Foi então que, numa conversa entre os três amigos, que ficou marcado a ida de Verena ao famoso baile de rua. Ela ficava cobrando Benício, mais pra variar a programação que tinham do que uma vontade real de ir.
O baile estava no auge quando os seis chegaram. O som tremendo o asfalto, as luzes dos postes estavam ainda mais fortes, e o cheiro de suor, cerveja e perfume se misturando de forma inebriante. Todo mundo dançando animado, sem parar, mulheres mexendo a raba, roupas justas e apertadas, fumaça de cigarro e de churrasco se enroscando no ar.
Verena apertou a mão de Benício, os olhos arregalados enquanto absorvia a cena. Vestia uma calça jeans simples, um tênis branco, e uma blusa branca, como Benício havia sugerido - nada de muito produzido. Mas ainda assim se sentia deslocada, como uma estrangeira num país cujos costumes ela não compreendia completamente.
Verena: É... intenso
Benício: É assim mesmo. Fica perto de mim, tá?
Ela assentiu, mas seus olhos já percorriam o ambiente, tentando entender aquela lógica diferente.
Andreza e Jéssica foram as primeiras a se soltar. Elas foram pra pista como peixes na água, rebolando ao ritmo da música com uma naturalidade que Verena achou fascinante. Andreza, que Verena sabia ter vindo de um mundo tão diferente daquele, já estava enturmada com algumas pessoas - cumprimentava um grupo aqui, ria com outro ali, trocava beijinhos e abraços como se conhecesse todo mundo há anos. Jéssica, claro, era a rainha daquele território. Todo mundo a reconhecia, tirava fotos, puxava conversa. Ela era o centro das atenções, e parecia adorar cada segundo.
Verena: Elas se encaixaram rápido.
Benício: A Andreza é uma adaptável nata, morou fora, então já absorveu algum jogo de cintura anteriormente. E Jéssica já nasceu aqui, praticamente.
Leandro e Marquito tinham ido buscar bebidas e assim que chegaram, puxaram as meninas para perto e começaram a beijá-las com uma intensidade que Verena achou quase constrangedora. Marquito tinha uma mão na nuca de Andreza, beijando-a como se não houvesse amanhã, o corpo colado ao dela, as mãos percorrendo suas costas com uma familiaridade que ia além do carinho. Leandro, com sua natureza exaltada, era ainda mais intenso - beijava Jéssica com fome, com mordidas no lábio inferior e sussurros no ouvido que faziam a influencer rir e se entregar ainda mais.
Verena: Puxa, eles parecem que vão transar aqui mesmo
Benício: Esses aí gostam de se aparecer.
Benício, ao lado dela, estava mais animado do que ela esperava. Ele cumprimentou algumas pessoas que conhecia, trocou algumas palavras, e até dançou um pouco. Mas, mesmo no meio daquela agitação, Verena notou que ele era mais discreto. Seus beijos nela eram suaves, cuidadosos - não a intensidade selvagem que via nos outros casais. Ele a beijava como quem a protege, não como quem a devora. Era como se ele não precisasse mostrar que era mais um macho alfa ali. Pelo contrário. Parecia querer demonstrar que havia vida inteligente e ponderada ali, no meio daqueles gorilas.
Verena pensou isso, gostou do namorado não querer dar uma de machão convicto, mas também notou a diferença de atitude em relação aos outros. Ele não tinha nada de dominador, embora tivesse pegada.
Benício dançou algumas vezes com Verena, mas ela estava muito tímida, ainda se sentindo travada, precisando de uns beijos mais firmes pra ir se soltando em doses homeopáticas. Em determinado momento, Verena se viu observando Marquito mais detidamente. Ele era, sem dúvida, bonito - traços firmes, olhar intenso, um corpo que se movia com uma confiança que beirava a prepotência. Quando dançava com Andreza, seus olhos pareciam devorá-la, e suas mãos percorriam o corpo dela com uma posse que era quase animal. Havia algo magnético nele, uma energia que atraía olhares - inclusive os dela, ainda que ela não quisesse admitir.
