Os dias seguintes ao motel foram estranhos de um jeito que eu não sabia explicar direito.
Não era só o corpo. A boceta ficou sensível por quase dois dias. Cada vez que eu me sentava na cadeira da faculdade, cada vez que o short de pijama raspava ali de manhã, vinha aquele latejar baixo e teimoso. Não doía exatamente. Era mais como se a pele ainda estivesse inchada por dentro, lembrando de tudo. Odiava mais ainda quando, no meio de uma aula ou no banho, o latejar mudava de tom e virava um calor sujo que subia. Eu apertava as coxas com força e fingia que não estava sentindo nada.
A dívida ficava pairando o tempo todo. A Noite de Prazer Total. Uma noite inteira em que eu não poderia dizer não pra nada. Eu tentava empurrar o pensamento pra longe, mas ele voltava principalmente de madrugada, quando a casa estava quieta e eu ficava olhando pro teto do quarto. O que ele ia pedir? Até onde ele ia levar aquilo? Eu já tinha visto o que ele era capaz de fazer quando a gente só estava competindo. Imaginar o que ele faria com uma noite inteira de carta branca me deixava com o estômago revirado… e com as pernas inquietas de um jeito que eu recusava admitir.
Eu precisava fazer alguma coisa. Não podia deixar ele ocupar tanto espaço assim na minha cabeça. E muito menos deixar ele chegar perto das minhas amigas.
Na quarta-feira, no intervalo da aula noturna, as três estávamos no refeitório. O lugar estava meio vazio, aquelas luzes amareladas batendo nas mesas de fórmica velha. Letícia falava animada de um vestido que tinha comprado no final de semana. Mariana comia um sanduíche em silêncio, rindo de vez em quando das exagerações da amiga.
Eu estava quieta, mexendo no café mais por ter o que fazer com a mão do que por vontade de beber.
Foi a Mariana quem puxou o assunto, do nada, enquanto limpava o canto da boca com o guardanapo.
— Ah, e aí, Lê? Já decidiu o que vai vestir no encontro de sábado?
Letícia deu uma risadinha meio sem graça e olhou pra baixo rapidinho.
— Ainda não. Nem sei se vou mesmo.
Mariana ergueu a sobrancelha.
— Como assim não sabe? Semana passada você tava toda empolgada.
Eu levantei o olhar na hora. Encontro de sábado. Letícia empolgada. A conta fechou rápido demais na minha cabeça.
— É com o Caio? — perguntei, tentando soar só curiosa.
Letícia ficou vermelha na hora. Não foi um vermelho leve. Foi daqueles que sobem pelo pescoço e espalham pelas orelhas. Ela tentou disfarçar mexendo no canudo do suco, mas já tinha se entregado.
— Pode ser… — murmurou.
Mariana soltou uma risadinha.
— Pode ser? Menina, você não para de falar nele desde o dia da carona.
Eu senti alguma coisa apertar no peito. Não era surpresa exatamente. Eu já desconfiava. Mas ouvir daquele jeito foi diferente.
Fiquei um tempo em silêncio, girando a xícara entre as mãos. Depois falei, num tom mais baixo, como quem não queria fazer alarde:
— Vocês precisam ter cuidado com ele.
Letícia ergueu os olhos, já na defensiva.
— Lá vem você.
— Eu moro com ele, gente. Vocês não. Eu vejo coisa que vocês não veem.
Mariana parou de mastigar e me olhou com atenção.
— Tipo o quê?
Eu respirei fundo, escolhendo as palavras com cuidado.
— Ele é bom em parecer legal. Sabe exatamente o que falar e como agir pra pessoa baixar a guarda. Mas depois… — fiz uma pausa. — Ele trata mulher como se fosse conquista. Usa, se diverte e descarta. Não se apega.
Letícia franziu a testa.
— Você tá falando isso por causa da Bianca?
— Entre outras coisas. — Menti só pela metade. — Ele deu um bolo nela pra sair com os amigos, mentiu na cara dura e quando ela descobriu ainda tentou se fazer de vítima. É o padrão dele.
Mariana fez uma careta.
