Darlan nunca teve vergonha do próprio corpo. Aos dezenove anos, já carregava a nudez com a naturalidade insolente de quem aprendera cedo que, no caso dele, mostrar dificilmente produzia constrangimento. No vestiário do jiu-jítsu, era sempre um dos últimos a vestir a cueca; na piscina, trocava a bermuda molhada onde estivesse. Não se cobria por reflexo, não virava de costas, não procurava toalha. Havia nele uma espécie de convicção física: Darlan gostava do próprio tamanho e, principalmente, gostava de saber que os outros percebiam.
Uma vez, voltando de uma festa, mandou Bruno parar o carro no acostamento porque precisava mijar. Ítalo desceu também. Eu fui logo depois. Os três se espalharam diante do mato como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Darlan abriu a bermuda sem cerimônia e começou a mijar de frente para a estrada, iluminado de tempos em tempos pelos faróis dos carros que passavam. O pau grosso e pesado, a cabeça larga, o saco cheio balançando baixo.
— Vira essa porra pra lá, negão — Ítalo reclamou.
Darlan gargalhou.
— Inveja é foda.
— Inveja do caralho. Só não quero levar uma paulada se tu virar rápido.
Bruno riu atrás da gente. Eu estava ao lado de Darlan quando abri a calça para fazer o mesmo. Ele olhou — não discretamente, porque Darlan nunca fazia nada discretamente. Baixou os olhos, comparou por um instante e soltou aquela risada satisfeita de quem acabara de encontrar material para me encher o saco.
— Ah, Vini... com esse piruzinho aí, só podia ser franguinha mesmo.
Ítalo começou a rir.
— Deixa o pau do menino em paz, porra.
— Que pau? — Darlan olhou de novo, deliberadamente. — Isso aí é um pintinho.
— Tu tá interessado demais no meu pau.
Bruno soltou um grito de longe.
— Aí, Darlan! O Vini te pegou agora.
Darlan nem se abalou. Guardou o próprio pau com calma e fechou a bermuda, ainda com aquele sorriso.
— Interessado nada. Só tô entendendo as coisas.
— Entendendo o quê?
— Por que tu é desse jeito.
Não perguntei que jeito era aquele. Não precisava. Também não disse que meu pau estava longe de ser pequeno. Ao lado do de Darlan, quase qualquer comparação começava injusta; e corrigir a piada significaria aceitar a lógica dela. Preferi me guardar, fechar a calça e voltar para o carro.
— Acabou a perícia, doutor?
Ítalo riu outra vez. Darlan passou por mim e bateu na minha nuca.
— Entra no carro, franguinha.
Era assim desde sempre. Darlan transformava corpo em argumento. Altura, braço, costas, força, pau. Tudo parecia confirmar uma conclusão que ele já havia tirado sobre si mesmo muito antes de ter idade suficiente para formulá-la: algumas coisas faziam um homem ser mais homem que outro. Eu nunca me preocupei muito em discutir. Darlan tinha suas certezas. Eu tinha coisas mais interessantes para fazer.
Na sexta-feira em que tudo começou, quando entrei no bar e ouvi a risada dele antes mesmo de encontrá-lo, meu primo estava no fundo, espalhado numa cadeira de plástico como se o lugar tivesse sido construído ao redor dele: camiseta preta apertada nos braços, bermuda acima dos joelhos, uma perna avançada pelo corredor e a mão fechada em torno de uma garrafa de cerveja. Bruno ocupava a cadeira ao lado; Ítalo, a outra. Mais quatro caras completavam a mesa, todos conhecidos daquele circuito meio indistinto de academia, tatame, churrasco e bar.
Darlan me viu quase no mesmo instante, e o sorriso desapareceu. Eu teria continuado até o balcão se Ítalo não tivesse levantado a mão.
— Vini! Ô, Vini! Cola aqui.
Darlan virou a cabeça devagar.
— Pra que tu tá chamando?
Ítalo já ria.
— Porque eu quero, porra.
— Deixa o cara.
— Agora eu vou chamar mais ainda. Vem, boiolinha!
Alguns olharam. Eu fui. Darlan acompanhou minha aproximação com aquela expressão que conhecia desde criança, uma mistura de irritação e impaciência que aparecia principalmente quando nossos círculos se cruzavam.
— Boa noite, rapaziada.
Bruno empurrou uma cadeira vazia com o pé.
