Antes de começar… 💜
Quero muito saber o que vocês estão achando dessa história, então comentem, deixem suas opiniões, teorias e até críticas. Vou amar saber o que estão sentindo e pensando durante a leitura.
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O conto também terá cenas eróticas, mas elas não estarão presentes em todos os capítulos. Elas vão aparecer conforme fizerem sentido para a história e para os personagens.
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Espero que vocês gostem, se envolvam e aproveitem a leitura.
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EMILY
Há uma coisa quase reconfortante em saber que consigo fazer uma mulher esquecer, por alguns minutos, o próprio nome.
Talvez seja ego. Talvez seja só a facilidade com que algumas pessoas se entregam quando encontram alguém disposto a conduzi-las. Nunca me preocupei muito em descobrir a diferença.
Já são duas horas da manhã, e o quarto do motel cheira a sexo, cigarro velho e lençóis que deveriam ter sido trocados há horas. Na cama, a mulher se contorce, completamente entregue, prestes a gozar pela terceira vez.
Fernanda ou Júlia… Alguma coisa assim. Não faço questão de lembrar seu nome.
Faço pequenos círculos com minha língua em sua buceta. Ela está tão molhada e pulsando que me faz aumentar o ritmo. Sei que está prestes a gozar, pois sua mão desliza para minha cabeça, prende os dedos no meu cabelo e pressiona minha cabeça contra ela. Seu gemido aumenta e, com força, ela se esfrega mais na minha cara. Sua buceta se contrai e seu grelo explode em minha boca.
Subo até a boca da moça e estendo os dedos, mandando que ela os chupe. Sua língua quente passa por eles, limpando qualquer vestígio de que estiveram dentro dela. É prazeroso vê-la obedecer.
Por um instante, ela parece esperar alguma coisa a mais. Talvez um beijo. Talvez um abraço. Então tenta me puxar para perto.
Sorrio de canto, me afasto da cama e pego um maço de cigarros sobre a mesa.
— Vou fumar.
Na janela, sento no parapeito e acendo o Marlboro. Trago bem devagar, observando a fumaça desaparecer pela janela aberta.
A mulher ainda tenta conversar, mas logo desiste. Quando olho para trás, já está cochilando entre os lençóis desarrumados.
Fico alguns segundos observando-a.
No bar, ela parecia interessante. Imagino como seria conhecê-la de verdade. Talvez sair para jantar, descobrir suas manias, ouvir histórias que não envolvessem álcool, música alta e uma noite qualquer.
Talvez, se eu fosse outra pessoa, ela pudesse ser uma possibilidade.
Mas não sou.
Ela queria foder e eu também.
Apago o cigarro, me visto e deixo um bilhete sobre a mesa. Pago a conta do motel e sigo para casa.
O céu começava a clarear quando entrei no apartamento. Sei que preciso dormir, sei que tenho matérias da faculdade atrasadas, uma tatuagem marcada e um dia inteiro pela frente.
Deito ainda vestida e fecho os olhos.
Depois de uma hora, acordo e, encarando o teto, desisto de dormir mais. Tomo um banho, troco de roupa e, quando percebo, já estou saindo outra vez.
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A ONG fica no caminho.
Chego cedo, antes da maior parte da equipe. Talvez seja melhor assim. Quanto mais cedo começar, mais cedo termino. Ou talvez eu só goste de chegar antes e, por algumas horas, poder simplesmente existir.
Serafina está particularmente feliz naquela manhã. A ONG recebeu um carregamento de materiais, e uma nova sala de psicologia finalmente foi inaugurada. Assim que entro, deixo a mochila em uma cadeira e me junto a ela para organizar as caixas.
— Você está com uma cara péssima.
Serafina nem precisa levantar os olhos da caixa que está abrindo para dizer isso.
— Eu sei. Um café resolve.
— Dormiu?
— Mais ou menos.
Ela finalmente olha para mim e solta uma risada curta, daquelas que vêm acompanhadas de preocupação.
— Um dia você ainda vai aprender a cuidar de si.
— Um dia.
Puxo outra caixa para perto, antes que ela possa continuar. Serafina conhece esse meu “um dia” tão bem quanto eu conheço o olhar que ela me lança depois dele.
