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Entre o ódio e você | Capítulo 04

Um conto erótico de -Th1ago
Categoria: Gay
Contém 3277 palavras
Data: 26/09/2026 15:13:42

CAPÍTULO 4

LEONARDO

Gustavo Montenegro.

Desde que saí daquela faculdade, aquele nome não saía da minha cabeça. Não porque eu tivesse ficado encantado com ele ou porque aquela proximidade na escada tivesse significado alguma coisa para mim. Eu sabia exatamente por que estava ali e, principalmente, sabia quem era aquele garoto antes mesmo de colocar os pés naquela sala. Passei semanas pesquisando a família Montenegro, descobrindo seus negócios, seus hábitos, seus relacionamentos e tudo aquilo que pudesse me aproximar de Augusto Montenegro. Eu não tinha entrado naquela faculdade por acaso. Nada naquela história era por acaso.

Pelas fotos que encontrei, Gustavo não parecia ser gay. Não havia nada nas imagens públicas dele que entregasse aquilo. Nas redes sociais, aparecia exatamente como qualquer outro garoto de uma família rica: roupas caras, viagens, eventos, restaurantes, festas e fotografias ao lado dos pais. Mas bastaram poucas horas ao lado dele para perceber algo que as fotografias não mostravam.

Era meio óbvio. O jeito como ele me olhava, como ficava nervoso quando eu me aproximava e a maneira quase desesperada com que tentava disfarçar aquilo entregavam muito mais do que ele provavelmente imaginava.

Eu não precisava de uma confissão. Bastava observar.

E aquilo facilitava muito mais as coisas do que eu havia imaginado, afinal, eu precisava de uma porta de entrada na família Montenegro e Gustavo acabara de se transformar nela.

O mais interessante era que ele claramente escondia aquilo do próprio pai. Augusto Montenegro tinha construído durante décadas uma imagem de homem perfeito, poderoso, dono de uma família perfeita e de uma vida perfeita. Mas bastava olhar um pouco mais de perto para perceber as rachaduras.

Augusto tinha dinheiro. Tinha influência. Tinha empresas. Tinha uma família que aparecia nas revistas e nas colunas sociais. Mas não tinha controle sobre tudo, e eu sabia disso melhor do que ninguém.

Minha mãe havia passado anos tentando sobreviver às consequências daquele homem. Eu tinha visto o que Augusto era capaz de fazer quando ninguém estava olhando. Vi minha mãe adoecer, perder a vontade de viver e carregar durante anos uma dor que ela nunca conseguiu abandonar completamente. Vi minha irmã crescer sem saber quem era o próprio pai. E o mais absurdo de tudo era que Augusto continuava vivendo como se nada tivesse acontecido.

Ele nunca foi atrás dela.

Nunca procurou saber como estava.

Nunca tentou descobrir como havia crescido.

Aquilo dizia muito sobre o homem que eu queria destruir. Ele era tão arrogante, tão ocupado demais com o próprio poder, que sequer havia se dado ao trabalho de conhecer a filha que deixou para trás.

Isso tornava meu trabalho muito mais fácil. Se ele parasse na minha frente, não reconheceria meu rosto. Talvez nem imaginasse que o garoto que estava entrando na vida de seu filho carregava uma história que ele havia tentado esquecer.

Eu não queria simplesmente prejudicar Augusto Montenegro. Queria destruir tudo aquilo que ele levou uma vida inteira para construir: seu império, sua família, sua reputação e aquela vida perfeita de aparências que ele fazia questão de mostrar para o mundo.

Queria que ele perdesse o controle.

Queria que olhasse para a própria família e percebesse que nada daquilo era tão perfeito quanto ele gostava de fingir.

E, principalmente, queria que ele descobrisse que não conhecia as pessoas que estavam mais próximas dele.

Era por isso que Gustavo era tão importante.

Eu não conseguiria chegar até Augusto diretamente. Precisava chegar até o filho dele. Precisava fazer Gustavo confiar em mim, entrar na vida dele, conhecer sua rotina, sua família, seus amigos e seus segredos. Precisava fazer com que ele me levasse para dentro daquela casa sem perceber que, no momento em que abrisse a porta para mim, estaria permitindo que eu chegasse exatamente onde queria.

Augusto Montenegro seria o meu verdadeiro alvo.

Gustavo seria o caminho.

Na verdade, eu já tinha pensado em tudo antes mesmo de colocar os pés naquela faculdade. Meu plano era simples: me aproximar de Gustavo, tornar-me seu amigo, ganhar sua confiança e, através dele, entrar na família Montenegro até chegar a Augusto. Eu tinha imaginado que seria fácil.

