Antes de começar, é sempre bom relembrar.
Os Filhos da Floresta é uma história sobre sofrimento, decadência humana e sobrevivência. Sobre pessoas presas em um lugar que não deveria existir, tentando sobreviver em meio ao medo, à exaustão e à ausência de uma saída. Algumas precisarão escolher entre aquilo que consideram certo e aquilo que precisam fazer para continuar vivas. Algumas resistirão, outras quebrarão. E algumas descobrirão que sobreviver pode ser apenas outra forma de morrer aos poucos.
Nem sempre as decisões dos personagens serão certas, heroicas ou justificáveis. Pessoas exaustas, desesperadas e encurraladas não agem como agiriam em condições normais, principalmente quando estão tentando fugir, perseguidas por algo que não entendem.
Respeite a floresta.
Tenha foco.
Guarde cada detalhe.
Siga em frente por sua conta e risco.
E, acima de tudo... aproveite a leitura!
*
Os filhos da floresta - Capítulo 5: Calamidade
Ato I
Voltei pelo pé da montanha, eu já conseguia enxergar o celeiro entre as árvores quando diminuí o passo. Entre os corpos dos moradores da Vila que eu havia executado, lá estava ela, a Caçadora.
Ela estava de pé, olhando para os cadáveres parcialmente sendo devorados pelo chão quando percebeu a minha presença. Virou lentamente o rosto na minha direção.
Ela pegou o arco, retirou uma flecha, puxou a corda. A ponta ficou apontada diretamente para mim.
Eu sabia que ela não iria atirar, por algum maldito motivo, eu sabia. A mão dela tremia, não era medo, era por raiva. Ela continuou me encarando por alguns segundos antes de abaixar o arco.
— Por quê? — ela fixou os olhos em mim.
— Eu precisava.
— Precisava? — ela riu. — Você matou a única fonte de alimento das pessoas que viviam aqui.
— Eu sei.
— Sabia o que estava fazendo.
— Sabia.
— Você condenou todos eles — ela apertou o arco. — Condenou todos nós.
— Foi um preço que precisei pagar.
— Para quê?
— Para sair daqui — cocei a cabeça. — A Bruxa pediu que eu matasse a Mãe. Em troca, ela me ajudaria a chegar até a Raiz Negra.
— Então foi isso? — ela riu. — Você matou todos eles por causa dessa maluca?
— É a única chance que eu... que nós temos.
— Eu devia ter te matado quando tive a chance — ela balançou a cabeça.
— É... deveria.
— Eu odeio você, eu me odeio por um dia ter deitado com você — o rosto dela se contorceu em raiva. — Eu vou te estripar feito o porco que você é.
Ela soltou o arco e o deixou cair no chão. Puxou uma faca de caça na cintura e avançou. Levantei o taco, o primeiro golpe passou perto do rosto dela. A Caçadora era rápida, ela recuou e desapareceu para o lado do celeiro.
Avancei atrás dela, se ela queria que as coisas fossem assim, por mim tudo bem.
Tentei acertá-la novamente, ela se esquivou. Meu golpe atingiu uma árvore, o impacto fez o taco estalar. Antes que pudesse reagir, a Caçadora avançou novamente. Tentei usar o taco uma última vez, mirei nela e ela se esquivou, a madeira se partiu contra o tronco.
Fiquei com metade do objeto nas mãos. Ela veio para cima de mim.
Joguei o pedaço quebrado nela, ela se defendeu, mas não recuou. A faca passou perto do meu abdômen. Senti o tecido da camisa se rasgar e, logo depois, uma ardência na pele. Recuei instintivamente e levei a mão até o local. Meus dedos voltaram sujos de sangue.
Ela tentou novamente. Segurei seu braço e empurrei seu corpo contra uma árvore. Tentei desferir um golpe nela, mas ela conseguiu se soltar com facilidade e recuou. Meu soco atingiu o tronco, rasgando a pele dos nós dos meus dedos. Antes que pudesse tentar novamente, ela já estava correndo. Entrei na floresta atrás dela. A Caçadora desaparecia entre as árvores com facilidade. Eu mal conseguia acompanhar seus movimentos.
