Já passava de meia-noite quando terminamos o jantar. Nosso grau etílico já estava razoavelmente acima da medida do bom senso, ainda mais para quem já havia tomado um porre de cerveja depois da pelada com a rapaziada.
Aliás, por falar em pelada, nada como ver sua mulher pelada na cama com outro, fazendo mil e uma safadezas, para justificar o segundo porre do dia. Afinal, dormiríamos no motel, naquela cama da minha vergonha, e só retornaríamos para casa no dia seguinte.
A música tocava baixo e a pouca luz sugeria um clima de fim de festa. Poderia ser, também, de romantismo. Improvável. Eu estava sentado na poltrona, Morgana na beira da cama. Apesar de adúltera, ou precisamente por isso, estava terrivelmente sensual saboreando uma taça de espumante, enquanto eu me embebedava com mais uma cerveja.
Seu vestido provocante fazia com que qualquer gesto seu parecesse um convite a no mínimo desejar coisas indecentes com ela. E o pior é que ela sabia disso. A cada segundo que passava, aumentava a vontade de devorá-la, mas eu me continha. As imagens daquela noite ainda estavam em minha mente, sobretudo aquela cena do boquete.
Lembrar da forma como Morgana me provocou fazia com que meu pau reagisse e eu não estava plenamente confortável com aquilo, só para ser delicado.
- Por que você me provocou daquele jeito quando estava mamando na rola do loirão?
- Provoquei? – reagiu Morgana com a cara mais cínica do mundo, descruzando e voltando a cruzar a perna, com a barra lateral do vestido quase chegando à cintura.
- Morgana, sem joguinho – protestei.
- Ah, amor, eu pensei que isso deixaria você mais excitado – respondeu, com tranquilidade.
- Por que você achou isso, Morgana, se eu nem queria ter vindo junto?
- Por causa do seu tesão de corno manso, amor.
Eu ia responder que não tenho tesão de corno manso coisíssima nenhuma, mas aquela cruzada de perna e o jeito provocativo de Morgana me fizeram reconsiderar.
- Você não gostou, amor? Se não gostou, me desculpa, eu não queria magoar você.
- Não me magoou, mas me pareceu que você queria me humilhar – ponderei.
- Jesus, Alexandre, nem fale uma coisa dessas. Eu nunca na vida faria nada deliberadamente para magoar ou humilhar você. Tudo que eu falei sobre o que aconteceu essa noite, desde que você colocou essa fantasia maluca na minha cabeça, foi absolutamente honesto. Eu não gosto de mentiras e não preciso delas – reagiu Morgana, incomodada.
Minha futura esposa veio sentar-se em meu colo e envolveu meu pescoço.
- Eu te amo, Alexandre. Você tem alguma dúvida disso?
- Não, meu amor, não tenho – falei, acariciando sua coxa, envolvendo sua cintura e retribuindo o beijo estalado em seus lábios.
- Fala a verdade, amor, você não sentiu um pouco de tesão quando eu lambi o pauzão do Roger olhando para você? Deve ter sido tão sensual.
- Você não consegue ficar sem me provocar, não é?
- Estou perguntando porque eu quero saber de verdade. Assim, da próxima vez que nós formos nos encontrar com o Ricardão, eu faço de novo. É por isso que eu quero saber do que você gosta, para satisfazer seu tesão de corno.
Morgana colocava uma sensualidade na voz, para me provocar, que chegava a me deixar mais tonto do que a bebida era capaz de fazer. Simultaneamente, não pude deixar de dar uma gargalhada com aquele cinismo da minha mulher. O que me fez sentir uma espécie de dor de corno renascida foi Morgana ter falado de uma próxima vez.
Aquilo agitou minha mente e meu corpo de um jeito perigoso. Será que aquilo se tornaria minha rotina? Será que, tentando me livrar das agruras de ser um corno esperançoso, eu me transformaria, em definitivo, em um corno colaboracionista, um corno quinta-coluna ou um corno sadomasoquista?
- Quer dizer que o seu plano sempre foi me transformar em um corno colaboracionista? Já está falando de próxima vez, sua víbora? – decidi entrar no jogo, falando em tom de brincadeira.
- É que tesão de corno não dá só uma vez, não é amor? E sua esposinha pensa sempre no seu prazer – reagiu, ao mesmo tempo meiga e debochada.
