Visão de Andressa:
A manhã seguinte chegou. Eu me levantei e o Leandro já tinha ido pra escola. Fui até a cozinha e liguei o fogão pra fazer o café. Preparei um café forte na cafeteira antiga, tostei alguns pães na chapa e fritei dois ovos com gema mole, do jeito que o Marcos gostava.
Ele se levantou pouco depois, veio até mim, me beijou no pescoço e disse:
— Bom dia, amor. Noite boa, hein?
— Sim — eu respondi.
Por dentro, porém, eu ainda me sentia mal. Tinha sido um sexo fraco. Eu não tinha atingido o clímax e a insatisfação continuava latejando em mim.
Olhei pra ele e perguntei:
— Vai trabalhar hoje?
— Não. Vou no jogo de futebol do Leandro — ele continuou. — Vamos juntos, amor? A Larissa não está aqui pra me acompanhar.
— Vou ver se eu consigo — eu disse, e fui lavar a louça e as roupas.
Enquanto estava no tanque, um pico de queda de luz aconteceu. Achei estranho, mas não liguei. Minutos depois entrei em casa pra guardar as vasilhas e notei uma poça de água vazando de baixo da geladeira.
— O que será isso? — falei sozinha.
Olhei a geladeira. Estava ligada a tomada, o motor funcionando aparentemente , mas a água continuava escorrendo. Chamei o Marcos e pedi pra ele chamar um técnico.
O homem veio rápido, abriu a parte de trás, mexeu um pouco e foi sucinto:
— A geladeira queimou.
Olhei pro meu marido. Ele baixou a cabeça e disse:
— Não tenho dinheiro pra pagar por uma nova agora.
Fiquei em silêncio um segundo e falei:
— Eu tenho. Da faculdade do Leandro.
Marcos se aproximou, me abraçou e respondeu:
— Sim, amor. Depois eu te devolvo.
Apertou um pouco mais e completou:
— Vamos no futebol do Leandro e depois vamos no shopping comprar uma geladeira nova.
Eu respirei fundo e aceitei:
— Ok, amor. Vamos juntos.
Eu então terminei de lavar as roupas e as estendi no varal da área de serviço, o tecido batendo leve com o vento quente da tarde. Enquanto isso, ia preparando o almoço. A casa parecia cair aos pedaços aos poucos. A caixa d’água vazava se o registro ficasse aberto o dia inteiro, então assim que ela enchia a gente tinha que correr pra fechar. A luz dava uns picos de queda rápidos, tão rápidos que às vezes nem percebíamos direito. E agora a geladeira estava queimada, virando só um móvel inútil no canto da cozinha. O feijão chiava alto dentro da panela de pressão, o cheiro se espalhando pela casa simples. Eu olhava minhas unhas enquanto mexia a comida: estavam por fazer, o esmalte já lascado nas pontas, algo que antes eu nunca deixaria acontecer. Sirvi o almoço na mesa pequena da cozinha — arroz, feijão, uma carne moída simples e um pouco de salada — e chamei o Marcos.
— Amor, que hora é o futebol?
— Às dezesseis horas — ele respondeu, sentando-se na cadeira.
— Vou ao mercado e depois ao salão de beleza —Eu respondi, já se sentando também.
— Ok .Ele respondeu .
Nós dois almoçamos juntos em silêncio por alguns minutos. O barulho da panela de pressão ainda ecoava na cozinha, misturado ao som distante de uma moto passando na rua. Eu comia devagar, sentindo o gosto simples da comida, tão diferente das refeições elaboradas que um dia foram rotina. Marcos mastigava concentrado, o olhar cansado, a barriga um pouco mais marcada sob a camiseta. A casa quente, o cheiro de feijão, as unhas por fazer e a geladeira quebrada formavam o cenário da nossa nova realidade. Mesmo assim, ali naquela mesa pequena, ainda tentávamos manter alguma normalidade.
