Continuando a história…
Renato caminhou até o estacionamento privativo do bar com a mente em brasa. A conversa com Matheus foi uma jogada cirúrgica de manipulação, mas o gosto na boca ainda era amargo. Ele sacou as chaves do bolso, destravou o veículo que já estava estava destravado, e abriu a porta do motorista. No exato instante em que sentou e apoiou os pés no pedal, dois braços musculosos e firmes emergiram da penumbra do banco traseiro, envolvendo seu pescoço num golpe de estrangulamento preciso.
— Mas que porra é essa?! — Renato rosnou, o ar faltando nos pulmões. Ele projetou os cotovelos para trás, tentando usar a força do tronco para se desvencilhar, mas a pegada era de ferro, técnica, desenhada para anular qualquer reação.
Antes que conseguisse girar o corpo, uma corda de náilon trançada foi passada com agilidade ao redor de sua cintura, travando seus braços contra o encosto do banco em nós firmes e rápidos.
— Me solta, caralho! O que você quer de mim? — esbravejou Renato, o peito subindo e descendo desordenadamente.
Sem emitir um único ruído desnecessário, o homem no banco de trás soltou o pescoço de Renato, usou o espaço central do veículo e passou para o banco do passageiro dianteiro. À luz fraca do poste do estacionamento, a iluminação recortou o maxilar marcado, os ombros largos e o olhar sereno do detetive Marcos.
— Marcos?! Que porra você tá fazendo aqui? Ficou louco? Por que me amarrou desse jeito? — Renato vociferou, chocado.
Marcos ajustou a posição no banco, sem levantar o tom de voz. O olhar do ex-policial não transparecia raiva, mas sim uma gravidade densa, carregada de um sentimento que ele claramente tentava conter.
— Eu tô te observando há dias, Renato. Vendo os passos que você tá dando, as pessoas com quem tá se metendo — disse Marcos, com a voz grave e pausada. — Para com o que você tá fazendo. Se você continuar mexendo com essa gente e esticar essa corda com a prefeitura, você vai preso. Ou coisa pior.
— Não tô entendendo onde você quer chegar com essa cena — Renato retrucou, estreitando os olhos. — O César te pagou pra ser o capanga dele agora? Veio fazer o trabalho sujo?
— O César não tem nada a ver com a minha vinda aqui — Marcos cortou, olhando no fundo dos olhos dele. — Eu tive que te amarrar pra gente ter uma conversa cara a cara, sem você sair pisando no acelerador.
Marcos projetou o corpo para a esquerda, inclinando-se sobre o console central e ficando a milímetros do rosto de Renato. A proximidade física fez a temperatura dentro do carro subir. O hálito quente de Marcos tocava a pele do pescoço de Renato, e o aroma de couro e perfume amadeirado do detetive preencheu o cabine. O olhar de Marcos vacilou por um segundo, traindo a fachada profissional e revelando a paixão reprimida que sentia pelo político.
Renato, percebendo a hesitação e acostumado a ler o desejo nos homens, curvou os lábios num sorriso provocativo.
— Acho que eu já sei exatamente por que você veio aqui... — murmurou Renato.
Sem dar tempo para Marcos reagir, Renato projetou o tronco para a frente e selou seus lábios nos do detetive num beijo profundo, quente e dominador. A língua de Renato invadiu a boca de Marcos, arrancando do ex-policial um suspiro baixo. O corpo de Marcos amoleceu por um segundo fração de segundo — o suficiente para que Renato, que já havia afrouxado a tensão do nó usando a largura dos ombros, desnudasse os braços da corda.
Com um movimento rápido e explosivo, Renato empurrou a porta do motorista, agarrou Marcos pela cintura e, aplicando a alavanca do próprio peso contra a postura desatenta do detetive, projetou o corpo de Marcos para fora do carro. O ex-policial caiu de costas sobre o chão de terra batida do estacionamento.
Renato recompôs o terno em um segundo. Do chão, Marcos não esboçou raiva; em vez disso, abriu um sorriso maroto, limpando a poeira do braço enquanto encarava o político com um olhar de puro fascínio. Renato deu a partida, acelerou o motor com força e saiu cantarolando pneus, deixando o detetive para trás na noite.
