Jerry sorriu para essa possibilidade. Confirmou para Laura que faria a proposta e depois contaria para ela sobre a reação de Kelly. Ele só não sabia como abordar a esposa. Então pensou em fazer isso num momento em que ela estivesse bem relaxada, ou seja, após uma tórrida noite de amor.
Três noites depois, a casa estava quieta. Katie dormia no quarto dela com o elefante de pelúcia apertado contra o peito, sua imensa orelha cobrindo seu delicado rostinho. Jerry e Kelly já estavam no quarto do casal, ela preparando-se para dormir, ele para dar um passo definitivo em seu relacionamento.
E partiu dele a iniciativa. Mal sabia Kelly que, naquela noite, mais do que prazeres mundanos estariam em jogo.
[CONTINUANDO]
Ele a puxou de surpresa para perto, mas sem pressa ou violência, apenas como quem teme que o momento se quebre se for apressado demais. Beijou a testa, a ponta do nariz, a curva da boca. A mão desceu pelo pescoço, abriu o robe de cetim e encontrou a pele quente por baixo. Kelly começou a tremer com aquela inesperada iniciativa, mas gostou e se deixou levar.
Ele beijou o vale entre os seios, o ventre ainda plano onde o segredo crescia em silêncio. Depois ajoelhou-se à frente dela, puxou-a para a beira da cama, deitando-a de barriga para cima. Abriu suas pernas com uma delicadeza que contrastava com a urgência que vinha dentro de si. Enterrou o rosto entre as coxas dela:
- A-Aiiiiiii! – Gemeu Kelly, agarrando-se aos cabelos dele.
A língua era devagar e faminta ao mesmo tempo, traçando círculos no clitóris, chupando com uma pressão calculada, descendo até o centro úmido e voltando. Kelly arqueou as costas, os dedos enterrados no cabelo dele, os gemidos baixos e contidos por causa da filha que dormia do outro lado do corredor. Quando ela estava no limite, o corpo já tremendo, Jerry parou, subiu lentamente o corpo dela e a penetrou com uma lentidão programada, olhando nos olhos dela o tempo todo, como se quisesse gravar aquela imagem, torcendo para não ser a última:
- Eu te amo. - Murmurou contra a boca dela: - Eu te quero. Sempre. Só você.
Kelly gemeu alto, as unhas cravadas nas costas dele, tendo um orgasmo inesperado. Jerry ficou admirando a esposa enquanto ela respirava com gemidos entremeados. Logo, eles passaram a se mover juntos, primeiro sem pressa, depois com uma urgência crescente. Ele a virou de lado, levantou uma das pernas dela e voltou a entrar fundo, beijando o ombro, a nuca, a orelha, sussurrando palavras baixas que se perdiam entre a respiração. Quando sentiu que ela estava perto de novo, deslizou a mão entre os corpos e estimulou o clitóris no mesmo ritmo das estocadas. Kelly gozou novamente, o corpo inteiro tremendo, um gemido abafado no próprio pulso. Jerry a seguiu pouco depois, enterrado nela até o fim, e tendo um grande orgasmo, longo e silencioso, os braços apertando-a contra o peito como se pudesse fundir os dois corpos.
Depois, ainda ofegantes, ele a puxou para si. Os dedos traçavam círculos distraídos na pele quente dela. O silêncio confortável era rompido apenas pelas respirações e quase inaudíveis risadinhas que ela exprimia. Até que Jerry falou, a voz baixa, rouca de cansaço e de coragem:
- Eu queria te propor uma coisa...
Kelly ergueu a cabeça, os olhos de mormaço, ainda meio sonolenta de prazer, os cabelos grudados na testa:
- Faço!
- Como?
- Faço o que você quiser.
- Cuidado, hein!?
Ela o encarou mais séria e deu um sorriso malicioso:
- Ui! Agora fiquei arrepiada. Do que se trata?
Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo próximo ao rosto dela:
- Enquanto a gente espera o prazo para fazer o exame de DNA, eu... queria... é... queria te dar liberdade.
- Ué!? E eu já não tenho? – Retrucou ela, sorrindo e balançando as pernas, curiosa.
