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Terças-feiras – Parte 1: A mulher que dizia não

Um conto erótico de J.K.Horse
Categoria: Grupal
Contém 3527 palavras
Data: 24/09/2026 08:34:39
Última revisão: 24/09/2026 13:23:43

Oi, gente. Meu nome é Vanessa, tenho trinta anos, sou dermatologista, e durante sete anos de casamento eu fui a mulher que dizia não.

O Pedro pedia. Pedia com jeito, pedia brincando, pedia no escuro com a mão escorregando pra minha bunda. Queria meu cu. Queria gozar na minha boca e me ver engolir. Queria me comer de quatro com a luz acesa, em pé no chuveiro, em cima da mesa da cozinha. E eu dizia não. Não porque eu não gostasse dele. O Pedro tem um metro e oitenta e oito, é forte, tem uns olhos verdes que me desmontaram no primeiro dia. Eu dizia não porque eu era assim. Certinha. Papai e mamãe, luz apagada, dez minutos e boa noite.

Depois vieram as crianças. Uma menina, hoje com cinco, e um menino com três. Escola, pediatra, o consultório nos Jardins de manhã, o serviço de dermato do hospital à tarde e os plantões que eu pego lá pra não perder a mão, reunião de condomínio no nosso apartamento no Itaim. E o pouco que tinha de sexo virou quase nada.

Até que o Pedro parou de pedir.

Qualquer mulher sabe: quando o homem para de pedir, é porque arrumou onde conseguir.

---

Foi no extrato. Um Pix toda terça-feira, o mesmo valor, alto, pra uma tal de "N. Ribeiro". Durante meses. E aí, nas últimas quatro semanas, os Pix pararam. Mas as terças à noite, os "jantares com cliente" do Pedro, continuaram.

Eu peguei o celular dele de madrugada. Sete anos e eu nunca tinha feito aquilo.

Nathalia. Nat. Vinte e dois anos, loiro-escuro, magrinha, com uma bunda e uns peitos que pareciam desenhados. Trabalhava na Velour, a boate mais cara de São Paulo, lá no Ipiranga, onde o Pedro levava os clientes da empresa dele. E morava num flat bem em frente.

Tinha foto. Tinha áudio. A Nat de quatro, gemendo o nome do meu marido. A Nat com a boca cheia da porra dele, mostrando pra câmera antes de engolir. A Nat de bruços, com ele enterrado no cu dela, pedindo mais. Tudo o que eu tinha negado a ele, ela dava. E pedia.

Mas o que me travou foi outra coisa. Uma mensagem antiga dele: "sério que você quer isso? não sei se curto… mas se te deixa assim, eu deixo". E embaixo, uma foto dela vestindo uma cinta, com um pau de borracha preto preso no quadril. Semanas depois, outra mensagem dele: "vai usar a cinta hoje?".

Meu marido. Meu marido, que nunca, em sete anos, tinha deixado eu nem encostar o dedo ali.

E as últimas mensagens da Nat, de três dias antes: "já falei que não precisa mais pagar". "tô com saudade". "eu sei que não posso, mas tô apaixonada por você".

Eu não chorei. Eu fiquei com raiva. E, Deus me perdoe, molhada.

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Eu não marquei nada. Peguei o endereço do flat no celular dele, numa mensagem antiga, e fui. Numa terça à tarde, o dia dela, o dia deles, umas cinco horas antes da hora em que o Pedro costumava chegar. Deixei as crianças na casa da minha mãe e bati na porta sem avisar.

O flat era pequeno, arrumado demais, com uma vela de baunilha acesa que não conseguia esconder o cheiro de cigarro. Eu senti na porta. Eu odeio cigarro. O Pedro odeia cigarro. Na nossa casa ninguém fuma, nem visita, nem na varanda. Ela abriu a porta de vestido curto e descalça, me olhou por dois segundos e sorriu.

— Você é a Vanessa.

— Como você sabe?

— Você é a tela do celular dele. Toda vez que ele olha a hora, olha pra você. Ele acha que eu não vejo.

Eu entrei. Não sentei. Ela sentou na cama, de pernas cruzadas, tranquila, e acendeu um cigarro. Sem pedir licença.

— Você fuma — eu disse, como se fosse a pior acusação do mundo.

— Fumo. — Ela soltou a fumaça pro lado da janela. — Teu marido também odeia. Reclama toda vez. E volta toda vez.

— Veio me bater?

— Vim ver a cara da puta que tá comendo meu marido.

