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Garoto do EB — T2 • EP07 | A Boca do Lobo

Um conto erótico de Michel
Categoria: Gay
Contém 2737 palavras
Data: 25/09/2026 00:14:49

A manhã seguinte nasceu cinzenta. O cheiro de café passado por Gustavo ainda preenchia a cozinha quando o som estridente do telefone fixo do apartamento cortou a casa.

Olhei para Gustavo, e a paz da noite anterior evaporou no mesmo segundo. Peguei o gancho com a mão trêmula.

— Michel! Meu Deus, finalmente! — a voz de Emiliano veio num sussurro desesperado, entrecortado pelo ruído do viva-voz de um orelhão. — Você precisa tomar cuidado! O Mello surtou de vez no alojamento!

— O que aconteceu, Emiliano?! — apertei o receptor contra o ouvido.

— O Mello percebeu que você sumiu no 'serviço externo' e acha que você foi encontrar o Valente pra entregar a cabeça dele. Ele pegou o Morales pelo colarinho na frente de todo mundo, surrou o moleque no vestiário e tá rodando a cidade atrás de você! Ele tá armado e surtado, Michel!

Antes que eu pudesse responder, o bipe de chamada em espera apitou na linha do Gustavo.

— Michel, tem outra ligação caindo no meu celular — Gustavo avisou, me entregando o aparelho dele com o número restrito na tela.

Atendi imediatamente.

— Escuta com atenção, recruta — a voz grave e inconfundível do Sargento Rocha veio limpa. Ele não estava pedindo; estava no comando. — O Brito acordou no hospital. O filho da puta percebeu que eu abafei a investigação da PE e acionou a milícia particular dele. Dois ex-policiais à paisana num Gol cinza acabaram de sair do hospital e tão indo pro seu bairro. O Brito quer você apagado antes que o dia termine.

Um suor frio escorreu pela minha espinha.

— Eu não vou deixar um oficial corrupto e dois capangas estragarem a operação que eu passei anos investigando — Rocha continuou, o tom exalando uma autoridade perigosa. — Eu já acionei o Valente. A Corregedoria de Brasília tá a caminho, mas eles precisam de um motivo pra invadir o Batalhão sem pedido de busca. E o motivo vai ser o bote do Brito.

— O que você vai fazer, Sargento? — perguntei, sentindo meu coração martelar no peito.

— Eu tô parado na esquina da rua do seu namoradinho agora. Vou interceptar esses dois capangas do Brito antes que eles cheguem no portão dele. Mas eu preciso de você fora desse apartamento. O Valente tá nos esperando num ponto neutro no centro pra alinhar a invasão. Você e o Gustavo entram no meu carro AGORA.

Olhei para Gustavo, que acenou com a cabeça sem hesitar, pegando as chaves do carro dele e ficando ao meu lado.

Desci as escadas do prédio com a sensação de estar caminhando direto para uma zona de combate. Ao cruzarmos a portaria, vi a viatura descaracterizada de Rocha parada na calçada. Mas antes que alcançássemos a porta do carro, o som de pneus cantando ecoou na rua fria.

Um Gol cinza com insulfilm escuro dobrou a esquina em alta velocidade, parando atravessado na pista.

Rocha nem piscou. Ele sacou a pistola da cintura com uma precisão assustadora, deu dois passos à frente e efetuou 5 disparos contra o carro.

Os dois capangas do Brito hesitaram por um segundo crucial. Rocha não deu margem: empurrou a mim e ao Gustavo para dentro do banco traseiro do seu SUV, assumiu o volante, engatou a marcha ré cantando pneu e arrancou, deixando os homens do Brito para trás, eles efetuaram alguns disparos mas nenhum pegou no carro em que a gente estava.

— Bem-vindos ao jogo de verdade — Rocha disse pelo retrovisor, ajeitando o óculo escuro, os olhos fixos na pista enquanto pilotava em alta velocidade rumo ao centro. — O Valente achou que controlava essa operação sozinho do lado de fora, mas quem manda no terreno do Batalhão sou eu. Nós vamos encontrar o velho agora, alinhar os homens da Corregedoria e fechar o cerco no Brito e no Mello de uma vez por todas.

Senti o braço de Gustavo se entrelaçar ao meu no banco de trás. O prazo das 48 horas estava acabando, as três frentes do inimigo tinham se chocado, e o Sargento Rocha tinha assumido o controle da bomba.

