Eu e a Yoko não nos conhecíamos de porra nenhuma.Era uma terça-feira qualquer, barzinho barato perto da estação. Eu estava no canto, na terceira cerveja, tentando não olhar pro celular onde a ex ainda postava fotos com o cara novo. Ela estava duas mesas à frente, sozinha, com um copo de vodka e gelo derretendo. Olhos inchados de chorar, maquiagem meio borrada. Não foi romance. Foi reconhecimento.
Tipo: “porra, você também tá fodido”.Eu puxei conversa de um jeito meio torto.
— Tá afogando o que?
Ela riu sem graça.
— Chifre. E você?
— O mesmo. Ficamos conversando besteira por quase duas horas. Bebemos mais do que devíamos. Em determinado momento a mão dela esbarrou na minha e não tirou. O bar tava esvaziando. A gente tava bêbado o suficiente pra achar que foder ia resolver alguma coisa.O motel foi o mais próximo. Quarto fedendo a desinfetante e ar-condicionado velho. A gente mal fechou a porta e já tava se beijando de forma desajeitada, com gosto de álcool e cigarro. Tirei a blusa dela. Ela abriu minha calça. Não foi cinematográfico. Foi urgente e meio descoordenado.Eu enfiei os dedos nela e ela já tava molhada. Ela me chupou um pouco, mas tava nervosa, os dentes roçavam de leve. Eu a deitei na cama, abri as pernas e entrei. No começo doeu um pouco nela, ela fez uma careta. Depois o corpo pegou o ritmo. Meti com força, a cama rangendo alto, o colchão fino. Ela gemia baixo, quase engasgando, segurando no travesseiro. Gozei rápido demais da primeira vez, ainda dentro, sem camisinha — a gente nem pensou direito. Ficamos um tempo quietos, respirando pesado. Depois ela subiu em mim e cavalgou devagar, se masturbando enquanto eu segurava o quadril dela. Dessa vez eu aguentei mais. Quando ela gozou, apertou forte e ficou tremendo por uns segundos. Eu gozei de novo, mais fundo.De manhã acordamos com dor de cabeça, fedendo a sexo e suor. A luz do dia deixava tudo mais real e meio constrangedor. Ela se vestiu rápido. Eu também. Trocamos número por educação, quase.Mas a gente se falou de novo.
Primeiro só pra rir da situação. Depois pra beber. Depois pra foder. Viramos aquilo que muita gente vira: amigos que se comem.
Não era perfeito. Às vezes o sexo era ótimo, selvagem, ela me pedia pra ir mais fundo, pra segurar o pescoço, pra gozar na boca. Outras vezes era só rápido, meio mecânico, depois de um dia ruim. Às vezes a gente só ficava deitado falando merda sobre os ex e sobre a vida. Nove meses depois. Ela mandou mensagem pedindo pra eu ir na casa dela. Tava sentada no sofá, com a barriga já aparecendo de leve, e o olhar cansado. — Tá grávida.
— Do quê?
— De você, porra. Das vezes que a gente não usou nada.Ficamos em silêncio um tempão. Não teve declaração. Não teve “vamos ficar juntos pra sempre”. Teve medo, teve conversa sobre dinheiro, sobre o que fazer, sobre se a gente conseguia ou não. No final a gente ficou.
Não como casal de novela. Como duas pessoas que se fodem bem, se aguentam nos dias ruins e agora vão ter um filho no meio. Às vezes ainda é intenso.
Ela de quatro, eu entrando fundo, a mão na barriga dela enquanto meto, ouvindo ela gemer baixo pra não acordar o vizinho. Às vezes é só carinho rápido. Às vezes a gente briga por besteira e depois resolve na cama. Não é perfeito.
Mas é real.
E o resultado que saiu da gente continua nos ligando — na vida, na cama, e no resto.