- É. Sim e não. A liberdade de que eu estou falando, para se encontrar com o Chuck, ainda não...
Kelly parou de balançar os pés de imediato e arregalou os olhos, encarando o marido. Levantou ainda mais a cabeça, sua testa se franziu e ela perguntou:
- Co-Como é que... é!?
- É, ué!? Uma liberdade para... Assim... Alguns dias na semana. De forma discreta, sem mentiras para mim, com total liberdade para fazerem o que quiserem. Eu não quero regras sobre o que pode ou não acontecer entre vocês. Eu só quero que, no final, quando o resultado sair, você escolha de verdade, com o coração e alma. Sem dúvida. Sem um “e se eu tivesse tentado”. Entendeu?
Kelly ficou imóvel, boquiaberta. Praticamente nem piscava, como se tivesse sido congelada no tempo com uma proposta que demorava a encontrar sentido dentro dela. A respiração acelerou. Ela se sentou na cama, puxando o lençol contra o peito, o corpo ainda suado pelo sexo de minutos atrás:
- Você… tá falando sério?
- Estou. Eu pensei nisso por dias, até conversei com a Laura. Eu não aguento mais viver com a sensação de que sou uma segunda opção para você e de que estou segurando você à força. Se você ainda precisa dele de alguma forma, eu prefiro que você descubra isso e vá. Mas que se voltar, que volte inteira. Não porque eu te impeço de ir.
O silêncio que se seguiu foi longo e pesado. Kelly ficou pálida, balançou a cabeça várias vezes, negando, como quem tenta afastar uma ideia impossível de ser processada de uma só vez. Quando finalmente falou, a voz saiu trêmula:
- Jerry, isso é… Eu não sei o que dizer. Eu preciso pensar. Eu... Eu preciso falar com a Laura. Eu nem sei se quero isso!
- Tenha todo o tempo do mundo, mas não ultrapasse o do resultado do exame de DNA. É só o que eu te peço.
Dois dias depois, Kelly estava sentada no mesmo sofá do consultório da Dra. Laura Mitchell. Os olhos ainda carregavam o choque da proposta. As mãos apertavam uma à outra no colo com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Laura ouviu ela repetir a proposta do marido, que Kelly dizia julgar absurda, ou até mesmo que Jerry pudesse estar louco. Ouviu todo o relato sem interromper, apenas assentindo de vez em quando, o caderno aberto sobre o joelho:
- Ele propôs isso de verdade! - Repetiu Kelly, pela segunda vez, a voz ainda descrente: - Liberar para eu ter um caso com o Chuck. O Chuck!? Tudo bem que é enquanto esperamos o exame, mas... é o Chuck! Para eu decidir sem nenhuma dúvida sobre ele e o Chuck, Laura. Isso não é loucura?
Laura fechou o caderno com cuidado e ergueu o olhar. Não respondeu de imediato a pergunta de Kelly, pois ela já sabia a resposta ouvida da pouca de seu professor. Ainda assim, conduziu a sessão:
- E o que você sentiu ao ouvir a proposta?
- Eu!? Ué! Medo. Surpresa. Alívio. Culpa. Desejo. Tudo ao mesmo tempo. Eu nunca esperaria isso dele. Até o divórcio eu cheguei a imaginar que ele pudesse me pedir, mas abrir a porta daquele jeito, isso nunca!
A terapeuta falou com a calma habitual, mas havia uma seriedade extra na voz:
- A proposta de Jerry, pelo que ele me trouxe nas sessões individuais, não nasceu de liberalidade repentina nem de indiferença, Kelly. Nasceu de uma exaustão profunda e de um cálculo doloroso. Ele analisou os riscos com uma clareza que me surpreendeu. Sabe que pode perder você. Sabe que o Chuck pode reocupar um espaço que ele não gostaria de dividir. Sabe que a dinâmica com a Katie pode se abalar. Mesmo assim, escolheu arriscar a verdade em vez de continuar numa prisão emocional de incerteza decorrente de controle. Isso denota uma maturidade difícil de alcançar. E também um amor que, neste momento, prefere a dar liberdade à manter uma posse.