Uma sombra surgiu ao meu lado, tentei desviar, porém era tarde demais. Ergui os braços e senti a lâmina raspando na pele. Senti o sangue escorrer imediatamente. O corte não parecia profundo, mas ardia como fogo. Reagi e tentei agarrá-la, em vão. Ela escapou novamente.
Ela usava as árvores como cobertura, aparecendo por um lado e desaparecendo pelo outro. Quando eu pensava que havia encontrado sua posição, ela já estava em outro lugar.
Então ouvi seus passos atrás de mim, me virei tarde demais. Ela tentou me atingir novamente. Consegui desviar por pouco, mas a lâmina abriu um corte na lateral do meu ombro. Senti uma dor aguda e cambaleei para trás.
Segurei seu pulso, a faca caiu. Ela me acertou no rosto. Minha visão ficou turva por um instante. Reagi com um soco na boca do estômago. Ela cambaleou, mas ainda tinha forças para tentar me derrubar.
Nós dois caímos no chão. Rolamos pela terra, cada um tentando alcançar a faca que estava a alguns metros. Cheguei primeiro e peguei a faca. Ela segurou meu braço.
Por alguns segundos, ficamos travados naquela posição. Mas estávamos cansados.
Ela tentou arrancar a faca da minha mão. Apertei os dedos ao redor do cabo, sentindo a mão dela pressionar meu pulso. Ela conseguiu me acertar novamente, dessa vez no rosto.
Minha boca se encheu de gosto de sangue. Segurei seus braços, ela tentou escapar.
Dessa vez, consegui agarrá-la e, usando o próprio impulso dela, a ergui. Por um instante, seus pés ficaram suspensos no ar antes que eu a arremessasse com força no chão. Ela gritou no impacto, e ouvi o som seco de alguma coisa se quebrando.
Ela continuou lutando, mesmo ferida, mesmo cansada, mesmo sabendo que estava perdendo.
Ela não parava, tentei segurá-la. Ela se debateu, rolei por cima dela e consegui prender seus braços. A Caçadora me encarou, havia ódio em seus olhos. Ela tentou me atingir com a cabeça, ela conseguiu, mas me deu uma abertura.
A segurei pelo pescoço. Ela agarrou meu braço, continuou tentando se soltar. Apertei mais, ela começou a perder força. Ainda assim, lutava, suas unhas arranharam meus braços, arrancando a pele e me fazendo sangrar. Depois foram ficando mais fracas, o corpo começou a pesar, continuei segurando.
Ela me olhou uma última vez, com aqueles olhos ainda cheios de raiva, de ódio, de arrependimento por ter desperdiçado a chance de ouro de me matar quando nos encontramos pela primeira vez.
Aos poucos, a raiva foi deixando seu olhar, restando apenas o cansaço.
Esperei, não afrouxei as mãos nem por um segundo, até que ela parou de se mover.
Ainda segurei por mais um tempo, então soltei.
O corpo dela permaneceu no chão.
Aproximei a mão do seu pescoço e procurei algum sinal de vida.
...
Morta.
...
Levantei devagar.
Olhei para a floresta ao redor, não havia mais ninguém, apenas eu e os corpos que eu havia deixado para trás.
...
Senti uma tristeza crescendo no peito, alguma coisa em mim, no fundo do meu coração, sentia uma necessidade enorme de chorar.
Eu tentei, juro que tentei, mas nenhuma lágrima saia.
...
Tinha que voltar, a noite estava se aproximando cada vez mais.
Ato II
Voltei para a cabana depois de mais um dia, um longo e difícil dia.
Fechei a porta atrás de mim. Dessa vez, não coloquei nada para barrá-la, nem me preocupei com isso. Passei a mão pelo rosto, pensei na Caçadora. Pensei nela tentando puxar o ar enquanto eu a segurava, enquanto apertava seu pescoço. Pensei em como seus lábios foram ficando roxos e seus olhos, avermelhados, injetados de sangue. A lembrança permanecia na minha cabeça, repetindo-se contra a minha vontade.