— Eu não quero ser puta, Vanessa. — Ela falou sem raiva. — Eu tenho um filho de seis anos. Tive com dezesseis. Faço isso porque paga o aluguel, a escola dele e a babá que fica com ele de noite. Terça ele dorme na casa do pai. É o único dia que esse flat é só meu. Um dia eu vou ter um centro de estética e nunca mais vou pisar naquela boate. — Ela deu de ombros. — Mas com o Pedro virou outra coisa. E eu sei que ele nunca vai te largar. Pode ficar tranquila.

— Como começou?

Ela contou. Sem pressa, sem vergonha. Uma noite de quinta, o Pedro chegou na Velour com o Guilherme, um amigo dele, engenheiro, que é de casa ali há anos, e com três clientes de uma empresa de hospital. O Guilherme subiu com uma menina, como sempre. O Pedro pagou a conta de todo mundo, mas não subiu com ninguém. Ficou no balcão, sozinho, olhando o copo. Ela sentou do lado porque era o trabalho dela. E ele, em vez de passar a mão, perguntou o nome dela. O nome de verdade.

— Nenhum homem pergunta o nome de verdade — ela disse. — Ele perguntou. E depois perguntou se eu gostava do que fazia. Eu disse que não. Ele disse que também não gostava de muita coisa na vida dele. A gente ficou conversando até a boate fechar. Não rolou nada. Na semana seguinte ele voltou. Aí rolou. — Ela apagou a cinza na borda da janela. — Depois ele começou a vir na terça. Terça é minha folga. Ninguém vem na minha folga, Vanessa. Ele vinha. E ainda pagava. Eu parei de cobrar porque folga não se cobra.

— E a cinta?

Ela riu, baixinho, olhando pro chão.

— Isso fui eu. Eu gosto. Muito. Mais do que de ser comida, às vezes. Ele não queria. Achou estranho, ficou sem graça, disse que não era a dele. E não é, Vanessa, pode ficar tranquila: teu marido não tem nada de gay, não olha pra homem, não quer homem. Ele deixou porque viu o que acontecia comigo quando eu colocava. Eu fico louca. Fico molhada escorrendo pela perna. E ele gostou de me ver assim. Nas primeiras vezes ele aguentava por mim. — Ela levantou os olhos. — Depois começou a pedir.

Eu fiquei um tempo em silêncio. O meu marido. Pedindo.

— Por que ele volta, então?

Ela levantou. Chegou perto. Mais baixa que eu, uns cinco centímetros. Me olhou de baixo, com uns olhos castanhos enormes.

— Quer saber mesmo? Aqui tem uma regra: nada acontece sem você falar "quero". E se falar "para", parou.

Eu fiquei um tempo olhando a boca dela.

Eu tinha vindo pra bater. Eu tinha ensaiado no carro o que ia dizer. E estava ali, de pé, com o coração batendo no pescoço, a raiva ainda inteira no peito, e no meio da raiva uma coisa que eu não tinha nome pra dar, descendo quente entre as pernas. Eu pensei no Pedro de quatro na foto. Pensei: isso é vingança. É só vingança. Ele fez, eu faço. Eu me segurei nisso como quem segura num corrimão. A palavra "não" chegou na minha boca, a mesma de sete anos, pronta. Eu abri os lábios pra dizer.

— Quero.

Ela me deitou na cama dela, abriu minha calça devagar e me chupou. Eu nunca tinha sido chupada por uma mulher. Eu nunca tinha sido chupada daquele jeito por ninguém. Ela lambia devagar, sem pressa, abria minha buceta com os dedos, sugava meu grelo, enfiava dois dedos e dobrava lá dentro, num lugar que eu, dermatologista, formada, nem sabia que existia. Eu gozei em cinco minutos, com a mão enfiada no cabelo dela, gritando no travesseiro de uma garota de programa.

Ela não parou. Me virou de bruços com as duas mãos, levantou meu quadril, abriu minha bunda e ficou olhando.

— Nunca ninguém te lambeu aqui, né?

Eu não respondi. Não precisava. E ela caiu de boca. No meu cu. A língua quente, molhada, rodando devagar em volta, depois pressionando no meio, depois entrando. Eu dei um pulo. Ela segurou minhas coxas e não deixou eu fugir. Lambia como quem saboreia, gemendo, fazendo barulho, como se aquilo desse mais tesão nela do que em mim. E dava. Ela esfregava a própria buceta no colchão enquanto me lambia. Eu, que achava aquilo sujo, proibido, coisa de filme, estava empinando pra trás, pedindo mais língua, com a cara afundada no travesseiro. Gozei de novo. Só com a língua dela no meu cu e dois dedos dela na minha buceta.