Segui até o mercado do bairro. Era bem diferente dos que eu estava acostumada. Corredores estreitos, prateleiras simples, o chão um pouco sujo e o ar-condicionado fraco. Passei pelos corredores pegando só o essencial: um pacote de arroz, feijão, óleo, um pouco de carne moída e alguns itens de higiene. A compra do mês já tinha sido feita, então não precisei de muita coisa.
Pedi ao funcionário para levar as compras até em casa e entregar para o meu marido. Assim que saí, liguei para o Marcos e o informei que as compras seriam entregues.
Em seguida, pedi um Uber até o salão onde sempre fui cliente, mesmo depois da falência. Quando cheguei, havia algumas mulheres fazendo unhas e cabelo. Na minha bolsa estavam exatamente 250 reais, o valor que eu tinha separado para unha e cabelo.
Assim que entrei, senti os olhares. Julgamento. Preconceito. A nova realidade da minha vida estava estampada no rosto delas.
Uma delas falou alto o suficiente para eu ouvir:
— Andressa, quanto tempo! Como vai o Marcos?
Outra riu debochada:
— Eu o vi no centro outro dia… gordo, né? E as crianças, como vão?
Respondi seca, com raiva contida:
— Estão todos bem.
Fiquei esperando minha vez, ouvindo elas falarem sobre viagens, roupas de grife e eventos de alta sociedade que tinham frequentado. Coisas que eu e Marcos um dia também fazíamos parte.
Quando fui chamada, sentei. Arrumaram meu cabelo com o mesmo cuidado de sempre, deixando-o solto, ondulado e brilhante. Nas unhas, o esmalte nude clássico que eu gostava, bem feito, brilhante. Por um momento me senti eu mesma de novo.
Na hora de pagar, a cabeleireira olhou o valor e falou:
— Deu 270. A unha subiu para 120 e o cabelo 150.
Eu tinha só 250. Expliquei a situação. Ela entendeu e ia aceitar, mas uma cliente que eu pensava ser minha amiga falou alto, com um sorriso falso:
— Nós entendemos, querida. Seu marido perdeu tudo… é compreensível.
Sorri por educação. Por dentro, queria chorar.
Saí dali rápido, entrei no Uber e percebi que já era quase hora de ir ao futebol do Leandro.
Visão Leandro:
Eu estava no sobrado antigo onde o Wallace gravava os vídeos. O lugar continuava o mesmo: fachada sem identificação, porta lateral de grade, pátio interno pequeno e o estúdio no térreo com luzes profissionais, fundo branco e a cama grande no centro. O cheiro de perfume barato e lubrificante já era familiar.
Eu ia receber a nova criadora que eu e o Rayan tínhamos encontrado. Propomos pra ela gravar com o Wallace, mas a Bruna tinha que avaliar cada nova atriz antes de contratar. Dessa vez ela adorou. Era uma mãe divorciada, 25 anos, mas parecia ter mais de trinta. Precisava do dinheiro, então topou na hora. Era bem gostosa, apesar de não ter seios grandes nem uma bunda muito volumosa. Corpo firme, cintura marcada e um jeito safado no olhar.
Expliquei o script pra ela ali mesmo no corredor. Seriam dois vídeos. O primeiro com o tema BBC. O segundo era de “Assalto”: ela seria assaltada por dois negros — um seria o Wallace e o outro um ator que ele tinha convidado. Só tinha uma coisa que me incomodava naquele cara: o pau dele era bem menor, só 15 centímetros.
Levei ela até o local de gravação. Wallace estava de roupão. Quando me viu chegar com a menina, ele abriu o tecido e o pau de 25 centímetros, grosso e já duro, saltou pra fora, pesado e pulsante.
Ele pegou a folha do script, leu em voz alta e falou:
— Casada que se Vinga do marido com um BBC…
Olhou pra nós dois e completou:
— Vamos começar.
O MG posicionou as câmeras e deu o sinal:
— Pode começar.