— Senta aí, Vini.
— Não tinha outro bar, não? — Darlan perguntou.
Puxei a cadeira.
— Tinha. Mas nesse tem gente bonita.
Ítalo abriu os braços.
— Finalmente alguém reconhece.
— Não tava falando de tu.
A mesa riu. Darlan também.
Foi assim que fiquei. Conhecia aquele tipo de mesa mesmo sem conhecer todos os homens sentados nela. Bastavam dez minutos: mulher, academia, luta, dinheiro, sexo. A conversa podia começar em qualquer lugar; depois de cerveja suficiente, acabava inevitavelmente no pau de alguém. Bruno tinha levado um fora de uma mulher perto do balcão e, por isso, estava sendo tratado como se tivesse sofrido uma derrota oficial.
— O problema de Brunão é achar que braço resolve tudo — disse Ítalo.
Bruno ergueu o copo.
— Falou o cara que parece uma geladeira pequena.
— Mas eu pego mulher.
— Pega onde?
— Na tua casa.
Darlan bateu a garrafa na mesa, rindo.
— Aí, Brunão. Eu não deixava.
Bruno virou para ele.
— Tu tá rindo porque ainda não tomou teu fora hoje.
— Eu não tomo fora.
— Claro. Pra tomar, tem que chegar primeiro.
Darlan inclinou o corpo para a frente.
— Quer apostar?
Era isso nele. Tudo podia virar uma medição: quem levantava mais peso, quem derrubava quem, quem bebia mais, quem pegava mais mulher. Até sentado, Darlan parecia disputar espaço com os outros e normalmente ganhava. Não porque fosse o mais bonito — Bruno provavelmente era — nem porque fosse o mais engraçado — Ítalo falava três merdas por minuto e acertava duas. Darlan simplesmente tinha aprendido a ocupar qualquer ambiente como se precisasse ser percebido nele.
— E tu? — perguntou um dos caras que eu conhecia da academia. — Tá namorando ainda?
— Eu nunca estive namorando.
— Aquele maluco que ia direto pra tua casa?
Darlan soltou um ruído de impaciência.
— Qual deles?
Olhei para meu primo. Ítalo quase derrubou a cerveja de tanto rir.
— Caralho! O próprio primo entregando.
— Ele que fica levando macho pra casa toda semana — Darlan respondeu.
— E tu fiscaliza?
— Infelizmente eu tenho olho.
— Então fecha.
Darlan me mostrou o dedo médio.
— Vai tomar no cu.
— Não faz meu tipo.
A mesa reagiu antes dele. Bruno bateu na mesa, Ítalo se dobrou sobre o próprio copo e até Darlan acabou rindo, embora o maxilar tivesse endurecido primeiro. Continuei bebendo.
Mais tarde, levantei para ir ao banheiro. Precisei passar por trás de Darlan e Ítalo porque o corredor entre as mesas era estreito. Já estava alguns passos adiante quando ouvi Ítalo chamar meu primo.
— Porra, Darlan.
Não parei.
— Que foi?
— Teu primo tem uma bundinha boa mesmo, viu?
A risada veio antes da resposta.
— Tu tá olhando pra bunda do meu primo por quê, caralho?
— Porque ela passou na minha frente.
— Olha pra bunda de uma mulher.
— Não tem nenhuma passando.
Bruno entrou no assunto:
— Hoje tá triste.
— Eu traçava — Ítalo disse.
Dessa vez parei e olhei por cima do ombro. Ítalo sustentou o sorriso. Bruno já estava rindo. Darlan, não.
— O quê? — perguntei.
— Nada — Darlan respondeu.
— Não falei contigo.
Bruno soltou um “ih” comprido.
— Vai mijar, Vini — Darlan disse.
— Tô indo.
— Então vai.
Continuei, mas Ítalo ainda não tinha terminado.
— Ficou puto por quê, negão? Eu trataria teu primo bem.
— Tu não encosta nele.
— Eita, porra.
— Que foi?
— Nada. Só achei fofinho você bancando o protetor.
Quando voltei, Darlan estava contando uma história sobre uma menina com quem tinha saído na semana anterior. Contava alto demais e acrescentava detalhes que ninguém pedira. Em determinado momento, Bruno contestou alguma coisa e ele respondeu puxando a cintura da bermuda para cima, rindo.
— Pergunta pra quem já viu se eu preciso mentir.