— Eu amo isso — ela disse, com a boca ainda ali, a voz abafada. — Amo lamber cu de mulher cheirosa. E o teu é o mais gostoso que eu já lambi.

Ela subiu até meu rosto, com a boca brilhando.

— É por isso que ele volta. Porque aqui ele pode tudo.

E me beijou. E eu deixei. A boca dela tinha gosto de mim e de cigarro. Eu devia ter tido nojo. Não tive.

---

A semana seguinte foi a mais estranha da minha vida.

Eu atendia paciente no consultório, olhava pinta, receitava ácido, e pensava na boca da Nat. Numa quarta, entre uma consulta e outra, fui ao banheiro do consultório e me toquei em pé, de jaleco, mordendo a mão pra não fazer barulho, lembrando dos dedos dela dobrando dentro de mim. Saí vermelha. A secretária perguntou se eu estava com febre.

Na quinta, ela me mandou um áudio. Três segundos. Só a respiração dela e o meu nome, "Vanessa", dito devagar. Eu ouvi umas vinte vezes, trancada no carro, no estacionamento do hospital.

Eu dizia pra mim mesma que era vingança. Que eu ia pegar os dois no flagra, jogar na cara do Pedro, e decidir o que fazer da minha vida. Mas à noite, deitada do lado dele, com ele dormindo tranquilo, sem saber de nada, eu não pensava no Pedro. Pensava nela. No cheiro do flat. Na cinta preta da foto.

Na sexta eu mandei: "terça ele vai aí?". Ela respondeu: "vai". Eu escrevi: "então eu também vou. Antes dele. E ele não sabe". Ela demorou um minuto. Depois veio: "tem certeza?". E eu, que passei a vida dizendo não, escrevi: "tenho".

---

Na terça seguinte, eu estava escondida no banheiro do flat quando o Pedro chegou.

Pela fresta da porta, eu vi. Eu vi o meu marido comer a Nat como ele nunca tinha me comido. Ele levantou ela no colo e prensou contra a janela, com a luz da boate piscando do outro lado da rua, e meteu em pé, forte, segurando as coxas dela. Depois jogou ela na cama de quatro e comeu, puxando o cabelo. Depois cuspiu no cu dela e enfiou, devagar, e ela gritou "isso, amor, isso", e aquele "amor" me cortou. E ele gozou na boca dela, e ela engoliu olhando pra ele com uma cara que eu conheço. Cara de mulher apaixonada.

Aí ela levantou, pegou a cinta na gaveta e vestiu.

— De quatro, gostoso.

— Nat…

— De quatro. Você sabe que eu fico louca.

E o Pedro, meu Pedro, ficou. Ela passou lubrificante, enfiou devagar, e ele gemeu. Gemeu grave, de olho fechado, empurrando pra trás. E ela metia com uma cara de tesão que eu nunca tinha visto numa mulher, se tocando com uma mão, segurando a cintura dele com a outra, falando baixinho "que delícia te comer, que delícia".

Eu abri a porta do banheiro.

O silêncio foi a coisa mais alta que eu já ouvi. O Pedro virou a cabeça, branco. A Nat parou, mas não tirou.

— Agora ela sabe — a Nat disse, calma. — Pedro, quer que eu pare?

Ele olhou pra mim. Com aqueles olhos verdes, com medo, com vergonha. E com tesão. Muito tesão.

— Não — ele disse.

Eu tinha imaginado aquele momento a semana inteira. Eu gritando. Ele se vestindo às pressas. Eu saindo e batendo a porta. Mas o que eu vi foi o meu marido, o pai dos meus filhos, de quatro na cama de outra mulher, com a cara vermelha de vergonha, esperando que eu decidisse o que ele era. E o que eu senti não foi o que eu tinha ensaiado. Não era só raiva. Era uma coisa parecida com o que eu tinha sentido naquela mesma cama, na semana anterior, quando a Nat me perguntou se eu queria. A vingança tinha acabado em algum lugar entre a fresta da porta e ali. O que sobrou eu não sabia o nome. Mas eu sabia que não queria que parasse.

Eu cheguei perto da cama. Sentei na beirada, na frente dele. Olhei pra Nat.

— Continua.