A manhã está movimentada. Há caixas espalhadas pelo salão, gente entrando e saindo das salas e vozes se misturando pelos corredores. Gosto do Casarão assim, cheio de movimento, como se cada coisa nova ocupasse um espaço que estava esperando por ela.
— Ah, antes que eu esqueça — Serafina diz, já se afastando. — Hoje vem uma fotógrafa nova. Então não estranhe se aparecer alguém que você nunca viu por aqui.
— Tá.
Ela para no meio do caminho.
— E tenta ser simpática.
Ergo uma sobrancelha.
— Eu sou simpática.
— Emily…
— Tá bom.
Ela ri e desaparece pelo corredor.
Volto às caixas. Entre materiais de desenho, brinquedos e alguns jogos, encontro uma cheia de livros infantis. Pego o primeiro, depois outro, até que uma capa conhecida me faz diminuir o ritmo.
Não é aquele.
Mas me faz lembrar.
Eu devia ter uns seis anos quando Serafina me entregou um livro ilustrado. Lembro de ter ficado olhando para ele sem saber se deveria aceitar. Eu não confiava facilmente nas pessoas, e minha mãe precisou se inclinar ao meu lado para sussurrar:
— Filha, pode aceitar.
Ainda consigo lembrar do peso do livro nas minhas mãos e do sorriso paciente de Serafina enquanto esperava. Foi meu primeiro presente que não veio da minha mãe e, por muito tempo, guardei aquela lembrança como uma das poucas coisas boas daquela época.
Anos depois, doei o livro para a biblioteca da ONG.
Talvez ainda esteja lá.
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Deixo a caixa de lado e sigo pelo corredor, em direção à biblioteca.
Foi quando a vi.
Ela estava de costas, passando os dedos pelas lombadas dos livros, completamente concentrada no que fazia. Não sei por que parei para observá-la. Talvez tenha sido o cabelo com mechas roxas, talvez tenha sido a câmera pendurada no corpo, talvez o jeito como parecia esquecer do resto do mundo enquanto olhava os livros. Ou talvez tenha sido simplesmente ela.
Meu olhar percorre seu corpo antes de voltar ao rosto.
Bonita.
A palavra surge sem esforço, mas não é suficiente para explicar por que continuo olhando.
— Esse lugar tem o poder de tirar a gente da realidade mesmo. — Quebro o silêncio.
Ela vira rápido demais. Achei fofo.
E então vejo seu rosto.
Muito bonita.
Ela me olha por um segundo a mais do que seria necessário, e dessa vez sou eu quem fica curiosa. Não desvio. Quero descobrir se foi apenas impressão minha.
Ela também não desvia.
Um sorriso aparece no meu rosto.
— Desculpa. Não queria te assustar.
A voz dela sai mais baixa do que antes. Vejo seus dedos apertarem a câmera e, por algum motivo, isso me faz sorrir outra vez.
Ela está nervosa.
Mas por quê?
Quando se apresenta, descubro que seu nome é Maia. Dois dias em São Paulo, fotógrafa, tentando começar uma vida nova. Ela fala um pouco rápido, como se precisasse preencher os silêncios antes que eu pudesse fazê-lo.
Aos poucos, começo a prestar atenção em pequenas coisas: o jeito como ela evita meus olhos quando fica sem graça, a forma como prende o cabelo, como parece pensar demais antes de responder.
É curioso.
E quanto mais percebo, mais vontade tenho de continuar.
Quando digo que é corajosa, ela diz que talvez seja inconsequente. Sorrio. Gosto da resposta. Gosto ainda mais do jeito como ela parece se arrepender de ter dito.
Então ela levanta a câmera.
— Você está em um ângulo ótimo. Posso?
— Pode.
Dessa vez, decido brincar um pouco.
Ajeito o cabelo, inclino levemente a cabeça e sustento o olhar dela por um instante antes de encarar a lente. Não sei se ela percebe o que estou fazendo.
Pelo modo como demora para apertar o botão, talvez perceba.
O clique finalmente acontece.
Quando olho para ela outra vez, Maia está vermelha.
E alguma coisa muda.
Até então, eu só estava curiosa. Agora existe uma vontade mais difícil de ignorar, uma espécie de desafio silencioso: descobrir o quanto daquele constrangimento era apenas timidez e quanto tinha a ver comigo.
— Maia.
Ela abaixa a câmera.