Na manhã seguinte, o Palácio Municipal amanheceu sob uma calmaria aparente. Renato organizava os relatórios no gabinete quando seu celular tocou. Era César, exigindo sua presença imediata na cobertura.
Ao chegar ao apartamento, Renato encontrou um cenário radicalmente diferente do chiqueiro dos dias anteriores. César estava barbeado, vestindo um terno alinhado, embora o rosto ainda ostentasse resquícios de inchaço do soco que levara. O ar de derrocada dera lugar a uma euforia arrogante.
— O Matheus esteve aqui mais cedo — contou César, servindo-se de um café e caminhando pela sala. — Veio com um papo furado de que não quer mais nada comigo, que tá confuso... Pouco me importa. O que importa é que meu novo advogado é um gênio. Conseguimos acertar um valor alto com a equipe que tava na frente do inquérito do desvio. A investigação vai ser arquivada por falta de provas nas próximas semanas.
Renato encarou o ex-chefe. A revelação de que a corrupção pura e simples havia salvado César mais uma vez não o surpreendeu, mas destruiu o último resquício de ilusão. Ele forçou uma expressão neutra, mantendo a máscara profissional.
— Que excelente notícia, César. É uma vitória para a sua trajetória.
— Eu sou imbatível nesta cidade, Renato. Você devia saber disso — disse César, ostentando o sorriso presunçoso de sempre.
Ao sair do prédio de César, Renato não voltou para a prefeitura. Guiou o carro diretamente até o endereço de Marcos. Subiu os degraus até a porta e bateu. Quando Marcos abriu, vestindo apenas uma calça jeans e sem camisa, Renato entrou sem pedir licença, carregando uma pasta de couro contendo as cópias das provas contra o Secretário Gustavo.
— Trouxe as provas — disse Renato, jogando a pasta sobre a mesa da sala. — O César me disse hoje cedo que conseguiu arranjar um esquema pra subornar o pessoal do inquérito. A acusação vai ser arquivada. Não importa o que eu faça, aquele desgraçado vai sair de cabeça erguida, como se nada tivesse acontecido.
Marcos caminhou até Renato, parando a uma distância curta. Ele colocou as mãos pesadas sobre os ombros de Renato, olhando-o com firmeza e carinho.
— Renato, tira esse rancor do coração. Isso só tá te destruindo por dentro — disse Marcos, com voz suave. — Infelizmente, a justiça institucional é falha. O dinheiro e o poder mandam nas estruturas. Quando o César reassumir o cargo, se afaste das loucuras dele. Não misture mais o pessoal com o profissional. Faça o seu trabalho, receba o seu e construa a sua vida.
Renato baixou a guarda, suspirando fundo enquanto sentia o peso das mãos de Marcos em seus ombros.
— Você tem razão, Marcos. Não tem como eu querer ser o justiceiro num jogo onde as regras já vêm viciadas.
Nas semanas seguintes, uma mudança silenciosa começou a operar na vida de Renato. Ele manteve contato diário com Marcos através de mensagens e ligações. Não havia cobranças, jogos de poder ou chantagens emocionais. A relação fluía com uma leveza que Renato jamais experimentou, permitindo que ele se mostrasse vulnerável e autêntico pela primeira vez em anos.
Essa transformação interna o levou a tomar a atitude mais adiada de sua vida pessoal. Em um domingo à noite, Renato sentou-se na sala de sua casa com a esposa. Após anos de uma rotina burocrática, morando sob o mesmo teto como dois estranhos em uma união de aparências, ele pediu o divórcio.
A conversa foi surpreendentemente serena. Sua esposa, que mantinha o casamento por medo de romper a zona de conforto e encarar o julgamento social, concordou sem brigas.
— Eu sei que nós nos amamos de verdade no começo — disse Renato, segurando a mão dela com respeito. — Mas nós nos perdemos no caminho. Eu não quero que você viva presa a um teatrinho. Vou financiar a abertura de um negócio pra você, um empreendimento próprio, pra que você tenha total independência financeira e estabilidade. É o mínimo que posso fazer por tudo o que passamos.
Ela chorou, agradecida pela honestidade e pelo suporte. A separação foi ajustada sem traumas legais.