---

Ela continuou. E eu, pela primeira vez em sete anos, fiz o que ele sempre pediu. Me ajoelhei na frente dele, peguei o pau dele, duríssimo, e chupei, enquanto a Nat comia o cu dele por trás. Ele gemia na minha boca. Eu sentia cada estocada dela pelo pau dele. Quando ele avisou que ia gozar, eu não tirei. Ele encheu minha boca. E eu engoli. Olhando pra ele. Porque eu quis.

O Pedro começou a chorar. A Nat também.

Depois eu mandei. Eu, que nunca mandava.

— Agora come ela. Na minha frente. Do jeito que você come ela.

E ele comeu. A Nat tirou a cinta, ficou de quatro, e o Pedro meteu primeiro na buceta dela, segurando a cintura com aquelas mãos enormes, e depois tirou, cuspiu, e enterrou no cu. Ela gritou. Ele foi fundo, com uma fome que eu nunca tinha visto nele. E ela olhando pra mim o tempo inteiro.

O ciúme me queimava. Eu estava encharcada.

Então eu fiz uma coisa que eu nunca imaginei. Deitei na frente dela, abri as pernas, e puxei a cabeça dela pra minha buceta. E ela me chupou enquanto o meu marido comia o cu dela. Cada estocada dele empurrava a boca dela contra mim. A gente gozou quase junto, as duas, eu segurando o cabelo dela, ela gemendo dentro de mim, e o Pedro olhando aquilo por cima, com a boca aberta, sem acreditar no que estava vendo.

Aí a Nat se virou pra mim.

— Tua vez.

Ela me deitou, abriu minhas pernas, e meteu a cinta na minha buceta. Devagar, depois forte. O Pedro deitou do meu lado e segurou minha mão. E quando eu estava gozando, ela tirou, me virou de quatro e, antes de qualquer coisa, enfiou a cara na minha bunda de novo. Lambeu meu cu na frente do meu marido, do jeito que tinha me lambido na semana anterior. Eu olhava pra ele por cima do ombro e gemia, e ele sabia que era a primeira vez que alguém fazia aquilo comigo, e que não era ele. Quando eu estava tremendo, aberta, ela passou lubrificante e encostou a cinta no meu cu.

— Quer?

Sete anos de não.

— Quero.

Doeu. Ardeu. O Pedro apertava minha mão e me beijava. E aí passou, e virou outra coisa, uma coisa funda e quente, e eu comecei a pedir. "Mais. Mete mais. Me come." Eu, com a cinta de uma garota de vinte e dois anos no cu, na frente do meu marido. E eu adorei. Deus, como eu adorei.

---

No fim, eu pedi a cinta.

A Nat me olhou surpresa. Tirou devagar e prendeu em mim, ajustando as fivelas na minha cintura com cuidado, os dedos dela demorando na minha pele. O Pedro deitou de costas. A Nat montou nele, descendo o pau dele na buceta, e se debruçou em cima dele, empinando pra mim.

Eu nunca tinha comido ninguém. Encostei. Empurrei. Ela gemeu. Entrei.

A Nat ficou ali, entre nós dois. O pau do Pedro na buceta, a minha cinta no cu. A gente começou a meter junto, eu sentindo pela borracha o ritmo dele, ele sentindo o meu. E a Nat, no meio, virava o rosto pra ele, depois pra mim, depois pra ele, e gozou chorando, falando coisas que eu não entendi e que entendi muito bem.

E eu vi o olhar que ela deu pro Pedro. E depois o olhar que ela deu pra mim. Era o mesmo.

---

No carro, cruzando a cidade do Ipiranga de volta pro Itaim, o Pedro não ligou o rádio.

— E agora? — ele perguntou.

— Agora ela não cobra mais — eu disse. — E também não é mais só tua.

Naquela noite, em casa, com as crianças dormindo, eu pedi pra ele tudo o que eu nunca tinha pedido. De quatro. No cu. Na boca. De luz acesa. Em cima da mesa da cozinha.

As terças viraram ritual. O flat em frente à Velour, a luz da boate piscando na janela, nós três.

Teve uma terça em que o Pedro ficou preso numa reunião e chegou uma hora e meia atrasado. Eu cheguei antes. E pela primeira vez fiquei sozinha com ela sem raiva nenhuma.

