Tenho que desabafar isso em algum lugar e aqui ninguém me conhece. Nomes trocados, o resto aconteceu do jeitinho que eu vou contar.
Me chamo Bruno, 23 anos. Morei três anos numa república em Curitiba enquanto fazia faculdade, aí veio estágio que não virou efetivação, dinheiro acabou e eu voltei pra casa do meu pai em Joinville. Meu pai casou de novo faz uns três anos, quando eu já tava fora, com a Cláudia. Ela tem 42, é professora de pilates, ruiva de cabelo cacheado, corpo de quem malha todo dia e um sorriso que deixa qualquer um sem graça. Eu mal conhecia ela, a gente se via em natal e aniversário e só.
Meu pai é engenheiro de obra, sai 6 da manhã e volta 8, 9 da noite. A Cláudia dá aula no estúdio de manhã e à noite, e de tarde fica em casa. Eu fazia um curso de programação terça e quinta à tarde, então na teoria eu quase nunca tava em casa no mesmo horário que ela sozinha.
Na teoria kkk
Numa quinta o professor cancelou a aula em cima da hora. Voltei pra casa umas 3 da tarde, entrei quieto porque achei que não tinha ninguém, o carro dela nem tava na frente (depois descobri que tava na revisão). Fui pra cozinha pegar água e ouvi um barulho. Tipo um zumbido baixinho. E junto um gemido.
Primeira coisa que pensei foi que ela tava passando mal. Juro. Fui andando pelo corredor devagar e a porta do quarto deles tava entreaberta, uns quatro dedos de fresta. E eu olhei.
Cara.
Ela tava deitada na cama, pelada, com as costas apoiadas numa pilha de travesseiro, perna aberta, joelho dobrado, com um vibrador rosa na mão. O celular do lado tocando alguma coisa com fone só num ouvido. De olho fechado. A outra mão apertando o peito, puxando o bico. E mexendo aquele troço devagar, em círculo, e respirando fundo, e soltando um "hmmm" baixinho que eu ouço até hoje quando fecho o olho.
Eu devia ter virado as costas. Eu sei. Qualquer pessoa normal virava as costas e saía de casa e fingia que não viu nada.
Eu fiquei.
Fiquei ali parado no corredor, sem respirar, com o coração batendo na garganta e o pau tão duro que doía dentro da calça. Ela foi acelerando, arqueou as costas, abriu mais a perna, enfiou o vibrador e ficou tirando e colocando, e aí mordeu o lábio e falou alguma coisa que eu não entendi. Uns dois minutos depois ela tremeu inteira, a perna fechou sozinha, e ela soltou um gemido mais alto, longo, que foi morrendo até virar risadinha.
Aí eu acordei. Voltei na ponta do pé, saí pela porta da frente, fechei devagar e fiquei rodando o quarteirão uns 40 minutos. Quando voltei fiz questão de bater o portão com força e gritar "cheguei!". Ela veio da cozinha de legging e camiseta, cabelo preso, cheirando a banho.
"Ué, não tinha aula hoje?"
"Cancelaram."
"Ah que pena. Quer café? Acabei de passar."
E eu ali, tomando café na frente dela, sem conseguir olhar no olho, tentando pensar em qualquer coisa que não fosse ela arqueando as costas naquela cama.
Pior que não passou. Só piorou.
Desde aquele dia eu não conseguia mais ver a Cláudia sem ficar de pau duro. Sério, era automático, parecia castigo. Ela abaixava pra pegar uma panela no armário de baixo e pronto. Ela passava de toalha no corredor e pronto. Ela sentava no sofá com a perna em cima de mim pra ver novela com meu pai e eu tinha que botar almofada no colo. Toda vez que ela ria de alguma coisa eu lembrava da risadinha depois que ela gozou.
E aí eu fiz a coisa que me dá vergonha de escrever aqui.
Na terça seguinte eu não fui pro curso. Saí de casa no horário normal, fiquei na praça mexendo no celular e voltei umas 3 da tarde, entrando quieto, tênis na mão. E a porta tava entreaberta de novo. E ela tava lá de novo.
Descobri que era quase ritual. Terça e quinta, depois do almoço, casa vazia, ela deitava, botava o fone e se tocava. Às vezes com o vibrador, às vezes só com os dedos, às vezes de bruços com o travesseiro no meio das pernas rebolando devagar. Eu comecei a matar aula direto. Ficava no corredor, encostado na parede, olhando por aquela fresta e me tocando junto com ela, bem devagar pra não fazer barulho, gozando na mão feito um moleque e depois correndo pro banheiro do corredor pra limpar.
Três semanas assim. Seis vezes. Eu sei o número exato porque cada vez eu jurava que era a última.
E durante o resto da semana era a coisa mais normal do mundo. Ela me perguntando se eu queria ovo mexido. Meu pai falando da obra. Os três vendo filme no domingo. E eu ali com o segredo mais sujo da minha vida queimando por dentro e o pau latejando toda vez que ela esticava o braço pra pegar a pipoca.
Aí veio a quinta que mudou tudo.
Cheguei quieto como sempre, tênis na mão, fui pro corredor. Porta entreaberta. Ela na cama, de lado dessa vez, virada pra porta, a mão no meio das pernas, os dedos brilhando. Olho fechado. Eu me encostei na parede, abri a bermuda, e comecei.
Foi aí que ela abriu o olho.
Direto na fresta. Direto em mim.
Eu congelei. A mão parada no pau, a boca aberta, o sangue sumindo do corpo inteiro. Tinha certeza que ela ia gritar, que ia puxar o lençol, que ia ligar pro meu pai, que eu ia ser expulso de casa naquele dia e ia dormir na rodoviária.
Ela não fez nada disso.
Ela ficou me olhando. Uns três segundos. A mão dela não parou. Continuou mexendo, devagar, em círculo, sem desviar o olho de mim. E aí ela fechou os olhos de novo e continuou como se nada tivesse acontecido, só que agora gemendo mais alto. Bem mais alto.
Eu saí dali correndo, sem fechar a bermuda direito, peguei o tênis e fugi pra rua. Rodei a cidade até escurecer. Mandei mensagem pro meu pai que ia jantar na casa de um amigo e só voltei depois das 11, quando todo mundo já tava dormindo.
Na manhã seguinte meu pai já tinha saído. Eu desci pra cozinha rezando pra ela estar no estúdio. Ela tava na bancada, de roupa de ginástica, tomando café, mexendo no celular. Nem levantou o olho.
"Bom dia, Bruno."
"Bom dia."
Fui pegar a xícara, as mãos tremendo. Ela deu um gole no café, largou o celular na bancada, e falou naquele tom calmo de quem pede pra passar o sal:
"Terça que vem você vai matar aula de novo?"
Eu quase derrubei a garrafa térmica.
Ela levantou, lavou a xícara dela, passou do meu lado, e antes de sair da cozinha parou e falou baixinho perto do meu ouvido:
"Se for vir, pelo menos para de ficar escondido atrás da porta."
E foi embora pro estúdio.
Isso foi numa sexta. Faltam três dias pra terça e eu não sei se vou ter coragem.
Se tiverem interesse eu conto o que aconteceu na terça.