— Nossa…
— E tem mais. — Baixei ainda mais a voz. — Ele costuma falar das minas com quem sai. Conta detalhe. Compara. Às vezes até dá uma espécie de nota. Já ouvi ele conversando com os amigos.
Isso era exagero. Eu nunca tinha ouvido nada parecido. Mas a semente precisava ser plantada com força.
Letícia ficou quieta, olhando pra mesa. O maxilar dela estava travado. Eu vi a dúvida se instalando.
— Eu só não queria que vocês se ferissem — completei, mais suave. — Principalmente você, Lê. Você merece alguém que preste.
Ela não respondeu na hora. Ficou mexendo o canudo no fundo do copo vazio por um tempo longo. Depois deu de ombros, tentando parecer indiferente.
— Vou pensar.
Não era a resposta que eu queria, mas era alguma coisa.
No dia seguinte, no corredor da faculdade, ela me alcançou e falou baixo, quase como se estivesse se justificando:
— Cancelei com ele. Falei que surgiu um compromisso familiar.
Senti um alívio amargo subir pelo peito.
— Melhor assim — respondi. — Sério. Você merece alguém melhor.
Ela assentiu com a cabeça, mas o olhar dela não estava completamente convencido. Tinha uma ponta de dúvida ainda ali. Como se a conversa tivesse funcionado… mas não o suficiente pra matar o interesse de vez.
Eu fingi que não percebi.
Por dentro, porém, já sabia que ia precisar ficar de olho.
A semana seguinte começou com chuva. Daquelas chuvas grossas de verão que enchem a rua em minutos e fazem o trânsito parar por completo. Na terça-feira, durante a aula noturna, a chuva caiu com tanta força que a coordenação suspendeu as atividades mais cedo. Ficamos as três no hall de entrada da faculdade, olhando pela vidraça grande. O frio entrava pelas frestas da porta. Estávamos de roupa leve, completamente despreparadas.
Mariana abraçava o próprio corpo, tentando se aquecer.
— Não tem como voltar de ônibus nisso.
— Minha mãe não consegue buscar — Letícia completou, olhando o celular com cara feia. — Ela falou que o trânsito tá parado em tudo quanto é lugar.
Meu celular vibrou no bolso. Era mensagem da Patrícia: "O Caio vai buscar vocês. Fiquem atentas."
Senti o estômago revirar na hora. Claro. Tinha que ser ele.
O Gol prata encostou na calçada uns vinte minutos depois. As ruas estavam alagadas em vários pontos; dava pra perceber que ele tinha feito um desvio grande pra conseguir chegar, pela rapidez com que chegou. Ele saltou do carro com um guarda-chuva preto, o rosto neutro como sempre.
— Entrem rápido. Atrás.
Corremos as três sob a chuva fina que ainda caía e nos enfiamos no banco de trás, completamente encharcadas. A blusa grudava na pele. O cabelo pingava na nuca. Mariana tremia, os lábios quase roxos. Letícia xingava baixo.
Caio entrou, fechou a porta e se virou pra trás, nos olhando por cima do ombro. Avaliou o estado em que estávamos em silêncio por uns instantes. Depois, sem dizer quase nada, puxou a blusa de moletom cinza pela cabeça e tirou de uma vez. Ficou só de camiseta branca fina, que marcava o peito e os ombros.
— Veste isso — estendeu o moletom pra Letícia. — Você tá tremendo pra caralho. Todas estão. Vão ficar doentes se continuarem assim.
Letícia ficou surpresa, mas pegou a blusa sem discutir. Vestiu rápido. O tecido era grande demais, as mangas cobrindo quase inteiras as mãos dela. Eu vi o sorriso discreto que ela não conseguiu esconder.
— Atrás tem uma blusa de frio — ele continuou, apontando com a cabeça pro porta-malas. — Mariana, pode pega lá.
Mariana se virou, encontrou a blusa de lã grossa dobrada num canto e vestiu depressa. As bochechas dela estavam vermelhas de um jeito que não era só frio.
Aí ele pegou o jaleco branco do laboratório, que estava dobrado no banco do passageiro, e estendeu na minha direção.
— Veste.