Enquanto isso, nos bastidores da câmara municipal, o vereador Matheus reatou o namoro com seu ex. Longe da influência de César e sem o deslumbramento do dinheiro fácil da prefeitura, o jovem passou a viver seu relacionamento de forma aberta e sem esconder o afeto que sentia.
Conforme o esperado, a acusação formal contra César foi arquivada judicialmente por insuficiência de provas materiais. Para evitar desdobramentos sobre improbidade administrativa em mandatos anteriores, o ex-prefeito firmou um acordo financeiro, quitando uma fiança pesada através de um empréstimo bancário de alto valor.
Livre das acusações, César reassumiu a cadeira titular de Prefeito de Campinas. Voltou ao Palácio Municipal exalando a mesma arrogância e prepotência de sempre, convencido de sua impunidade. César não aprendeu nada com a queda. Renato, por sua vez, aprendeu tudo.
Renato assinou os papéis definitivos do divórcio e honrou a palavra dada à ex-esposa, estruturando e quitando o ponto comercial de um salão de beleza de alto padrão para que ela gerenciasse. Ele deixou a antiga casa da família para ela e alugou uma cobertura ampla em um edifício moderno no centro da cidade.
Sozinho no apartamento novo, cercado por caixas e pela vastidão do espaço, Renato sentiu que o cenário estava pronto, mas faltava a peça fundamental. Faltava Marcos. Ele percebeu que o detetive foi o único homem a enxergá-lo de verdade e a amá-lo sem exigir a máscara do homem público perfeito.
As trocas de mensagens entre os dois haviam esfriado ligeiramente nos últimos dias, mantendo-se no campo cordial. Marcos estabeleceu aquele limite para não se machucar, crente de que Renato ainda estava preso à sua dinâmica de negação. O ex-policial sequer sabia do divórcio.
Renato pegou o celular e ligou para Marcos, convidando-o para jantar em um restaurante reservado naquela mesma noite. Curioso com o tom calmo do político, Marcos aceitou.
Quando Marcos chegou ao restaurante e se aproximou da mesa reservada ao fundo, travou por um instante. Renato não vestia os ternos escuros e engomados de costume; usava uma camisa de linho leve, com os primeiros botões abertos, um sapatênis e uma postura relaxada, sem a rigidez institucional de outrora.
— Nossa... como você tá diferente — comentou Marcos, puxando a cadeira e sentando-se.
— Mudei o estilo — disse Renato, sorrindo genuinamente. — Aquelas roupas me faziam lembrar do quão preso e sufocado eu vivia.
— Fico feliz de te ver assim — disse Marcos, observando o rosto de Renato. — Você tá mais leve, tá sorrindo... Aconteceu alguma coisa que você não me contou?
— Aconteceu — Renato inclinou-se para a frente. — Eu me divorciei. Resolvi tudo com a minha ex-mulher. Aquela vida de aparências acabou.
Marcos piscou, surpreso, absorvendo a informação.
— Nem acredito... Tô conhecendo um homem totalmente novo hoje. Confiante, decidido.
— Esse tempo sozinho me fez entender que eu tava vivendo uma vida que não era minha — disse Renato, olhando fixamente para o detetive. — E me fez entender outra coisa. Eu não te deixei entrar na minha vida antes por medo. Me arrependo de não ter te valorizado como você merecia. O que a gente viveu foi a coisa mais real que já me aconteceu. Mas eu entendo se pra você a fila já tiver andado.
Marcos encarou Renato por alguns segundos em silêncio. Um sorriso lento e caloroso surgiu em seus lábios.
— Pra mim também foi real, Renato. E quem disse que é tarde pra gente?
— Como assim? — Renato prendeu a respiração.
— E se eu te falar que eu não deixei de gostar de você nem por um segundo?
— Eu também não deixei de gostar de você — admitiu Renato, com a voz embargada. — Me desculpa por ter sido tão frio e calculista antes. Eu ainda tenho chance com você?
— E como tem — respondeu Marcos.
Renato estendeu a mão por cima da mesa e segurou a mão de Marcos, entrelaçando seus dedos firmemente. Pela primeira vez na vida, não olhou para os lados para ver se alguém observava. Os olhos de Marcos lacrimejaram levemente ao ver a entrega de Renato.
