
Ela virou o rosto, os olhos úmidos.
— Eu também. Eu me apaixonei, Lucas. Sei que sou casada. Sei que tenho quase o dobro da sua idade. Mas eu me apaixonei. E não quero parar.
Eu beijei a testa dela.
— Então a gente continua. No sigilo. Do jeito que der. Mas eu não quero só te comer de vez em quando. Eu quero isso. Você. Inteira.
Ela sorriu, cansada, feliz.
— Então fica. Pelo menos até de manhã.
A gente dormiu abraçado. Suados, o cheiro de sexo no quarto, a calcinha dela ainda molhada jogada em algum lugar da cama.
Às cinco da manhã o despertador do celular vibrou baixo. Eu abri os olhos. Márcia ainda dormia, o cabelo bagunçado no meu peito. Eu beijei o ombro dela, levantei devagar, vesti a roupa. Ela abriu os olhos só um pouco.
— Vai?
— Tenho que ir. Se alguém me ver saindo daqui…
Ela assentiu. Eu beijei a boca dela de novo, rápida.
— Depois a gente se fala.
Saí no corredor vazio. Desci as escadas. Entrei no meu quarto sem ninguém ver. Deitei na cama e fiquei olhando o teto.
A faísca que eu senti quando ela entrou naquele salão não tinha apagado. Eu sabia que a gente não ia conseguir fingir pra sempre que era só foda. Mas, por enquanto, o sigilo ainda era a única coisa que nos protegia.
No dia seguinte, voltamos nos mesmos carros. Eu dirigi o meu, com Roberto e Sérgio no banco de trás. Márcia foi no outro, com Paulo e o diretor. No caminho, Roberto quebrou o silêncio:
— Vocês ouviram ontem à noite? No quarto do lado do meu tinha uma mulher gemendo pra caralho. Parecia motel barato, não hotel de premiação.
Sérgio riu baixo.
— Ouvi também. Parecia que tavam destruindo a cama. Quase bati na parede.
Roberto balançou a cabeça.
— E pensar que a gente tava num evento chique… e do lado alguém tava fazendo a festa.
Eu segurei o volante e não falei nada. Só olhei pro retrovisor. Nenhum deles desconfiava. Nem de longe.
A estrada seguia reta. A usina esperava a gente de volta. E o segredo, por enquanto, continuava intacto.