Peguei o tecido. Ainda estava morno. Cheirava a um pouco há produtos químicos e a ele — aquele cheiro que eu já conhecia demais. Hesitei. Não queria dever nada pra ele. Mas o frio cortava a pele e não tinha outra opção.
Vesti. As mangas cobriam as mãos, a barra batia no joelho. Estava quente. E cheiroso pra caralho. Fechei os olhos por um instante, odiando o quanto aquele conforto simples mexia comigo.
O carro saiu devagar, desviando do trânsito quando dava.
Letícia foi a primeira a falar, ainda se ajeitando no moletom.
— Obrigada, sério. A gente tava ferrada ali.
— Verdade — Mariana completou, a voz baixa. — Se você não viesse a gente ia ficar até sei lá que horas.
Eu forcei a voz a sair, mais seca do que eu queria.
— Obrigada.
Caio olhou pelo retrovisor por um instante.
— Não foi nada. A Patrícia ligou e pediu. Eu tava saindo do laboratório, relativamente perto, então cortei caminho e vim o mais rápido que deu.
Letícia soltou um sorriso, ainda com as mãos escondidas dentro das mangas do moletom.
— Ainda bem. Se não fosse você a gente ia ficar presas até a chuva passar ou até alguém ter pena e vir buscar. Ia ser um inferno.
— Pois é — Mariana concordou. — Obrigada de novo.
Eu fiquei quieta no canto, apertando o tecido do jaleco entre os dedos. O cheiro dele subia toda vez que eu mexia. Tentei olhar pela janela, concentrar na chuva, em qualquer coisa. Não adiantava muito.
O silêncio que se seguiu não era desconfortável pra elas. Pra mim era.
Quando o carro parou em frente ao prédio da Mariana, a chuva já tinha virado um chuvisco fino. Ela fez menção de tirar a blusa de frio.
— Fica com ela — Caio disse, destravando o cinto. — Depois você me devolve. Vou com você até a porta.
— Não precisa…
— O chão tá molhado e a rua tá escura. Não vou deixar você ir sozinha.
Ele desceu, deu a volta e acompanhou Mariana até a entrada da casa com o guarda chuva. Eu vi pela janela enquanto ele esperava ela destrancar a porta, as mão no bolso da calça, a camiseta branca ainda úmida colada nas costas. Ela disse alguma coisa, ele respondeu com um aceno de cabeça. A porta se fechou. Ele voltou pro carro em silêncio.
Alguns minutos depois paramos em frente ao prédio da Letícia. Ela também tentou devolver o moletom.
— Fica. Depois você me devolve.
Letícia sorriu, os olhos brilhando de um jeito que eu conhecia bem.
— Você vai acabar ficando sem roupa desse jeito.
— Tenho mais em casa.
Ele desceu de novo, abriu a porta pra ela e a acompanhou até a entrada. Eu fiquei olhando. A luz do hall iluminava o rosto dela. Ela disse alguma coisa que eu não consegui ouvir. Ele respondeu com aquele tom neutro de sempre. E então, antes de entrar, Letícia se inclinou e beijou a boca dele.
Não foi um selinho rápido. Foi beijo de verdade. Os lábios dela pressionaram os dele, a mão subiu até o peito dele, os dedos tocando o tecido molhado da camiseta. A boca se entreabriu. Eu tive certeza de que a língua dela tocou a dele. Pra mim foi uma eternidade ver aquilo.
Meu estômago revirou com força. Apertei o jaleco contra o peito, as unhas cravando no tecido branco. Eu queria descer do carro e puxar o cabelo dela. Queria gritar. Queria sumir. Fiquei imóvel, os olhos fixos na cena, sentindo o ciúme queimar como ácido.
Letícia se afastou, sorriu daquele jeito satisfeito e entrou no prédio. Caio ficou parado por um instante, de costas pra mim, e depois voltou pro carro. Entrou, fechou a porta e não disse nada. Apenas deu a partida.
O resto do caminho até em casa foi silêncio absoluto. Eu não conseguia olhar na direção dele. Só conseguia ver o beijo repetindo na minha cabeça. A mão dela no peito dele. O sorriso no rosto dela quando se afastou.
Quando o Gol parou na garagem, eu já estava com a mão na maçaneta, pronta pra sair o mais rápido possível. Antes que eu abrisse, ele falou:
— Espera.