Leandro era parecido, mas mais histérico, mais explosivo. Ele ria alto, gesticulava com exagero, e quando beijava Jéssica, parecia que cada beijo era o último. Jéssica correspondia com a mesma intensidade, e os dois formavam um par que transbordava energia. As duas pareciam completamente apaixonadas por Marquito e Leandro, entregues àquela dinâmica com uma veemência que Verena nunca tinha experimentado. Havia algo ali que ia além da atração física - uma cumplicidade, uma intimidade que parecia construída em camadas.
Foi então que um pensamento atravessou sua mente, rápido e inesperado: "Será que os quatro transam juntos?"
Ela sentiu o rosto esquentar só de cogitar, mas a ideia não parecia tão absurda. A forma como Marquito e Leandro interagiam entre si, a maneira como Andreza e Jéssica se tocavam, a intimidade que os quatro compartilhavam — tudo apontava para algo que ia além da amizade. Era um sistema de entrosamento que Verena não compreendia completamente, mas que a fascinava de uma forma que ela mesma não esperava.
"O sexo entre eles deve ser bem quente", ela imaginou, e imediatamente se sentiu culpada por pensar nisso. Mas a imagem se formou em sua mente: os quatro corpos se encontrando, sem pudor, com uma performance que ela só podia imaginar.
A música, para Verena, era terrível. Batidas repetitivas, letras explícitas, um volume que machucava os ouvidos. Mas, estranhamente, aquele ambiente pesado se tornou mais tolerável graças à observação constante dos amigos do namorado.
Ela estudava cada movimento, cada olhar, cada toque. A forma como Marquito segurava Andreza pela cintura, puxando-a para perto. A maneira como Leandro mordia o ouvido de Jéssica enquanto dançavam. A naturalidade com que os quatro se moviam no meio da multidão, como se aquela fosse a extensão natural de suas vidas.
Benício, ao lado dela, notou seu olhar distraído.
- Tudo bem?
- Tudo. Só tô observando.
- Observando o quê?
- As pessoas. Elas se comportam como se o mundo fosse explodir amanhã.
- Eu te disse que era intenso.
- Mais do que eu imaginei
- Vamos dançar com eles
Mesmo sem jeito, ela aproveitou para arriscar alguns passos com Benício. Os seis dançavam juntos, mas isso não impedia dela continuar observando o quarteto em cena, Ela não sabia se era fascínio, curiosidade ou um misto dos dois. Mas uma coisa era certa: aquele ambiente, por mais estranho que fosse, estava despertando algo nela - uma vontade de entender, de decifrar, de talvez até experimentar um pouco daquela liberdade.
Em determinado momento, os amigos trocavam ideia, Andreza comia um pastel e Jéssica ficou ao lado de Verena.
- O que tá achando, princesa?
- Ainda não sei, mas ainda não fiquei zonza…
- Ah, pra quem não tem costume, só com o tempo
- Também não sei se virei com tanta frequência pra chegar ao costume pleno!
- Não precisa, relaxa. Gostar de tudo é forçação de barra.
- Vi que conhece muita gente aqui…
- Ô, nasci aqui né? Normal
- Ahahahahahahha, não falo com um por cento do bairro onde moro
- Mas não tem quase trinta mil seguidores, ahahahahahah
- Isso conta, ahahahahahaah
Benício chegou junto a ela, trocaram um beijo apaixonado
- Já quer ir embora?
- Daqui a pouco
- Hum, está gostando hein?
- Não sei se quero vir sempre, então é melhor ficar o quanto puder
- Observando né? Esse tem sido seu esporte ultimamente
- Verdade, mas não estou concorrendo à medalha…
- Me engana que eu gosto, ahahahahahaha
A noite continuou, e Verena permaneceu ali, observando. O baile, a música, os quatro amigos - tudo parecia um universo paralelo. E, aos poucos, ela começou a se perguntar se não seria interessante visitá-lo, mesmo que só por um momento.
O grupo se despediu na saída do baile, com o som ainda ecoando ao longe e as luzes da rua clareando os rostos suados e sorridentes. Marquito, com o braço em volta de Andreza, olhou para Benício e Verena com aquele sorriso safado que lhe era característico.
Marquito: Bora pra casa de Andreza, galera? A noite ainda tá jovem!
Andreza: Nossa, ele convida todos pra minha casa como se fosse a dele, vê só!