Deitei na cama, fechei os olhos na esperança de acordar de um pesadelo, na esperança de acordar numa casa, numa cama confortável, na esperança de que aquela floresta fosse apenas fruto da minha mente.
...
Quando abri os olhos, estava deitado em uma cama diferente. Fiquei alguns segundos olhando para o teto. O quarto era simples. A cama era confortável. Havia móveis espalhados ao redor.
Eu reconhecia aquele lugar, era a minha casa.
Um som estridente ecoava ao meu lado, estendi a mão e peguei o aparelho, desliguei o despertador. Os números vermelhos no visor iluminaram o quarto. Quatro e meia da manhã.
Foi então que percebi que havia uma mulher deitada ao meu lado, a minha esposa, nos casamos há cerca de um ano. Ela me olhou ainda sonolenta.
— Amor, não está muito cedo?
— Ontem eles me avisaram para eu ir cedo, deve ser algo importante.
Sim, meus superiores me pediram para ir trabalhar mais cedo, era algo importante, muito importante. Eu deveria lembrar, mas... tinha apenas um borrão na minha mente.
Levantei da cama e caminhei até a cozinha. Observei o apartamento enquanto passava pelos cômodos, era pequeno. Nos mudamos para lá por causa do meu trabalho, eles arcaram com todo o custo da mudança.
Ouvi um miado, era a Katiuska, uma gata rajada que já estava naquele apartamento quando chegamos, resolvemos adotá-la. Comecei a preparar o café. Quebrei alguns ovos e os coloquei dentro de um pão. Acrescentei maionese e me sentei à mesa. Comi, tomei o café, joguei alguns pedaços de pão no chão para a Katiuska depois dela me implorar por comida com aqueles olhos grandes e vesgos.
Terminei a refeição e me levantei, peguei uma roupa e fui tomar banho, deixei a água quente escorrer por alguns minutos até sair. Me enxuguei com a toalha e comecei a me vestir para o trabalho.
— Ursinho inocente... você não deveria estar aqui... era para você estar dormindo...
Ouvi o barulho da televisão. Fui até a sala, não tinha ninguém, minha esposa ainda continuava dormindo. A televisão foi ligada sozinha, aparentemente. Estava passando um programa infantil.
Foi então que todas as luzes se apagaram, toda a eletricidade pareceu ser cortada de uma vez.
Fiquei parado no escuro, não conseguia enxergar nada, então ouvi alguém bater na porta. Caminhei até ela, coloquei a mão na maçaneta e abri. Havia um homem parado do outro lado, ele era familiar...
Era o meu irmão, mas o que ele estava fazendo ali? Ele vestia uma farda do exército.
— Não dorme — a voz dele estava sobreposta a um chiado, a mesma estática de rádio.
...
Acordei imediatamente, abri os olhos. Estava novamente na cabana, fiquei sentado na cama. Escutei as mesmas vozes, distantes e fracas. O mesmo chiado constante misturado ao timbre da voz, como uma transmissão de rádio antiga tentando atravessar uma interferência.
Fiquei imóvel, tentando prestar atenção.
— ...ei... — o chiado aumentou, um ruído forte de interferência. — ...cê precisa...
— ...precisa vol... — a frase desapareceu no meio da interferência. — ...na escut...
O som falhou novamente, restou apenas o chiado. Continuei sentado, tentando identificar de onde aquelas vozes vinham. Elas sempre pareciam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
— ...precisa... vol... escut...
A transmissão parecia estar morrendo, fiquei esperando por mais alguma coisa. Mas depois, não veio mais nada. O chiado ainda continuou por alguns segundos até morrer de uma vez.
Ato III
Quando me dei conta, o sol já havia nascido, havia perdido muito tempo pensando, pensando em nada, literalmente apenas sentado na cama, existindo, esperando alguma coisa acontecer.