— Seus olhos também são castanhos.
Ela franze a testa.
— O quê?
Sorrio.
— Você estava tentando descobrir a cor dos meus.
A surpresa no rosto dela é quase imperceptível, mas está ali. Sorrio, satisfeita com a pequena provocação, quando Maia ergue a câmera novamente. Antes que consiga fotografar, uma batida forte ecoa pela entrada.
Nós duas olhamos na mesma direção.
Outra batida, dessa vez desesperada.
Serafina atravessa o corredor, e nós a seguimos. Quando a porta se abre, vejo uma mulher machucada, ofegante, segurando a mão de uma menina.
O clima muda na mesma hora.
Pego o kit de primeiros socorros e me aproximo.
— O que aconteceu?
Enquanto tento entender o que a mulher consegue explicar, percebo Maia alguns passos atrás. Ela não olha para mim, nem para a câmera. Seus olhos estão presos na menina.
Então se aproxima e se abaixa diante dela.
Fico observando por um instante. Há uma delicadeza no jeito como Maia fala com a criança, uma espontaneidade que me surpreende. Ela não parece pensar antes de agir; simplesmente sabe o que fazer.
E, naquele momento, alguma coisa nela me interessa por um motivo que não sei explicar.
Minutos antes, Maia era só uma mulher bonita que tinha despertado meu interesse. Eu estava brincando com o olhar dela, testando até onde conseguia fazê-la ficar sem graça, como já fiz tantas outras vezes. Era simples. Um jogo. Eu sabia como começar e, principalmente, sabia como terminar.
Mas agora ela está ali, com uma criança assustada nos braços, cantando baixinho como se não houvesse nada mais importante naquele momento.
E alguma coisa muda.
Maia não pergunta o que aconteceu, não espera alguém dizer o que fazer. Apenas acolhe. Passa a mão pelas costas da menina e permanece, como se ficar fosse uma escolha óbvia, como se aquilo fosse um hábito.
Aquilo me atinge de um jeito estranho.
Talvez porque eu saiba cuidar de pessoas, mas nunca tenha aprendido a cuidar assim. Sei limpar um ferimento, organizar uma situação, falar baixo quando alguém está em pânico. Aprendi a fazer o necessário sem deixar que nada chegasse perto demais.
Maia parece fazer o contrário.
Ela deixa chegar.
E lembro de mim mesma pequena, antes de aprender que era melhor não esperar por colo algum. Até Serafina aparecer com seu jeito calmo e um livro nas mãos, mostrando que talvez existisse outra maneira de ser cuidada.
Afasto a lembrança e volto para Raquel, mas meus olhos continuam procurando Maia.
É irritante.
Porque ainda acho Maia bonita. Talvez até mais agora. O desejo não desapareceu; está ali, quieto, misturado à vontade de saber quem é aquela mulher que chegou à minha cidade há dois dias e, sem conhecer ninguém, decidiu ficar.
Só que agora não quero apenas descobrir se ela me deseja.
Quero saber o que faz ela ser assim.
E isso muda completamente as regras do jogo.
A tarde passa devagar. Quando volto a procurá-la, encontro as duas dormindo. Cecília está encolhida contra o corpo dela, e Maia permanece imóvel, como se qualquer movimento pudesse acordá-la.
Pego uma coberta e cubro as duas.
Fico ali por alguns segundos, olhando.
É estranho sentir desejo e, ao mesmo tempo, uma vontade quase inevitável de conhecer alguém antes de tocá-la. Eu não costumo querer isso. Normalmente, quando uma mulher chama minha atenção, sei exatamente o que estou procurando.
Com Maia, pela primeira vez, não sei.
A tarde segue, e tento voltar à rotina, mas, de vez em quando, meus olhos encontram Maia dormindo com Cecília pelo salão.
Até que, algum tempo depois, vejo quando ela se afasta e entra no banheiro.
Não penso muito. Só percebo que continuo olhando para a porta mesmo depois que ela se fecha.
Dou alguns segundos antes de me mexer, como se ainda esperasse que essa vontade passasse. Talvez seja melhor deixá-la sozinha. Talvez seja isso que as pessoas fazem quando alguém precisa de um momento para respirar: dão espaço, não fazem perguntas, não tentam entrar onde não foram chamadas.
