O dia estava quieto lá fora, para ser sincero. O canto dos pássaros almados era a única coisa que chegava em meus ouvidos, além dos gritos que meu pai dava do outro lado da porta para as subordinadas.
Levantei, irritado.
Era meu aniversário de 18 anos e meu pai já começava o dia gritando, como sempre.
Não era exatamente a primeira vez que ele gritava com alguém. Na verdade, seria estranho se aquela casa passasse um dia inteiro sem que sua voz ecoasse pelos corredores. Ainda assim, naquele dia, cada palavra parecia me incomodar mais do que o normal.
Era hora de tomar a minha decisão, por mais que doesse em mim.
Abri o velho baú aos pés da cama e comecei a colocar minhas coisas dentro dele. Algumas roupas, um cantil, algumas moedas e os poucos objetos que ainda tinham algum significado para mim. Não havia muito o que levar.
Eu não pretendia voltar, de qualquer forma.
Parei por alguns segundos quando encontrei uma pequena lembrança do meu irmão entre minhas coisas. Segurei-a na mão e senti aquele velho aperto no peito.
Meu irmão.
Era por ele que eu estava fazendo aquilo.
— Onde você pensa que vai?
A voz veio da porta.
Meu corpo ficou rígido.
Olhei por cima do ombro e encontrei meu pai parado no batente. Os braços estavam cruzados, a boca segurando o cigarro que deixava cair cinzas no meu chão de madeira, e seu olhar percorria o quarto até finalmente encontrar a mala aberta sobre a cama.
— Vou procurar meu irmão — respondi.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Depois soltou uma risada curta, sem humor.
— Você não vai a lugar nenhum. Tá com 18 e pensa que ja é adulto, é?
Fechei o baú com força.
— Ele fugiu de casa.
— E isso não é problema seu, porra.
Aquilo me fez virar completamente para ele.
— Ele é meu irmão.
— E eu sou seu pai.
As palavras ficaram suspensas entre nós.
Meu pai entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. O som da tranca pareceu mais alto do que deveria.
— Você acha que pode simplesmente sair daqui, seguir qualquer pista que encontrar e voltar quando quiser? — perguntou.
— Não pretendo voltar.
Seu rosto mudou.
Por um instante, vi algo diferente em seus olhos. Provavelmente raiva, ou o orgulho quebrando. Afinal, o filho prodígio dele estava o desobedecendo.
— Você não sabe o que está fazendo, Hiro.
— Então me diga.
Ele não respondeu, apenas manteve o olhar para mim.
— Você sabe onde ele está, não sabe?
— Não.
— Para de mentir para mim!
— Não levante a voz para mim, seu pirralho de merda!
O grito ecoou pelos meus ouvidos e, por um instante, a memória do meu irmão me protegendo do nosso pai bêbado veio na minha cabeça.
— Passei semanas perguntando sobre ele. Todos aqui fingem que nada aconteceu. Você manda os outros calarem a boca e espera que eu faça o mesmo.
— Eu já falei, chega disso!
— Não. — Minha voz saiu mais firme. — Nem todos são obedientes a você, pai!
Meu pai cerrou os dentes.
— Seu irmão fez escolhas.
— Escolhas? Ele saiu de casa por culpa sua!
Silêncio.
— Eu vou encontrá-lo.
Passei por ele e peguei a mala.
Ele segurou meu braço, forte.
— Se sair por aquela porta, não espere que eu vá atrás de você.
Olhei para a mão dele e depois para seu rosto.
— Acho bom mesmo.
Ele me soltou e eu caminhei até a porta, com os olhos lacrimejando.
Por alguns segundos, fiquei parado, com a mão sobre a maçaneta.
Eu não sabia o que encontraria lá fora. Não sabia quanto tempo levaria para encontrar meu irmão, nem se ele sequer queria ser encontrado.
Mas sabia de uma coisa: se eu permanecesse naquela casa, nessa prisão, eu jamais descobriria a verdade.
Abri a porta e fui embora. Deixei para trás as pobres subordinadas que aguentavam o mau humor do meu pai todo dia, todas as lembranças das poucas vezes que meu pai conseguia ser carinhoso comigo.