Passei a mão pelo rosto e respirei fundo. Hora de ir. Antes de sair, peguei a mochila e comecei a verificar o que ainda tinha. Não restava muita coisa, mas ainda tinha a munição que havia pegado da Caçadora na troca, munição de revólver. Peguei o revólver e recarreguei imediatamente. Coloquei-o na cintura e voltei a mexer na mochila.
Havia uma faca de caça ali, eu conhecia aquela faca. Era a mesma que a Caçadora havia usado contra mim, a faca que estava com ela quando a matei.
Por que aquilo estava na minha mochila? Eu tinha pegado? Eu não me lembrava, mas não importava, seria útil. Guardei a faca na cintura, olhei para o machado que havia trazido do celeiro, também o levaria. Segurei-o com firmeza e me aproximei da porta.
Havia um grupo de pessoas esperando do lado de fora, moradores da vila, eram muitos. Assim que me viram, todos ficaram em posição, alguns seguravam facões. Outros carregavam garfos de ferro, pás e picaretas, havia até uma faca de cozinha entre as armas improvisadas. Eles não pareciam ter vindo conversar.
Fiquei diante deles até que o primeiro avançou. O machado desceu antes que ele pudesse chegar perto, e o segundo golpe o derrubou. Os demais vieram juntos.
Não pensei.
Não hesitei.
Apenas avancei.
O machado atravessava carne e osso enquanto eles tentavam me cercar. Crânios se partiam, pescoços eram abertos, dedos e membros eram arrancados pelos golpes.
Parecia que do céu, havia começado a chover sangue.
Quando tudo terminou, havia corpos espalhados diante da cabana, alguns quase irreconhecíveis. Fiquei parado entre eles, coberto de sangue, esperando sentir cansaço ou ao menos falta de ar.
Eles continuariam vindo.
A Vila sabia o que eu havia feito. A Mãe estava morta, sua fonte de alimento havia desaparecido, e a Caçadora também. Agora haviam tentado me matar pela segunda vez.
Se eu não fizesse alguma coisa, seria apenas uma questão de tempo até que outro grupo aparecesse.
...
Eu precisava matar todos eles antes que causassem problemas demais, antes que pudessem me desviar do meu real objetivo, sair daquela floresta. Olhei na direção da vila, segurei o machado e comecei a caminhar.
Assim que me aproximei, alguns moradores perceberam minha presença. Eles começaram a sair das casas, um depois do outro. Logo havia gente por todos os lados, estavam armados, com ferramentas agrícolas e utensílios domésticos.
Eles me encaravam aterrorizados. Um gritou e avançou, os outros vieram atrás. Segurei o machado com as duas mãos e comecei a avançar. O primeiro caiu com o golpe, o segundo teve o crânio aberto antes mesmo de conseguir reagir.
A luta se espalhou pela Vila.
O espírito de luta daquelas pessoas foi embora rápido, dando espaço apenas para a necessidade de sobreviver.
Eles tentaram fugir, esconder-se dentro das casas ou usar portas e móveis para me impedir, mas eu continuava atrás deles. Arrombava portas, virava camas, abria armários e encontrava pessoas encolhidas nos cantos, implorando por suas vidas.
Alguns ainda tentavam lutar, alguns corriam e outros tentavam implorar pela própria vida.
A cada casa que eu entrava, deixava corpos ensanguentados e paredes manchadas. Os gritos foram diminuindo até restarem apenas passos desesperados e portas sendo abertas à força. A Vila, pouco a pouco, ficou vazia de vida.
Encontrei a Chata escondida em uma das casas. Ela me viu e olhou ao redor, procurando uma saída que não existia. Aproximei-me, puxei a faca e passei a lâmina por seu pescoço.
Continuei procurando.
Encontrei outro escondido atrás de uma porta, outro tentando fugir pelos fundos e mais um agachado em um canto escuro.
Não poupei ninguém.
Continuei vasculhando cada casa.
Eu não pretendia deixar ninguém para trás.
