Eu comprei aquela tornozeleira num sábado qualquer, meio impulsivamente, e fiquei três semanas sem coragem de usar.
Foi no samba, com uma taça de vinho na mão, que eu finalmente coloquei ela no pé e saí de casa sem olhar pra trás.
Prazer, somos o Casal Apimentados. Quem escreve sou eu, a Lúcia. Nomes fictícios, por motivos que qualquer casal liberal entende.
Eu: 1,72 de altura, loira natural, olhos verdes, seios fartos e umas coxas grossas que o meu marido elogia há vinte e três anos. Quarenta e três anos.
Ele, Jorge: negro, 1,85, corpo forte sem ser musculoso, mesma idade que eu.
Eu conheci o símbolo num grupo, faz um tempo, discutindo sem nenhuma pretensão especial, só curiosidade mesmo. Uma peça pequena, discreta, com o naipe de espadas, que algumas mulheres usam pra sinalizar uma preferência que elas já carregam há muito tempo, sem precisar dizer em voz alta pra ninguém.
Pra quem não sabe, o naipe de espadas no meio liberal é um código visual, uma espécie de linguagem silenciosa que diz "eu gosto de homens negros". Não é sobre exclusão, pelo contrário. É sobre uma preferência assumida, um desejo que se manifesta sem precisar de palavras. É como se aquela pequena espada no tornozelo dissesse: "Esta é minha inclinação, meu desejo, e não tenho vergonha disso."
E eu me reconheci ali de um jeito que me surpreendeu.
Porque, meninas, isso não é novidade nenhuma pra vocês que já leem a gente há tanto tempo. Desde o primeiro conto, desde aquele gogo no labirinto da feira em 2017, minha preferência sempre foi clara, mesmo quando eu nunca precisei explicar isso com uma joia no tornozelo.
Mas teve alguma coisa naquele símbolo que me tocou de um jeito diferente. Não era sobre mostrar pra estranho nenhum. Era sobre assumir, com todas as letras, uma coisa que sempre foi minha, desde muito antes de eu conhecer esse mundo todo.
Comprei online, numa loja discreta, e a tornozeleira chegou numa caixinha pequena, uma corrente fina, dourada, com um pingente de naipe de espadas do tamanho de uma unha.
Fiquei três semanas com ela guardada na gaveta.
Não era vergonha do Jorge, ele já sabia de tudo isso desde que a gente se conheceu, na verdade foi ele quem mais se divertiu quando eu contei que tinha comprado. Era vergonha de mim mesma, aquela coisa boba de achar que estava exagerando, que aquilo era demais pra uma mulher de quarenta e três anos, casada há vinte e três, andar por aí sinalizando preferência como se fosse adolescente.
Foi numa sexta de samba, naquele quintal que a gente frequenta desde sempre, que eu finalmente decidi usar.
Estava me arrumando, provando um vestido, e o Jorge entrou no quarto e viu a caixinha ainda fechada em cima da cômoda.
— Você nunca usou aquilo — ele comentou, pegando a caixinha, abrindo pra olhar de novo.
— Estou com vergonha.
— Vergonha de quê, Lú? Todo mundo naquele quintal já sabe exatamente quem eu sou pra você.
— Não é sobre eles saberem. É sobre eu assumir.
Ele sentou na cama, ainda com a caixinha na mão, e falou com aquela calma que ele sempre tem nessas horas.
— Então assume hoje. Comigo do seu lado.
Eu peguei a tornozeleira e coloquei ali mesmo, sentada na beirada da cama, com ele olhando, e senti uma coisa diferente assim que fechei o fecho. Não foi vergonha, não foi exposição. Foi orgulho, um orgulho quieto, íntimo, de estar finalmente vestindo por fora uma coisa que sempre existiu por dentro.
O samba era no mesmo bar de sempre, roda boa, cavaquinho afinado, aquele clima de sexta-feira gostosa que a gente adora.
Eu fui de vestido curto, sandália baixa, deixando a tornozeleira bem à mostra, brilhando de leve toda vez que eu me mexia dançando.
Ninguém comentou nada nas primeiras horas, e eu quase esqueci que estava usando, envolvida na música, na cerveja gelada, na companhia do Jorge dançando do meu lado.