— Lá vem ele falar do pau — Ítalo reclamou.
— Inveja é foda.
— Eu já vi essa desgraça mais vezes do que queria.
— E continua olhando.
— Porque ocupa metade do vestiário, caralho.
Darlan gargalhou e abriu os braços, satisfeito consigo mesmo. Não havia constrangimento. Nunca havia. Para ele, o próprio corpo funcionava quase como currículo. Continuei bebendo e só percebi que Darlan estava me olhando quando levantei os olhos.
Ele desviou primeiro.
Passava das três quando a mesa começou a morrer. Ninguém tinha conseguido mulher nenhuma. Bruno já tinha desistido fazia tempo, Ítalo conversava com o motorista que viera buscar dois dos caras, e Darlan tinha chegado àquele ponto da bebida em que continuava plenamente consciente, mas precisava concentrar um pouco mais de atenção em coisas que normalmente fazia sem pensar. Como ficar em pé.
— Sete horas na tua casa — Bruno lembrou.
Darlan fez uma careta.
— Sete é meu caralho.
— Foi tu que marcou o treino.
— Então eu desmarco.
— Não vai desmarcar porra nenhuma.
Ítalo apareceu atrás deles.
— Eu e Brunão temos chave. Se tu não abrir, a gente entra.
— Entra e eu quebro vocês dois.
— Tu vai tá de ressaca.
Darlan procurou a chave do carro no bolso. Estendi a mão.
— Me dá.
Ele olhou para minha palma.
— Pra quê?
— Porque tu bebeu.
— Eu sei dirigir bêbado.
— Frase de quem daqui a pouco mata alguém.
— Não tô bêbado.
— Então fica em um pé só.
Bruno riu.
— Quero ver.
— Vão tomar no cu vocês três.
Darlan jogou a chave para mim.
No carro, o silêncio durou duas esquinas. Ele estava recostado no banco do passageiro, braço apoiado na porta, enquanto a cidade passava pelo vidro em manchas amarelas. Eu já tinha quase esquecido a conversa do bar quando ele falou:
— Ítalo fala merda demais.
— Novidade.
— Tem hora que enche o saco.
— Tu ri de metade.
— Porque metade é engraçada.
Esperei. Ele continuou olhando para fora.
— Tu ficaria com ele?
A pergunta saiu casual demais.
— Com Ítalo?
— É.
— Por quê?
— Perguntei.
— Eu ouvi.
Darlan virou o rosto.
— E aí?
— E aí o quê?
— Ficaria?
Deixei alguns segundos passarem.
— Talvez.
Ele tornou a olhar para a rua.
— Ele ia te arregaçar.
Ri.
— É?
— Tu viu o tamanho dele.
— Já.
— Então.
Não respondi. Darlan mexeu a língua por dentro da bochecha antes de continuar:
— O Juninho já comeu tu, né?
Olhei para ele.
— O quê?
— O Juninho. Aquele mané da academia. Falou pra um monte de gente que te comeu. Disse até que teu cu era melhor que muita mina.
— E tu acredita em tudo que ouve?
Darlan soltou um riso curto.
— Tu que vacila, porra. Conhece os caras. É tudo bicho solto. Achou um buraco, tá metendo.
Olhei novamente para a rua.
— Sei.
Darlan ficou quieto por alguns segundos. Depois riu sozinho, balançando a cabeça.
— Juninho é um filho da puta também.
— Por quê?
— Porque saiu contando.
— E tu tá me contando que ele contou.
— Foda-se.
O assunto morreu ali.
Na casa dele, Darlan errou a fechadura duas vezes antes que eu tirasse a chave da mão dele.
— Sai.
— Eu consigo, caralho.
— Tô vendo.
Abri a porta. Ele entrou reclamando alguma coisa e arrancou a camiseta antes de chegar à sala, jogando-a sobre o sofá. Sem o tecido, parecia ainda maior: costas largas, peito pesado, ombros que o jiu-jítsu tinha engrossado de um jeito diferente do corpo mais desenhado de Bruno. Darlan sabia exatamente a impressão que causava. Sempre soube.
— Água — falei.
— Tem na cozinha.
— Eu sei onde fica.
— Então pega pra tu.
Fui até a cozinha, enchi um copo e voltei. Ele estava abrindo a bermuda.
— Que porra tu tá fazendo?
— Vou tomar banho.
— Bebe primeiro.
Darlan olhou para o copo e depois para mim.
