O batom veio semanas depois.
Camila tinha deixado o rosa-nude na pia do banheiro, o tubinho deitado de lado junto à torneira, a tampa mal enroscada. Juliana o pegou sem dizer nada, girou a base entre os dedos e olhou para a ponta arredondada, já levemente gasta pelo uso da boca da filha. O cheiro subiu suave — baunilha e algo adocicado, o mesmo perfume que eu sentia quando Mila falava pertinho de minha boca. Eu estava deitada, ainda ofegante do orgasmo anterior, as pernas abertas, o clitóris latejando, sensível, exposto.
Juliana ajoelhou-se entre minhas coxas. Não falou. Apenas aproximou o batom e desenhou o primeiro círculo.
A textura era fria no começo, depois quente pelo calor da minha pele. A ponta deslizava devagar, traçando contornos precisos em volta da cabecinha inchada, sem tocar ainda o centro. Cada volta deixava um rastro viscoso e brilhante. Eu tremia. O cheiro da boca de Camila se misturava ao meu próprio aroma. Juliana continuava, círculos cada vez menores, mais próximos, até que a ponta do batom finalmente pressionou em cima.
Ela Deslizou.
A pressão era diferente de dedo ou de língua. Mais firme, mais uniforme, mais estranha. Deslizava a ponta grossa de um lado para o outro, apertava de leve, soltava, apertava de novo. O batom derretia um pouco com o calor e a umidade, espalhando a cor rosa-nude pelo clitóris e pelos lábios. Eu gemia baixo, a cabeça jogada para trás, os olhos fixos no teto branco. Não conseguia fazer barulho alto. O quarto estava silencioso demais. Qualquer gemido poderia atravessar a porta.
Juliana aumentou a pressão. Agora rolava com mais insistência, a ponta do batom afundando um pouco na carne dura e sensível, girando, apertando a base, subindo até a ponta. Eu rebolava contra o objeto, as coxas tremendo, as mãos apertando o lençol. A imagem de Camila aplicando aquele mesmo batom na sua própria boca vinha sem pedido: os lábios da menina se abrindo, a língua rosinha passando de leve, o gesto automático e íntimo. O mesmo objeto que tinha tocado a boca da guria agora tocava o lugar mais secreto de mim.
O orgasmo subiu devagar e, ao mesmo tempo, inevitável.
—
HHHHHHHHHHHHHHHMMMMMmmmm!!!— Eu gozei olhando para o teto, a boca aberta num gemido silencioso, o corpo inteiro travado. O esguicho saiu quente, molhando o batom, os dedos de Juliana, a parte interna das minhas coxas. O rosa-nude se misturou ao meu mel, ficando mais escuro, mais brilhante. Juliana continuou deslizando por mais alguns segundos, prolongando as contrações, até eu começar a me contorcer de tanto estímulo.
Só então ela tirou o batom.
Levou à boca e chupou a ponta com lentidão, a língua limpando o que era meu e o que tinha sobrado do gosto da filha. Os olhos dela ficaram semicerrados. Quando soltou, os lábios brilhavam com a mesma cor rosa-nude. Ela se inclinou e me beijou, passando o gosto misturado — meu mel e a boca de Mila — diretamente para dentro de mim. O beijo foi profundo, carregado. O segredo ficou entre nós, úmido, doce e irreversível.
E então ela começou a narrar.
Durante o sexo, Juliana inventava cenas. A voz baixa, rouca, quase sem ar, colada no meu ouvido:
— Imagina ela aqui. De joelhos. Olhando. Molhada também…
Eu gozava. Sempre. E cada vez que meu corpo respondia com aquela intensidade, Juliana gozava junto, ou logo depois. O acordo silencioso foi se firmando. Nenhuma de nós duas falava sobre isso em voz alta durante o dia. Mas à noite, na cama, tudo era permitido. O tesão dela crescia na mesma proporção que o meu. Quando eu me molhava por causa de Camila, ela se molhava também. Era como se o desejo que eu sentia pela filha alimentasse o desejo que ela sentia por mim.
Camila, por sua vez, parecia sentir o ar mudar sem conseguir nomear. Continuava provocando de forma ambígua: o jeito de sentar, as roupas experimentadas na nossa frente, as descrições do próprio corpo ditas com voz inocente demais, o pedido para cheirar seu cabelo. Juliana deixava. Às vezes até incentivava com um comentário leve, um sorriso de canto. Eu ficava encharcada. Juliana via. E sorria de lado, a mão já encontrando o caminho entre minhas pernas.
Foi assim, degrau por degrau, que chegamos ao ponto em que Juliana já não precisava mais esconder completamente.
Uma noite Camila dormia no sofá da sala.
Estava de lado, o corpo encolhido de um jeito quase inocente, o shortinho de cetim subindo até a dobra da coxa, revelando a curva macia da bunda e o começo da calcinha branquinha. A respiração era leve, regular, o peito subindo e descendo num ritmo lento. A televisão estava ligada em volume baixo, uma novela qualquer cujas falas nenhuma de nós acompanhava. A luz azulada da tela iluminava de viés o rostinho de anjo, os lábios entreabertos, os cílios projetando sombras pequenas.