Foi já perto da meia-noite que um homem se aproximou da nossa mesa.
Negro, uns quarenta anos, alto, bem-vestido, com um sorriso tranquilo que denunciava alguém acostumado a chamar atenção sem esforço nenhum.
Ele olhou pro meu tornozelo, depois pro Jorge, depois de volta pra mim, e falou, com um respeito que eu não esperava:
— Posso dizer uma coisa? Eu reconheço essa peça.
Eu senti o rosto esquentar, mas de um jeito bom.
— Reconhece mesmo?
— Reconheço. — Ele sorriu, olhando pro Jorge. — E vejo que o senhor já sabe exatamente o significado disso.
O Jorge riu, passando o braço em volta de mim, aquele orgulho tranquilo estampado no rosto.
— Sei muito bem.
O homem se apresentou como Fabrício, contou que também frequentava alguns grupos, que reconheceu o símbolo na hora e achou bonito ver alguém usando com tanta naturalidade, sem drama, sem exagero, só como parte de quem era.
Conversamos um bom tempo, os três, até ele voltar pra própria mesa, onde a esposa dele esperava, acenando de longe.
E foi curioso, meninas, como aquele reconhecimento breve, aquela troca de olhar entendido, me deu uma confiança diferente pro resto da noite. Não era sobre precisar da aprovação de ninguém. Era sobre sentir que finalmente eu tinha parado de esconder uma parte de mim que sempre foi verdadeira.
Dancei o resto da noite com aquela leveza nova, colada no Jorge, sentindo a tornozeleira balançar a cada passo, brilhando embaixo da luz amarela do bar.
Foi Fabrício que voltou à nossa mesa mais tarde, acompanhado da esposa, uma mulher morena, com seios fartos e um sorriso provocante. Ela se apresentou como Camila.
— Gostei da sua tornozeleira — disse Camila, com um olhar cúmplice. — Eu também tenho uma, mas uso mais em casa.
— Em casa? — perguntei, curiosa.
— Sim — ela sorriu. — Às vezes, quando tem visita especial.
Jorge e Fabrício trocaram um olhar entendido, e eu senti o calor subir entre minhas pernas.
— A gente está indo pro nosso apartamento agora — disse Fabrício. — Pra continuar a noite. Vocês topam?
Jorge olhou pra mim, esperando. Eu só acenei, sentindo a tornozeleira pesando no meu tornozelo como um convite.
O apartamento deles era espaçoso, com móveis modernos e uma luz baixa que criava sombras convidativas. Camila abriu uma garrafa de vinho enquanto Fabrício colocava uma música suave.
Jorge me beijou na nuca, seu hálito quente no meu ouvido. — Gostou do convite, Lú? — ele sussurrou, suas mãos subindo pelas minhas coxas até encontrar minha buceta já molhada.
— Sim — murmurei, enquanto Camila cchegava pra me beijar novamente, sua língua dançando com a minha.
Jorge me levou ao quarto a convite do casal, espaçoso, com uma cama king-size coberta por lençóis pretos. Ele me deitou, se colocando entre minhas pernas. Ele começou a me lamber com dedicação, sua língua explorando cada centímetro da minha buceta, enquanto Fabrício e Camila se juntavam a nós. Camila subiu e sentou meu rosto, sua xoxota já molhada sobre meus lábios. Eu a lambi com gosto, minha língua encontrando seu clitóris duro enquanto Jorge continuava seu banquete entre minhas pernas.
Fabrício se aproximou, seu pau grande e duro na mão. Ele o ofereceu a mim, e eu o aceitei de bom grado, levando-o à boca enquanto continuava a lamber Camila. O sabor de Camila se misturava ao sabor de Fabrício, criando uma sintonia de prazer.
Jorge subiu, alinhando seu pau com minha entrada. Ele entrou devagar, me enchendo completamente, enquanto eu continuava a chupar Fabrício e lamber Camila. O ritmo de Jorge aumentou, cada golpe me levando mais perto do orgasmo.
— Troca — disse Fabrício, puxando seu pau da minha boca.
Jorge saiu de mim, e Fabrício tomou seu lugar. Ele usou uma camisinha antes de entrar em mim, seu pau um pouco mais grosso que o de Jorge, me dando uma sensação diferente, igualmente prazerosa. Enquanto Fabrício me fodia, Jorge se aproximou de Camila, que o recebeu com um sorriso.