Desceu, deu a volta no carro e abriu a porta pra mim. Estendeu a mão.
— O chão tá escorregando.
Olhei pra mão dele. A mesma mão que instantes antes tinha estado no corpo da Letícia, de alguma forma. Empurrei o pensamento pra longe. Peguei a mão dele e desci. O toque foi breve, mas o calor da pele dele contra a minha ficou marcado. Ele me acompanhou até a porta de casa e esperou eu destrancar.
— Vou guardar o carro — disse, já se virando.
Entrei e fechei a porta atrás de mim. Fiquei parada no corredor escuro, o jaleco ainda sobre os ombros, o coração batendo forte demais. Ele tinha sido gentil. Com as três. Com a Mariana. Com a Letícia. Comigo. E isso mexia comigo, por que agora não tinha ninguém para ver, porque ele fez isso? Eu não conseguia entender.
Tirei o jaleco devagar e pendurei na cadeira da cozinha. Depois, sem pensar muito no que estava fazendo, peguei uma panela, leite e chocolate em pó. Fiz chocolate quente. Duas canecas. Quando ele entrou pela porta, sacudindo a chuva do cabelo, as canecas já estavam sobre a mesa.
— Isso é pra mim?
— Tava frio. Você ficou molhado. — Dei de ombros, tentando soar indiferente. — Só isso.
Ele pegou uma caneca, deu um gole e me olhou. Senti o rosto esquentar contra a minha vontade.
— Tá bom — ele disse, a voz mais baixa.
Fiquei vermelha. Murmurei qualquer coisa sobre estar cansada e subi as escadas com a outra caneca e sem olhar pra trás, sentindo o olhar dele nas minhas costas até eu desaparecer no corredor do andar de cima.
Me tranquei no quarto e me sentei na cama. O coração ainda estava acelerado. A imagem do beijo não saía. A gentileza dele — a mão estendida, a porta aberta, o chocolate quente — só piorava tudo. A chuva tinha parado lá fora. A casa estava em silêncio absoluto.
Em algum momento da madrugada eu desisti de tentar dormir. Desci até a cozinha, peguei um copo d'água e fiquei parada na frente da pia, olhando a rua vazia e as luzes dos postes refletindo nas poças d'água.
O jaleco ainda estava dobrado na cadeira.
Eu fiquei olhando pra ele por um tempo longo demais.
Depois, sem decidir de verdade, fui até a cadeira, peguei o tecido branco e subi de volta pro quarto com ele na mão.
Fechei a porta com cuidado e fiquei parada no escuro. O jaleco ainda estava na mão. A casa inteira dormia. Só o meu coração fazia barulho.
Deitei na cama ainda com o jaleco do Caio abraçado contra o peito. O tecido grosso cheirava a ele — colônia misturada com suor e aquele fundo de sabonete barato que ele sempre usava. Enterrei o rosto e inspirei fundo. Meu corpo reagiu na hora. Uma fisgada baixa no ventre, quente, traidora.
Fechei os olhos, mas logo vi a Letícia e o Caio, tentei pensar em outra coisa, mas ela veio igual: Letícia de pé na chuva, se inclinando e beijando a boca dele. A língua dela entrando, a mão no peito dele. Eu vi tudo. E agora, sozinha no escuro, a cena não saía.
— Merda… — murmurei, apertando o tecido.
Mas eu sabia que tinha algo errado. A mão desceu sozinha. Por cima da calcinha primeiro. Eu já estava molhada. O tecido fino grudava na pele. Tentei parar. Empurrei a imagem embora. Mas ela voltou mais forte.
Dessa vez não era só o beijo. Era ela de quatro, as coxas abertas, o cu empinado do jeito que ela sempre descrevia quando falava pra gente, rindo. Na época eu ria daquelas conversas. Letícia contava cada detalhe sujo. Agora eu via.
Via o Caio atrás dela, as mãos grandes segurando a cintura, entrando devagar no começo, depois com força. O som molhado. O gemido dela.