— Tu tá muito mandão hoje.
— E tu tá muito bêbado hoje.
— Não tô bêbado.
Entreguei o copo. Ele bebeu e terminou de tirar a bermuda sem qualquer cerimônia. Ficou de cueca na minha frente, perfeitamente confortável, como estivera centenas de outras vezes. O volume sob o tecido chamava atenção sem que ele precisasse fazer nada para isso. O pau grosso se marcava com clareza, a cabeça quase escapando pela lateral, o saco pesado deformando o tecido.
Percebeu meu olhar e sorriu.
— Que foi? Nunca viu, não?
— Já vi coisa demais tua, infelizmente.
— Inveja é uma merda.
— Tu pensa muito no teu pau.
Darlan riu.
— Quem pode, pode.
Peguei minha chave.
— Boa noite, Darlan.
Eu tinha chegado à porta quando ele chamou meu nome. Virei. Ele ainda estava no mesmo lugar, passando a mão pela barba.
— Aquilo que Ítalo falou...
— De novo isso?
— Tu deixou ele falar.
— Eu precisava fazer o quê?
— Mandar tomar no cu.
— Tu mandou por mim.
Ele ficou me olhando.
— Tu gosta quando os caras falam essas coisas?
— Que coisas?
— Que vão te comer.
— Isso tá te incomodando por quê?
Darlan deu dois passos na minha direção. O cheiro de cerveja e suor chegou primeiro. Os olhos dele desceram por mim sem qualquer esforço para esconder o caminho.
— Não tá.
— Então beleza.
Virei para a porta.
A mão dele fechou na minha nuca.
O beijo veio duro, apressado, quase hostil. Darlan me puxou para perto e me prensou contra a parede com o peso do corpo. Quando se afastou, continuou segurando minha nuca.
— E aí? Vai ser boazinha pra mim ou não?
Olhei para ele.
— Tu é muito idiota.
Darlan riu.
— Mas tu não foi embora.
Não fui.
Ele me beijou outra vez. Dessa vez não houve pergunta. A mão desceu pelas minhas costas e apertou minha bunda, puxando meu corpo contra o dele.
— Para de se fazer — murmurou. — Tu sabe o que eu quero.
Sabia.
Darlan parecia saber também.
O caminho até o quarto aconteceu sem conversa suficiente para interromper aquilo. Darlan ia à frente mesmo quando andávamos lado a lado. Abriu a porta, puxou minha camiseta e riu quando ela ficou presa por um segundo na minha cabeça.
— Caralho, Vini.
— Que foi?
— Nada.
— Então cala a boca.
— Olha ele.
A cama rangeu quando Darlan sentou na beirada. Eu fiquei de pé diante dele. Seus olhos percorreram meu corpo e demoraram onde quiseram. Não havia dúvida alguma no rosto dele.
— Vem cá, porra.
Fui.
Darlan me puxou pela cintura, me virou e me empurrou de joelhos entre as pernas. Puxou a própria cueca para baixo. O pau saltou, grosso, a cabeça larga já brilhante de pré-gozo, o saco cheio e baixo. Segurou meu cabelo com força e me puxou para perto.
— Chupa, porra. Vai, putinho.
Abocanhei. O gosto era salgado, o volume pesado demais para engolir de uma vez. Usei a mão na base e chupei com ritmo, molhado, o som da saliva enchendo o quarto. Darlan gemeu baixo, a mão firme no meu cabelo, o quadril empurrando de leve para dentro da minha boca.
— Isso… assim mesmo, franguinha. Mais fundo. Engole essa porra.
Desci até o saco. Lambi as bolas pesadas, uma de cada vez, chupando de leve. Enquanto mamava, fui abrindo suas coxas com as mãos, devagar, como quem só queria mais espaço. Depois subi de novo, chupei a cabeça com volúpia, desci a língua pela veia grossa até a base e voltei a engolir o máximo que dava. A língua, em determinado momento, desceu um pouco mais do que devia, passou pela costura do saco e voltou rápido para as bolas, como se tivesse se perdido.
Continuei concentrado no pau, chupando com gosto, a mão apertando a base, a saliva escorrendo pelo queixo. Fui abrindo um pouco mais as pernas dele. O acesso ficou melhor. O saco pesado descansava agora totalmente exposto.
Darlan puxou meu cabelo para cima de repente.
— Vira. Quero chupar esse cu também.