- Eu fico muito grato por isso, Morgana. Você jura que se imporá esse sacrifício só para satisfazer meu tesão de corno? Você não é uma mulher. É um anjo – ironizei, levando Morgana às garalhadas.
- Não é sacrifício. Desde quando fazer alguma coisa para deixar meu maridinho corno feliz é um sacrifício?
Além do que, a gente bem que poderia chamar o Roger novamente. Foi tão gostoso, amor.
O pior é que quanto mais ela me provocava, mais meu pau pulsava dentro da cueca e uma onda de sensações estranhas tomava o meu corpo, como se eu formigasse por dentro.
- Quer dizer que você quer o Roger, sua putinha de zona? – reagi, fazendo um movimento ágil, bastante improvável para o teor alcoólico no meu cérebro, que quase fez com que Morgana fosse parar no chão e me levasse junto.
Consegui colocá-la de bruços sobre o meu colo e seu vestido se encarregou de se levantar sozinho, deixando aquela bunda maravilhosa da minha futura esposa de fora, o que me fez bater com mais gosto.
- Ai, Alexaaaaaandreeeeee, seu louco!
- Isso é para a senhora aprender a respeitar seu futuro marido, sua putinha adúltera e oferecida.
- Aaaaaiiiiieeeeeee! Socoooooorrooo!
Morgana estava muito sexy levando uma surra humilhante, levando palmadas no bumbum feito uma menina levada ganhando castigo. A visão era linda, com aquela calcinha pequenina socadinha no meu rabão preferido. Seus gritinhos e protestos, era possível perceber, eram mais de tesão do que de protesto ou dor, embora eu estivesse caprichando na potência das palmadas.
- Eu vou ter processar, seu desgraçado! Tá doendo, porra! E tá me matando de tesão, seu filho da puta – protestou aos gritos e toda esbaforida, com o cabelo todo desalinhado e o tesão escorrendo de seus lábios.
- Tá com tesão, sua cachorra no cio? – reagi, colocando-a de quatro no chão, com o peito escorado na poltrona.
Puxei sua calcinha para baixo. Morgana se empinou toda. Levei a mão à sua entrada, que já estava completamente molhada. Era muito bom saber que ainda ficava molhada para mim daquele jeito, o que mexeu com minha autoestima.
- Isso, puta safada, empina essa raba adúltera para mim, que eu vou te foder com gosto – falei, já pincelando sua entrada com a cabeça do pau, fazendo Morgana tremer de desejo.
- Então fode sua puta adúltera, seu corno manso filho da puta! Mete com gosto, desgraçado, que você está me matando de tesão, porra!
Meu pau estava gigantesco de tanto tesão e Morgana percebeu.
- Caralho, Alexandre, meu Deus, que gostoso!
Foi naquele momento que eu percebi o que significava aquela loucura que havíamos feito. Eu nunca havia visto Morgana tão histérica. A puta da minha futura esposa grunhia, uivava, gritava, latia e me incentivava com palavras a tratá-la como uma puta bem rampeira.
Com o escândalo que fazia, seu corpo pingava suor mesmo com o ar-condicionado ligado, eu tive dificuldade para me controlar. Depois de muito socar fundo na sua bucetinha, não aguentei. Tirei o pau de sua buceta e puxei-a pelo cabelo para que ficasse com o rosto na mira dos meus jatos, que transformaram seu rosto em um mar branco.
Morgana delirava com os olhos fechados e os lábios semiabertos. Não satisfeita, abocanhou minha rola com vontade e chupou com tanta fome, que pensei que fosse arrancar fora, ou meu pau nunca mais fosse voltar ao estado de descanso.
Quando finalmente saiu do transe erótico, se levantou, foi ao banheiro e me gritou de lá para que a acompanhasse no banho, o que não prestou. Foi entrarmos no chuveiro e nos atracarmos num beijo interminável. Percebendo que meu pau já voltava a dar sinal de vida, Morgana se ajoelhou e o abocanhou, fazendo um boquete tão delicioso, que dava vontade de ficar o resto da vida.
Ela apertava os lábios, fazia um vai e vem frenético e ainda movimentava a língua na parte de baixo, me levando à loucura. Quando viu que meu pau já estava duro novamente, se encostou na parede e quase me implorou para meter. Fui implacável nas socadas, fazendo minha mulher gritar de desespero, como eu nunca vira. Eu também estava completamente foda do eixo, entregue a uma excitação descomunal, que parecia fadada a não terminar nunca.