O SUV devorava o asfalto em direção ao centro da cidade, rasgando o trânsito com a sirene velada ligada. O silêncio dentro do carro era denso, quebrado apenas pelo ronco do motor e pelo chiado esporádico do rádio tático de Rocha.

Gustavo se ajeitou no banco de trás, soltando a minha mão devagar. Ele olhou pelo retrovisor interno, cravando os olhos no olhar frio do sargento.

— Sargento Rocha — a voz de Gustavo saiu surpreendentemente firme, sem o tremor que eu esperava de um civil naquele caos. — Eu quero pedir minha realocação de volta pro Batalhão.

Eu me virei para ele no mesmo instante, o choque me travando a garganta. Rocha nem piscou, apenas soltou um riso seco e debochado pelo canto da boca, ajustando as mãos no volante.

— Realocação? Tá achando que o Exército é colônia de férias, garoto? — Rocha sibilou, a voz transbordando deboche. — Você é um paisano. Um civil que nem devia tá pisando nesse carro, quanto mais dando palpite numa operação militar. Acha que porque dorme com esse recruta aí tem algum passe livre no meu Batalhão? Não fode.

— Eu tô disposto a ajudar — Gustavo insistiu, inclinando o corpo para a frente, ignorando a patada. — Eu conheço a estrutura interna, passei semanas lá dentro no apoio administrativo. Eu posso ser a ponte entre o Michel e o que vocês precisam movimentar lá dentro sem levantar as suspeitas que o Mello já tem sobre os recrutas.

— Cala a boca, rapaz — Rocha cortou seco, os olhos faiscando pelo retrovisor. — Você não aguenta cinco minutos se o Mello encostar a mão no seu pescoço. Esquece essa porra. Você vai ser desembarcado na primeira esquina e vai pra casa fingir que nada disso aconteceu.

— Rocha, escuta ele! — intervim, girando o corpo no banco e encarando o sargento de lado, a voz carregada de uma raiva contida que fez o sargento franzir o cenho. — O Gustavo não é um qualquer. Se a gente tá vivo agora, foi porque ele segurou a minha onda quando eu tava despedaçado. O Mello e os capangas do Brito sabem onde ele mora! Você acha mesmo que ele tá seguro em casa enquanto a Corregedoria enrola? Ele já tá no alvo desses desgraçados por minha causa!

Rocha manteve a cara fechada, a mandíbula travada enquanto ultrapassava um caminhão pela esquerda.

— Deixar o Gustavo na rua agora é dar uma arma na mão do Brito — continuei, usando as próprias palavras que sabia que bateriam na lógica tática do sargento. — Se pegarem ele, usam como chantagem contra mim e melam o depoimento que você precisa pra Corregedoria. Se ele tiver lá dentro, sob a sua vista e sob a sua guarda, ele vira um trunfo. A gente cobre a sua retaguarda.

Rocha ficou em silêncio por longos e angustiantes dez segundos. O som dos pneus no asfalto molhado era a única resposta. Ele deu uma baforada pesada, batendo os dedos no volante com impaciência.

— Você tem a língua afiada pra um recruta, Michel — Rocha rosnou, diminuindo a velocidade ao se aproximar do ponto de apoio. Ele olhou para Gustavo pelo retrovisor, a expressão mudando de deboche para uma frieza calculista. — Tá legal, paisano. Você quer voltar pro inferno? Eu deixo você entrar de novo na equipe de apoio técnico da guarda. Mas nada nessa vida é de graça.

— O que você quer em troca? — Gustavo perguntou, sem recuar um milímetro.

— Se eu vou colocar o meu pescoço na reta pra proteger um civil dentro da minha unidade, você vai assinar uma declaração formal de testemunha chave assim que o Valente chegar — Rocha cravou, o tom inflexível. — Não quero chilique, não quero advogado no meu pé e não quero você amarelando na hora que a Corregedoria mandar depor. Você vai ser o meu trunfo civil pra provar que o Brito usava o Batalhão pra coagir e ameaçar gente de fora. Se a casa cair, você vai até o fim comigo. Aceita ou desce do carro agora.

Gustavo olhou para mim por um segundo, segurou minha mão com força e encarou o sargento pelo retrovisor.

— Fechado, Sargento. Eu assino o que for preciso.

Rocha apenas deu um aceno de cabeça imperceptível e encostou o SUV na entrada de um galpão discreto no centro da cidade.

— Ótimo. Agora tirem a bunda do meu carro e vamos resolver essa porra com o Valente.

Descemos do carro e havia um galpão enorme.