Pelas pesquisas que fiz, Gustavo parecia exatamente o tipo de garoto com quem eu conseguiria me enturmar sem grandes dificuldades: família rica, faculdade de Direito, festas, garotas... Eu já conseguia imaginar nossas conversas sobre baladas e as meninas que apareciam nesses lugares. Talvez até fosse divertido fingir que estávamos interessados nas mesmas garotas enquanto eu me aproximava cada vez mais dele.

O problema é que bastou olhar para Gustavo por algumas horas para perceber que minhas pesquisas tinham deixado escapar uma informação importante: ele era gay. E aquilo, de certa forma, complicava meu plano. Não porque eu tivesse algum problema com isso, mas porque eu não fazia a menor ideia de como agir.

Eu não conhecia absolutamente nada daquele universo. Não sabia conversar sobre Madonna, Lady Gaga, Beyoncé ou qualquer outra diva que, pelo que eu imaginava, todo garoto gay conhecia por obrigação. Eu mal sabia diferenciar uma música da outra. Se ele começasse a falar sobre algum desses assuntos, eu provavelmente ficaria olhando para ele com a mesma expressão de quem acabou de ouvir uma língua estrangeira.

Cheguei até a achar graça da situação. Eu, que tinha passado semanas estudando a família Montenegro, os negócios de Augusto, a rotina de Gustavo e praticamente tudo que consegui encontrar sobre eles, não tinha me preparado para a possibilidade de precisar descobrir como conversar com um garoto gay sem parecer um completo idiota.

Talvez eu tivesse que aprender algumas coisas.

Não por interesse pessoal, claro. Era apenas mais uma parte do plano.

Pelo menos era isso que eu dizia a mim mesmo.

E eu já tinha decidido como faria aquilo. Não seria rápido e nem impulsivo. Eu não queria uma vingança que terminasse em uma noite. Queria algo muito maior. Queria entrar devagar, ganhar espaço, conquistar confiança e, quando Augusto finalmente percebesse o que estava acontecendo, já seria tarde demais.

O primeiro dia tinha sido melhor do que eu esperava.

Gustavo tinha me entregado o próprio celular, tinha deixado que eu me aproximasse.

Tinha ficado nervoso perto de mim.

E agora eu tinha uma informação que poderia ser ainda mais útil do que o próprio sobrenome dele.

Ele estava escondendo quem era, e pessoas que escondem alguma coisa costumam ter medo de perder o controle da própria mentira.

Nos dias seguintes, comecei a mandar algumas mensagens. Nada exagerado, muito menos que pudesse parecer planejado. Apenas perguntas simples.

Como você está?

A febre melhorou?

Está descansando?

Vai voltar para a faculdade?

Gustavo respondia.

Às vezes demorava.

Às vezes respondia quase imediatamente.

E, pouco a pouco, eu conseguia enxergar a personalidade dele por trás das mensagens. Gustavo era mais sensível do que parecia. Tinha sido criado em uma família onde tudo precisava parecer perfeito, mas carregava uma necessidade enorme de ser ouvido. Talvez por isso estivesse respondendo tão facilmente.

Eu não precisava pressioná-lo. Só precisava estar presente.

Quando ele perguntou se eu estava sentindo sua falta, fiquei alguns segundos olhando para a tela.

Aquilo era melhor do que eu esperava, pois significava que ele já estava começando a criar uma expectativa.

Respondi apena um Talvez.

Não queria entregar demais. Ainda não. Eu precisava que ele viesse até mim. Enquanto isso, havia outra pessoa que precisava entrar no meu radar.

Carla.

A melhor amiga.

Eu tinha observado os dois desde o primeiro dia. Gustavo confiava nela, contava coisas para ela e parecia não ter nenhuma dificuldade em demonstrar quem realmente era quando estava ao lado dela.

Eu não precisava conquistar apenas Gustavo. Precisava conquistar o mundo dele, pois quando chegasse a hora de destruir Augusto Montenegro, eu queria estar tão dentro daquela família que ninguém seria capaz de perceber que eu havia entrado ali para derrubá-la.

Quando saí da faculdade, a realidade me acertou de novo. Não havia motorista esperando por mim, apartamento de luxo ou alguém perguntando se eu precisava de alguma coisa. Peguei o ônibus como fazia todos os dias e conferi o horário no celular. Eu precisava correr. Minha irmã sairia da escola em menos de quarenta minutos, e eu ainda precisava passar no mercado antes de buscá-la. Talvez fosse estranho pensar que, poucas horas antes, eu estava planejando como destruir um dos homens mais poderosos do Rio de Janeiro e, naquele momento, minha maior preocupação fosse saber se ainda tinha leite em casa.