— Desta vez vai ser diferente, Marcos. Prometo que não vou te decepcionar. Não quero mais esconder o que eu sinto por você.
Após o jantar, Renato levou Marcos para conhecer seu novo apartamento. O imóvel ainda tinha poucos móveis, mas transbordava amplitude.
— Gostei do espaço — comentou Marcos, olhando ao redor. — Agora sim tá a sua cara.
Eles caminharam até o quarto principal. A luz suave do abajur iluminava a cama de casal enorme. Sem pressa e sem a urgência desesperada dos encontros clandestinos do passado, Renato e Marcos tiraram as roupas, apreciando cada detalhe do corpo um do outro.
Eles se deitaram. Renato posicionou-se sobre o peito de Marcos, distribuindo beijos carinhosos por seu tórax peludo, sentindo o calor e o ritmo da respiração do detetive. Marcos havia ganhado um pouco de peso desde a última vez em que se viram, apresentando uma leve camada de gordura sobre a musculatura forte.
Renato desceu o corpo, beijando a barriga de Marcos e descendo até a parte interna de suas coxas. A entrega de Marcos era total; ele fechava os olhos e suspirava alto a cada toque de Renato, sentindo o tesão crescer. Renato pegou o uma camisinha na gaveta da cabeceira, vestiu seu pau e posicionou-se entre as pernas de Marcos, iniciando a penetração de forma contínua e firme.
— Que saudade de você, Marcos... — sussurrou Renato, ajustando o ritmo do quadril.
— Vem, Renato... fode meu cu... — pediu Marcos, a voz rouca, puxando o político pelo pescoço para selar os lábios num beijo intenso, trocando saliva e suspiros.
A cadência era forte, ritmo de dois homens maduros se entregando com paixão e cumplicidade. Marcos levou a mão ao próprio pau, numa punheta ao ritmo das estocadas de Renato, até que soltou um gemido grave e jorrou porra sobre o próprio abdômen.
— Goza pra mim... — pediu Marcos, olhando nos olhos de Renato.
Renato acelerou os movimentos por mais alguns segundos, sentindo a pressão do orgasmo atingir o ápice. Ele retirou a camisinha com agilidade, ajoelhou-se sobre a cama e aproximou seu pau da boca de Marcos. O detetive abocanhou a rola de Renato, chupando com vontade até que Renato soltou um urro de prazer e descarregou seus jatos de porra diretamente na boca. Marcos engoliu tudo, limpando os lábios com a língua antes de puxar Renato para o seu peito.
Os dois ficaram deitados, suados, recuperando o fôlego. Marcos passou a mão pela própria barriga, dando uma risada fraca.
— Tô meio fora de forma... Passei umas semanas sem treinar direito, ganhei um peso.
Renato subiu no peito de Marcos, apoiou o queixo em seu tórax e deu um selinho em sua boca.
— Escuta aqui: eu não tô com você por causa de um padrão de academia. Se você quiser ficar mais cheinho ou sarado, eu vou te querer do mesmo jeito. Eu amo quem você é, o homem que você é comigo. Esquece essa neura.
Marcos sorriu, genuinamente emocionado. Acostumado a relacionamentos superficiais no meio gay onde a cobrança estática por corpos perfeitos era implacável, ouvir aquilo do homem que amava trouxe uma sensação inédita de paz e aceitação.
No dia seguinte, no Palácio Municipal, César mantinha sua rotina de negociatas e desvios de verbas. O ex-prefeito estava em sua sala quando a secretária anunciou uma reunião agendada com o Dr. Diego, médico cirurgião e diretor do Hospital Municipal, para tratar sobre o desabastecimento de insumos e equipamentos médicos.
Renato, que gerenciava a entrada de visitantes, autorizou a entrada do médico. Ao abrir a porta, deu de cara com o Dr. Diego: um homem de 1,80m, 35 anos, com porte físico de fisiculturista, pele alva e olhos verdes impressionantes. O jaleco branco parecia prestes a rasgar nos braços volumosos e no peitoral largo.
