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Capítulo 1 - O Peso do Favor

Um conto erótico de Leandro Gomes
Categoria: Gay
Contém 1555 palavras
Data: 06/09/2026 23:43:33
Última revisão: 07/09/2026 12:50:55

Danilo acordou antes do despertador, como quase sempre acontecia nos últimos meses. O corpo ainda carregava o cansaço de uma noite mal dormida, mas o cheiro de Camila no travesseiro ao lado era o suficiente para fazê-lo demorar alguns segundos a mais deitado, com o rosto enterrado no tecido que guardava o perfume dela misturado ao cheiro de pele e sexo da noite anterior. Quinze anos casados e, de alguma forma estranha e teimosa, aquele cheiro ainda o acalmava do mesmo jeito que acalmava quando eles mal se conheciam...

Eles se conheceram numa balada em Niterói, num daqueles finais de semana em que a cidade parecia menor e as decisões mais fáceis. Danilo tinha vinte e dois anos, o corpo já parrudo, peito largo e firme com poucos pelos escuros, ombros largos, a barriguinha discreta que aparecia só quando ele se sentava, e a bunda grande, redonda que marcava a calça de um jeito que chamava atenção mesmo quando ele não queria. A voz grave e aquele jeito calmo de ocupar o espaço faziam as pessoas se aproximarem sem perceber. Camila tinha dezenove, cabelo afro curto na época, boca carnuda, seios grandes e firmes, cintura fina que realçava a bunda dura e as pernas torneadas.

Dançaram perto o suficiente para o suor dos dois se misturar. Depois conversaram, ele pagou bebida pra ela, e quando o assunto começou a ficar mais picante, e o pau dele endureceu dentro da calça a ponto de marcar, ele perguntou se ela queria sair dali. Ela disse que sim. Foram para o apartamento pequeno onde ele morava na época, e o tempo correu sem que nenhum dos dois se preocupasse com relógio. Foderam no sofá, no chão, e depois na cama, e quando o sol entrou pela janela, ela ainda estava com as pernas tremendo e ele ainda estava com o gosto dela na boca. Não foi só sexo. Foi a certeza rápida e muda de que tinham encontrado alguma coisa que valia a pena segurar. Um ano depois estavam casados. E quinze anos depois ainda fodiam com a mesma intensidade, ainda conversavam de verdade, ainda se respeitavam de um jeito que muita gente ao redor já tinha perdido.

_____________

Danilo se levantou devagar, se sentou na cama por uns segundos e então se levantou sem se vestir. Foi ao banheiro quase que desfilando, exibindo para si mesmo sua forte ereção matinal. Depois, vestiu um short sem cueca e foi até a varandinha estreita do apartamento alugado. Acendeu o primeiro cigarro do dia. Lá embaixo, Niterói começava a se mexer sob a luz ainda macia da manhã: o barulho distante de um ônibus, o cheiro de pão de alguma padaria próxima, o sol batendo nas lajes. Ele puxou a fumaça e deixou a mente voltar, pela enésima vez, para o mesmo labirinto: a padaria, o ponto comercial que um dia fora motivo de orgulho... o sócio Rafael, as dívidas.

Rafael tinha saído da sociedade quase um ano antes. Na época, pareceu até um alívio: os dois já não se entendiam sobre a direção do negócio, e Danilo acreditou que sozinho conseguiria colocar a casa em ordem. Não conseguiu. Sem o olhar mais frio do sócio, ele, que era mais voltado à produção, começou a fazer compras maiores do que o movimento permitia, a aceitar encomendas que não tinha estrutura para entregar, a postergar pagamentos e a usar o cheque especial como se fosse extensão natural do caixa. Quando percebeu o tamanho do buraco, já estava fundo demais. Fornecedores cobrando, banco enviando cobranças, aluguel do ponto atrasado, funcionários reclamando salários... A padaria fechou as portas dois meses atrás. O CNPJ ainda existia no papel, mas na prática era só uma lista de dívidas com o nome de Danilo assinado embaixo.

Camila sabia de parte da história, mas não de tudo. Ela estava carregando as contas da casa com o salário da loja de cosméticos onde trabalhava e até então nunca tinha jogado na cara dele, mas o silêncio dela às vezes pesava mais do que qualquer cobrança.

Foi pensando nisso tudo que o nome de Pedro veio à cabeça dele.

Pedro. O loiro de olhos azuis que Danilo conhecera dez anos antes numa empresa de logística onde os dois trabalharam juntos. Pedro tinha o corpo sarado de academia, músculos definidos sem exagero, peito liso, abdômen marcado, bunda empinada e firme, volume sempre marcando no jeans ou no short apertado, pele clara de quem se cuida. E o olhar. Danilo nunca fora cego. Percebia quando o olhar de Pedro demorava um segundo a mais nos ombros dele, na boca, no jeito que sua calça marcava a coxa grossa e a curva da bunda. As indiretas nunca foram grosseiras, mas existiam. Pedro era discreto, másculo, nunca tinha se declarado abertamente, e Danilo preferira fingir que não entendia. Era mais simples. Afinal, eram amigos de verdade. Quando Pedro saiu da empresa e montou o próprio negócio de eletrônicos — e, por baixo, o lado mais silencioso de “empréstimos pessoais”, vulgo agiotagem —, a amizade continuou e ficou mais sólida. Churrascos, conversas até tarde, gargalhadas, conselhos. Danilo sempre soubera que o amigo era gay. Sempre soubera, mas nunca deixara isso atravessar a linha.