Minha irmã tinha seis anos e era a única coisa no mundo que eu jamais permitiria que alguém machucasse. Depois que minha mãe morreu, muita coisa mudou. Eu ainda era novo demais para entender completamente o que significava ser responsável por outra pessoa, mas não tive escolha. Enquanto outras pessoas da minha idade descobriam festas, primeiros relacionamentos e o que queriam fazer da vida, eu aprendia a fazer comida, conferir tarefa de escola, separar uniforme e acordar cedo para preparar café da manhã.

Aprendi a fazer tranças, mesmo depois de passar quase uma hora assistindo a vídeos na internet porque não conseguia acertar o cabelo dela. Aprendi a reconhecer quando ela estava triste apenas pelo jeito como fechava a porta do quarto. E, principalmente, aprendi que algumas pessoas simplesmente não podem se dar ao luxo de desistir.

Cheguei à escola poucos minutos antes do horário de saída e fiquei encostado no muro esperando. Assim que o portão abriu, dezenas de crianças começaram a aparecer, carregando mochilas maiores do que elas. Procurei pelo rosto conhecido até enxergá-la correndo na minha direção.

- Léo! - ela gritou, vindo praticamente voando e se jogando nos meus braços. Segurei-a no colo e dei um beijo em sua testa.

- E aí, pequena?

- Você demorou.

- Demorei?

- Muito.

- Foram só alguns minutos.

Ela cruzou os braços, fazendo uma expressão séria que me fez rir.

- Para mim foi muito.

- Desculpa. - Coloquei-a no chão e peguei sua mochila. - Como foi a escola?

- Chata.

- Alguma novidade?

Ela pensou por alguns segundos.

- A professora falou que eu tenho que levar uma foto do meu pai.

Meu sorriso desapareceu.

- Para quê?

- É um trabalho sobre família.

Ela falou aquilo com a maior naturalidade do mundo, mas senti alguma coisa apertar dentro do peito.

- E você falou que não tem?

- Eu falei que tenho pai. - Ela abaixou a cabeça. - Só que não sei onde ele está.

Fiquei em silêncio. Ela ergueu os olhos novamente.

- Ele mora longe?

- Mora.

- Muito longe?

- Bastante.

- Ele sabe que eu existo?

Respirei fundo e me agachei diante dela. Olhei para aquele rostinho e, por um instante, enxerguei minha mãe. A mesma pergunta que ela provavelmente tinha feito tantas vezes. A mesma ausência que havia acompanhado nossa família durante anos.

- Sabe.

- Então por que nunca vem me ver?

Olhei para aquele rosto pequeno e tentei encontrar uma resposta que uma criança de seis anos pudesse entender.

- Porque algumas pessoas fazem escolhas erradas.

Ela ficou me olhando.

- Ele não gosta de mim?

- Não fala isso. - Passei a mão pelo cabelo dela. - Isso não tem nada a ver com você. Você não tem nada de errado.

- Mas ele nunca veio.

- Eu sei.

Abracei-a por alguns segundos.

- Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Ela sorriu de volta.

- Então você é meu pai?

A pergunta me desmontou. Fiquei alguns segundos sem conseguir responder.

- Não. Eu sou seu irmão.

- Mas você cuida de mim.

- Porque sou seu irmão.

- Então é quase a mesma coisa.

Soltei uma risada baixa.

- Você está certa!

Ela segurou minha mão e começou a andar ao meu lado, falando sobre a escola, sobre uma menina que tinha roubado seu lápis e sobre o desenho que queria assistir quando chegasse em casa. Eu respondia a tudo, fingindo estar prestando atenção em cada detalhe, embora minha cabeça ainda estivesse presa naquela pergunta.

Ele sabe que eu existo?

Sim.

Sabia.

Augusto sabia que tinha uma filha. Sabia que minha mãe havia engravidado. Sabia que aquela criança existia. E mesmo assim nunca apareceu. Nunca bateu à nossa porta. Nunca perguntou como ela estava. Nunca quis saber se tinha os olhos da mãe, se gostava de desenhar, se tinha medo do escuro ou qual era sua comida favorita.

Nada.

Enquanto caminhávamos, minha irmã apertou minha mão.

- Léo?

- Oi.

- Você vai ficar comigo para sempre?

Olhei para ela.

- Vou.

- Promete?

- Prometo.

Ela sorriu satisfeita e voltou a falar sobre outra coisa.