Era hora de encontrar meu irmão.
...
A estrada até a cidade pareceu muito mais longa do que eu esperava.
Quando finalmente avistei as muralhas de pedra de Valdoren, o sol já começava a desaparecer atrás das montanhas. Torres antigas cercavam a cidade, iluminadas por algumas tochas, enquanto carroças e viajantes passavam pelo enorme portão de madeira.
Eu tentei entrar sem chamar muita atenção.
Ainda carregava minha mochila nas costas e a pequena bolsa de moedas presa ao cinto. Tinha algumas peças de ouro comigo, mas não sabia quanto tempo precisaria ficar fora de casa. Era melhor economizar.
Se meu irmão estivesse aqui, tenho certeza que ele cuidaria de mim.
Depois de caminhar por algumas ruas estreitas, encontrei uma construção que parecia ser uma espécie de taverna. A placa pendurada sobre a porta estava quase ilegível, mas ainda dava para distinguir o desenho de uma caneca rachada.
Entrei.
O cheiro de mofo foi a primeira coisa que me atingiu. O álcool barato, carne velha e o suor vieram depois.
O lugar estava lotado. Havia homens enormes espalhados pelas mesas, alguns com cicatrizes no rosto, outros com armaduras gastas. E, entre eles, alguns ogros. Grandes o suficiente para me fazerem parecer uma criança perto deles.
Eu tentei não demonstrar que estava intimidado, estufei o peito e caminhei até o balcão.
A moça que atendia me encarou, de cima para baixo e sorriu para mim.
— O que vai ser?
Coloquei uma moeda de ouro sobre o balcão, tentando parecer despreocupado.
— Água.
Ela olhou para a moeda, depois olhou para mim e começou a rir.
— Água?
— Isso. Uma garrafa, por favor.
— Você sabe quanto vale isso?
— Sei.
Ela continuou rindo enquanto pegava um copo de madeira.
— E você vai pagar uma água com uma moeda de ouro?
Dei de ombros.
— Algum problema?
Ela balançou a cabeça, ainda divertindo-se com a situação, e empurrou o copo em minha direção.
— Toma, príncipe.
Peguei o copo e bebi. Foi provavelmente a pior água que já tomei na vida, mas era água. Eu acho.
Enquanto eu colocava o copo sobre o balcão, percebi uma sombra enorme se aproximando por trás de mim, olhei para cima e vi que um ogro estava parado ali.
Ele devia ter quase o dobro da minha altura. Tinha braços enormes, dentes tortos e uma cicatriz atravessando parte da sobrancelha. Diferente dos outros, porém, não parecia bêbado ou agressivo. Apenas curioso.
— Você é novo aqui? — perguntou, com uma voz rouca, acenando com a cabeça para bartender que voltava a atender outros clientes.
— Sou.
Ele puxou uma cadeira e sentou ao meu lado. A madeira rangeu sob seu peso e ele lançou mais um olhar curioso para meu lado.
— De onde você veio, criança?
Eu olhei para ele com uma expressão irritada.
— Primeiro: eu não sou uma criança. — disse, olhando para aquele sujeito. — Segundo, você não precisa saber.
O ogro riu de mim, mas continuou me encarando.
— Vim de longe. — finalmente respondi.
— Longe quanto?
— Algumas horas daqui.
Ele franziu a testa.
— Que lugar?
— Uma vila.
— Qual vila?
Olhei para ele.
— Uma vila pequena.
O ogro ficou me encarando por alguns segundos. O olhar dele entregava que ele estava se divertindo daquela situação. Ele se inclinou até mim e eu encolhi meu corpo, afastando-me o máximo possível dele.
— Você é uma presa fácil, garoto. — proclamou, lambendo os lábios e voltando a encostar as costas na cadeira. — Seu cabelo está arrumado demais, tira esse penteado loiro para o lado e desarruma. Suas roupas são muito amarrotadas, o que indica que você não deveria estar aqui.
Eu engoli em seco e desabotoei um botão da minha camisa. O ogro olhou para mim, erguendo a sobrancelha, e assobiou, rindo.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou, encarando a pele nua do meu peito.
— Eu estou procurando meu irmão.
O sorriso do ogro desapareceu por um instante.