Danilo terminou o cigarro, voltou para dentro e mandou a mensagem antes que a coragem esfriasse.

Danilo: Cara, preciso falar com você. Vc tá em casa?.

Pedro: Eu tô de boa aqui em casa. Pode vir agora se quiser.

Eram pouco mais de nove da manhã quando Danilo estacionou o Fiat Uno Way cinza em frente à casa de Pedro. O bairro era mais alto, mais silencioso, o portão largo metal pesado, o jardim bem cuidado com grama baixa e algumas palmeiras. A piscina azul brilhava sob o sol da manhã, a água parada refletindo o céu. Pedro abriu a porta usando apenas um samba-canção azul-marinho da Calvin Klein, sem cueca por baixo, e sem camisa. O tecido fino e solto marcava claramente o volume da rola, que balançava leve a cada passo, o contorno da glande visível às vezes. O abdômen sarado, as linhas do V descendo em direção à cintura, o peito liso e definido, a pele ainda com o brilho leve de quem acabara de sair do banho. O cheiro de sabonete caro e pele limpa se misturou com o ar fresco da manhã.

— Entra aí, amigão.

A sala era ampla, de piso frio e paredes claras, um sofá grande de couro claro de frente para a varanda de vidro que dava para a piscina.

— Vou fazer um café daqueles pra gente. Você tá com cara de preocupação. Um café vai te fazer bem... e sem açúcar!

— Fala sério, Pedrão! Deixa dessas frescura comigo! Café pra mim é doce.

— Hahaha! Tem que apreciar o sabor das coisas, amigo!

Pedro o conhecia bem e sabia dos problemas que ele passava. Voltou da cozinha com duas canecas de café passado na hora, o vapor subindo, e não apressou. Deixou Danilo beber um gole, dois, três, antes de perguntar. Danilo contou tudo. A saída do Rafael (que ele já tinha contado antes), as decisões ruins, as compras que não deveria ter feito, o fechamento da padaria, as dívidas que continuavam aparecendo mesmo depois de ter achado que já sabia de todas. Falou do aluguel do apartamento, do cansaço de Camila, do medo de não conseguir manter nem o básico. Quando terminou, a voz estava mais baixa do que pretendia.

Pedro ficou quieto um tempo, girando a caneca entre os dedos. O samba-canção se ajeitou quando ele se recostou, e a rola se moveu sob o tecido, o volume pesado e visível.

— De quanto você precisa agora, amigo?

— Cara, acho que uns trinta mil já resolvia. Para cobrir o mais urgente e respirar um mês ou dois. E quem sabe dá pra eu tentar reabrir a padaria.

Pedro assobiou baixo, olhou no celular o app de um dos bancos onde tinha conta e falou com uma tranquilidade assustadora.

— Eu te empresto, amigão. Mas coisa de mano mesmo — sem juro, sem cláusula escondida. Você começa a pagar as parcelas daqui a trinta ou até sessenta dias. A gente acerta o valor da parcela, de acordo com o que você conseguir. Combinado?

Danilo sentiu o peito afrouxar e apertar ao mesmo tempo. Alívio e vergonha, lado a lado.

— Combinado. E-eu não sei como te agradecer, cara.

— Não precisa agradecer. Faria qualquer coisa pra te ajudar, cara. Só te peço uma coisa: não some de mim — ele repousou a mão sobre a coxa de Danilo. Eu gosto de te ver, Danilão. Sinto falta da gente sair mais, conversar mais... Sempre gostei, tu sabe disso. A gente é parceiro pra vida toda.

A frase ficou no ar um segundo a mais do que o necessário, assim como a mão sobre a coxa, que agora ele alisava discretamente. Os olhos azuis seguraram os dele sem desviar. Pedro se levantou, Danilo o seguiu, e então deu nele um abraço forte e demorado. Danilo percebeu que ele respirou mais profundamente em seu pescoço, e então sentiu o desconforto já conhecido, aquele frio na barriga que vinha sempre que Pedro deixava a máscara de amigo escorregar um milímetro e revelar algo a mais. Depois do abraço, Danilo assentiu, desviou o olhar para a piscina lá fora e bebeu o resto do café.

Continua...

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Comentários

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Aliás...100º conto! Parabéns!! Hehehe

100 contos em que você faz os leitores ficarem doidinhos...

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Gostei, adorei esse começo! Você vai postar a série na íntegra aqui? Tentei entrar no link do final mas pede conta Google e eu não tenho nesse meu perfil hehehe

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Acho que o link foi com algum erro. Geralmente não pede conta do Google só pra ler não. Tenta com esse agora

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