Wallace entrou em cena com o pau de 25 centímetros já duro, pesado e latejando. Se aproximou da atriz e falou no tom do personagem:
— Você quer mesmo fazer isso? Seu marido te traiu… e eu, o porteiro do seu prédio, vou arrombar essa sua buceta.
A criadora respondeu, ainda um pouco nervosa:
— Sim…
— Se põe de quatro — ele mandou.
Ela obedeceu. Ficou de quatro em cima da cama, a bunda empinada, a calcinha fina já um pouco molhada. Wallace se posicionou atrás dela, segurou a cintura com as duas mãos grandes e empurrou o pau grosso de uma vez só. A cabeça larga abriu caminho com dificuldade. Ela soltou um gemido agudo, misturado com um soluço de dor. Os 25 centímetros entraram aos poucos, esticando ela ao máximo, até ele enfiar quase tudo.
Ele começou a meter. Estocadas profundas e ritmadas no começo, o pau grosso saindo quase inteiro e voltando com força. A cada investida a atriz gemia, mas o gemido vinha junto com choro. As lágrimas escorriam pelo rosto dela enquanto a boca se abria num “ahn” de dor. Mesmo assim, dava pra ver que no fundo ela sentia prazer. A buceta dela apertava o pau do Wallace a cada estocada, o líquido escorria pela coxa, e o corpo reagia instintivamente, empurrando a bunda de volta contra ele.
Wallace acelerou. Segurou o cabelo dela com uma mão e meteu mais forte, o barulho molhado da pele batendo contra a pele ecoando no estúdio. Ela chorava mais alto agora, soluçando entre os gemidos. As mãos apertavam o lençol com força, os dedos brancos de tanto apertar. Ele não diminuía o ritmo. Continuava enfiando fundo, o pau grosso distendendo ela a cada golpe, a cabeça batendo fundo dentro dela.
A atriz tentava gemer de prazer, mas o choro de dor se misturava. O corpo dela tremia. Wallace começou a perder a paciência. Metendo ainda mais forte, ele falou alto, cortando a cena:
— Com ela chorando de dor não dá. Ela geme de prazer e chora…
Parou de uma vez, tirou o pau dela ainda pingando e olhou pro MG.
— Corta. Vamos para a próxima.
Wallace então olhou pro Rayan e falou:
— Dá uma conversada com ela aí e resolve essa merda.
Depois virou pra mim:
— Vem cá, garoto.
Me levou até o camarim onde ele ficava. Sentou na cama já de roupão e perguntou direto:
— E essa aí que você me arrumou, hein?
— É… era a única disponível — eu respondi.
Ele me encarou sério.
— E a sua mãe? Já pensou no que eu te disse?
Pegou o celular, abriu a conta bancária e me mostrou a tela. Tinha cinquenta mil reais na conta corrente. No cofrinho estavam duzentos e nove mil rendendo.
— Eu tô alucinado pela sua mãe — ele continuou. — Já tenho tudo na cabeça. Ela vai ser um sucesso. E você acha que se ela aceitar vai ficar aqui muito tempo? Os estúdios grandes vão vir em cima dela, como fizeram com a Bruna.
Me olhou fundo e falou baixo:
— Olha, garoto… eu te dou grana e te garanto: você vai comer a sua mãe. Só precisa convencer ela a aceitar a proposta.
— Eu sei… mas é difícil eu falar com ela sobre isso — respondi.
Wallace sorriu de canto.
— Se você quisesse mesmo comer aquela gostosa, ia fazer de tudo pra trazer ela aqui.
Foi nesse momento que a Bruna apareceu na porta. Estava de cropped branco justo, que marcava os seios grandes e firmes, e um short jeans extremamente curto que quase engolia a bunda grande e empinada. A pele morena cor de mel brilhava, o cabelo preto liso caía nos ombros e as tatuagens no braço direito e o leão nas costas apareciam quando ela se mexia. Ela tinha um ar provocante, confiante, do tipo que sabia exatamente o efeito que causava.
Passou a mão devagar onde tinha a aliança de casamento. O gesto simples me deu arrepios e meu pau endureceu na hora.