— Boa tarde, Prefeito — disse Diego, entrando na sala com postura firme. — Vim cobrar pessoalmente o prazo para a entrega dos medicamentos. O hospital tá sem estoque e os leitos estão lotados.
César não conseguia tirar os olhos do peitoral e das costas do médico. A presença física de Diego o desarmou instantaneamente.
— Sente-se, Doutor, por favor — disse César, gaguejando levemente antes de recompor a postura. — Tivemos imprevistos burocráticos. Eu estava justamente cobrando os fornecedores por e-mail. Lamento a situação do hospital.
— Com todo respeito, Prefeito, o senhor não está cumprindo o que acordamos em ata — pressionou Diego.
— Pode me chamar de César — disse o Prefeito, lançando um olhar sugestivo. — Não precisa dessa formalidade toda entre nós.
Diego, percebendo a atração evidente nos olhos do Prefeito, decidiu jogar o mesmo jogo para tentar acelerar as demandas do hospital.
— Que tal um drink depois do seu expediente para discutirmos os detalhes desse relatório com mais calma? — sugeriu o médico.
— Excelente ideia — respondeu César, entusiasmado. — Vou te passar meu WhatsApp pessoal. Me manda uma mensagem assim que sair do plantão.
Assim que Diego saiu da sala, César chamou Renato imediatamente.
— Porra, Renato! Você viu aquele médico?! Que homem espetacular! — exclamou César, rindo.
Renato, sem qualquer paciência para as vanglorias de César, manteve a expressão neutra.
— É um homem bonito, César.
— Liga para aquela loja de ternos e pede pra entregarem um terno novo aqui no gabinete agora. Hoje eu vou pegar esse médico de jeito — ordenou o Prefeito.
Renato encarou César friamente.
— Desculpe, César, mas não vai ser possível. Eu tenho relatórios urgentes da secretaria para fechar e não faço mais esse tipo de serviço pessoal. Fale com a sua secretária.
César piscou, boquiaberto com a recusa direta e o tom seco de Renato. Sem o antigo capataz para paparicá-lo, o Prefeito teve que recorrer à secretária para fazer o pedido.
À noite, César buscou Diego na porta do hospital. O médico vestia uma roupa elegante, porém casual. Eles foram a um restaurante sofisticado e reservado.
— César, que lugar incrível — comentou Diego. — Se eu soubesse, teria me arrumado melhor.
— Você está impecável — elogiou César, servindo o vinho seco. — Um homem com o seu porte fica bem com qualquer roupa. Você deve treinar feito um louco pra ter esse corpo.
— Eu já competi no fisiculturismo quando fazia faculdade de medicina — contou Diego, sorrindo. Ele pegou o celular e mostrou fotos de dez anos atrás, onde aparecia apenas de sunga de competição, ostentando um físico hipertrofiado e rasgado.
César engoliu em seco ao ver as fotos, o álcool do vinho aumentando seu tesão.
— Com um corpo desse, as médicas do hospital devem enlouquecer — provocou César.
— Médicas e médicos — corrigiu Diego, sem rodeios. — Recebo cantadas de todos os lados. E, dependendo do homem...
— Você tá certo... Um homem charmoso e forte como você tem mais é que aproveitar — disse César, inclinando-se na mesa.
— E você, Prefeito... é um homem muito atraente. Se não estiver ocupado depois daqui, eu adoraria saber o que você faria comigo.
— Não brinque com fogo, Doutor — avisou César, com o olhar queimando.
Ao saírem do restaurante e entrarem no carro de César no estacionamento escuro, a tensão acumulada explodiu. Diego não esperou e partiu para cima de César, iniciando um beijo voraz, trocando salivas pesadas. César baixou os bancos dianteiros. Eles se despiram rapidamente no espaço do veículo.
César começou a chupar o pau de Diego, descendo a língua até o cuzinho do médico. Pelos gemidos e pela reação do corpo de Diego, César percebeu que, apesar do porte viril de fisiculturista, o médico era absolutamente passivo na intimidade. César colocou uma camisinha no pau, posicionou Diego de quatro sobre o banco e iniciou a penetração ali mesmo.
— Isso, César... fode meu cu... — gemia Diego, segurando no encosto de cabeça.