Foi então que Camila teve uma ideia. — Que tal uma dupla penetração, Lúcia? — ela perguntou, com um brilho nos olhos.
Eu hesitei por um segundo, depois concordei com um aceno. Jorge se deitou na cama, e eu me sentei sobre ele, minha buceta encontrando a cabeça de seu pau duro. Devagar, fui descendo, sentindo-o me preencher. Fabrício se aproximou por trás, entrando no meu cu. A sensação de estar tão cheia era incrível, os dois paus se movendo dentro de mim, criando uma pressão deliciosa.
Camila se ajoelhou sobre o rosto de Jorge, oferecendo sua buceta a ele enquanto eu era fodida pelos dois homens. Os gemidos enchiam o quarto, misturados com os sons da pele batendo contra pele.
Fabrício foi o primeiro a gozar, seu corpo se tensionando enquanto ele esvaziava seus testículos na camisinha. Ele se retirou, e Jorge me colocando de quatro. Ele entrou no meu cu com força, seu ritmo rápido e profundo. Camila se deitou sob mim, e eu a chupei novamente, sentindo o gosto do seu prazer enquanto Jorge me levava ao clímax.
Eu gozei com um grito, meu corpo tremendo de prazer. Jorge continuou por mais alguns minutos antes de explodir dentro de mim, seu esperma quente enchendo meu cu. Ele se retirou, e Camila me lambeu, limpando o esperma de Jorge de mim com a língua.
Nós quatro deitamos na cama, exaustos mas satisfeitos. Eu olhei para Jorge, que me sorriu com aquele orgulho tranquilo que eu adoro.
— Você ficou linda hoje — ele falou, baixinho.
— Foi por causa da tornozeleira?
— Foi por causa de você finalmente se permitir usar ela.
Chegando em casa, ele me levou pro quarto ainda de vestido, e desceu de joelhos na minha frente, devagar, beijando minha coxa, subindo aos poucos, com uma atenção que carregava alguma coisa a mais naquela noite, algo que eu não sei nomear direito além de dizer que parecia gratidão misturada com desejo.
Ele tirou minha sandália com cuidado, deixando só a tornozeleira, e beijou meu tornozelo antes de continuar subindo, um gesto pequeno que carregava um peso enorme pra mim.
Me deitou naquela cama e desceu por mim devagar, com uma dedicação completa, prestando atenção em cada reação minha, tomando o tempo que fosse necessário.
Eu gozei com as mãos na cabeça dele, sentindo aquela tornozeleira ainda presa no meu pé, um lembrete físico de tudo que eu tinha finalmente assumido naquela noite.
Ele subiu depois, entrou em mim devagar, com a testa colada na minha, sem desviar o olho nem por um segundo.
E foi ali, naquele momento, que eu senti com mais clareza do que nunca uma coisa que eu já sabia há vinte e três anos, mas que aquela pequena joia de espadas tinha ajudado a colocar em palavras: minha preferência nunca foi segredo, nunca foi vergonha, sempre foi só minha, do jeito mais simples e mais verdadeiro possível.
Eu gozei de novo, mais devagar, com as pernas em volta da cintura dele, e ele veio logo depois, ficando ali, abraçado comigo, num silêncio bom.
— Obrigada por ter esperado eu ter coragem — falei, baixinho, já quase dormindo.
— Eu sempre soube que você ia usar. Só precisava do seu tempo.
Hoje eu uso aquela tornozeleira sempre que saio pra dançar, sem vergonha nenhuma, sem pensar duas vezes.
E, de vez em quando, quando alguém reconhece o símbolo e troca aquele olhar de entendimento comigo, eu sorrio, penso naquela primeira noite de samba, e sinto o mesmo orgulho quieto de sempre.
Se você chegou até aqui, obrigada por ler. A gente escreve essas histórias do jeito que elas aconteceram, sem inventar muito, e é sempre bom saber que tem gente do outro lado. Se curtiu, segue a gente, deixa um comentário contando o que achou e dá uma olhada nos nossos outros contos, tem bastante coisa por lá.
Casal Apimentados
