Debruçado sobre o mostrador do quiosque de fragrâncias orientais do shopping, Jacob não tinha olhos para nenhum dos perfumes expostos. Sua atenção estava totalmente direcionada para Najla, que o atendia.
Os olhos exóticos amendoados de um castanho intenso e os lábios carnudos da mulher o provocavam, conferindo a ela um magnetismo impressionante. Se aquela mulher, mesmo com os cabelos e o pescoço escondidos embaixo de um hijab, despertava a atenção de um homem como ele, o que diria se a visse totalmente nua sobre a cama, perguntava-se Jacob.
Neste ponto, o pouco que os trajes largos de Najla deixavam perceber de seu corpo reforçava ainda mais aquele ar de mistério que fascinava Jacob. Tentar adivinhar as curvas dela, imaginar quão grandes podiam ser seus seios, quão largo devia parecer seu quadril, ou mesmo se seus pêlos pubianos eram depilados, era um jogo que o excitava.
– Deixe-me ver, o senhor disse que busca um perfume para uma mulher especial… Seria sua namorada, talvez? – perguntou Najla, retirando-o de seus devaneios.
– Isso, uma mulher especial. Mas não, ela não é minha namorada.
– Entendo, então é uma fragrância para conquistar o coração dela?
– Não só o coração. Quero tudo mais o que eu conseguir conquistar dela, querida.
– Nossa, que sorte a dela, digo, ter um homem apaixonado assim. Vamos ver… Perfumes geralmente reagem ao tom da pele. Qual é a cor de sua pretendente?
– Ela tem a cor do pecado. Uma pele linda, morena como as tâmaras do deserto, como a sua.
– Ah, que interessante, assim fica mais fácil ajudá-lo. Ser algo capaz de despertar lembranças da infância também direciona o gosto das pessoas. Sabe de onde ela é?
– Imagino que ela deve ser daqui mesmo. Mas sou capaz de jurar que é descendente de árabes, lá do oriente médio. Você tem algum perfume que agrade uma mulher tão interessante como você? – arriscou Jacob, sendo um tanto direto.
– Vários, nós somos especializados em fragrâncias orientais – respondeu Najla, agora um pouco incomodada com aquela ousadia. – Eu, por exemplo, amo todos os perfumes que meu marido me presenteia – completou colocando as mãos sobre o balcão, para que aquele homem notasse sua aliança.
Jacob ficou doido. Agora havia um ingrediente a mais na deliciosa receita de Najla. Ele, um judeu, envolver-se com uma muçulmana casada, era o que mais inapropriado poderia existir – e isso o instigava ainda mais seu interesse por ela.
Najla era totalmente proibida para Jacob, tal como o namoro entre Amin e Hannah fora no passado.
Ainda por cima, ele colocava os olhos sobre Najla justo agora, quando Hannah, sua esposa, estava prestes a ter o filho que esperavam. Trair a mulher grávida de oito meses com uma muçulmana, seria como urinar na Torá em meio à sinagoga xingando o rabino, uma ato imperdoável aos olhos de toda a comunidade judaica.
– Ah, você é casada… Não havia percebido. Então é melhor eu comprar um perfume para minha esposa, não é? – disse ele colocando as mãos no balcão, próximas às dela, para mostrar que também usava uma aliança. – Não queremos que seu marido desconfie da minha admiração por você.
– Não, não queremos – ela respondeu, tentando segurar um sorriso. A desfaçatez de Jacob era tanta que chegava a ser engraçada.
– Mas, se eu não posso lhe presentear com um perfume, então quero dar à minha esposa um que você gostaria de usar. Ao menos, isso me faria lembrar de você enquanto estou com ela – avançou ele novamente, acreditando que, agora que as cartas estavam claras na mesa, Najla lhe daria alguma confiança.
– Isso é muito fácil. Meu marido ama este perfume, Enigma. Fica louco quando o ponho, e deixá-lo assim me agrada muito! – Najla retrucou colocando um frasco diante de Jacob, para mostrar que era feliz com o marido.
– Mas ora veja, que coincidência… – disse ele meio atordoado. – Esse também é o perfume predileto da minha mulher!
– Sério mesmo? O senhor não está dizendo isso só para me agradar? – ela quis saber, afinal, bem podia ser apenas mais uma cantada daquele homem charmoso.
– Eu juro. Não sei porque, mas ela usa isso desde antes de casarmos. É esse mesmo perfume, Enigma. Sempre achei engraçado ela usar uma fragrância oriental, afinal, somos judeus.