Acabei saindo do banheiro com Morgana encaixada em mim, as duas pernas envolvendo minha cintura, e nos jogamos na cama na posição de mamãe e papai. Minha futura esposa implorava para que eu não parasse e que mantivesse minha língua dentro de sua boca, dominando-a completamente.
Quando percebeu que eu já estava cansado, me jogou deitado de costas e passou a me cavalgar, me xingando de tudo quanto era nome por deixá-la morrendo de tesão daquele jeito, que parecia que não ia passar nunca.
E reagia chamando-a de coisas bem lisonjeiras, sugerindo que ligasse para Roger, para que ele viesse me ajudar a apagar seu fogo.
Fui dar ideia, uma semana depois estávamos eu, Morgana e Roger em minha casa. Tudo começou com jantarzinho, bebidinha e conversa descontraída. Antes de terminar a madrugada como quem voltara da guerra, minha mulher foi impiedosamente torturada, levando pica dos dois em todos os buracos, com direito até a DP, momento que me marcou, porque ela chorava desesperada e pedia para não pararmos.
Aconteceu outras vezes, não me lembro quantas, até que Morgana cismou que teríamos que fazer um ménage a trois com outra mulher. Assim, ela se livraria do risco de ser uma corna esperançosa e se tornaria uma corna entreguista. Aceitei sua proposta, mesmo que não sentisse necessidade de ter outras mulheres. Vai que fosse uma gostosona, né?
Depois disso, veio a troca de casais. Na verdade, foi só com um casal, mas foi muito bom. Nossa vida de libertinagem a quatro durou anos e nos tornamos amigos, mas acabamos nos afastando gradativamente, até que nos perdemos de vista.
Mais recentemente, andamos visitando um clube de swing, mas não era bem nossa vibe. Gostamos de privacidade e discrição, algo que não é muito comum nesse tipo de estabelecimento. Mesmo assim, a casa pegava fogo quando voltávamos daquelas aventuras.
O fato é que hoje, mesmo aos 60 anos, ela tem cinquenta, ainda temos uma vida sexual. Eu me cuido, estou em dia com a academia e com a alimentação. Morgana é uma cinquentona do tipo que desafia a autoestima das de quarenta e ainda rivaliza com as de trinta. Talvez sejam meus olhos de marido eternamente apaixonado por essa puta adúltera.
Dizem que tesão de corno é que nem droga, que não passa. Eu já acho que tem prazo de validade. Morgana, por sua vez, se recusa a fazer esse papel já faz tempo.
- Eu tenho que respeitar minha idade, não é Alexandre? Uma mulher casada não pode ficar se dando a esse tipo de desfrute. Além do mais, eu tenho tudo que eu preciso em casa. Tenho um coroa lindo, gostoso, charmoso, inteligente, bem humorado e ainda bem de vida. O sarrafo está muito alto para os candidatos a Ricardões.
Eu não sei se nossa vida teria sido o que foi sem aquela minha ideia maníaca. Hoje, eu não tenho dúvida de que foi o tesão de corno o aspecto subjacente que me motivou a induzir Morgana a viver aquela aventura. Ele ainda está aqui, porém domado, vivendo mais no campo das recordações do que dos desejos.
Às vezes, a simples alusão verbal às nossas travessuras do passado nos leva a interações mais selvagens do que eu poderia imaginar serem comuns entre duas pessoas da nossa idade.
O importante, porém, é que ganhei uma companheira maravilhosa para toda a vida e me sinto realizado afetivamente. Acho que minha técnica terapêutica para cornos neuróticos e estressados serviu para que eu visse a vida com mais leveza e abriu caminhos, enquanto casal, para nós vivermos mais intensamente e a dois. Mais do que isso, criamos uma intimidade e uma cumplicidade que talvez seja difícil ver em um casal.
Não quero, aqui, fazer propaganda das minhas escolhas. São as minhas, não precisam ser as dos outros. Como operador do Direito, aprendi também com minha vida pessoal que cada caso é um caso. A rigidez, seja da parte de quem for, só serve para gerar injustiça, conflito e insatisfação.
Até a lei, se não for capaz de promover a paz, o equilíbrio, a harmonia e a saciedade de justiça, pode se tornar qualquer outra coisa. Assim são, também, as leis, normas e regras que criamos para nós mesmos e para nossos relacionamentos. Se servem para nós, maravilhoso. Já cumpriram seu papel. Que não as tentemos impor aos outros.
Fim!
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