Eu não sabia se conseguiria cumprir aquela promessa para sempre. Mas sabia que faria tudo o que estivesse ao meu alcance. Era por ela que eu trabalhava. Era por ela que eu tinha voltado a estudar. Era por ela que eu havia engolido meu orgulho quando aceitei o dinheiro de Augusto depois da morte da minha mãe.

E também era por ela que eu ainda queria vingança.

Talvez fosse fácil me chamar de monstro quando se olhava apenas para o que eu pretendia fazer. Eu também sabia que estava entrando na vida de Gustavo com uma mentira. Sabia que pretendia usar a confiança de um garoto que não tinha culpa das escolhas do pai.

Mas toda vez que minha irmã perguntava por que o pai nunca tinha aparecido, eu lembrava da minha mãe. E toda vez que lembrava da minha mãe, lembrava de Augusto.

Eu não queria destruir Gustavo.

Nunca foi ele o meu alvo.

O problema era que, para chegar até Augusto Montenegro, eu precisaria passar pelo filho dele.

E, pela primeira vez desde que comecei aquele plano, percebi que talvez essa fosse a parte mais difícil.

Porque destruir um inimigo era fácil.

Difícil seria continuar enxergando Gustavo apenas como uma peça depois que ele começasse a confiar em mim.

Quando chegamos em casa, minha irmã largou a mochila no sofá e correu para a televisão, mas eu a interrompi antes que conseguisse ligar o aparelho.

- Nem pense nisso. Primeiro você vai comer e depois fazer a tarefa.

- Mas eu estou com fome!

- Por isso mesmo. Vai lavar as mãos.

Ela fez uma careta, mas obedeceu. Fui para a cozinha preparar o almoço enquanto ela lavava as mãos. A casa onde morávamos não era grande, mas também estava muito longe de ser aquela casa apertada onde passamos os primeiros anos depois de fugir do meu pai. Havia quartos suficientes para nós dois, uma cozinha decente, móveis bons e tudo aquilo que uma criança precisava para crescer com algum conforto. Minha irmã tinha um quarto só dela, cheio de livros, brinquedos e desenhos espalhados pelas paredes. Eu tinha feito questão de que ela tivesse aquilo.

Só havia uma coisa que tornava cada detalhe daquela casa difícil de aproveitar completamente.

O dinheiro.

O dinheiro de Augusto Montenegro.

Às vezes eu olhava para alguma coisa que tinha comprado para ela e me lembrava de onde aquele dinheiro tinha vindo. O material escolar, as roupas, os livros, a escola, os móveis daquela casa. Tudo tinha saído daquele cheque que eu jurava nunca aceitar. Eu ainda conseguia sentir o peso do envelope nas mãos quando o recebi depois da morte da minha mãe. Naquele momento, eu odiei Augusto mais do que nunca. Queria rasgar aquele cheque na frente de quem quer que tivesse enviado, mas então olhei para minha irmã e percebi que orgulho não colocaria comida na mesa.

Augusto Montenegro era um filho da puta. Isso não havia mudado.

Mas, pelo menos, aquele dinheiro tinha servido para alguma coisa.

Serviu para que minha irmã tivesse uma infância diferente da minha. Serviu para que ela pudesse estudar em uma escola boa, tivesse um quarto bonito, pudesse comer sem que eu precisasse contar os últimos reais da carteira. Serviu para que eu pudesse voltar a estudar sem precisar escolher entre uma mensalidade e a comida do mês.

E talvez fosse justamente isso que mais me incomodava.

Eu precisava admitir que uma parte da vida que eu havia construído para minha irmã só existia por causa do homem que eu mais odiava.

- Léo!

A voz dela me trouxe de volta.

- O quê?

- Você está queimando a comida!

Olhei imediatamente para o fogão.

- Merda!

Ela começou a rir enquanto eu desligava o fogo.

- Não tem graça.

- Tem sim.

- Vai sentar.

- Você não manda em mim.

- Hoje mando.

Ela cruzou os braços, tentando parecer séria, mas acabou rindo novamente.

Servi o almoço e me sentei diante dela. Durante a refeição, ela falou sem parar sobre a escola, e novamente sobre uma menina que tinha pegado seu lápis sem pedir e sobre uma atividade que a professora havia passado. Eu ouvia tudo enquanto tentava esconder o sorriso e prestava atenção como se fosse a primeira vez que ela me contava aquilo.

Depois do almoço, ajudei-a com a tarefa. Ela tinha dificuldade em algumas palavras e ficava irritada quando errava, então eu fazia questão de ter paciência.