Ele me puxou para a cama, deitou de costas e me posicionou por cima, de costas para ele, encaixando o 69. Meu pau e o saco ficaram na altura do rosto dele. Darlan resmungou na hora, empurrou meu saco com a mão, virou o rosto de lado.
— Tira essa porra da minha cara, caralho.
Mas não me tirou. A língua dele encontrou minha entrada e começou a lamber, chupar, entrar. Eu continuei no pau dele, no saco, chupando com o mesmo ritmo. De vez em quando a língua descia de novo, passava baixo demais, voltava para as bolas como se tivesse escapado. Os dedos, ao segurar o saco, também roçavam a entrada sem qualquer pressa. Darlan soltou um “ô, aí não” baixo, uma vez, mas a língua dele não parou de trabalhar no meu cu.
Continuei.
Até que a língua ficou um segundo a mais do que deveria. Um dos dedos entrou só a ponta, quase sem pressão.
Darlan reage na hora.
— Caralho, sua puta!
Ele me empurrou para o lado, segurou meu queixo e até tentou dar um tapinha na minha cara – que saiu sem forças, provavelmente em razão da bebida. Sentou no meio da cama, abriu as pernas largas e apontou o pau grosso para cima. O saco pesado caía entre as coxas. Que homem!
— Vem cá. No chão. E mama direito dessa vez.
Desci da cama e ajoelhei de novo. Olhei para ele de baixo, engoli sua pica, mas sem deixar de o admirar. Queria agradá-lo. Darlan pareceu satisfeito. Me iludi.
Ele me chamou com a mão.
— Sobe.
Quando comecei a levantar, ele falou:
— Vá até a parede no fim do quarto.
Foi aí que percebi que ele realmente faz jus a fama que carrega. Nunca havia transado com alguém assim. Ele estava brincando comigo, se divertindo, sendo o predador. Não vou negar, questionei-me: será que ele é assim com as meninas que come ou está se aproveitando porque achou um viadinho?
— Agora vem!
E antes de eu terminar o primeiro passo:
— Não. Quero você engatinhando.
Engatinhei lentamente até a cama. Apenas obedeci. Subi entre as pernas abertas dele. Em vez de só mamar, comecei de novo pelo pau, mas fui subindo devagar: lambi o saco, coloquei uma bola na boca, depois a outra, passei a língua pela coxa interna, voltei para as bolas, subi pelo baixo ventre, lambi o umbigo, o abdômen, o peito. Como já tínhamos nos beijado antes, o beijo que veio em seguida foi bem recebido.
Beijei a boca dele. O corpo colou no dele. Meu pau, no movimento natural de estar por cima e entre as pernas abertas, roçou na entrada.
Foi só um segundo. Tudo que precisava.
No seguinte, empurrei de uma vez só e segurei fundo.
Darlan travou.
O aperto era forte, quente. Ele soltou um gemido longo, abafado, e tentou se afastar — o movimento veio instintivo, o quadril puxando para frente, as mãos empurrando meu peito. Não teve força suficiente. A bebida e o cansaço pesavam mais do que a vontade de sair.
Os olhos estavam abertos demais, a boca entreaberta, a testa profundamente franzida. Não era apenas dor. Era a cara de quem acabara de ter a masculinidade atravessada de forma irreversível — o tipo de ferida que nenhum homem daquele círculo admitiria em voz alta, mas que o corpo não conseguia esconder.
— Caralho… Vini… que porra é essa…
Fiquei parado alguns segundos, deixando ele sentir o volume inteiro dentro dele.
Só então comecei a meter.
Lento no início. Fundo. Cada estocada fazia o corpo grande tremer. O som da carne batendo encheu o quarto.
Darlan xingou baixo.
— Vai tomar no cu, caralho…
— Quem tá tomando não sou eu — respondi, a voz baixa, quase casual.
Acelerei aos poucos, segurando a cintura com força. Continuei metendo enquanto uma das mãos descia e agarrava o pau grosso que balançava entre as pernas dele. Masturbei no mesmo ritmo das estocadas.
— Olha só… o machão todo aberto.
Darlan gemeu mais alto. O protesto veio solto, sem força de verdade.
Não parei.
Quando senti ele perto, apertei a base do pau e segurei, impedindo o gozo. Continuei metendo, mais fundo, mais rápido, até o próprio limite. Gozei dentro, o corpo travando contra as costas dele.