– Então sua mulher e meu marido tem um gosto parecido, ele só quer que eu use essa fragrância quando nós… Não importa, deseja que embale para presente? – ela tratou de finalizar de uma vez aquela conversa, percebendo que o assunto com aquele estranho já se tornava íntimo demais.
Jacob e Najla não tinham como saber, mas havia um motivo real para que tanto Amin quanto Hannah gostassem daquele perfume.
Enigma era a fragrância que Amin dera a Hannah em seu aniversário há anos atrás, a mesma que ela usou enquanto eles namoravam escondido e, principalmente, continha o aroma que ficou gravado para sempre em ambos desde que perderam a virgindade juntos, antes de se casarem com seus atuais companheiros.
Aquela memória aromática cítrica era o último laço existente entre Hannah e Amin, e os dois resistiam em abandonar esta doce lembrança. Por isso Hannah só usava Enigma. Também por isso, Amin pedia a Najla que o usasse quando iam para a cama.
Najla ficou olhando Jacob enquanto ele se afastava com o embrulho nas mãos. Era raro que algum homem se aproximasse tentando conquistá-la, sua beleza se escondia entre as roupas muçulmanas e o hijab era um tanto intimidante.
Ainda mais um homem como aquele, bonito, másculo, ousado. Ele a fazia ter pensamentos impuros, mas ela jamais trairia o marido com outro homem, muito menos um… judeu! Amin era seu dono, ela se entregava totalmente a ele com prazer, e não necessitava mais nada.
Contudo, havia sido divertido e um tanto excitante ter Jacob insistindo em assediá-la. Um pouco de emoção não faz mal a ninguém, e aquilo nunca iria adiante, ela não permitiria.
Então, admirando Jacob afastar-se, Najla viu algo que a arrancou desses pensamentos. O homem foi interceptado por outra mulher, uma ruiva muito bonita de olhos azuis e, para seu espanto, grávida num estágio já bem avançado.
Era ela, a mulher que conhecera na clínica de fertilidade! A conversa marcante que tiveram naquela ocasião voltou rapidamente à mente de Najla.
Aquela jovem de ar tão inocente, quem diria, havia lhe revelado que permitia ao marido dar suas escapadinhas por aí e que isso era até um alívio, porque ele era insaciável na cama.
Mais ainda, quando já estavam um pouco mais íntimas, ela confessou que ninguém em sua família desconfiava, mas o filho em sua barriga não era do marido, e sim de um namoradinho que tivera justo antes de se casarem.
Agora tudo fazia sentido para Najla, aquele homem bonitão tomou liberdades com ela porque a esposa permitia.
É mais, a esposa nem se importaria muito caso ela se atrevesse a ficar com ele num encontro casual, deixá-lo apreciar seu corpo, sentir o calor de suas mãos retendo-a pela cintura e permitir que a usasse só por um momento, da maneira insaciável que a ruiva comentara…
Najla riu de si mesma, mas que bobagem, imagine só, ela, uma muçulmana casada se entregando ao desfrute com a um judeu assanhado, seria como cuspir no alcorão bem na frente do imam dentro da mesquita!
Os olhos de Najla seguiram acompanhando o casal, até ambos entrarem numa joalheria ali perto, com as lojas do shopping já encerrando o expediente.
Jacob estava agitado, não podia esperar, o encontro com Najla no quiosque de perfumes o havia atiçado mais do que o normal. Pensar naquela mulher, imaginar como seria retirar suas roupas e descobrir suas curvas, tê-la com seus grandes olhos e a boca carnuda gemendo e suspirando ao ser penetrada por ele, cavalgando seu membro com sofreguidão, lhe causava até calafrios de tanto desejo.
Por isso, ao encontrar Hannah, tomou sua mão e levou-a até a joalheria da família que fechara justo antes dele ir ao quiosque. Uma vez a sós com a esposa lá dentro, entregou o presente que comprou e pode ver sua satisfação ao descobrir o que era.
– Enigma! Meu perfume predileto! Você percebeu que meu frasco estava acabando, foi isso? Não acredito!
– É claro que sim. Jamais deixaria minha putinha sem seu perfume preferido. Além do mais, essa fragrância me excita… – ele respondeu mentindo.
Jacob nem fazia ideia de que o perfume da esposa estava acabando e só comprou aquilo porque queria dar em cima da muçulmana no quiosque. Conversar com ela o deixou em total ebulição e ele precisava urgentemente de uma mulher – mesmo que fosse a sua.
Aproveitando-se da alegria de Hannah, deu um passo à frente e beijou sua boca, já trazendo as mãos grandes para puxar seu corpo, uma emaranhando-se em seus cachos ruivos e outra apertando-lhe as nádegas.