Ela se aproximou do marido, ajoelhou na frente dele e falou com um sorriso safado:
— Vou te animar pra você gravar com a atriz, amor.
Abriu o roupão, pegou o pau de 25 centímetros já meio duro e enfiou na boca. Começou a chupar com vontade. A língua rodava na cabeça grossa enquanto ela descia até quase engolir tudo. Wallace gemeu fundo, a mão grande no cabelo preto dela. Bruna chupava com ritmo, salivando, o som molhado enchendo o camarim. Subia e descia a cabeça rápido, às vezes parando só na cabeça pra chupar forte, outras vezes engolindo fundo até a garganta. Wallace começou a respirar pesado, os músculos do abdômen contraindo.
Pouco depois ele gozou. Segurou a cabeça dela e jatos fortes saíram. Uma boa parte foi direto na boca, mas ele tirou no meio e continuou gozando no rosto e no pescoço dela. Esperma escorrendo pelo queixo, pingando nos seios marcados pelo cropped.
Bruna engoliu o que tinha na boca, limpou o canto dos lábios com o dedo e falou, ainda ajoelhada:
— Daqui a trinta minutos tem a gravação do assalto.
Eu já estava editando a primeira parte do vídeo do assalto. A cena começava assim: a atriz estava dentro de um carro que a gente tinha alugado. O ator de pau pequeno aparecia, rendia ela na mão armada e a colocava no porta-malas. Pela câmera instalada lá dentro, ela pedia ajuda, a voz tremendo. No banco da frente, o ator vasculhava a carteira e o porta-luvas, mas não achava nada. Ficava nervoso e decidia levar ela até o chefe.
A cena cortava pro estúdio. Wallace, no papel de chefe, entrava. O ator jogava a atriz em cima da cama e falava:
— Chefe, temos um problema. Ela não tem nada na conta.
Wallace olhava ela de cima a baixo, o pau de 25 centímetros já marcado no short, e respondia:
— Ela tem sim. Um belo corpo que vai implorar pelo meu pau preto.
A gravação do sexo começou. Wallace tirou a roupa dela com pressa, separou as pernas e enfiou o pau grosso de uma vez. A atriz soltou um gemido alto, misturando prazer e dor. Ele meteu fundo, as mãos grandes segurando as coxas dela abertas, o ritmo forte e constante. O barulho molhado ecoava no estúdio enquanto ela gemia a cada estocada, a boca aberta, os olhos semicerrados.
No meio da cena, Wallace parou de repente.
— Corta. Posicionamento errado.
O MG pausou as câmeras. Wallace ajeitou o ângulo da perna dela, puxou o quadril um pouco mais pra cima e mandou:
— Agora. Continua.
Voltou a meter com força. A atriz voltou a gemer, desta vez mais alto. O pau grosso entrava quase inteiro a cada investida, esticando ela, e ela respondia com gemidos de dor e prazer misturados, mas sem chorar. As unhas dela cravavam no lençol. Wallace acelerou, metendo mais fundo, a barriga batendo contra a bunda dela. Ela rebolava debaixo dele, pedindo mais com o corpo mesmo enquanto soltava “ai” e “porra” entre os gemidos.
A cena continuou até ele gozar. Tirou o pau, jatos quentes cobriram a barriga e os seios dela. O MG deu o ok. Tinha sido gravado por completo.
A criadora se sentou na cama, ainda ofegante, e sorriu:
— Eu adorei a gravação. Foi dinheiro fácil.
Wallace, porém, saiu bravo. Ele odiava ter que parar no meio pra corrigir posicionamento de criadora. Passou por mim sem olhar e falou seco:
— Vou tomar banho. Já é hora do futebol.
Eu, o MG e o Rayan nos olhamos.
Bruna, ainda no sobrado, falou do outro lado da sala:
— Espero que vocês não tenham batido punheta hoje. Temos que ganhar o jogo.
Alguns minutos depois o Wallace saiu do banho, vestiu uma camisa do time e entrou no Gol de 2009. Nós três subimos no carro e seguimos até o campo.