— Ele está desaparecido?
Assenti.
— Há quanto tempo?
— Vai fazer cinco anos amanhã.
— E pretende procurá-lo sozinho? — perguntou, encarando meus olhos como se encarasse minha alma.
— Pretendo.
O ogro soltou uma gargalhada tão alta que algumas pessoas próximas olharam para nós, mas logo viraram-se para suas bebidas e seus parceiros nas mesas.
— Você?
Olhei para ele.
— Algum problema, senhor?
— Nenhum, moleque. Só estou tentando entender como alguém do seu tamanho pretende atravessar as terras além de Valdoren sozinho.
Não respondi ao insulto dele. Quem esse homem acha que é para falar desse jeito comigo?
Ele me observou por alguns segundos, como se estivesse tentando descobrir alguma coisa e então apontou para minha mão.
— Você luta?
Olhei para os meus dedos e olhei de volta para ele, dando de ombros.
— Ah, não me diga que, além de tudo, esse bebê é um maguinho?
— Pelo menos não sou um brutamontes intrometido igual a você!
O ogro riu, mas o rosto dele assumiu uma expressão séria por um momento.
— Escuta: gostei de você. — começou. Eu revirei os olhos. — Eu estou precisando de umas forças para uma missão. Preciso de alguém habilidoso, mas na área técnica. Todos meus homens são combatentes corpo-a-corpo e nós precisamos de alguém que proteja nossa retaguarda, sabe?
Eu franzi a testa.
— Amanhã, ao pôr do sol. Me encontre na praça. A missão vale 300 moedas de ouro. É o suficiente para você se hospedar aqui e encontrar seu irmão desaparecido.
Ele levantou-se da cadeira, deixando-me confuso.
— Espera aí.
Ele virou.
— Você está me recrutando?
Ele me olhou de cima a baixo, lambendo os lábios de novo e voltou a caminhar na direção da saída do bar.
Eu engoli em seco mais uma vez.
É, pelo menos eu tenho... um norte agora.
Levantei-me do banco e ajeitei a mochila nas costas. Eu já tinha ficado tempo demais naquele lugar insalubre.
Quando passei pela porta, uma voz feminina surgiu ao meu lado.
— Ei, garoto.
Parei, confuso e olhei para o lado.
Uma elfa estava encostada na parede próxima à saída. Ela era bem mais alta do que eu, e tinha cabelos longos e prateados que desciam até a cintura. Vestia roupas escuras, elegantes e um decote que destacava os seios enormes dela.
Ela me observava com um sorriso divertido.
— Você parece perdido, bem.
— E-eu não estou. — gaguejei.
— Meus olhos estão aqui em cima, querido.
Eu saí do transe e balancei a cabeça, tentando tirar a vontade de mamar aqueles dois peitos da minha mente e finalmente fitei a mulher.
— Tenho um lugar onde você pode passar a noite.
Engoli em seco.
— Eu não tenho dinheiro para isso, mas obrigado.
Continuei andando, tentando me afastar.
Ela soltou uma pequena risada.
— Quem estava falando de dinheiro?
Fiquei desconfiado.
— Então do que está falando?
A elfa se aproximou alguns passos e abaixou a voz, ficando mais... sexy.
— De companhia, sabe? Você parece precisar de alguém que conheça a cidade.
— Eu... já tenho companhia, senhora.
— Companhia? O Zach, aquele ogro? — ela soltou uma risada. — Ele te chamou para uma missão, né? Eu acabei ficando interessada em você e ouvi a conversa... É meio estranho que ele não tenha pedido nada em troca, né? Ele é bastante conhecido por cobrar favores...
Mais uma vez, ela estufou o peito e eu quase babei. As aréolas estavam apontadas diretamente para mim. Senti uma excitação no meu baixo ventre e um calor no meu corpo.
— Olha só... — ela tocou minha barriga. — Hm. Você tem alguns músculos aqui, isso é bom. Então, meu amor, o que você me diz? Uma moeda de ouro e você tem todo meu corpo.
— E-eu...
Ela sorriu e puxou meu braço para o lado, um beco escuro.