Casa por casa, beco por beco. Até que quase não havia mais ninguém. A Vila estava irreconhecível, quase ninguém permanecia vivo. Foi então que percebi uma fumaça subindo ao fundo da Vila, segui naquela direção. Quanto mais me aproximava, mais forte ficava o cheiro de queimado, quando cheguei, encontrei a carcaça da Mãe, completamente carbonizada.
Alguém havia colocado uma coroa de flores sobre sua cabeça. No pescoço, havia um colar feito com restos de carne. No chão, havia um círculo desenhado ao redor do corpo. Aquilo parecia algum tipo de ritual, ainda mais com aquelas duas pessoas ajoelhadas, rezando, tremendo, venerando aquela coisa morta enquanto choravam.
Fiquei alguns segundos tentando entender, o que estavam tentando fazer?
Ressuscitá-la?
Soltei um suspiro.
Bando de idiotas.
O machado encontrou a cabeça de um e a faca foi direto no peito do outro.
Virei as costas, deixei a Vila para trás com a certeza de que eles não me incomodariam novamente.
Segui em direção à casa da Bruxa.
Ato IV
— Está tudo pronto — a Bruxa me observou por alguns segundos e então franziu a testa. — Você está coberto de sangue.
Olhei para minhas mãos. Ela tinha razão. Havia sangue seco nos dedos, no rosto e nas roupas.
— Sente-se.
Obedeci. A Bruxa pegou um pano, mergulhou-o em uma bacia com água e começou a limpar meu rosto. O tecido frio passou pela minha testa, pelas bochechas e pelo queixo, removendo lentamente as manchas escuras. Depois segurou minha mão e começou a limpar meus dedos.
— Tire — ela apontou para o casaco. — A camisa também.
Tirei os dois e deixei apoiado na cadeira ao lado. Seu olhar percorreu meu peito, meus braços e, principalmente, as cicatrizes espalhadas pelo meu corpo, cicatrizes essas que eu nem sabia que existiam.
Seus dedos tocaram uma das marcas nas minhas costas, deslizando lentamente pela minha pele.
— Ainda pretende ir até a Raiz Negra? — ela parou atrás de mim. — Quando chegar perto daquela coisa, você pode morrer.
— Eu sei — meu olhar ficou fixo no vazio.
Ela contornou a cadeira até ficar novamente diante de mim. Ela me encarou por alguns segundos.
— Você realmente não hesita.
— Não tenho nada a perder.
— Então talvez eu possa lhe dar um último prazer antes que você caminhe para a própria morte.
Ela segurou a ponta da túnica, por um instante, apenas me observou. Então deixou o tecido escorrer lentamente pelo corpo até o chão. Ela estava diante de mim, completamente diferente da figura mística e encoberta que eu tinha conhecido até então. Havia algo provocador em sua expressão, percebi mesmo com aquela máscara cinza de sempre, mas também uma estranha serenidade.
O seu corpo era esguio, iluminado pelo brilho quente do fogo, e a pele pálida parecia brilhar sob a pouca luz. Ela se moveu, caminhou até mim, pude apreciar como suas curvas eram generosas e belas mesmo num lugar desgraçado como aquele.
Me levantei da cadeira, não podia ficar apenas observando, queria tocá-la, queria sentir sua carne, algo real em minhas mãos. A minha mão deslizou pela cintura fina que se alargava em quadris convidativos, coxas grossas e firmes que se uniam a uma bunda arredondada e perfeita. E os peitos, perfeitamente arredondados e pontudos, com mamilos escuros e eretos que apontavam para mim.
Meu pau endureceu na calça de imediato, um pulso súbito e um tanto doloroso. Ela deu um passo para a frente, diminuindo cada vez mais a distância entre nós, os pés descalços não faziam nenhum ruído no chão de terra batida. Aproximou-se de mim, o calor do seu corpo já me envolvia. O cheiro dela agora era mais forte, um misto de chuva, terra e um perfume completamente fora de órbita, destoante daquele lugar.
