✨ Apoie a Casa dos Contos e leia sem interrupções — R$36/ano. Saiba mais →

2/10: A Verdade Sob a Pele

Um conto erótico de Lia
Categoria: Trans
Contém 1412 palavras
Data: 25/09/2026 06:24:03

O espelho manchado e rachado do pequeno balneário do ginásio não mentia, mas a mente de Léo lutava desesperadamente para processar a imagem que o vidro devolvia. Durante toda a sua vida adulta, ele fora um pilar de 1,97m, uma presença que forçava todos a olharem para cima, uma montanha de carne e osso que projetava sombras longas. Agora, ao encarar o seu reflexo, ele viu o topo da moldura de madeira do espelho onde antes via apenas o seu queixo. Ele estava, sem qualquer sombra de dúvida, mais baixo — e não era apenas uma impressão de postura.

— Não pode ser... não pode ser real... — a voz de Léo saiu num sussurro, mas o timbre estava irreconhecível. O barítono áspero e gutural que costumava comandar o silêncio no ginásio fora substituído por um tom melódico e cristalino, uma nota suave que parecia vibrar com muito menos esforço nos seus pulmões.

Ele tocou o rosto com dedos trêmulos. A barba rala e desajeitada que ele cultivava como um troféu de sua masculinidade bruta simplesmente desaparecera, como se os folículos tivessem sido apagados. No seu lugar, havia uma pele de porcelana, imaculada e fria ao toque, com uma luminosidade que parecia vir de dentro. A mandíbula quadrada e agressiva parecia ter sido polida por um escultor invisível, tornando-se um oval perfeito e delicado, enquanto as maçãs do rosto subiram e se tornaram proeminentes, conferindo-lhe uma aparência exótica, quase aristocrática, que ele nunca associaria a um órfão de rua.

— Léo. O tempo é o nosso recurso mais escasso, e a sua hesitação é o único inimigo da sua grandeza.

A voz do Dr. Aris ressoou pelo pavilhão, fazendo o rapaz saltar. O cientista monumental estava parado à entrada do depósito de colchões, observando Léo com uma satisfação clínica que beirava o orgulho criativo.

— O que fizeram comigo, Aris? — Léo tentou projetar autoridade, tentou rosnar, mas o seu novo timbre traía-o a cada sílaba, soando como um sino de prata. — Eu estou encolhendo! Minha cara... parece que fui retocado por um computador. Minhas mãos estão menores. O que é isto?

Aris aproximou-se com a calma de quem domina as leis da física. Ele trazia um tablet de titânio e uma fita métrica digital. A sua presença era imponente, mas havia algo no seu olhar profundo que, para Léo, parecia quase... protetor, um calor que ele nunca sentira de nenhum adulto em sua vida.

— Otimização Biomecânica Estrutural, Léo — disse Aris, a voz profunda acalmando os nervos do rapaz como um sedativo. Ele colocou uma mão pesada, firme e quente no ombro de Léo, um gesto que o rapaz interpretou como o apoio sólido de um pai que ele nunca conheceu. — Você agora mede exatos 1,77m. Reduzimos a alavanca óssea e compactamos a densidade de cálcio para diminuir o torque desnecessário nas suas articulações. Quanto mais compacto o seu corpo, mais rápido o seu momento de inércia, mais explosiva a sua impulsão. A altura de quase dois metros era um peso morto para um ginasta de elite; era um estorvo biomecânico. Estamos refinando o seu chassi para a perfeição competitiva absoluta.

— Vinte centímetros, Aris... em uma única noite? — Léo olhou para as próprias mãos, que pareciam mais longas e elegantes, embora as veias ainda estivessem dilatadas pela circulação acelerada que ele sentia latejar nos pulsos.

— A reestruturação óssea consome uma quantidade absurda de energia ATP, por isso você sente esse calor constante, essa febre de crescimento invertido. E a sua pele... — Aris passou o polegar pela bochecha de Léo, um toque que fez o rapaz estremecer involuntariamente. — A testosterona causa inflamação cutânea crônica e oxidação celular acelerada. É um veneno para a longevidade da fibra. Nós removemos as impurezas hormonais para que o seu oxigênio vá direto para as mitocôndrias musculares, não para folículos capilares inúteis. A sua derme está mais fina para permitir uma dissipação térmica superior durante o esforço extremo. É engenharia de ponta, meu filho. Apenas confie no processo e em mim.