Marquito: Ah, somos casados! A casa é nossa
Jéssica: Cara de pau, ahahahahahahahha
Andreza já estava grudada nele, com os lábios colados ao seu pescoço. Leandro e Jéssica também pareciam prontos para continuar a noite, trocando beijos rápidos e risadas cúmplices.
Benício: Hoje não, Marquito. A gente vai dar uma esticada em casa. Fica pra próxima, tá?
Verena sentiu um misto de alívio e... algo mais. Algo que ela não sabia nomear, mas que a fez olhar por um segundo a mais para os quatro amigos, tão entregues uns aos outros. Mesmo que Benício tenha dito que não ia sem consultá-la, ela não queria naquele momento ir. Achava que a noite já tinha revelado muita coisa pra sua mente absorver.
Marquito:Tá bem, Bené. Não vou insistir não, você quem sabe.
Benício: A gente se vê depois. Vou lá, Leandro! Tchau, meninas!
Os quatro se foram, andando juntos pela calçada, rindo e se tocando, como se fossem uma única criatura de quatro corpos. Verena observou até que eles sumissem na curva, e sentiu um friozinho na barriga - uma curiosidade que ela não sabia explicar.
Ccaminharam em silêncio mais um pouco até a praça, pra pedir um uber. A casa de Verena estava vazia, os pais dela haviam viajado visitar parentes. Daí eles preferirem aproveitar a sós do que continuar um minibaile na casa de Andreza.
Chegaram, entraram, e a porta mal tinha se fechado quando ele a beijou. Um beijo devorador, que Verena correspondeu com vontade. Foram para o quarto, as roupas caindo pelo caminho, e se deitaram na cama macia de Verena.
O sexo com Benício era sempre bom. Regular, proveitoso, ritmado… safado.
Mas em algum momento, enquanto ele metia rápido nela, as imagens começaram a invadir sua mente.
Ela não conseguia evitar. Viu Marquito e Andreza na pista, os corpos colados, os beijos lascivos. Viu Leandro e Jéssica, entregues àquela intensidade quase animal. Viu os quatro se beijando no baile, as mãos percorrendo corpos com uma intimidade que ia além do carinho.
"Eles foram pra casa juntos", pensou Verena, enquanto Benício aumentava o ritmo, seu corpo agora mais ofegante. "Estão todos juntos. Vão transar."
A imagem se formou em sua mente com uma nitidez que a surpreendeu. Marquito e Andreza na cama, se devorando, com Leandro e Jéssica ao lado, os quatro corpos se entrelaçando num emaranhado de pele e suor. Ela imaginou os gemidos, os sussurros obscenos, a confusão de membros, bocas, mãos. Não era como nada que ela tivesse visto - ou sequer imaginado antes.
Benício a penetrava com mais força agora, seu ritmo mais rápido, mais intenso. Mas Verena não estava mais ali. Sua mente viajava para a casa de Andreza, imaginando a cena.
Ela viu Andreza montada em Marquito, os seios balançando, a boca aberta num gemido. Viu Jéssica de quatro para Leandro, arqueando as costas, os cabelos presos na mão dele. Viu os corpos se chocando num ritmo alucinado, o som de pele contra pele, os gritos de prazer que ecoavam pelo quarto.
"Lá está melhor", ela pensou, sentindo o próprio corpo responder à fantasia. "Mais intenso, mais selvagem!”
Ela imaginou os quatro trocando de parceiros, as mãos que percorriam corpos que não eram apenas de um, as bocas que provavam sabores diferentes. Era uma confusão enlouquecida, uma entrega total, sem pudor, sem limites. E Verena, mesmo de longe, sentiu o calor daquela casa atingi-la como uma onda.
- Ai, amor, mais rápido… mais… ohhhhhhhhhhhh
Ela abriu os olhos, viu o rosto dele - suado, concentrado, doce - e sentiu uma pontada de culpa por estar pensando em outra coisa. Mas a excitação era maior. A imagem dos quatro naquela casa, se devorando, a fez arquear as costas.
— Vai, amor…vem mais rápido, vem, vem, vem...
Ele gozou com um gemido abafado, e Verena sentiu o próprio corpo se contrair num orgasmo que veio misturado com a imagem dos quatro corpos se encontrando. Foi mais intenso do que ela esperava, uma onda de prazer que a deixou ofegante, os olhos marejados.
