Se alguém olhasse para mim e para o Heigor de fora, veria apenas um casal normal, apaixonado e com uma cumplicidade de dar inveja. Já estávamos juntos há um tempo. A nossa intimidade sempre foi gigantesca e o nosso diálogo aberto. Mas até então, a nossa vida a dois seguia as regras do mundo comum.
Eu não nasci com poder nenhum. A minha vida não tinha um pingo de magia — até aquele dia na biblioteca.
Eu sempre fui apaixonada por livros. E um dos meus points favoritos na minha cidade, é a Biblioteca Municipal. Entre corredores, estantes, sussurros e histórias, eu sempre gosto de passar minhas tardes de folga, perdida entre as palavras e as vidas de outras pessoas.
No segundo andar, num cantinho que quase ninguém frequenta, existe uma sessão com livros antigos. Foi numa das seções mais esquecidas e empoeiradas da biblioteca que encontrei um livro que parecia me chamar até ele. Não tinha título na lombada, apenas uma capa de couro escuro e gasto. Quando o abri, percebi imediatamente que não era um livro qualquer.
Nas páginas, havia ilustrações anatômicas impressionantes de posições sexuais totalmente incomuns, acrobáticas e viscerais, coisas que eu jamais tinha visto em qualquer lugar. Ao lado de cada gravura, o texto explicava até os mínimos detalhes o funcionamento de cada movimento, acompanhado de técnicas táticas de respiração, pressão e toque para elevar o prazer a níveis inimagináveis. Era um compilado fascinante e hipnotizante.
Na última página, no interior da contracapa, havia um emblema entalhado em relevo: o contorno de um homem e uma mulher entrelaçados de tal forma que pareciam fundidos, ocupando um único corpo. Logo abaixo do símbolo, uma instrução direta e misteriosa dizia:
"Para adquirir o conhecimento e a dádiva que vão muito além deste livro, coloque a mão direita sobre o emblema e pronuncie as palavras com a alma entregue ao desejo:"
Sem pensar duas vezes, levada por um impulso misterioso e pela minha natureza curiosa, espalmei a mão sobre o couro frio do símbolo e li em voz alta:
"Pela carne que se une e pelo fogo que não se apaga, recebo a chama da antiga arte. Que o meu corpo seja a lâmpada, o meu prazer seja a lei e o toque do meu amor seja a chave."
No exato segundo em que terminei de falar, uma descarga elétrica quente atravessou a minha palma, subindo pelo meu braço e se alojando bem no centro do meu ventre. Um calafrio delicioso me fez arfar. Assustada, fechei o livro rapidamente. Respirei fundo por alguns minutos, deixei o volume de volta na prateleira e fui embora.
No dia seguinte, voltei à biblioteca disposta a estudar mais aquele achado. Mas o livro simplesmente não estava lá. Procurei em todas as estantes, perguntei aos funcionários e até consultei o sistema. Todos me olhavam como se eu estivesse louca ou inventando histórias. Ninguém nunca tinha visto ou ouvido falar de um livro assim.
Depois de muito procurar na internet, descobri que aquele grimório havia pertencido a uma succubus feiticeira do século XVI. Ela havia sido perseguida e queimada na fogueira por manipular as artes do prazer absoluto e da magia carnal. O livro deveria ter sido destruído junto com ela, mas a sua essência sobreviveu, vagando pelos séculos à espera de uma mulher de mente aberta, sem tabus e pronta para canalizar aquele poder.
E essa mulher fui eu.
A partir daquela noite, a magia da succubus se fundiu à minha própria essência. O meu corpo virou o repositório dessa arte ancestral. O toque do Heigor na minha buceta virou o gatilho, a fricção virou o ritual, e o brilho dourado passou a ser a prova viva de que a nossa intimidade tinha ultrapassado qualquer barreira humana.
O que você vai ler a partir de agora é a história de como transformamos uma maldição antiga na maior bênção da nossa vida a dois.
¹ Nota da Autora (Sobre a Fricção e os Desejos):
Para que a magia da succubus seja ativada, a regra é clara e imutável: o ritual exige a fricção direta e contínua na buceta da Aladinha feita exclusivamente pelas mãos de Heigor. Assim que o atrito atinge o ponto de ativação, um brilho místico dourado surge no ar, renovando instantaneamente todas as energias físicas e o vigor dele. A partir desse momento, Heigor recebe o direito a exatamente três desejos sexuais, que devem ser atendidos sem restrições ou tabus. Para reiniciar o ciclo e obter mais três desejos, uma nova esfregada precisa ser realizada.