Com movimentos rápidos e práticos, me levantei e desabotoei a minha calça e puxei o meu pau para fora. Ele estava duro como pedra, a glande brilhando com o pré-gozo. Sem aviso, ela pousou a mão no meu peito e me empurrou para que eu me sentasse novamente na cadeira. Ela sentou em mim tão rápido que mal pude ter tempo para processar sua buceta apertada envolvendo todo o meu cacete. Estava molhada, escorregadia, pronta para mim. E então, começou a cavalgar com toda a força.
Um gemido baixo e rouco escapou da garganta. Era uma sensação avassaladora, o seu calor me envolvendo completamente, os músculos internos da sua racha me apertando com um abraço quase doloroso. Ela não parava, a todo momento subia e descia, desafiando a resistência da cadeira. Ela inclinou a cabeça ligeiramente para trás, mas sem interromper o ritmo nada suave.
A Bruxa sabia o que fazer numa situação dessa, cavalgava como uma profissional. Ela era insistente em cada movimento, fazendo tanta pressão em mim que eu mal me aguentava. Cada sentada era um impacto profundo, fazendo nossa pele se chocar uma a outra com violência. Eu agarrei seus quadris, os meus dedos afundaram na carne tentando controlar o ritmo assim como tentava controlar uma besta selvagem. Mas em vão, ela era quem mandava naquele momento.
A visão dela sentando tão freneticamente, os peitos saltando no meu rosto, estava demais. Eu precisava de mais, precisava de estar no controle de algum jeito se não perderia a cabeça ali mesmo. Com um esforço, agarrei-a firmemente pela cintura e forcei-a a parar. Ela tentou resistir, um grunhido de protesto saiu de seus lábios enquanto aquele único olho atrás de sua máscara me encarava. Mas eu era mais forte. Levantei-a do meu colo, sentindo o vácuo gelado onde o seu calor estava até poucos milissegundos atrás. A virei de costas, empurrando-a de bruços para a cama de palha no canto da cabana. Ela caiu com um baque suave soltando um gemido de surpresa, a bunda levantada na minha direção, uma oferta perfeita.
Não perdi tempo, fui até ela com as calças presa no meio das coxas, me posicionei atrás da Bruxa e guiei o meu pau até à sua fenda molhada e meti até atingir o seu fundo, até as bolas. Ela gritou, um som agudo que misturava dor e prazer ecoou pela floresta. Comecei a foder com uma brutalidade que surpreendeu até a mim mesmo. Cada estocada era forte, profunda, fazendo a cama ranger e as minhas bolas baterem contra o seu clitóris. O meu corpo cobria o dela, o suor saia dos poros e imediatamente escorria, culpa daquela cabana abafada.
O cheiro a sexo enchia o ambiente, o cheiro salgado do seu mel e suor entrava pelas minhas narinas só para aumentar a velocidade e força em que eu a comia. Arqueei as coisas e minhas mãos encontraram os peitos dela, pendentes e pesados. Agarrei-os, apertei-os com força, sentindo a maciez da pele cedendo sob a minha pressão. Os seus mamilos duros roçavam nas minhas palmas. Ela começou a gemer sem parar, uma série de sons incoerentes que me incitavam a ir mais fundo, mais forte.
O orgasmo se aproximava, podia sentir. Mas continuei na mesma intensidade. Até que o ritmo de seus quadris acompanharam as minhas metidas. Era tudo frenético, descontrolado. Apertei os seios dela com toda a minha força, usando-os como âncora enquanto a possuía. O seu corpo começou a tremer debaixo de mim, sua buceta contraindo-se ao meu entorno, os espasmos me esmagando violentamente foi a gota da água.
Num último impulso, enfiei tudo o que podia até que então, comecei a gozar. Jatos de esperma explodiram dentro dela, uma onda de prazer tão intensa que me fez ver estrelas.
Fiquei dentro dela, exausto, sentindo o último tremor do interior dela se misturando ao meu e o meu próprio coração martelando dentro do peito.
O silêncio que se seguiu foi ainda mais barulhento do que os nossos gemidos.