Por um momento, ficaram em silêncio, os corpos ainda entrelaçados. Benício descansou a cabeça no ombro dela, a respiração ofegante se acalmando aos poucos.
Benício: É… o baile tem seus estímulos
Eles ficaram conversando por um tempo - sobre o baile, sobre a música, sobre os amigos. Benício contou algumas histórias do SENAI, de quando conheceu Marquito e Leandro, e Verena ouviu com atenção, as mãos acariciando o cabelo dele.
Mas, aos poucos, o cansaço venceu Benício. Seus olhos se fecharam, sua respiração ficou mais profunda, e logo ele dormia, com o rosto tranquilo encostado no ombro dela. Verena ficou acordada, os olhos abertos no escuro do quarto.
Ela não estava acostumada a fantasiar daquela forma. Sua vida sempre foi calma, seus desejos sempre foram centrados, suas fantasias sempre foram suaves, românticas, não vagavam por sua mente querendo escapar pra outros labirintos. Mas o comportamento lascivo dos dois casais naquela noite acendeu algo dentro dela - um fogo que ela não sabia que existia, uma curiosidade que crescia a cada momento.
"Por que eu estou pensando nisso?", ela se perguntou, sentindo o coração acelerado. "Eles são amigos do Benício. Isso é errado."
Mas não conseguia parar. As imagens voltavam - Marquito e Andreza, Leandro e Jéssica, os quatro se entregando num turbilhão de prazer que ela nunca tinha experimentado. Ela se perguntava como seria, como eles se tocavam, como se olhavam, como se permitiam.
E, no fundo, uma voz pequena e ousada sussurrou: "E se você estivesse lá?"
O pensamento a assustou. Ela apertou os olhos, tentando afastá-lo, mas ele persistiu, teimoso, quente, vibrante.
Verena olhou para Benício, dormindo tranquilamente ao seu lado, e sentiu um nó na garganta. Ele era o companheiro perfeito, amigo, tinha vida social, gostava de estar com ela, tinha charme Ela gostava disso, sempre gostou. Mas agora, algo mudara. Uma porta se abrira, e ela não sabia se queria - ou se podia - fechá-la.
A noite se arrastou, e Verena ficou acordada, os olhos fixos no teto, as fantasias dançando em sua mente, como os quatro. E, pela primeira vez, ela se sentiu dividida - entre o homem que a amava e o desejo de explorar um mundo que nunca imaginou conhecer. O que a espantava era a rapidez que isso se deu. Ela mal os havia conhecido e parecia que toda semana estava com eles, construindo em sua mente cada devassidão que se permitiam.
O domingo amanheceu ensolarado, o sol convidando todo mundo a ir pra rua. Benício e Verena combinaram darem uma corridinha no parque central da cidade, um lugar arborizado com trilhas para caminhada, lagos artificiais e bancos espalhados sob a sombra das árvores. Era o tipo de programa que os dois amavam - um ambiente bom, bonito, sem muitas alterações. E após um baile ruidoso, não tinha programa melhor pra recuperar os tímpanos.
Após alguns minutos de corrida,caminhavam de mãos dadas, o silêncio confortável quebrado apenas pelo canto dos pássaros e pelo som distante de crianças brincando. Benício estava relaxado, feliz por ter a namorada ao seu lado num local que ele considerava seguro e controlado.
Mas Verena estava diferente. Havia dormido menos que de costume, quando as fantasias a assombraram. Uma inquietação, uma curiosidade que ela não conseguia mais ignorar. E enquanto caminhavam, sentiu que precisava falar sobre isso - mesmo que arriscasse deixar o namorado desconfortável.
- Benício… posso te fazer uma pergunta meio... estranha?
- Estranha? O que foi?
- Você nunca ficou curioso de fazer sexo com outras pessoas em volta?
- Como assim? Você quer dizer... uma suruba?
- Eu não sei ao certo… É que eu fiquei pensando, depois do baile, sobre como os outros casais se comportam. Como eles parecem tão à vontade um com o outro.
- Verena, eu não entendi. Você quer explicar melhor que contexto é esse?
- Eu fiquei observando o Marquito e a Andreza, o Leandro e a Jéssica… A forma como eles se tocam, como se olham... Parece que existe uma intimidade ali que vai além do casal. E eu pensei... será que eles transam juntos? Será que trocam de pares?