Kelly apertou ainda mais as mãos trêmula, segurando-as entre os joelhos:
- E os riscos, Laura? Porque eu sinto que qualquer passo errado que eu der, destrói todo mundo.
- Os riscos existem e são grandes, mas não são de destruição exatamente. Eu prefiro dizer que é de clareamento de sentimentos. Você pode se reaproximar de Chuck de um jeito que não tem volta? Pode! Jerry pode descobrir, no meio do processo, que não aguenta a realidade do acordo? Pode! A criança que está a caminho pode nascer no meio de uma estrutura ainda mais frágil? Pode! Mas ele está consciente disso. O que ele concluiu surpreendentemente, é que a alternativa de continuar no limbo da dúvida, da culpa e das meias-verdades, também está destruindo vocês, só que de forma mais lenta e silenciosa. A proposta dele, por mais incomum e arriscada que seja, tenta criar um espaço de honestidade até que a verdade biológica do exame se revele e você possa ter substratos suficientes para tomar uma escolha emocional realmente definitiva.
Kelly baixou a cabeça. Uma lágrima escapou e caiu sobre as mãos entrelaçadas. Quando falou, a voz estava quase sem som:
- Ou seja, tudo passa por mim. Eu sou a culpada de tudo no final.
Laura colocou seu caderno de anotações de lado e se inclinou, tocando as mãos de Kelly, um contato incomum numa terapia:
- O destino foi o culpado de criar duas rotas. Você só está tendo a chance de decidir por qual seguir. Alguém sairá machucado, inevitavelmente... Mas se você agir com honestidade com os dois, a chance de recuperação é imensa.
- Eu não sei se sou capaz de fazer isso, Laura. Não quero machucar mais ninguém.
Laura se recostou novamente e esperou alguns segundos antes de responder:
- Você não precisa decidir hoje, nem amanhã. Mas precisa reconhecer que a porta que ele abriu é, no mínimo, uma tentativa de não repetir os mesmos erros de silêncio e omissão que trouxeram vocês até este momento. O que você fará com essa porta, atravessá-la ou fechá-la, só você pode responder. E só depois de olhar para dentro de si mesma com a mesma honestidade que ele está tentando oferecer.
Quando Kelly saiu do consultório, o sol da tarde batia na calçada de forma impiedosa. Ela parou na frente do carro, as chaves apertadas na mão, e ficou olhando o reflexo distorcido de si mesma no vidro do para-brisa. Pela primeira vez em muitas semanas, a pergunta que martelava dentro dela não era apenas “de quem é o bebê?”. Era outra, mais ampla e mais assustadora: “Quem eu sou capaz de escolher quando ninguém mais me impede?”.”
O trajeto até em casa passou em branco. Ela mal registrou os semáforos, o trânsito, o som do rádio ligado em volume baixo. Ao estacionar na garagem, ficou alguns minutos dentro do carro com as mãos no volante, respirando fundo. A casa estava quieta. Katie ainda devia estar na escola. Jerry só chegaria no final da tarde.
Kelly entrou, largou a bolsa sobre a bancada e ficou parada no meio da cozinha. A proposta de Jerry ecoava com uma clareza quase cruel. Liberdade. Mas... para encontros com Chuck!? Para uma escolha verdadeira no final. Tudo o que ela, em algum momento obscuro, talvez tivesse desejado em silêncio, agora estava sendo oferecido de forma explícita. E o peso disso era maior do que ela havia imaginado. Sentia-se pequena para tal desafio.
Ela tentou ocupar as mãos. Limpou a pia que já estava limpa. Organizou a louça. Dobrou um pano de prato duas vezes. Nada dissolvia a sensação de que o chão não era mais tão firme como antes.
Quando Jerry chegou com Katie, mais cedo do que o habitual, encontrou-a sentada à mesa da cozinha, as mãos em torno de uma xícara de chá que já esfriara. Ele percebeu imediatamente o estado dela. Largou a pasta na poltrona e se aproximou com cautela:
- Você falou com a Laura.
Não era uma pergunta. Kelly apenas assentiu, sem levantar os olhos de imediato. Ele insistiu:
- E?