— Porra… essa boceta aperta pra caralho… — a voz dele veio rouca na minha cabeça. — Olha como engole meu pau…
— Mais forte… — ela pedia, a voz embargada. — Mete mais forte, Caio…
Ele puxava o cabelo dela e metia fundo.
— Assim? Você gosta assim, né? Gosta de levar com força?
— Gosto… porra, gosto… não para…
Minha mão deslizou por baixo da calcinha. Os dedos encontraram o clitóris inchado. Comecei a circular devagar, devagar, enquanto apertava o jaleco contra o nariz. O cheiro dele misturado com o meu. Me senti nojenta. Não consegui parar.
A cena mudou. Agora ela montava nele, cavalgando. Eu via o pau grosso sumindo dentro dela. Ela rebolava, molhada.
— Isso… sobe e desce… me mostra como você goza — ele falava, as mãos apertando a bunda dela — O que você quer que faça com você Letícia?
— Quero que você me encha… quero sentir escorrendo… me usa…
— Usa como? Fala direito.
— Me fode igual puta… me fode sem dó…
Ele ria baixo, aquele riso arrogante.
— Putinha… olha como sua boceta baba no meu pau… você tá pingando. Tá gostando de ser comida pelo cara que sua amiga odeia, hein?
— Cala a boca e mete… mais fundo… assim… ahh…
Eu enfiei dois dedos. Estava com tanto tesão, estava tão molhada que escorregavam fácil. Empurrava fundo enquanto o polegar esfregava o clitóris mais rápido. A cama rangeu. Minha respiração saía irregular.
Tentei expulsar ela da fantasia. Tentei imaginar só o Caio. Mas Letícia insistia. Agora ela estava de joelhos. Eu via o rosto dela de perto, os lábios inchados, a língua lambendo a cabeça do pau dele. Ela chupava do jeito que sempre descrevia: devagar no começo, depois engolindo fundo, babando, olhando pra cima.
— Isso… chupa… usa a língua… — ele gemia. — Mais fundo…
Ela fazia barulho. Molhado. Tirava o pau todo da boca, depois engolia de novo de uma vez.
— Goza na minha boca… por favor… enche ela…
— Você quer mesmo?
— Quero… goza na minha boca, Caio…
Eu acelerei os dedos. E então aconteceu.
A voz que eu ouvia não era mais a de Letícia.
Era a minha.
— Goza na minha boca… por favor…
Me choquei. Abri os olhos por um segundo, o coração disparado. Mas a fantasia não parou. Agora era eu ajoelhada na frente dele. Eu via o meu próprio rosto, a boca aberta. O Caio me olhava de cima com aquele sorriso arrogante. Ele puxou meu cabelo e meteu fundo.
— Isso, putinha… engole tudo… você me odeia, mas adora ser minha, né? Adora ser usada por mim…
— Eu… — a minha voz saía abafada na fantasia.
— Chupa essa porra, Jade… fica de boca cheia… engole…
A voz dele na minha cabeça me fez gemer alto demais. Enfiei os dedos mais fundo, esfregando o clitóris com força, sem delicadeza. O corpo inteiro tremeu. Eu via ele gozando. Via o rosto dele se contraindo enquanto jorrava direto na minha garganta. Eu sentia o gosto. Aquele gosto salgado e amargo que eu já tinha provado uma vez antes. Sentia o quente escorrendo pelo queixo, a mão dele segurando minha cabeça no lugar.
— Toma… engole tudo… isso… engole, puta…
Eu gozei.
O orgasmo veio forte. As pernas tremeram, a boceta se fechou em volta dos dedos, pulsando. Me contorci na cama, o jaleco ainda grudado no rosto, gemendo abafado contra o tecido. Ondas e mais ondas. Continuei tocando mais devagar, prolongando, sentindo cada contração. O gosto dele ainda estava na minha língua imaginária.
Quando finalmente acalmou, fiquei deitada, ofegante, a mão ainda entre as pernas, molhada até o pulso. O jaleco estava molhado com a minha saliva.
Olhei pro teto escuro.
O ódio que eu sentia por ele… não era mais só ódio. Estava virando outra coisa. Algo muito mais perigoso. Algo que eu não sabia se conseguiria controlar.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS, MAS OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL PODEM NAO SER MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.