Me afastei e rapidamente subi a calça e voltei até a cadeira, enquanto ela ligeiramente se levantou e pegou a túnica. A Bruxa já estava vestida. Eu estava colocando a camisa ainda.
— Eu vou acompanhá-lo até certo ponto — ela disse. — Depois disso, você terá que seguir sozinho.
Assenti, ela caminhou até a porta e abriu. O ar frio da floresta entrou pela cabana. Peguei o casaco e comecei a colocá-lo.
A Bruxa deu um passo para fora e então ouvi o disparo da arma, em seguida, um baque seco.
Conhecia bem o som de um corpo caindo no chão.
Olhei para o lado, a Bruxa estava deitada.
Parte da cabeça havia sido destruída.
Uma poça de sangue começou a se formar embaixo dela.
Ato V
Continuei parado, olhando para o corpo da Bruxa. Por alguns segundos, meu cérebro simplesmente se recusou a aceitar o que estava diante dos meus olhos.
Outro disparo atravessou o ar. A bala atingiu uma das paredes de madeira da cabana. Eu me abaixei imediatamente. Múltiplos disparos vieram, as paredes de madeira foram atingidas enquanto eu permanecia agachado, as lascas voaram pelo ar.
O som dos disparos ecoava pela floresta até que de repente, cessaram. Foi quando ouvi passos lentos, vindos da floresta. Levantei a cabeça e olhei na direção do som. Saí da cabana.
O Velho estava entre as árvores, segurava um rifle nas mãos. Mas havia alguma coisa diferente nele, ele estava chorando. Não era como alguém assustado ou ferido. As lágrimas escorriam pelo rosto enquanto ele permanecia parado, olhando para mim.
— Por que você fez isso? — ele respirou fundo, mas a tentativa de controlar o choro falhou. As lágrimas continuavam escorrendo pelo rosto.
Ele apertou o rifle com tanta força que os dedos ficaram brancos.
— Eu encontrei ela... encontrei a minha filha... a minha menina...
Passou a mão pelo rosto, tentando limpar as lágrimas, mas parecia mais irritado por estar chorando do que triste.
— O taco que eu te dei estava por perto, seu desgraçado — o Velho ergueu o rifle e apontou para mim, continuou me encarando com os olhos vermelhos. — Você matou a minha filha, o bem mais precioso que eu tinha.
...
A Caçadora— Eu te dei tudo que tinha. Te mostrei tudo que sabia para você encontrar uma saída, para fazer aquilo que eu não consegui — ele respirou fundo. — Não para matar tudo que se mexesse, não para matar a minha filha!
O grito ecoou pela floresta. Ele abaixou o rifle por um instante, ofegante. As lágrimas voltaram a cair. O Velho voltou a apontar o rifle com uma bela determinação em seus olhos, digna de pena....
Ele puxou o gatilho, mas não saiu nada. O Velho apertou o gatilho novamente, as balas haviam acabado. Ele olhou para o rifle, como se só naquele instante tivesse percebido. Eu puxei o revólver.
O disparo ecoou pela floresta, o Velho levou a mão ao pescoço. O sangue começou a escorrer entre seus dedos. Ele caiu de joelhos e desabou na terra.
Andei calmamente até ele, ainda estava vivo. Tentou alcançar o rifle que havia caído alguns centímetros à frente, se arrastando pelo chão.
Ainda havia raiva em seus olhos, ele tentou novamente alcançar o rifle enquanto se afogava no próprio sangue.
Apontei o revólver de novo e dessa vez, atirei em sua cabeça. O corpo ficou estirado no chão.
Olhei primeiro para a Bruxa e depois para o Velho. A casa permanecia aberta atrás de mim. O vento atravessava a porta e fazia a chama da pequena lamparina oscilar.
Não havia mais ninguém, pela primeira vez desde que cheguei àquela floresta, não havia ninguém para me dizer o que fazer.
...
Respirei fundo.
Fechei os olhos.
Abri os braços.
Senti a brisa fresca passar pelo corpo.