O local dos jogos era um terreno plano um pouco afastado do centro do bairro. Campo de terra batida, grama rala e irregular, duas traves antigas de metal com redes surradas. Não tinha arquibancada de verdade, só alguns bancos de concreto rachados na lateral. Um muro baixo de bloco cinza cercava o espaço, e do outro lado passava uma rua de terra. O vestiário era um barracão simples de madeira e zinco, com chuveiros frios e cheiro forte de mofo e suor.
Wallace parou o carro, desceu e já começou a passar as instruções. Falou sobre como abrir espaços, quando chutar de fora e quando penetrar na área. Dava liberdade pra gente jogar, desde que seguisse o esquema básico que ele montava.
No final, ele bateu as mãos uma na outra e falou:
— Vamos nos arrumar pro jogo, garotada.
Em seguida virou de costas e foi em direção ao pequeno escritório improvisado no canto do barracão, junto com a comissão técnica dele.
Visão de Andressa:
Cheguei em casa já próximo das 16h. Ainda estava brava com o que tinha acontecido no salão. Fui direto pro banho. Saí, me vesti com elegância — um vestido leve, mas justo o suficiente pra marcar o corpo — e coloquei um óculos escuros por causa do sol forte que batia no céu.
Marcos já estava me esperando. Subimos no Honda Civic dele, que nem o IPVA estava pago. O carro rangia um pouco, mas nos levou até o campo.
Quando chegamos, fiquei pensativa. Aquele lugar era básico demais. Campo de terra batida, grama rala, traves antigas e nem uma arquibancada decente. Os poucos espectadores se aglomeravam perto de um dos gols, em pé ou sentados em bancos de concreto rachados. Eu e Marcos ficamos ali também.
— Eles jogam aqui, Marcos? — eu perguntei, quase sem acreditar.
— Amor, sim — ele respondeu.
— E é a última vez que eu apareço aqui — falei, já me arrependendo de ter vindo.
Ele me olhou e tentou acalmar:
— Relaxa, querida. É um jogo importante. O time adversário tem uma estrutura espetacular, e isso tá motivando essa garotada. Você vai ver.
Ele se afastou um pouco. Foi quando vi o Leandro entrar em campo com os companheiros. Estava bem posturado, a camisa número 2 colada no corpo atlético, o cabelo em trancinhas bem feitas. Andava com a confiança de quem se sentia em casa naquele ambiente.
Pouco depois Marcos voltou com três cachorros-quentes na mão.
— Um é seu, meu amor.
— Não quero — eu respondi.
— Então segura pra mim.
Ele já enfiou o primeiro na boca ali na minha frente, comeu rápido e partiu pro segundo enquanto o jogo começava.
O primeiro tempo foi corrido. O time adversário realmente parecia mais organizado, mas os meninos não se entregavam. O Leandro, de volante, roubava bolas no meio e distribuía com precisão. O MG, mais avançado, aparecia bem nos contra-ataques, sempre com aquela cara séria. Já o Rayan era o mais perigoso: forte, rápido e finalizador. Foi ele quem abriu o placar num chute cruzado depois de uma tabela com o Leandro. O adversário empatou ainda no primeiro tempo, num lance de bola parada. Terminou 1 a 1.
Então veio o segundo tempo.
O Leandro se aproximou da lateral e falou, ofegante:
— Oi, mãe. Que bom que você veio.
— Eu te amo, meu amor — eu respondi, sorrindo pra ele.
O Rayan e o MG apareceram logo atrás. Olhei pros dois e falei:
— Boa sorte, meninos. Faz um gol aí pra mim.
Eles acenaram e voltaram pro campo.
O segundo tempo ficou bem mais violento. Entradas duras, empurrões e o juiz perdendo o controle da partida. Mesmo assim, o time do Leandro não se entregou. O MG roubou uma bola no meio, passou pro Leandro, que abriu na direita pro Rayan. O Rayan recebeu, driblou o zagueiro com força e cruzou rasteiro. O Leandro apareceu na pequena área e só empurrou pro fundo do gol. 2 a 1.