A sessão continuou com Diego cavalgando sobre o pau de César no banco traseiro. O calor dentro do veículo embaçou totalmente os vidros com insufilm escuro. Diego atingiu o orgasmo primeiro, sujando o tórax de César. Em seguida, César gozou na boca do médico, que engoliu a porra dele com vontade. Eles se recomposseram e César deixou Diego em sua casa, combinando novos encontros.
Os dias se passaram. César continuou encontrando-se secretamente com o Dr. Diego em seu consultório no hospital durante os intervalos de plantão, engatando uma rotina de encontros puramente sexuais.
Paralelamente, Renato e Marcos consolidavam a vida a dois. Em uma sexta-feira à tarde, Renato recebeu uma mensagem de Marcos avisando que precisaria viajar de última hora para o interior do estado para atender a um cliente da agência de detetives. Ao ler a mensagem, Renato sentiu um aperto doloroso no peito — a certeza definitiva de que amava Marcos profundamente e que não sabia mais viver longe dele.
Dias depois em uma noite, enquanto Renato lia um livro na cama de seu apartamento, o interfone tocou repetidamente. Estranhando o horário, Renato vestiu um calção e desceu até a portaria. Ao olhar pelo vidro da entrada, viu Marcos parado na calçada com uma mochila nas costas.
Renato abriu a porta de vidro e, sem dizer uma única palavra, envolveu o detetive num abraço apertado, selando seus lábios num beijo apaixonado na frente do prédio.
— Cara... eu tô tocando o interfone há um tempão — riu Marcos. — Achei que você não tava.
— Por que não me avisou que tava voltando hoje? — perguntou Renato, com os olhos brilhando.
— Queria te fazer uma surpresa. E, pelo seu entusiasmo, vejo que valeu a pena. Já tô indo pro meu apartamento...
— Nem pensar! — cortou Renato, pegando a mochila de Marcos. — Você some por dias e acha que vai embora assim? Você vai subir e vai dormir comigo hoje.
Eles subiram para a cobertura. No quarto, a saudade represada transformou-se em uma entrega física intensa e carinhosa. Marcos fodeu Renato suavemente, enquanto ambos se olhavam nos olhos e trocavam declarações baixas durante todo a penetração, culminando num orgasmo duplo e calmo.
Na manhã seguinte, Renato acordou e viu que Marcos não estava na cama. Assustado com a possibilidade de ele ter saído cedo, foi até a cozinha e encontrou a mesa posta com pão fresco, bolo e café quente.
— Bom dia, meu amor — disse Marcos, surgindo com duas xícaras.
Renato sorriu de orelha a orelha, caminhou até ele e o beijou.
— Bom dia, amor... Você foi à padaria?
— Fui. Acordei mais cedo e quis preparar isso pra você.
Renato segurou as mãos de Marcos, olhando no fundo de seus olhos com absoluta certeza.
— Marcos... essa sua viagem me fez ter certeza de tudo. Eu te amo. Quer namorar comigo? Quer ser meu namorado de verdade, pra todo mundo saber?
Marcos sentiu os olhos lacrimejarem. Ele puxou Renato para um abraço apertado e o beijou com paixão.
— Claro que eu quero, meu amor!
Na semana seguinte, César chamou Renato em seu gabinete na prefeitura.
— Renato, ammanhã vou dar um jantar de gala no buffet perto do meu prédio — contou César. — Vou receber prefeitos da região, deputados e senadores para alinhar um pacto de turismo. Já separei o seu convite e o da sua esposa.
— César, eu esqueci de te avisar — disse Renato, num tom calmo. — Eu me divorciei da minha esposa. Já estou em outro relacionamento.
César piscou, chocado.
— Como assim você se separa, engata outro namoro e não me conta nada?!
— Eu prezo pela minha privacidade — respondeu Renato, firme.
A resposta fria foi um golpe no ego de César, que percebeu que perdeu o posto de confidência na vida de Renato.
Na noite do evento, Renato e Marcos arrumavam-se no apartamento. Marcos vestia um smoking ajustado, comprado por Renato.
— Amor, você tem certeza que quer me assumir na festa do César, no meio de um monte de políticos conservadores? — perguntou Marcos.