A porta pesada de ferro do galpão rangeu quando Rocha a empurrou com o ombro. O cheiro de graxa, mofo e poeira acumulada preencheu os meus pulmões no instante em que pisamos no concreto frio. O ambiente era amplo, escuro, iluminado apenas por um holofote amarelado pendurado no centro do teto, criando sombras compridas e ameaçadoras.

Encostado em uma bancada de metal, ajeitando as mangas de uma camisa social escura, estava o ex-comandante Valente. Ao lado dele, dois homens altos, de terno e com postura impecável de agentes federais da Corregedoria, mantínhamos os braços cruzados, observando nossa chegada com uma neutralidade gélada.

— Você demorou, Rocha — Valente disse, sem erguer o tom de voz, os olhos azuis e gélidos vasculhando o grupo. Quando o olhar dele caiu sobre o Gustavo, a sobrancelha do ex-comandante se ergueu com um desdém sutil. — E trouxe visitas. Não me lembro de ter autorizado civis nesse encontro.

— Ele vem comigo, Valente — Rocha cortou seco, caminhando até o centro do galpão e batendo a palma da mão na mesa de madeira rústica. — O Brito mandou dois capangas pra porta da casa desse garoto. O cerco fechou mais rápido do que você previa no seu plano de gabinete. Se eu não tivesse chegado a tempo, o Michel tava morto e o seu dossiê tinha virado poeira.

Valente encarou Gustavo de cima a baixo, medindo a ameaça, e depois olhou para os dois agentes da Corregedoria, que apenas acenaram com a cabeça.

— Então o Brito tá desesperado — Valente concluiu, dando um passo lento na nossa direção. — O fato de ele ter acionado recursos externos só confirma que ele perdeu o controle da tropa. A Corregedoria de Brasília já validou a Pasta A-10, e também os documentos que o Michel conseguiu no Depósito B. Os mandados de prisão preventiva pro Brito e pro Mello já foram expedidos digitalmente.

— Ótimo — Rocha rosnou, cruzando os braços pesados. — Então me dá a porra das ordens que eu mesmo entro no Batalhão e coloco as algemas naqueles dois ladrões.

— Não é tão simples, sargento — um dos agentes federais interveio, a voz calma e burocrática. — Nós não podemos simplesmente invadir um Batalhão de Infantaria com agentes civis e federais sem a confirmação de que os arquivos físicos originais ainda estão intactos. Se o Mello perceber a movimentação e atear fogo no arquivo morto antes de cruzarmos o portão, a defesa deles derruba as prisões em quarenta e oito horas por falta de materialidade.

— E é aí que o Michel e esse garoto entram — Valente disse, cravando os olhos em mim. — O Mello tá surtando porque acha que o Michel tá solto na rua armando contra ele. Se o Michel retornar ao Batalhão agora, acompanhado do Gustavo como apoio administrativo civil — exatamente como o Rocha sugeriu —, o Mello vai focar toda a atenção em isolar e coagir vocês dois dentro do QG.

A minha garganta secou na hora. Olhei para Gustavo, que manteve o queixo erguido, embora a palidez do seu rosto entregasse o medo.

— Você quer que a gente sirva de isca? — perguntei, a voz saindo mais firme do que eu esperava. — O Mello jurou que me matava!

— Ele não vai encostar um dedo em você, recruta — Rocha interveio, dando um passo na minha direção e colocando a mão pesada no meu ombro, apertando com uma firmeza quase brutal. — Porque eu vou estar na sala ao lado. Assim que você e o Gustavo entrarem, o Mello vai tentar encurralar vocês pra pegar o celular ou forçar uma confissão. No momento em que ele der o primeiro passo falso ou tentar destruir qualquer documento do arquivo, eu dou o sinal e a Corregedoria entra rasgando o portão da guarda.

Gustavo deu um passo à frente, colocando-se ao meu lado, encarando Valente e Rocha sem tremer.

— Se eu assinar a declaração formal como testemunha da coerção civil que o Brito fez, vocês garantem a proteção do Michel lá dentro? — Gustavo exigiu, a voz carregada de uma coragem feroz. — Se algo acontecer com ele lá dentro, eu entrego essa história inteira pra imprensa antes que o avião de vocês volte pra Brasília.

Valente soltou um pequeno riso contido, quase impressionado com a audácia de Gustavo.

— Você tem garra, garoto — Valente disse, puxando uma pasta de couro e tirando uma folha timbrada, estendendo uma caneta para o Gustavo. — Assine aqui. A sua declaração é o pretexto legal que a Corregedoria precisa para agir sem pedir licença ao Comando Geral.