A gente não transou logo. Ela fez café e acendeu um cigarro na janela. Eu, dermatologista, não aguentei e dei a palestra inteira: envelhecimento, colágeno, ruga no lábio, mancha, câncer. Ela ouviu tudo, séria, soltando fumaça pro lado de fora. No fim disse: "uma dona de centro de estética que fuma, né? Piada pronta". E riu. E eu ri junto, com raiva de estar rindo. Ela apagou o cigarro pela metade. Foi a primeira vez que eu vi ela apagar um pela metade.

Sentou no chão, encostada na cama, e me mostrou no celular o plano do centro de estética. Uma planilha malfeita, fotos de salas de Pinterest, preços de laser que ela tinha anotado de cabeça. Eu corrigi uns números. Ela riu de mim. Depois ela me pediu pra olhar uma mancha no ombro dela, e eu olhei, com cuidado, com a luz do celular, como eu olho uma paciente. Não era nada. Mas eu fiquei com a mão no ombro dela mais tempo do que precisava.

Aí ela me beijou. Devagar. Diferente. E a gente fez amor. Não sexo. Amor. Ela em cima de mim, as duas peladas, se esfregando, buceta com buceta, sem cinta, sem pressa, olhando uma pra outra. Depois ela desceu, me virou, e passou quase meia hora com a língua no meu cu. Só isso. Sem pressa nenhuma, como quem tem a noite inteira.

Quando o Pedro chegou, a gente estava deitada abraçada, e ele parou na porta e ficou olhando a gente por um tempo, sem falar nada. Depois tirou a roupa e deitou junto. Naquela noite ele comeu nós duas, uma depois da outra, a Nat de lado, eu de quatro, e gozou na boca das duas ao mesmo tempo, e a gente dividiu num beijo. Mas o que eu lembro daquela terça é o café.

Virou uma coisa nossa, aquela meia hora. Toda terça, em algum momento, ela me vira de bruços e fala "agora é minha vez", e eu já empino antes de ela terminar a frase. O Pedro diz que tem ciúme da língua dela. Eu digo que ele que aprenda.

O cigarro nunca saiu da vida dela. O Pedro reclama, eu reclamo, ela ri e fuma na janela depois de gozar, pelada, com a luz da boate no rosto. A gente aprendeu a aceitar. A abrir a janela antes. A tomar banho no flat antes de voltar pra casa, pra roupa não levar o cheiro até o quarto das crianças. Eu, que já pedi pra paciente sair do consultório por causa de cheiro de cigarro no cabelo, beijo aquela boca toda terça. É o preço. A gente se apaixonou por ela inteira, com o defeito junto.

E na quarta de manhã, cada um no seu lugar. Eu no consultório nos Jardins. O Pedro na empresa. A Nat dormindo até meio-dia, com o filho na escola.

Um dia, na Faria Lima, na hora do almoço, eu cruzei com ela. De jeans, sem maquiagem, levando o filho pela mão. A gente se olhou por um segundo. E as duas fingiram não se conhecer. Eu entrei no carro e fiquei dez minutos sem conseguir ligar o motor.

Numa terça, deitada entre nós dois, ela perguntou baixinho:

— E se um dia eu quiser mais que terça?

Ninguém respondeu. O Pedro olhou pro teto. Eu olhei pra ela. E a pergunta ficou ali, entre nós três, no escuro.

Porque tem coisa que o mundo não deixa. Uma médica dos Jardins, um empresário, dois filhos pequenos, uma família que olha, uma porta de escola. E uma menina de boate, com um filho pra criar, que sonha com um centro de estética.

Ontem, de madrugada, com o Pedro dormindo do meu lado e as crianças no quarto do lado, eu escrevi pra ela:

"Terça. E leva o teu plano do centro de estética. Quero ver."

Apaguei. Escrevi de novo. Mandei.

Ela respondeu com um coração. Só isso.

Eu fiquei olhando aquele coração até a tela apagar. Sabendo que aquilo tem nome. E que ninguém me deixa dizer.

---

PS do Pedro: achei que ia perder minha mulher. Ganhei uma nova. E mais uma.

PS da Nat: eu me apaixonei por um cliente. Agora não sei mais por qual dos dois. E sei que não posso ter nenhum. (E não, não vou parar de fumar. Mas tô fumando menos. Não conta pra eles.)

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Comentários

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Porra,@@@@

que isso que conto top.

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Muito bom, um conto bem bolado e bem escrito. Uma história diferente e envolvente.

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Adorei a dinâmica do teu conto!

Gostei muito mesmo!

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Obrigado! Essa foi só a terça. Amanhã sai a Parte 2, e a Vanessa entra na Velour. Fica por perto.

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