A barriga de Hannah agora estava em seu apogeu. Apesar de não ser tão avantajada como a de outras grávidas devido à magreza da ruiva, ainda assim, era estranho sentir aquela protuberância quando ele a abraçava. Mas não seria esse pequeno detalhe que o impediria de satisfazer suas necessidades.
Jacob correu a boca pelo pescoço de Hannah, saboreando-a, colocou uma mão por dentro de sua camisa, sentindo os seios inchados já se preparando para a amamentação, enquanto com a outra já vinha subindo entre suas pernas por debaixo da saia.
Num susto, percebendo o ímpeto do marido, Hannah tentou fazê-lo parar.
– Jacob, seu maluco… O bebê…
– O bebê vai ver o quanto eu desejo você, putinha linda.
– Adoro quando você me chama assim! Mas a gente não deve… Esse estágio é arriscado, pode machucar!
– Eu faço com jeitinho, juro que ele nem vai perceber!
– Duvido. Eu te conheço bem, seu doido!
– Conhece nada. Se conhecesse, parava de manha e me dava o que eu quero… – ele rosnou com a voz grave que sabia deixar Hannah excitada, enquanto seus dedos já estavam entre as pernas da esposa, pressionando.
Hannah olhava para Jacob mordendo o lábio e sentindo o desejo crescer adentro. Ele sempre conseguia deixá-la acesa, isso era o melhor de seu marido. Já que não era amor, que pelo menos fosse tesão – e disso ele conhecia bastante.
Apesar de também estar necessitada pelo tempo em que já não se permitia ter sexo, ignorando toda a provação a que Jacob a submetia, ela tomou forças e recuperou a sanidade por um momento.
– Para, Jacob! Para, por favor… falta pouco, o bebê já vai nascer…
– Mas putinha, eu quero tanto…
– Não, isso aí é muito grande… é feito um martelo…. – Hannah ainda resistia, arfando e entrecortando as palavras com suspiros, sentindo o início do orgasmo que os dedos dele insistiam em provocar. – E você não sabe parar quando começa, vai machucar ele…
– A culpa é sua, putinha, você me deixa assim, duro… Vai, Hannah, só um pouquinho, deixa só a cabecinha, vai…
– Não senhor, eu já disse, pode machucar o bebê… Olha só o tamanho disso aqui! – ela falou rindo, com a mão sobre a calça de Jacob apertando o membro teso do marido.
– Então dá uma chupada, ao menos… você não pode me deixar na mão! Uma bela chupada é o mínimo que se espera de uma putinha obediente! – Ela falou já empurrando os ombros dela para baixo, sem dar-lhe chance de negar.
Hannah conhecia bem o marido. Jacob era como um menino grande, quando queria uma coisa, era capaz de insistir naquilo por horas. Não iria parar até que ela o consentisse. Além do mais, usar a boca não era arriscado para o bebê – e nem era ruim, ela gostava.
Abrindo a calça de Jacob, Hannah deixou que o membro saltasse lá de dentro por si mesmo. Era bonito, um membro grosso e ereto, muito duro, com as veias marcadas em seu corpo e uma cabeça circuncidada que ficava latejando, vermelha.
Nos meses em que estavam casados, Jacob a ensinara a recebê-lo na boca da forma que lhe dava mais prazer. Hannah iria satisfazê-lo como ele gostava.
Começava com beijinhos e pequenas lambidas, nada exagerado, enquanto o estimulava com uma das mãos, para em seguida tomá-lo entre os lábios e permanecer um bom tempo na glande, lambendo e sugando, até retirar as mãos e vir descendo, engolindo aquilo ao ponto de tê-lo quase inteiro na boca, provocando um incômodo delicioso em sua garganta.
A partir daí, Hannah sabia o que fazer para não se machucar e manter o prazer de Jacob a nível máximo. Retirou o membro da boca abruptamente, deixando a saliva escorrer por seus lábios em fios longos que desciam pelo queixo, ao tempo em que olhou para ele com cara de menininha castigada, sem soltar aquilo de sua mão.
Depois, deu leves batidinhas com o membro teso em suas bochechas, falando com uma voz ensaiada, um tanto infantil.
– Hannah fez travessura e merece apanhar na cara com o pau do Jacob!
– Ai, putinha, assim você me mata de tesão!
– Hannah é uma putinha safada que adora chupar o pauzão do Jacob!
– Para, Hannah, eu tô quase gozando, não faz isso!
– Hannah quer porra do Jacob na boquinha, Hannah tá com muita sede de porra…
– Não, putinha, por favor ainda não! Vem aqui que eu vou te comer!