Ela respirou fundo, ainda olhando a xícara:
- Eu pensei que você tivesse enlouquecido. Mas ela não achou isso. Disse que a proposta nasceu de exaustão e de um cálculo doloroso, que você analisou os riscos e que prefere uma verdade mesmo que seja dolorosa.
Jerry pediu para Katie guardar suas coisas no quarto e puxou a cadeira à frente dela e se sentou. Ficou em silêncio, esperando. Kelly finalmente ergueu o olhar. Os olhos estavam cansados, mas lúcidos:
- Eu estou com medo, Jerry. Medo de aceitar e destruir o que ainda temos. Medo de recusar e passar o resto da vida me perguntando se eu teria escolhido diferente. Medo de magoar você de um jeito que não tem conserto. Medo de me reaproximar do Chuck e descobrir que o que sinto por ele ainda é forte demais. Medo de descobrir que não é.
Jerry concordou com um discreto aceno de cabeça. Manteve a voz baixa:
- Eu também estou com medo. Mas eu prefiro esse medo do que continuar fingindo que a gente consegue apagar o que aconteceu só com esforço e terapia. Eu só quero uma certeza, Kelly. Só isso.
Kelly passou a mão pelo rosto:
- Tá. Não vou dizer que aceito. Mas, supondo que eu aceite, como seria isso, na prática? Você já pensou nisso?
- Já. – Jerry pegou a xícara dela e foi até a cafeteira, trazendo outra agora fumegante para ambos: - Não quero impor uma forma definitiva. Isso tem que ser da forma mais confortável para você e ele. Não podem ser muitos dias na semana para a Katie não desconfiar. Aliás, se puder ser durante o horário escolar, seria perfeito.
- Dormir lá, nem pensar?...
- Talvez uma vez ou outra, mas desde que seja bem explicado para a Katie. Eu só quero transparência. Você avisa quando for sair e quando pretende voltar. Nada de mentiras. A Katie é minha maior preocupação. Então, por favor, nada de cenas públicas. E no dia seguinte ao que sair o resultado do DNA, você escolhe. De forma clara. Sem “vamos ver”. Sem ficar no meio.
- E se eu me envolver de novo com ele? Digo... emocionalmente?
Jerry demorou um segundo para responder essa. Aproveitou para tomar uma boa golada do café. Desviou o olhar por um segundo e a encarou:
- O problema é que você ainda está envolvida emocionalmente com ele, Kelly. Não fosse isso, já o teria descartado. Aliás, não fosse isso, nem teria transado com ele. – Jerry fez uma pausa, notando que Kelly não havia reagido negativamente: - Lembra do Mike, aquele seu colega de faculdade que tentou se aproximar de você? Você nem titubeou para mandá-lo embora. O problema não é outro homem, é o Chuck.
- Eu sei... Acho que você tem razão. Mas tenho medo de fraquejar novamente...
- Estou te dando a liberdade de fazer o que quiser com ele. Converse. Interaja. Brinque de casinha. Transe novamente. Eu não estou oferecendo isso porque acho que vai ser fácil. Estou oferecendo porque não aguento mais ser uma prisão para você, uma... uma segunda opção.
Kelly o peso de suas palavras. Baixou os olhos para as próprias mãos. Pegou a xícara das mãos dele e tomou um gole também:
- Eu preciso de alguns dias. Só para… pensar. Não quero decidir no meio do choque, de cabeça quente.
- Sem problemas. Eu não estou cobrando resposta agora. Só preciso que você saiba que a porta está aberta de verdade. Não é um teste, nem uma armadilha. Quero apenas que você decida sem deixar nenhuma dúvida para trás. É... É o que eu consigo oferecer neste momento.
Eles ficaram sentados em silêncio por um tempo longo. A casa ao redor parecia maior. Do lado de fora, o dia começava a escurecer.
Logo o silêncio terminou com o retorno de Katie. A rotina tinha que seguir. Mais tarde, jantaram como se a normalidade ainda fosse possível. Kelly riu das histórias da filha. Jerry ajudou a arrumar a mesa. Os gestos eram cuidadosos, demais até, quase cerimoniais. Quando a menina dormiu, os dois se recolheram ao quarto, mas não havia clima para sexo. Apenas uma proximidade de corpos sob o mesmo lençol e o peso de uma decisão que ainda não tinha sido tomada.