Só então soltei o pau e masturbei rápido. Darlan gozou segundos depois, jatos grossos sujando o lençol, o corpo inteiro tremendo sob o meu.
Ficamos assim por um tempo.
Quando saí de dentro dele, um fio de porra escorreu pela coxa interna. Darlan caiu de bruços na cama, ainda ofegante, e apagou quase que instantaneamente.
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A claridade já atravessava a cortina quando abri os olhos.
Darlan continuava dormindo profundamente, de bruços, uma perna dobrada, o corpo grande espalhado pela cama. A respiração era pesada, de quem ainda carregava a ressaca da noite anterior. Eu bebi bem menos. Levantei com cuidado.
Fiquei alguns segundos olhando.
O corpo másculo, as costas largas, o saco pesado esparramado entre as coxas, o pau grosso jogado para o lado, ainda mole. Perto da entrada, nas coxas internas, restavam vestígios do que tinha acontecido — um pouco de porra seca, a marca discreta de quem tinha sido aberto.
Admirei por um instante. Sempre admirei aquele corpo. A masculinidade óbvia, a força, o peso. Depois me movi.
Com todo o cuidado do mundo, limpei o que restava. Passei um pedaço de lençol úmido pelas coxas, pela fenda, removendo qualquer evidência mais visível. Não por carinho. Por cálculo.
Ouvi o carro estacionando lá embaixo.
Esperei.
Peguei a camiseta, vesti-a de qualquer jeito, deixei o cabelo bagunçado, a expressão de quem tinha passado a noite sendo usado. Desci a escada devagar. Quando abri a porta da frente, o carro do Bruno e do Ítalo estava ali, os dois ainda dentro, conversando.
Olhei de canto, sem que percebecem. Dei um sorrisinho de lado, quase imperceptível, e saí.
Não precisei dizer nada.
Eles entenderam exatamente o que eu queria que entendessem.
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Darlan acordou com alguma coisa acertando sua perna.
— Levanta, desgraça.
Abriu os olhos. Bruno estava ao lado da cama; Ítalo, encostado no batente.
— Que porra vocês tão fazendo aqui, caralho?
— Sete horas — Bruno respondeu.
Darlan puxou o lençol e procurou o celular.
— Sai do meu quarto.
Ítalo começou a rir. Darlan parou.
— Que foi?
Bruno olhou para o amigo.
— A gente viu quem tava saindo daqui, filho da puta.
O quarto ficou quieto por um segundo.
Ítalo não aguentou.
— Porra, Darlan. Finalmente o boiolinha serviu pra alguma coisa, hein?
Darlan olhou para ele.
— Cala a boca.
Isso só piorou.
— Ih! — Bruno começou a rir.
Ítalo apontou para a cama.
— Traçou o primão!
Bruno olhou para Ítalo com aquele sorriso de quem já estava no modo zoeira. Sem dizer nada, foi para trás do amigo, segurou a cintura dele por cima da roupa e começou a simular estocadas, o quadril batendo no ar sem realmente encostar.
Ítalo, na hora, entrou no personagem. Curvou um pouco as costas, ergueu a voz num tom manhoso e exagerado:
— Vai, primão… mete esse pauzão preto em mim… vai, primão… assim… mais fundo…
Bruno riu e respondeu no mesmo tom de brincadeira:
— Cala a boca, viadinho. Toma essa porra.
Os dois continuaram a performance por mais alguns segundos, rindo alto, enquanto Darlan, ainda sentado na cama, observava a cena com uma mistura de irritação e vergonha.
— Vão esperar lá embaixo, porra. Já desço.
— O negão tá puto!
— Vaza, caralho!
Eles saíram rindo. Ainda dava para ouvir Ítalo no corredor, repetindo a voz manhosa para Bruno enquanto desciam.
Quando a porta fechou, Darlan permaneceu sentado na cama por alguns segundos. Não havia mais ninguém para quem sustentar expressão nenhuma.
Levantou nu e entrou no banheiro. Acendeu a luz, abriu a torneira e ergueu os olhos.
O espelho devolveu o mesmo corpo de sempre: grande, forte, conhecido.
Darlan ficou olhando para ele enquanto, lá embaixo, Bruno e Ítalo ainda riam.
Então a voz de Ítalo ecoou em sua cabeça:
— Finalmente o boiolinha serviu pra alguma coisa.
Darlan não desviou os olhos do espelho.