– Não pode, Hannah tá gravidinha. Jacob só pode foder a boquinha da Hannah.
– Não, não não! Deixa ao menos eu colocar a cabecinha, putinha safada!
– A bucetinha da Hannah é do bebê, não pode! – disse enfática, fazendo cara de menininha zangada.
– Então hoje a Hannah vai deixar eu fazer outra coisa…
– Outra coisa? Ficou doido, Jacob? – Ela perguntou, agora com voz de adulta.
– Tô doido de tesão, foi você quem provocou, putinha.
– Goza logo na minha boca e pronto, ora bolas! – respondeu enquanto acelerava o movimento de seu pulso no membro que ainda estava em sua mão.
– Agora quero meter. E se não dá pra ser na bucetinha, você vai ter que se virar!
Num arroubo, Jacob puxou Hannah para cima e girou-a em meio ao salão da joalheria fechada, segurando-a pela nuca com determinação para deixá-la apoiada com os cotovelos num dos mostradores.
O coração de Hannah batia acelerado e o desespero se via estampado em seu rosto, enquanto Jacob a retinha inclinada com uma mão em sua nuca e a outra subia a saia e afastava sua roupa íntima, tanteando com a ponta do membro entre suas nádegas para encontrar o ponto onde queria penetrá-la.
As luzes do shopping lá fora entravam pelas gretas das grades, fazendo as jóias dos mostradores brilharem na penumbra da loja como um céu estrelado. Este cenário trouxe Hannah para um outro momento, muito mais doce do que aquele que vivia agora.
Meses atrás, fora ali que perdera a virgindade com Amin, quando engravidara. Aquilo sim era amor, um sexo inocente, delicado, atencioso. Cada toque, cada beijo, cada olhar, vinha carregado pelo sentimento de se descobrirem feitos um para o outro, muito embora existisse entre eles o abismo criado por suas famílias, suas religiões e seus hábitos.
Hannah imaginou Amin vestido com uma túnica muçulmana dourada, o rosto coberto por um lenço, deixando apenas seu olhar incandescente à vista, invadindo a joalheria sobre um alazão branco para resgatá-la do perigo, tal como num filme romântico.
Mas ali não havia cavalo, nem romance, nem Amin, e sua fantasia foi desfeita assim que sentiu o membro de Jacob impiedoso forçando sua entrada para dominá-la.
Aquilo doía muito, era como se estivessem rasgando-a aos poucos à medida que Jacob avançava cada vez mais, sem dar-lhe a chance de se acostumar àquela invasão.
Os dedos de Hannah se agarravam ao mostrador e seus seios balançavam junto com seu corpo, refletindo o forte impacto das investidas do marido lá atrás, enquanto seus olhos se marejaram e as lágrimas começaram a escorrer.
Ela arfou, se debateu e tentou se livrar, mas Jacob tinha as mãos aferradas nela e não lhe daria esta oportunidade.
– Pare… por favor, pare… – foi tudo que ela conseguiu murmurar, mas sua voz saiu tão baixa que não impunha nenhuma autoridade.
– Isso, minha putinha, pede clemência, suplica, vai! É assim que eu gosto de enrrabar uma cadela! – O marido rosnava e seguia metendo cada vez mais incisivamente, achando que ela estava brincando.
– Não, eu não dou conta, tira isso daí!
– Puta tesão, você sabe mesmo como agradar um homem, putinha! Assim eu não aguento, vai me fazer gozar!
– É sério, está machucando, eu nunca fiz por aí!
– Ah, um cuzinho virgem! Porra, é todo apertadinho, que delícia!
Não era a intenção de Hannah, mas aquelas últimas palavras fizeram Jacob atingir o clímax. O marido gozou cravando os dedos em sua cintura, despejou seus jorros lá dentro e logo em seguida parou de mover-se, pulsando e sentindo o membro meio anestesiado pelo aperto em volta dele.
Quando saíram da joalheria, as boas lembranças de Hannah sobre aquele local haviam sido borradas, conspurcadas pelo que acabara de viver. Por todo o caminho até sua casa, Jacob ia feliz, assobiando, como se aquilo tivesse sido somente mais um joguinho entre os dois, enquanto Hannah vinha trancada dentro de si mesma, como um mecanismo de proteção.
Ela jurava para si mesma que aquilo nunca mais aconteceria, nem que tivesse que pedir o divórcio grávida de oito meses. Jacob, contudo, agora já nem pensava no que ocorrera. Sua mente estava longe, imaginando como seria currar daquela maneira a mulher do quiosque de perfumes, aquela muçulmanazinha interessante.