Juliana me olhou.
Não precisou dizer nada. Apenas estendeu a mão, puxou-me pelo pulso e me guiou até o chão, a poucos metros do sofá. O tapete era macio sob os joelhos dela quando se ajoelhou entre minhas pernas. Eu estava sentada no chão, as costas apoiadas na poltrona, o coração batendo tão forte que temia que Camila ouvisse. Juliana subiu minha saia com movimentos lentos, puxou a calcinha para o lado e ficou olhando por um segundo. Eu já estava molhada. O cheiro subiu entre nós, íntimo e traidor.
Enquanto eu olhava para o bumbum de Camila, A língua de Ju tocou meu clitóris com uma lentidão programada. Quente. Úmida. Precisa. Ela passou a ponta por baixo, subiu devagar, deu a volta na bolinha inchada e só então chupou de verdade, um barulho alto, os lábios se fechando em volta com uma pressão firme e constante. Eu mordi o lado de dentro da bochecha para não gemer forte. A mão de Juliana apertou minha coxa, os dedos cravados na carne, um aviso silencioso: não faça barulho. Eu balancei a cabeça, os olhos já marejados.
Ela começou a cadência.
Com a filha do ladinho de nós, Juliana me chupava fundo, a língua vibrando por baixo, depois soltava, esperava dois segundos, voltava. Cada vez que a boca dela se afastava, o ar frio da sala batia no meu clitóris molhado e eu quase soluçava. Cada vez que voltava, o prazer subia mais alto, mais perigoso. Eu olhava para o sofá em um desespero glorioso. O perfil de Camila dormindo estava a poucos centímetros. Os lábios rosa entreabertos. O cabelo castanho espalhado no braço do sofá. O short subido, mostrando o começo da bucetinha virgem, que escapava da calcinha. Eu conseguia ver o movimento suave da respiração de Mila. E quanto mais eu olhava, mais a língua de Juliana parecia quente, mais o prazer se misturava com o medo e com uma excitação suja que eu não conseguia nomear.
Juliana enfiou dois dedos.
Curvou-os desde o primeiro movimento, encontrando o ponto com a precisão de quem já conhecia cada milítímetro de mim. A língua continuava no clitóris, chupando, girando, apertando a base com os lábios enquanto os dedos se moviam dentro. Eu tremia. A mão dela na minha coxa apertava mais forte, segurando-me no lugar. Eu estava encharcada. O mel escorria pela bunda, molhando o tapete. O cheiro se espalhava. Eu tinha certeza de que, se Camila acordasse, sentiria o cheiro de fêmea no cio.
O orgasmo veio sem aviso.
Silencioso e violento. O corpo inteiro travou. O esguicho saiu quente, forte, molhando a boca, o queixo e o pescoço de Juliana. Eu abri a boca num gemido que não saiu, só um sopro desesperado, os olhos abertos, fixos no corpo sonolento de Camila. As contrações eram tão intensas que as coxas batiam uma na outra. Juliana voltou. Continuou lambendo, com cuidado quase reverente, limpando cada gota, a língua passando pelo clitóris ainda latejando e vermelho. Enorme. Passou pelos lábios inchados, pela parte interna das coxas. O gosto de mim mesma escorria pela boca dela.
Só quando eu parei de tremer ela subiu.
Ajoelhou-se mais perto, segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou. O beijo foi profundo, molhado, carregado do meu próprio gozo. Eu senti o gosto, o cheiro, a textura. E, atrás de Juliana, ainda via o perfil de Camila dormindo, alheia, a respiração leve, o shortinho ainda arreganhado, os labios entreabertos. Juliana afastou o rosto só o suficiente para sussurrar contra a minha boca, a voz rouca e baixa:
— Ela não acordou.
Mas a mão dela ainda estava entre minhas pernas, os dedos úmidos,enrugados, e nenhuma de nós duas parecia disposta a se afastar.
— Ela não acordou — sussurrou. — Mas um dia vai.
Eu não respondi. Só abri mais as pernas, o corpo ainda tremendo.
Porque naquele ponto eu já não conseguia mais fingir que não queria. O quotidiano tinha despertado o que não deveria. Eu tinha lutado. Tinha me odiado. Tinha me masturbado escondida, chorado depois, prometido parar. Mas o corpo não para. E Juliana, em algum momento, parou de brigar contra isso e começou a se alimentar do meu tesão. Cada reação minha a excitava. Cada vez que eu molhava por causa da filha, ela molhava também. O ciúme virou excitação. A excitação virou um acordo sujo e silencioso, feito de cheiros, de tecidos emprestados e de segredos que nenhuma de nós ousava dizer em voz alta durante o dia.
E nenhuma de nós três — nem eu, nem Juliana, nem Camila — parecia disposta a voltar atrás.