- Uau… realmente eles lhe intrigaram bastante, hein?
- Observação, Benício! Eu vi como eles se comportam. A química entre os quatro é diferente de tudo que já vi. E, honestamente, fiquei curiosa.
- Olha, eles devem fazer isso sim, acho que fazem. Pelo que conheço deles, é possível. Mas mesmo se transarem, isso não é da minha conta, e muito menos da sua. Eu nunca cogitei participar de uma coisa dessas. Não é do meu feitio.
- Não, eu sei, é que… só perguntei se de repente… você… cogitou alguma vez… apesar de você dizer que não é algo que lhe atraia… cabia a mim perguntar.
- Não me sentiria à vontade. Eu não me enquadraria nesse tipo de dinâmica. Isso é coisa do Marquito e do Leandro, e o que fez nossa amizade foi justamente esse equilíbrio. Eles sabem que nunca fui de mergulhar de cabeça nas coisas assim.
- Eu sei que você é diferente e eu gosto de você exatamente como você é. Mas isso não significa que não pudesse ter curiosidade. Às vezes, a gente é de um jeito, mas fica com vontade de experimentar uma vez, sei lá...
- Verena, pelo que você observa e fala agora, andar com esse grupo está te contaminando. Você nunca manifestou esse tipo de pensamento antes.
- Contaminando? Observar coisas diferentes não é contaminação, Benício. É só... uma sondagem. Eu não estou propondo que a gente faça uma suruba amanhã. É só uma curiosidade, baseada no que tenho percebido, é isso. Temos apenas quatro meses de namoro, Benício, acho que é bom colocarmos as coisas em pratos limpos, expor considerações, ainda mais conhecendo gente que são pessoas próximas de você há anos.
- Uma curiosidade sobre uma alternativa fantasiosa, você quer dizer? Porque isso parece mais uma comparação. Você está comparando a gente com eles?
- Não! Não é uma competição, amor. É só que... eu nunca tinha pensado nesse tipo de coisa antes. E ver eles tão à vontade, tão entregues, fez eu me perguntar como seria. Mas isso não significa que eu quero que a gente faça isso. É só uma checagem, credo!
Benício balançou a cabeça, claramente desconfortável.
- Uma checagem que envolve meus amigos e as namoradas deles, sendo uma devassa que meu santo não bate com o dela e a filha do meu chefe que tá tirando onda de suburbana! Isso já tá estranho o suficiente pra mim!
- Meu Deus, Benício, só usei eles como exemplo, não precisa ser necessariamente eles! Pode ser… outras pessoas, não sei.
- Olha, Verena… fantasiar é normal, mas acho que isso é papo pra mais adiante. Vamos nos curtir, nós dois, que futuramente, futuuuuuuuuuuuuramente, quem sabe, as coisas não mudem de página.
Ela sentiu o peso das palavras dele e percebeu que tinha tocado num ponto sensível. Era evidente que Benício não se sentia seguro com aquele assunto, que a ideia de uma dinâmica tão diferente da sua o deixava ameaçado.
"Será que ele não teria o mesmo ritmo para realizar façanhas desse tipo?", ela pensou, observando o rosto tenso dele. "E ele sabendo disso o incomoda?"
- Tá bom, foi uma indagação boba. Queria dividir impressões como você, tentando ser parceira. Vamos curtir nosso dia, sem mais estresse.
O resto da caminhada foi silencioso, os dois evitando o assunto. Benício tentou puxar papo sobre o trabalho, sobre o filme que estrearia no cinema, mas a tensão do papo anterior permaneceu no ar. Verena se sentiu culpada por ter mexido naquela ferida, mas ao mesmo tempo, não conseguia apagar as imagens que tinham se instalado em sua mente. Compartilhar isso com ele era uma espécie de enquete.
À noite, eles transaram. Variações, gemidos, Benício estava até mais performático, talvez tentando se colocar como galo do terreiro. No fim, acabou sendo uma trepada animada.Verena correspondeu, gostou, gozou. Mas no fundo, ela sabia que a conversa do parque ainda ecoava em ambos.
Depois do sexo, Benício dormiu rapidamente, exausto. Verena, porém, ficou acordada por um tempo, os olhos fixos no teto, as palavras da conversa no parque ainda frescas na memória. Quando finalmente adormeceu, foi um sono agitado, cheio de imagens vívidas.