Gustavo pegou a caneta e assinou o documento sem hesitar um segundo, selando o nosso destino.

— O tempo acabou — Rocha disse, destravando a pistola e checando o carregador antes de guardá-la no coldre velado. — Daqui a vinte minutos o Batalhão abre o portão pro rendimento da guarda. Michel, Gustavo... entrem pelos fundos, apresentem-se na secretaria do Mello e façam o circo pegar fogo. Eu vou estar na cola de vocês.

Olhei para o Gustavo, segurando a mão dele longe do olhar dos oficiais. Não havia mais volta. Estávamos caminhando de volta para a boca do lobo, mas desta vez, não estávamos mais indefesos.

Antes de cruzarmos o portão dos fundos do Batalhão, o SUV de Rocha estacionou na sombra de uma rua residencial deserta, a poucas quadras da unidade. O silêncio dentro do carro era denso, quase sufocante. Rocha olhou pelo retrovisor, ajeitou a jaqueta e abriu a porta.

— Vocês têm cinco minutos pra se ajeitarem no banco de trás — Rocha disse seco, batendo a porta e ficando de guarda do lado de fora, acendendo um cigarro no escuro da rua.

Apertados no espaço reduzido do veículo, pegamos as mochilas com o fardamento e os crachás de apoio que Rocha havia providenciado. O ar dentro do carro estava frio, mas a minha pele queimava de ansiedade.

Ajeitei a gandola camuflada sobre os ombros, sentindo o peso familiar e opressivo do tecido grosso sobre o peito. As minhas mãos trêmulas lutavam contra os botões da túnica militar.

— Deixa eu te ajudar — Gustavo sussurrou, a voz macia quebrando o silêncio pesado.

Ele se aproximou no espaço curto do banco, pegando as minhas mãos trêmulas para acalmá-las. Com uma delicadeza absurda para o cenário em que estávamos, Gustavo começou a abotoar a minha gandola, um por um, alinhando o colarinho com cuidado. Em seguida, ele vestiu a própria jaqueta de apoio civil do Batalhão e ajustou o crachá no peito.

Quando ele terminou, segurou o meu rosto com as duas mãos. Os polegares dele acariciaram as minhas bochechas com suavidade. Os olhos dele, brilhando na penumbra do carro, carregavam uma intensidade que fez meu coração desacelerar.

— Michel... olha pra mim — ele pediu baixo, colando a testa na minha por um segundo longo. — Não importa a confusão que tiver lá dentro, não importa o quanto o Mello grite ou tente intimidar a gente. Você não tá sozinho. A gente começou isso juntos e vai sair juntos.

Senti um nó na garganta. Fechei os olhos, absorvendo o calor da pele dele, o perfume familiar que conseguia cobrir até o cheiro de poeira daquela farda.

— Eu tô com medo, Gu — confessei num sopro, segurando os pulsos dele. — Medo de dar tudo errado na hora H

— Não vai dar — Gustavo disse, firme, deslizando as mãos para a minha nuca. Ele se aproximou e me deu um beijo calmo, profundo e cheio de entrega, selando qualquer dúvida que ainda me restava. Quando nos afastamos devagar, ele olhou bem no fundo dos meus olhos e sorriu fraco, com uma coragem linda. — Eu te amo, Michel. Mais do que qualquer coisa. E nada do que acontecer naquele Batalhão vai mudar isso.

As palavras dele bateram no meu peito como um escudo de aço. O pavor que me paralisava deu lugar a uma determinação gelada.

— Eu também te amo, Gustavo — respondi, segurando a mão dele com força. — Vamos acabar com essa porra de uma vez.

Lá fora, a porta do motorista se abriu. Rocha jogou a bituca do cigarro fora e nos encarou pelo retrovisor, o olhar ríspido, mas sem o tom debochado de antes.

— Tempo esgotado. Hora de ir pro combate.

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Comentários

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CARACAS, que plot! (mas vem cá, onde estão os pais do Michel e do Gustavo? um fica dormindo e trepando, ficando longe de casa e ninguém fala nada? rs)

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Nossa empolgante! Que dramatico! Espero que der tudo certo, algo efeito colateral vai ter aí. Será que alguém vai morrer? Ou sair machucado? Es a questão.

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Derick do céu...o mundo vai acabaaaaaaar

Que ep tensoooooooooooooooo

maravilhoso como sempre!

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CARALHOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

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