— Tenho absoluta certeza — disse Renato, ajeitando a gravata do namorado. — Eu passei a vida inteira escondendo quem eu sou. Você me libertou, Marcos. Se eu não for com você do meu lado, eu não vou com mais ninguém.
Eles foram juntos ao evento de gala. O salão do buffet estava repleto de autoridades. Entre os convidados, destacava-se o Prefeito de Gramado: um homem de 50 anos, forte, vaidoso e grisalho, que ostentava procedimentos estéticos impecáveis.
César, alcoolizado após algumas taças de champanhe, passou a noite flertando abertamente com o Prefeito de Gramado, ignorando a presença de Diego, que também foi convidado. Magoado com a postura promíscua e desrespeitosa de César, o Dr. Diego pegou suas coisas e foi embora do evento sem se despedir.
César, percebendo a saída de Diego e movido pelo desejo de inflar o próprio ego, aproximou-se de Renato e Marcos perto do bar.
— Olá, Renato. Olá, Marcos — disse César, com um sorriso debochado. — Renato, cadê a acompanhante que você disse que ia trazer?
— É o Marcos — respondeu Renato, de cabeça erguida. — O Marcos é o meu namorado.
César soltou uma gargalhada curta e preconceituosa.
— Como é que é?! Renato, você largou a sua mulher pra namorar o detetive? Mas você pelo menos arranjou uma mulher de fachada pra manter no sigilo, né?
Renato deu um passo à frente, encarando César com um desprezo cortante.
— Com todo respeito, César, você tá sendo abertamente homofóbico e medíocre. Eu não preciso de mulher de fachada pra provar minha masculinidade pra ninguém. Eu amo o Marcos e não vou esconder a minha vida por causa de um preconceito bobo. Você devia olhar no espelho e ter vergonha da figura patética que você se tornou, tratando o Diego como lixo enquanto se rasteja pro outro prefeito. Toma vergonha na cara.
Renato virou as costas, pegou a mão de Marcos e caminhou para fora do salão. César ficou parado, pálido e atônito, vendo seu antigo subordinado sair de cabeça erguida ao lado do homem que amava.
Tomado pela raiva, pela humilhação e pelo excesso de álcool, César chamou o Prefeito de Gramado e o levou para sua cobertura. Naquela noite, em seu próprio quarto, César entregou-se a um encontro puramente físico e passivo com o político visitante. O Dr. Diego, que decidiu ir ao apartamento de César para tentar conversar, usou a senha da fechadura eletrônica, entrou na sala e flagrou César de quatro na cama dando o cu para o Prefeito de Gramado. Sem dizer uma palavra, Diego chorou em silêncio e foi embora para sempre da vida de César.
No dia seguinte, o Prefeito de Gramado despediu-se e partiu. César despertou sozinho em seu apartamento luxuoso, ciente de que trocou a oportunidade de construir algo real com Diego por uma noite de sexo anestésico para alimentar o próprio ego.
Meses se passaram. Renato e Marcos oficializaram a união e passaram a morar juntos na cobertura de Renato. Perderam o medo do julgamento alheio e passaram a caminhar de mãos dadas pelas ruas da cidade, vivendo o amor com plenitude, dignidade e liberdade.
Com o tempo, a relação profissional entre Renato e César encontrou um novo ponto de equilíbrio. Voltaram a conversar de forma mais aberta no Palácio Municipal. Renato continuou gerenciando os bastidores políticos da prefeitura e acobertando as manobras orçamentárias de César — agora, cobrando porcentagens altíssimas por seus serviços de inteligência, garantindo sua própria independência financeira e o futuro ao lado de Marcos.
César seguiu sua vida superficial, colecionando encontros casuais e transitórios. Renato, por sua vez, encontrou o topo do poder e o verdadeiro amor, finalmente em paz com a própria história.
/// Leitores.
Esse foi o final dessa saga, o prefeito arrogante, é prepotente com um ego gigantesco não amadureceu nada em sua jornada, mas o Renato que começou tendo uma obsessão enorme no prefeito teve uma ruptura ao conhecer o Marcos, fazendo ele amadurecer e a se libertar dessa fachada de hétero que curte transar com homens no sigilo.
O que vocês acharam dessa saga?
Bjs 😘