- Não é assim. Olha novamente.

- Eu não consigo.

- Consegue sim. Você só está com pressa.

Ela respirou fundo, voltou para o começo da palavra e tentou outra vez.

- Acertei!

- Viu?

Ela abriu um sorriso enorme.

- Eu sou inteligente.

- Muito.

- Mais inteligente que você?

- Nem nos seus sonhos.

Ela riu e voltou para o caderno.

Fiquei observando-a por alguns segundos. Talvez aquela fosse a única coisa que realmente importava. Tudo o que eu tinha feito desde a morte da nossa mãe tinha sido por aquela menina. Eu não queria que ela crescesse sentindo a mesma ausência que eu senti. Não queria que ela precisasse perguntar por que o pai nunca apareceu. Não queria que ela precisasse conhecer a dor que minha mãe carregou até o fim.

Eu queria dar a ela uma vida normal.

Mesmo que, para isso, precisasse usar justamente o dinheiro do homem que havia destruído a nossa família.

Quando terminei de ajudá-la, deixei que ela fosse assistir televisão enquanto eu arrumava a cozinha. Foi então que peguei meu celular e encontrei uma nova mensagem.

Gustavo: Você acompanha futebol?

Fiquei olhando para a tela por alguns segundos. Aquilo não estava exatamente no roteiro que eu havia imaginado.

Leonardo: Por quê?

Gustavo: Porque você joga, não joga?

Leonardo: Jogo.

Gustavo: Então me diz uma coisa. Você viu que o Flamengo vai jogar no fim de semana contra o Vasco?

Um sorriso apareceu no meu rosto.

Leonardo: Vi.

Gustavo: Você torce para o Flamengo?

Leonardo: Sou flamenguista.

Gustavo: Então já começamos mal.

Leonardo: Por quê?

Gustavo: Vasco.

Parei por alguns segundos antes de responder.

Leonardo: Então realmente começamos mal.

Gustavo: Pelo menos meu time tem história.

Leonardo: Você realmente quer começar essa discussão?

Gustavo: Quero.

A conversa continuou por vários minutos. Começamos discutindo futebol e terminamos falando sobre jogadores, campeonatos, estádios e histórias de jogos que tínhamos assistido. Eu não esperava que Gustavo realmente acompanhasse futebol. Pelas coisas que eu tinha pesquisado sobre ele, imaginava que fosse muito mais interessado nas festas, nas roupas caras e naquele mundo de gente rica em que havia crescido. Mas ele sabia do que estava falando.

E era divertido conversar com ele.

Percebi que estava sorrindo para a tela e parei imediatamente.

Aquilo não fazia parte do plano.

Eu tinha escolhido aquele garoto porque ele era a minha porta de entrada para Augusto Montenegro. Cada conversa deveria ter um propósito. Cada aproximação deveria me levar um pouco mais para dentro daquela família.

Mas, naquela noite, por alguns minutos, eu simplesmente esqueci disso.

Gustavo: Tá quieto. Perdeu a discussão?

Leonardo: Jamais.

Gustavo: Então admite que eu estou certo.

Leonardo: Você sonha alto.

Gustavo: Boa noite, flamenguista.

Leonardo: Boa noite, vascaíno.

Bloqueei o celular, mas continuei pensando naquela conversa. Não deveria ser tão fácil conversar com ele.

Talvez porque, pela primeira vez, Gustavo não estivesse falando comigo como filho de Augusto Montenegro.

Estava falando comigo apenas como Gustavo.

E eu precisava tomar cuidado com isso.

Porque quanto mais eu conhecesse aquele garoto, mais difícil poderia ficar lembrar que ele fazia parte da família que eu queria destruir.

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Comentários

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Sempre vou ficar admirado com sua capacidade de criar boas histórias, Thiago! Você é bom demais!

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Aiiii que ódio cara! Como pode vc fazer isso com a gente!? Ao mesmo tempo que fico chateado com i Leonardo, eu também entendo ele e talvez fizesse o mesmo que ele. O plano dele é tão simples, mas com aberturas. Uma pessoa tão "poderosa" como o Gustavo não saber da aparência atual dele e da irmã?! Acho meio presunçoso, pessoas como o Augusto tedem ser um pouco calculista demais e não tem problemas de sujar as mãos e bom, ele já se monstrou bem sujo e nojento. Mas enfim, já tou gostando da construção desse casal, ver ele se apaixonado aos pouco pelo Gustavo torna tudo tão interessante.

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Você gosta de ir de apaixonando assim, pouco a pouco? Hehehe

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