A palavra "filho", ainda que lançada casualmente no tom de Aris, desarmou completamente as defesas de Léo. Ele queria aquela aprovação; ele precisava daquele guia. Para provar o seu ponto, Aris conduziu Léo até os aparelhos de teste no centro do ginásio. O que se seguiu foi uma demonstração de poder que silenciou qualquer dúvida racional. Léo saltou, e o seu corpo parecia desafiar a gravidade; a agilidade era sobrenatural. Nas argolas, ele executou movimentos de força estática que antes exigiam esforço máximo com uma facilidade quase insultuosa. Ele sentia-se leve, rápido e incrivelmente mais coordenado, como se cada nervo tivesse sido mapeado e otimizado.

— Veja os dados brutos — Aris mostrou o tablet. — Sua força relativa ao peso corporal aumentou 40%. Sua velocidade de rotação no ar dobrou. Você é, neste momento, o exemplar mais ágil da história do esporte.

Léo olhou para os gráficos, sentindo um orgulho perigoso e intoxicante. Se aquele era o preço para deixar de ser um "ninguém" e tornar-se o melhor do mundo, ele estava disposto a pagar com cada centímetro de sua altura. No entanto, algo mais estava mudando de forma incontrolável. O seu cabelo, antes curto e espetado de forma agressiva, começara a crescer num ritmo biológico impossível, as pontas negras e pesadas agora roçando a nuca e os ombros com uma textura de seda pura.

— Proteção térmica orgânica para o sistema nervoso central e o bulbo — mentiu Aris com perfeição, enquanto anotava o crescimento capilar acelerado num gráfico de "estética funcional".

Nos dias que se seguiram, a metamorfose tornou-se uma tempestade. Léo sentia uma pressão constante e surda nos ossos do quadril e uma queimação profunda, quase rítmica, no baixo ventre. Dr. Aris explicou, com diagramas complexos de física, que estavam alargando a sua base pélvica para baixar o seu centro de massas, criando uma estabilidade nunca antes vista num atleta de solo. Os seus glúteos e coxas cresceram de forma explosiva, tornando-se massas densas e rígidas de músculo puro, enquanto a sua cintura afinou-se drasticamente, criando uma silhueta em ampulheta que Aris justificava como "aerodinâmica pélvica para redução de arrasto".

Léo aceitava cada explicação técnica, por mais absurda que pudesse parecer a um leigo. Ele via em Aris não apenas um cientista brilhante, mas o mentor, o salvador que o tirou do depósito mofado e lhe deu um propósito. Se Aris dizia que a expansão das ancas era para estabilidade, Léo acreditava, pois a alternativa — a verdade — era assustadora demais para ser encarada.

Certa manhã, ao tentar vestir o seu jeans de treino habitual, Léo soltou um gemido de pura frustração e dor. O tecido denso simplesmente recusou-se a subir além do meio das suas coxas agora massivas e arredondadas. Ele forçou, sentindo o músculo denso e a nova e firme camada de tecido subcutâneo resistir. Com um estalo seco e metálico, a costura lateral do jeans rasgou-se de cima a baixo, expondo a curva acentuada, branca e feminina do seu novo quadril.

Ele tentou cobrir-se com uma t-shirt larga, mas o tecido esticou-se perigosamente sobre o seu peito, onde dois volumes firmes, arredondados e doloridos começavam a projetar-se com uma urgência biológica que o fazia arquejar a cada toque do pano. Nada mais servia. As roupas masculinas pareciam agora trapos minúsculos feitos para uma criança ou para outra pessoa que ele já não habitava. Léo estava no centro do ginásio vazio, meio despido, ofegante e sentindo uma vergonha que não sabia explicar, quando o Dr. Aris entrou com passos pesados e decididos. O médico não parecia nem um pouco surpreso; ele carregava uma bolsa de couro preto com um logótipo prateado da Aethelgard.

— O seu antigo vestuário está obsoleto, Léo — Aris disse, aproximando-se com calma e entregando-lhe um conjunto de compressão em lycra preta: um top extremamente justo e uma legging que parecia pequena demais à primeira vista. — Veste isto. São tecidos inteligentes de nano compressão que acompanham a sua otimização e protegem os novos grupos musculares.

Léo vestiu a legging com as mãos trêmulas, e o material moldou-se instantaneamente às suas curvas generosas, realçando o volume massivo dos seus novos glúteos e a cintura agora minúscula, quase irreal. O top apertou os seus mamilos hipersensíveis, enviando um choque ambivalente de prazer e agonia pelo seu sistema nervoso. Ele olhou-se no espelho e viu uma silhueta que nenhum homem dezoito anos deveria ter, mas Aris apenas sorriu, colocando a mão pesada sobre o seu ombro agora delicado e sem pelos, como um pai orgulhoso da sua mais perfeita e valiosa criação.

Curta uma leitura sem interrupções.
Conheça o plano sem propagandas (R$36/ano — menos de R$3/mês) →
Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 9 estrelas.
Incentive Sayuri Mendes a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 140Seguidores: 84Seguindo: 5Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

Comentários