Assim que nós dois entramos naquele beco, eu ouvi barulhos estranhos, mas reconhecíveis. Gemidos altos. Eu olhei para o lado e vi um homem, muito maior do que qualquer um, enfiando um pau monstruoso dentro da pobre elfa que gritava, mas eu não sabia se era de dor ou de prazer. Do outro lado, havia uma globin quicando em outro homem, que urrava de prazer.
— Isso, caralho! Rebola nesse pau, sua p-puta! Ngh~
Eu encolhi e tentei recuar, mas a elfa me puxou, com um sorriso confiante.
— Não fica nervoso, amor. Eu te prometo que eu faço tudo direitinho.
Ela me jogou na parede, em um canto mais confortável e silencioso e lambeu os lábios, olhando para o meu pau.
Não vou me gabar, mas eu achava meu pau muito bonito. Pelo que eu li nos livros, eu ainda tinha o meu prepúcio são e salvo, mas já li que muitas pessoas confundiam com fimose e mandavam arrancar aquele pele. Um arrepio subiu na minha espinha só de pensar. Meu pau tinha apenas um tom mais escuro que minha pele bronzeada, a cabeça rosada e era curvado para cima.
— Ah... você é grande. — disse a elfa, ajoelhando na minha frente e puxando minha calça e cueca para baixo. Gemi ao sentir o vento frio percorrendo o meu pau. — Nossa, tá babando muito...
A primeira lambida me levou aos céus. Eu gemi alto, sentindo a língua quente percorrer todo o meu pau. Recuei meus quadris devido a sensação, mas ela puxou de volta com tanta força que todo meu pau foi direto na sua boca.
— Ai, caralho! — urrei, sentindo a temperatura quente daquela boca e o músculo lambendo toda a minha extensão. — Porra, porra, porra! E-eu não... P-para.
Revirei os olhos e a elfa soltou um gemido. Senti a língua trabalhando especialmente na minha cabeça, o que me rendeu mais um gemido involuntário. Ela tirou meu pau para fora, todo lambuzado e olhou para mim do jeito mais safado que eu poderia imaginar e colocou apenas a cabeça na boca.
— N-não... — tentei dizer para ela parar, que eu não queria gastar meu dinheiro (o pouco que eu tinha) com aquilo, mas minha mente estava conectada às sensações que aquela boca me proporcionava.
Ela sugou toda o pré-gozo que vazava do meu pau.
Porra, isso é melhor do que qualquer punheta que eu bati, pensei.
Percebi que a elfa tinha colocado as duas mãos na minha bunda e estava me movimentando para frente e para trás, tentando fazer com que mais do meu pau entrasse naquela boca.
Eu me segurei por muito tempo, mas a sensação falou mais alto. Peguei os cabelos da elfa com força e enfiei o meu pau todo dentro dela, urrando de prazer.
— Isso, porra. — gemi, sentindo a língua passar bem no freio do meu pau e revirei os olhos. — C-chupa, vai.
Tentei fazer que nem o meu pai dizia quando transava com as empregadas de casa. Eu achava quente, até bati algumas ouvindo a transa dele, mas nunca tentei dizer o que ele dizia. Eu achava obsceno demais, até agora, até sentir a boca de uma mulher na minha pica.
Quando a minha pica, enfim, chegou na garganta dela, o meu limite também havia chegado.
— Argh, caralho. E-eu vou gozar. Porra, vou gozar. Ah, caralho, eu tô gozando!
Despejei todo o leite que saía do meu saco dentro da boca da elfa. Joguei a cabeça para trás, gemendo alto, sem pudor, sentindo o prazer de liberar o gozo por todo meu corpo. Senti a sucção daquela garganta engolindo tudo e eu recuei meus quadris quando a sensação foi demais.
A elfa sorriu e levantou.
— Gozou na minha boca, safado. — disse, lambendo os lábios.
Ela olhou para minha cintura e abriu o saco de moedas que eu tinha, com um sorriso divertido. Pegou duas, guardando no meio dos seus peitos.
— Obrigada pela refeição, bebê. Na dúvida, só me procurar para mais.
Eu caí no chão com a pica para fora e respirando ofegante.
Tudo que eu conseguia pensar naquele momento resumia-se a: Caralho, que porra foi essa?