Enquanto isso, toda vez que eu olhava pro lado, o Marcos estava com alguma coisa na mão. Primeiro foi um saquinho de pipoca. Depois um copo de batata frita. Ele comia sem parar, concentrado no lanche mais do que no jogo.
O apito final soou. Vitória.
Eu e o Marcos fomos até o Leandro. Eu o abracei forte, ainda suado da partida.
Foi quando o Wallace, o treinador dele, apareceu ao lado da Bruna. Eu já a conhecia de uma vez que eu e o Leandro tínhamos encontrado ela com o Rayan num shopping.
— Vamos comemorar? — Wallace perguntou, sorrindo.
Marcos respondeu na hora:
— Não podemos. Vamos no shopping.
Os dois acenaram positivamente com a cabeça. Nós nos despedimos e saímos em direção ao carro.
Então seguimos até o shopping. Chegando lá, eu e Marcos entramos na loja mais em conta e escolhemos a geladeira. Na hora de pagar, peguei o cartão do banco onde guardo minhas economias e a poupança.
Coloquei na maquininha, digitei a senha… e a compra foi recusada.
Tentei de novo. Recusada outra vez.
O desespero me bateu na hora. Abri o aplicativo do banco e veio a bomba: dinheiro bloqueado.
Assim que li aquilo, saí da loja, me sentei num banco do corredor e liguei pro gerente. Por sorte ele era um amigo meu. Ele olhou a situação e falou com a voz baixa:
— Tenho uma péssima notícia pra você, Andressa. Seu dinheiro foi bloqueado para o pagamento de uma dívida da empresa do seu marido. A justiça ordenou o bloqueio. Amanhã vão cobrar.
— É impossível — eu disse, a voz falhando. — Eu não sou sócia da empresa.
Foi quando Marcos, que estava do meu lado, falou baixinho:
— É sim… de dez por cento.
Desliguei o telefone na hora e virei pra ele, o sangue fervendo:
— Como assim?
Ele começou a explicar, nervoso, que me tinha colocado como sócia, mas que era ele quem controlava a minha parte. Que nunca imaginou que a conta seria bloqueada.
Eu não aguentei.
— Você é um irresponsável! Você não me falou nada!
Marcos abriu a boca pra responder, mas de repente levou a mão ao peito. O rosto ficou pálido, os olhos arregalados. Ele cambaleou e caiu pra trás.
Estava infartando.
Eu entrei no carro e o levei embora pro hospital. Ele ia fazer uma cirurgia de emergência. Enquanto dirigia, sentia uma raiva enorme dele… mas ao mesmo tempo torcia pra cirurgia ser um sucesso e ele sair dali logo. O pior era a faculdade da Larissa. O próximo semestre ainda não estava pago, e isso me corroía por dentro.
Pouco depois ela chegou no hospital.
— Mamãe, está bem? — perguntou, o rosto preocupado.
O Leandro apareceu logo em seguida.
— O que aconteceu? — ele perguntou.
— O papai teve um infarto — eu respondi, a voz embargada.
Foi quando o médico saiu da sala e veio até nós.
— A cirurgia foi bem-sucedida. Ele teve uma parada cardíaca durante o procedimento, mas conseguimos reanimá-lo. Vai precisar ficar internado por alguns dias.
Agradeci o médico e me sentei na cadeira fria do corredor, com o Leandro de um lado e a Larissa do outro.
Olhei pros dois e falei, quase sem força:
— Estou no fundo do poço.
Virei pra minha filha:
— Eu não tenho dinheiro pra pagar a faculdade mais, querida. Sinto muito.
Nós duas nos abraçamos forte. Senti o corpo dela tremer um pouco.
Depois olhei pro Leandro:
— Eu não sei o que fazer agora…
Os abracei os dois ao mesmo tempo, apertados contra mim, sem saber o que a vida ainda ia me reservar.