Ainda assim, continuo olhando para a porta fechada, com uma sensação estranha, quase familiar. Como se alguma parte de mim soubesse o que é precisar que alguém fique, mesmo quando não se consegue pedir.
Respiro fundo e tento me afastar.
Não consigo.
Volto até a porta e a empurro, e me deparo com Maia com os olhos vermelhos e o rosto ainda molhado pelas lágrimas.
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— Tudo bem, Maia?
Ela passa a mão pelo rosto rápido demais. Parece confusa. Mas percebo que é um pedido de ajuda.
— Eu só… fico mexida com essas coisas.
As lágrimas voltam, e por alguns segundos minha vontade é apagar toda a tristeza que ela sente. Então me aproximo e a abraço.
Sinto o corpo dela hesitar antes de relaxar contra o meu, e fico ali, segurando-a por mais tempo do que pretendia. Talvez porque reconheça aquela sensação de tentar esconder alguma coisa enquanto tudo dentro da gente pede para desabar.
Quando me afasto, Maia ainda está perto. Perto o bastante para eu perceber cada detalhe do rosto dela.
— Aqui é assim mesmo — digo baixo. — Um dia é paz. No outro, é inferno. E a gente segue ajudando.
Ela ri baixinho.
Fico olhando para ela e lembro da menina dormindo em seus braços, do jeito como Maia simplesmente ficou. Talvez seja isso que esteja me prendendo. Não é só o rosto bonito, nem a vergonha que aparece quando provoco. É a pessoa que existe por trás disso.
— Você leva jeito com criança.
Ela sorri.
— Obrigada.
O silêncio volta, mas dessa vez não parece vazio.
Maia levanta os olhos, e eu sinto aquela atração familiar retornar. Só que agora ela vem acompanhada de alguma coisa que não sei nomear. Sinto que preciso me conectar a ela.
Minha mão sobe até o rosto dela antes que eu pense demais. E uma vontade incontrolável de sentir seu gosto começa a me consumir.
Toco sua pele devagar, dando espaço para que recue.
Ela não recua.
Então a beijo.
No começo, é apenas um toque, quase uma pergunta. Quando ela corresponde, sinto o desejo crescer outra vez. As mãos dela encontram minha cintura e puxam meu corpo para mais perto.
Que lábios doces! Que língua macia!
Imagino como deve ser beijar seu pescoço, seu colo… e seguro a vontade de ter mais.
Por alguns segundos, esqueço tudo o que deveria estar pensando.
Quando nos afastamos, ainda ficamos próximas, respirando o mesmo ar. Olho para ela e percebo que quero beijá-la outra vez.
Não deveria querer.
Beijo Maia novamente.
Dessa vez, ela me encontra antes que eu precise procurá-la, e há uma urgência no beijo que me faz esquecer, por alguns instantes, a razão pela qual entrei naquele banheiro. Agora tenho certeza de que preciso tirar a roupa dela e explorar cada canto de seu corpo. Já não tenho tanto controle assim e, a cada segundo a mais daquele beijo, pressiono-a contra a pia.
Quando finalmente nos afastamos, nossas testas permanecem encostadas.
Fecho os olhos na tentativa de guardar o beijo na minha memória.
Eu queria entender o que está acontecendo comigo, mas talvez ainda seja cedo demais para admitir que não é apenas desejo.
— Eu precisava fazer isso — digo, quase num sussurro. Mas minha vontade é dizer: “preciso mais de você”.
Ela sorri.
— Que bom que você fez.
Abro os olhos e encontro os dela.
É justamente esse sorriso que me faz querer ficar.
E talvez seja por isso que eu precise ir.
— Eu preciso ir.
Ela apenas assente.
Não quero ir embora, quero ficar, quero garantir que ela fique bem, quero saber o quanto ela consegue encarar situações como as de hoje. E é justamente por me preocupar com ela que preciso ir. Não gosto de gostar de alguém; na realidade, nunca me apaixonei.
Saio da ONG tentando convencer a mim mesma de que foi só um beijo, só desejo, só uma coisa que aconteceu e vai passar.
Mas, enquanto caminho, volto a pensar nela com Cecília nos braços.
E essa é a parte que não consigo explicar.
Eu sei desejar Maia.
O que ainda não sei é por que, depois de beijá-la, continuo querendo cuidar dela.
Continua…