Ela estava numa casa, que ela não reconhecia, mas um lugar amplo, com luzes baixas e uma música suave ao fundo. Ela não via ninguém, mas ela sabia que encontraria alguém. Ou alguéns
Verena caminhou por um corredor até chegar a uma sala. E ali, diante dela, estava a cena que a deixou imóvel.
Marquito, Leandro, Andreza e Jéssica estavam todos na mesma cama grande, os corpos entrelaçados num emaranhado de braços, pernas, bocas e mãos. Andreza montava Marquito, os seios balançando, o rosto entregue ao prazer. Jéssica estava de quatro para Leandro, que a penetrava com força, puxando seus cabelos. Eles se moviam num ritmo alucinado, os gemidos preenchendo o ar.
- Isso, gata! Monta gostoso em mim, forte, com força!!
- Mais, Leandro! Me domina, com vontade!
Verena assistia fascinada, o coração acelerado, o corpo quente. Era como um filme erótico diante de seus olhos, mas mais real, mais cru, mais visceral. Ela sentiu as pernas ficarem moles, as mãos tremendo.
De repente, Andreza virou o rosto e olhou diretamente para ela.
- Verena! Ela chegou gente, ela chegou!
- Vem mulher! Não fica aí olhando! - disse Jéssica
Ela balançou a cabeça, recuando um passo.
- Eu não posso! O Benício... ele não está aqui.
Marquito se levantou da cama, nu, o corpo coberto de suor, o olhar penetrante, caminhando até ela.
- Você não precisa do Benício, Verena.Você precisa da gente.
Ele estendeu a mão, e os outros três gritaram em coro, as vozes ecoando pela sala como um convite hipnótico:
- Vem, mulher, anda! Vamo nessa,se divertir com a gente! Vem!
Verena sentiu o corpo inteiro tremer, o calor subir pelas pernas, o coração disparar. Ela olhou para a cama, para os corpos ainda se movendo, para os olhares que a convidavam, e sentiu um desejo avassalador tomar conta de si.
- Vem, mulher, tira essa roupa, se joga! - eles gritaram novamente, as vozes mais altas, mais insistentes, sorrisos soltos.
Verena deu um passo à frente, a mão quase tocando a de Marquito...
Ela acordou com um sobressalto.
O quarto estava escuro, o silêncio apenas quebrado pela respiração tranquila de Benício ao seu lado. Verena levou a mão à testa, sentindo a pele quente, o suor fino descendo pelo rosto. Entre as pernas, uma umidade que nunca tinha experimentado na vida. Estava molhada. Molhada não, ensopada! Uma excitação tão intensa que parecia ter se acumulado durante todo o sonho, pronta para transbordar.
"Nunca estive tão molhada em toda minha vida", ela pensou, com os olhos arregalados no escuro e a virilha úmida.
O coração batia forte, as imagens do sonho ainda dançando diante de seus olhos. Marquito nu, a mão estendida, o convite dos quatro ecoando em seus ouvidos.
Ela se levantou devagar, para não acordar Benício, e foi ao banheiro. Olhou-se no espelho - o rosto ruborizado, os olhos brilhantes, a respiração ainda acelerada. Passou a mão entre as pernas e sentiu o próprio calor, a umidade que a deixava quase tonta.
"O que está acontecendo comigo?", ela sussurrou para o próprio reflexo.
Mas no fundo, ela sabia. O baile, a observação, a conversa com Benício, e agora o sonho - tudo estava convergindo para um ponto de não retorno. A curiosidade que antes era uma fagulha agora se tornara uma chama. E ela não sabia se conseguia - ou se queria apagá-la.
Voltou para a cama, deitou-se ao lado de Benício, e ficou ali, acordada, sentindo o corpo pulsar de desejo. Pela primeira vez na vida, ela se sentiu dividida entre a segurança que tinha e a aventura que agora desejava. A madrugada se arrastava, e ela ficando preocupada. Havia uma porta que estava se abrindo pra ela, mas havia um temor tremendo em entrar. Ela conversou com Benício, pediu socorro, mas o resgate não veio como queria. Se aquilo continuasse, a quem ela ia recorrer????
(continua...)