Nas duas noites seguintes, Kelly dormiu mal. Acordava de madrugada e ficava olhando o teto. Às vezes ia até a cozinha e bebia água só para ter o que fazer com as mãos. A proposta não saía da cabeça. Em determinados momentos, ela sentia um alívio quase vergonhoso: a possibilidade de ver Chuck sem mentira, sem furtividade, sem a culpa imediata de estar enganando Jerry. Em outros, o pavor a apertava a ponto de doer o peito: e se ela fosse e não quisesse voltar? E se voltasse e descobrisse que tinha magoado Jerry de forma irreparável? E se ela decidisse por Jerry, mas o exame dissesse que o bebê era de Chuck?
No terceiro dia, no final da tarde, enquanto Katie fazia lição de casa na mesa da sala, Kelly parou atrás da cadeira de Jerry, que revisava uns documentos do consultório. Hesitou alguns segundos. Depois falou, a voz baixa o suficiente para a filha não ouvir:
- Eu ainda não tenho a resposta final. Mas… eu estou considerando. De verdade.
Jerry ergueu o olhar. Não sorriu. Apenas assentiu uma vez, devagar:
- Tudo bem. Quando tiver, a gente conversa.
Kelly ficou ali mais um instante, a mão apoiada no encosto da cadeira dele. Depois se afastou e foi ajudar a filha com a lição, o coração batendo mais forte do que gostaria de admitir.
À noite, após a filha dormir, ela perguntou:
- E se o Chuck não concordar?
- É um direito dele. Se ele não aceitar meia Kelly, você terá que decidir se aceita se entregar inteira para ele de vez, ou ficar apenas comigo.
Kelly concordou, sentindo um estranho rubor na face:
- Tem certeza do que está me propondo? Não é mesmo uma armadilha?
- Juro que não.
- Eu não sei se quero transar com o Chuck... Mas conversar poderia ser interessante.
- Faça o que tiver vontade. Não vou me opor a nada. Só não nos exponha em público, por favor.
Kelly respirou profundamente e encarou o marido:
- Tá. Eu topo conversar com ele... Mais do que isso, acho que não.
- A decisão é sua. Ela será sempre sua.
Kelly concordou com um meneio de cabeça:
- Eu não sei como falar com ele.
- Quer que eu fale?
- Você!?
- É.
- Você faria isso?
- Apesar de ser o cúmulo da cornitude da minha parte, acho que faria.
- Credo, Jerry! Eu só estava pensando... E se fizéssemos juntos? Uma conversa aO que você achar melhor...
À noite, na cama, Kelly mandou uma mensagem para Chuck:
Kelly – “Boa noite. Preciso conversar com você, pessoalmente.”
Chuck não demorou mais que segundos para responder:
Chuck – “Boa noite. Jerry sabe que estamos conversando?”
Kelly ficou surpresa e mostrou a tela do celular para o marido que via um vídeo qualquer no Youtube. Ele a encarou:
- Então... você decidiu?
- Sim. Vou conversar com o Chuck para tentar entender o que acontece. Só isso.
Jerry concordou com um movimento de cabeça:
- Então, responda.
Kelly digitou:
Kelly – “Sim, ele sabe. Também participará da conversa.”
Chuck – “Ok. Que dia, horas e onde?”
Kelly olhou para o marido, que agora a olhava também com uma expressão cansada:
- Ele quer saber quando e onde?
- Que tal aqui, no horário do almoço?
Kelly repetiu a sugestão na mensagem para Chuck que respondeu rapidamente:
Chuck – “Ok. Estarei aí.”
Kelly se despediu formalmente e olhou o marido que também a observava em silêncio. Ela se sentiu fraca, feia, cansada. Procurou o peito dele, e foi recebida com um abraço e uma frase derradeira:
- É melhor assim.
A porta estava aberta e Kelly ainda titubeava em atravessá-la. Tinha medo de estar caindo numa armadilha do próprio coração. Tinha medo de ir e não voltar. Mas, pela primeira vez desde o retorno de Chuck, sabia que não estaria mentindo, e pretendia honrar essa confiança. Conseguiria?
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.