Enquanto isso, não muito longe dali, Najla sofria pela ausência do marido. Amin andava em São Paulo. Seu tino para os negócios o levara a pensar em abrir uma loja de verdade, algo chique e refinado e, por isso, estava visitando importadores de perfumes, selecionando uma nova coleção e verificando todos os detalhes logísticos e de desembaraço fiscal.
Seu marido não estava ali justo hoje, quando a carência de Najla se fazia insuportável. E a culpa era daquele homem sedutor, que passou quase meia hora no quiosque se insinuando e jogando indiretas para ela.
Ele era bonito, ousado e, segundo sua esposa lhe havia contado, insaciável. Najla chegou em casa e foi direto para o quarto, sentindo um fogo dentro de si como quando era virgem e sonhava o dia em que se entregaria a um homem, antes do casamento.
Não queria ver os sogros, que ficariam perguntando sobre quando ela engravidaria. Queria Amin. Queria também aquele outro homem, o do quiosque. Queria qualquer homem capaz de aplacar aquele desejo que sentia corroer-lhe as entranhas.
Mal entrou na suíte do puxadinho nos fundos do terreno, livrou-se das roupas e foi para o chuveiro. Um banho era o que ela precisava, queria limpar-se, deixar escorrer pela água aquela libido, até não pensar mais naquele maldito judeu do shopping.
Contudo, ao sentir a água morna correndo por seu belo corpo enquanto ensaboava suas intimidades, com o sexo inchado de vontade e os seios duros de desejo, foi invitavel que Najla descesse a mão pela virilha e começasse a se tocar.
Seus dedos lhe friccionavam as carnes lá embaixo, se introduziam em seu sexo e até mesmo entre suas nádegas, enquanto ela gemia e sua imaginação a fazia acreditar que estava sendo usada e abusada por aquele outro homem, o judeu descarado que traia a esposa e queria devorá-la inteira.
Com os olhos fechados e a boca carnuda semi-aberta, encostada na parede do box com uma mão entre as pernas e outra beliscando seus mamilos escuros, Najla entregou-se àquele devaneio, fustigando a si mesma e sentindo ondas de calor percorrerem sua pele morena, até desfazer-se num orgasmo abafado e silencioso que a deixou tremendo inteira.
Suas pernas falharam logo em seguida e Najla foi escorregando pela parede até ficar encolhida no canto, com as pernas tremendo e o corpo pulsando, tentando recobrar a razão e rindo sozinha.
Em seu transe momentâneo, enquanto sonhava que se entregava com devassidão ao homem assanhado do quiosque, Najla nem percebeu que não estava sozinha…
Youssef, seu sogro, havia ido procurá-la na puxadinho a pedido de Amira, sua sogra, pois o jantar estava esfriando na mesa. Desde fora da suíte, ouviu os gemidos abafados da nora e ficou preocupado, achando que ela deveria estar doente.
Terminou entrando e sua curiosidade se atiçou ao ver que os gemidos vinham do banheiro. Pela porta entreaberta, viu Najla nua pela primeira vez e descobriu seu corpo escultural de carnes provocantes, o qual sempre estivera escondido entre roupas sisudas.
A primeira coisa que lhe ocorreu é que seu filho tivera muita sorte, ter uma mulher linda como ela era um presente do profeta e poucos homens podiam gozar de uma esposa como Najla.
Contudo, seu segundo pensamento não foi tão inocente. Sentiu inveja do filho, tendo aquela mulher inteira disponível para si, enquanto ele pouco desfrutava de Amira depois de vinte e cinco anos casados. Seu membro adormecido ficou alerta e sua boca salivou, reflexos do desejo que nascia ali.
Então, como uma negação ao segundo pensamento, veio o terceiro: Najla estava masturbando-se na ausência do marido, o que era um pecado. Mulheres não deviam tocar-se daquela maneira, era “haram”, proibido pelas leis de sua religião.
Mulheres que se tocam no chuveiro, se satisfazendo sozinhas, desonram os maridos e nunca têm filhos…
Ali estava a resposta!
Se Najla não engravidava, era porque estava sendo castigada por seus pecados da carne! Allah tudo vê, tudo sabe – e é implacável na hora de castigar os impuros!
Saiu da suíte antes que Najla o visse, um tanto atordoado. O pecado se instalara em sua casa na forma daquela mulher devassa, com seu corpo provocante e beleza sem igual, para fazer a desgraça cair sobre eles!
Contrariar as determinações divinas não era algo menor, como aquele deslize que Amin cometeu no passado deitando-se com uma judia. Najla era uma mulher casada e Youssef não podia deixar aquilo de lado. Mas o que ele, o chefe da família, deveria fazer?
(CONTINUA)
